14 de dezembro de 2012

Heics by Giulia Carvalho

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Capítulo 1 - Condado de Sligo

O sussurro do vento lhe soprava ao ouvido, palavras de um amante irredutível, lhe acalmava os nervos, supria suas necessidades espirituais e curava-lhe parte das magoas. Olhar, do parapeito de um penhasco, a linda Sligo em sua imensidão verde lhe dava a promessa de que algo bom lhe aconteceria. Era difícil dizer, seu futuro agora estava incerto, seu passado sombrio voltaria para lhe assombrar a qualquer momento. O sussurro se foi, tudo se aquietou, sentada no penhasco olhou o nascer do sol com uma promessa de que ela era dona de seu destino. Ficou ali até ele, finalmente, se pôr. Deslumbrante, glorioso e radiador de esperança.
BIP! BIP! BIP!
- Sabia que não demoraria. – falou com a voz solene. Seu bip tocava insistente, mostrando que era esperada no Sligo General Hospital. Era difícil trabalhar lá, um hospital publico... acidentes aconteciam o tempo todo. soltou um suspiro pesado e tentou se lembrar da ultima vez que conseguiu dormir por, pelo menos, seis horas... Ah sim, isso aconteceu... Há muito tempo atrás. Soltando uma risada cansada, da sua própria piada, voltou para a casa enrolando-se ainda mais em seu cobertor, era 01 de Maio, o inverno ainda estava forte.
Batendo as roupas contra si, – com passadas largas – foi até seu quarto para tomar um banho e ir para o hospital. Sabia que no fundo essa correria toda lhe fazia muito bem, pois evitava que a mesma tirasse um tempo para pensar com sua real vida. Prendeu os cabelos louros arruivados em um coque alto e entrou debaixo da agua quente. Como uma cura miraculosa a agua lhe fez um bem melhor do que o sussurro do vento. A costumeira roupa branca já estava separada ao lado de sua cama. Agasalhou-se bem e saiu de casa.
A viagem até o Hospital era longa, por isso dirigiu o mais rápido que podia – e que o limite de velocidade permitia – para chegar a tempo. Viver longe assim do Hospital era um problema, tinha a completa noção disso, mas viver no centro não era bom para pessoas como ela: que precisão de constante privacidade.
- , graças á Deus! – Leroy disse vindo em sua direção. – Um cara bateu o carro e teve uma barra de ferro enfiada na perna.
- Certo – saiu de sua bolha de tranquilidade e entrou no humor em que o hospital estava: pura tensão. Deixou suas coisas em sua sala e correu para a sala de cirurgia. Era difícil ser neurologista e cirurgiã em um hospital tão frequentado como este, era quase recorrente alguém precisar de seus cuidados.
Talvez este era o dilema: cuidar de alguém. nunca teve isso, talvez por isso se dedicava tanto a sua carreira – que poderia ser mais brilhante em uma Nova Iorque da vida, do que no Condado de Sligo. Mas, por hora, era bom se manter apenas na Irlanda.
A cirurgia para remoção da barra não foi tão difícil, nenhuma veia importante fora atingida. O paciente sobreviveria.
O resto da manhã de foi assim, teve pouco tempo para parar durante alguns minutos, como o inverno estava úmido, muitos deslizes de carros aconteciam com frequência.
- Bom, um novo médico se mudou para cá. Preciso que voce o instale, ele dividirá o compartimento de Cirurgia com voce, , o curriculum dele é tão extraordinário quanto o seu.
abriu um sorriso cansado e assentiu. Era completamente profissional em seu trabalho, poupava que os outros médicos viessem com gracinhas para ela. Porém, nada disso impedia que eles fantasiassem com ela.
Assim que ficou sozinha em sua sala – futura sala compartilhada –, o celular de tocou em um timing perfeito.
Devlin apitava na tela.
- Oi, mãe. – falou com uma voz fria e cortante.
- Está no trabalho, suponho – a voz doce de sua mãe lhe deu repulsas.
- Uhum. O que quer, estou bastante ocupada.
- Quero que venha aqui, precisamos conversar sobre aquilo. – sua voz era aquela que não aceitaria um não como resposta.
Suspirou – Se eu conseguir um tempo eu vou, mas não garanto nada.
- Você tem que parar com essa coisa de trabalho, ! – bradou a mãe, deixando sua verdadeira personalidade aparecer: má. – Você já tem 22 anos, pelo amor de Deus! Brevemente atingirá a idade necessária e quando isso acontecer não vai precisar trabalhar mais nesse hospital estupido! Sua função será completamente diferente, então porque não para de se dedicar inteiramente á isto e investigue mais sobre como seu futuro será?! Venha aqui em casa, tenho bons livros.
- E boas tentativas de persuasão. – cuspiu ela. – Meu futuro não está certo, Devlin! Não é hereditário, não significa que me tornarei uma vadia como você! Passarei ai assim que tiver tempo, não me espere acordada. – então desligou.
Falar com Devlin era sempre muito frustrante e doloroso. indagava se era apenas com ela ou se as outras mães, de gente como ela, também eram assim. Não teve muito tempo para deixar suas emoções fluírem, logo duas leves e confiantes batidas surgiram e ela se recompôs como pôde.
- Pode entrar. – disse e se levantou.
Um médico, que deveria ter seus 30 anos, no máximo, entrou e sorriu gentil para ela. Sua pele pálida, olhos dourados e cabelos louros eram um atrativo interessante.
- Olá, sou Carlisle Cullen. O novo cirurgião. – ele disse em uma voz límpida como a agua corrente.
- Muito prazer, O’Brangan, neurologista e cirurgiã. – apertou a mão estendida do médico e sorriu.
Do lado de fora do Hospital, o vento uivou como um lobo solitário, sussurrando para , que – atenta as palavras do vento – manteve a postura na frente do Dr. Cullen.


Capítulo 2 - Avisos

Dr. Cullen era eficiente, agia rápido, sem estresse e concentrado. Não tiveram muito o que falar, ambos prezavam sua privacidade, mas trabalhavam com um companheirismo inesperado. No horário de almoço, ambos sentaram para comer. Dr. Cullen se conteve com algumas saladas, enquanto devorava uma refeição digna de rainha.
- É casado, Dr. Cullen? – perguntou, olhando a aliança de ouro branco cintilando.
- Sim. – um sorriso brilhou em seus lábios, seus olhos se acenderam como uma chama ardente. A irrevogável paixão ardia em seus olhos.
quase rolou os olhos diante daquela observação. Realmente o casamento em seus primeiros anos era a melhor fase, é claro que depois vinha a rotina e traições, nada do que julgava precisar.
- Filhos? – perguntou dando um golada em sua Coca Diet.
- Seis.
arregalou os olhos, ou ele era casado há muito tempo ou sua mulher era uma parideira incansável. – Ual. – disse.
Dr. Cullen riu. – Todos adotados. Eu e minha mulher não podemos ter filhos. – fez uma breve feição de desolamento.
- Oh, sinto muito. – falou, embora no fundo não sentia. Era difícil ela sentir pena de alguém. Seu interior continuava frio e impenetrável para as emoções calorosas.
- É, foi um mártir no inicio, mas agora estamos muito felizes.
- Isso é bom.
- E voce? Não é casada?
riu com breve ironia. – Não. Nem namorado nem nada. Acho que a função de médica ocupa muito meu tempo. – deu de ombros – Não que eu esteja a fim de um relacionamento.
Dr. Cullen riu. – Realmente, voce é muito nova para uma médica com o conceito que voce tem na Irlanda.
- Horas e horas de plantão geraram esta reputação – brincou.
-x-
- Não sei... Como... Consegue... – Melody Flavell disse arfando e tentando se segurar nas arvores mais próximas. – É tão... Íngreme.
riu. Estava encostada em um grande e largo tronco, esperando a amiga subir. – Você que é mole demais, Mel! Achei que iria ser moleza para voce.
Melody bufou e conseguiu alcançar a amiga – Seria... Se meu futuro ainda estivesse incerto. – sorriu com carinho – Ah, saudades da minha juventude onde eu sairia correndo essa montanha acima... Agora que não preciso mais disso, fica mais difícil de fazer.
- Nem me fale em futuro. – suspirou. – Venha, precisamos chegar ao topo!
- Ao topo?! Está de brincadeira não é?! – Melody disse olhando descrente para o caminho tortuoso que tinha ao seu horizonte. – Nunca vou conseguir!
- Ora, deixe de ser boba! Vamos logo! A visão é o que mais compensa, no final. – falou pegando na mão da amiga e a amparando na subida.
- Sua mãe... Veio falar com a minha... Esses dias... Atrás. – Melody comentou brevemente, se encolhendo quando os olhos escuros de enegreceram ainda mais.
- Imagino. Ela vem me ligando também. – comentou brevemente.
- Está quase na hora... – comentou insistente. – Não está ansiosa?
- E porque estaria? As únicas opções é o bem e o mal. – deu de ombros – Não tem nada para ficar ansiosa.
Melody tinha dado tanta sorte! Pensou, . Ficar com o bem para si era um paraiso, embora isso poderia deixa-la um pouco inocente demais. não demonstrava, mas tinha pavor de ficar má... Como sua mãe.
- Isso é um modo horrível de ver o mundo, ! – ela a repreendeu.
- Fala isso porque ficou com a parte boa do mundo. – falou entredentes.
- Bom, voce nem procura saber como será, caso de qual lado fique? – perguntou.
- Não, só quero que venha logo. Não é como se eu tivesse controle sobre isso.
- Argh! É impossível de conversar com voce sobre isso! – bradou a amiga, não estava brava, apenas frustrada. – O’Brangan é claro que faz toda a diferença! No final é quem voce escolhe ser e não quem é obrigada a ser!
levantou uma sobrancelha desafiadora. – Então eu posso escolher no final? Isso não muda muito, não é como se eu quisesse escolher. O meio termo para mim está ótimo.
- Não existe meio termo para nós.
- Pois é... – ia fazer um comentário sarcástico, mas foi detida pelo estranho sentimento de perigo. – Sentiu isso? – olhou em volta.
Melody assumiu uma postura mais séria, todo o cansaço saindo de seu corpo. – Sim, é como se algo errado não pertencesse aqui.
agachou e tocou a terra, macia e úmida ela lhe enviou um zunir, agudo e frenético.
- Definitivamente tem algo de errado aqui. – então se levantou. – Na sexta... o vento uivou para mim. – mencionou tensa.
- Oh, isso não é bom. – Melody. – Devemos voltar, seja o que for não podemos ficar aqui... Sinto que é... Grande e perigoso.
- Espere! – sussurrou e segurou a amiga pelo punho. – Vamos dar uma checada.
- isso não é legal! Não é como quando éramos crianças e saiamos pela mata procurando por algo anormal. Desta vez a coisa é seria e não temos anciões para nos proteger.
- Quem precisa dos anciões? – blasfemou , arrancando um arfar de indignação de Melody – Sempre soubemos como nos virar. – então seguiu para onde a terra zunia mais.
- , vamos voltar!
- Pare de ser cagona, Melody! – falou entredentes. De repente a floresta escureceu, embora o sol estivesse á pino. Isso era apenas o sentido de e Melody tomando suas formas reais.
Caminharam por um bom tempo, a terra zunia mais grave agora para , os zunidos se tornaram palavras.
Perigo...! Não está certo...! É sobrenatural...!
- Está escutando isso?! – sussurrou urgente para Melody.
- Não posso mais escutá-las, , sabe disso. Apenas o zunido. – bradou.
- Algo sobrenatural esta aqui. – falou esclarecedora.
- Devemos avisar os anciões, se tem algo de errado por aqui, eles são os únicos que podem resolver isto...
O vento bateu forte nelas, as impulsionando para trás, impedindo-as de prosseguir. Novamente o vento uivou.
- Já chega! É o ultimo sinal que elas nos dão! Vamos embora!
- Que estranho... – disse – O vento uivou também quando conheci Dr. Cullen. – refletiu em voz alta.
- Quem?
- O novo cirurgião.
Melody silenciou por um momento. – Vamos para a vila e lá conversamos com os anciões, .
Por mais que queria continuar, ela sabia que a insistência de Melody e o vento a impulsando para trás não deixariam que ela prosseguisse... Deu-se por convencida e desceram a montanha.
-x-
A viagem até a vila de Ardgroom não foi muito tranquila, ambas estavam afetadas pelo o que sentirão na montanha. se encontrava elétrica e curiosa, Melody estava temerosa e – como sempre – queria deixar para que os anciões resolvessem isso.
Ardgroom era uma vila que muitos irlandeses procuravam evitar, rodeada por seus mistérios e lendas sobrenaturais, a vila era pequena demais, misteriosa demais. As pedras, que eram de certa forma um ponto turístico da vila, escondiam alguns fatos que as pessoas comuns não sabiam. Ali era o centro de todo o futuro de e de quem era como ela.
Já estava quase anoitecendo quando chegaram, foram bem recebidas. olhou ao redor e se colocou na defensiva, a ultima lembrança de que tinha aqui não era a melhor.
- Mamae? – perguntou, sua voz soprada de adolescente inocente dizia confusa. Seus olhinhos inocentes pairaram no chão, onde o corpo de seu pai jazia inerte.
- O que voce fez?! – a menina gritou para a mãe, que segurava uma adaga.
- Meu futuro chegou, minha filha, como o seu também chegará! – bradou imponente.
A menina acompanhara o que a mãe se transformou, decidida a nunca rumar a este caminho, pegou o mais rápido que pode e saiu de Ardgroom.
- Seu destino não será diferente, ! – Devlin gritava a plenos pulmões, enquanto ria.

A memoria dolorosa foi expulsa da mente de assim que terminou. Voltar aquele lugar lhe feria sentimentalmente. Seu pai era a única coisa próxima de bondade que ela teve na vida. Não era protetor e nunca cuidou dela, mas sua aura bondosa sempre marcou .
- Melody! ! Que prazer em revê-las. – Vladimir as recebeu de braços abertos.
- Temos algo para lhe contar. – falou Melody temerosa. Contou tudo para Vladimir, que ouvia com atenção e preocupação.
- Mandarei os guardiões ao local. Você disse que o ventou uivou quando esse Dr. Cullen lhe conheceu? – ele refletiu. – Pode me dizer como é? – deu todas as informações que conseguiu observar ao ancião. – Sim, vejo... Creio que reconheço essas características de algum lugar... – e então se calou brevemente. – Devem ter cuidado, as duas- então fuçou em sua bolsa. – Leia isto, . Assim poderá se prevenir. – então se virou e saiu.
- Viu, do que adianta falar com eles? – disse jogando o livro no carro – A única coisa que nos dão é livros, avisos e promessas de guardiões. Humpf.
Melody se manteve quieta e sabia que ela estava rezando para Hécate, deusa da magia. Essa era sua religião – embora não seguisse nenhuma -, os antigos deuses.
- Vamos? – falou impaciente, seus olhos vagaram para o morro onde tinham algumas cruzes.
- Quer passar lá e ver seu pai? – perguntou Melody.
- Não.
- Você pelo menos reza por ele?
- Não rezo por ninguém. – falou cada vez mais seca.
- Deveria, os deuses gostariam disto.
A boca de se entortou em desgosto. – Ok, vamos voltar logo.
A viagem de volta foi silenciosa, Melody continuava a fazer suas preces para que tudo desse certo, que os filhos de Ares guiassem nossos guardiões em busca da maldade que acontecia na montanha. Nada que estava a fim de fazer, tinha lá suas duvidas se eles realmente ajudavam. Deixou Melody em sua casa e foi o mais rápido que podia para a sua. Era bom ter o Dr. Cullen para lhe substituir, fazia tempo que ela não tinha um final de semana para si.
Assim que chegou em casa tomou um longo e relaxante banho, colocou seu roupão e se jogou na cama, nem notando que havia adormecido.
A noite estava densa e enigmática, aquela floresta não era conhecida por . Com passos inseguros e temerosos ela andou ate onde a lua poderia guia-la.
- É difícil enxergar nessa escuridão, não é? – uma mulher, de aparência jovem e límpida surgiu ao seu lado.
- Sim, mas é bom também, estar sozinha. – jogou a indireta. A menina riu.
- Nunca é bom ficar sozinha, .
- Quem é voce?
- Ah, eu tenho muitos nomes... – meditou. – O mais importante é voce saber que precisa lutar, por quem voce é. Há uma definição errada de futuro e não estamos felizes com o rumo que isso tem dado á vocês, nossas proles. Mas vocês não nos escutam mais, e os poucos que escutam não levam a sério. Você ainda pode nos escutar, , voce ainda pode lutar. Não deixe sua ignorância definir quem voce é.
A olhou com mais atenção. – Você não me é estranha. – falou e então estreitou os olhos. – Muitos nomes, hum? Com por exemplo...?
- Pode me chamar de Morfeu. – sorriu gentil.
Antes que expressasse sua surpresa a sonho se evaporou e ela acordou assustada.

- Mas que merda! – praguejou. Era impressão ou ela tinha acabado de sonhar com Morfeu? – Deve ser coisa da minha cabeça. – refletiu, sim, deveria ter sido Melody tentando persuadi-la a rezar.
Levantou-se e foi tomar seu café, ainda que fosse sete horas da manhã, não conseguia mais dormir. Assistiu os besteiróis da TV e então resolveu que sairia, curtiria esse tempo que tinha ao ar livre, em vez de ficar enfurnada dentro de casa.
O dia lá fora estava lindo, o sol estava a pino, ele não esquentava, mas deixava a paisagem mais bonita. Por isso abriu todas as janelas possíveis de sua casa, deixando aquela luz miraculosa entrar em limpar o ambiente com sua luz. Tomou um banho de banheira demorado e gostoso. Pegou uma roupa quente: calças leggings térmicas, blusa de mangas, um suéter azul marinho, uma jaqueta quente de pelos internos e botas térmicas. Colocou suas luvas e prendeu o cabelo ondulado em um delicado rabo-de-cavalo.
Terminou de tomar seu café no Breadtix. Uma cafeteira bem frequentada no centro de Sligo.
- Bom dia, Dra. O’Brangan. – diziam as pessoas. já havia salvado muitas vidas.
Seu celular tocou.
- Oi, Mel. – atendeu mordendo um pedaço grande de rosquinha.
- Sonhei com voce hoje. – falou urgente. – É um sinal de Apolo para nós, ! Eu sinto isso!
rolou os olhos. – Pensei que Apolo era o Deus do Sol e essas coisas.
- Não blasfeme! Não brinque com isso! – zangou-se Melody.
- Melody foi só um sonho! – já havia se esquecido completamente de seu sonho, aquelas coisas eram apenas sonhos, nada aquilo era uma predição do futuro ou realidade, apenas sonhos.
- ! Você estava morta! Uma adaga enrustida de prata em seu coração! Sua mãe estava ao seu lado! Isso não é um simples sonho!
riu. – Minha mãe estava do meu lado morta?
- Não, ela estava rindo.
- Uma pena que ela não estava morta. – suspirou decepcionada. – Mel, isso não tem sentido, O.K? São apenas sonhos, por favor não estrague meu final de semana. Depois nos falamos, tá? Beijos! – e desligou.
Continuou a comer suas rosquinhas enquanto via o noticiário. Depois resolveu dar uma volta nos campos da Irlanda. Foi lá que ela se sentou e sentiu seu corpo fluir com a brisa, misturar-se com a terra, fundir-se a umidade terrosa e aquecer-se com o fogo do sol. Ali, ela estava em paz.

