9 de janeiro de 2011

A Patricinha e o Lobisomem por Elizabeth Beans

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A Patricinha e o Lobisomem


















Prólogo


BEVERLY HILLS, Mansão dos – 3:25 hs da tarde do dia 19 de dezembro.

- Srtª , Srtª . – a mulher morena e atarracada corria pelo grande aposento abrindo as cortinas e berrando a plenos pulmões. – Acorde, Srtª .

- Unnhhhruunnnaaa. – alguns grunhidos começavam a surgir de uma massa imóvel, coberta por lençóis de linho egípcio, 1600 fios.

- Srtª . – a mulher esguelava-se cada vez mais.

- Drogla Marrrtla. – os grunhidos viravam insultos engrolados pelo sono.

- Vamos Srtª , é importante. – a mulher agora dava alguns cutucões no bolo de lençóis.

- Argh! Ainda é cedo, Marta. – uma garota apareceu por entre a bagunça da imensa cama king Size. Erguendo o corpo com os cotovelos apenas o suficiente para atirar um travesseiro de penas de ganso na mulher que tentava lhe acordar, errando miseravelmente por ainda manter os olhos bem fechados.

- Srtª ! – a voz de Marta era severa. – São mais de três horas da TARDE, levante-se agora mesmo ou eu irei jogar água na Srtª, que Deus me ajude, mas eu jogo!

- OK, OK, você venceu Marta.

A garota sentou-se na cama, os lençóis escorregando de seu corpo para revelar a camisola de seda cor de rosa, La Perla. Ela tinha uma expressão assassina no rosto delicado e os olhos grandes e de um cinza indefinido vagavam pelo quarto atrás de algum objeto que pudesse atirar na empregada.

- Eu disse que era importante. – Marta se defendeu.

Passou as mãos pela cômoda de madeira clara e pegou uma liga de cabelo pink com glitter, prendeu os revoltos e longos cabelos cor de mel em um coque frouxo e assentiu resignada.

- Os seus pais já viajaram Srtª e nos deixaram algumas instruções. – Marta tentou olhar com doçura nos olhos da jovem enquanto fazia aquele comunicado, mas sabia, no fundo, que ter tato não adiantaria muita coisa. – Nós vamos nos mudar!

- O QUE? – retumbou pelas paredes expeças, o ultimo grito.











Capítulo 1 - O mais novo fim.



Recaptulando e introduzindo a historia no contexto da saga!


TRECHO do cap 8 de “Amanhecer”, Livro 2, Jacob.

“... Quil olhou as pedras examinando-as. Pegou quatro pedras de diferentes tons de verde e as estendeu para ela.

- Acertei?

- Ééééé!

- Qual delas?

- Tooooooodinhas!

Ela pôs as mãos em concha e ele colocou as quatro pedrinhas nelas. Claire riu e de imediato bateu na cabeça dele com as pedras. Ele encolheu-se teatralmente, ficou de pé e começou a voltar para o estacionamento. Provavelmente temendo que ela se resfriasse com as roupas molhadas. Ele era pior do que qualquer mãe paranóica e superprotetora.

- Desculpe se eu estava pressionando demais antes, cara, sobre a historia da garota. – eu disse.

- Não, tudo bem. – disse Quil. – É que me pegou de surpresa. Eu não tinha pensado nisso.

- Aposto que ela iria entender. Sabe como é, quando estiver adulta. Não iria ficar zangada por você ter vivido um pouco enquanto ela estava de fraldas.

- Não, eu sei. Tenho certeza de que entenderia isso.

- Mas não vai fazer, vai? – supus.

- Eu não vejo. – disse ele em voz baixa. – Nem consigo imaginar. Eu simplesmente não... vejo ninguém dessa maneira. Não percebo mais as garotas, sabia? Não vejo mais os rostos delas.

- Junte isso à tiara e a maquiagem e talvez Claire vá ter um tipo diferente de competição com que se preocupar.

Quil riu e mandou beijos para mim.

- Está disponível na sexta, Jacob?

- Vai esperando. – eu disse, depois fiz uma careta. – É, acho que estou.

Ele hesitou por um segundo e disse:

- Já pensou em namorar?

Suspirei. Acho que mereci essa.

- Sabe de uma coisa, Jake? Talvez você devesse pensar em viver um pouco.

Ele não disse isso como piada. A voz era solidária. O que piorava tudo.

- Eu também não as vejo, Quil. Não vejo os rostos delas.

Quil também suspirou.”


(...)

- Preciso levar ela pra casa ou vai acabar pegando um resfriado.

Como eu disse antes. Superprotetor e Paranóico.

- Te vejo depois Jacob.

- Claro, claro. – respondi sem energia.

- Chaaau,Tio Jay. – Claire abanava a mãozinha.

- Tchau criança.

Voltei para a praia e continuei andando, devagar demais, tentando me concentrar nos sons do mar, indo e vindo, em coisas simples, pra não precisar encarar o interior da minha própria cabeça, que tava um verdadeiro cáus.

Depois de um tempo ouvi chamarem o meu nome, reconheci a voz, era Paul. Quem sabe tinha vindo me dar o troco, finalmente? Mas não pareceu isso quando me chamou outra vez, sua voz era seria, seria até demais. Me obriguei a virar na direção do chamado.

- Acabou de chegar essa carta pra você, cara. – ele me estendeu um envelope branco e comum. – Eu achei que iria querer abrir isso logo. – disse e olhou pra baixo meio sem-graça.

Então Paul, a quem eu tinha acabado de fraturar o nariz veio correndo atraz de mim pra me entregar uma carta, que até para o cérebro minúsculo dele, pareceu importante e ainda por cima sem fazer nenhum comentário ou piada, e ficou até mesmo constrangido com isso?

Eu só tinha um palpite.

Parecia que minha espera por noticias tinha chego ao fim, de fato.

Arranquei o envelope de suas mãos com um pouco de violência. Ele não reclamou e foi-se embora bem rápido deixando eu e aquele pedaço estúpido de papel a sós.

Foi essa a melhor maneira que ela encontrou pra se despedir, então.

No remetente, ela não usou seu nome de casada. Seria a falta de costume ou uma tentativa de não me magoar mais? Conhecendo Bella como conhecia, a segunda opção, certamente.

O endereço da postagem era uma região no Alasca, baixa população e sem sol, o que me fazia acreditar que ela usara o seu atual endereço, ou pelo menos, de um lugar onde eu poderia encontra-la se a procurasse. Porque ela entregou sua posição assim tão fácil? Talvez confiasse demais que eu não acabaria com sua nova vida perfeita. Não estragaria tudo pra ela como ela estragou pra mim – pensei amargamente.

Me sentei na nossa arvore. Talvez por puro masoquismo, eu leria ali mesmo. À beira da floresta, um bom lugar se eu precisasse me transformar e correr depois que lesse aquilo;

Se bem que, Paul já deveria ter chegado em casa para espalhar a fofoca, o que me dizia que seria bem pior correr; com toda aquela pena e solidariedade de todos, prontos para me consolar. Eu não queria audiência para a minha dor.

Abri o envelope.

Dentro, apenas uma folha dobrada, tudo o que eu teria da mulher que eu amava tão desesperadamente. A letra era a mesma do bilhete que recebi a tempos atrás, pareciam séculos; na época ela tentava driblar o meu gelo, era quase irônico. Ver a letra familiar, no entanto, me confortou de alguma forma, quase como se houvesse algo da Bella que eu conheci naquela Bella nova.

Jacob,


Não sei exatamente como começar, meu amigo; e estou mandando uma carta, pois creio que não reconheceria minha nova voz. POR FAVOR, JACOB, CONTINUE LENDO!!!

Muita coisa aconteceu desde o casamento e a ultima vez que nos vimos, acredite, foram dois meses que valeram por muitos mais, dois meses que valeram por nove, mais precisamente. Acho que encontrei por onde começar, afinal.

Eu tive um bebê, Jake. Ele é lindo e perfeito, é metade-humano e tem os meus antigos olhos castanhos, os cachos de Charlie, mas a cor é cobre como os de Edward. Apelidamos ele de E.J., acho que isso dá uma dica do nome, não é mesmo? Admito que não é muito criativo. O meu pequeno Edward Jacob, meu filhinho tão amado. Ele me deu algum trabalho com seu crescimento super acelerado e sua gestação de um mês e meio. Ele é um milagre, a coisa mais impressionante da minha vida nada comum e é por isso que tomei a liberdade de batiza-lo com o nome dos dois homens mais importantes da minha vida.

Foi um parto muito difícil Jake, me transformar foi REALMENTE necessário para salvar a minha vida. Era a eternidade ou a morte para mim, nós fizemos a escolha. Não sei se preferia que eu estivesse morta, como uma vez você me disse, mas espero realmente que essa informação faça alguma diferença, principalmente quanto aos outros garotos e Sam, eu e os Cullen não queremos desrespeitar o tratado e não pretendíamos quebrá-lo. É importante para nós mantermos essa aliança mesmo que não voltemos a Forks (Estamos nesse endereço que está na carta, com a família de Tanya, temporariamente). Acredito que enquanto você lê a carta, Carlisle esteja entrando em contato com Sam para reatar os laços entre os lobos e os Cullen; ele leva um bilhete meu assinado de próprio punho e meu apelo para não ser a causadora de uma guerra.

Ah, Jake, meu Jake, meu melhor amigo. Eu vou sentir tanto a sua falta. Você está com um pedaço de mim aí com você, permanentemente. Espero que um dia possa me perdoar, de coração, por todo o mal que te causei. E então me dou ao direito de sonhar mais ainda e esperar que possamos reatar nossa amizade em algum lugar no futuro.

De todo o meu ser, Jacob, eu desejo que possa ser feliz e encontrar alguém que vai cura-lo como um dia um certo garoto lindo e muito bom me curou.

Tenho bons pressentimentos Jake, apesar de não ser nenhuma Alice, coisas boas acontecerão para você.

Com amor e para sempre.

Bella



Algumas lagrimas estúpidas caiam manchando o papel enquanto eu o dobrava, amassando sem cuidado e enfiando no envelope. Contive a vontade de rasga-lo ou atirar no mar. Um filho? No final, parece que até mesmo isso aquela sanguessuga asquerosa havia conseguido dar a ela. E que idéia estúpida era aquela de enfiar o meu nome no meio do nome da aberraçãozinha? Só poderia ter vindo da Bella mesmo. Devia estar dando mamadeira com sangue pro monstro e se sentindo super realizada. A mãe do ano.

Eu precisava apagar por algumas horas e decidir o que fazer da minha vida agora, porque parecia que eu realmente não tinha mais escolhas fáceis. Seria quase impossível Sam se meter em uma missão até o Alasca para atacar os Cullen na casa de outras sanguessugas aliados deles, se a própria Bella – traidora - tinha mandado uma carta pessoal assinada; aquela era a vontade dela, seu maldito LIVRE ARBITRIO.

Eu ainda poderia ir sozinho, claro, pegar o sanguessuga desprevenido, dei uma risada sem humor quando lembrei que a vidente deles não poderia alerta-lo, eu era um ponto cego.

Talvez eu fizesse isso, no momento, muito me agradava. Mas agora eu precisava dormir, mesmo sabendo que teria pesadelos, seria ainda melhor do que me transformar e ouvir todos em minha mente. Fui pra casa com pressa como se tivesse hora marcada pra deitar na minha cama. Desmaiei assim que fechei a porta do quarto.











2 - Mudança de Habito


Jacob P.O. V.


Cinco meses depois de ter recebido aquela carta da Bella, eu ainda estava aqui em La Push como o palhaço que eu era.

Sem reclamar por vingança e negligenciando ao máximo as minhas obrigações com o bando, dando uma de garoto rebelde estúpido e piegas já que afinal não tinha nada que eu pudesse fazer.

Você pode pensar que sempre havia a alternativa de me transformar e fugir como lobo, pra viver dessa forma pra sempre. É, eu também pensei nisso assim que acordei do meu sono de um dia inteiro depois de ter deitado na minha cama pra digerir aquela informação toda.

Mas não, Billy me fez o grande favor de pegar uma pneumonia e Rachel até se ofereceu para cuidar dele, mas já tinha feito inscrição pra a pós graduação e estava voltando para a faculdade assim que o verão acabace. Eu não ia atrapalhar a vida da minha irmã só porque eu não tinha mais uma e não ia deixar meu pai aos cuidados de amigos se ele tem a mim.

Depois disso, bom, felizmente Billy está melhor do que nunca, mas não posso dizer que esses cinco meses surtiram algum efeito positivo pra mim, já que agora eu pareço muito com um zumbi ranzinza que é considerado abaixo de Leah, em questão de boa companhia.

Praticamente só o Quil me agüenta, nem o Embry fica tão perto de mim mais.

Arrumei um trabalho numa oficina em Hoquiam e não voltei para a escola, não é como se realmente eu fosse pra Harvard nem nada do tipo. O emprego paga as contas da casa e é útil para me distrair; é claro, meu pai e Quil também tentam.

Parece que dei idéias demais a Quil quando mandei ele arrumar uma namorada, ele agora as aplica a mim. Por quatro vezes cheguei em casa do trabalho e tinha alguma “convidada” para o jantar. Gostava de pensar que eu os irritava de verdade com o meu plano de ação para essas ocasiões.

Sempre me sentava a mesa sem trocar a roupa suja de graxa, ignorava a garota, comia como um selvagem e o máximo possível, às vezes até deixava de ignorar elas para perguntar se iam comer o que estava em seus pratos. Eu era o mais grosso possível nas respostas das perguntas que as mais corajosas faziam e então quando o espetáculo acabava eu deixava um Quil ou um Billy muito mal humorados, dava uma risada sem humor e tomava meu banho pra dormir e começar tudo de novo. Como eu já disse, não era uma vida.

. P.O.V.



Eu ainda me perguntava se estava vivendo o mesmo pesadelo, ou se tinha entrado em alguma realidade paralela, talvez um estado de coma e um novo nível de consciência.

Considerei abdução alienígena por ultimo, não acreditava muito em ficção cientifica ou qualquer tipo de mito; coisas idiotas para gentinha de mente pequena.

Uma Marta, sorridente e otimista ao meu lado, na poltrona da primeira classe, no entanto, era eficaz para me trazer de volta à feia realidade.

É muito lógico Marta estar assim tão feliz. Ela não esta abandonando toda a sua turma de amigos e conhecidos desde o jardim de infância, todos os seus lugares favoritos onde se sentia segura e alegre ( O SHOPING), todo o seu batalhão de apoio ( Esteticistas, cabeleireiros e manicuras que freqüentou desde a infância.), o seu verdadeiro lar (BEVERLY HILLS, I S2 You).

NÃO MESMO! Marta estava voltando para casa, para junto do seu povo, como ela mesma se enchia de orgulho em dizer; estava indo morar em La Push, uma pequena reserva indígena lá onde Judas-perdeu-a-ultima-peça-de-roupa, na costa de Washington. OMG! Washington. Não, não, É um PESADELO, eu sei que é... Respira ., respira. Sentia-me acuada e ofegante, como se tivesse passado uma semana inteira na dieta de lacticínios e ido malhar com minha amiga Trace em seguida, sem comer nada.