Capítulo 3 - Conhecendo o inimigo


Um barulho perturbou sua paz. Passos.
- Mas que inferno! – reclamou e olhou para trás. Lá, vinha uma mulher baixinha, cabelos repicados, roupas da moda e andar cadenciado e dançado. Seus olhos era dourados e um sorriso animado brincava em seus lábios.
- Desculpe se lhe atrapalhei. – disse com uma voz perfeitamente musical. Sua aura parecia ser angelical e inocente.
se recompôs. – Que nada, me assustei com uma abelha. – mentiu.
- Sou Alice Cullen. – estendeu a mão.
OH! Pensou .
- O’Brangan. Trabalho com seu pai.
- Oh sim! Ele comentou. – ela disse e então olhou em volta. – É que eu estou perdida. – sua voz tornou-se mais persuasiva. Isso não passou despercebido por . – Não sei para onde fica Dublin. Preciso fazer umas compras.
- Uma perfeita consumista, então? – murmurou baixo. – Fica a noroeste, siga as placas até sair do Condado, depois vire ao sul e lá terá as placas lhe indicando para Dublin.
- Obrigada! – sorriu mais radiante que o sol. – Não gostaria de me acompanhar?
- Ah não, eu não sou de fazer compras. – sorriu brevemente. – Faz tanto tempo que não saio daquele hospital que me enfurnar em algo fechado não me cai bem no momento.
- Tudo bem. Nos vemos por ai, imagino.
apertou um sorriso no rosto. – Claro.
-x-
- Bom dia, Dra. O’Brangan. – Dr. Cullen disse.
- Bom dia, Dr. Cullen. – soou mais receosa, quase como se preferisse ficar longe dele. – Fim de semana agitado?
- É, aqui parece ocorrer muitos problemas. – ele disse, mas não parecia estar se queixando.
- Uhum. – retomou a papelada que se encontrava em sua mesa. – Espero que sua filha tenha encontrado Dublin com facilidade.
- Oh, sim! Encontrou, muito obrigado por isso.
deu de ombros. Voltaram ao seus afazeres.
-x-
No final do expediente, alguns médicos foram chamados á sala de palestra, onde o supervisor geral avisou sobre a festa beneficente que teria no hospital, para arrecadar fundos para o Centro de Tecnologia – que ficava ao lado do Hospital.
- Será dia 5 de agosto, espero ver todos lá. – avisou.
Ótimo, bem na primavera – pensou . Primavera era a única estação que se sentia desconfortável. Talvez isso não fosse um bom presságio. Assim que terminou todos voltaram ao seus afazeres, rumou para sua casa, o seu expediente e o do Dr. Cullen haviam acabado.
Seguiu quieta para sua casa até que, quando foi entrar, algo sussurrou.
Deméter! Deméter! Deméter!
A essência de se revirou, então ela olhou para a mata distante de sua casa, e um vulto grande e imenso passou pela orla. Domada pelo susto, de inicio apenas praguejou baixo, depois correu para ver o que era. Assim que entrou na floresta ela foi guiada.
Esquera! Direita! Vá em frente! Não pare, , não pare!
Ela corria o mais rápido que podia – o que era bem mais rápido do que um humano – então notou que seus passos não eram refletidos na solidão da floresta. Era como se seus passos estivessem sendo encobertos.
Pare!
Ela parou bem a tempo de ver... Um enorme lobo arruivado. Grande como um cavalo, se não maior. Seus olhos se arregalaram, o grito se prendeu na garganta. O bicho virou e, parecia surpreso também, então mostrou os dentes.
não recuou, so estava surpresa, não com medo. Tentou dominar seus sentimentos e quando os controlou avançou com passos incertos na direção do animal, que – surpreso – recuou alguns passos.
- Hécate. – sussurrou para o animal. Estendeu a mão, querendo tocar o animal. – Sh... – falou assim que o animal recuou mais. – Hécate, shh... – e então estava a uma respiração de distancia do animal. Um sorriso involuntário cobriu seus lábios. O animal era bom, por mais que feroz. Dócil, ainda assim letal. Tocou levemente os pelos grossos do lobo, que estremeceu. Olhou nosolhos do animal, um negro como a noite e consciente como um humano.
O animal a olhou também, dentro de seus olhos. Então os fechou quando a mão de fez um carinho mais presente do que o leve tocar de dedos.
- Incrivel. – sussurrou assim que a pele do animal entrou em contato com a sua. A magia irradiava ali. – Sinto sua magia. – falou deslumbrada. – Sinto sua consciência... – rondou o animal, que continuou parado. – Só não sei o que é. – ficou do outro lado do bicho. – Não esta nas lendas... É diferente. – então suspirou. – Como eu. – falou em pesar.
O animal levemente pendeu a cabeça de lado, a confusão em seus olhos. Então, como se acordasse de um transe, assumiu uma postura defensiva e correu para longe de , que não lhe negou a fuga, apenas a assistiu deslumbrada.
Ajoelhou-se no chão e tocou a terra. – Alseíde, dá-me sua benção e guia-me no caminho de volta. – pediu, pela primeira vez em muito tempo, amparo das ninfas.
O zunido voltou grave até encontrar as palavras nele. Então correu de volta a sua casa, deslumbrada com o que tinha conhecido naquela noite.
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Podia-se dizer que estava um pouco mais crente em seus deuses no momento, também, o que encontrou no bosque não foi qualquer coisa.
A primavera chegou e consigo o desconforto de pela estação, tudo parecia feliz demais para ela. Perfeito demais. Assim veio a festa beneficente, todos os preparativos estavam indo bem, porém isso não fazia com que a movimentação frenética do hospital parasse. O coleguismo entre Dr. Cullen e Dra. O’Brangan se tornou menos do que isso, Carlisle parecia disposto a manter uma amizade saudável, porém seguia o uivo do vento, se mantendo o mais distante possível.
- É estranho, eu não sinto ameaça nele, como sentimos nas montanhas. – Comentou com Melody, as duas se encontravam na casa de , enquanto a mesma escolhia sua roupa. O tempo estava agradável, como toda primavera era. jogou na cama um shorts preto de couro e agarrado, uma camisa branca e com transparência, pegou um tamanco meia pata peito fechado amarelo, sua bolsa preta de franjas, separou suas pulseiras, colares e anéis dourados.
- Esses são os piores. – Melody vestia uma meia calça rendada preta, uma ankle boot preta, vestido preto sem detalhes, colares dourados, e um blazer branco, o cabelo castanho médio liso escorrido solto em seus ombros, lábios vermelhos – contrastando com a pele morena e lisa – olhos bem delineados.
estava acostumada em se arrumar rápido, por isso não demorou dez minutos para estar pronta. Não passou maquiagem, além de um leve gloss, deixou os cabelos louros arruivados mais bagunçados e então saíram.
- Você o conhecerá hoje. – disse firme – Verá do que estou falando.
- , talvez voce realmente deva dar um tempo no hospital, vá procurar se informar sobre como poderá ser sua vida, no que voce quer que sua vida seja. A vinda do Dr. Cullen é ainda mais um motivo, entende? Deixe o hospital, vai que voce está correndo algum perigo? Já lhe disse que meu sonho ainda esta muito vivido em minha mente.
bufou – Está vivo porque voce não para de pensar nele, apenas.
O resto da viagem foi as duas discutindo sobre isso. decidiu não contar sobre o sonho que teve e a aparição do grande lobo na floresta, sabia que a amiga surtaria e não sairia do seu pé até ir buscar mais informações sobre seu futuro.
O hospital estava movimentado, alguns pacientes estavam no salão, onde ocorria a festa beneficente, a musica irlandesa agradável ressoava como um sopro de ar, bem suave.
- Dra. O’Brangan. – Dr. Cullen a cumprimentou.
- Dr. Cullen – disse sorrindo. – Esta é minha amiga, Melody Flavell.
- É um prazer conhece-la. – sorriu gentil.
- O prazer é meu.
- Esta é minha esposa, Esme Cullen. – ele apresentou.
- É muito bom conhece-la, Dra. O’Brangan, as pessoas comentam muito sobre a senhorita. – Esme disse sorrindo calorosa. Era mediana, pele pálida como a do marido, olhos dourados, cabelos cor de mel em ondas sofisticadas e retrô. O calor maternal ardia em seus olhos.
sorriu afável. – É um prazer também conhece-la. Tenham uma ótima festa. Se nos derem licença. – as duas saíram para pegar alguma coisa para beber.
- ! – ouviu um tinir de soprano, era Alice Cullen, vindo sorridente em sua direção. Usava um vestido floral e detalhes em azul e amarelo. Muito bonita. Quase como uma ninfa.
- Olá, Alice! – sorriu pouco. – Essa é minha amiga, Melody. Melody, essa é Alice Cullen, filha do Dr. Cullen.
- Um prazer conhece-la. – Melody estava cada vez mais receosa em relação aos Cullen. Indagava-se sobre a amiga querida, que ainda continuava próxima á eles. O perigo irradiava deles, embora nada muito forte, apenas aquela sensação de que não deveria chegar perto deles... Melody olhou Alice com mais atenção, embora ela fosse angelical Melody conseguiu ver algo de escuro nela, algo que só alguém boa como ela conseguia ver. Cercava Alice de uma forma intima e intensa.
- O prazer é meu. – sorriu. – Obrigada pela dica no domingo, foi muito mais rápido do que eu esperava.
- Disponha. Espero que voce e sua familia estejam gostando da Irlanda.
- É um lugar fantástico! – declaro entusiasmada. pensava se Alice teria um botão de slowmotion.
- Sim, é.
- Oh, eu tenho que ir, mas espero vê-la novamente. As duas. – sorriu e saiu.
- , amiga, escute o que eu digo, não são boas pessoas. – Melody disse assim que Alice adquiriu uma distancia segura para dizer. – Eu vi a aura negra em volta dele, de todos eles, esta presa a eles, com uma intensidade que nunca vi antes.
mordeu o lábio inferior, refletindo as palavras da amiga.
- Sei que voce não erraria nisto, Melody, mas muitas pessoas tem a aura maligna, mas de fato não são malignas. Carlisle salvou muitas vidas, alguém maligno nao faria isso.
- Ou ele só esta tentando compensar algo do passado. Salvando as vidas que tirou.
- Isso sim é um pensamento maligno. – zombou com a amiga. – Não se preocupe, se algo ruim fosse para acontecer já o teria.
- Você está cega pela ignorância humana, , passa tanto tempo com eles que esqueceu-se de quem é e o proposito pelo qual existe. – Melody empinou o nariz. – Mas voce verá, minha amiga, que está errada. Só posso rezar para que não seja tarde demais. – então saiu e foi para algum lugar do salão.
suspirou e pegou seu ponche.
- Um para mim, por favor. – pediu um rapaz de voz rouca e quente, chamando atenção de . Ela olhou para trás e deu de cara com um moreno alto, de pele avermelhada, olhos negros como a noite, cabelos escuros como a madrugada, lábios grossos e sedutores, ombros largos, músculos definidos. Um perfeito Eros. Ele a olhou, surpreso e com uma pontada de satisfação. – Sou Jacob Black. – se apresentou.
- O’Brangan. – falou, assim que tocou sua mão aquele zunido lhe veio ao ouvido, a vibração leve e envolvente da magia, olhou novamente nos olhos do moreno e notou que o conhecia de algum lugar... Paciente, talvez?
- Você trabalha com Carlisle. – falou sorrindo dentes brancos e perfeitos. Era um sorriso carinhoso e matreiro.
- É filho dele também? – perguntou erguendo as sobrancelhas, poderia dizer que Alice era filha de Carlisle, pois em alguns aspectos era muito parecida com ele, mas Jacob Black não tinha nada a ver.
Jacob riu rouco. – Não. Sobrinho. – falou.
Nossa ele pegou todo mundo pra criar? Pensou .
- Hm, entendendo. – falou e então pegou mais um ponche.
- Trabalha aqui há muito tempo?
- Uhum, desde que me formei. Nasci aqui então... – deixou a frase sugestiva.
- Deve ser difícil. – analisou ele – Vejo Carlisle trabalhando o tempo todo, sem descanso... Parece exigir muito.
Deu de ombros – Exigi. Mas no final vale a pena. E voce, trabalha aqui em Sligo?
- Ah não, eu cursei Pediatria, mas ainda não sei se é isso o que quero mesmo. – falou. Então deu de ombros.
- Teria uma base melhor se exercesse a profissão. – sugeriu. Bebericou seu ponche e viu Melody do outro lado do salão, com um rapaz. Sorriu faceira. – Se me der licença eu tenho que procurar minha amiga. Foi um prazer conhece-lo, Sr. Black. – a formalidade em sua voz era sensual e chamativa. Não era bem a intenção de em seduzir o rapaz, mas acabou saindo.
- Foi um prazer conhece-la também. – disse caloroso, então foi atrás da amiga, sorrindo para a mesma quando a viu conversando com Leroy.
- Quando será o casório? – perguntou sarcástica.
- Dr. O’Brangan! – Leroy disse surpreso.
- Leroy – o cumprimentou com umaceno de cabeça. – Se importa se eu rouba-la durante alguns minutos, Dr. Cóton?
- Não, de forma alguma! – ele disse sorrindo de leve. Melody se despediu com um sorriso simbólico á ele e então as duas seguiram pelo salão apinhado de gente.
- Desculpe. – falou com pesar em sua voz – Eu sei que voce se preocupa comigo, e sei que tem razão. Mas não estou pronta ainda, Mel.
Mel rolou suavemente os olhos e sorriu para a amiga. – Nunca estamos prontas, . Não tem como estarmos prontas, tolos são aqueles que acham que estão.
sorriu para a amiga. Sempre podia confiar em Mel para dar-lhe uma boa dose de realidade.
- Então, quem era o homem que estava conversando? – perguntou Mel sorrindo maliciosa para a amiga.
rolou os olhos diante da atitude de Melody. – Jacob Black, sobrinho ou primo do Dr. Cullen, algo assim. – abanou a mão com desdém. – Nada de mais.
- Outro Cullen? – ela ergueu as sobrancelhas. – Eles querem povoar Sligo ou é impressão minha?
soltou uma risada baixa e aveludada, algumas cabeças se viraram para ela, surpresas pelo som bonito. – Pode ser... É uma familia bem grande, não?
- Pois é. – Melody fungou com desdém. – Espero que estejam só de passagem.
- Duvido muito. – olhou em direção onde Dr. Cullen e sua familia estavam rindo juntos. – Sligo é uma cidade pequena...
- Perfeita para se esconder, seja do que for. – Melody completou a frase de , que assentiu.
BIP! BIP! BIP!
riu – Bom, o dever me chama. – suspirou – Curta a festa por mim, ok?
- Pode deixar, vou ver se Leroy tem algo para fazer nas próximas duas horas...
- Grr... Nojento. – disse rindo e voltou para o hospital. Colocou seu avental, para não sujar a roupa. Então foi até a recepção. – O que houve?
- Um ataque de alguma animal, o paciente se encontra na sala 8.
correu para lá, então no corredor era possível ouvir os gritos do homem. Se encolheu. Algo sussurrou para ela, suave e urgente, mas ela não se importou, tinha que trabalhar agora e não escutar as ninfas.

Capítulo 4- O paciente


Não havia nada que conseguia fazer. Aparentemente fora um ataque de cobra, duas picadas e o veneno estava a solta pelo corpo do homem, que ainda gritava e alucinava.
- Chame Dr. Cullen, por favor. – ela pediu auxilio. Não estava acostumada a lidar com venenos, talvez Dr. Cullen soubesse fazer algo.
Em menos de dois minutos ele apareceu lá e estacou na porta, olhando assombrado o homem na maca.
- Dr. Cullen! – bradou com ele. – Preciso de sua ajuda!
Carlisle se aproximou da mesa e retirou um pouco de sangue.
- Já o fiz. – tentava conter o paciente, aplicando uma dose cavalar de morfina. – Mas não é nada com o que eu tenha visto, nenhuma cobra da região possuí este tipo de veneno, é forte, denso e esta transformando as células.
- Pode deixar que eu cuido dele, Dra. O’Brangan. – Carlisle disse urgente – Já lidei com isto antes, possa ser que consiga lidar novamente.
- Bom então faça sua mágica doutor. – ela disse impaciente. Não sairia dali, o paciente era seu e ela tinha que aprender como lidar com isto, caso acontecesse novamente.
Carlisle não sabia como agir. Então Alice adentrou ao recinto.
- Pai? Está tudo bem? Escutamos o grito lá do corredor. – sua voz inocente pousou no corpo do homem.
- Sim, querida.
- Desculpe, Alice, mas não pode ficar aqui. – acompanhou Alice até a saída.
- O que era aquilo? – Alice questionou. Toda a familia estava lá. Olhando ansiosos para a doutora.
- Não sabemos ainda, segundo seu pai ele consegue lidar com a situação, mas é um tipo raro de veneno, não é como os das cobras aqui... É denso e rápido... Está transformando algumas células... Não sabemos o que fazer.
- É contagioso? – Uma loura escultural perguntou preocupada. Sua pele perfeita, cabelos em ondas magnificas descendo até o meio de suas costas.
- Não sabemos também, por isso não podem entrar na sala. – olhou repreendendo Alice, que sorriu tímida. – Tentei aplicar morfina, mas não funcionou. Desculpem, eu gostaria de dar mais informações, mas não as tenho. Preciso voltar lá para dentro. – então virou as costas e entrou, mas o paciente não estava mais lá.
saiu da sala confusa. – Holiday! – chamou o enfermeiro que estava com eles na sala. – Onde está o homem?
- Dr. Cullen o retirou, Dra. O’Brangan, disse que cuidaria dele.
A raiva fervilhou em – Ele não pode fazer isso! O paciente é meu! Não dei autorização nenhuma, porque não me passou nada?
O enfermeiro não sabia o que dizer, mas não lhe deu mais chances, seguiu pelos corredores com a familia de Carlisle em seu encalço. Suavemente e discretamente, ela respirou fundo e focalizou as ventanias do norte. O vento lhe veio carinhoso e saudoso, uma leve brisa no corredor, guiando até onde o homem estava. Aos poucos, os gritos foram a guiando.
- Espere! – Edward Cullen disse. – Talvez ele tenha um bom motivo para ter levado o paciente.
- Tendo motivos ou não ele não pode fazer isso! – ela virou-se brava para Edward – Eu sou a superior dele, Sr. Cullen, é minha responsabilidade aquele paciente, em especial, ele não pode simplesmente removê-lo sem minha permissão. É assim que as coisas funcionam por aqui. – olhou para todos. – É bom que se acostumem.
Os passos de eram duros e furiosos, adentrou a sala em que Dr. Cullen estava e se admirou ao ver que o paciente se encontrava quieto.
- O que fez? – perguntou entre dentes.
- Cuidei da situação. – Carlisle estava com aparência cansada. – Sinto muito por...
- Acha que pode retirar o meu paciente da minha sala para “cuidar” da situação? – destacou as palavras ameaçadoramente. – Eu não sei com as coisas eram da onde você veio, mas aqui é diferente Sr. Cullen. – falou novamente entre dentes. – Não pode retirar um paciente de um médico sem a autorização dele, acho que todo médico deveria saber disso. Sou sua superior, o senhor sabe disso, então tem que pedir a minha autorização.
Carlisle assentia educadamente. – Eu sinto muito, mas o paciente estava chamando muita atenção, precisava de um local mais apropriado.
- Então deveria ter me comunicado, enquanto eu falava com sua familia. Pelo o que eu saiba o senhor possui boca para falar. – foi seca. Os olhos de Carlisle endureceram, mas não disse nada. – Qual foi o procedimento?
- Eu apliquei a morfina e induzi o paciente á um coma temporário, ate que todos os diagnósticos fiquem prontos. – sua voz perdera o calor de sempre, agora estava dura e formal.
assentiu. – Pode voltar para a festa, se quiser, Dr. Cullen. Assumo daqui em diante. – disse de costas para ele, avaliando os sinais do paciente. Carlisle se retirou da sala sem dizer nada. ainda estava espumando pela boca, praticamente. O paciente estava estranhamente quieto... Porém sua respiração estava rápida... Não era a respiração de um paciente em coma.
Assim que o Dr. Cullen saiu do quarto, se aproximou do paciente e o olhou fixamente.
- Problemas sérios? – Melody disse encostada na janela, de braços cruzados, um sorrisinho nos lábios.
- Nem me fale. – suspirou. achava que Melody poderia ser considerada um anjo. Ela podia entrar em qualquer lugar, ajudar aos doentes com sua positividade e poderes... no momento a roupa preta fora esquecida e agora ela vestia uma túnica branca digna dos deuses. – Não tem como me ajudar?
Ela sorriu – Farei o meu melhor. – então aproximou-se do paciente, quando tocou-lhe a testa recuou dois passos, como se alguém a tivesse eletrocutado.
- Algum problema? – Os olhos de fitavam Melody com interesse.
- Há algo... Maligno corroendo o corpo deste homem. – ela disse fazendo uma careta. – Sinto muito, não posso tocá-lo, o caminho dele foi fadado.
franziu a testa e tocou o homem, não sentiu nada de diferente. – Não sinto nada.
- Deve ser porque não tem a mesma sensibilidade do que eu. – tranquilizou.
- Ou porque a maldade já está próxima a mim, o suficiente para eu não sentir sua presença. – condenou-se.
- Não fale assim! Não é nada disso, é a sensibilidade, apenas. – Melody tentou confortar a amiga, mas tinha sua mente feita. – Vou lhe provar. – então abraçou a amiga. – Viu? Se o mal estivesse se aproximando de voce, eu não poderia lhe abraçar com tanta facilidade assim.
recuou da amiga. – É só uma questão de tempo, então. – não fora demovida de sua ideia. Porém o que a interessava ainda mais era como Carlisle tinha cuidado da situação. – Hey, é o mesmo sentimento que voce tem sobre os Cullen?
- Não, este é mais forte, talvez porque ainda esteja muito vivido no rapaz, mas a assinatura é a mesma.
- Que tipo de assinatura?
- Algo parecido como maldição. – refletiu – Uma poderosa e definitiva. A do rapaz parece... Instável, mas está ficando definida a cada segundo que passa.
- Então... Se os Cullen são mesmo amaldiçoados... Acha que ele fariam isto com outra pessoa?
- Não sei. Talvez. Mas, pelo o que eu vi, o rapaz foi trazido assim... Os Cullen estavam na festa o tempo todo, todos eles. Pelo menos os que conhecemos.... Alguém... Iguais aos Cullen devem ter feito isto.
O livro que o ancião entregou para foi á sua mente. Como um leve lembrete que ela poderia saber o que estava acontecendo.
- O ancião disse que tinha conhecido um igual á ele... O livro que ele me deu... – ela refletia sozinha, quando olhou para cima notou que Melody não estava mais lá.
Mas... Se os Cullen eram tão maus... Porque tentaram ajudar o homem? Afinal de contar, Dr. Cullen não sairia com ele do nada para prejudica-lo, estava tentando ajuda-lo, ele calou o paciente, o induziu ao um coma... olhou para o polar, então se aproximou bem dele, para ter certeza do que vira. Mas não havia outra explicação, estava lá – cerca de alguns minutos antes – os batimentos cardíacos do paciente atingirão picos que nenhum coração aguentaria... voltou seu olhar para o paciente, sua respiração estava rápida.
- O que fizeram com voce? – perguntou baixinho para ele, tocando sua mandíbula que parecia tensa... Havia, definitivamente, algo de errado com ele. A respiração não deveria estar tão rápida, não se ele estivesse em coma conduzido.
pegou seu bip e chamou os enfermeiros.
- Movam-no para a minha ala, quero ficar de olho nele. – ela falou severa.
saiu do hospital com muita coisa na cabeça, não teria cabeça para festa alguma – e sabia que Melody estava fazendo seu trabalho por ai – então voltou para casa. Por mais que quisesse descansar, já que fazia muito tempo que não chegava tão cedo em casa, sua cabeça não parava de pensar no paciente e o que acontecera com ele. Levantou-se da cama com rapidez, colocou o roupão de lã branco e foi para fora, abrindo seu carro e pegando o livro que jogara no banco traseiro. Voltou para dentro e jogou-se em sua cama, abrindo o livro em seus primeiras paginas.


Capítulo 5 - Leabhair Scáthanna


Leabhair Scáthanna


Este era o nome do livro. O Livro das Sombras.
estremeceu ao lê-lo. Será que fora um sinal dado a ela? Lhe dizendo seu futuro...? Não, não teria como eles saberem, ninguém sabia ainda.
Suas paginas amareladas e cheirando a mofo fizeram com que franzisse o nariz. O livro não possuía um índice pelo qual ela pudesse se guiar. As palavras em irlandês dificultavam um pouco uma leitura rápida, já que estava muito mais acostumada com o inglês, porém nas primeiras linhas contava a historia dos vampiros irlandeses. Dearg-dul. pulou algumas paginas entediada, já sabia de cor e salteado a historia dos vampiros irlandeses.
Harry Cotter, um ambicioso general, queria fazer de tudo para conquistar novas terras, assim decidiu fazer um pacto com uma bruxa do mal, é claro que todos sabem que bruxas são tão confiáveis quanto ladrões. Acabou que ele foi querer dar uma de esperto para cima da bruxa, tentando levar toda a vantagem no pacto que haviam feito, no final foi amaldiçoado e passou a ser uma criatura da noite, andando pelo luar com sua insaciável sede de sangue constante.
Para a decepção de o livro inteiro era sobre vampiros, dos mais diferentes tipos. Um pouco sobre lobisomem também, mas bem pouco. parou um segundo e pensou. Porque o ancião lhe daria um livro sobre vampiros? Será que... Será que ele achava que os Cullen poderiam ser vampiros?


- Algo parecido como maldição.


A voz de Melody soou na cabeça de . Ela poderia falar que seria loucura, que vampiros não existiam... Mas ela existia não existia? A metade das lendas de sua tribo era verdadeira... Porque não?
Fechando o livro e guardando-o em seu armário, correu para a sala e pegou o telefone, discando o numero de Melody.
- Sabe que horas são?
- Vampiros. – disse eufórica – É isso o que eles são!
- Não sei do que está falando. – Melody disse rápido demais para parecer despreocupada.
- Sabe sim! E eu acho que você sempre soube! Porque não me disse nada?!
- Não é da nossa conta. Isso está muito acima de minha posição, , é coisa para gente grande.
- E dai? Não é como se fossemos caçá-los ou coisa assim! – rolou os olhos – Mas deveriam nos alertar! Poxa vida, estou trabalhando com um vampiro! Ele poderia me matar... – então parou de tagarelar, pensando no paciente. – O paciente.
- É.
- Não. – ela disse horrorizada – Mas... Não há mais vampiros na Irlanda. Quero dizer... Os Cullen... Não acho que viriam aqui para isso... Os vampiros que habitavam aqui foram removidos pelos Guardiões, pelo menos foi isso o que nos contaram!
- De fato tem algo de errado, mas como eu disse, não é da nossa conta. – falou entre dentes.
- Claro que é! Ele... Trabalha comigo! E se quisesse me matar?
- De alguma forma eles não são assim, , acha que não me preocupei com isso também?
- Perguntou aos seus superiores?
- Claro! Mas eles não me deram muitos detalhes, apenas disseram que eles são diferentes... – sua voz tremeu, era claro que ela não confiava nos Cullen.
- Será que eles sabem quem fez isto com o paciente?
- Agora me escute bem, ! Não se atreva a se intrometer nisto, ok? Não é da nossa conta...
- Se eles sabem como fazer, devem saber como parar – continuou seu raciocínio – Deve haver uma cura!
- ...!
- O paciente está sofrendo, Melody! – falou alto – Não posso... – então parou de falar. Um barulho surgiu na casa. – Acho que tem alguém aqui. – sussurrou para a amiga, que resmungou do outro lado da linha.
- Saia daí! – disse urgente.
levantou-se do sofá. – Fique na linha. – pediu. Então caminhou pelo corredor escuro que dava ao seu quarto. Na cômoda perto da sala abriu a gaveta e pegou uma faca ornamentada com várias palavras em irlandês.
- Estou indo ai! – sussurrou a amiga.
- Não! – disse urgente. – Fique... Acho que não foi nada. – assim que chegou ao quarto notou que a janela estava aberta, e suspirou aliviada. – Foi só o vento.
- Venha para a minha casa, passe a noite aqui! – pediu.
- É claro que não! – disse indignada – Não foi nada! Nos falamos amanhã, ok?
Melody hesitou na linha.
– Rezarei pedindo sua proteção. – falou.
- É, tanto faz. – então desligou. Seu breve momento como crente já havia passado, por mais que ela soubesse da existência dos Deuses, sabia que eles eram egoístas demais para resolverem seus problemas, não entendia por que Melody ainda rezava para eles.
Com um suspirou ligou a TV. Foi para seu armário, a fim de ler mais um pouco sobre o livro, mas ele havia sumido.
olhou para a janela aberta, alguém tinha invadido a casa, alguém tinha levado seu livro.


-x-


- Estúpida! Burra! Ridícula! – Melody dizia enquanto batia na cabeça de quis bater na amiga, mas se conteve, sabendo que não seria legal.
- Pois é, quem quer que seja que entrou apenas queria o livro. – deu de ombros – Não é como se algo ruim tenha acontecido.
- Está de brincadeira, certo? – Melody sussurrou ansiosa – Leabhair Scáthanna é o livro mais antigo que nossos ancestrais já escreverem, nele contém todas, e deixe-me especificar o TODAS, as lendas sobre os Dearg-dul. É o único existente, , e só você mesmo para cometer a proeza de ser roubada!
mordeu os lábios involuntariamente, um sinal que fazia quando estava nervosa. – Será que os anciões ficaram bravos?
Melody ergueu uma sobrancelha, como quem diz “Está mesmo me perguntando isto?”.
- Shit! – afundou a cabeça nas mãos. – O que eu faço agora?
- Olha, eu não gostaria de lhe dar esta opção, mas eu não vejo outra escolha. – Melody mordeu o dedo indicador, insegura. – Todos os livros de nossos ancestrais são feitos da nossa terra, ou seja, estão conectados conosco.
- E você quer que eu o rastreie. – disse em voz baixa, olhando ao redor para ver se alguém havia escutado, mas todos estavam preocupados com seus próprios problemas. – Mas... – ela parou de repente – O livro é revestido de magia negra... Isso quer dizer...
- Que você terá que liberar um pouco da escuridão em você, para encontrar o livro.
não era uma mulher de sentir medo, poucas coisas na vida a assustavam e depois de crescer onde cresceu era difícil de se abalar, mas deixar que a escuridão a guiasse era demais.
- Não sei se consigo. – mordeu o lábio novamente.
- Ah, terá de tentar. Sei que não é o melhor conselho, mas é o único jeito. – então os olhos de Melody escureceram. – Tenho que ir. – disse de um jeito mecânico.
- Boa sorte. – suspirou. Onde arranjaria tempo para concentrar-se em algo além do trabalho? Teria de fazer milagre.
Assim que seu horário de almoço acabou ela foi para a sala 209, segundo andar. O paciente ainda estava em coma, porém as mudanças em sua fisionomia eram inegáveis. não podia dar-se o luxo de especulações de seus companheiros de trabalho, por isso ordenou que ninguém além dela entrasse no quarto, assim ninguém notaria a diferença nítida nele. Pele mais dura, mais pálida, adquirindo uma perfeição invejável.
olhou bem para o paciente, então olhou para o polar. Ele estava estável. Mordeu o lábio e aproximou o ouvido de seu peito. O coração batia tão acelerado quanto hélice de helicópteros. Afastou-se com relutância, queria fazer algo para ajudar, mas pelo o que ela sabia sobre o veneno de um Dearg-dul não havia nada a que se fazer. Apenas esperar.
Sentou-se na poltrona e suspirou. Teria de dar um jeito de tirá-lo do quarto antes que acabasse, ela nunca tinha visto nenhum Dearg-dul na vida, e muito menos um se transformando, mas sabia que eram letais.
Duas batidas soaram e Dr. Cullen adentrou o quarto calmamente. – Dra. O’Brangan.
Ela não olhou para ele. Fitava suas mãos. Não sentia medo dele, mesmo te tendo algumas teorias sobre o mesmo, nada a abalava.
- Teremos de retirá-lo. – ela disse convicta.
Dr. Cullen se calou durante um tempo, especulando a mulher á sua frente, em sua aura misteriosa. Era como se a própria fosse um segredo.
- Sim. – respondeu.
- Só me diga que não foi nenhum de vocês. Não poderia permitir que continuassem aqui. – ela disse com a voz cansada. Perder Dr. Cullen para o hospital seria terrível, ele era um excelente médico.
- Não. – falou firme. - Ótimo. – então se levantou. Olhou para ele com olhos duros e frios. – Ele é sua responsabilidade, já que o senhor conseguiu com que ele se calasse. – sua voz era metódica. – Quando acabar seria melhor que explicasse tudo para ele.
Carlisle assentiu, então passou por ele. – Dr. Cullen? – falou por cima do ombro.
- Sim?
- Espero que ninguém de sua família tenha feito uma visita a minha casa na noite de ontem. – seu olhar era baixo, mas continuava frio. – Algo sumiu, espero que não tenha nada a ver com isto. – então saiu do quarto. Deixando um Carlisle preocupado para trás.