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Porque eu, . Violet Gerard Beafarth . - . apenas para os VIPs - estava indo junto?

Não é que eu não tenha gasto 70.000$ em bebida ilegal e ajudado a desativar a ala norte da casa dos pais da Trace, eu sei que ajudei... mas, meus pais não poderiam tirar o meu laptop apple por uma semana ou mesmo, meu celular blackberry rosa e roxo, talvez? Esses seriam os castigos certos. Qualquer coisa assim já me mostraria o valor do dinheiro e da responsabilidade, blá blá blá.

Parecia que ... não dessa vez. Uma coisa pior, mas que eu preferia realmente esquecer, eles nem se importaram que já fosse praticamente Natal. HELLOW! Seis dias para o NATAL!!!

Varri essa informação dolorosa pra debaixo do tapete na velocidade da luz.

Voltando a situação X. A coisa estava mesmo feia, eu era uma pobre exilada de 16 anos confusa e desnorteada sem minha maratona de compras da terça; como eu iria sobreviver sem uma visitinha aqui e outra ali pela Melrose? Oh, céus!

Era bom eu ter feito yoga desde os sete anos nessas horas, controlar sua respiração e não entrar em pânico pode ser muito trabalhoso. Já tava vendo a hora em que teria cantado o ultimo mantra calmante que conhecia.

Tentei uma abordagem pratica de analise e autoconhecimento, tinha lido uma matéria na PEOPLE que dizia que devíamos fazer listas de nossos problemas para nos confrontarmos com eles e melhor resolve-los. Tudo bem. Concentrei-me nisso.

1° - Meu cartão agora tinha um limite: 1.500$ mensais. Deus me ajude!!!! (Isso não paga nem os meus cremes para os pés).

2° Tomaram o meu celular: todos os contatos da minha agenda foram junto. (Eu tive uma vida social um dia, um dia...).

3° Limitaram o uso do meu laptop: duas horas diárias para pesquisa escolar. (Era como pegar emprestado, eca, coisas emprestadas, jamais peguei nada emprestado em toda a minha vida. Que coisa de POBRE!)

E então me lembrei da pior coisa, a mais medonha de todas. A nova “casa” teria 1 banheiro, isso mesmo, um único e misero banheiro; não um banheiro para suas amigas ou um banheiro extra caso você preferisse tipos diferentes de HIDRO, nãooooooooo, um só banheiro pra dividir mais Marta, a empregada; não que eu não ame Marta, mas ela é mesmo a EMPREGADA; e eu disse DIVIDIR?

Eu teria que dividir algo na vida pela primeira vez e eu não começaria com uma barrinha de cereais.

Inspira, expira, inspira, expira... Ai aiaiaiai, eu preciso respirar no saco, só a yoga não adianta mais.

Ta, não deu muito certo essa coisa do confronto com os problemas. Isso porque eu não cheguei nem na metade deles.

- Srtª , fale alguma coisa, eu já estou ficando realmente preocupada com a Srtª. De verdade. – Marta tentava, de novo - pobre coitada - obter alguma reação de minha parte.

Eu só pensei: È Marta, deve ser porque a coisa toda é muito preocupante, DE VERDADE!!!!!!!!!!

Depois de mais um tempo, descemos em um aeroportozinho que parecia mais uma rodoviária, não que eu já tivesse estado em alguma, mas, hei, eu vejo TV.

- Já chegamos Srtª ., Aeroporto de Port Angels. – ela anunciava irritantemente animada. – Meu sobrinho deve estar chegando a qualquer hora para nos buscar, o vôo nem atrasou, não é uma sorte?

Eu nem sequer balancei minha cabeça, em consideração a Marta que afinal de contas foi quem me criou desde bebezinha; porque se eu ao menos balançasse a minha cabeça, corria o risco de eu abrir a minha boca e acho que se eu abrisse minha boca agora, nunca mais eu conseguiria parar de berrar algumas palavrinhas mágicas, impróprias para menores, sobre como eu considerava tudo o que me aconteceu até ali uma grande, enorme e monstruosa SORTE.

- Tia Marta. – uma voz grave e firme soou no saguãozinho miserável, onde nós esperávamos o parente de Marta, que muito gentilmente nos daria uma CARONA (Você não disse essa palavra, não disse, é só um pesadelo.)

O grande índio pegou nossas malas para leva-las até o seu carrinho popular, insípido e insignificante.Parecia que o homem não estava tendo dificuldade alguma com as MUITAS malas e reparando melhor em seu porte físico, ombros muito largos; comecei a pensar se talvez não teria uma academia naquele fim de mundo.

Achei melhor não nutrir esperanças.

Ainda não mencionei que meus pais me tiraram o meu new beetle, azul-bebê conversível com bancos de couro caramelo, mencionei? Eu era oficialmente uma pedestre agora.


- Então Samuel, como vai a Emily? Vocês já se casaram? – Marta conversava, realmente interessada.

Me limitei a olhar para a janela e me despedir de qualquer idéia de civilização enquanto tentava MUITO não fazer caretas. É que, elas dão rugas, eu não preciso de MAIS esse problema.

- Ainda não tia, vai ser no mês que vem, no dia 4.

Pelo jeito que o homem falava parecia que iria ganhar na loteria e não se amarrar a uma só mulher para o resto da vida. Babaca.

- Ótimo. Chegamos a tempo para a cerimônia, então.

Agradece ao meu porre ilegal envolvendo a policia - eu pensei amarga.

- Espero que não se importe de jantar conosco essa noite. Emily não me perdoaria se recusassem.

- Claro, querido, aposto como a Srtª . também se sentirá honrada com o convite.

- O QUE? – eu repeti a única coisa que eu tinha dito nos últimos dois dias.

- Ela aceita, Sam. – Marta se intrometeu.

Que bonito, agora ele já era “Sam”. Quem sabe poderíamos cantar uma musica do amigo agora, dar as mãos e cometer um suicídio coletivo? Era uma GRANDE idéia.

- Estou de dieta. – minha voz estava asquerosa depois de tanto tempo calada. Voltei a ficar calada em seguida; mas pelo retrovisor pude ver Marta sorrindo satisfeita, acabara de constatar que eu ainda tinha atividade cerebral regular.

QUE ODIO!

Jacob P.O.V.

Cheguei em casa no dia 20 de dezembro, tendo sido infelizmente dispensado do trabalho até depois do ano novo; os patrões nunca te mandam trabalhar quando você realmente precisa disso; quem se importa com as festas de fim de ano? Como se eu tivesse alguma coisa para festejar, afinal.

Não vi sinal de ninguém por lá, então tomei meu banho, coloquei um moletom preto e uma camiseta qualquer e calcei um chinelo.

Já ia me acomodar no sofá pra ver algum seriado ruim de TV aberta quando senti três conjuntos de braços me agarrarem e me imobilizarem. Eu poderia facilmente me soltar, se eu lutasse, mas estava mesmo desinteressado de qualquer coisa, então deixei eles fazerem o que fosse.

- Isso é uma INTERVENSÃO. – a voz de Quil saiu animada. Embry e Seth riram.

- Eu não estou me drogando, Quil. – eu aleguei com minha nova voz, sempre entediada.

- Não temos certeza disso. – Embry falou rindo. Eu fiz uma careta.

- O que pensam que vão fazer, gênios? – eu perguntei sem nenhuma curiosidade na voz.

- Você esta sendo intimado para um jantar na casa da Emily. – Seth respondeu.

- Quem é a vitima da vez? – eu perguntei agora um pouco mais interessado e com muita raiva de eles terem chegado depois do meu banho.

- Porque pensa que tem uma garota envolvida, Jacob? Você ta ficando muito mal acostumado. Não vou te arrumar mais garotas, você nunca as aproveita. – Quil desdenhou.

- Até que enfim. – eu rolei os olhos.

- Mudou de lado, foi Jake? – Embry alfinetou.

- Mudei Embry, não quer me dar um beijinho? – eu pisquei batendo os cílios teatralmente para ele.

- Eca, cara. – ele fez uma careta real.

- Podem me soltar agora? Se não tem mesmo ninguém, eu vou de livre e espontânea vontade. Emily cozinha bem. – passei a mão no estomago e lembrei que estava há um tempo sem nada dentro dele.

Eles pararam de me carregar e eu segui com eles.

Quando a gente entrou, Emily já foi dizendo.

- Quil, elas não chegaram ainda. – eu lancei um olhar assassino para Quil.

- Ei cara, fica calmo, ela ta falando da tia do Sam e a patroa dela.

- Marta? – eu perguntei, me lembrando da senhora boazinha que às vezes vinha da Califórnia para visitar La Push.

- É cara, agora vai melhorar essa cara?

- Tudo bem. – afinal, ninguém ia me jogar em cima da tia quarentona do Sam, parecia seguro.

- Ta desenvolvendo fobia de garotas, Jacob? – Emily me perguntou com um sorrisinho. Eu abri outro sorrisinho amarelo pra ela, em resposta.

Me sentei no sofá, me perguntando o porque de toda aquela INTERVENSÃO, se não era pra me arranjar uma garota. Não que eu não estivesse mais satisfeito com essa nova abordagem, mas eu ainda não estava 100% convencido dessa mudança. Afinal, era o Quil, pode-se esperar muita coisa do Quil, mas não que ele desista.



. P.O.V.



Fomos acomodadas em nossa nova casa, se é que aquele muquifinho poderia ser chamado de casa. Só o meu quarto em Beverly Hills era umas duas vezes maior.

Quando Marta me levou até o meu “quarto”, que, Deus; era um armário de vassouras praticamente; me sentei na beirada da menor cama de casal que já vira na vida e olhei para cada centímetro de chão que estava coberto pelas minhas malas empilhadas uma em cima das outras já que não caberiam lá se não fosse assim.

A voz de Marta veio da cozinha até mim, facilmente; ela nem precisou gritar. Estávamos TÃO perto.

- Arrume-se Srtª , a casa de Emily é pertinho daqui e nós podemos ir caminhando.

Acho que precisei mesmo daquela frase dela pra que a negação fosse um estagio superado em minha mente, agora eu estava definitivamente desesperada e com MUITA MUITA raiva; tinha tanta raiva que não me lembro exatamente como foi que passei as próximas horas a partir desse momento.

Sei que me esgueirei para fora sem que Marta percebesse e me vi do lado de fora, em uma avenidazinha que logo mais a frente se resumia à mato, mato e mato.

Corri praquela floresta com uma velocidade que não era minha, corria e corria, tropeçava e levantava outra vez pra continuar correndo; arranhei minhas mãos nas quedas já que o resto do meu corpo estava coberto com roupa impedindo que os galhos me arranhassem por outras partes também.

Minha vontade de voltar para casa era tanta que eu nem sequer me sentia ofegante.

Era como se minha humanidade estivesse sendo substituída e eu de repente tivesse músculos de aço. Acho que os sons que eu ouvia vinham mesmo de mim, a floresta em si parecia muito silenciosa e escura, embora eu não registrasse muita coisa e continuasse correndo na linha mais reta que eu conseguia manter.

Eu nem tinha tempo pra pensar em ter medo; era como não ter mais nada o que perder e eu não tinha mesmo.

Meus pais? Nunca se importaram o suficiente para se manterem em casa mais de uma semana e, nota-se, não vieram junto para o fim de mundo, também.

Minhas distrações, meus amigos, minhas coisas, meu quarto que era meu santuário? Tirados de mim, levados embora. E NADA me foi deixado pra suportar isso, nada além de uma babá, uma babá para uma pessoa de 16 anos.

Soluços sacudiam meu corpo e espasmos de dor física começavam a me impedir de continuar correndo, eu tropeçava cada vez mais, tinha cada vez mais sangue nas minhas mãos.

No tropeção seguinte eu cai, as sapatilhas Chanel completamente arruinadas em meus pés, meu moletom Gucci, edição limitada, todo cheio de lama e meu próprio sangue espalmado em meu jeans Levi’s.

Encolhida em posição fetal e completamente anestesiada eu acreditava, finalmente, que eu estava sonhando. Porque simplesmente não era real estar daquele jeito.

Acreditar nisso foi a coisa mais reconfortante e maravilhosa que me aconteceu, desde a hora em que Marta me avisou da mudança.













Capítulo 3 Encontros e Desencontros





Jacob P.O.V.


Sam saiu do quarto todo arrumado para o jantar e a tempo de atender o telefone que começou a gritar. Eu podia ouvir perfeitamente a voz histérica de mulher que falava aos prantos.

- Samuel, por favor, me ajude, meu filho, a Srtª , ela desapareceu, eu pensei que ela estava se arrumando para irmos, mas quando fui até o seu quarto, estava tudo intacto e vazio, eu já procurei por ela em todo lugar, acho que ela pode ter entrado na mata,ela não está bem e eu-eu ...eu tenho medo que ela tenha feito alguma besteira. Devo chamar a policia? Ah, Sam, o que eu vou fazer? Por favor, ela é como minha filha, é uma boa garota apesar...

Então, havia mesmo uma garota. Eu sabia que eles estavam escondendo o principal.

- Hiiii! Parece que agora ELAS é que fogem dele! – Embry disse rindo.

- Cala a boca idiota, a garota pode ter se machucado. – Quil repreendeu.

Sam desligou o telefone.

- Vamos atraz dela. Você vem comigo Jacob.

Nós chegamos em uma casa que eu reconheci como sendo a casa que vagou recentemente e estava a venda, Sam foi falar com a tia enquanto eu pulava a janela do quarto da garota para pegar alguma coisa que tivesse o cheiro dela. Aquilo pareceria coisa de tarado, se não fosse pra salvar a vida dela.

Assim que saímos de lá, nos transformamos e nos juntamos a Jared e Collin que estavam na ronda. Fazia quase um mês que eu não corria como lobo, percebi que senti muita falta daquilo.

E aí Jacob, eu soube que a garota fugiu de você, hein?


A voz de Jared ecoou em minha mente.

Não tenho nada a ver com isso, nunca vi essa garota antes.

Respondi azedo

Ela é cheirosa.

Ouvi Collin suspirando quando captou o cheiro em meus pensamentos.

Margaridas, cereja e Biscoito doce.

Tive que concordar com ele.

Foco, pessoal.

Sam repreendeu.

Cada um pegou uma trilha, parecia que a humana tinha vagado muito tempo na floresta para direções muito diferentes, tinha espalhado seu cheiro para todo lado e tinha um pouco de sangue às vezes, ela estava ferida.

Se algum de vocês a encontrarem, levem ela de volta imediatamente. Apenas avisem antes e se transformem.

Ouvi a voz do Alfa um tanto tensa, foi Sam quem percebeu o sangue e ele estava realmente preocupado agora.

Comecei a sentir o cheiro dela mais forte para o leste e virei meu focinho para essa direção, em menos de três segundos eu estava a dez metros de uma garota, toda encolhida no chão e aparentemente desmaiada.

Achei ela.

Passei o informe e logo voltei a forma humana vestindo a calça de moletom que foi tudo o que eu trouxe.

Assim que meus olhos focalizaram ela mais de perto foi como se tivesse levado um soco violento no estomago, na verdade, tenho certeza de que o soco teria surtido um efeito bem menor. Era a mesma cena que eu vira na mente de Sam quando ele encontrou Bella na floresta há quase dois anos. Os cabelos molhados da menina eram escuros e levemente anelados como os de Bella e ela estava tão pálida, branca como papel, branca como Bella.

- Bella – o nome saiu de meus lábios sem que eu pudesse impedir. Toda a dor daquelas lembranças me inundando e me fazendo esquecer que aquela era uma estranha e não era a Bella, pelo amor de Deus. Eu tava ficando louco.

Percebi alguns soluços quase mudos dela, a respiração ofegante e tremores de frio, seus olhos estavam quase fechados, ela parecia não ter consciência. Acho que me aproveitei disso porque peguei ela no colo com muito cuidado e murmurei em seu ouvido:

- Eu vou te levar pra casa, meu amor. – perigosamente fácil fingir que era Bella, e eu fingi.


P.O.V.


Meus soluços me faziam tremer ou era o frio? Eu sentia que chovia sobre mim, às vezes a chuva abrandava e outras vezes ela era cortante na pele do meu rosto. Tão, tão frio e solitário.

A lente de contato verde-mel que eu usava nos olhos estava incomodando como nunca por causa do rio de lagrimas que banhava ela, mas eu não tiraria de jeito nenhum, eu morreria com aquela lente, se quer saber. Não ia exibir aqueles meus olhos sem graça e aguados nem morta.

Morta. A palavra era tão tentadora, estar morta era reconfortante. Será que eu já estava?

Mas aí eu percebi que não tinha morrido, porque vi um par de pés morenos e enormes diretamente à frente, embora estivesse tudo fora de foco e eu só registrasse uma parte das coisas.

- Bella. – uma voz rouca e obviamente masculina murmurou. Eu queria ter forças pra dizer : Não me chamo Bella, seu idiota. Meu nome é , e pra você é Srtª .

Minha garganta ardia agora que tentei usa-la; vi que minha voz não existia.

O estranho abaixou-se e me pegou no colo com muita delicadeza para braços tão fortes, imediatamente os meus espasmos de frio passaram porque o estranho era muito, muito quente, parecia estar queimando em febre. Ele tinha um cheiro acentuado de pinheiro, chocolate e manhã de natal.

Talvez ele fosse o anjo da morte e eu estivesse mesmo morrendo. Pensando assim eu me aninhei mais nos braços dele e aceitei aquele conforto de bom grado, mesmo que ele fosse alto, moreno e forte demais para um anjo padrão.

- Eu vou te levar pra casa, meu amor. – o estranho anjo disse e eu gostei muito da doçura que havia na voz dele.

Fui carregada e parecia que o anjo corria comigo nos braços, isso fazia eu me agarrar um pouco mais nele, e com o novo conforto, os meus soluços iam ganhando força e eu ia voltando a chorar.

- Shiiii. – o anjo sussurrava. – Vai ficar tudo bem, querida.

Comecei a pensar que talvez fosse bem tranqüilo morrer se era pra ser carregada por um anjo tão quentinho. Será que todos os anjos eram assim quentes? Será que era pra deixar agente mais calma durante a grande PASSAGEM? Eu ia ficar aqui bem grudada nesse anjo até ver A LUZ, Há! Se ia!


Jacob P.O.V.


A garota aceitou muito bem a minha loucura, então eu tinha mesmo razão sobre a inconsciência dela, só poderia ser, OU, ela era mais doida do que eu; uma hipótese pouco provável para uma menina riquinha da Califórnia.

Era isso que o Sam sabia sobre a menina, quando nos transformamos eu vi na mente dele quando ela disse toda antipática: “Estou de dieta.” Não pareciam a mesma pessoa, a garota em meus braços e aquela da memoria de Sam; ela tinha vindo morar com a tia dele em La Push, porque teve problemas na Califórnia.

Pelo visto ela não gostava mesmo daqui.

Em pouco tempo eu cheguei à casa da tia de Sam, os garotos me esperavam próximos à orla da floresta.

- Ual, ela é bem bonita. – Collin começou a babar na garota.

- Cala a boca, cara. Ela pode te ouvir.

Como se você não tivesse dito o que quis não é Jacob, eu pensei me censurando.

- Venha Jacob, dê ela pra mim. – Sam estendeu os braços.

Eu fui entregar a garota pra ele, mas ela começou a espernear e chorar muito; ela se grudava em mim com tudo o que podia, a força dela não era nada e seria muito fácil tira-la dali, mas alguma coisa em mim me impediu de força-la a se separar. Talvez eu também estivesse nutrindo um certo prazer em tê-la ali, ainda fingindo que era a Bella.

- Cara, ela gostou mesmo de você. – Jared se divertia.

Quis ter uma mão livre pra bater na cabeça dele.

- Traz ela pra dentro, então. – Sam se rendeu aos desejos da garota tão fácil quanto eu.

- Vou ligar pra tia Marta, ela ta esperando lá em casa. – ele disse. - O quarto dela é o da esquerda.

Cheguei em um cômodo lotado por malas cor de rosa, todas parecendo muito caras e muito chiques. A cama era de casal e parecia confortável, com um edredom branco com estampa de margaridas, bonito, mas muito simples pra ter saído daquelas malas.

Tentei afasta-la de novo para coloca-la na cama, ela começou o mesmo chilique de antes, tentando balbuciar palavras e não conseguindo, acho que ouvi ela dizendo “A LUZ” e “ANJO”, devia estar delirando, a coitadinha.

A tia de Sam chegou logo e quando me viu sentado na cama com a garota aninhada no colo, vestido apenas com minha calça de moletom; ela pareceu muito envergonhada e pediu muitas desculpas e agradeceu também, por eu ter ajudado e tal.

Aí ela olhou pra mim muito mais sem graça do que já estava antes e disse: Pode ir agora, meu rapaz.

Eu tentei pela terceira vez me soltar da garota e novamente ela se manifestou, dessa vez até me arranhou com as unhas grandes e pintadas com um esmalte rosa claro. Marta ficou muito assustada com a reação e eu expliquei que era por isso que eu tive que ficar com ela até agora.

- Como vamos fazer para tirar essa roupa molhada dela? – parecia perguntar em voz alta pra si mesma.

- Eu posso me virar? – tentei.

- Acho que vamos ter que fazer assim, querido. – ela disse com um pequeno sorriso cansado em seu rosto.

- Vamos , querida. , você pode me ouvir, ? Precisamos trocar suas roupas, vamos minha pequenina. – a voz de Marta era doce e paciente.

- Marta. – a garota disse com uma voz muito baixa e falha.

- Sim, meu amor, é a Marta, agora você precisa soltar o moço. Você me entende?

Eu tentei me desvencilhar de novo, ela iniciou o chilique outra vez.

- Oh me desculpe mesmo! Qual o seu nome, querido? – ela me olhou com ternura.

- Jacob Black. – Respondi.

- Você poderia fechar os olhos, Jacob? – ela pediu humildemente.

- Claro.

Imediatamente fechei os olhos.

Eu ainda podia ouvir muito bem a tia de Sam abrindo uma das malas e pegando algo lá dentro, depois vindo até mim e retirando a roupa molhada dela, com muito cuidado para não afastar a garota totalmente dos meus braços, eu pude sentir a pele fria dela se esquentando em contato comigo quando estava sem a blusa, o soutien de renda roçando no meu peito enquanto uma marta muito compenetrada tentava tira-lo e passar uma camiseta larga por seus braços, com alguns protestos da garota e alguns “Shiiiiii” de minha parte pra acalma-la. Marta tirou um termômetro do bolso do casaco, mas a temperatura da garota estava OK.

- Vou buscar água para ela e ver se conseguimos que beba, está bem? – ela tinha um olhar implorativo, que se desculpava em cada palavra que dizia.

Mas ao contrario de qualquer pessoa no meu lugar, eu não estava tão doido pra saltar fora daquela situação esquisita. A garota me fazia lembrar Bella cada vez mais, ela me lembrava a fragilidade com que Bella chegou até mim naquela tarde de sábado onde nossa amizade começou. Ela era como uma droga anestésica, porque lembrar de Bella perto dela não doía tanto.

Devia ser porque eu era idiota o suficiente pra ainda estar fingindo.

- Aqui, vamos tentar. – Marta chegou com um copo. – Você faz isso? – ela me perguntou claramente consciente de que eu tinha mais chances de fazer funcionar.

- Claro. – Parecia que eu só tinha essa palavra no vocabulário agora.

Ela bebeu toda a água e abriu um pouco mais os olhos, eles eram num tom meio falso de verde, mas não era feio, parecia que ela fitava o ambiente.

Depois ela olhou pra cima e pra mim, ela deu uma espécie de sorriso muito fraco e ouvi ela dizer “ANJO” mais claramente. Eu sorri de volta como se não pudesse me controlar.

Peraê, eu SORRI pra ela. Foi tudo em um momento muito doentio, mas mesmo assim, meus músculos do rosto pareciam enferrujados. Ela deixou o olhar cair de novo e se remexeu em cima de mim, se confortando e me agarrando possessiva. Eu tava errado, a garota era mesmo doida.

- Vamos tentar coloca-la na cama de novo? – Marta sorria encorajadora. - Talvez agora que ela está mais calma e aquecida.

Eu me virei para depositar ela embaixo do edredom que Marta puxou até a beirada da cama. Ela começou a chorar de novo, desesperada, soluçava baixinho e me unhava. Tava ficando violenta.

- Eu posso esperar ela dormir se a senhora quiser. – eu sugeri sem muita coragem de deixa-la.

- Ah, querido, isso é abusar muito de sua boa vontade, mas... Se puder realmente espera-la dormir, eu seria imensamente grata.

- Não tem problema. – Eu quase disse: Não tenho nada melhor pra fazer mesmo – mas isso soaria doentio demais até pra mim.

Marta me deu um sorriso de agradecimento, quase emocionado.

- Então deite-se aí com ela, vamos, você vai acabar com uma cãibra se continuar aí nessa posição.

O que eu ia dizer? “Ah, não se preocupe senhora, posso ficar assim uma semana, sem cãibra nenhuma, porque eu sou um lobisomem”.

Ai eu me deitei ao lado da garota, ou melhor, ELA se deitou praticamente em cima de mim. Essa cena eu iria separar especialmente pro Collin quando tivéssemos uma ronda, juntos.

Meus pés ficaram pra fora da cama e ela descansou a cabeça em meu peito, seus cabelos iam secando e revelando um tom de louro-mel, bem mais claro que os cabelos castanhos de Bella.

Ela NÃO ERA a Bella. E afinal, eu já sabia isso, não é mesmo?

Acabei pegando no sono junto com ela, confortável na cama, com a cabeça em um travesseiro extremamente confortável; o cheiro bom da tal de , inundava o quarto inteiro. A pele dela era muito macia.

Ninguém veio me avisar pra ir embora.











Capítulo 4 - Quebrando Tudo!






P.O.V.



Eu acho que tive um longo e aterrorizante pesadelo.



Me remexi um pouco na cama quentinha e agradável , e, bem, parecia que já tinha passado.



Fui impregnada por um cheiro delicioso de pinheiro e manhãs de natal e me senti segura e feliz, com um bom humor enorme.



Mas tinha uma coisa engraçada acontecendo, e quanto mais acordada eu ficava mas o barulho aumentava, era um ritmo marcado e constante, retumbando nos meus ouvidos e me fazendo acordar mais rápido, parecia até uma daquelas batidas de HIP HOP mas quando eu ouvia direito, era estranho demais até para HIP HOP. Como uma serra elétrica, ou um... Ronco?



De qualquer forma eu não tive tempo o suficiente pra decidir o que era aquilo já que algo se movimentou fazendo a cama toda se mexer e uma coisa grande e muito, muito pesada mesmo, foi trespassada pelo meu quadril, me esmagando totalmente.



Eu abri os olhos aos poucos, assustada, e...



- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!!!



Tinha um homem, um completo estranho, deitado ao meu lado na cama, dormindo tranqüilamente.



- AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! – continuei gritando já que não surtiu muito efeito de primeira vez.



- Humm , Hummmm, QUE? QUE? SANGUESSUGAS? – o homem acordou assustado e se pôs de pé com uma velocidade incrível, ficou numa posição engraçada e começou a ... ROSNAR?



- AAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!!! – eu tentei gritar pela terceira vez.



- UOW! – ele ofegou divertido e sem graça ao mesmo tempo. Parecia ter finalmente despertado.– Bom dia pra você também.



Eu estava ofegante dos gritos, então esperei me recuperar um pouco, pra começar a gritar novamente.



- Você gostava mais de mim, ontem! – ele me deu um sorrisinho sugestivo.



Mas, peraÊ!!!! Ontem? Ontem... AH NÂO! Não, não, não... Será que eu fiz alguma loucura depois de ter bebido muito na balada?



Olhei com os olhos mais bem focados para o estranho; era inegável que ele era bem bonito, a pele castanho avermelhada em um tom lindo, olhos negros e expressivos, lábios carnudos e provocantes. Um maxilar duro e maçãs do rosto rijas e bem posicionadas. E ele era IMENSO, também, devia ter uns dois metros e os músculos, uhlalá, tinha mais de quatro lombadas naquele abdômen... NU.



OMG! Tinha um homem semi-nu dormindo na minha cama e eu...



Olhei imediatamente pra mim, só de camiseta e calcinha. Uma calcinha horrorosa e enorme, de algodão, com a qual eu nunca iria para a Balada, mas mesmo assim, SÓ camiseta e CALCINHA.



Eu fiz besteira quando estava bêbada, Ah! Se fiz! E eu não me lembrava de nada além do pesadelo idiota que tava tendo; eu tinha arruinado completamente a minha PRIMEIRA VEZ!!!!!!!!!!!



- Você ainda está ai dentro? – o estranho perguntou, parecendo preocupado. (Caramba! Mesmo bêbada eu tenho bom gosto!)



- NÃO! – eu bati o pé e pus as mãos na cintura, extravasando a minha frustração.



- O que foi? – ele perguntou muito calmo, quase doce.



- NÃO, não, não, não!!!! – eu ria histérica e olhava pra ele em pânico. – Eu transei com você, não foi? É claro que eu transei! – eu fazia gestos com a mão ligando nós dois e continuei tagarelando, tentando lembrar como se respirava.



– Eu devia mesmo ouvir a Marta e pegar leve com a bebida, eu não acredito que eu PERDI A VIRGINDADE bêbada, que tipo de idiota faz uma coisa dessas? NÃO RESPONDA! – eu o alertei furiosa. – Agente usou camisinha, não usou? – parei um pouco pra olhar pra ele e esperar sua resposta.



Ele tinha uma expressão compenetrada no rosto, parecia confuso, eu acho, apertava os lábios grossos e franzia a testa, unindo as sobrancelhas negras.