-x-


O sopro gelado de vento batia em seu rosto, causando-lhe arrepios. sentou-se de frente para o penhasco.
- Preciso de sua ajuda. – sussurrou e o vento carregou suas palavras até sua mãe.
- Respire fundo e deixe fluir, virá com facilidade, apenas não se reprima. – soprou de volta a mãe, com um calor em sua voz.
seguiu suas palavras e depois de um tempo sentiu vindo, forte, abrasador, sufocava-a. Era como se ela estivesse se afogando, a água a puxando para as profundezas de seus sentimentos, mantendo-a presa, era densa e pesada. tentou puxar por ar, mas era como se este não fizesse mais parte dela, era como se nenhum elemento respondesse á ela. não tinha mais conexão com os elementos.
Algo pulsou em sua cabeça, na parte detrás, uma pontada. Uma indicação. levantou-se mecanicamente e seguiu para seu carro, então seguiu a pontada, seu corpo estremecia cada quilometro percorrido, sentindo o livro cada vez mais parte de si, como se uma mãe clamasse por seu filho, por parte dela.
mal conseguia enxergar através da nevoa que havia se formado em seus olhos, era como se estivesse parcialmente cega, era levada apenas por seus extras instintos. Notava meramente que estava em uma trilha aberta, levando-a mais e mais para o sul. Longe de Sligo, não sabia onde estava, mas sabia que estava longe o suficiente de sua casa.
Quando parou o carro deparou-se com uma mansão aberta e cheia de paredes de vidro, deixando a casa totalmente exposta. Em uma decoração clássica e amadeirada. Havia movimento na casa. saiu do carro e caminhou até a porta, não bateu, apenas entrou.
- Mas o que é isso?! – escutou distante a voz de um homem. – Dra. O’Brangan?
olhou para o homem e reconheceu ser Emmett, com Rosalie e Jasper ao seu lado. Todos surpresos. caminhou com passos duros e pesados até ele, pegando-o pelo pescoço e levantando-o.
- Onde está? – perguntou em uma voz baixa e sensual, mas a perversidade pulsava na voz.
- O... Que?! – ele dizia de um jeito engasgado, achou graça, já que sabia que Dearg-Dul não precisava respirar.
- O livro que vocês roubaram da minha casa, estúpido. – cuspiu para ele.
Uma mão fria repousou sobre o ombro dela, meramente virou a cabeça, notando os cabelos dourados de Rosalie.
- Largue-o. – sibilou.
– Me obrigue. – falou sorrindo. Rosalie não se mexeu, olhando-a surpresa. – Foi o que pensei. – largou Emmett. A pontada em sua cabeça se tornou mais forte e aguda, ela recuou para trás por causa da intensidade da pontada. Seguiu por onde a dor dizia, subiu algumas escadas e entrou em um quarto grande, com duas paredes de vidro, mas as outras paredes eram revestidas com painéis de madeira, deixando o quarto mais rústico.
- O que...?! – outro homem disse. notou ser Jacob. Ela passou por ele sem deixar se afetar. Abriu seu armário e retirou o assoalho do mesmo, descobrindo onde o livro estava, a pontada tornou-se insuportável, mas ao mesmo tempo sentia-se completa por dentro.
Então, tudo escureceu.

Capítulo 6

Nada como um bom mistério de ambas as partes


A cabeça de estava pesada demais para que ela conseguisse pensar em qualquer outra coisa que não fosse a escuridão abrigando-a com densidade. Porém isto foi o que a despertou também, lembrando-a de como a escuridão a tomou. Em um salto ela se colocou sentada, a cabeça rodou e sua visou turvou, mas ela resistiu, não desmaiaria novamente.
 Está tudo bem. – Carlisle a tranquilizou, retirou o pano com agua quente de sua cabeça. – Você desmaiou por cinco minutos, apenas.
Franzindo o cenho passou a mão pela cabeça, suspirando e tentando se lembrar do que acontecera, entretanto tudo o que ela lembrava era de estar no penhasco perto de sua casa, evocando ajuda. Depois disso era um buraco enorme em sua cabeça. Assim que olhou em volta surpreendeu-se de estar na casa dos Cullen.
– O que... O que estou fazendo aqui? – perguntou confusa, muitos rostos a olhavam, isto a incomodou. Sentiu-se uma cobaia em observação, porque era assim que eles a olhavam, como se ela fosse demonstrar uma reação a qualquer momento.
- Não se lembra de nada? – Jacob perguntou demonstrando sua confusão também. Olhava atordoado, a garota a sua frente, que há poucos minutos atrás ela estava completamente transtornada, com um olhar escuro e maldoso, parecia pronta para cometer uma chacina sem sentir remorso. Tão... Demoníaca.
franziu o cenho, forçando sua mente a tentar se lembrar de algo. – Não. – disse assim que recebeu apenas a escuridão como lembrança.
- Você... Entrou aqui e... – Esme disse, mas parou, olhando preocupada para Carlisle, não sabia se falava o que tinha acontecido ou inventava algo. Carlisle negou com a cabeça imperceptivelmente. – Estava um pouco atordoada, procurava seu livro.
Um estalo soou na cabeça de quando ela lembrou o seu proposito aqui. – Ah! – falou apenas, mas seus olhos varreram cada canto minuciosamente a procura do livro. – Sinto muito.
- Tudo bem. – Esme sorriu carinhosa – Você o encontrou em seu carro.
estreitou seus olhos astutos e duros. – No meu carro?
- Sim. Então você desmaiou, a trouxemos para dentro. – Esme continuava com sua mentira, porém algo dentro de si vibrava, o medo de que sentisse que ela estava mentindo, além do mais, a garota não era comum, isso era evidente.
- Nossa. – disse, ela sentia que ainda havia algo de errado, mas só se lembraria de quando sua memoria voltasse... Talvez ela devesse ir falar com Melody. – Que estranho.
- Você andou se alimentando corretamente? – Carlisle perguntou. desviou o olhar dele, soube naquele momento que ele estava tentando ajuda-la ou lhe dar suas recomendações de médico. Algo que não estava nem um pouco interessada.
- Sim, perfeitamente. Também sou médica, Carlisle, esqueceu? Sei que tenho que me cuidar. – tentou não ser rude, no que falhou vergonhosamente.
Carlisle sorriu brandamente. – Certo.
levantou-se, por um segundo ela esqueceu o que tinha descoberto sobre os Cullen, sobre quão amaldiçoados eles eram.
- Eu agradeço pelos cuidados, e sinto muito pela invasão em sua casa, mas eu preciso ir. – disse. A maioria dos Cullen a olhava com interesse. Seus olhos pousaram nos de Edward e o modo intenso como ele a encarava era como se quisesse extrair algo dela. Este olhar a incomodou, incomodou tanto que repassou sua lista de pacientes em sua cabeça, tentando distrair a mente para que suas expressões não a traíssem.
- Tem certeza de que se sente bem o suficiente para dirigir? – Jacob perguntou franzindo o nariz, como se reprovasse.
- Absoluta. – falou com a voz firme. Com uma ultima olhada para aquela estranha família, se retirou de sua enorme casa. Caminhou com passos rápidos até seu carro, o ligou e saiu de lá. Mesmo que a trilha para fora da floresta estivesse clara e por mais que tivesse um senso de direção infalível, a mesma se sentiu insegura se estaria pegando o caminho certo. Não sabia onde estava. Aos redores de Sligo talvez? Era possível.
Algo ainda a atormentava: A sua estranha amnésia. É claro que ela nunca havia usado a escuridão e nem evocado nenhum deus malévolo, então não sabia se isso era normal ou não, mas se preocupou com o que ela teria falado para os Cullen, era de vital importância que não revelasse quem ela era.
-x-

- Não há nada que eu possa fazer. – Melody disse mal movendo os lábios, sua postura era rígida, parecia uma estatua. – Sua amnésia com certeza foi pelo fato da pontada em sua cabeça, você como neurologista deveria saber. Foi um impacto mental muito grande.
- Ah, claro. – franziu o cenho. – Eu deveria saber disso, é que eu achei que por ser algo anormal, haveria uma explicação anormal. Nada a ver, não é?
- Não. – Melody exibiu um sorriso amarelo.
- Ah! Vamos lá, Mel! Não foi tão ruim assim, consegui o livro de volta. Segui o seu conselho.
- Acho... Que eu não queria que você o seguisse. Escute , eu sei que você não o voltará a usar, mas mesmo que seja uma necessidade, não utilize mais a maldade, você está em um momento muito volátil, onde qualquer coisa a influenciará. Tome cuidado. – ela disse preocupada, pegando as mãos da amiga e suspirando. – Não deixe que se torne um hábito.
olhou-a incrédula. – É claro que não! Eu não quero ter uma amnésia de novo, e o sentimento da escuridão me tomando... Controlando-me... É tão... Opressor. – ela suspirou cansada. – Não gostei.
Melody assentiu. – Bom, eu tenho que ir, qualquer coisa sabe como me encontrar.
- Me lançando na frente de um caminhão para você vir me salvar? – brincou cética.
- Não fale bobagens! – Melody riu. – Se cuida, hein! E vê se não fica andando sozinha durante a noite pela floresta.
- Como você...
- Hey, sou sua amiga, fico de olho em você quando posso. – piscou para e saiu da casa.
Seria normal se sentisse mal por ter alguém cuidando dela, mas ela lançou um sorriso de agradecimento para a amiga, o que Melody fazia por ela era o tipo de proteção que não se importava. Melody raras eram as vezes que se intrometia na segurança de e quando o fazia era sempre bem vinda.
Melody saiu da casa de deixando um rastro de tranquilidade pela casa, suspeitou que talvez ela tivesse usando um de seus variados dons e achou melhor absorver cada gota daquela tranquilidade. No momento era a única coisa de que ela precisava: um pouco de calma para pensar.
levantou-se e foi até seu banheiro, olhou-se longamente nele, notando que seus olhos castanhos ainda estavam negros. Com um suspiro pesado ela abaixou a cabeça e jogou uma agua no rosto, como se isso fosse ajuda-la a retirar aquele preto de seus olhos. Voltou a olhar-se no espelho e, com desanimo, notou que nada havia mudado, apenas uma ruga entre as sobrancelhas – que demonstravam sua frustração.

O que farei agora?

É claro que Carlisle havia notado algo de errado com ela, assim como a mesma o notou, porém não podia deixar seu trabalho, não podia deixar tudo de lado por causa dele.
A certeza inundou seus olhos, ela não o faria. Voltaria para o trabalho como se nada tivesse acontecido. Trabalharia como se não tivesse um parceiro dividindo o escritório, seria tudo como antes.
voltou para seu quarto, deitando-se na cama e suspirando. A noite era escura, a lua coberta por camadas de nuvens negras, o céu tingindo de preto incomodou . Provavelmente pela ultima experiência que ela teve com a escuridão. Levantou-se da cama e foi até a varanda de seu quarto, olhando para o horizonte, aquela imensidão negra que era o mar. O vento fresco varreu seu rosto, acariciando-o. Era como uma renovação para sentir aquilo novamente, sentir os elementos correspondendo á ela, reconhecendo-a.
Entretanto sua calma durou pouco, algo atraiu sua atenção, foi mais como um impulso do que qualquer outra coisa, ela sentiu a necessidade de olhar para a esquerda, onde era à entrada de sua casa. Ela tentou inclinar-se para ver se conseguia enxergar dali o que chamara sua atenção, mas as curvas da casa impendiam sua visão.
O impulso se tornou mais forte e decidiu ver o que havia na frente de sua casa. Seria Melody? Duvidava disso. Caminhou com passos rápidos até a porta, antes de abri-la tomou um grande folego, como se buscasse coragem, e escancarou a porta. Não havia nada ali. Estranhou. Sabia que esses impulsos que ela tinha não eram apenas sexto sentido e sim algo de sua natureza, era uma certeza um sentido como todos os outros que ela possuía.
Saiu quietamente da soleira da porta, olhou para ambos os lados, mas a escuridão era grande em volta da casa, a única parte iluminada era a luz que vinha de sua casa. Arriscou sair um pouco mais, chegou à ponta aonde a iluminação de sua casa ia, forçou o olhar para ver se conseguir enxergar algo, esperou suas vistas adaptarem-se até se tornarem um cinza claro. Algo se movia na escuridão.
O corpo de se retesou, seus pulmões bloquearam qualquer entrada de ar, seus olhos tornaram-se mais astutos enquanto a adrenalina fazia com que ela enxergasse melhor do que nunca.
Não era movimento de caçador, era um movimento de quem tinha curiosidade. Porém era grande, e quanto mais se aproximava maior ficava. O vento soprou forte, jogando seus cabelos para o lado; o cheiro de terra molhada e musgo invadiram seu nariz. Foi um sussurro baixo, quase inaudível.

Deméter.

Novamente aquilo. – estranhamente – sentiu seus músculos relaxarem e o oxigênio voltar a seus pulmões. Saiu da faixa de luz e adentrou na escuridão, seus olhos brilhando para o animal a sua frente. Curioso, muito curioso. Fazia algum tempo que não o via, e muitas perguntas rondavam sua cabeça, mas não sabia se aquele animal poderia responder.
Assim que ficou cara a cara com o animal sorriu.
- Oi. – falou animada. Seus olhos varreram o animal, talvez procurando por sinais de mudança no animal, tornando-o mais animal do que humano, porém nada havia mudado, aquele olhar humano estava mais forte ainda.
O animal arreganhou os dentes ameaçadoramente, mas não se abalou. Continuou no mesmo local, olhando o magnifico pelo do animal, então sentiu uma urgência em tocá-lo. Deu um passo a frente. O animal recuou.
estreitou seus olhos e olhou bem no fundo dos olhos do animal, reconhecia aqueles olhos de algum lugar... Um humano, com certeza. Assim que o pensamento se fixou em sua cabeça, ela notou as verdades das palavras, olhou o animal assombrada.
- Você... – ela disse então o examinou novamente. – É humano. – soltou em um arquejo. O arregalar de olhos do animal confirmou sua teoria. Mas o que ele seria? A mente de começou a trabalhar arduamente, pensando em tudo o que aprendeu ao longo de sua vida.
O animal recuou, virou-se e sumiu nas sombras da noite, deixando um rastro de confusão.

-x-

- Estou te falando! Há outra coisa aqui em Sligo! – ela conversava eletricamente com Melody.
- Se houvesse algo deste tipo eu já saberia, ! E o que diabos você estava fazendo de noite fora da casa? No escuro! – ralhou a amiga.
- Isso não vem a caso! – insistiu teimosamente – Eu não sei o que é, Mel, você precisa me ajudar! Não é um lobisomem, eu olhei nas lendas, um lobisomem só aparece na lua cheia e nem a forma de um lobo ele tem, é mais como uma metade homem e metade lobo.
- Porque você quer tanto saber? – resmungou a amiga.
- Oras! Se um animal daquele tamanho vem te visitar no meio da noite o que você faria? Tentaria descobrir mais sobre ele!
- Não, eu voltaria para Ardgroom e avisaria os anciões!
- Isso porque você é certinha demais. – bufou . – Olha, eu tenho que desligar, estão me chamando, depois nos falamos, ok?
- Certo. – desligou.
sentia a cabeça pesada de tanto pensar, mesmo tendo esta outra vida, ela ainda possuía a vida hospitalar, e era algo requeria a maior parte de sua mente, mas no momento sua vida estava dando tantas reviravoltas que ela não estava conseguindo arranjar tempo para processar tudo aquilo.
Quando saiu de sua sala, indo para a ala de emergência, estava tão absorta no prontuário que lhe fora entregue que esbarrou em um médico, soube disse pelo aventar branco.
- Sinto muito. – ela disse sem dar muita importância.
- Não foi nada. – a voz rouca masculina soprou em seu rosto, fazendo com que erguesse a cabeça pela voz desconhecida e ao mesmo tempo familiar.
Era Jacob. Em um avental branco, com a placa que dizia: Dr. Black. Pediatra.

Hm, sensual.

- Não sabia que estava trabalhando aqui. – ela disse de supetão, surpresa.
Jacob sorriu de canto, mostrando parcialmente os dentes perfeitos e brancos. Era um sorriso sensual, porém amigo.
- Faz uma semana. – disse – Segui seu conselho.
- Hm, seja bem-vindo então. Espero que goste. – ela lhe mandou um sorriso aberto. Jacob lhe retribuiu o sorriso, fazendo com que seus olhos se iluminassem. olhou para eles durante um bom tempo, tempo suficiente para reconhecer de algum outro lugar aqueles olhos negros, cheios de segredos. – Se me der licença – disse um pouco aérea. Continuou com seu rumo, mas durante alguns passos sua cabeça se virou, para olhar para trás, vendo Jacob seguir seu caminho em um andar confiante e sensual, gracioso e suave, como ondas.
Havia algo nele, algo que não era comum. Ela sentia isso, em cada poro de seu corpo, aquela eletricidade, aquela energia mágica... Não era algo que sentia com os Cullen, era algo mais puro, mais limpo.

Sua mente não teve tempo para pensar direito no assunto, logo ela estava na ala de emergência e os problemas sólidos começaram a surgir, requisitando toda a sua atenção.



Capítulo 7 - O Segredo Materno


- Não acho que isso seja uma boa ideia. – Devlin disse, seu dedo indicador passeando de forma apreensiva sob seu lábio inferior. Andava de um lado para o outro.
- Com uma maior influencia ela seguirá seus passos, não é isto o que quer? – um sujeito disse, usava um sobretudo preto, assim como o resto de sua roupa, ele passava a ponta dos dedos pelos retratos de , olhando com curiosidade para a foto. Não entendia o porquê seu mestre a queria tanto. – É isto o que ele quer.
- A vontade de meu senhor é a minha vontade. – Devlin disse com orgulho, como se acabasse de ser insultada.
- Então? Temos o seu consentimento? – ele perguntou abrindo um sorriso cheio de dentes podres, sua aparência também não era a melhor. Cabelos sebosos e louros, olhos cinzas e apagados, barba para fazer, um odor pungente.
Devlin olhou-o incerta. – E se não for o desejo dela? O destino dela?
O homem suspirou irritado.
– Ela sabe que a escolha é dela? – Devlin negou com a cabeça.
– Então pronto, assim que ela for induzida, nunca desconfiará que não era o seu destino. Mestre não quer perde-la, diz que é de grande valia para ele. Não vejo o porquê. – disse assim que olhou para a foto de .
- Ela sempre foi especial. – disse afetuosa. Era difícil demonstrar isto para , pois ela era proibida de demonstrar tal sentimento.
O sujeito se aproximou ferozmente dela. – Não seja tão mole, Devlin, você já errou uma vez, não cometa o segundo erro.
Devlin se afastou dele, olhando-o por cima do nariz.
– Não me diga o que fazer, Will. Sei de minhas obrigações. Então sim, vocês têm o meu consentimento, só tem que me prometer uma coisa. – ele abanou a mão, como se a mandasse prosseguir. – Ela não poderá ser ferida.


Will deu de ombros.


– Como quiser.


Assim que ele se retirou Devlin suspirou e apertou seu peito. Será que tomara a decisão certa? É claro que deveria deixar a filha decidir, mas ela não podia ir contra seu mestre. Só esperava que este fosse realmente o destino da filha.




~*~




- Você é muito idiota mesmo! – Rosalie ralhou.


- Ah, cale a boca, loira! – Jacob resmungou. – Não fiz nada que colocasse vocês em perigo.


- Isso não importa! Você se expôs, cachorro! – Rosalie rodeava Jacob lentamente, não que ele realmente se preocupasse caso ela o atacasse, sabia que Carlisle nunca a deixaria realiza-lo.


- E o que isso tem a ver com você?


- O que isso tem a ver com ela? – Rose continuou cuspindo suas perguntas. – Porque você quer que ela descubra sobre você?


- Isso não te interessa, sanguessuga. – rugiu o moreno, olhando desafiadoramente para Rosalie.


- A não ser que... – ela parou e o encarou divertida. – A não ser que você goste dela.


- Jake? – Bella disse dando um passo á frente – É verdade?


- O que? Claro que não! Não tenho interesses nela! – ele se defendeu, cruzando os braços e deixando sua expressão sombria. – E mesmo que tivesse, isso não diz respeito a nenhum de vocês.


- Sim, você tem! – Rosalie apontou – Seu cachorro imundo! Você quer que ela descubra por si só, como fez com Bella, e consequentemente ela saberá sobre nós!


- Não quero que ela descubra nada! Só estou curioso em relação á ela! Apenas! – defendeu-se erguendo as mãos.


- Jake, isso pode ser perigoso para ela. – Bella disse. – Até onde sabemos ela é humana. É perigoso demais!


- Eu só estou curioso sobre ela! Ela me chamou daquela coisa estranha! Não sente medo! Quando ela correu atrás de mim na floresta foi em uma rapidez incrível! – ele tentava se justificar, porém não sabia o porquê do sentimento defensivo – Só quero entender este lugar!


Rosalie se calou temporariamente, ainda desconfiada do moreno.


– Eu sinto que tem alguma coisa ai, Jacob.


- Porque se importa tanto? – ele desdenhou olhando-a com desprezo.


- Porque está é minha família! E estou farta de confusão! Bella já nos arranjou muitas. - olhou para Bella, o olhar pedindo desculpas - Sem ofensas.


Jacob trincou o maxilar. Respirando fundo e tentando parar as tremulações de seu corpo. Estava se esforçando o máximo que conseguia, mas Rosalie realmente o havia tirado do sério. Usando o ultimo recurso ele pensou em , em seus olhos duros e curiosos, acendendo-se quando captava algo. Estava funcionando, aos poucos ele foi parando, deixando uma tranquilidade e serenidade tomar conta de seu corpo, relaxando cada musculo tenso. Assim que voltou a abrir os olhos, Edward o encarou, não acusadoramente, apenas com uma confidencia que ele sentia por Jacob, que se irritou mais ainda por ter usada este recurso e o efeito que o mesmo causou nele.


- Tome cuidado com suas ações, garoto. – Rosalie avisou – Não quero me mudar tão cedo, entendeu?


- Calma, tia Rose. Jake não fará nada para nos prejudicar, não é Jake? – Renesmee o olhou sorrindo, confiava no lobo. Jacob assentiu calado.


- E alguma vez já fiz? – cuspiu para Rosalie, então subiu novamente para seu quarto, trancando a porta e ligando o som.


Sua mente vagou por um bom tempo. Não era como se ele estivesse interessado na menina, mas ela possuía algo encantador e ao mesmo tempo misterioso, de certa forma exalava certo perigo constante, o que o deixava apreensivo. Já havia sugerido para Carlisle procurar outro local afastado, mas todos eles procuravam por novos fatos sobre Renesmee, o desenvolvimento de seu poder, questões que apenas cresceram com os anos, e a Irlanda – em especial Sligo e Ardgroom – era o centro do misticismo. Era como se tudo houvesse surgido aqui.


Jacob rolou em sua cama, a noite já havia caído, o pensamento de ir ver rondava sua mente, mas não queria dar mais motivos para Rosalie ficar em seu pé, por isso se manteve onde estava. Embora a curiosidade o corria por dentro.




~*~




Tudo não passava de uma bobagem, no ver de . As enfermeiras estavam mais eufóricas com Jacob do que quando o Dr. Cullen apareceu no hospital. Chegava a ser ridículo. Tudo bem, ela era suspeita a falar, já que na primeira vez que o encontrou também sentiu-se encantada pela beleza do rapaz, mas aos poucos foi vendo que não daria em nada, ela sabia que se quisesse ter Jacob ela o teria, mas ele não era de seu mundo e seria muito difícil manter um segredo daquele tipo, mudaria todo o sentido da vida de Jacob, muitas pessoas eram fechadas para novas experiências, e com certeza o mundo de era um desses de que se fosse descoberto um grande alvoroço no mundo surgiria.


estava de plantão no hospital, ainda cuidava do paciente que estava isolado, sentia que estava quase acabando seu processo e com certeza não queria estar por perto quando este o fizesse. Ela olhou, mais do que costume do que uma obrigação, o polar. Estável. Ela abaixou o ouvido para o peito do paciente, ouvindo a batida frenética. Anotou em uma prancheta separada as evoluções dela, estava acompanhando o rapaz com certo toque de experimento. Acompanhava curiosa o comportamento do rapaz. Nos últimos dias ele estava com a respiração estável, como se realmente estivesse em coma, seu coração era a única prova do contrário. passou levemente a mao na testa do rapaz, notando a temperatura muito fria. Tirou o termômetro de seu jaleco e tentou abrir a boca do paciente, mas o dentes estavam firmemente pressionado. Suspirou e então colocou debaixo do braço do rapaz, é claro que ali era mais duvidoso do que a boca, mas tinha certeza que sua temperatura havia abaixado seriamente.


Ela estava certa. Depois que o termômetro apitou mostrou uma temperatura baixíssima. 9º.


Puta que pariu! Isso é normal?


franziu o cenho e suspirou cansada, odiava não saber com o que estava realmente lidando, ou seja, ter uma experiência no ramo, sabia que seu conhecimento de nada adiantava ali. Isso era o que mais a frustrava. Depois de um tempo em silencio, refletindo sobre o paciente, ela se retirou da sala e seguiu pelo corredor, indo até a ala de emergência, onde estava – como sempre – muito movimentada.


- Sra. Finigan, caiu da escada de sua casa, algumas fraturas, apenas – Dr. Leroy disse entregando-lhe o prontuário.


retirou toda a expressão de cansaço e sorriu para a senhora sentada em uma das macas, quanto mais cedo terminasse com ela, mais cedo a cama poderia ser liberada para casos mais urgentes.


- Dra. O’Brangan. – cumprimentou a senhora que sempre a encontrava no Breadstix de manha.


- Sra. Finigan! Mas que infortuno a senhora cair da escada! – repreendeu brincalhona a doutora. A senhora sorriu amplamente.


- Pois é minha filha. Meus ossos não são mais os mesmos, assim como meus olhos. Nem notei que o chão estava molhado!


sorriu condescende. Analisou a radiografia e apalpou um pouco a perna e coluna da senhora.


- Parece que a senhora teve sorte, Sra. Finigan. – falou – As fraturas são leves, ficaram doloridas por um tempo e provavelmente com hematomas, mas nada sério. Enfaixaremos. Vou pedir para o Dr. Holiday vir atendê-la, se me der licença.


Quando se virou viu uma figura preta na porta da sala, mas foi um reflexo rápido e quando voltou a olhar não viu nada de escuro na sala clara. Balançou a cabeça, deveria estar muito cansada. Foi até o refeitório, depois de falar com o Dr. Holiday, e pegou uma boa dose de café. Tomou o com rapidez, onde a temperatura do café desceu rasgando sua garganta.


As horas passaram muito rápidas, o que foi bom para . Assim que deu 5:00AM ela se retirou do hospital, no estacionamento estava estranhamente vazio de pessoas. olhou duramente ao redor, sentia que algo não estava certo ali. Ou ela estava muito paranoica, ou muito sensitiva. caminhou com passos confiantes até seu carro, no qual deu o alarme. Um vento estranho passou por ela, virou-se rapidamente. Era como se alguém tivesse passado rápido demais atrás dela. Em uma velocidade quase invisível. Seus olhos se estreitaram. Ela sentiu os músculos ficando tensos e a adrenalina correndo por seu corpo.