- Hei, respira ta bom! Não foi culpa sua, devia estar bêbado também, não deve ter sido tão ruim. PELO VISTO O MEU BOM GOSTO NÃO É AFETADO PELA BEBIDA. – disse o pensamento em voz alta enquanto tentava consolar o estranho, e nem me pergunte porque eu estava fazendo isso já que era eu que tinha acabado de TRANSAR PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA E NEM ME LEMBRAVA DE NADA . Eu é que deveria ser consolada.



- Nem esta dolorido! – eu continuei, tentando anima-lo com um sorrisinho amarelo e pesaroso.



- Você – acha – que – nós – fizemos - SEXO? – ele perguntou, cortando a frase toda com a gargalhada escandalosa que ele soltou, se dobrando no meio de tanto rir. Ele não tinha uma expressão triste e confusa, ele tava se segurando pra não rir de mim. Eu ia matar aquele imbe...



E aí eu me lembrei de tudo, foi num átimo, como um flash absoluto clareando minha mente.



- Você é um DELES! – eu acusei, o dedo em riste, uma fúria diferente nascendo e me consumindo. – Você é um daqueles índios, da tal reserva La Push. – Mas era tudo um pesadelo, eu tinha certeza. Não era? NÃO ERA?



- Onde EU estou? – mas não esperei pela resposta, passei os olhos por todo o cômodo, o que não demorou nada porque era minúsculo.



Meus pés estavam em um chão de tabua e ainda tinha metade das minhas malas espalhadas pelo lugar, fechadas e com a minha mudança lá dentro.



Coleções e mais coleções D&G, PRADA, CHANEL, GUCCI, YSL, DIOR, MIU MIU... Pra serem usadas no meio do mato!



Eu ia começar a gritar de novo, pra tirar aquele tarado de dentro do meu – RESPIRA – “novo” quarto.



- Srtª . – Uma Marta que transbordava alivio passou pela portinha de madeira do buraco, quer dizer, quarto.



– Vejo que a Srtª já acordou e está muito bem, veja só. – ela passou as mãos carinhosamente no meu rosto, me controlei para não bater nelas. - Eu ouvi os gritos da Srtª lá do meio da rua! – e se virou para o estranho.



- Muito obrigada, Jacob. – ela olhou pra ele com adoração, como se ele não fosse um tarado que tinha invadido o MEU quarto.



Tudo bem que era um muquifo, tudo bem que eu nem poderia acreditar que aquilo tava mesmo acontecendo, mas ainda era o MEU quarto e ELE ainda era um estranho qualquer que estava só de calça-moletom e que pelo visto DORMIU comigo, uma noite INTEIRA.



– Eu preparei o café de vocês na cozinha, o banheiro é no fim do corredor, querido. – O QUE? Ela tava mandando ele pro MEU banheiro????



Correção – NOSSO - porque era meu e de Marta, mas peraê, Marta era empregada mas ainda era mulher, agora ELE, quem era ELE? Eu ia explodir a qualquer segundo, eu podia sentir a ira fluindo de dentro de mim e as rugas nascendo em meus olhos.



Ele saiu depois do que ela disse, com uma graça e uma leveza perturbadoras pro seu tamanho e eu me virei para Marta. Nós estávamos a sos agora e ela tinha muitas explicações pra me dar.





Jacob P.O.V.





- Quem é ele e o que fazia na minha CAMA? – a garota sibilou venenosa e arrogante.



Agora eu entendia o porque de Sam ter rotulado ela de menina riquinha da Califórnia.



Aquela garota que, sussurrava venenosa, para Marta no outro quarto - de certo achando que assim eu não escutaria - era a mesma da memoria pouco agradável de Sam. Fiz que nem ele tinha feito e sorri com aquilo, ela era infantil, não era o pior dos defeitos. Era apenas irritante.



- A Srtª não se lembra? De nada? – Marta parecia preocupada.



- Ahh! Eu me lembro, é claro. Deve ser por isso que estou perguntando. – sarcasmo; ela sabia ser doce, não é mesmo?



- A Srtª se perdeu na mata quando FUGIU DE CASA, e então, eu liguei para Samuel. Ele foi com alguns amigos procurar a Srtª e foi aquele rapaz - que a senhorita acabou de acordar com um grito - quem a encontrou e a trouxe para casa em segurança.



A voz de Marta era calma e não parecia nem um pouco ofendida com o azedume da garota.



- E então, aquele QUALQUER achou que poderia DORMIR comigo, por causa disso? – ela se controlava para não gritar, dava pra ver na voz dela.



Fiquei com um pouco de raiva de ela me chamar de QUAQUER, daquele jeito metidinho dela; Não fui eu que me grudei nela como se minha vida dependesse disso.



Mas, eu estava de bom-humor, uma coisa que ainda me assustava, diga-se de passagem; e que mesmo assim, era compreensível.



Não era provável continuar na mesma monotonia de antes quando eu acabei de ter a noite mais tranqüila e maravilhosa daquele meu ano nada tranqüilo e nenhum pouco maravilhoso.



Nem um pesadelo me atingiu, nada de acordar gritando e tremendo; só o sono, apenas o apagar total do descanso, e, acordar com aquela garota gritando histérica e batendo o pé poderia até ter me enervado, mas, a cara que ela fez quando pensou que tinha transado comigo... e depois quando ela começou a me secar e fazer uma cara aprovativa com o que via... Foi simplesmente impagável. É claro que assim que ela deu por si ela me olhou com nojo, como se eu fosse um inseto. Nem isso me importou muito, era até engraçado.



Ela era bem bonita também, pude ver tudo o que Collin viu nela ontem, ali de frente pra mim, só com aquele camisetão que não escondia muita coisa. Tinha um tom dourado-claro de pele, de certo conseguido com muito bronzeamento lá na Califórnia. Não sei se era por ser a primeira garota em quem eu reparava realmente depois de a Bella aparecer na minha vida, mas ela era mesmo bem bonitinha, inegável.



- A Srtª está sendo muito mal-agradecida. – a voz de Marta era de repente dura. – Foi a Srtª quem grudou nele e fez o maior escândalo para que ele ficasse aqui.



- Isso é impossível! – a garota desdenhou prontamente. Eu ri mais um pouco. Ainda era estranho, depois de tanto tempo.



- Jacob foi um cavalheiro, muito paciente e nos prestou um grande favor, a Srtª estava muito transtornada quando se perdeu...



- Eu duvido muito! – ela continuou arrogante.



- Então olhe para as próprias mãos e veja os arranhões. – Marta parecia ter desistido dos argumentos.



- OH! – eu ouvi a arrogância sumir e a garota ofegar; uma pontada de dor distinta em sua voz.



Aquele momento mínimo onde ela deixou, sem querer, a mascara cair, foi o bastante para redimi-la de toda a sua infantilidade. Lembrei-me de Marta ligando para Sam ontem e dizendo desesperada, que a “Srtª era uma boa menina apesar de... tudo”.



Enquanto eu ouvia a conversa das duas, mesmo sem querer; afinal, eu não pedi por minha super audição, fui lavando meu rosto no pequeno banheiro e andando até a cozinha pra me sentar à mesa do café e não fazer nenhuma desfeita.



A tia de Sam parecia mesmo muito agradecida e não ficaria nenhum pouco feliz se eu fosse recusar o seu café, que alias cheirava muito bem e parecia ter sido feito todo “especialmente”.



- Agora Srtª , eu quero vê-la arrumada e com bons ares naquela cozinha em dez minutos, para agradecer a Jacob Black por tudo o que ele fez pela Srtª.



- Já tô lá Marta! – ela até se esqueceu de sussurrar; parecia que a mascara tinha voltado a toda.



- ISSO, Srtª, NÃO está em discussão.



Depois dessa, eu só ouvi a porta do banheiro bater furiosa e ranger nas dobradiças.









P.O.V.



Eu acho que o poder subiu à cabeça da Marta, sabe.



Ela ta claramente se aproveitando do fato de que é ela quem está responsável pela aplicação do meu “castigo” e como ela sabe que, EU SEI que ela pode, transformar o inferno onde eu vivo atualmente em alguma coisa PIOR, ela acha mesmo que pode ficar mandando em mim desse jeito.



Coitada dela, coitadinha mesmo se acredita que eu vou dar uma de “eternamente grata” praquele índio tarado que ela colocou aqui dentro, porque afinal de contas, eu posso até mesmo ter me perdido e acreditar naquela historinha ridícula dela de “fuga”, mas daí a cair nessa de que eu quis AQUELE LÁ aqui comigo, na minha CAMA?



Essa é a historinha mais chula que já me inventaram, e olha que já tentaram fazer eu acreditar que minha melhor amiga Trace foi vista saindo de uma LIQUIDAÇÃO, outra coisa igualmente mentirosa.



Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo no alto da cabeça, já que a umidade de Washington, onde ninguém é bonito, acabou deixando ele enorme e incontrolável; e os meus produtos de reparação de danos capilares ainda estavam perdidos em alguma daquelas malas no chão do meu – eterno suspiro – quarto.



Coloquei um vestido PRADA da coleção de inverno retrasada, quase um trapo; mas eu é que não ia me produzir pra me sentar na COZINHA e tomar café da manhã com AQUELE idiota de LA PUSH. Calcei meus chinelos plataforma MIU MIU e joguei um pullover de cashmere por cima porque estava muito, muito frio, desde que eu sai da cama quentinha.



Hellow, Washington no Natal, o que eu poderia esperar? Um Solzinho?



O cheiro do café me tomou por completo enquanto eu caminhava até a cozinha – suspiro BEM GRANDE – porque nunca na vida eu comi nada na cozinha; isso é coisa de SERVIÇAL.



Marta parecia ter se empenhado em fazer tudo a que o “convidado” tinha direito.



A primeira coisa que vi, ainda na porta do cômodo-miniatura, foi aquele rapaz enorme sentado na cadeira perigosamente pequena e sem estilo, com o peito nu como se desconhecesse os graus negativos de puro gelo lá fora.



PORQUE NINGUEM MANDAVA ELE VESTIR UMA ROUPA?



Isso já estava ficando ridículo. E afinal, porque ele ainda estava ali? Será que minha cara de nojo, que - Sim Marta! Eu nem disfarcei - não era dica o suficiente.



RALA daqui infeliz.



Ele me viu entrando, sorriu um sorrisinho zombeteiro como se achasse que era ele quem fazia um grande favor de estar ali e não o contrario. Índio cretino.



- Onde estão as minhas fibras matinais, Marta? – eu, obvio, ignorei ele totalmente.



- Srtª , não vai dizer bom dia? – Marta pressionou. Eu lancei um olhar de aviso para ela.



A BRUXA PARECEU SE DIVERTIR. Ah, Marta nós nos acertamos mais tarde.



- Bom dia Sr. Black. – eu disse como se cumprimentasse uma mosca. E então me sentei na cadeira mais distante dele que era infelizmente, diretamente a sua frente.



- Bom dia Srtª . – e que tom sarcástico era aquele? Ai se eu não tivesse que me controlar na frente da Marta, esse infeliz ia se ver comigo.



Parecia ter até uma força que emanava dele e vinha contra mim, como um impulso de agarra-lo.... e PISAR em cima dele.



Ele comia com as mãos, ECA.



Era mesmo um selvagem!



E... ele era mesmo bonito,o maldito. Mesmo que eu reprimisse toda essa parte do meu cérebro para que ela não envergonhasse o restante, cometendo o erro imperdoável de se demorar naqueles MUSCULOS; definitivamente tinha academia no fim de mundo.



Eu precisava fazer a minha matricula.





Jacob P.O.V.



Depois de tirar a barriga da miséria e conter mais um monte de risadas das caretas que a tal de fazia, eu tive que me concentrar muito mais em não gargalhar até estar numa distancia segura da casa, quando, Marta finalmente fez a garota me AGRADESCER.



engasgou com o mingau estranho que comia, titubeou, enrolou o máximo que pôde, ficou vermelha, lançou olhares furiosos para a tia de Sam e finalmente disse um OBRIGADO tão baixo e a contra-gosto, que só com minha audição de lobo eu pude ouvir.



Como não poderia deixar passar a oportunidade de mexer com ela mais um pouco, eu fiz uma reverencia antiquada, bem teatral - que arrancou risinhos de Marta – e disse na minha melhor voz de ironia.



- Sempre as ordens Srtª.



E a deixei lá na porta da casa, pregada no chão, lívida de raiva. Se fosse um lobisomem tinha explodido toda a roupinha cara de marca, com certeza. Como era só uma patricinha da Califórnia, seus lábios se apertaram e ela me fulminou, me encarando de cima.



Era estranho como tinha uma espécie de força que me puxava pra ela, me fazia querer estar onde ela estava, mas absolutamente, não era nada romântico. Acho que era a minha implicância com ela, tão natural e com resultados tão divertidos.



Deus sabe que eu não me divertia há muito tempo. ERA SÓ ISSO. Eu gostava de estar achando graça das coisas de novo. Não diminuía a minha dor de cotovelo, mas me impedia de pensar NELA.



Tava andando distraído e percebi que até assoviava, quando vi Jared descendo a rua numa carranca que até parecia eu há dois dias atraz.



- Hei cara. – chamei ele com um sorriso bobo ainda na minha cara. – Levou um encontrão, foi? – perguntei animado.



- Jacob? – ele pareceu assustado, com certeza porque minha voz estava normal e até animada quando falei com ele.



- E aí? – perguntei de novo. Ele voltou a expressão torturada de antes.



- É aniversario da Kim e Sam mandou eu trocar os turnos com Seth de novo, porque Seth esta fazendo sabe-se o que com a Sue e ela precisa dele, então...



- Hiiii cara, não tem ninguém pra trocar com você não?



- Ta todo mundo ocupado, Kim vai me matar e ela vai ter razão quando fizer isso. Eu prometi que passava o dia TODO com ela e lá vou eu... RONDA! - ele cuspiu a ultima palavra.



Eu lembrei o quanto me senti bem correndo de novo, depois de tanto tempo longe da minha forma de lobo, e aí também me veio à cabeça todos esses meses de negligencia com meu bando, deixando os caras dobrarem turnos e se virarem porque a donzela aqui tinha decidido parar de mudar pra morrer logo. Eu sei, eu parecia patético demais até pra mim.



- Eu faço a ronda pra você, Jared, vai ficar com sua garota.



- Mas Jake, você não...



- Ei, sem problema, eu mudei ontem de qualquer jeito. Não comecei a envelhecer ainda. – dei um sorriso de presunção pra ele.



- Nossa Jake, valeu mesmo cara, tu salvou a minha vida. – ele quase se ajoelhou na minha frente. - Caramba, a Kim vai de-li-rar. – separou as silabas empolgado. - Eu já tinha ligado pra ela... Ela chorou. – ele fez uma careta.



Eu era um cretino egoísta de ter deixado os meus irmãos na mão desse jeito. Mas, eu ia começar a me redimir, eu acho.Fiquei realmente feliz em poder ajudar. Kim era o IMPRINT do Jared e ouvir a garota chorando deve ter feito ele se sentir um verme.



- Vai logo Jared. Vê se descola uns beijinhos por mim. – eu até fiz piada.