O zunido soprou em seu ouvido quando um alarme ao longe despertou. Decididamente ela não estava paranoica, havia algo ali, podia sentir o teor de sua assinatura, era fraca, pois não possuía influencia nas assinaturas, mas era densa e opressora, quase como se a escuridão estivesse criado forma e estivesse vindo até ela.


Um vento forte vindo do nordeste atingiu suavemente os ouvidos de , sussurrando com confidencia.


Fique firme, . Não se renda. Precisamos de você firme.


Sentiu um teor de umidade no vento, a distinção dos ventos do norte. Só havia uma pessoa que cuidava dos ventos do norte. Kaikias. Um dos deuses responsáveis pelos ventos.


Um arfar saiu dos lábios de assim que ela sentiu o teor da umidade na ponta de sua língua, acentuando sua afirmação. Um Deus estava lhe ajudando? Isto não era do feito deles. se preparou para um ataque, não sabia de onde, ou de quem, mas se preparou. Suas mãos fecharam-se em punhos e o ar entrou frio dentro de dela, porém a fortaleceu. abriu a porta do carro e jogou sua bolsa lá dentro. Então fechou a porta e rodeou o carro e andou onde sua intuição comandava. Aos poucos que foi chegando perto notou que realmente era uma pessoa. Um homem. De preto.


ergueu o queixo em orgulho e desafio. – O que quer?


- Você. – ele disse rispidamente, um odor pungente atingiu as narina de que levemente se encolheu. O homem avançou rapidamente para cima dela, tão rápido que ela não teve tempo para processar o movimento. Ele lançou-se sobre ela, fazendo os dois caírem no chão. Ele retirou um pingente de seu colar e começou a murmurar.


“Ta do cinniúint linne”.


Certo desespero despertou no fundo de quando as palavras se tornaram compreensíveis. “Seu destino é nosso”.


deu-lhe uma boa joelhada e ele se separou arfando, era um pouco velho e parecia que seus movimentos não estavam com toda a força necessária para parar uma mulher como ela. o olhou dura e malignamente.


- Indução? – falou asperamente. Ela sentiu o cimento vibrar sobre seus pés. Mas não era o cimento e sim a terra que possuía abaixo dele. – Vou lhe dar algo para você manipular. – então o chão se abriu perto do homem, que resistiu, usando seus próprios dons. Os carros ao redor dispararam o alarme pelo solavanco que o chão havia dado. avançou para o homem, deferindo-lhe um golpe certeiro em sua têmpora, que se abriu. O sangue jorrou como fonte.


Ela o chutou e ele caiu para trás, atônito. – Quem o enviou?


Ele se manteve calado e notou que ele não falaria nada, não porque não queria, mas porque ele já tinha o seu destino e uma vez que faça a promessa de não relevar seu Mestre, ele não o faria.


- Mantenha-se longe de mim, ou não irá sobreviver dá próxima vez. – ela falou rispidamente.


Saiu do estacionamento antes que algum funcionário vesse ver o porquê do barulho. Ela entrou em seu carro e disparou. Aos poucos a adrenalina foi cedendo e foi percebendo o que havia acontecido. Alguém estava atrás dela, querendo manipulá-la e com certeza aquele homem não era o bem.


encostou o carro na rodovia quando notou que não tinha como dirigir mais. Suas mãos tremiam e ela notou que estava tendo um ataque de pânico.


Tudo bem, é apenas seu corpo entrando em choque, você não tem ferimentos e certamente não irá chorar por isso, apenas se controle. Nada de grave lhe aconteceu, você é uma mulher forte, sabe se cuidar.


Isso pareceu ajudar um pouco, quando passou a avaliar seus sintomas de forma fria e calculada.




~*~




Jacob acordou inquieto. Olhou para o relógio e este marcava que era quase 05h00min de manhã. Seu corpo suava levemente e seu coração pulsava forte. Uma urgência tomou seus sentidos, algo estranho... Um aviso, talvez? Ele se levantou e caminhou até o banheiro, onde jogou uma agua no rosto, olhou-se no espelho e a expressão perturbada ainda não havia saído. Merda, alguma coisa estava errada!


Jacob colocou sua calça jeans, botas e uma blusa de frio sobre o peito, pegou as chaves de sua moto e pulou a janela. Não sabia para onde estava indo, mas precisava ir á algum lugar.




~*~




ficou por mais um tempo no carro, o cansaço a tomou por inteiro. Quando deu por si notou que não estava na rota de sua casa. Seja como fosse ainda precisava esperar que parasse de tremer, não podia dirigir naquele estado.


Aos poucos o choque foi passando e tentou dar a partida, mas suas mãos pareciam fracas... E de fato estavam. Não fora fácil estremecer a terra abaixou do estacionamento, exigiu dela e das ninfas a atenderem seu pedido com tanta urgência. Ela estava fraca. Estava incapaz no momento.


Um brilho de um único farol lhe chamou a atenção, era uma moto que vinha com rapidez. Ela pode ver pelo seu retrovisor que a moto começou a desacelerar aos poucos. rezou para que não fosse outro afronte, não sabia se teria as forças necessárias para outro combate.


Não, era apenas Jacob.


- O que faz aqui? – ela perguntou com um fio de voz. Ele estava todo molhado e foi quando notou que estava chovendo forte.


- É o caminho da minha casa, eu que lhe faço essa pergunta.


não soube o que responder e não tinha cabeça para inventar uma mentira á esta altura do campeonato.


- Eu... – ela parou e suspirou.


- Você parece perturbada, algo de errado?


- Acho que passei tempo demais no plantão, estava tão cansada que não notei a rota que estava seguindo, parei porque precisava recuperar a sanidade. – falou de prontidão. Parecia uma desculpa razoável.


Jacob desceu da moto. – Quer que eu a leve para sua casa?


Ela foi para negar a ajuda, mas queria logo sua cama e não chegaria tão cedo por ela própria.


- E sua moto?


- Eu a encosto aqui e peço para um de meus primos virem pegar. – ele disse.


não questionou muito e com certa moleza deslizou para o lado do passageiro. Ela repousou a cabeça no vidro, suas pernas agora tremiam de fraqueza. Tentou se lembrar da ultima vez que havia comido alguma coisa.


Jacob dirigiu em silencio e pediu pouco por ajuda para encontrar sua casa. estava mole agora, mal conseguia ver o caminho de sua casa. Parecia que o cansaço do plantão adicionado com o choque e o cansaço do ataque haviam sugado todas as suas energias.


- Obrigada – falou quando parou em frente a sua casa. A chuva ainda caia forte. – Pode levar meu carro para sua casa. Não irei trabalhar amanhã.


- O deixarei aqui amanhã de noite, quando voltar do meu turno com o Carlisle. – ele mencionou.


assentiu e abriu a porta do carro, se içou para frente, mas sentiu o chão próximo. Agarrou-se a porta com força e recobrou o equilíbrio.


Jacob saiu do carro e sustentou o peso de . – Tem certeza que é só cansaço? – perguntou desconfiado.


- Faz tempo que não como. – explicou.


Jacob a ajudou a entrar em sua casa, levou-a até seu quarto e depositou-a na cama. sentou-se e sorriu agradecia, mas o sorriso – como sempre – não lhe chegou aos olhos. Jacob a ajudou a retirar a bolsa transpassada, suas mãos se tocaram brevemente. O suficiente para uma corrente passar por ali.


“-É um prazer conhece-la, Srta. Katherine. – a voz rouca de Jacob lhe disse beijando sua mão. O olhar de Katherine foi bajulador, embora encantador. Ela olhava para o rapaz com interesse, embora fosse interesses apenas carnais. Nunca poderia namorar com um humano. O vento bateu em seu rosto branco como leite, levando alguns fios louros junto, soltando-os do leve coque. Os olhos castanhos um pouco mais escuros e frios do que o normal; solitários e misteriosos.




La Push era uma cidade interessante, e Jacob parecia disposto em apresentar toda a cidade.


- Então, Sr. Smith, fale-me um pouco sobre a cidade. – Katherine se dirigiu a Jacob, que sorriu quente como o sol.


- Você irá adorar aqui. – respondeu. Sua roupa era um terno caro e sob medida, o cinza em sua pele ficava ótimo.


Jacob avaliou o vestido de organza azul com dourado de Katherine, a gola alta branca cobrindo-lhe o pescoço. Uma dama realmente muito bonita.


Por mais que não quisesse admitir, Katherine sentiu apreço pelo rapaz, gostava de seu sorriso, de seu toque quente e de como fazia borboletas voarem em seu estomago”.



A memoria veio rápida e pegou os dois de surpresa, eles se encararam como se duvidassem que aquilo fosse possível. julgou ser o cansaço, estava começando a delirar, se imaginando com Jacob em uma época completamente distante. Isso era loucura.


- Vou pegar alguma coisa para a senhorita comer. – Jacob disse atordoado. Nenhum dos dois comentou sobre o fato. A mão de Jacob formigava onde o toque sedoso da pele de havia entrado em contato. Ele foi até a cozinha e pegou alguma besteira para que ela mordiscasse, decidiu uma barra de chocolate. Porém deveria avisar para fazer compras o mais rápido possível, seu estoque estava ficando escasso.


Jacob voltou com o alimento e deu para , mas a mesma já havia dormido pelo cansaço. Jacob deixou a barra ao seu lado, para que quando acordasse a ingerisse. Curioso pelo fato que havia ocorrido e perguntando-se havia visto a mesma coisa, ele tocou novamente a mão dela. Apenas um breve flash de em um vestido de organza branco com detalhes vermelhos, o cabelo ondulado louro como o sol estava formalmente preso em um coque de realeza. Era claro que aquele era outra época.


Jacob separou a mão e a encarou com preocupação e desconforto. O que aquilo significava?


Seria uma lembrança ou apenas algo de sua mente?


Ele não teria suas respostas agora, sabia disso. Falaria com Carlisle sobre o assunto. Mas a curiosidade o tomava. Jacob parou na soleira da porta antes de sair, olhando para o rosto tranquilo e sereno de . Tão linda e tão angelical enquanto repousava que Jacob sentiu um sorriso abrir-se em seu rosto. Balançou a cabeça descrente e saiu da casa, tomando seu rumo para a mansão dos Cullen.


 Capítulo 08 - Os Druidas





Os druidas eram os seres mágicos mais difíceis de ser encontrado. Podia ser qualquer um ao seu redor, misturavam-se com os humanos sem problemas, porém sua identidade deveria ser muito bem protegida, já que muitos da idade contemporânea os chamariam simplesmente de bruxos, e havia uma grande diferença entre um bruxo e um druida ou druidesa. Não se sabia ao certo onde eles viviam, alguns seres míticos tinham uma ideia – como Melody, que estava em constante contato com os druidas, mas era seu dever manter extremo sigilo sobre onde eles se encontravam, tornando assim impossível que alguém além dela e de seus companheiros saibam.



Não era muito inteligente falar com um druida, apenas os mais sábios e gênios conseguiam, muitas vezes a fala por metáforas era extremamente usada, o que complicava a pessoa que procurava uma resposta direta. Eles não interferiam na vida dos humanos ou de qualquer um de seu mundo, apenas cuidavam de manter a magia e a tradição mítica viva, o que já era algo de grande importância. Com o mundo moderno ganhando cada vez mais terreno, com suas diversas opções e caminhos, os cultos antigos estavam sendo esquecidos, os irlandeses não acreditavam mais nos deuses celtas e gregos. Hoje em dia você poderia seguir a sua própria religião.



acordou com uma baita dor de cabeça, como se tivesse batido-a em algum lugar. Suas roupas encharcaram sua cama, estavam úmidas em seu corpo e lhe provocava um frio absurdo. Tremendo e praguejando entrou no banheiro e abriu o chuveiro quente, se colocando de roupa e tudo, esperou até se esquentar e começar a retirar a roupa. Lembrava-se perfeitamente da ocorrência desta madrugada. Agradeceu mentalmente á Jacob por duas coisas: primeiro, por tê-la ajudado de tão boa vontade; segunda, por não retirar as roupas molhadas e deixa-la exposta a ele. Foi algo muito gentil da parte dele.


Assim que acabou seu banho,
tomou o cuidado de se enrolar bem em seu roupão, para que não pegasse friagem. A última coisa que queria no momento era adoecer. Suas mãos ardiam e tremiam ainda, pelo esforço da noite anterior. Olhou-as por um tempo, além de estar constantemente tremeluzindo, não havia nada de diferente nela, a não ser pela extra sensibilidade que ela estava tendo. Jogou suas roupas molhadas na lavanderia e, puxando um manto xadrez, sentou-se no sofá enquanto beliscava algumas guloseimas.


A porta se abriu em um rompante, assustando
, mas era apenas Melody, vindo correndo na sua direção e pedindo mil perdoes por não ter ajudado a amiga na manhã anterior.


- Manhã anterior? Não foi esta manhã? – perguntou confusa.



- Não, amiga, foi ontem. Não pude vir visita-la neste tempo em que ficou desacordada, estava muitíssimo ocupada, mas olhei por você enquanto pude, é claro que depois do caos que você passou eu pressenti que nada mais lhe aconteceria, mas não custava ter certeza. Você está bem? Quer alguma coisa? Esta aquecida? Machucada?... – e as perguntas continuaram.



a interrompeu antes que a amiga tivesse um ataque do coração. – Estou bem, Mel. Sério mesmo. Nenhum ferimento; estou apenas exausta e com fome, mas posso me virar, pode voltar ao trabalho.


Melody negou com a cabeça e andou rapidamente até a cozinha de
, tentando preparar algo com o que tinha na sua casa.


- Não está recebendo um bom salário no hospital? – perguntou irônica. – Cadê a comida desta casa?



- No supermercado. – sibilou
rolando os olhos. – Faz algum tempinho que não vou comprar as coisas.


- Um “tempinho”
? – perguntou incrédula. – Deve fazer uns dois meses que não vai ao supermercado. É por isso que está tão fraca, se tivesse algo além de besteiras para comer estaria muito mais forte... – então começou a tagarelar sobre a sua dieta e o modo como ela, Melody, se alimentava com disciplina. Listou varias frutas e verduras e suas propriedades. estranhou a tagarelice da amiga, mas não reclamou, serviu de ajuda para tirar as lembranças da noite anterior e deixar que sua mente ficasse limpa por algumas horas, antes de começar a pensar sobre o que havia ocorrido e o porquê.


Melody passou o dia com a amiga, e parecia que havia deixado em casa seu estoque de vírgulas, pontos e pontos finais. Falava, falava, falava.
começou a estranhar ainda mais. Depois de um tempo começou a notar que Melody não a deixava falar, provavelmente estava escondendo algo, mas as duas eram como irmãs, então Melody não conseguia esconder muitas coisas sem que notasse.


- Melody! – bradou – Pare de falar um segundo, vai ficar rouca deste jeito.



- Desculpe... Estava um pouco... Nervosa sobre o que aconteceu com você. Sinto muito novamente.



- Pare de se desculpar! –
deitou a cabeça para trás, recostando-se ao sofá e suspirando, controlando os tremores de sua mão, achava que como o corpo era seu, ela o controlava da maneira que achava melhor. – Agora o que a esta afligindo, minha amiga?


- Não é nada, só os problemas do trabalho... – parou de falar, quando notou que havia falado demais, por mais que em poucas palavras.



se endireitou. – Problemas? Desde quando o bem tem problemas? Vocês pararam de se preocupar com o que o mal faz há um bom tempo.


Melody rolou os olhos. – Não é nada que eu tenha permissão para falar. – olhou
de um modo diferente. – Mas que bom que você está bem, isso me reconforta bastante.


pensou nas palavras da amiga. “Nada que eu tenha permissão de falar”, mas se ela estava tão agitada assim significava que tinha algo a ver com , da ultima vez que ela esteve tão tagarela assim foi no dia em que completou idade aproximada para a revelação de seu futuro, rebelou-se contra isso e quase expos todos de seu mundo. Melody havia previsto guardiões vindo deter com seu modo “gentil” de ser. Conteve a ideia da amiga antes a colocasse em ação.


Ação. Isso lembrou á
de sua real ação... O paciente. E hoje ela tinha que ir para o hospital, seu dia de folga havia sido ontem.


- Meu Deus, estou atrasada! – falou levantando-se e pulando o sofá, correndo para seu quarto e colocando uma roupa quente e branca, com seu jaleco por cima. Pegou sua maleta e tudo do trabalho. Melody fazia represálias sobre a saúde de
e que ela não estava em condições de trabalhar, mas mal escutou a amiga, seu coração disparava por causa da finalização da transformação do paciente, que acordaria em um hospital... Cheio de pessoas. Agradeceu rapidamente à amiga, mas notou que estava sem carro, então Melody deu uma carona. Ficou o caminho inteiro em silêncio, mas não parava de bater impacientemente os pés, de forma ritmada e nervosa, roia os cantos das unhas, tirando as peles que ali havia, machucando de leve a carne já sensível.


- Me ligue qualquer coisa. – Melody disse apreensiva.



jogou um beijo no ar para a amiga e entrou correndo no hospital, não parou em sua sala, não parou para conversar, foi direto para o quarto do paciente. Assim que abriu a porta notou que o quarto estava vazio, arrumado e – pela ficha que havia na caixa grudada na porta – já esperava outro paciente. olhou tudo aquilo confusa, mas lembrou-se de Dr. Cullen e lembrou-se quando o avisou que o paciente era problema dele.


Alivio percorreu o corpo tenso de
quando notou que estava tudo bem. Andando com passos mais leves ela se dirigiu para sua sala. As coisas de Carlisle ainda estavam lá e sentiu-se mal quando olhou na escala e notou que hoje era o plantão dele, mas não poderia sair enquanto ela não chegasse. Virou as costas e foi procura-lo, o achou na ala de emergência.


- Eu sinto muitíssimo! – disse assim que o viu. – Eu acabei dormindo demais. Sinto muito, Carlisle! – ela pensava que ele era mais resistente que os humanos, mas assim que o viu de longe notou as olheiras profundas no rosto, o que, depois dos vários pedidos de desculpas, achou estranho para alguém como ele com olheiras. Vampiros não se cansavam... Pelo menos era isso o que ela pensava sobre ele, embora ainda não houvesse aprofundado no assunto. Não poderia dizer com certeza também, não o observava fora do trabalho, apenas sabia que o mesmo não era normal porque ela não era normal, e pessoas estranhas reconhecem outras pessoas estranhas.



- Tudo bem. Não se preocupe. – sorriu cansado, mas sereno. – Aqui, pode cuidar dele por mim? Preciso pegar minhas coisas.



- Claro, com certeza... Dr. Cullen, o senhor viu o Dr. Black? – lembrou-se que não havia visto seu carro hoje de manhã.



- Ele está em sua sala, me esperando para ir, ficou de plantão também. – explicou Carlisle sorrindo de leve, mas no fundo de seus olhos era como se ele os semicerrassem para
, como quem desconfia de alguma coisa. Jacob havia conversado com ele, sobre a memória, e provavelmente Carlisle se encontrava intrigado no momento. Mas possuía suas teorias e elas pareciam estar se comprovando a cada hora que notava o comportamento de Jacob.


- Obrigada. – agradeceu e começou seu trabalho. Sua cabeça não para um segundo sequer, não dava espaço para pensamentos aleatórios e muito menos sobre a manhã de ontem. Matinha o olhar mais firme do que nunca, por mais que trabalhasse muito, a sua parte mítica se mantinha em alerta, a qualquer som que não pertencia ao hospital,
olhava para trás; por mais que seus pacientes fossem bem cuidados por ela, estava sempre olhando ao redor, firme; por mais que o refeitório estivesse cheio de gente conhecida, ela desconfiava de todos.


Estava descobrindo, aos poucos, que no mundo em que vive ela não pode confiar em ninguém.



Quando voltou ao seu escritório, a chave de seu carro estava sob sua mesa, com um bilhete do lado.


“Sinto muito por não ter entregado seu carro ontem. Espero que esteja bem. B”.



olhou bem aquelas letras garranchosas e espaçosas, conhecia-as de algum lugar. Fuçou bem em sua mente, mas nada lhe veio à cabeça. Tinha um pressentimento sobre Jacob, mas ainda era muito cedo para julgar ser bom ou ruim.




~*~





O trabalho havia rendido bastante naquele dia, o movimento não foi tão forte, o que aliviou alguns médicos, que podiam respirar por alguns minutos.
saiu de noite do hospital, teve que compensar as horas de seu atraso, também teve a demora de seu substituto.


O sol se colocava atrás das montanhas de Sligo sem pressa, sua descida era calma como as águas, leve como o ar e concreta como o dia e a noite.
dirigiu rapidamente até sua casa. Sentia falta de parar e respirar um pouco ao amanhecer. Fazia tempo que não fazia isso.


Sentou-se na beira do penhasco, olhando o sol se pondo, agora ele estava mais visível, pois o mar lhe dava a imensidão e destaque que ele merecia. As nuvens tornando-se de um rosa para o lilás, do lilás para o arroxeado e aos poucos o céu ia escurecendo, mesclando o dia com a noite. Era uma cena linda. Mas um pensamento triste ocorreu em
.


 “Então, a escuridão sempre vem. É inevitável”.



Juntou bem os joelhos ao se corpo e abraçou as pernas, depositou o queixo em cima do joelho e observou toda a floresta ao redor, toda a extensão do mar enegrecerem, mudando a atmosfera por completo. Agora os animais da noite saiam, os grilos e cigarra faziam sua algazarra.



Com um suspiro cansado
levantou-se e entrou na casa. Trancou a porta e foi tomar um banho, deixando a água cuidar de seus músculos tensos, era como uma leve e terapêutica massagem. Assim que se sentiu renovada fisicamente, saiu do banho. Ligou o aquecedor e colocou sua camisola. Ainda não estava pronta para dormir, pois logo depois de deitar na cama, o sono se foi e ela não conseguiu pregar os olhos. Foi para a sala e ligou a TV, pois nada ali lhe interessava. Comeu alguma coisa qualquer, mas não era aquilo o que queria. Olhou para as cortinas fechadas, imaginando a escuridão do lado de fora. Pela primeira vez sentiu apreensão de morar tão longe e tão afastado. Balançou a cabeça, tirando da cabeça.


 “Pare de ser tola. Se controle! Parece uma criança com medo do escuro!”.



Aos poucos a TV foi fazendo o chato trabalho de atrair a atenção, seja pelo programa mais besta e incoerente que esteja passando. O sono de
veio vindo, até que o telefone tocou alto. deu um pulo.


Com o coração na boca, apreensiva pegou o telefone. – Alô?



-
! – era Melody. – Venha para a minha casa imediatamente!


- Melody! Já estou de camisola, pelo amor de Deus, está congelando lá fora. – protestou. A amiga tinha uma urgência na voz que passou despercebida por
, que ainda escutava seu coração bater em seus ouvidos.


- Não há tempo! Saia daí! Estou falando sério! Eles estão indo atrás de você! – então desligou.



entrou em estado de paralisia. Segurava o telefone com força, os olhos arregalados e vazios, fitando o nada.


 “Eles... As Sombras”.



Assim que assimilou o pensamento,
saiu correndo para a garagem. A única coisa que a protegia do frio era o penhoar de sua camisola, ou seja, praticamente nada, já que ele era da mesma textura da camisola. Ligou o carro apressada e saiu da garagem. Dirigiu apressada pela rua. Estava tudo escuro, mas ela estava atenta.


 “Nix. Peço que sua noite se abra para mim”.  Pedia com fervor, mas sabia que os deuses não ajudavam os humanos ou seus descendentes de qualquer tipo, eram egoístas e criaram as ninfas para isso, para cuidar de pessoas como
, passar a responsabilidade para alguém que não fosse eles. E o pior de tudo era que não possuía uma ninfa para a noite. A única que comandava a escuridão em que se encontrava era Nix, suas proles eram ninfas, mas não da noite.


sentiu o exato momento em que sentiu as Sombras passarem por ela, indo em direção a sua casa. Viajavam escondidos sob as sombras da noite, por isso não pode reconhecer suas formas e rostos, mas sentia a direção em que eles estavam. Seu coração batia rápido. Um fraco teor de assinatura lhe veio aos sentidos, era mais de uma. Cinco no máximo. Seu coração acelerou. Ela era boa, sabia se defender e cuidar de si mesma, sabia usar o que lhe fora dado, mas não contra cinco de uma vez, talvez fosse possível quando mais nova, onde estava em contato direto com seus poderes, mas agora estava sem pratica, seus poderes e habilidades haviam ficado em segundo plano. sentiu o erro em ter abnegado seus instintos de combate por tanto tempo.


Seu carro era rápido, mas não parecia o suficiente. Ela viu, pelo retrovisor, uma massa negra atrás dela. Respirando forte e controlando a respiração ao máximo ela seguia firme. Mesmo que eles a parassem, ela lutaria, lutaria e não deixaria que vencessem. Era determinada e no momento que colocou isso em sua cabeça, todo o seu corpo, aura e mente mudaram. Ela era agora Eibhlín, seu nome irlandês, foi de uma famosa guerreira no norte no século II onde os Seres da Floresta, dos Mares e dos Ares ainda andavam sobre a Irlanda, com seu misticismo, escondido em seus elementos, mas sempre ali, para quem precisasse.



 “Hesperídes, rogo a vocês que auxiliam meu caminho, por meio dos dons de sua mãe, Nix, á encontrarem a claridade e razão na escuridão que me encontro. Que o mal atrás de mim sinta sua força, sinta que não estou sozinha, sinta minha presença com antiga guerreira de meu túath*!”.



Aos poucos foi sentindo a familiar vibração por todo o seu corpo, seu pedido sendo atendido, seu poder se tornando quase palpável. Fazia tempo que
não demonstrava seu verdadeiro ser, seu verdadeiro interior, cheio de poder e de uma magnitude intensa. Sentiu que era por isso que estavam atrás dela, atrás de seu poder, atrás de seu “eu”.


Suas mãos relaxaram no volante, seu corpo tornou-se unificado com a terra, com a floresta e com as ninfas.



 “Sentimos sua falta, Eibhlín!”.



 “Que bom que voltou, querida, precisávamos de você”.



 “Sinta seu poder, Eibhlín, guie-se por ele”.



 “Estamos aqui por você, valente guerreira”.



 “Sua jornada não será fácil, necessitará de seu total poder em ação, meu amor”.



 “Confie em si, confie nos deuses”.



 “Que o seu caminho seja repleto de luz, guiaremos você no que precisar”.



As vozes das sete filhas de Nix encheram os ouvidos de
com os zunidos, suas vozes eram quietas como a noite, audíveis como o canto dos pássaros e sabias como o olhar de uma coruja. Então, uma voz diferente entrou em sua cabeça, mais clara, sem o zunido, direta e aveludada. Lembrava das constelações sobre o céu negro.


 “Seu caminho será árduo, minha jovem. Precisará de toda a ajuda que puder, porém estará mais sozinha do que pensa. Não podemos interferir nos destinos de vocês, mas podemos guia-los. Pare de ignorância e nos escute,
, estávamos tentando por tanto tempo!” – sua voz parecia cheia de alegria ao mesmo tempo em que era cheia de tristeza e alivio. “Seu teste está apenas começando, pequena, mas não desista, você vai descobrir que é mais do que pensa, logo sua história se revelará e você tem que estar preparada. Sua liberdade é a sua aura. E você merece ser livre, confie em minhas filhas, elas lhe mostraram o caminho mais seguro para você agora”. Então a voz se foi.


Aos poucos os instintos de
mudaram para um rumo diferente. Não era como a escuridão, que a cegava, oprimia e a obrigava a seguir seu caminho. Era apenas as ninfas cantando para a noite, e na canção você notava as direções, com seu coração você sentia o caminho.


As Sombras foram chegando cada vez mais perto,
sentiu os solavancos do carro.


 “Não se esqueça. Lute.”.



A ninfa sussurrou tão próximo ao seu ouvido que
se virou para o lado da voz, seus olhos determinados e brilhantes pela chama da determinação miraram a floresta escura ao seu lado. Um flash rápido como uma estrela cadente apareceu. Um rosto jovial, perfeito, cabelos louros como as margaridas de uma primavera. sentiu o choque de, pela primeira vez, uma ninfa a deixar vê-la. Geralmente elas se mantinham escondidas, e os que a vinham recebiam este pequeno vislumbre como uma promessa de que as ninfas confiavam na pessoa.


A atenção de
voltou para a estrada, agora já estava na rodovia.


 “Não temos poder sobre a noite, criança, não poderemos guia-la por muito mais. As Sombras conhecem a escuridão como elas mesmas, mas deixe seu coração guiar, e você chegará onde tem que ir. Que Nix esteja com você nesta noite”.



Aos poucos os zunidos foram passando,
não se permitiu sentir medo quando sentiu, depois de um longo tempo, que as ninfas se foram. Respiro fundo e, com todo o esforço que podia ter, seguiu seu coração, o pulsar constante e suave dele lhe ditava o caminho, seu som ensurdecedor lhe clareava a mente.


Estava exausta de tanto utilizar de suas habilidades, não era fácil expor seus poderes, expor seu nome interior, e ainda se concentrar em seu coração, se deixar guiar. Eram duas coisas que exigiam 100% de concentração, mas que agora estavam divididos. Aos poucos a mata voltou a ser intensa,
obrigou seu corpo exaurido a continuar a expô-la, pois sabia com isso uma proteção se envolvia nela, a proteção do livre arbítrio que ela ainda possuía. Era isso o que não os deixava lhe influenciar, era isso que nublava seus ouvidos para eles, que sussurravam persuasões. nunca escutou uma sequer palavra do que eles lhe falavam.


Aos poucos sua mente foi se anuviando e ficando tenra. Sentiu na ponta de sua língua a animação das Sombras. Estava perdendo os sentidos. Mas chegou ao seu destino e quando parou o carro as Sombras formaram um circulo em volta do carro, tão rápidas que as únicas coisas que
conseguia enxergar eram os borrões pretos de sempre.


O carro parou na frente de uma cabana simples, as luzes acesas. A porta se abriu, permitindo a luz da casa chegasse ao carro de . As Sombras fugiram como baratas.



Uma figura grande, porém graciosa caminhou com passos rápidos até o carro de , mas ela não pode ver Jacob, sua mente já estava nublada, sua sombra estava se tornando em um borrão e este borrão desapareceu quando desmaiou exaurida.





~*~





Jacob tinha ainda mais dúvidas em sua cabeça enquanto carregava a jovem em seus braços, seu semblante era de extrema exaustão, dando a ela uma aparência mais velha, que não combinava com ela.



 “Sua beleza é como essas belezas que nunca devem envelhecer”. Pensou Jacob.



Franzindo o cenho, ele a depositou em sua cabana. Para manter-se um pouco longe da agitação frequente da mansão dos Cullen, Jacob havia comprado esta cabana, havia feito algumas melhorias e passava algumas noites nela, quando precisava ficar sozinho com seus pensamentos, quando não queria a chata da Rosalie no seu pé, ou quando estava cansado das brincadeiras intermináveis de Emmett.



Retirou o cabelo do rosto levemente suado de . Notou que seus lábios estavam quase roxos e suas veias um pouco mais destacadas. Oh sim, o frio. Jacob franziu ainda mais o cenho quando viu que ela vestia apenas uma camisola e um penhoar. De fato havia saído com pressa e sem se preocupar com o tempo. Passou a mão nos cabelos, nervoso e sem saber o que fazer. Depois de jogar a manta em cima de , parou para pensar no zunido irritante que escutou antes de abrir a porta, foi o que chamara sua atenção. Instinto, talvez? Mas, de qualquer forma, a pergunta era: O que ela fazia aqui?



Jacob fez um pouco de sopa e ligou o aquecedor um pouco além do necessário. Encostou a porta do quarto. Fechou todas as persianas da casa, sentia como se estivesse sendo vigiado, espreitado. Com uma sacudidela ele se livrou do sentimento, era só sua cabeça viajando novamente.



Esperou paciente até que acordasse, mas ela só foi fazê-lo no dia seguinte, parecia bem descansada – embora Jacob não houvesse dormido a noite inteira, preocupado com caso ela acordasse. Seus olhos estavam duros igual gelo no inverno, frios como nevasca. Um olhar penetrante como o dela e que era tão vazio surpreendia Jacob. Como alguém conseguia um olhar daquele? Ele já teve, por um curto período de tempo, aquele olhar. Fora logo depois que Bella se transformou e nada mais havia restado para ele. Mas assim que a conexão amorosa entre ele e Bella se desfez, a carranca e amargura também. Não eram melhor amigos como antes, mas Jacob tinha lhe prometido uma vez que protegeria Bella e manteve a promessa, sabia das propensões que Bella tinham em se meter em problemas e mesmo com o marido e a família, ele ficou por ela, por sua promessa. Não foi difícil se acostumar com os Cullen, já havia convivido com eles e queria conhecer o mundo, conhecer novas pessoas, assim que Carlisle lhe fez o convite Jacob o aceitou, sem protestos. Vivia com eles desde então, não fazia muito tempo, dois anos no máximo.



- Onde...? – a frase de não fora acabada, ela olhava Jacob com um misto estranho de acuo e confusão.



- Você veio para cá noite passada, desmaiou no carro. A trouxe para dentro. – explicou simples, sem querer assustá-la.



- Como vim parar aqui? – parecia perguntar mais para si mesma do que para Jacob.



- Se você não sabe, não tem como eu saber. – Jacob esboçou um breve sorriso sério. – Você estava muito cansada, mas sei que não foi por causa do hospital, além do mais você esta de pijamas. Desmaiou no carro e ficou murmurando umas palavras que eu não entendia... Acho que é irlandês. – deu de ombros.



aos poucos foi se lembrando, tinha alguns vácuos na mente cansada, mas aos poucos foi se lembrando.



- Já é dia? – perguntou ansiosa, abrindo uma das cortinas.



- Sim.



O alivio pareceu percorrer seu corpo, seus braços e ombros relaxaram, ela continuou a fitar a floresta, sua postura dizia tudo por ela, por mais que suas feições escondiam tudo. Ela estava pensativa.



- Fiz algo para comer, uma sopa, nada muito forte para não passar mal. – falou pegando o prato.



- Porque aqui dentro está tão quente? – perguntou olhando ao redor, não estava calor lá fora, a primavera geralmente não era quente, dia frio e noite gélida. Simples.



- Desculpe, você parecia tão gelada e tão roxa que liguei o aquecedor um pouco além do normal. – sorriu como quem se desculpa. olhou aquele sorriso, algo dentro de sua memória despertou... Já vira aquele sorriso em algum lugar, mas ao mesmo tempo sabia que nunca tinha visto Jacob dar este sorriso á ela.



Jacob ajustou normalmente o aquecedor e voltou a colocar no prato uma sopa quente, que atiçou o estomago e apetite de . Ela sentou-se com cautela na banqueta, seus olhos pareciam de um animal assustado, olhava desconfiava para cada canto da casa.



Jacob não fez perguntas, se fosse compartilhar algo com ele já o teria feito. Não insistiria. Por mais que afetasse a vida dele, já que ela sempre parecia estar passando mal perto dele, ele se manteve quieto, comendo junto com ela.



- Estava muito bom, obrigada. – sorriso foi largo, agradecido e, nas pontas, sensual. Jacob notou que fazia parte dela aquilo, a sensualidade despercebida. Entristeceu-se com o sorriso não chegou aos olhos, como de costume. Eles continuavam duros, penetrantes e vazios.



- Não há de que. – respondeu com um humor gentil. – Quer alguma roupa mais quente para vestir? Pelo menos até voltar para sua casa, não sei como saiu de casa se vestindo assim.



voltou ater consciência de seus trajes e demonstrou um breve sorriso tímido. Entretanto outro assunto lhe veio à mente. Melody.



- Se não for pedir muito, posso usar seu telefone? – perguntou.



- Claro, está em cima da mesa. – Jacob indicou a mesa de centro.



caminhou com passos suaves e ritmados. Pegou o telefone e afastou-se um pouco, para não ser muito rude e sair do cômodo. Mas Jacob era perspicaz, saiu da sala e foi para o quarto, pegar alguma coisa quente para .



- Alô? – a voz de Melody era tensa, dura e fria.



- Melody? – não reconheceu a própria amiga.



- ! Pelo amor dos deuses! – esbravejou – Porque não veio para minha casa como lhe pedi? Esta ferida? Aliás, onde é que você está, passei ontem de noite para lhe buscar, já que você não veio e não estava em casa!



- É uma longa historia e eu mal sei sobre ela tanto quanto você. Estou com Jacob, não se preocupe. – falou sem emoção na voz, para não fazer a amiga entender coisas erradas. Tarde demais.



- Jacob Black? Sobrinho de Carlisle Cullen? – falou enfática no Cullen.



- Uhum. – respondeu sem importância.



- O que faz ai?



- Não sei, acordei aqui. – deu de ombros, sua voz era desprovida de emoção. – Mas eu tenho que desligar, apenas liguei para lhe dizer que estou bem e em breve volto para casa, estarei lá por volta do meio-dia. Esteja lá, precisamos conversar. – então desligou. Olhou no relógio e notou que era oito da manhã.



Jacob voltou com uma calça de moletom e uma jaqueta de moletom, o sorriso de desculpas no rosto, era o menor que ele havia encontrado.



soltou uma breve risada divertida, que passou como melodia pela casa. Agradeceu e foi para o quarto, tirando a camisola fresca e colocando o moletom, é claro que ficaram enormes nela, mas sentiu-se mais aquecida naquela manhã fria.



- Não irá me contar como veio parar aqui, não é? – Jacob sorriu conformado.



- Não sei como vim parar aqui. – não estava mentindo, não sabia ‘porque’ a casa de Jacob, ‘porque’ era sempre Jacob. Sabia que as ninfas a guiaram para lá... Que seu coração a guiou para lá. Com um simples gesto com a boca, espantou o pensamento. Era maluquice de sua cabeça e não tinha tempo para isso, precisava pensar em algumas coisas, mas não podia voltar para casa. Sabia que a maioria dos ataques das Sombras era de noite, mas eles não se reservavam apenas á noite.



- Posso ficar até meio-dia aqui? Se não for incomodar é claro, se tiver que ir para o hospital, posso ir para casa. É só que no momento não me parece... um bom lugar. – desviou os olhos de Jacob para olhar pela janela. Sentia como se Jacob olhasse sua alma.



- Claro que pode! – ele disse sem pestanejar, sorrindo de lado. – Não vou para o hospital hoje.



agradeceu mais uma vez. Relutante ela abriu a porta e ficou parada olhando a pequena clareira que havia ali, a floresta rodeava a cabana, apenas um pequeno aberto – como se fosse seu mundo particular – havia em volta da cabana. O céu estava de um azul farto, sem nuvens, a floresta tinha tomado aquele tom verde claro e escuro, o sol deixava o chão quase verde florescente. Tudo muito vivido.



- É um lugar bonito. Pensei que morasse com os Cullen.



Jacob deu um sorriso reservado. – Gosto de ficar sozinho de vez em quando.



- Sei como é. – disse e então olhou para seu carro, caminhou em volta dele e notou que a traseira possuía algumas marcas de batida, embora ela não tivesse batido o carro nenhuma vez.



- Tem concerto. – Jacob disse suavemente. – Foi apenas um encontrão.

“Foram cinco encontrões.”. quis dizer.



Olhou para Jacob e seus olhos não eram mais negros como a pena de um corvo; eram de um castanho escuro, bonitos, gentis e quentes.



Quente.



A palavra remeteu outra coisa que não se lembrava muito bem. O grande animal que a visitava veio a sua mente, sua pele era quente. Seus olhos eram negros, mas seus pelos avermelhados... Parecidos com os de Jacob.



tinha noção de que ele não era comum, nenhum dos que viviam com os Cullen eram comuns.





~*~





- Tem certeza que quer voltar? – Jacob perguntou desconfiado. Sabia que algo de muito estranho e perturbador estava acontecendo com , talvez aquela urgência em seu peito o alertasse disto, mas ele sabia que nada do que fizesse ajudaria, já que não confiava em ninguém.



- Eu tenho que voltar. – havia algo em sua voz, uma determinação que Jacob nunca vira antes. Já havia visto Isabella lutar para salvar a sua vida e a vida da filha que carregava no ventre, quase a matando, havia visto a determinação irredutível em seus olhos... Mas aquilo era diferente, a determinação de parecia mil vezes maior e cem mil vezes mais irredutível. Não demonstrava ser o tipo de determinação que Isabella tinha em salvar a filha e depois se salvar. Era mais como a sobrevivência. Isto incomodou Jacob.



- Ok... Então agente se vê no hospital. – Jacob disse estreitando os olhos para , medindo suas feições e reações. Ela não demonstrou nada, a frieza no olhar e a feição neutra continuavam as mesmas de sempre.



- Claro. – disse abafado, pois estava no quarto colocando a camisola. Não levaria as roupas de Jacob. – Assim que eu chegar eu te dou um toque. – ela disse como se fosse para aliviar a tensão que havia nos olhos de Jacob. – Desculpe novamente, eu não sei mesmo como vim parar aqui.



Jacob expressou um sorriso de canto. – Parece que estou ficando cada vez mais necessário para você. – brincou de leve.



franziu o cenho. – Não está não. – disse depressa, então parou e suspirou, notando a brincadeira. – Engraçadinho. – foi andando lado a lado com Jacob até seu carro.

- Sabe como voltar?
- É só seguir a trilha, não é?

- Sim, depois vire a esquerda e pegue a avenida principal, dentre cinco minutos estará no centro de Sligo.

- Certo. – parou ao lado da porta do carro. – Obrigada de novo, Dr. Black. – falou formal desta vez. – Não vou voltar a te incomodar. – sorriu como quem se desculpa.

- Não é um incomodo. – balançou a mão como quem despreza o comentário. – Só tente me avisar, assim não vou ter um ataque do coração sempre que você me encontra quase desmaiada com uma aparência de morta.

Uma leve e repicada risada escapou pelos lábios disciplinados de , pegando Jacob de surpresa por notar a veracidade daquela risada. Era a primeira vez que ele a ouvia rir, realmente rir.
- Vou tentar me lembrar disto. – ela disse ainda com um leve e delicado sorriso nos lábios, que levemente chegou aos olhos, deixando uma pequena chama do sorriso neles. – Até mais. – então entrou no carro e deu a partida.
manobrou o veiculo e saiu da clareira, entrando em uma trilha fechada e quase impossível de se localizar. Realmente não sabia o que dera em sua cabeça em encontrar Jacob em um lugar tão impossível como este. Talvez as ninfas houvessem levado ela para lá porque sabiam o que Jacob era, talvez tenham tirado as conclusões de que ele poderia ajuda-la. Sim, era isto, se convenceu desta teoria, tirando o peso em seu coração só de pensar na ideia de precisar de alguém. Ela não precisava de ninguém, sempre se virou melhor sozinha.
Assim que estacionou o carro na garagem, disparou para dentro da casa, entrou devagar, testando o ambiente. Então entrou em seu quarto, tomou um rápido banho para retirar o suor do corpo, voltou para o quarto e encontrou com Melody sentada em sua cama, repousando tão graciosa e quieta que se questionou se a amiga já estava ali e ela não tinha percebido.
- Faz muito tempo que esta aqui?

- Não, cheguei agora. – falou quietamente.

Elas ficaram se entreolhando durante um tempo, o corpo de Melody começou a ficar rígido e formal demais.

- Vejo suas intenções, sinto sua decisão. – ela disse estreitando o olhar para a amiga – Se me chamou aqui para isso, sinto muito, não posso lhe ajudar.

cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha. – Uma lei foi quebrada, preciso de um conselho com eles.

- Sinto muito, eles não interferem em nossas leis e nossas decisões. Os druidas são neutros. – o olhar de Melody continuava duro e decidido.

- Eles quase me mataram hoje, acho que podemos abrir uma exceção. – continuou com uma posição dura e desafiadora. Seus olhos crisparam para Melody, como se pudesse vasculhar sua mente. Melody desviou o olhar, temendo que a amiga realmente pudesse fazê-lo, embora tivesse a completa noção de que ler pensamentos não era dom de nenhum dos seus iguais.

- Sinto muito. – falou ainda dura, seu tom era de quem não sentia nada, olhava pela janela, observando o mar.

- Ótimo, vire as costas para sua amiga. Tanto faz, não preciso de você de qualquer forma. – abandonou a posição encostada na parede e entrou em seu closet. Pegou sua calça jeans escuras, uma camisa branca transparente, vestiu um sutiã próprio para aquela blusa, retirou o blazer preto do armário e calçou os saltos negros.
Melody via toda a sua transformação com uma dor nos olhos, sempre temeu que a amiga sentisse assim em relação á ela, mas ela havia feito um juramento e nem se quisesse conseguiria dizer á amiga.

penteou os cabelos molhados e passou um leve gloss na boca. – É a sua ultima chance. – olhou de soslaio para a amiga, que continuava sentada na cama.

- Sabe que não posso.

- Argh, dane-se juramentos, eles podem ser quebrados. – rolou os olhos com desprezo. – De qualquer forma eu tenho uma boa ideia de onde é. E você sabe que eu irei encontrar, só me gastaria menos tempo se me dissesse onde é.

Melody a encarou lívida. – Juramentos podem ser quebrados?! – Perguntou cética, incrédula. – Talvez para você seja muito mais fácil quebrar seus juramentos, , além do mais você não está ligada á eles, são meros juramentos que qualquer humano faz. Você sempre teve uma boa noção do que os nossos juramentos são capazes. Acha que não quero de ajudar? Acha que não morreria por você se fosse possível? Acha que eu não olho por você? Como acha que me senti ontem? Quando eles estavam atrás de você e eu não podia sair de casa? Você sabe que eu não posso interferir em destinos! Como acha que eu me senti sabendo que a qualquer momento eles poderiam pegar você e fazer sabe-se lá o que?!

agora estava virada para a amiga, o mesmo olhar vazio e duro de sempre, nada havia mudado, sua feição continuava neutra, vazia de expressões.


- Isso é um não? – perguntou sem emoção na voz. – Olha, eu tenho até às seis horas para fazer isso, não posso correr mais riscos, eu tive muita sorte de ter as ninfas me escutando, eu tive muita sorte quando elas me levaram para Jacob. E ainda assim eu corro perigo. Sinto muito se não posso lhe demonstrar o sentimento que quer, que é de compreensão, porque no momento eu não posso sentir isso, eu só posso pensar em sobreviver. Agora se não vai me dizer onde eles ficam, ótimo, eu encontro sozinha. – se virou para sair.

- Όταν η Δύση emerge και συνδέσμου, το ιερό τοπίο δει sabios θα εμφανιστεί και θα κλάψει το αίμα σας. –a voz de Melody soou vaga e fora do ar. virou-se para a amiga, mas a mesma não estava mais ali. As palavras em grego ainda soavam em sua cabeça.

 Quando o poente surgir e os pontos se juntarem, os sábios viram, a Paisagem Sagrada se mostrará e seu sangue irá clamar”. “O que isso significa?”.

entrou em seu carro, as palavras pareciam grudadas com cola de madeira em sua cabeça, a frase entoavam em sua cabeça enquanto ela ligava até que, com um estalo audível, sacou a charada. Melody tinha lhe dado as coordenadas do modo como deram para ela, em forma de charada, assim ninguém contaria nada, só chegaria lá se descobrisse que lugar era aquele. E tinha até o por do sol.

 “Paisagem Sagrada?”.

Não era nada muito especifico, Irlanda era cheia de Paisagens Sagradas para eles. O que estava na cabeça de seria os tais pontos. Tudo o que aprendeu na infância e adolescência veio á sua mente, todos os lugares que lhe fora mostrado e ensinado tomaram conta de seus olhos. Se fosse uma Paisagem Sagrada aonde os druidas iriam... Então só havia duas opções. Erin e Sligo. Só de pensar em ir a Erin, se sentia mal, era uma viagem muito longa para uma “possibilidade”. Torceu que para que fosse em Sligo.

Ligou o carro e dirigiu velozmente até Dublin, Armagh. Chegando lá, pegou a via Newgrange e dirigiu durante algum tempo, pela estrada rural. O sol estava forte e quente. caçou os óculos escuros dentro do carro. Entrou na direção que a placa dizia: Colina de Tara & Monasterboice.

A Colina Sagrada de Tara se via ao longe, no meio uma enorme pedra, onde sob ela havia mais pedras, algumas mais pontudas que as outras. saiu do carro e suspirou, o lugar já foi reconhecido como assembleia dos druidas e já coroou muito rei irlandês, mas nunca que acharia que a Colina de Tara seria um portal para o Outro Mundo, onde poderia ver os druidas.

Subiu a colina e olhou em volta, geralmente o local era cheio de turistas, mas hoje estava vazio. deu uma volta sobre a pedra e suspirou. Tocou a enorme rocha e olhou em volta. Nada. Recitou novamente a frase, tentou se lembrar do que sua mentora havia dito sobre a pedra.

 “Ela é feita de nós, a terra irlandesa, o sol que a cobre e o vento que a refresca são parte de nós. Tudo que o que há de sagrado aqui irá nos reconhecer, se estivermos prontos para receber o segredo que neles há".

tentou limpar a mente e tocar novamente a pedra, mas nada aconteceu. Viu seu tempo escorrendo entre seus dedos e uma pontada de desespero começou a atingi-la.

Aos poucos, assim que conciliava suas informações com a charada de Melody deixou os elementos correrem livremente por seu corpo. Deixou que seu poder e mente se fundissem em apenas um e que este novo elemento se fundisse com os outros, onde tudo que havia em era apenas o legado irlandês correndo por suas veias. Não importava se os deuses gregos ou celtas olhassem por ela, não importava nada, apenas ela e a terra em que nascera e fora criada. Onde suas raízes realmente estavam.

A terra se moveu sob seus pés, ventos vindos de todas as direções vieram e então, fracas e erráticas assinaturas.

Eles vieram.

*túath- eram as tribos

Capítulo 9- Dificuldades.




virou-se e viu seis druidas, com suas mantas brancas e uma corda dourada amarrada na cintura. A maioria era velha, as mãos disciplinadamente postas e cruzadas a sua frente. As feições eram calmas e neutras, o olhar chamuscava sabedoria.

perdeu as palavras, toda a determinação e vontade de se rebelar se fora, ela agora se sentia uma criança fazendo traquinagem.

– O que quer conosco, jovem ? – um deles perguntou, olhando-a de cima a baixo.

– Uma lei foi quebrada. – ela disse com a voz rouca, então se recompôs e sua postura se tornou altiva, seu queixo ergueu-se um pouco, os olhos assumiram uma chama desafiadora.

– Não podemos fazer nada sobre isso. – uma druidesa de, aparentemente, 40 anos disse com uma voz alta e limpa.

– Podem sim. Vocês podem comunicar os guardiões! Pensei que eles fossem os responsáveis pelo equilíbrio, e, certamente, o equilíbrio foi quebrado. Duas vezes.

Os druidas olharam para um único sábio, que parecia ser o líder, ele se manteve o tempo inteiro quieto e observando a jovem, vendo suas intenções e sua postura. Assim que virou-se para ele, os dois se encararam sem demora. sentiu-se desconfortável e queria desviar o olhar, aquele olhar que parecia ler sua mente, suas intenções, suas memórias. Mas não o fez, seu orgulho clamou mais alto, então continuou a encará-lo.

Um leve sorriso formou-se nos lábios do sábio.

– Jamais deveriam ser asfaltados os bosques e campos floridos de um ingênuo coração* – disse em voz alta.

mordeu a língua para não lhe responder de maneira cínica. Devia respeito aos druidas. Ao invés disso ela bateu o pé impaciente, esperando a explicação.

– Quanto tempo renegou-se, jovem? – perguntou.

estreitou os olhos.

– Eu adoraria conversar sobre meu passado, presente e futuro, sim seria algo muito interessante. Mas eu tenho até o por do sol para sobreviver e não estou a fim de correr igual ao um cervo assustado novamente. Então se for pedir muito, tomem uma decisão e resolvam meu problema.

– Que insolência! – uma das mulheres disse, mas o líder ergueu a mão, pedindo calma.

– Acalme-se, irmã, ela não tem noção do que fala e faz, deixou há muito tempo de acreditar em nós, e em sua raça. Diga-me , o que espera que aconteça?

– Punição. Quero que o meu saia da reta de uma vez. Apenas. Quero seguir com a minha vida sem interferência.

– Sim, certamente isto deva ocorrer. – ele balançou a cabeça. – Mas não podemos fazer muitas coisas. Podemos passar seu pedido para os guardiões, mas porque devemos atender exatamente o seu pedido? Muitas pessoas nos fazem pedidos mais urgentes do que o seu.

o encarou chocada, sua boca transformou-se em uma linha fina. Mas parou para pensar. Aos poucos seus olhos clarearam com a solução.

– Porque eles querem algo comigo. – disse certa. – Nix, Morfeu, as Ninfas. Todos me ajudaram mais do que podem... Se os deuses estão me ajudando e as Sombras estão atrás de mim... Há algo que eu tenho que eles querem. O meu pedido é mais urgente, porque o que as Sombras querem o que os Deuses não querem que aconteça.