- Valeu. – disse ainda, enquanto corria na direção contraria, aproveitando que não tinha ninguém na rua que pudesse ver ele se movendo tão rápido quando um velocista olímpico.





P.O.V.





- Marta, o que foi tudo aquilo? Até parecia que estávamos recebendo o embaixador das Nações Unidas. – eu perguntei furiosa pra ela depois que aquele CACHORRO fez aquela reverencia ridícula e foi FINALMENTE embora. Ela ainda estava RINDO das gracinhas dele, a bobo alegre!



- Ele é um ótimo garoto, não é Srtª ? – ela ria e fazia aquela cara de adoração outra vez.



- Ah, com certeza, Marta. Se você está acostumada ao PIOR!



- A Srtª bem que deu umas boas olhadas pra ele que eu vi. – ela provocou.



Empregada LOUCA. Ela tava pedindo pra morrer.



- Não tenha um derrame cerebral Srtª , ele é muito bonito. Não precisa ter vergonha de ter espiado.



- MARTA. – eu gritei com muita raiva. – Suma da minha frente!



- Claro, Srtª. – e foi, toda alegre, e quase saltitante, para a cozinha.



Eu segui pro meu quarto, contendo o suspiro dessa vez, já que era mesmo o meu quarto e eu teria que coloca-lo na melhor condição possível praquele fim de mundo onde agora eu EXISTIA. Por que aquilo não era vida, obvio.



- Srtª , eu me esqueci, tenho algo para a Srtª que acho que vai te animar.



- Você tem um revolver carregado, Marta?



- Não diga besteiras Srtª. – ela repreendeu seria. - Seus pais disseram que eu poderia lhe dar o celular de volta quando chegássemos.



Essa era nova, e era realmente uma boa coisa. Já tinha umas 48 horas que eu não falava com a Trace e esse foi o maior tempo que fiquei sem falar com ela em toda a minha vida.



Nem quando fui para as florestas do Nepal, em uma excursão educativa eu fiquei sem falar com ela; na ocasião eu usei um telefone que funcionava por um satélite em um posto da cruz vermelha.



- Mais uma coisa Srtª. – Marta falava da cozinha. – Seu celular foi convertido para o sistema pré pago e a senhorita tem direito a dois cartões de 30$ por mês!



- O QUE? – parece que essa pergunta estava se tornando o meu jargão.



É claro que a NOVIDADE de Marta não era mesmo melhor que uma bala na cabeça. Eu não fazia idéia de quantas chamadas interestaduais se fazia com 30$, porque não sou pobre e nunca fui, então eu não conto misérias; mas de uma coisa eu estava certa, não eram MUITAS!



Eu mencionei que odiava tudo nessa NOVA DROGA DE VIDA? EU MENSIONEI?



Nem fui até lá pegar o celular, nem tinha mais graça mesmo. Eu esperaria a hora em que eu pudesse usar o MEU computador, que nem parecia mais meu, então eu mandaria um e-mail qualquer pra minha melhor amiga e se ela tivesse pena da alma sofredora que sou eu, ela me ligaria, no intervalo entre seu maquiador e seu cabeleireiro, antes de ir pra balada da noite e aí eu poderia ter algum, PEQUENO e MINIMO conforto.





Jacob P.O.V.



Fui arrancando a minha calça e amarrando no tornozelo, o calor percorrendo minha espinha, tão conhecido, tão fácil e instantâneo. Joguei meus braços pro alto como quem se espreguiça e quando eles desceram novamente, atingiram o solo; eu já era um lobo. Comecei a correr para leste contornando o perímetro esterno que sempre patrulhávamos primeiro.



Jacob? A voz em minha cabeça era a de Leah, ela estava correndo no sentido contrario e ainda tinha mais três horas de ronda pelo que pude captar de seus pensamentos. Estava surpresa em me ver. Não desistiu dessa vida, garoto? Ela meio que repreendeu.



Só fazendo um favor pro Jared. Eu não preocupei em desmentir porque eu não sabia se realmente ia voltar pro bando, tentei não pensar nisso também. Leah não era uma grande respeitadora do espaço alheio e eu não queria uma “conversa intima” com alguém em minha cabeça.



Graças a Deus!



Epa, essa era nova. Leah não ia com a minha cara e agora estava grata por me ter na ronda e não o Jared?



Gosta de mim agora, Leah?



Eu provoquei.



Não enche pirralho.



Leah, doce como sempre! Mas então ela não se controlou e eu vi o porque do alivio dela. Eu não era uma pessoa IMPRINTED e ela não teria que passar as próximas horas sentindo a falta do “amor eterno” através da mente de outra pessoa.



Parece que eu fiz um favor a você também.



Eu soltei um uivo-risada.



Ah, claro Jacob. Te devo a minha vida. Quando quer que eu pague?



Ela pensou azeda, mas ainda sim me preferia no lugar de Jared porque pelo menos eu também sofria um pouco da dor que ela sentia.



Essa doeu então fiz um imenso esforço pra me concentrar nos borrões de verde passando por mim, meus músculos tensos na corrida frenética.



Como não tava adiantando eu pensei naquela manhã, o rosto de cheia de raiva de mim na porta de sua casa, me divertindo com a memoria.



Uma garota, Jake?



Leah estava interessada, de repente.



Cuide de sua vida.



Eu ladrei.



Os pensamentos dela foram até o dia em que pedi para Sam ir atraz de Bella e os Cullen por vingança, ela não conseguia controla-los e eu comecei a rugir pra ela. Leah teve muita pena de mim naquele momento e teve medo que eu nunca mais me envolvesse com uma garota de novo quando viu o quanto machucado eu estava; ela me achava muito jovem pra sofrer as coisas que ELA sofria. Eu ia voltar a forma humana pra me livrar disso. Eu ia fazer isso agora mesmo.



Não vá Jacob, por favor.



Ela lamuriou-se por me fazer sofrer. Eu continuei como lobo, mas parei a corrida e esperei que ela não pensasse em nada daquilo de novo.



É claro que ela me fez lembrar exatamente de como eu me senti na ocasião e isso não me ajudou em nada. Eu queria justiça pela vida humana que se perdera, mas de que vida eu falava naquela época, da minha ou da de Bella? Lembrei de como me sentia inútil e culpado por não ter sido o suficiente para ela, por não ter conseguido traze-la para uma vida, não normal; mas pelo menos, humana.



Não deve se punir Jacob. Ela nunca te mereceu.



Ela não se conteve.



Como é o seu vestido de dama de honra, Leah?



Eu alfinetei sem dó.



Já entendi Jacob, Já entendi!



Ela se defendeu.



Bella é o seu Sam.



Esse pensamento realmente escapou, eu soltei um gemido.



Informação demais, Leah.



Ficamos um bom tempo nos controlando e fazendo nossa ronda até que ela voltou com assuntos mais leves, não que eu quisesse conversar, mas tinha escolha?



Quem é a garota, Jake? Não vou pensar nada que eu não deva. Me conte.



Toda mulher gosta de fofoca - Eu pensei e ela grunhiu um - “Eu ouvi isso Jake.”



Sabe a tia de Sam, que se mudou da Califórnia recentemente?



Sim



É a tal de Srtª , a garota que veio com ela, a filha dos patrões.




Eu esclareci, querendo saltar fora desse assunto.



A patricinha?



Leah perguntou com sarcasmo, com certeza tinha ouvido falar da garota pelos outros do bando e agora analisava como se tivesse gozando da minha cara por escolhe-la.



Eu não quero nada com ela Leah.



Disse começando a ficar de mal-humor com o rumo da conversa.



Então porque pensou nela pra se destrair?



Ela estava adorando tudo, acreditava ter captado uma paixonite no ar.



Vá lamber sabão Leah.



Eu cuspi.



Todo nervosinho.



Que ótimo, agora eu estava fazendo a ronda da Leah mais feliz, às minhas próprias custas. É realmente uma forma LINDA de passar o dia.



Ela uivou uma risada.



Você foi trocada na maternidade, Leah?



Eu perguntei, serio.



Claro que não. Porque?



Ela parou de correr.



Sue e Seth são muito agradáveis, certamente não é de família.



Eu falei amargo, querendo atingi-la.



Ah! Diga uma coisa que eu já não saiba, Jacob.



Ela deu de ombros.



Como a minha tentativa de insulta-la não resultou em nada, ela ficou na minha cabeça por pelo menos mais uma hora e meia enquanto não vencia a ronda dela, e eu, no final daquela hora e meia, já estava achando que o meu favor para Jared fora maior do que ele um dia mereceu.













Capítulo 5 - Levemente Bêbada!



P.O.V.

Estávamos NISSO à quase uma semana, não melhorou nada; na verdade eu começo a entender que não irá mudar, nenhum milagre, nenhum amigo caindo do céu em uma missão de resgate... nada!

Alias, é bom falar disso. Eu ainda tenho amigos?

Já faz quatro dias que eu enviei um e-mail para Trace e ela nem sequer deu sinal de vida.

Opção n° 1 - Ela é uma vadia traidora!

Opção n° 2 - Ela está nesse momento envolvida em um instigante circuito de festas de final de ano, que envolvem viagens em jatinhos particulares fretados por filhos de milionários, tudo EXTRA-escondido.

Meu voto é na segunda opção, já que a primeira faria eu arrancar os poucos cabelos que me restam, já que eles começaram a cair com toda essa umidade.

Acho que preciso reconhecer, que sejam quais forem os motivos deles, aqueles que um dia eu amei e em quem um dia confiei... O negocio é que eu fui abandonada pra morrer sozinha. E agora parece exponencialmente pior, porque é véspera de natal, VESPERA DE NATAL!

Quem era a pessoa em todo o mundo que tinha um calendário de natal que começava a vigorar duas semanas antes da véspera? Quem em todo o mundo considera o natal a coisa mais perfeita de todo o ano?

Sei que isso é infantil, mas FODA-SE, pra mim o papai Noel existe sim! Ou ele existiu enquanto eu VIVI de verdade em um mundo de verdade e não em um PESADELO AO VIVO.

É, apenas, A ÚNICA ÉPOCA DO ANO em que vejo meus pais por mais de dois minutos!

A ceia de natal da minha família fecha um salão inteiro no Plaza em Nova York e todos os Beafarth comparecem e ganhamos presentes de exibição, ou seja, coisas que nem os seus pais deixariam você ter, mas que, para chocar o resto da família e causar sensação, te presenteiam mesmo assim. Vide, o colar de diamantes e platina da Tiffany & CO que minha prima Larah de quatro anos, faturou no ano passado. Ela tem QUATRO ANOS, aquilo devia pesar mais que ela.

E... minha beleza parece ter ido embora com os cabelos! Nem os meus produtos suíços de reparação funcionam mais, eu ainda tenho olheiras de um morto vivo depois de três camadas de corretivo.

Minha lente de contato de um perfeito verde-mel está bem dizer descorada de tanto agüentar água e mais água que sai do meu olho por toda essa situação, ou até mesmo, água que pinga em cima de mim vindo direto da goteira no meu quarto.

ISSO é serio! Eu tenho uma GOTEIRA. Eu nem conhecia essa palavra até uns dois dias atraz, quando Marta entrou em meu quarto com uma panela e disse.

- È para colocar embaixo da goteira do telhado Srtª. Assim que o tempo melhorar, Samuel me disse que vem concerta-lo.

Eu tentei mostrar para Marta as minhas olheiras e implorar misericórdia.

Porque, sabe, eu que sempre dormi como uma pedra, não prego os olhos nesse lugar. Acordo tremendo de frio a noite inteira por mais que eu esteja soterrada pelos cobertores chechelentos que MARTA arrumou.

A única noite em que tive um sono decente nessa droga de quarto foi àquela noite em que eu dormi com AQUELE MALDITO INDIO. O que deve ser atribuído ao fato de que na ocasião eu estava, segundo fontes, apenas semi-consciente e delirante. E NÃO AO FATO DE EU TER DORMIDO COM ELE, É CLARO!

Mas, alegar qualquer coisa nessa situação de cárcere é receber um “humpf” e uma tarefa. Da primeira vez, Marta me colocou para desfazer as malas.

Ainda estou desfazendo!!!!!

Parece que mais do que PODER subiu a cabeça dela, já que segundo ela, parte da minha pena é arrumar o meu quarto também! Tipo, não é pra eu CORDENAR a arrumação ou fazer o designe do interior, eu devo mesmo tirar minhas roupas da mala e dobra-las na comodazinha miserável e cheia de farpas que vai acabar com as peças de seda chinesa, peças que custaram mais do que essa casa inteira!

É muito serio, quando eu digo que ainda vou afogar a Marta e esconder o corpo E não vai ser muito difícil com toda a água que cai por aqui.

- Srtª , porque ainda não está pronta? – Marta apareceu com o que ela deve pensar que é uma roupa bonita, olhando pra mim com uma carinha toda descrente e agitada.

- Do que está falando, mulher? – eu perguntei na inocência completa do porque ela estar semi-produzida e ansiosa.

- Eu disse pra Srtª que Sam estava vindo pra nos levar a Ceia de Natal na casa dos Clearwater.

- Não disse não. – eu argumentei.

Ela tinha dito que ia passar o natal com o parente dela na casa de alguns moradores locais, FOI ISSO QUE ELA DISSE.

- A Srtª achou que ficaria sozinha? – ela agora estava rindo toda doce para mim.

- É claro. – e aquilo não tinha graça, em 16 anos essa seria a única noite de natal que eu teria de passar gemendo de frio e chorando.

- Não! Eu nunca a deixaria sozinha, filha. – e ela me abraçou. – Sei que não chega aos pés do Plaza com sua família, mas nós teremos orgulho em recebe-la como se fosse da família também.

Nem tive coragem de falar algum impropério ou ressaltar que REALMENTE não chegaria nem aos pés do PLAZA, porque, ela - ela ... ela me chamou de FILHA.

Ela não me chamava assim desde que eu fiz 10 anos e minha mãe mandou os empregados me obedecerem.

P.O.V. Jacob

Billy tava me torrando o saco com essa coisa de Ceia de Natal nos Clearwater. Aparentemente, TODOS iam para lá porque era a maior casa e assim ninguém precisaria ficar de fora congelando.

Não que qualquer dos lobos fosse congelar, de todo jeito, mas como éramos apenas uma parcela dos convidados a escolha da casa fazia sentido, mas isso não me importa, é muito bom que não seja aqui. Assim fica mais fácil fugir.

Rachel e Paul já estavam por lá à séculos. Todas as mulheres foram ajudar com a comida e a decoração, e obvio, arrastaram os namorados idiotas para o trabalho pesado.

Rach saiu daqui me xingando antecipadamente caso eu não fosse e prometendo me trucidar quando eu não aparecesse mesmo.

Eu... bem, não estava nenhum pouco no clima. Não tinha animo para toda a muvuca que com certeza rolaria e estava ainda menos disposto a ser o único rabugento no NATAL FELIZ DA GALERA. Porque você pode acreditar nisso ou não, mas até mesmo a Leah tinha desencalhado.