O druida líder fitou o horizonte durante um tempo. – Os Lenhadores da Ilusão jamais obterão êxito na floresta de minha verdade* – ele disse calmo. – Pense nisto minha jovem, reflita sobre isto. Passaremos seu pedido aos guardiões, mas não posso lhe garantir muitos resultados. Os tempos de hoje são difíceis. Creio que foi avisada de que sua jornada será solitária e árdua.

– Esta dizendo que não terei ajuda?! Contra as Sombras?! Está fora de si?! – exclamou. – Como posso sobreviver contra as Sombras?! São elas as responsáveis por todos os seguidores que eles têm! Quando colocam algo na cabeça levam até a morte! Não posso me deixar ser influenciada por eles!

Aos poucos os druidas foram ficando cada vez mais trêmulos e indagou se estava acontecendo algo com sua visão.

– Será solitária, sim. Porque você quis isso para sua vida. Mas ainda há tempo de mudar, se quiser. A jornada da vida nunca é solitária, minha jovem. – sua voz foi ficando distante aos poucos, ate que os druidas não estavam mais ali. Eles se foram.

rebelou-se chutando com força a pedra, que não se moveu do lugar. Saiu com raiva da colina, entrou em seu carro e dirigiu de volta para sua casa. Talvez não houvesse notado, mas algumas lagrimas caiam de seus olhos amendoados. Ela estava sozinha, e talvez isso era a pior sensação naquele momento em que ela se dispusera em aceitar ajuda. Os guardiões correspondiam diretamente dos Deuses, seguiam suas ordens. lembrava-se com clareza de Nix dizendo que sua jornada seria solitária.

Um arrepio desceu pelas costas de ao notar que ela estava sozinha contra as Sombras.

Assim que chegou em sua casa, gostaria de ver a amiga, mas ela não estava lá e também não atendia ao telefone. jogou-se na cama e chorou quietamente, deixando que o medo transbordasse dela, talvez isso ajudasse.

Com um salto, ela notou que estava escurecendo e ainda não havia tomado uma decisão do que fazer. Parou e olhou ao redor, não iria correr novamente, não ficaria fugindo, ela não era de fugir. Retirou aquela roupa formal, colocou leggings pretas, um coturno preto, blusa de alcinha preta também. Amarrou os cabelos em um alto rabo-de-cavalo. Respirou fundo. Havia duas adagas escondidas no armário, ela as pegou e as escondeu nas costas. Sentou-se na cama e suspirou.

“Ninfas, permitem-me que use de suas propriedades.”.

O pedido foi respeitoso e veio de sua alma. deixou que seu coração guiasse sua calma e paciência. Deixou sua mente livre de pensamentos, tornou-se apenas instinto. Ao longe ouviu o sussurro de seus passos, cadenciados e silenciosos, prontos para o ataque. Tentou saber quantos eram, mas não soube dizer, pelos passos sussurrados e coreografados, era mais de três, com certeza.

A porta se abriu levemente e levantou-se, sentindo o corpo vibrar com seu poder pronto para ser usado assim que ela o deixasse fluir. Eles chutaram os moveis assim que a viram, todos de preto, todos de aparência surrada e maltrapilha. Eram cinco. Diante dos chutes aos moveis abriu-se um espaço grande que a sala de estar possuía.

–Você escapou por pouco ontem. – um deles disse, sorrindo amarelo, os dentes negros causando náuseas em .

não respondeu, continuava com o rosto sombrio e os olhos frios, calculistas e penetrantes. Os intimidou com este olhar, embora eles já haviam visto muitos olhares piores do que aqueles, sentiram o poder dela emanar, ameaçando-os, estavam segurados á ela, esperando para serem usados.

Eles nada disseram, moviam-se como um só: todos atacando de uma só vez. O intuito em si era apenas força-la a recorrer às propriedades negras, depois seu mestre mandaria outras pessoas para concluir o trabalho, porém a menina era firme, recusava-se.

agiu com movimentos letais, para que eles não se levantassem mais, porém rápidos, mal saindo de onde estava. Acertou um na traqueia forte o suficiente para que ele caísse no chão quase roxo sem ar. O outro acertou o rosto dela, porém recuperou-se rapidamente do golpe, pegou o braço dele abaixou-o e ao mesmo tempo acertava o cotovelo com o joelho, fazendo o braço se inverter e o osso se partir dolorosamente.

O homem praguejou e caiu, contorcendo-se.

Os outros três foram à básica proteção o suficiente para que eles caíssem, estava arfando suavemente, ainda não estava cansada, mas sabia que muito ainda havia por vim. Só precisava feri-los o suficiente para que quando puxasse seus poderes não precisasse se esforçar tanto. Entretanto esquecera-se de que eles não eram meros humanos. Recuperavam-se rapidamente.

puxou as adagas ornamentadas. Os homens voltaram á atacar, os movimentos de eram rápidos, mas eles tinham muitos anos de experiência à frente dela, por isso suas duas adagas foram chutadas para fora de suas mãos, ela foi acertada várias vezes na região das costelas, e estava começando a perder o ar por conta da séria lesão. A adrenalina corria rápida por suas veias, impedindo-a de ficar parada. A mente de clareou-se diante do sorriso convencido deles.

Com um soco certeiro no queixo de um, ele caiu no chão, desmaiado, escorregou pelo chão de joelhos e pegou suas duas adagas. O primeiro que veio ela enterrou a adaga em sua barriga, depois levantou-se e girou, impedindo o ataque do segundo homem, então enterrou a adaga em sua nuca. Partiu para cima dos outros três, um caiu com a perna sangrando pelo largo e fundo corte na coxa, os outros dois recuaram para seu quarto, então sumiram pela janela aberta.

voltou para a sala de estar, os outros dois homens continuavam mortos em seu chão, o terceiro também havia fugido. Ela sentiu as dores profundas e fortes vindo, não se permitiu descansar, arrastou os corpos – com uma dificuldade enorme – então assim que eles tocaram o solo, reuniu suas forças para pedir que as ninfas, com a ajuda dela, levassem os corpos. Em concentração máxima, folhagem, raízes e musgos cobriram os corpos e os afundaram para dentro da terra.

Com passos lentos, conseguiu chegar ao seu quarto, sentou-se na cama com dificuldade. Puxou sua maleta e – respirando fundo e tomando coragem – apalpou as costelas, que já se encontravam roxas. Três costelas danificadas, duas trincadas e uma quebrada. Com mais toques estratégicos notou que a costela quebrada não danificou nenhum órgão. Cuidou do ferimento com pericia, depois de tomar alguns analgésicos apagou na cama, sentindo o cansaço e a dor levarem-na para um sono profundo.


~*~


Estava tudo destruído e havia sangue no chão claro, a porta se encontrava entreaberta. O cheiro de sujeira, suor e sangue continuavam no ar, indicando o que o que fosse que havia acontecido ali fora recente. Alice o alertou a tempo, porém Jacob sentia ter chegado muito depois do que gostaria.

Ele caminhou com passos largos e rápido até o quarto, onde ouvia uma respiração tranquila e profunda. Encontrou deitada na cama, os braços brancos como leite estava cobertos de hematomas, dos mais leves aos mais graves. A blusa estava levantada e mostrava a faixa em torno da cintura. Jacob olhava aquilo estarrecido, seu corpo não movia. Uma raiva e revolta dentro dele crescia de seu peito e caminhava por suas veias, tomando cada ser de seu corpo. Os braços tremiam violentamente, ele agachou no chão, respirando rápido e controlado, tentou se concentrar em sua respiração, esquecer a raiva e focar em , ele precisava ver quais eram as extensões de seus machucados. Isto foi a única coisa que o conteve, porém não o suficiente para que um leve tremeluzir ainda percorresse suas mãos.

Arrumou na cama, ao seu lado havia alguns potes de analgésicos. Jacob recolheu tudo e tentou organizar a sala como achava que era, olhou bem o sangue no chão e recolheu o cheiro para si, gravando-o em sua mente. Iria atrás da pessoa, caçaria-a e a mataria.

Quando amanheceu ainda dormia profundamente, Jacob ficou velando seu sono, notando o modo com seu rosto tinha as proporções perfeitas. Exatamente perfeitas. Perfeitas até demais. Nem os Cullen eram tão perfeitos.

Seus machucados a deixavam mais frágil do que Jacob nunca viu, seu celular vibrou e Alice o avisou que ela acordaria em dez minutos, que era para ele tomar cuidado. A voz de Alice era contida, como se ela tivesse receio em dizer algo.

– Alice? – ele disse incerto. – Alguém mais virá? Ela será atacada novamente.

– Não consigo vê-la tão longe assim, Jacob. – ela disse se desculpando. – Só por algumas horas. Até onde posso ver nada acontecerá... – sua voz se tornou mais sugestiva.

– Alguma coisa de errado?

– Não é nada, apenas decisões de ultima hora. – ela disse depressa. – Preciso desligar, até mais.

Jacob voltou a colocar o telefone em seu bolso traseiro. Os dez minutos passaram rápido e acordou; primeiro com uma visão nebulosa, depois seu quarto foi tomando formas e então ela sentiu alguém no quarto. Levantou-se com rapidez, porém suas costelas protestaram e um grito sufocado saiu por seus lábios, ela voltou a cair na cama, porém puxou para si o primeiro objeto que suas mãos sentiram, ela tentou se levantar, mas mãos quentes e confortáveis a impediram.

– Sou eu, Jacob. – ele disse depressa, incomodado com o esforço da garota. – Se acalme.

– O que... – perdeu a voz, então pigarreou – O que esta fazendo aqui?

–Você disse que iria me ligar, fiquei preocupado então ontem de noite vim ver como estava. Fora que você não apareceu no hospital também, o que me deixou mais preocupado, você não é de faltar. – ele explicou. – Você... Não acha melhor dar queixa na policia? – ele sabia que ela não faria, aquele ataque não havia sido por roubo, havia sido intencional, ela era um alvo. Agora de quem ou do que ela era, Jacob não sabia.

– Não, não é necessário. – ela disse rapidamente. – Eu estou bem, não foi nada.

–Tudo bem, você quem sabe.

Jacob a ajudou a se sentar, buscou algo para ela tomar e se acalmar, pois tremia. Ele não disse mais nada, não mencionou o quão estranho era aquele ataque e nem fez perguntas, como havia acontecido quando ela aparecera em sua casa no meio da noite.

Ele ficou o dia inteiro lá, ajudando no que ela necessitava, não que ela fosse uma pessoa fácil de cuidar, já que dizia não precisar de ajuda, mas nas condições em que se encontrava era difícil negar a ajuda. odiava admitir a si mesma de que estava precisando de Jacob mais do que ela gostaria, odiava que ele estivesse ali novamente, odiava sentir que gostava da ajuda dele, que era reconfortante saber que havia alguém ali para ela.

chamou Jacob para sentarem na beira do penhasco, eles se sentaram quietos e calmos. se sentia cansada de pensar em sobreviver e além de tudo, pensar sozinha.

– Obrigada por estar aqui hoje. – disse olhando o por do sol, então se lembrou do carma que a noite a trazia. – Mas você precisa ir.

– Não vou te deixar sozinha. – Jacob disse antes mesmo do aviso de terminar.

–Não pode ficar. – ela disse cansada. A cada respirar suas costelas ardiam, mas independente do que Jacob fosse, não precisava leva-lo para a forca com ela.

– Isso não está em conselho, , não posso ir embora pensando que a qualquer momento... – ele parou de falar, tentando controlar os tremores. – Não dá, não iria conseguir dormir.

estreitou os olhos para ele, avaliando a reação do moreno, observado cada feição e contração, tentou apurar um pouco mais seus ouvidos, ouvindo o coração acelerado dele, as pupilas dilatadas...

– Jacob... – ela começou, notando os motivos do rapaz.

– Olha, não é por sua causa, é mais que uma causa moral minha, entende? Ninguém conseguiria ir embora sabendo o que poderia ajudar uma pessoa.

desviou o olhar do dele.

– Eu acho que seus motivos são outros. – então olhou para ele com um sorriso triste. – Não daria certo, de qualquer forma, Jacob.

Jacob mexeu-se desconfortável.

– Do que está falando?

– Você sabe do que estou falando. – disse e rolou os olhos para o moreno. – Não daria certo.

Jacob franziu o cenho, olhando o sol cada vez mais baixo.

– Se eu soubesse do que você estaria falando, poderia perguntar o por quê?

suspirou, trazendo desconforto para si.

– Não é só uma questão de... Atração. Se for isso o que esta pensando. Você é muito bonito, Jacob, e me atrai, com certeza. É apenas uma questão de princípios, eu não nasci para ter um parceiro, gosto da minha liberdade, gosto de cuidar de mim. A ideia de ter... Alguém para me ajudar... Não me atrai nem um pouco. É apenas como sou.

Jacob rolou os olhos. – Você precisou de mim nesses dias, isso não pareceu um problema para você.

– Exatamente. – ela disse olhando para o mar, que se tornava negro. – Não quero... Precisar de alguém. Nunca precisei disto antes e não quero que seja agora.

– Não pensa em ter família? Porque se você quer, terá que ter um parceiro, isso é natural de toda mulher.

– Não sou como todas as mulheres. – falou firme. Depois sorriu de canto. – Eu simplesmente não tenho apreço por nada disto, não quero ter filhos, não quero ter família. Tenho minhas teorias e vejo que este é o único modo para que eu viva em paz.

– Como pode viver em paz sozinha? Não há sentido nisto.

– Muitas coisas na minha vida não possuem sentido.

– Nem me fale. – Jacob suspirou.

O silencio recaiu sobre eles, um silêncio confortável, porém cheio de mistérios e ideias.

– Não pode ficar aqui. – Jacob disse sério. notou que não se simpatizava com a feição séria e total centrada de Jacob, não combinava com ele. Assim ele parecia ter muito mais do que seus vinte e poucos anos. Não pertencia á ele.

– Não tenho nenhum outro lugar para ir, fora que aqui é a minha casa.

– Mas a “sua casa” no momento não está lhe oferecendo proteção nenhuma. – Jacob olhou ao redor. – Você vive no meio da floresta! Sozinha! Pelo amor de Deus, quem em sã consciência vive sozinha em um lugar afastado como este?!

– Olha quem fala.

– Mas eu tenho minha... Família. – ele pensou antes de pronunciar a palavra. Talvez visse os Cullen como família, não como a de La Push, mas eram o mais próximo de uma. Protegeria-os se necessário, isso bastava para Jacob.

contorceu a boca.

– E que família, não?

Jacob ignorou o comentário.

– Acho que ficaria melhor na minha cabana.

riu cética. – Quer me tirar de um local afastado e colocar-me dentro de uma floresta afastada? Onde há o sentindo nisto, Jacob?

– Mas lá você não estaria sozinha. Eu conheço aquelas florestas como a palma da minha mão. Não conheço aqui e aqui é muito aberto, fácil para um ataque vindo de qualquer lugar. – Jacob deixou bem claro que não achava que aquele ataque fora algo comum. – Lá tem a floresta como proteção, é mais fácil.

balançou a cabeça.

– De qualquer forma eu tenho que voltar para o hospital.

Jacob bufou.

– Você está correndo risco de vida e quer voltar para o trabalho? Não tem senso de autopreservação?

esboçou um sorriso.

– É uma pergunta interessante. – refletiu faceira. – O trabalho é a única tarefa que me faz sentir bem comigo mesmo, acredito isto é alguma coisa para mim. Tenho tarefas para fazer.

Jacob apoiou o queixo no joelho, pensando.

– E se você pegasse apenas o turno do dia? Seria melhor.

trincou os dentes.

– Jacob, não adianta tentar me ajudar, eu sei me virar. Estou viva por 22 anos, por favor!

Jacob suspirou, notando a barreira que erguia em volta dela, querendo seguir seu caminho sozinha, por contra própria. Mas, naquele momento, não era uma opção válida.

– Antes você era atacada de forma tão bruta como foi?

não respondeu.

– Foi o que pensei. – Jacob sorriu de canto, provocando frias e afiadas borboletas no estomago de . – Vamos fazer assim, eu te ajudo enquanto ainda está machucada, assim que se recuperar você segue seu caminho, sem muita dificuldade. Você tem que admitir que no momento você precisa de mim mais do que gostaria de falar.

pressionou os lábios firmes, formando uma linha fina e severa. Ela mediu as possibilidades de ficar sozinha inútil como estava. Seu corpo estava fraco do combate, fraco do pequeno poder que usou em momentos de extremo cansaço, provocando um efeito colateral que exigi muito dela. Mal conseguia andar sem sentir que estava sendo furada e cerrada por cinco facas de serra ao mesmo tempo. Não via outra saída.

– Certo. – falou em uma voz quase inaudível. – Mas que esteja claro que é só por sobrevivência, se eu estivesse conseguindo comer sem esforços não aceitaria sua ajuda.

Jacob abriu um sorriso quente e amigo.

– Acredite, eu sei.

suspirou.

– Acho que terei que me afastar um tempo do hospital, até conseguir pelo menos andar sem sentir vertigem.

– Vou falar com Carlisle e pedir para ele transmitir seu problema... Não se preocupe, não irei dizer nada á ele! – Jacob se explicou rapidamente antes que protestasse.

– Tenho que fazer minhas malas, então. – ela disse começando a se levantar, Jacob segurou firme em seus cotovelos, levantando- com cuidado, passou o outro braço calmamente em sua cintura, ajudando que ela andasse. notou como ele tinha a temperatura mais elevada do que alguém comum. Olhou estranho para ele, que fingiu não notar o olhar. Desde que tivera aquele flash com em uma época diferente não a tocara mais.

– Eu posso fazer, se quiser. – ele disse.

– Não, eu não posso ficar parada, se não será mais difícil para me movimentar depois, vou fazer com cuidado, não se preocupe. – abriu seu armário e Jacob pegou a grande mala em cima do armário, não que ele precisasse de uma escada, apenas ficou na ponta dos pés.

fez com calma e cuidado sua mala, pegando o máximo de roupas que a mala permitia, usou uma de mão para guardar suas roupas intimas e outra mala de mão para seus objetos pessoais e higiênicos.

Colocou uma blusa quente em volta de si, Jacob levou as malas para o carro de , enquanto isto a mesma tentava ligar para Melody, mas apenas chamava e ninguém atendia. estranhou a ação da amiga, mas sentiu-se conformada, já que a ultima vez que vira a amiga havia sido desagradável em demasia.

– Vamos? – perguntou Jacob.

– Sim. – disse, então olhou ao redor, por precaução havia colocado em sua bolsa de mão as duas adagas que usara. Os ornamentos da faca em feitiços poderosos iriam alertar caso alguns dos feridos estivessem por perto dela, o sangue deles incrustados na mágica da faca iria revelá-los.

Jacob dirigiu enquanto conversava rapidamente com Carlisle. A estrada estava escura, fechou os olhos e fingiu cansaço, mas na verdade não queria ver aquela floresta negra e opressiva, que não lhe dava as melhores lembranças.

– Quando foi a ultima vez que tomou os analgésicos?

– Desde que acordei. – ela disse baixo, quase um sussurro. – Não quero tomá-los, se eu me dopar demais nunca vou saber como o processo de cicatrização esta ocorrendo bem ou mal. – tentou se lembrar de quanto tempo demorava para se curar, mas a ultima vez que havia se machucado foi há muito tempo. E não foram fraturas tão graves. Achava que demoraria no máximo duas ou três semanas.

Jacob apenas assentiu, entrou na pequena trilha que levaria á sua cabana. A floresta estava barulhenta hoje – o que era um bom sinal. Jacob sentia seu corpo atento á tudo, inclusive ao frágil corpo de ao seu lado, descansando no banco do passageiro.

Assim que chegaram, Jacob instalou em seu quarto. A cabana era pequena, só possuía um quarto. Jacob não se importou de ficar na sala, já que o sofá também virava cama.

sentou-se na cama e sentiu a cama king-size lhe acolher magnificamente bem. Seu corpo foi pedindo, aos poucos, arrego, enquanto as dores começaram a se intensificar.

– Precisa descansar.

– Preciso de um banho e trocar as bandagens. – ela disse quase inaudível, gostava daquele som da floresta e sentia que se falasse alto demais tudo cessaria.

– Você não irá precisar de ajuda para tomar banho, não é? – Jacob perguntou desconfortável.

– Não. – ela riu de leve, embora fosse uma risada fria. – Mas acho que precisarei de ajuda com as bandagens. Precisamos arrumar e não sei se vou conseguir.

Jacob assentiu e saiu do quarto, dando privacidade para .

A ida até o banheiro e o próprio banho foram doloridos em demasia. trincou os dentes em todo o processo, não querendo exclamar as dores para que Jacob sentisse a necessidade de vir a ajuda-la. Porém lagrimas de dor enfeitavam seu rosto debaixo do chuveiro, o rosto vermelho pela respiração presa e o constante choro silencioso demonstravam sua situação interior. voltou a apalpar as costelas, seu tórax se encontrava levemente inchado, não mais pelos analgésicos que havia tomado, mas sabia que pioraria. Os primeiros dias eram os piores. Assim que saiu do banho enrolou-se na toalha e colocou uma camisa de botões, com movimentos lentos e precavidos. A cada respirar uma dor intensa e latejante lhe proibia a respiração, tornando difícil a respiração ser feita. Colocou como pode um pequeno shorts, para substituir a calcinha, já que não conseguiria abaixar tanto.

– Jacob? – ela perguntou com a respiração ofegante, sentia o corpo fraco pelo esforço que havia feito. Ela tossiu um pouco, para evitar mucos em seus pulmões, evitando uma possível pneumonia pela fratura que poderia danificar os pulmões.

– Aqui. – ele entrou no quarto e se xingou mentalmente, não poderia deixar que ela fizesse este tipo de trabalho sozinha, o rosto de havia perdido toda a cor, seus olhos levemente vermelhos e ainda lacrimejados, a boca estava enrugada e branca quase cinza. – Meu Deus, ! Não pode fazer esses esforços, sabe disso! – foi até ela e sentou-se devagar na cama. – Toma. – entregou a caixinha de remédio.

– Não vou tomar, eu estou bem. – disse com a voz rouca.

– Sabe que irá doer, pare de graça e não me obrigue a fazer estas pílulas descerem por sua garganta. Agora se deite e tome os remédios. – ele a ajudou deitar na cama o que a fez perder mais cor do rosto pelo esforço, uma leve camada de suor brilhava em sua testa, mostrando o esforço que ela estava fazendo.

Jacob pegou uma compressa de água quente para relaxar os músculos e não doer tanto em , que tomou os remédios. Jacob fez a compressa por quinze minutos. Ergueu a blusa de até milímetros abaixo de seus seios, que estavam sem nada. Jacob se sentiu estranho ao ver a curva do seio, se sentiu curioso para tocar a fina pele e sentir sua textura, mas se conteve e se concentrou no trabalho que tinha. A pele normalmente branca leite estava com arroxeados nada bonitos, a extensão de sua fratura era maior do que ele pensava.

Depois da compressa Jacob pegou a fita adesiva medica e, usando três polegadas da fita ele enrolou na fratura, atingindo as costas, mas não rodeando o corpo dela, para dormir seria melhor não rodar, já que poderia provocar algum problema na respiração. Jacob fez com muita atenção, tentando deixar suas mãos mais leves o possível. Queria poder fazer mais, como evitar que a fratura doesse tanto, já que com a bandagem evitaria que as costelas tivessem um movimento maior, aumentando a fricção e tornando a dor mais aguda.

– Volto daqui uma hora para trazer mais compressas, tente dormir e não se assuste se no meio da noite eu fizer mais compressa. – ele disse sério, recolheu suas coisas e deixou que
descansasse um pouco, sua cor estava voltando aos poucos, ela se arrumou na cama e assentiu, seu olhar estava vago por causa dos remédios.

Jacob deixou o quarto e registrou seu despertador para avisa-lo de uma em uma hora para fazer as compressas, teria que ser assim nos primeiros dois dias, já que se recusava ir para o hospital. Lá, é claro, ela teria a atenção devida para o ferimento, mas mesmo assim se recusava.

Jacob puxou o sofá para frente, o transformando em uma cama, ligou a TV e se manteve acordado. Não dormiria, tinha a preocupação de que alguém poderia invadir a casa.

Os ouvidos de Jacob, mesmo com a TV ligada, estavam escutando apenas a respiração fraca e entrecortada de , caso alguma alteração acontecesse ele iria ver se ela estava bem. Em seu peito um aperto e queimação surgiram tentando imaginar a dor dela, e na verdade ele lembrava muito bem de fraturas no tórax, a imagem viva de Carlisle quebrando todos os seus ossos do lado direito ainda estavam quentes em sua mente, a dor que tudo aquilo causou foi intensa. Não sabia como ela estava aguentando calada.

“É porque ela é uma lutadora, seu ridículo, isso é obvio. Ela nasceu para lutar”.

Jacob se aconchegou mais no sofá e tomou a precaução de deixar a TV baixa o suficiente para que ele pudesse escutar tudo ao seu redor e ainda mais.