Foi recente, muito recente, coisa de ontem, mas já pegava fogo. O Embry que o diga, já que foi ele o responsável por tal proeza. Nem me pergunte como esse DESASTRE se deu, tudo o que eu sabia era que não se tratava de mais um IMPRINTING, então, menos mal.

- Jake, eu já lhe disse que não vou se você não for. – Billy continuava com a ladainha. – E eu QUERO MUITO IR, Jacob. Pense no PERU.

Ele implorou, e parecia até um daqueles cachorrinho que ficam olhando para o forno de frango assado. Se eu tivesse humor para rir dele eu até tinha rido.

- Sai logo daqui, PAI! – eu ralhei com ele.

O telefone tocou e eu prontamente o ignorei. Billy rolou a cadeira até a extensão e atendeu.

- É pra você, Jake. – ele falou, sorrindo satisfeito.

- Não estou em casa! – amarrei a cara pra alegria dele.

- É o Sam. - ele disse ainda animado.

Claro que ainda estava animado, se era Sam, eu TERIA que atender.

- Hei Jacob, me faz um favor, cara! – Um Sam todo atarantado me pediu. – acabei de achar um furo do tamanho de uma bola de beisebol no radiador do meu carro e eu preciso buscar a tia Marta. – ele interrompeu o que ia falando pra gritar alguma coisa pra alguém e então voltou ainda mais atarantado. – Passa lá pra mim, antes de vir?

- TÁ, ta, vocês conseguiram, estão satisfeitos? EU VOU! – bati o telefone.

- Não precisava ser grosso garoto, não te criei assim! – Billy advertiu. Eu ignorei.

Calcei um Tênis e peguei um casaco mesmo sem precisar, puro habito. Já tava de calça jeans então nem me troquei. Como já tinha tomado banho e meu cabelo tava crescido e espetado demais pra se acalmar mesmo se eu ESMURRASSE ele, conclui que não tinha mais nada a fazer pela minha relis aparência – não que isso importasse – e fui pegar as chaves do carro.

Billy, é claro, continuava a encher o saco.

- Não vai se arrumar melhor, filho? Não somos tão pobres pra você passar o natal vestindo jeans rasgados nos joelhos. E use aquela camisa que Rebeca te mandou de aniversario, fica bonito com ela.

- Não enche, velho! – e fui empurrando ele pra fora e fechando a porta com muito tédio, me preparando pra ficar amuado e fingir alegria em alguns momentos, o de sempre.

- A comida vai ser BEM BOA. – Billy estava feliz que só e batia na barriga antecipando uma felicidade maior. – Sue me prometeu uma torta de amoras.

- Claro, Claro.

- Ânimo Garoto. Até parece que o homem velho aqui é você! – e riu contrafeito.

Abri um sorriso bem sarcástico pra ele, que gargalhou.

P.O.V.

Respira fundo, , você vai passar o natal com o PROLETARIADO.

Vamos ser otimistas já que em vez de chorar e tremer de frio você irá se aquecer em alguma casinha minúscula cheia de gente pobre sem nenhuma noção de elegância, e, talvez até seja útil pra quando você for uma atriz famosa e precisar interpretar algum papel mais excêntrico para o cinema.

Eu não ia de qualquer jeito como a minha depressão queria que eu fosse, claro que não. Poderia estar na lama, mas ainda era NATAL e eu ainda era Violet Gerard Beafarth , já que minha identidade eles não puderam tirar.

Esse povinho ia ter A VISÃO te toda a vida, quando eu entrasse com meu casaco de pele de vison, branco, minha combinação Chanel de lã azul escura; meus sapatos Christian Louboutin classicos, com uma maquiagem impecável para a noite e um cabelo que não colaborava, mas que estava preso em um coque-trança glamuroso e adornado com uma presilha DeBeers de diamante, ouro branco e safira que acompanhava brincos do mesmo.

Eu esperava que o carrinho do tal de Sam ainda andasse, já que era ele que vinha nos buscar; porque simplesmente não se coloca um Christian Louboutin no chão de terra ou neve, que seja.

Andei até o projeto de sala onde Marta me aguardava, toda ansiosa por já ter me gritado umas cinco vezes dizendo que nossa carona já devia estar chegando a qualquer momento e não era educado faze-lo esperar.

Hellow Marta! As pessoas me esperam. Elas fazem isso pela honra da minha companhia.

Ai eu percebi que ela ainda estava lá toda SENTADA. Ou seja, era o idiota do sobrinho dela que estava fazendo a gente esperar, afinal. Isso era um insulto e eu pensei duas vezes em ir até meu quarto e me trocar. Quem ele acha que é pra me fazer esperar?

O telefone tocou e ela atendeu imediatamente.
- Claro querido, não, não se preocupe, a Srtª ainda não estava pronta, de qualquer jeito.

Lancei um olhar de indignação para ela, na mesma hora que ela sorria toda satisfeita com alguma coisa que o sobrinho tinha dito.

– Ah, sim, isso é ótimo, obrigada Sam. – e desligou me olhando com aquele sorriso irritante dela que não poderia indicar nada de bom PRA MIM.

Não deu outra. A campainha da porta tocou assim que ela depositou o telefone no gancho e lá foi Marta abrir a porta.

Primeiro eu olhei melhor aquela figura parada na porta, depois eu tentei digerir aquilo.

O tal de Jacob Black tava lá, encarando, não parecendo mais satisfeito do que eu estava quando fui informada de que iria a uma Ceia de proletários hoje, com certeza não tinha os mesmos motivos que eu pra não gostar, já que ele era a própria visão do mendigo padrão das ruas de Beverly Hills no inverno.

Um tênis barato comprado em loja de departamentos, não que eu conheça as coisas compradas nessas lojas, mas, DE NOVO, eu vejo TV. Uma camiseta cinza de algodão por baixo de um casaco velho e comum do tipo Traje de Biosegurança, e, o que era aquele jeans dele? Tinha dois buracos enormes e desfiados, um em cada joelho e “Hei baby”, o grunge deixou de ser interessante assim que Kurt Cobain morreu. Se liga!

O mais impressionante, claro; era o fato de ele estar usando roupas que não aqueceriam nem no inverno de Beverly Hills quanto mais no inverno em Washington.

E, lógico, que eu não podia admitir isso pelo bem do meu orgulho, mas esse fato não era a única coisa impressionante, era mais uma segunda coisa, na verdade.

Que nem eu me ouça, mas – RESPIRA - ele estava tão completamente GOSTOSO e LINDO, mesmo vestido como um mendigo!

Jacob P.O.V.
Toquei a campainha da casa, me lembrando da noite que passei ali e conseqüentemente me perguntando se a “Srtª ” estaria agora com sua família longe daqui.

Achei que isso era bem provável já que era Natal e os pais não iriam querer passar longe dela, ouvi Sam dizer um dia desses que ela era filha única e tals, talvez isso explicasse ela ter sido tão estragada e mimadinha.

Desejei inutilmente, e me repreendendo por isso, que ela estivesse aqui em La Push e pudesse ir até os Clearwater também, ao menos seria algo pra eu fazer enquanto todos se divertiam, implicar com ela e rir de suas caretas.

Assim que a tia de Sam abriu a porta, os meus olhos forma sozinhos e sem nenhuma permissão para a garota que estava de pé, do outro lado da sala. Meu coração deu um pulo do que me pareceu alivio e eu comecei a duvidar um pouco mais da minha sanidade mental porque não era pra ele agira assim.

Outras reações assolaram o meu corpo e foram bem repreensivas também; Vestida com muito exagero em um casaco de peles e um salto alto muito fino, com jóias verdadeiras no cabelo e nas orelhas, estava pronta para o tapete vermelho do Oscar. Toda chique, e afetada ao máximo, parada numa elegância ereta e com o nariz arrebitado acima do nível dos olhos.

Eu poderia rir dela naquele momento por se arrumar desse jeito pra ir à casa dos Clearwater mas... Ela estava BONITA DEMAIS pra que alguém pudesse rir.

Então eu só fiquei com uma cara de bocó, ali parado, encarando ela sem conseguir me desviar, tentando apertar o maxilar pra não BABAR e parecer ainda mais idiota. Tentando me lembrar das palavras pra perguntar à tia de Sam se já poderíamos ir.

Tia Marta nos olhava com um sorriso esperançoso e cheio de carinho, que me trouxe a realidade das minhas ações e eu finalmente parei de bancar o vagabundo que admirava a dama.

Quando entramos no carro eu pude ver Billy me lançar aquele olhar de: “eu bem que disse pra você se arrumar” e contive o comentário mal criado.
Ela me olhou apenas enquanto eu a admirava na soleira da porta, pareceu haver algum brilho nos olhos verdes, e depois, quando seguimos pro carro e no caminho até os Clearwater, ela manteve uma expressão ilegível e não olhou em minha direção nenhuma vez, decerto querendo provar que pra ela eu não existia e continuava sendo o mesmo inseto de antes. Sem perceber eu pus um sorriso verdadeiro na cara e acelerei um pouco mais.

No carro, o cheiro de cerejas, margaridas e biscoito doce, era como uma aura palpável. Extremamente delicioso.

P.O.V.

O carro do idiota do Black era um pouco mais agradável que o lixo que o sobrinho da Marta dirigia, mas no final, igualmente insignificante. Tinha aquele cheiro de pinheiro e chocolate que me fez bem, mas tinha também o sorrisinho presunçoso do panaca, quando me olhava prelo retrovisor, o que, aliás, ele fazia com mais freqüência do que seria aceitável.

E é claro que eu notei como ele me secou quando tava parado na porta da casinha. Mais um cachorro pra sua coleção de coleiras !

Coloquei aquela expressão de paisagem que a educação manda quando estamos indo visitar pessoas desconhecidas pela primeira vez. Eu não abandonaria minha classe só porque não existia esse quesito aqui no fim do mundo. É claro que as vezes a onda de desapontamento me atingia e eu tinha que engolir em seco o choro na minha garganta.

Porque ELES tinham me deixado aqui no Natal? Eu achava que nenhuma besteira que eu tivesse feito valia algo assim, vindo de meus próprios pais. Sentia-me rejeitada e miserável por mais que mantivesse a mascara do “estou muito bem, obrigada” colada permanentemente em meu rosto.

Black estacionou o carro e abriu a porta antes que eu pudesse fazer isso, ele tinha aquela velocidade e graça estranhas, eu tinha me esquecido até vê-lo do lado da porta, tão rápido.

Obviamente ainda restava algum resquício de civilidade naquele POBRE COITADO, mesmo que ele tenha fingido fazer isso por Marta e não para mim.

Depois ele foi até o porta malas e pegou a cadeira do pai dele colocando o senhor nela sem esforço nenhum, também, se eu bem me lembrava do tamanho DAQUELES MUSCULOS... – Pare com isso, sua imbecil – eu me repreendi antes que pensasse coisas impróprias. Ele era só mais um INDIO QUAQUER, DAQUI DO FIM DO MUNDO.
Fomos recebidas por uma mulher de cabelo curto e uma expressão enérgica.

- Srtª , seja bem vinda. É um prazer ter a Srtª conosco essa noite. – ela foi muito educada e tinha uma voz profunda e verdadeiramente encantadora.

- Me chame de , por favor. – eu concedi com um sorriso educado, afinal ela não era minha serviçal e eu estava em sua casa, não era adequado ela me tratar pelo sobrenome.

- Então, . Seja bem vinda, eu sou Sue. – ela ofereceu uma mão que eu aceitei.

Lá dentro tudo era muito simples como eu já tinha esperado, mas era muito limpo também e a decoração, mesmo gasta em algumas partes era de muito bom gosto; toda tradicional como eu gostava que fosse, além do bônus de estar fazendo calor o suficiente dentro da casa, pra que eu tirasse o casaco e ficasse confortável.
Uma garota vinha descendo as escadas de madeira se encolhendo das cócegas de um garoto que vinha logo atraz dela. Garoto virgula, porque era quase tão alto e largo nos braços quanto o Black que já tinha se sentado no sofá de dois lugares como se a casa fosse dele. Era uma menina comum, os cabelos lisos e muito negros eram inegavelmente bonitos, mas ela não era nenhuma grande beleza pra que o cara a olhasse como um cego que via pela primeira vez depois de décadas sem enxergar.

- E aí Jared, o Seth sabe que você tava “usando” o quarto dele? – Black perguntou com um sorrisinho de zombaria e a garota abaixou a cabeça constrangida.

- Inveja mata, Jacob. – o outro sorriu e enlaçou a garota pela cintura sem deixar que ela se afastasse nem um pouco sequer.

- Jake!!! – uma garota toda linda, que era o clone da vocalista do Pussycat Dolls, veio correndo do que devia ser a porta da cozinha e pulou no colo do Black.

Eu enrijeci com aquela cena e depois me soquei mentalmente por essa atitude sem sentido.

– Você veio, irmãozinho. – ela tentou beija-lo na bochecha e ele se esquivou fazendo uma careta.

– Paul, você deu bebida pra minha irmã, seu imbecil?

Ah, então ela era irmã dele. Ta explicado.

Eu continuei sentada na poltrona que me foi oferecida, com os tornozelos cruzados e esperando um meteoro cair na minha cabeça.

A garota do tal de Jared deve ter me visto toda deslocada e veio até mim, ela parecia muito boazinha, o tipo que faz a caridade de enturmar os deslocados.

- O meu nome é Kimberly, mas pode me chamar de Kim. – ela ofertou a mão. – Você é a Srtª , não é?

- Só . – eu disse sem-graça.

- Você é muito bonita. – ela olhou um pouco envergonhada pros meus pés. – Os seus sapatos também. – ela sorriu sem jeito.

- Você tem os cílios que minha melhor amiga Trace morreria pra ter. – eu me vi confidenciando à garota mesmo sem querer, porque realmente, vendo-a de perto ela tinha as pestanas longas e grossas mais incríveis que eu já vira. Ela sorriu toda encabulada para mim.

- Jura?

- Claro, porque você não passa um rímel aí, eles iam gritar mais alto que um mega-fone. – eu falei baixinho, só pra ela.

- Não tenho muito jeito com maquiagem. – ela também confessou.

- Passa lá em casa um dia desses que agente muda isso. – eu pisquei pra ela.

Peraí, eu PISQUEI pra garota. O que eu tava fazendo? AMIZADES? Alguém me tira daqui, rápido, na velocidade da luz!

- Isso seria muito legal. – ela falou e então o namorado veio interromper o nosso papinho pra monopolizar ela.

Eu nunca tinha visto um cara mais apaixonado na vida. Ele me cumprimentou sem nem ao menos me olhar nos olhos, parecia que enxergava só a Kim, não que eu fosse querer que ele me olhasse nem nada, mas fala serio, porque aquilo foi ESTRANHO.

- Eu sou a Rachel. – a irmã do Black me cumprimentou em seguida. Eu respondi um “Meu nome é ” e logo o cara que devia ser o Paul apareceu puxando ela pra cozinha de novo e adivinhem?

Ele tinha a mesma cara de adoração do tal de Jared. O que essas garotas faziam com os homens daqui? Voodu? Isso só podia ser macumba das brabas.
A coisa só piorou quando conheci Emily, noiva do Sam.