Capítulo 10 - Montanhas.


sentia a cabeça pesada por causa dos remédios, acordou varias vezes durante a noite, poucas vezes com Jacob fazendo, silenciosamente e delicadamente as compressas. Porém ela sentia as fraturas quentes o suficiente para saber que ele ficou acordado a noite inteira fazendo aquilo.
A nuvem de remédios foi passando aos poucos. olhou ao redor e sentiu o sol aquecendo seu rosto, a luz direta feriu os olhos por um momento, mas logo estava acordando e o sol não a perturbava mais e sim suas fraturas. Os hematomas se estendiam do meio de sua barriga até seus flancos, embora a fratura fosse apenas às costelas.
- Tudo bem? – Jacob perguntou enquanto trazia mais uma compressa.
- Sim, estou bem. – disse rouca, embora as dores começassem a voltar.
- Isso é bom. – Jacob parecia levemente cansado.
- Você não dormiu – ela assinalou.
Um sorriso culpado veio aos lábios grossos de Jacob.
- Não deveria se doar tanto assim. – sentiu-se profundamente incomodada.
- Estou acostumado com os plantões do hospital, não se preocupe.
ficou quieta, precisou da ajuda de Jacob para lavá-la até o banheiro, fechou a porta na cara dele enquanto ele ainda insistia em ajuda-la já que a mesma estava fazendo muitos esforços desnecessários. escovou bem os dentes e – a parte mais dolorida – foi fazer suas necessidades, mas ela aguentou firme, perdeu uma grande dose de cor no rosto e um filete de suor escorreu por suas costas, mas ela aguentou calada.
Jacob a esperava com novas fitas, trocou as molhadas e colocou as fitas novas, rodeando – sem muita força – o corpo de . Era doloroso andar, ficar ereta, respirar e falar, mas tentava fazer tudo isso, parecia estar se acostumando com a dor, a mesma não estava tão intensa como no dia anterior.
Jacob fez o café da manha e eles comeram em silencio, ambos com tantas perguntas em suas mentes que não sabiam por onde começar, decidiram não fazê-las, não era uma boa hora para descobrir segredos e revelações.
ordenou que Jacob fosse dormir pelo menos de dia e lhe assegurou que de dia nada lhe aconteceria. Jacob deitou-se no sofá-cama e, com muita facilidade, deslizou por um sono profundo, chegando a roncar suavemente. se encontrava semi-sentada no sofá cama, zapeava pelos canais sem se interessar por nada em especifico.
Jacob era grande para o sofá e parecia encolhido naquele pequeno espaço, observou o modo como suas feições se suavizavam e tornavam-no mais jovem, um rosto quase de criança. Porém seus braços malhados e fortes contrastavam com o seu rosto, o peito largo e – por mais que estivesse de camisa – definido lhe davam uma aparência atlética e adulta. pensou na primeira vez que o encontrou, notando tudo aquilo e o vendo como um deus.
encostou a cabeça no sofá e fechou os olhos, pela primeira vez desde a noite em que fora atacada, não pensou em nada. Ouviu os familiares zunidos e isto a alegrou ao saber que isto não a haviam abandonado.
“Você nos pertence, jovem, não iremos jamais abandoná-la”. A voz de uma das ninfas lhe veio a mente trazendo conforto, reconhecia aquela voz quieta e paciente. Alseíde, uma ninfa que a ajudou tanto em sua infância!
“Precisa se recuperar rápido, filha de Ártemis, eles logo se recuperaram também”. A voz de outra ninfa, Dríade, lhe veio a mente também, trazendo consigo a chama da coragem. “Seja forte, como sua verdadeira mãe é. E então tudo acabará mais rápido do que pensa”.
sentiu um ligeiro cansaço por tentar escutá-las, não sabia que na floresta ao redor da cabana possuía carvalhos, mas ficou feliz em ter as ninfas tao perto de si. Era como se estivesse em casa. Porém sentiu a verdade em suas palavras, ela precisava se recuperar depressa. Focou em sua dor, tentando fazer com que seu corpo aumentasse seu processo de cura, mas ele já estava a todo vapor e não podia ser exigido em demasia.
sentiu-se frustrada e então, com o máximo de cuidado, levantou-se. Abriu a porta e respirou o ar puro. Com dificuldade ela caminhou para o meio da clareira. Nem sentia como se estivesse em Sligo, parecia em outro lugar, um local completamente diferente. Outro mundo.
Depois de um tempo se revigorando ela tornou a entrar, pegou seu telefone e ligou para Melody, mas a mesma não atendeu, o que incomodou profundamente . Depois de vasculhar alguma coisa para beliscar, voltou para o quarto e se deitou. Precisava apenas descansar. Os raios de sol esquentavam sua pele clara, deixando suas bochechas rosadas. Algo a incomodou. Uma sensação.
olhou em volta, mas a casa parecia silenciosa e vazia, a não ser por ela e Jacob na sala. Tentou levantar, mas todo o seu corpo protestou, já havia feito muito esforço quando perambulou pela casa, balançou a cabeça, tentando tirar a ideia estupida, estava bem, enquanto estava de dia ela estaria bem. Respirou fundo – tentando ignorar a dor lasciva de suas costelas – e tentou se acalmar, tinha as ninfas ao seu redor, tinha Jacob com ela, tinha ela mesma... Nada iria lhe acontecer.
~*~
- Era um pedido tão simples, tão ordinário que chegava a ser ridículo. – os lábios finos se contraíram, formando uma linha reta. O olhar quente e frio ao mesmo tempo chamuscavam para os dois homens a sua frente. Não gostava de seus desejos sendo negados.
- Ela é mais forte do que julgamos, Mestre. – um deles disse, a voz tremula. – Ela conseguiu se defender bem, tinha as ninfas com ela.
- E este, meu caro subordinado, é o porquê ela é tão importante! – gritou a ultima parte. Sua voz tornou-se rouca e macia, tão macia que a repreensão parecia pior do que era. – Ela está quase lá, meus jovens, mais alguns anos e ela tomará seu caminho, é obvio que os Deuses não deixaram ela seguir o nosso caminho, mas eu preciso dela, nós precisamos dela.
- Por quê? Ela é só uma garota, podemos encontrar outra para o senhor! – o homem insistiu, teimando em trocar de alvo, não queria passar o mesmo sufoco que passou duas vezes. Não queria acabar que nem seus comparsas.
O Mestre franziu rapidamente o cenho, desprezando o comentário de seu subordinado. – Eu não me importo com o que vocês pensam, eu a quero, apenas ela. Coloque a mãe para resolver isso, se for preciso, coloque toda a nossa equipe nisto, se for preciso, coloque objetos de magia negra, o que for! A partir do momento que ela entrar em contato com a magia negra novamente, eu darei meu jeito de transformar o destino dela.
- Sim, Mestre. – eles fizeram uma reverencia e saíram, a cabeça baixa.
- Oscar! – Mestre chamou, sua voz ácida. – Fique de olho nela, não quero o lobo interferindo em nossos planos, nem ele e nem a amiguinha do bem dela. Nosso foco é ela, entendeu?
- Sim, Mestre. – se curvou e saiu pelas portas do fundo.
Passando o dedo fino pelo lábio inferior, pensando, Mestre admirou a força da garota, tão jovem e tão forte. Precisava dela, precisava de sua personalidade, de sua força e determinação.
Ela seria uma líder incrível.
~*~
! Acorde! Querida, acorde!”.
deu um pulo, sentando na cama com rapidez. Sua cabeça zunia, seus olhos estavam embaçados pelo sono, ela não conseguia os manter aberto, o remédio ainda fazia efeito?
! Levante, garota”. A voz de Alseíde lhe veio a mente, urgente, porém baixa, como se estivesse muito longe. “Precisa ir para algum lugar mais seguro, esta cabana não será suficiente”.
entendia as palavras, mas não conseguia assimilá-las. Parecia tudo muito confuso.
“Nos desculpe, querida, mas vamos ter que nos separar por algum tempo, voce precisa ir para algum lugar mais seguro, onde apenas voce conheça”. A voz de Alseíde era dolorida e sofrida, um canto choroso em seus ouvidos.
- Não. – sussurrou com lagrimas nos olhos – Não me deixem, não vocês, tudo menos vocês.
“Ainda poderá usar de nossas propriedades e o que mais voce precisar, mas não pode ficar ai, nos encontraremos novamente em breve, meu amor, não chore, não tema”. A voz estava ficando mais distante, , com dificuldade, porém determinação, levantou-se da cama e correu para fora da cabana, o sol já estava se pondo. Correu para o meio da floresta, procurando por carvalhos, procurando por elas.
- Por favor, não. – ela dizia sem parar, desesperada.
“Não venha até nós, não há tempo!”.
ouvia a leve e suave movimentação da floresta, as ninfas estavam indo.
- Por favor, não! – continuou a tocar as arvores, seu folego estava acabando, estava toda suada e a dor lhe fazia respirar entre os dentes, as palavras saiam entrecortadas e difíceis. Seu corpo começou a protestar. – Não! – ela o forçou além da conta, continuou a correr, mesmo que se apoiando nas arvores, mesmo que tropeçando pelo caminho, mesmo que praticamente se arrastando, ela continuou, não podia ficar sozinha.
Nada.
Nenhuma voz, nenhum sussurro, nenhum zunido. Absolutamente nada. Silencio completo.
caiu no chão e agarrou-se a terra, sentiu o seu zunir, sua vibração, mas era apenas isso, apenas o poder, nada mais. Não havia palavras doces, palavras de confiança e de sabedoria, nada mais. Apenas o poder.
- Não. – ela voltou a sussurrar.
- ! Meu Deus, o que está fazendo aqui?! – Jacob a ergueu e lutou, o rosto sujo pela terra, as lagrimas se misturando com a terra em seu rosto. – Calma! Sou eu! Jacob!
- Não! – ela continuou a gritar. – Elas não podem me deixar! Eu não quero ficar sozinha! Eu não quero ficar sozinha! – em meio a gritos e tentativas de acertar Jacob, começou a perder as forças, sua mente oscilou, sua visão entrou em desfoque e agora parecia que tinha quatro Jacob em vez de um. A respiração se tornou tão dolorosa que o choro era de dor, o peito subia e descia com dificuldade, ela precisava de mais ar, mas seu corpo não conseguia acompanhar este ritmo.
- Acorde . – Jacob sussurrou para ela, que já estava desmaiada a algumas horas. – ! – disse com mais firmeza.
Os olhos da garota tremeram e abriram, primeiro a suavidade e frescor de seu olhar impressionaram Jacob, então o desespero, o susto e o medo. Ela tentou se erguer, mas além de Jacob a segurando, seu corpo se recusava.
- Calma, hei, calma! Você delirou, apenas, está tudo bem, não está sozinha.
o olhou por breves minutos, ele não havia entendido o significado de suas palavras, não entendeu que ela não queria ficar sem as ninfas, que foram uma presença constante em sua vida, além de Melody, que a havia abandonado.
- Preciso sair daqui. – ela falou depressa, lembrando da advertência das ninfas.
- O que? Para onde vai? – Jacob parecia confuso e incomodado.
É, para onde eu vou?
tentou pensar em lugares que apenas ela conhecia, mas ela sempre viveu dentro do hospital, não era de viajar, não era de sair. Era apenas trabalho.
Ficou um tempo quieta, pensando e repensando, não havia muitos lugares para ir, não que ela considerasse seguro pelo menos. Então, com um estalo sua mente lhe enviou uma imagem.
Uma casa, no meio das montanhas, o sol batendo na madeira de carvalho e esquentando-a, as pequenas flores brancas, roxas e amarelas que cresciam ao redor da casa. Seu pai a ensinando como usar as propriedades da terra com sabedoria e respeito. Era a casa do solstício de verão. Apenas os dois, longe da aldeia em que ela cresceu, longe da pressão que se instalava na casa pela espera do destino da mãe, longe de tudo e de todos. Eles iam lá uma vez a cada ano, sempre no solstício de verão.
Onde era que ficava?
- As montanhas. – ela disse cansada. – Eu tenho uma casa lá. – tentava se lembrar de onde ficava exatamente, mas fazia muitos anos que não ia lá, a ultima vez que foi havia sido com seu pai, ela ainda era uma criança.
- Não podemos ir para lá! Você tem que trabalhar e ainda tem que se recuperar!
- Eu não posso ir trabalhar e tenho que me recuperar, mas não posso ficar aqui. – ela sentou-se – Sei que voce tem um trabalho, Jacob e tem me ajudado muito, mas não quero que vá comigo, voce tem sua vida aqui. Só quero meu carro.
- Não vou deixar voce viajar sozinha! – Jacob protestou – Eu vou com voce, não me importo onde seja, não pode ficar sozinha e ainda temos que conversar. – ele passou a mao nos cabelos e suspirou – Esse lugar... Nas montanhas... Sabe onde especificamente?
- Não, não tem nenhuma placa que indique, a ultima vez que estive lá foi há muito tempo, mas sei a direção... Alguns pontos que posso me lembrar. – não deixou transparecer, mas estava grata em não ir sozinha.
- Vou arrumar minhas coisas, já vi que voce tem pressa. – ele disse estreitando os olhos, mas foi arrumar suas coisas. levantou-se, mesmo sob os protestos de Jacob e foi ao banheiro, jogou uma agua no rosto e sentiu a urgência de ir embora assim que notou que já estava escuro. Sentiu um arrepio descer por suas costas.
Quando voltou ao quarto Jacob não estava, conversava com alguém na porta.
- Leah, não se intrometa! O que está fazendo em Sligo de qualquer forma, pensei que estivesse na India em seu retiro budista ou sei lá o que.
- Vim porque os Cullen me avisaram sobre a sua loucura, Jake! – a voz era rouca e quente, porém era madura e um pouco dura. – O que é que voce esta fazendo com a menina?
- Não é da sua conta! – ele sibilou para ela. – Volte para a India ou o raio que a parta!
- Isso é da minha conta sim! É o nosso segredo, se ela descobre... Nem sabemos o que ela é!
- Eu estou apenas ajudando ela, Leah! Apenas!
- Você não é uma alma caridosa, Jacob Black.
- Leah, de o fora daqui!
Eles ficaram em silencio.
- Isso é uma ordem? Porque me pareceu uma.
- Não é uma ordem! É um pedido! – Jacob resmungou.
- Acho melhor conversarmos depois, parece que tem alguém bisbilhotando. – a voz de Leah tornou-se acida assim que entrou em foco. A faixa de moça abatida havia sumido. O olhar penetrante e frio estava de volta, a postura altiva e desafiadora também. olhou Leah de cima, embora as duas tivessem a mesma altura.
- O’Brangan, esta é Leah Clearwater, Leah, está é .
- Doutora – Leah fez uma menção com a cabeça.
apenas ergueu uma sobrancelha em reconhecimento, de resto continuou a encarar a loba com olhar superior e frio.
- Leah, se não se importa estamos de saída. – Jacob indicou a floresta com a cabeça.
- Para onde vão? – Leah perguntou franzindo o cenho.
- Não lhe interessa. – Jacob sibilou novamente.
- Precisamos terminar de conversar.
- Já acabamos de conversar, Leah. – Jacob disse suspirando. – Eu ligo se tiver mais alguma coisa pra falar com voce. – ele pareceu categórico e bem incomodado com a presença de Leah. continuava a olhar Leah de forma fria.
- A gente se fala. – ela disse enfaticamente, então saiu da casa.
- Sinto muito por isso. – Jacob disse.
deu de ombros e voltou para o quarto, guardou as roupas que estavam fora da grande mala. – Vamos embora assim que amanhecer. – ela olhou por cima do ombro – Já lhe avisei que não precisa ir se não quiser.
- Não vou deixar voce sozinha. – sua voz era firme, quase como um comando.
voltou a dar de ombros e retomou a sua atividade lenta e levemente dolorosa.
~*~
- Merda! – chutou uma cadeira. – Ele não vai gostar nada, nada disso! Como eles foram mais rápidos que nós?!
- Facil, alguém alertou a garota. – Oscar disse com acidez na voz.
- Ninfas, talvez?
- Sim, muito provável. – passou a mao nos cabelos sedosos cor de areia. – Para onde será que foram? Não saíram há muito tempo – ele remexeu na cama, que estava levemente desarrumada.
- Para a casa daquela tal de Melody?
- Bom, seria muito obvio e nós não podemos entrar lá, talvez... – Oscar pensou enquanto olhava o quarto vazio. – Não, não. Melody não tem permissão para interferir, nenhum daqueles bonzinhos hipócritas tem.
- Então para onde?
- É o que quero descobrir. – Oscar pegou uma das roupas de Jacob e a cheirou, um cheiro almiscarado e amadeirado, nada que lhe desse alguma pista se quisesse caçá-lo, a floresta era rodeada por este cheiro.
~*~
- Tem certeza de que é por aqui? – Jacob olhou para a estrada de terra vazia e sem nenhuma informação.
- Sim, a memoria esta voltando. Mais a frente terá mais duas rotas, siga á direita. – estava tentando lembrar de como seu pai fazia o percurso e o lugar já lhe era familiar, o que ajudava um pouco mais. O local, ao longe, era repleto de montanhas, muitas e muitas delas.
Eles continuaram o caminho em silencio, qualquer coisa que falassem além dos curativos de seria sobre suas vidas e nenhuns dos dois estavam a fim de revelar seus segredos para completos estranhos e misteriosos seres.
Assim que Jacob segui á direita, lá na frente, bem, bem distante da rota principal, havia quatro montanhas, duas á frente e duas atrás, mas para trás daquelas haviam mais algumas, estavam em todos os cantos. Entre elas não parecia ter nenhum tipo de entrada, estavam completamente grudadas umas as outras, formando uma espécie de roda.
- Não tem entrada. – Jacob a olhou frustrado.
o encarou nervosa pelo olhar audacioso de Jacob. Saiu do carro a caminhou até o meio da montanha, sussurrando palavras que nunca esquecera, uma cortina de samambaias se tornou mais visível, as afastou e deu passagem á uma caverna.
- Este lugar não é nada higiênico, se é aqui que quer ficar. – Jacob disse incomodado por não ter notado a cortina ali.
- Apenas siga pela caverna, Sr. Black. – ela disse cansada.
Jacob seguiu com o carro pela escura passagem, porém, aos poucos foi dando mostrando alguma luz no final, Jacob acelerou e então estavam no meio dentre as quatro montanhas. Havia uma casa, grande e bonita no meio, como o dia estava claro deixava aquele lugar mais especial do que era. Jacob não disse nada, guardou sua admiração para si mesmo.
- Como arranjaremos comida? É muito longe da cidade. – ele disse.
- Há uma mulher que vive ai para cuidar da casa. – disse. – Então não se preocupe com isto.
Jacob não disse mais nada. Assim que estacionaram ele avaliou a grande casa. Devia ter no mínimo sete ou oito quarto, mas não dava aparência de tão grande. A sala de estar possuía uma de suas paredes frontais de vidro, dando visão da linda casa que havia lá dentro, o resto era madeira pura. O segundo andar possuía uma varanda em todos os quartos, dando mais espaço á casa.
- ? – uma senhora, não muito senhora saiu da casa. Já tinha cabelos grisalhos, a pele estava levemente enrugada, mas bem conservada, uma pele rosada e saudável. O corpo era diminuto, os movimentos um pouco lentos, porém havia graça e beleza neles, os cabelos estavam presos em um coque firme, mas cachos teimavam em emoldurar a face.
- Olá, Isis. – ela disse com pouca emoção na voz, lembrava-se muito pouco da caseira, sempre cozinhando, sempre cuidando da casa.
- Pensei que nunca mais a veria. – ela parecia surpresa. – Você... É uma mulher já.
- Sim, estamos no século XXI se quer saber. – fez um leve deboche, mas Isis não se importou, sorriu ao ver a face bonita e sofisticada de , seus traços traziam dor e preocupação, assim como seus movimentos, porém ela estava linda, mais linda do que quando era menina. – Este é Jacob Black, um amigo. Está... Me ajudando.
- É um prazer! – Isis disse calorosa, apertando a mao de Jacob com delicadeza, o mesmo sorriu aberto para Isis.
- Vamos ficar durante um tempo. – subiu os degraus da frente da casa com ajuda de Jacob.
Isis notou o rosto de perder alguns tons de cor ao fazer o simples movimento. – Algo de errado aconteceu. – não era uma pergunta.
- Depois conversamos. – lhe enviou um olhar de quem precisa conversar.
- Vou preparar alguma coisa para comerem! – ela disse depressa.
- Onde é seu quarto? – Jacob perguntou.
- No segundo andar. – sussurrou e olhar para as ameaçadoras escadas que tinha á sua frente, pareciam dolorosas e perigosas.
- Isso vai ser um problema. – Jacob disse franzindo os lábios.
não disse nada, concentrou-se em não emitir um som sequer quando começou a subir as escadas. O segundo andar era claro e charmoso – a casa toda era. Ainda possuía o estilo rustico que a madeira trazia, mas as janelas que o iluminava – no inicio e no final do corredor - possuíam sua moldura branca e eram quadradas, vasos com flores ou pinturas o decoravam aqui e acolá. Possuia cinco portas.
- Pensei que houvesse mais quartos. – Jacob disse franzindo o cenho, talvez a varanda desse esta intenção.
- Há mais três no primeiro andar. – arquejou, parou um pouco para recobrar o folego. – O meu é o segundo á esquerda. – de frente para a entrada da caverna.
Jacob abriu a porta e se admirou com a visão que recebeu. O quarto era simples, porém moderno. As paredes, ainda de madeira só que lisa, o quarto era grande, uma cama de casal estava encostada na parede, ao lado dela dois criados com abajur, a TV era de ultima linha, pendurada a frente de um painel de madeira clara, uma lareira embaixo da TV se encontrava apagada, havia mais duas portas no quarto, as duas abertas, uma para o banheiro e outra para um minúsculo closet.
A varanda se estendia próxima á cama, as janelas abertas deixavam o sol e o ar fresco entrar, mostrava a parede que era a montanha verde e grande, mostrava as flores crescendo ao redor da grande clareira. Era tudo muito lindo.
- Como achou este lugar? – Jacob perguntou maravilhado, ajudou a sentar-se, mas sem deixar de notar cada detalhe da casa. Seu cheiro, sua textura.
- Meu pai, há muito tempo. – ela deu de ombros e não disse mais nada, seu tom de voz era quem deixava claro de que não falaria mais nada.
- Vou buscar as malas... – Antes que Jacob terminasse a frase, Isis entrou com as malas de . – Isis, não precisava, eu ia buscar.
- Ora, não é esforço algum! – abanou a mão. – Estou acostumada a ser útil quando alguém vem, então me deixe fazer meu serviço, rapaz. – ela sorriu afetuosa. – Seu quarto é o de frente para o da Srta. O’Brangan.
- Obrigado. – ele sorriu.
- Vou terminar de preparar o café da manha, pelo horário que chegaram não tomaram um.
- Seria muito bom. – Jacob sorriu. continuo calada, olhando para a vista da varanda. Nunca foi próxima de Isis e nunca lhe permitiu ser carinhosa, apenas a via como caseira, por isso deixou claro, há muito tempo, certos limites.
- Eu vou me instalar, faça o mesmo Jacob. – ela disse sem emoção na voz.
Jacob mandou-lhe um olhar audacioso.
- E depois conversamos. – ela acrescentou contra sua vontade. Jacob assentiu e foi para seu quarto, deixando a porta de aberta.
abriu suas malas e foi pendurando suas roupas e guardando nas gavetas o que era necessário, não sabia quanto tempo ficaria ali, embora sentia que seria um longo tempo.
Guardou as adagas em um local seguro, era uma escondida porta que ficava bem no canto do closet, quando a abriu sorriu ao ver suas plantas e frascos limpos e bem cuidados, colocou a adaga ali, perto de seu “kit de poções”.
Foi ao banheiro e tomou uma ducha quente, assim que saiu do banheiro sentiu o vento gelado, avisando-a de que o outono estava para chegar. vestiu-se com uma calça de moletom justa, botas beges de pele, uma regata branca e uma blusa xadrez vermelha de frio por cima. Penteou os cabelos com cuidado, parando quando doía, e encontrou com Jacob no corredor.
Eles ficaram se olhando durante algum tempo, ambos já de banho tomado, ambos querendo respostas. E ambos juntos em um caminho desconhecido.


Capítulo 11 - Estadia.