Marta já tinha me explicado que a garota ficou com metade do rosto desfigurado por um acidente com um urso selvagem e tal, e eu me tremi de medo dessa floresta maluca, e fiquei com uma grande pena antecipada da garota, já pronta a dar o telefone do cirurgião plástico da minha mãe pra ela e tudo.

Mas aquela mulher não precisava de um cirurgião plástico porque os olhares de Sam para ela eram ainda mais apaixonados e psicóticos do que os olhares de Jared e Paul pra suas namoradas.

Eles se moviam inconscientemente juntos, adaptando o movimento um do outro para estarem sempre perto mesmo sem se tocarem, aquilo era um soco no estomago de qualquer garota disponível e atualmente deprimida no mundo.

Era como estar dentro de um filme meloso daqueles mais melosos e mesmo assim não era meloso demais porque era real e sem exageros clichês de romances baratos. Até consegui ver a beleza por de traz das cicatrizes e aí sim ter pena, não por ela, mas pelo mundo que perdeu aquela beleza. Deve ter sido ainda mais bonita do que a irmã do Black, antes de ter aquilo gravado no rosto.

Acho que aquela foi à deixa para eu me esgueirar até a varanda sem que me percebessem e fitar a escuridão a minha frente, tão parecida com a escuridão que se abatia sobre o meu coração, e, deixar a minha mascara cair.

Jacob P.O.V.
O clima tava exatamente como eu pensei que estaria, todo aquele pessoal IMPRINTED reunido e sendo feliz de verdade.

Só não tinha vomitado ainda porque na poltrona ao lado do sofá onde eu me sentava, estava alguém que parecia passar pela mesma provação que eu.

Embora ela tenha decepcionado a minha expectativa de diversão as suas custas, não fazendo nenhuma careta e nem destratando ninguém - Até conversou com Kim como se fossem ser amigas ou alguma coisa do tipo - Parecia uma outra pessoa, debaixo de todo aquele desfile de moda ambulante que ela vestia. Quase como se ela fosse real e não a boneca Barbie da minha visão de mais cedo.

Eu esperei que ela estivesse toda arrogante hoje, mas do que nunca por ser uma “festa”... E então, parecia ter alguma coisa diferente rolando. Às vezes era como se eu captasse tristeza nela, dor de verdade por baixo daqueles olhos verdes de cor artificial.

Ficava espiando a garota sempre que podia disfarçar. Vi os garotos me lançarem olhares do tipo “Vai lá, cara!” e fechei uma carranca pra eles quando faziam isso. Eu não ia me meter com essa garota, o que é que eles estavam pensando afinal? Até Rach me lançou um desses olhares depois de a menina ter sido educada e atenciosa quando ela a cumprimentou.

Quil chegou com Claire um tempo depois e a pequena pulou no meu colo. Enquanto eu fazia cafuné na criança ele me lançou os olhares mais sugestivos de todos os olhares já lançados e ainda ficou murmurando umas coisas em voz baixa to dito.

- Vai lá Jacob, a garota parece bem desanimadinha, essa vai ser fácil.

Eu fazia uma cara assassina pra ele e me segurava pra não espanca-lo porque isso pareceria suspeito.

- Onde ela está? – ele perguntou depois de um tempo que eu não olhava para .

Eu procurei descaradamente a garota com os olhos e nada. Levantei preocupado, porque afinal aquela doida já tinha fugido uma vez, poderia muito bem fazer isso de novo. Deixei Claire no chão e Quil ainda teve tempo de me mandar um OK e uma piscadela enquanto eu saia da casa já atulhada de gente.

Passei os olhos depressa por toda a varanda dos Clearwater já procurando pelo cheiro dela também. Fui assaltado pela fragrância distinta, próxima demais a mim. Ela estava em um canto escuro e remoto da varanda mesmo, segurando a mureta de madeira e com os olhos perdidos na imensidão da mata.

Pelo perfil que a lua traçava eu pude ver um filete de lagrimas traçar o rosto dela e de repente um bolo nasceu na minha própria garganta como se eu também precisasse chorar. Queria poder abraçar aquela garota e proteger ela como fiz na noite em que ela se perdeu; eu queria aquecer ela pra que suas mãos não parecessem tanto com garras gélidas e frágeis e aquele sentimento foi quase como uma ordem do meu alfa, me compelindo a chegar mais perto, atravessar as barreiras que nos separavam.

Fiz os meus passos emitirem som nas tabuas de propósito, dando uma dica da minha aproximação. Ela ficou rígida imediatamente e se virou de costas o mais rápido que pode, com certeza pra esconder os vestígios do choro.
Coloquei minha mão esquerda em um de seus ombros sem me conter.

- . – eu chamei com a voz baixa e tentando controlar o nível de preocupação que de repente era obvio na minha voz.

- Eu estou bem. – ela deu um risinho sem humor, era triste demais pra ser arrogante.

- Posso ajudar? – eu tentei não parecer um idiota.

- Eu acho que não. – ela continuava com a mesma expressão resignada de tristeza.

- Eu posso tentar? – insisti. E afinal, porque eu estava insistindo? Serio, a loucura tinha mesmo me tomado de vez.

- Você pode me abraçar? – ela falou aquilo tão baixo que era como se nem ela mesma tivesse consciência de estar falando.

Fiquei pregado no chão por um quarto de segundo antes de vira-la delicadamente de frente para mim e abraça-la com cuidado, tentando barrar o ímpeto de aperta-la ao máximo contra mim como se assim pudesse protege-la de tudo. Ela teve de ficar na ponta dos pés mesmo com seu salto alto.

- Obrigada. – também saiu muito baixo e ofegante. – Você é confortável. – ela disse quase recuperada da tristeza. – Tão quentinho!

E eu rapidamente me afastei dela, deixando-a com uma cara assustada e muito pior que a anterior.

- Me desculpe. – ela balbuciou tentando engolir o choro e se afastar.
Jacob, sua mula, o que você tinha feito? A garota não ia descobrir todo o seu segredo só porque notou que você era quente, seu infeliz. Me aproximei dela e olhei em seus olhos, coloquei minha mão na mão dela e a puxei pra mais perto.

- Me desculpe você. – eu falei a abraçando de novo, mas dessa vez ela não tentou ficar da minha altura e envolveu minha cintura como pode. – As vezes me falta uns neurônicos, ignore. – eu tentei soar engraçado.

Ela riu, Parece que tinha dado certo.

P.O.V.

Até onde temos controle sobre nossas vidas? O quanto podemos fazer por nós mesmos e quando é que realmente precisamos de ajuda?

EU precisava de ajuda. Não queria encarar isso de frente, mas mesmo assim eu precisava.

Se eu pudesse escolher a forma como essa ajuda viria até mim, eu com certeza escolheria uma maratona de compras em NY, passando pela Barneys ou Bloomingdales; depois me encontrar com Trace em Soho pra tomar capuccinos desnatados com chantily sem gordura; e então quando as férias de natal acabassem, voltar para minha maravilhosa Beverly Hills e passar o fim de semana no Ultimate Spa Gift esfoliando cada centímetro do meu corpo e fazendo minhas unhas e retocando as mexas douradas do cabelo...

- Você pode me abraçar? – Acho que ISSO era só o que eu poderia descolar agora.

E ele era tão alto que nem os meus Louboutin de salto 15 alcançavam o mesmo nível. Me estiquei e ele me ajudou, ele tinha aquele cheiro inebriante de manhãs de natal e era tão quente, eu tinha me esquecido disso.


- Obrigada. – eu tinha perdido minha voz em algum lugar, talvez no mesmo lugar onde deixei o resto da minha sanidade! – Você é confortável. – O que eu estava fazendo? – Tão quentinho! – Essa não era eu.

E então tudo acabou, ele se separou de mim tão rápido e o frio inesperado me fez tremer um pouco.

Aquilo me assustou, queria brigar com ele pra voltar pra onde estava, queria ordenar que ele fizesse isso; Tentei encontrar meu orgulho e sair dali, a dor surgindo na minha garganta por segurar o choro. Quem ele pensava que era? Aquele estúpido! Ai como eu me odeio por ele ter me visto assim...

- Me desculpe. – foi o que saiu em vez dos insultos que eu devia ter dito. Comecei a me virar pra sair, mas aquela mão enorme e muito, muito quente, me puxou de volta, aqueles olhos negros me perscrutando como se me enxergassem por dentro.

- Me desculpe você. – ele disse em um tom servil, me abraçando de novo ainda mais acolhedor do que antes. O calor e o cheiro perfeitos me impedindo de fugir dali mesmo que eu quisesse. – Às vezes me falta uns neurônicos, ignore. – Ele fez piada de si mesmo, gostei daquilo; um pequeno sorriso verdadeiro escapou por meus lábios.

Estar nos braços dele era tão seguro, tão certo, era quase inevitável não me sentir no céu, mesmo estando BEM LONGE do céu. Era como estar na presença de algum anjo, um anjo com muito calor e muita luz.

PeraÊEEEEEE!!! O anjo, o anjo da morte no meu delírio. Não era só um delírio. Era ele. Só poderia ser ele.

Não ousei me separar do abraço, mas ergui minha cabeça para fitá-lo. Ele tinha uma expressão tranqüila no rosto bonito.

- Eu agarrei mesmo você naquele dia, não agarrei? – Agora eu queria cavar um buraco na terra com as minhas unhas de 800$ e enfiar a minha CABEÇA PIFADA lá dentro. Ele sorriu pra mim de uma forma cúmplice.

- É, eu acho que sim! – respondeu com aquela voz rouca e majestosa dele.

Como um PROLETARIO tinha uma voz daquela? meu DEUS! Foco, , FOCO!

- Eu achei que você fosse algum tipo de “anjo da morte”. – eu me defendi num ato impulsivo e me arrependi imediatamente. Aquilo soou biruta e macabro.

Um ponto para o índio já que ele segurou bem a risada com o meu comentário.

- Sou tão assustador assim? – ele se fingiu de ofendido fazendo um bico. Era TÃO BUNITINHO.

, acorda sua perturbada! É só o BLACK, o idiota, infeliz e NADA do Jacob Black.

- Você é bonito. – uma parte desconhecida de mim falou num tom de obvio que me fez corar.

OH MY GOD!!!!!!

Eu estava errada, porque, afinal, tiraram a minha identidade também.

QUEM ERA ESSA IDIOTA TODA DERRETIDA E “CORADA”? , o que você fez comigo?

Desde quando eu era do tipo “garota corada”? Desde quando?

A ultima vez que eu corei, eu tinha 12 anos e Peter Blunch tinha acabado de puxar a alça do meu soutien, fazendo barulho, no meio de uma aula de matemática da Srª Gohdstüin.

- Você que é bonita, Srtª . – ele falou olhando pra mim e sem demonstrar nenhum deboche, dessa vez. – Muito bonita.

E eu estava toda emocionada como se tivessem acabado de anunciar meu nome para a lista VIP de um novo salão de compradoras de luxo na Melrose.

Meus pés começaram a subir em ponta sem a minha permissão e Black me apoiou com as mãos absurdamente quentes na minha cintura, me ajudando.

Estávamos tão próximos agora. Eu podia ver seus olhos negros iluminados por uma chama indistinta, nossos narizes a milímetros e nossa respiração se mesclando; entreabri os lábios instintivamente, sentindo...

- Ei Jake, já vão servir a ...

Foi como levar um choque de 1200W, nos separamos na hora e eu quase cai do salto, literalmente, e pela primeira vez na vida.

Jacob P.O.V.

- OOPS, acho que interrompi alguma coisa! – Quil ia dizendo todo encabulado.

Porque eu não deveria arrancar a cabeça do Quil, mesmo?

Ah, sim! Porque ainda estava lá com uma cara de pânico e os olhos do tamanho de bolas de golfe. Ela se desequilibrou feio quando nos separamos e eu tive que ampara-la com uma mão pra ela não cair.

Quil lançou um sorrisinho cretino pra nós dois e ela pareceu se recuperar o suficiente pra ignora-lo e girar nos calcanhares com toda a classe, deixando nós dois lá fora e entrando na casa com muita rapidez pra uma garota humana.

Ótimo, agora eu podia arrancar a cabeça dele.

- Tio Jay, vem clomê PELU. – Clair apareceu bem na hora em que eu ia começar a briga e abraçou as pernas de Quil que continuava todo sorrisos. Salvo pelo gongo, idiota.

Dei uma encarada assassina nele e fui pra dentro, procurando ela com os olhos atentos. Definitivamente, SORTE era uma coisa que eu não tinha.

P.O.V.

Era só o que me faltava! SERIO!!! Agora eu ia virar o novo boato na fofoca dessa gentinha. A garota da Califórnia finalmente se rende aos encantos dos nativos locais. PERFEITO!

Será que eu realmente estava sóbria? Essa coisa de Natal estava me afetando mais do que deveria. Passei a mão na minha micro bolsa DIOR e peguei o meu celular, AGORA PRE-PAGO – me mata! – digitei uma mensagem pra Trace.

Sua vadia, espero que me ligue em 24hs ou a sua aventura com a amiga TEQUILA lá em Tijuana, no ano passado, vai parar no youtube. Eu falo serio!

Ela teria que responder ou ia conhecer a minha fúria de melhor-amiga rejeitada, e como eu não tinha apenas esse vidiozinho comprometedor dela, creio que ela arrumaria um jeito mesmo no meio de tanta balada legal pra me salvar desse inferno e dessa NOVA EU que tava querendo acabar com a reputação da minha EU VERDADEIRA.

Marta veio da cozinha com seu prato cheio de comida natalina, cheia de milhões de calorias e me ofereceu o mesmo. Eu fui até a cozinha. Não pra pegar a comida, claro, eu já estava pobre e no meio do mato, só me faltava começar a engordar. Como, isso, eu poderia evitar; não aconteceria.

Peguei um copo de alumínio - Senhor, me ajude a suportar as provações deste mundo cruel - eu nunca pensei que fizessem copos com alumínio e o que aconteceu com o bom e velho cristal bacará? Enchi aquilo, aquele copinho de pobre, com a maior quantidade de vinho possível e até misturei um pouco de vodka que um daqueles garotos índios tava usando pra preparar umas batidas.

Me escorei num canto remoto da sala, perto da escada e bebi o Maximo que podia, sempre enchendo um pouco mais com a vodka que tava numa mesinha por perto.

Em meia hora eu já podia sentir meu sangue fervendo e as cores aumentando de intensidade, as luzinhas da decoração de natal eram alucinantes e eu até poderia apreciar a musica relativamente brega. Tava ficando o maior calor também.

Fui até um banheiro minúsculo que ficava logo atrás da sala e abri uns três botões na minha roupa, mostrava um pouco minha lingerie Marc Jacobs, mas e daí? Aquela casinha tava fervendo, eu tava fervendo e o mundo era mais feliz depois de meia garrafa de vodka e muito vinho.

Minha saia também estava longa demais, restritiva demais. Eu virei ela pra trazer a fenda que tinha nas costas até a minha coxa, mais flexível pra andar.