- Está com fome? – Jacob perguntou incerto.
assentiu, embora sentisse a garganta seca, não estava pronta para revelar seus segredos, não sabia se isso a faria algum mal. Teria que conversar com Isis primeiro.
Jacob a ajudou a descer as escadas, segurando muito delicadamente a cintura fina de , tomando o máximo de cuidado para não machuca-la. Isis já tinha a mesa de café pronta, sorriu para os dois assim que eles adentraram a ilha da cozinha.
sentiu o ar sair de seu corpo no momento em que se sentou, tentando respirar fundo e se concentrando em fazer suas mãos pararem de tremer. Tinha o rosto baixo, olhando para o seu prato enquanto tentava recuperar o folego.
- O que aconteceu com voce, Srta. O’Brangan? – Isis perguntou brilhando seus olhos para as costelas de .
- Alguém a atacou. – Jacob disse olhando para também, querendo suas respostas. – Em sua casa...
- Oh. – Isis disse, seus olhos se enchendo de compreensão, Jacob a olhou ansioso, esperando que a senhora lhe revelasse algo, mas nada disse, concentrou-se em servir ambos, embora recusasse a ajuda.
~*~
- Eu vou lá fora fazer uma colheita. – Isis disse assim que terminaram de comer. – Se quiser juntar-se a mim, .
- Claro – disse mal movendo os lábios. Levantou-se sem a ajuda de Jacob, e caminhou ao lado de Isis para as portas do fundo. – Depois agente conversa, Jacob. Obrigada de novo.
- Claro, claro. – murmurou olhando impaciente para .
O pequeno corredor que levava até as portas do fundo era estreito e um pouco escuro, porém assim que Isis abriu a porta, revelou uma grande plantação de tudo quanto era tipo de comida. A plantação era vasta e ocupava quase toda a parte traseira da clareira, quase rodeava a casa, o cheiro de terra era forte e suave.
- Pode ficar sentada, se preferir. – Isis indicou uma cadeira de balanço para , notando sua mandíbula trincada.
- Não tem problema, gosto de andar. – forjou um sorriso. – Precisamos conversar.
- Sim, este ataque de que o rapaz falou... Se deve á que fato? – Isis colocou suas luvas e com sua pazinha começou, bem delicadamente e com movimentos firmes, a recolher algumas verduras maduras.
- As Sombras estão atrás de mim.
- Já conversou com os druidas?
- Hmpf, velhos babacas. – praguejou, atraindo um olhar de reprovação de Isis. – Já, eles não me ajudaram nada, disseram que minha jornada era árdua e solitária, alguma baboseira assim.
- Pelo visto não tão solitária – Isis indicou com a cabeça para dentro da casa.
- Ah, sim... É... – pensou sobre o assunto. – Ele quer explicações... Na verdade merece explicações. Só não sei se posso revelar... Ou se quero.
- Revelar o que somos – Isis refletiu – Isso não é uma tarefa tão simples, não é voce querer ou não, nascemos com este, vamos colocar assim: dogma em nossas vidas. Esta enraizado e encrustado em nossa alma proteger nosso segredo, não será fácil. Porém, se for o certo, se voce sentir que é o certo... Não vejo problemas.
- E se eu não souber se é o certo... Quero dizer... Eu não o conheço, ele anda com vampiros sabe, mas não é um... Quero dizer, não sei se são vampiros... Não sei o que são, não sei o que ele é. Como posso revelar sobre mim se não sei o que ele é?
- Isso sim é um problema.
- Me fale sobre isso. – disse irônica.
Isis abriu um sorriso astuto, que a rejuvenesceu uns bons anos. – Como pode confiar em uma pessoa que aparenta ser algo, mas é outro? É difícil, precisa de uma grande dose de confiança cega.
- Não tenho confiança cega. – murmurou mal humorada.
- Bom, então deixe que ele fale antes, se assim for a vontade dele. Não há muito que temer Srta. O’Brangan, voce, mas do que ninguém, conhece muitas coisas deste mundo, foi criada assim. Sentiu medo quando foi atacada?
retorceu os lábios. – Na hora do ataque não, antes sim.
- Ser atacada pelas Sombras não lhe traz medo, o que lhe traz medo é estar sozinha.
- Não me importo em estar sozinha, estive sozinha a minha vida inteira. – retrucou ríspida.
- Elas me avisaram que voce viria. – Isis comentou concentrada em seu serviço – Avisaram que traria o garoto com voce, só não me avisaram quando. Elas sempre estiveram com voce, Srta. O’Brangan, nunca esteve sozinha. O fato delas não estarem mais com voce a apavora.
- Não me apavora! – estava se irritando com a velha, sentia vontade de dar-lhe um tapa para parar de falar.
- Apavoraria qualquer um, senhorita, qualquer um. – Isis parou para secar a testa com a parte detrás da luva. – Agora uma coisa me intriga. O que eles querem com voce?
- De especifico eu não sei. – olhou para o sol a pino, as montanhas eram como grandes fortalezas em volta da casa, o sol batia apenas nas plantações, já que duas das montanhas cobriam a casa com sua sombra. – É algo que eu tenho... E não sei, não vejo nada em que possa ser útil para eles, ou de tamanha importância...
Isis a olhou com tristeza nos olhos. Tao jovem e já com tantos problemas. – Sabe que não poderá ficar aqui por muito tempo, não é? Uma hora eles saberão.
- Eu só preciso me recuperar, apenas. Preciso de... Hm... Umas aulas também. – pigarreou. – Ando enferrujada.
- Quanto tempo que não usa as propriedades?
- Muito tempo, desde que sai do vilarejo.
Isis a olhou com reprovação. – Não deveria ter ficado tanto tempo assim parada.
- Eu sei, eu sei! – a olhou irritada pela repreensão. – Mas coisas deste tipo voce nunca acha que acontecerá com voce.
Isis assentiu. – Volte para casa, senhorita. Se recupere e assim que estiver pronta eu posso trabalhar com voce, fora isso, creio que não será possível.
suspirou e assentiu. Voltou para a casa imaginando contar todo o seu segredo para Jacob, mas a imagem não lhe era de fácil digestão, parecia errada e ate proibida. Encontrou o rapaz sentado no sofá assistindo alguma coisa na TV.
- Oi. – ele disse assim que sentou-se em uma poltrona um pouco longe do sofá.
- Oi. – falou mirando-o intensamente, como se pudesse ler seus pensamentos.
Jacob desviou o olhar, temendo que ela realmente pudesse.
- Aqui não tem sinal de celular. Como tem para TV?
deu de ombros. – Não sei, da ultima vez que vim aqui não tinha sinal para nada. – eles ficaram quietos durante um tempo, até que tomou a coragem de falar. – Eu sei que tenho muito o que explicar e voce também tem, mas não... Consigo falar ainda... Não sei nada sobre voce...
Jacob franziu os lábios, pensando. Havia escutado a conversa, embora boa parte dela ele julgou ser um enigma, entendeu muita pouca coisa sobre tudo o que foi falado, compreendeu mais o que Isis falou sobre do que o tema em si da conversa.
- Podemos andar um pouco lá fora? – perguntou misterioso. levantou-se e o seguiu pela porta da frente da casa. Por mais que o sol estivesse a pino e o dia estivesse limpo, o vento gelado avisava que logo, logo o outono estaria ali.
Eles andaram em silencio por um breve tempo, Jacob olhava para frente, indagações escorriam por seus olhos, fincavam-se em sua boca contraída e voltavam para os olhos.
- Eu vim de La Push. – Jacob disse quebrando o silencio de repente, o que pegou desprevenida.
- Onde fica? – perguntou curiosa.
- Península Olympic.
- Nunca ouvi falar.
Jacob abriu um meio sorriso – Não me admira muito. Poucas pessoas ficam por lá, o local é muito frio, raramente tem sol... Nada muito apetitoso.
- Nada apetitoso. – concordou tentando imaginar um local sem sol... Reprimiu a ideia quando julgou o local ser triste e apagado.
- É. – Jacob continuava a olhar para frente. – Os Cullen moravam lá também, só que em Forks, uma cidade próxima. Foi lá que nos conhecemos.
- Então... Você não é sobrinho do Dr. Cullen?
Jacob abriu um sorriso de deboche. – Não, não sou. Não sou parente de nenhum deles. Só amigos.
- E porque toda aquela mentira?
Deu de ombros – Para que as pessoas não desconfiassem. Não sei, eles sempre fazem isso.
- O que quer dizer com: Sempre fazem isso?
Jacob a olhou com seriedade. – Não posso falar sobre eles, apenas sobre mim, é claro que talvez voce tire suas próprias conclusões e provavelmente acerte, mas não acho justo revelar sobre eles. Isso é coisa deles.
ergueu as mãos em forma de rendição – Você quem sabe.
- La Push é uma tribo indígena Quileute. Pessoas de outras cidades não podem entrar na reserva Quileute, é meio que uma regra ou algo parecido. – rolou os olhos.
- Quileutes? – vasculhou em sua mente a palavra, já havia visto em algum lugar, embora não se lembrasse direito. Forçou a mente, a imagem veio de uma placa, embora estivesse borrada, parecia chover... Não era visível, mas era o nome: Reserva Quileute. Sacudiu a cabeça para se livrar da lembrança. - Continue.
Jacob suspirou impaciente e então começou a história de sua tribo, passando pelos espíritos-guerreiros até os lobos, falou sobre a terceira esposa e sobre a magia que existia no amor dos dois, não se ateve muito nisto, não queria provocar questões que não conseguiria responder. Quando terminou encontrou uma chocada e muda, então de repente ela o olhou incrédula.
- Então... – parou de caminhar, olhando bem para Jacob. – Você é um lobisomem? – Jacob nada disse, embora seus olhos confirmassem, estava esperando a reação da garota. – Você... Você!! – ela apontou pra ele, surpresa. – Você foi quem eu encontrei na floresta! Você que me visitou em casa! Era voce esse tempo todo!
- Eu estava tentando saber mais sobre voce. Quando nos encontramos na floresta, foi uma surpresa para mim, principalmente depois do que voce me chamou, quando fui te ver em sua casa, queria saber o que voce era... Se era uma ameaça para nós.
o encarava aturdida pela revelação, não esperava nada menos do que isso, mas ter esta confirmação tornava tudo um pouco... surreal demais.
- Pera ai, eu já li sobre lobisomens, já me ensinaram sobre eles...
- Não sou como os outros. – ele se explicou. – Nos chama de... Como é aquele nome? Transfiguradores... Acho que é isso. Disseram que na hora que um espirito-guerreiro possuiu o corpo do animal e se transformou nele, poderia ter sido qualquer forma, um leao, uma águia... Qualquer coisa. Não somos como os lobisomens que todo mundo fala. Apenas grandes lobos.
- Então não existe, pelo menos para voce, aquela famosa aversão aos vampiros?
Jacob sorriu de canto. – Existe e quando se é muito novo é muito forte, mas depois de alguns anos voce aprende a controlar, e depois que se acostuma não chega a ser tão ofensivo como era antes. É claro que alguns de nós, que não estão acostumados e que realmente não gostam dos vampiros, nunca passa. Como a Leah por exemplo, a que foi na minha casa ontem.
estreitou os olhos. – Ela realmente não me parecia normal. – deu de ombros.
Jacob soltou uma risada baixa. o olhou um pouco atônita, não o tinha visto rir ainda.
- Ela não suporta ficar perto de vampiro, não consegue se controlar por muito tempo.
- Interessante... Há quantos de vocês?
- Apenas a tribo Quileute, pelo o que sei. – Jacob se tornou mais hesitante.
entrou em um silencio profundo. Era como Isis havia falado, ela não se assustou com a noticia, seu mundo era cheio de maluquice, ela apenas estava guardando as informações para si.
- O lance da lua?
- Para nós? Mito.
- Sede de sangue?
- Para nós? Outro mito. O único motivo pelo o qual existimos é para proteger os humanos dos vampiros, apenas.
assentiu, adicionando isto a sua lista mental. – Então... Você se transforma a hora que quer; não tem aquela coisa de sangue, sangue, sangue; é rápido e o que mais?
- Pude escutar a sua conversa hoje. – ele disse lentamente, esperando a reação de , que não foi nada apenas olhar curiosa para ele.
- E...?
- Não entendi nada. – Jacob sorriu e abriu um sorriso verdadeiro, que chegava ao seus olhos e os iluminava como o sol iluminava a clareira, seu olhar se ascendeu de forma espetacular, inocente e forte. Por um breve momento Jacob pode ver o fundo dos olhos de , um fundo brevemente feliz. Depois, apagou-se e tornou a ser duro e sem emoção.
- Isso é bom... Eu acho. – falou e desviou o olhar do dele. – Então é por isso que esta me ajudando?
Deu de ombros – Estou te ajudando porque acho que é o certo.
- Não sou humana. – falou estreitando os olhos para ele. – Não completamente.
- Eu sei. – assentiu – Ninguém pode correr tão rápido como voce correu na floresta e ninguém se recupera mais rapidamente de costelas quebradas como voce.
viu que falar aquilo não foi um problema, porém contar suas origens, sua historia e de sua gente não lhe era confortável, decidiu optar por ir devagar, aos poucos contando uma coisa ou outra á Jacob.
- Quem são as Sombras? – Jacob perguntou sério. – Isso é importante eu saber, , se vou lhe ajudar. Não posso lidar com algo que não conheço.
Era justo, sabia disso, mas não encontrou uma forma de explicar exatamente o que era as Sombras, não havia uma definição clara. Tentou explicar de um jeito que Jacob pudesse entender, embora não abrangesse tudo o que as Sombras poderiam ser.
- As pessoas acham que o mundo é dividido entre o bem e o mal. – olhou para as montanhas ao dizer. – Não estão erradas. As Sombras são responsáveis... Pelo menos uma parte dela, a parte debaixo da pirâmide, vamos colocar assim, esta parte é responsável por tudo de mal que acontece no mundo, entende? Pelas más influencias, pelas más pessoas. Se algum desastre acontece, foram as Sombras que influenciaram... É isso o que elas fazem, esta parte básica da Sombra, influenciam voce a fazer o que não quer, é mais como um sussurro, ou colocam voce em situações em que elas sabem que vao se beneficiar.
Jacob estava sério. – Não podem ser paradas?
- Podem... Eu acho... Eu fiquei... Um bom tempo sem me envolver com nada disso, nunca... Gostei dessa vida. – abanou a mão. – Não sei o que esta acontecendo nos tempos de hoje, parece que... as Sombras estão livres para fazer o que bem entendem. Entenda, Jacob, tudo na vida tem que ter um equilíbrio... Os Guardiões são responsáveis por isso, eles não definem um lado, vivem nos dois, as vezes pendem para o mal, se é necessário, e as vezes para o bem, se é necessário. Quando há uma quebra no equilíbrio, é ai que eles entram... Este ataque que me aconteceu... – respirou fundo, tentando manter a calma e engolir a indignação – Era para ter consequências, eles não podem interferir do modo que fizeram na vida de uma pessoa como eu, é proibido, assim como o bem não pode interferir na minha vida diretamente, é um caminho que mais pra frente será revelado para mim.
- Mas nada aconteceu.
- Nada aconteceu. – suspirou – Eu fui atrás, sabe, para tentar me proteger, não gosto de correr, mas fazia tempo que eu não... Enfim. – deu de ombros – Não podia arriscar sozinha. É toda aquela coisa quando voce dá parte de alguém na policia sem provas, haverá uma deliberação e essas baboseiras. Até lá eu já estaria morta.
Jacob contraiu a boca a menção da palavra. Não é justo o que ela está passando.
- E porque eles te atacaram? O que querem de voce?
deu de ombros. – Eu não sei. Eles apenas querem. Quando são mandados fazer alguma coisa, ela tem que ser cumprida, se torna uma obrigação cumpri-la.
- Quem não está mais com voce? Você comentou isso com Isis, ela comentou que “elas” haviam avisado que nós viríamos.
contraiu os lábios, ficando em silencio.
- Não pode contar?
- Não consigo contar.
- Eu te entendo. – Jacob sorriu calmo. Já havia passado por este tipo de situação, quando não podia contar para Bella o que era. Sabia o quão opressor isso poderia ser, por isso não forçou. – O que faremos agora?
- Eu tenho que me recuperar. Isis esta certa: uma hora eles vão me encontrar. Eu preciso estar pronta. – suspirou. – Mas tenho que me focar em me livrar disto primeiro. – apontou para as ataduras debaixo das roupas.
- Vamos dar um jeito de acelerar as coisas.
assentiu e eles voltaram para dentro. O dia transcorrera de forma lenta e sem novidades, Jacob ajudou a se movimentar pela casa, já que a mesma recusava-se a ficar quieta. Subia e descia as escadas, na maioria das vezes tentava fazer sozinha, mas Jacob estava sempre em alerta. Também ajudava Isis com as colheitas, era uma senhora quieta e serena, apreciava o silencio e venerava o trabalho.
Quando Jacob não estava por perto, ia até o fundo falso de seu closet e pegava as ervas que precisava, não se lembrava muito bem como fazer o remédio e precisaria da ajuda de Isis, assim que pegou tudo o que precisava entrou no quarto de Isis e usou de sua cozinha pequena para deixar de molho as plantas, por mais que Isis manteve as plantas sempre hidratadas, precisaria delas um pouco mais molengas para realizar o remédio.
- Como estão? – Isis perguntou ao entrar.
- Hidratadas, mas duras. – mexeu com cuidado na planta espinhosa que era a estrela d’agua. Ela possuía pequenos espinho, que assim que espetassem liberavam uma toxina provocando dor e inchaço. – Precisam ficar mais moles, assim ficam mais rápido as poções.
- Vou levar algumas para o sol e regar, talvez isto acelere o processo. – Isis pegou com uma luva as plantas e a colocou em sua cesta.
saiu de seu quarto e encontrou com Jacob na biblioteca da casa. Era pequena, porem essencial para saber o suficiente sobre ela.
- Aqui só tem livros históricos? – Jacob perguntou franzindo o cenho para os milhares de livros velhos que estavam ali.
- O que esperava? Nicholas Sparks? – riu.
- Talvez, eu não sei, algo mais... Moderno. – pegou um livro que a capa estava tão surrada e suja que com o menor sopro iria se desfazer.
Jacob abriu o livro e deu uma olhada pelas folhas, fez isso com mais alguns livros. A cada novo livro que ele pegava sua testa se franzia cada vez mais. Era como se ele notasse que algo estava errado ali, que a verdade estava debaixo do seu nariz, literalmente, porém ele não conseguia ligar os pontos. o observou pegando mais uns livros e lendo alguns parágrafos ou página, sua feição se fechando cada vez mais, porém seus olhos estavam se iluminando, dando lugar para a verdade, ligando os pontos.
- Só... Tem mitologia grega aqui? – ele perguntou. –Cara, isso é muito velho, parece ser autentico.
- E é. – sentou-se em uma poltrona confortável, onde podia respirar sem dor.
Jacob ergueu uma sobrancelha. – Desculpe? Isso deve ser impossível, seria algo que o governo teria, não?
sorriu e negou com a cabeça, se divertindo com as feições de Jacob. – O governo tem apenas algumas obras autenticas, a maioria está conosco.
- Então porque eles dizem que tem?
- Para não levantar suspeitas, isso nos pertence, é nosso. – pareceu um pouco mais agressiva, como se esta conversa fosse uma discussão antiga. – O que eles tem são apenas cópias. – deu de ombros – Não é como se eles fossem permitir que alguém de fora visse essas obras.
Jacob ficou mais um momento em silencio. – Mitologia grega? – ele perguntou mais para si mesmo do que para , que escureceu sua face, prestando atenção no território que estava prestes a entrar. – Porque mitologia grega seria sua...?
- Não minha. Nossa. – ela disse – Do meu povo.
Jacob coçou a sensual barba por fazer, olhou pela janela, como se aquilo pudesse lhe trazer a resposta. – Você faz parte da mitologia grega? Tipo... Percy Jackson.
não aguentou, caiu na gargalhada, seu corpo doía, protestava pelas sacudidelas que a risada lhe proporcionava, mas não havia como segurar, lagrimas começaram a escorrer de seus olhos, suas bochechas ficaram vermelhas assim como o resto de seu rosto.
- Não tem graça, estou tentando! – Jacob se defendeu, por mais que um sorriso sacana brincasse em seus lábios.
- Desculpe... – ela retomou o controle. – Sinto muito mesmo, é que foi... – abanou a mao como se espantasse a ideia. – Não, Sr. Black, não sou como Percy Jackson.
- Então o que isso tem a ver com voce?
- Não sou uma semi-deusa, Jacob. – riu novamente. – É algo próximo... – sua garganta se fechou e ela não conseguiu dizer mais nada sobre o assunto, foi um bloqueio natural de seu corpo, um aviso de que ela não podia revelar nada sobre si. – Sinto muito, queria ser mais clara, mas não consigo.
Jacob a avaliou durante um tempo, depois, por fim, assentiu. – Estou chegando perto, pelo menos?
apenas sorriu. – Acho que iria precisar ler muito, Sr. Black. – falou com uma voz sedutora, uma voz natural de seu ser. – Quem sabe um dia não descobre? – questionou, levantou-se e saiu da biblioteca, deixando um Jacob pensante para trás, porém antes de sair, ela esbarrou em um livro e o deixou cair no chão, não parou para pegá-lo, simplesmente continuou andando.
Jacob caminhou com passos largos até o livro caído e o retirou do chão, eratao velho quanto os outros, porém as letras da capa ainda eram legíveis.
“Proles divinas”.

O moreno franziu o cenho, olhou para a porte por onde havia saído e voltou a olhar para o livro em suas mãos. Pensou que fosse um descuido de , mas ao contar que ela nem se importou em saber qual livro havia caído e nem se importou em pegá-lo, ele julgou ser uma pista, uma valiosa pista.
Sentando-se em uma das mesas redondas que havia na biblioteca ele abriu o livro nas primeiras páginas, era de difícil entendimento, já que a letras estavam gastas, porém nada impossível para um olho sobre-humano como o de Jacob.




39 comentários:

  1. Amei!
    Mal posso esperar pra descobir esses segredos da PP
    Bjos

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  2. Oie! adorando,nunca li um fic com o Dr Cullen!Cntnue!

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  3. Ansiosa e curiosa pela continuação;

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  4. Curiosa sobre essa fic! Estarei lendo!

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  5. Opaa! Pelo visto vai ser muito boa.

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  6. Adorei essa introdução. Deixou bastantes questões levantadas e muita água na boca. Será que me tornarei alguma criatura lendária? Pq irlanda é o centro "mundial" do misticismo. XD
    E uma fic com o Carlisle é surreal e bastante apelativa. Vou seguir XD

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  7. quem e ela???? não e humana?????

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  8. Nossa, quantos mistérios... a estória está magnífica, muito bem elaborada. Já estou louca para descobrir o que me aguarda. Escolhas entre o bem e o mal?! Hum, vamos ver no que isso vai dar.
    Adorandooooooo demais, bjkssss!!!

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  9. Adorei, queria que fosse team Edward mas está otima!

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  10. Heeeey que começo incrivel *U* pode crer vou tentar comentar todos os capitulos

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  11. que loucura... muitos misterios....
    vapi tem lobos tb... e ela o que e????

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  12. Mais que ansiosa para a explicação da espécie da PP, seriously, essa história está mais que mais!!!!! Quero ve-la na próxima ATT

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  13. Estou amando a fic. Está incrível. A PP é dura na queda e estou amando todo esse mistério a rondando.
    Posta mais.
    bjs

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  14. amei!!!! mais misterios....

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  15. gostei do enredo da histótria, é diferente e instiga a curiosidade

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  16. Omg, os mistérios estão cada vez maiores. Meu deus foi fenomenal ela indo atrás do livro. :\ Adorei, foi estupendo e sinistro.
    E pelo visto ela está ainda mais poderosa.
    Hum, e será que foram mesmo os Cullens que roubaram o livro? E pior o Jake? Louquinha para descobrir.
    Adorandoooooooo demais, demais!!!
    Bjinhossss!!!!

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  17. Mega curiosa! Pq os Cullens roubariam o livro? n faz sentido... louca por mais, bjs

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  18. to curiosa agora..que vai acontece
    to amando esa fic
    muito boa mesmo

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  19. Que sortudos são os Cullens... conseguiram se safar dessa, graças a amnésia da PP. ¬¬ Mas quando a memória voltar... ahhh eles que inventem uma boa mentira para tentar enganar a PP, pois ela não vai deixar pano para manga. u.u O medo que sentiram se ela viesse a sentir a mentira deles naquele momento não vai ser nada, quando ela descobrir toda a verdade. Eles que se preparem. u.u
    Hum, e essa sensação de estar completa naquele momento... será por que? O motivo será um certo lobo de olhar penetrante que como diz a Déh, é capaz de lhe sugar a alma?! Sei não, mas para mim tem tudo a ver. hehehehe
    Ainda mais depois da visita de certo lobo a casa dela. Aquele olhar é impossível de se esquecer. Ai, ai...
    Omg, imaginar meu lobinho de jaleco branco e com aquele sorriso... nuss, foi sexy demais... "segura cabrita!"
    Agora, Melody, ainda terá muito trabalho para proteger a PP, essa daí é fogo. rsrsrs
    Amandooooooo demais, demais!!!
    Bjinhossss!!!

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  20. Adorando a fic, esta realmente intrigante e misteriosa. Estou morta de curiosidade p saber o q a nossa pp é realmente, e ainda mais quando ela e mel tem aqueles papos que vc fica meio aerio, maaaas tudo okay. Espero pelo próximo cap ansiosamente *-* BJS

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  21. Amei otima continua estou curiosa sobre a pp é tudo

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  22. Eita! O que será isso q aconteceu qndo eles se tocaram? Fiquei mega curiosa... Posta mais, plis

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  23. NÃO TENHO NEM PALAVRAS ESTAVA MARAVILHOSO.

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  24. emocionante... e que ligação do lobo com ela....
    será que ela e a verdadeira destinada a ele????

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  25. Perfeita!
    Quando eu pensava q já tinha matado os mistérios da fic, vem um novo cap que me desarma totalmente.
    A história é linda.

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  26. Nossa, quanto mistério, estou louca pra ver como será quando a PP e Jacob se descobrirem, afinal onde ele se encaixa nesse mistéio, posta logo, não demora, please, please, bjs. e até a próxima e que seja logo

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  27. Nossa! Que loucura! Jacob sempre o nosso salvador *-* hahahaaha
    e ja falei o qnto eu odeio charadas? affs!
    queria saber o q a PP tem de tão importante pra correr todo esse risco...
    att logo, bjs

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  28. Capítulo 7

    Affs, agora temos inimigos tentando persuadir a decisão de PP. ¬¬ Ain, ainda bem que ela conseguiu se livrar do verme impertinente. u.u E meu deus que luta... a PP sabe mesmo como se defender, e ainda bem que os deuses a ajudaram... acho que não teria sido tão fácil se ela não tivesse ajuda deles. :\
    Omg, Jake está muito interessado na PP e isso é bom pra mais de metro. *o* Até sentir que algo estava errado com ela, meu moreno sentiu. Ele só não soube identificar. u.u E céus... aquilo que foi um toque eletrizante. Nosso casal pelo visto já tem uma ligação que pelo visto já vem de outras vidas. ^_^ Omg, isso que é amor. ai, ai... le suspirando!
    Amandoooo demais, demais!!
    Bjinhossss!!!!

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  29. É uma merda quando somos rejeitados antes mesmo de nos declararmos =/ fiquei com pena do jake.
    E fiquei com raiva desses druidas q n fizeram nada... aff! tanto sacrificio pra nada ¬¬
    posta mais logo, curiosa pra saber o q vai acontecer

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  30. Clessiane Magalhães13 de novembro de 2013 18:16

    Nova leitora! *-*
    Menina sua história é perfeita! Cada mistério, descoberta, cada pedacinho da história nos faz querer ler muito mais. Estou tão curiosa para saber realmente o que a PP é, que caminho ela vai tomar... e o principal, quando ela, finalmente, irá se render aos encantos de Jacob Black! Acho que toda essa frieza dela é porque ela precisa dar uns bons pegas com esse maravilhoso moreno! Sério! E esse mistério todo que Melody está guardando? Sei não viu... Acho que aí tem treta! KKKKKKKKKKKK
    Flor, sua fanfic está ótima. Quero dizer, pra ficar perfeita meeesmo só falta a PP e Jacob começarem logo a ver que, como sempre, não vivem sem o outro! KKKKKKKKKKKK
    Maaaaaaaas, claro, tudo é em seu tempo. O que nos resta é esperar!

    Parabéns pela criativa, misteriosa, impactante e emocionante fanfic. Que você fique cheia de inspirações para que na próxima ATT tenha muitos capítulos!

    Beijos :D

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  31. nossa eu nunca li uma fic assim cheia de lendas maravilhosas,mistérios adoidados adorei.só pra vc ter noção li do capitulo um ao nove em dois dias não conseguia parar de ler até na cama eu lia.Perseguição das sombras,druidas,ninfas,deus e ainda tem o lindo , maravilhoso e gostoso do jacob,ainda bem que ele não tem nada com a nessie.e esse lance de vida passada dos dois incrivel.vou acompanhar nervosa já pra proxima att.

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  32. Essa fic me instiga cada vez mais. Será mesmo que eles farão revelações no proximo cap? Ou vão apenas inventar coisas? Quero muito saber sobre a PP. Por favor, poste mais

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  33. Nossa a sua fic e muito boa,ela faz com que fiquemos loucas por mais um capítulo,ela tem um k de mistério que faz com que cada pessoa que a le fique mais empolgado a continuar acompanhando ela.por favor continue vou esperar super empolgada.

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  34. Nossa vc demorou a postar, mas tudo bem o importante é que o post está ai.
    O que será que vai acontecer agora, estou curiosíssima com os próximos capts.
    bjs e boas inspirações pra ti

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  35. Nossa vc demorou a postar, mas tudo bem o importante é que o post está ai.
    O que será que vai acontecer agora, estou curiosíssima com os próximos capts.
    bjs e boas inspirações pra ti

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  36. emocionante!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! não demora.. volta logo... akkakakakakaka

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  37. Se tem uma palavra que me defina agora é ...curiosidade. Estou louca para saber o que vai acontecer, é tudo muito emocionante, por favor poste o mais rapido que puder. :D

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  38. E no final, só a história do jake foi revelada. Mas, já a conheciamos, então nada foi realmente revelado. Me diverti com ele chutando Percy Jackson hahahhaa Cada vez mais, eu quero saber mais sobre essa PP. Nos dê algumas respostas, por favor D: Bjs e posta mais

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