Sai do banheiro bem na hora que tava tocando uma musica com uma batida mais moderna, alguém tinha aumentado o volume e tinha um garoto todo bonitinho perto da mesinha da vodka, ele era quase mais magro que o Black, tinha uma expressão mais leve também, era bem menos intimidador.

Aquela altura não me lembrava de que ele era um índio do fim do mundo como todos os outros então cheguei perto dele, com o meu sorriso de boas vindas que eu e Trace treinávamos no espelho desde os 11 anos de idade e coloquei a mão no ombro dele muito casualmente. Assim eu percebi que ele era mais baixo que o Black, também.

O garoto me olhava como se tivesse tendo um sonho e eu tinha conseqüência disso, então puxei ele pro meio da salinha onde tinha umas três pessoas mais animadas que estavam dançando aquela musiquinha melhor que começou a tocar. Eu tinha soltado os meus cabelos e eles estavam bem selvagens. Agitei eles enquanto rebolava pro garoto e via os olhos dele ficando maiores, o pessoal parando de dançar pra ver a gente; as luzes, a batida, a vodka direto no meu cérebro...

Jacob P.O.V.

Entrei um pouco depois dela já que o Quil ainda disse uns cinqüenta “Vai lá, garoto!” achando decerto que tava fazendo a maior boa ação do ano.

Procurei ela pela sala e nada, dei a volta lá por fora porque Collin e Brad tinham chegado pra trocar os turnos com alguém e lá dentro tava meio lotado pra ficar transitando de um lado pro outro. Quando cheguei na cozinha, nada dela também. Farejei o ar e o cheiro dela ainda tava lá, ia voltando pra sala quando Emily me pegou pelo casaco pra ajudar ela com a louça.

Eu bufei mas não recusei. Fiquei lá perdendo tempo e pensando no que quase aconteceu. Fala serio! Agente praticamente se beijou e foi tão incontrolável.

Eu QUIS aquilo, ou pelo menos o meu CORPO quis. E ela também parecia bem inclinada àquilo, não parecia me achar um QUALQUER enquanto abria os lábios devagarzinho pra mim.

Terminei com a louça e fui pra sala e... Nada dela.

Fala serio! Isso era algum tipo de piada? Novamente senti o rastro fresco mas dessa vez me sentei no braço da poltrona onde a Claire tinha apagado e fiquei rindo da minha irmã, possivelmente alterada e o retardado do Paul que fazia tudo que ela queria ali dançando, no meio da sala, alguém tinha aumentado o som.

Brad se juntou aos dois e aquilo tava mesmo muito hilário. A Rach rebolava com a musica parecendo que estava na própria boate e o Paul não sabia se acompanhava ela ou ficava babando. Ridículo.

Me distrai totalmente com eles e então depois de um tempo meu olhar foi para o canto perto da escada onde Collin tinha parado pra abastecer o copo com bebida sem que ninguém notasse e mandasse ele parar por ser mais novo do que o resto.

E aí eu reconheço a garota que está de frente pra ele, com a mão no ombro dele e com um sorriso fácil na cara.

Quem era ela e o que fez com a de uns vinte minutos atrás?

A garota na frente do Collin tinha os cabelos rebeldes e cheios que caiam pela cintura, ela tinha uma fenda na coxa que mostrava a ponta rendada da meia-calça e dava pra ver quase tudo do soutien preto de rendinha que ela exibia naquele decote de matar. O sorriso dela era enorme e ela batia os cílios e mexia no cabelo com a mão, jogando ele pro lado. Eu morri, fui pro céu e voltei pra entender que aquela ali era mesmo a Srtª .

Ela puxou um Collin, feliz como uma criança que ganhou um presente, pro meio da tentativa de boate que Rach tinha começado e então dançou pra ele.

Porque, Collin, obviamente mal podia se manter em pé enquanto ela se esfregava nele descaradamente e rebolava pra valer com as mãos marcando o quadril e subindo pelo próprio corpo. Não contente com o show que estava dando, afinal, até a Rach tava parando pra olhar, ela colocou uma das mãos dele no quadril dela e aproximou-se mais fazendo ele rebolar com ela.

Eu não sei o que me deu mas sei que num instante eu tava ali olhando aquilo com cara de pasmo como o resto de pessoal e no outro instante eu já tava vendo tudo vermelho, pegando ela como se fosse um saco de batatas, jogando no meu ombro e indo lá pra fora enquanto ela gritava e esperneava toda histérica.

P.O.V.

Garoto bonitinho, bonitinho mesmo, e ele tava ficando bem animado enquanto a gente dançava colado. Eu sorri pra ele de novo enquanto rebolava mais uma vez e vi ele apertar o lábio inferior entre os dentes pra não gemer, e ai, do nada, eu não tava mais no chão.

Levei uns três segundos pra perceber que algum energúmeno tinha me jogado no ombro e tava me tirando de lá. Primeiro eu gritei para que me tirassem dali. Aí eu senti aquele cheiro que até muito bêbada eu reconheceria e comecei a espernear pra valer.

- Me solta Black, seu estúpido. ME SOLTA seu índio IDIOTA. Eu vou dar queixa de você. Eu vou te processar por assedio. Me COLOCA NO CHÃO, SEU BRUTO, SEU... SEU ... ANIMAL!

Ele me pôs no chão quando eu chamei ele de animal, foi de mau jeito e eu, bêbada, sentei minha bunda naquele chão gelado. Minhas pernas abertas e minhas mãos espalmadas na neve. Lagrimas de ódio saiam pelo meu rosto enquanto eu continuava gritando.

- Quem é você pra fazer isso? O que você tem na sua cabeça, seu VERME IMBECIL?

- O que VOCÊ, tem na cabeça, SRTª . – ele cuspiu meu sobrenome com fúria e algo que pareceu nojo.

Foi como um tapa na cara.

- Porque você me tirou de lá? – eu exigi, me levantando desajeitada e com muito custo.

- EU TE FIZ UM FAVOR, SUA BEBADA E... VAGABUNDA!

- VOCÊ ME CHAMOU, DE QUE?

- O QUE VOCÊ ACHOU QUE TAVA PARECENDO ENQUANTO SE ESFREGAVA NO COLLIN?

- ISSO NÃO TE INTERESSA!

- INTERESSA SIM!

- AHHHH, É? E PORQUE INTERESSARIA, SR. BLACK? – Eu cuspi o sobrenome dele também.

Ele pareceu perder o foco por um instante e então parou de gritar e fez uma expressão fria de deboche para responder, todo cinico, disse descaradamente.

- Collin é quase uma criança, não tem idade pra namorar. – Ele falou aquilo serio e eu tive que gargalhar pra ele. Atirei meus cabelos para traz e enfiei o meu dedo nas fuças dele.

- O SR. É, POR ACASO, ALGUMA FREIRA DE ESCOLA CATOLICA, SR. BLACK? PORQUE NÃO VAI ARRUMAR ALGUEM QUE QUERIA SE ESFREGAR NO SR.?

- Porque eu já achei alguém assim. – ele disse ainda mais cínico, mais agora com um sorrisinho escapando pelos lábios grossos.

- MUITO BOM PRA VOCÊ! – eu gritei cheia de ódio da fulaninha.

- Eu também acho!

E aí ele me puxou com agressividade, enlaçou minha cintura me puxando pra ele e antes que eu pudesse voltar a me debater e gritar, colou a boca na minha com força, obrigando os meus lábios a se abrirem.

Quem eu estava enganando se nem bêbada eu conseguia sentir algo diferente de um desejo enorme por aquele cretino, insignificante e POBRE?

Eu cedi, afinal, poderia sempre argumentar que estava bêbada demais pra me lembrar de alguma coisa e beijei ele de volta. Deixei a língua dele entrar na minha boca, seu hálito quente como suas mãos, sua língua se adaptava com perfeição à minha, nossas bocas coladas com a fúria dele, movendo juntas em uma espécie de guerra deliciosa. Meu peito ofegante de falta de ar, o abraço de ferro em minha cintura, meus braços entorno de seu pescoço desde o momento em que decidi me entregar aquilo. Parecia impossível parar de beija-lo. Eu ia morrer ali sem nenhuma grama de oxigênio.

Ele separou nossas bocas bruscamente me fazendo gemer um protesto e riu disso. Minha expressão se fechou em fúria e eu me reergui. Ele me colocou no chão e dessa vez eu não me desequilibrei. O imbecil – E GOSTOSO – ficou lá com uma cara de bobo total e eu recuei o meu braço e arremessei com tudo na cara dele pra dar AQUELE tapa.

Black pegou minha mão no ar, próxima ao seu rosto e me falou com uma voz toda cheia de si.

- Acredite, você não ia querer fazer isso!

Então eu cuspi nele e me pus a correr, no sentido contrario ao da festa, indo na direção da minha – suspiro – casa.

Jacob P.O.V.

Cara, o que foi aquele beijo, Deus, aquilo foi bom demais, umas cem vezes melhor do que beijar a Bella. Foi um beijo a força também, mas foi algo a mais, com a Bella eu apostava na chance de ela também querer aquilo quando ela finalmente cedia, mas com a ... Era tão obvio que ela quis e ela cedeu tão depressa e se entregou daquela forma tão “POR INTEIRO”, logo ela me beijava com tanta vontade quanto eu beijava ela, ela tinha a mesma fome.

Ser correspondido faz toda a diferença, definitivamente. Eu fiquei lá sorrindo como um idiota enquanto ela corria pra casa. Eu até poderia ir atrás, mas os ânimos dela não estavam muito bons para isso agora, ela devia ta entrando numa crise bem complicada com o orgulho dela por ter me beijado. Decidi esperar a poeira abaixar.

Agora eu podia ver o que o Quil tanto insistia para que eu visse. Com uma garota nova na minha vida eu teria um tempo bem menor pra me lembrar da Bella e depois desse beijo eu achava que dormir e sonhar com a e não com os pesadelos da “Bella Monstro Vampiro” seria bem mais fácil.

- Jacob, querido, você viu a srtª ? – Marta me perguntou parada na porta da sala, em cima da varanda.

- Ela foi pra casa a pé. – eu tentei controlar meu sorriso mas acho que ela percebeu tudo.


- OU! Acho que vou atrás dela. Boa noite, meu rapaz!

- Boa noite, Marta. – eu disse com um sorriso grande demais.

Ela já ia virando a esquina quando eu gritei.

- Manda um beijo de Boa Noite pra ela.

Vi Marta sorrindo satisfeita e me acenando um sim com a cabeça. Me virei a tempo de ver o Collin me olhando atravessado através da janela e dei um aceno animado e um sorriso sarcástico pra ele. Aquela garota agora tinha dono e era bom ele saber disso.












Capítulo 6. Ninguem tá te obrigando




LA PUSH-Residência da SrªMarta Uley-10hs da manhã

Dia 28 de Dezembro.



estava ferrada no sono, agora que já se acostumara a dormir de moletons e não mais as camisolas La Perla tão adoradas e próprias para climas mais quentes.

Ela se perdia em um sono agitado com o homem que lhe beijara a força na véspera de natal e como nos sonhos nos permitimos embarcar nas mais loucas aventuras sem que tenhamos que responder por isso, ela aproveitava para se declarar a ele e continuar aquele beijo que ela tanto relutou em interromper.

Na sala de estar, Marta fazia um tricô enquanto as madeleines que ela colocou para assar não ficavam prontas.

Jacob Black, o homem do sonho de , descia a avenida principal de La Push apressado para chegar até a casa da Srª Uley e falar pessoalmente com que vinha evitando seus telefonemas desde o beijo. Ele considerou pular a janela do quarto dela e acabar logo com a maldita birra que ela insistia em fazer, mas não achou que seria muito respeitoso com a Srª Uley que o tratava tão bem e fazia tanto gosto da presença dele em sua casa, porque com certeza gritaria um pouco e faria outro escândalo até que ele a beijasse outra vez, fazendo-a se calar.

Então, agora, ele esperava apenas entregar um bilhete e sentar-se na sala até receber a sua resposta, negando-se a ir embora até que a garota lhe desse algum indicio verdadeiro de que não sentira tudo o que ele sentiu quando se beijaram.

Tocou a campainha.
P.O.V.

Acordei com as batidas frenéticas da Marta em minha porta, ela tentava falar alguma coisa, que eu obviamente não ouvia enquanto tentava dormir de novo. Ela continuava batendo e alguém teria de lembrar à ela que não era mais a porta de carvalho do meu antigo quarto e se ela continuasse com aquilo acabaria derrubando a tabuinha ridícula que era a única coisa à me isolar dentro daquele muquifo que ela chamava de casa.

Tava sonhando com aquele cretino do Balck, e ual, esse sonho tinha sido um pouco mais realista do que os outros. Mais um tópico para a minha depressão. Mais um ponto a favor da minha derrocada social.

- Derruba logo essa porra! – eu gritei abrindo a porta e passando pela Marta antes que ela pudesse falar alguma coisa.

Bati a porta do micro banheiro e me entrincheirei lá dentro. Ela passou um papelzinho dobrado por debaixo da porta. Abri a porcaria enquanto me sentava no vaso sanitário que era quase menor que a minha bunda. A pobreza DOI.


,

Você poderia, por favor, parar de ser tão infantil e ASSUMIR que você QUERIA me beijar naquela noite? Se você me fizesse esse favor nós poderíamos sair hoje e nos divertirmos um pouco antes que as férias de Natal acabem, ou você poderia se enfurnar no quarto e não atender aos meus telefonemas, também. Você escolhe! Mas eu garanto que a primeira opção é melhor.

Jacob.


AAAAHHHHHH! Aquele ... aquele... cretino, cachorro, desgraçado, agora estava me mandando bilhetes? Eu ia cortar as mãos da Marta pra ela não conseguir me entregar mais nada.

Sai do banheiro subindo a calça de moletom de qualquer jeito e sem ter tempo pra lavar a cara, que fosse e me postei na frente dela, ali toda tranqüila e tricotando.
Peguei uma caneta na mesinha ao lado do sofá, ainda virada de frente para Marta e rabisquei nas costas do bilhete. “EU ESTAVA BEBADA!”

- Agora poderia me fazer o favor de entregar isso aquele cretino e dizer pra ele me deixar em paz? – eu falei com todo o azedume que pude reunir.

- Acho que o cretino entendeu. – uma voz rouca e seria soou por de traz de mim.

OW! Não era pra ele ouvir aquilo. Eu não... não quis dizer daquele jeito... é só que.. Eu quis dizer, mas...

- Adeus Srtª, eu não vou incomoda-la mais. – ele disse e saiu.

- Marta? – eu perguntei em pânico.

Ela me olhou com uma cara muito reprovadora. O que eu podia fazer se ele tava atrás de mim? Não é como se eu tivesse visto ele!!!

Jacob P.O.V.

Qual era o problema comigo, afinal? Eu tinha alguma doença rara e contagiosa? Porque todas as garotas que se envolviam comigo não queriam admitir que gostavam de mim? Será que o problema era EU, que realmente interpretava os “sinais” da forma mais errada possível?

Eu era uma ameba, isso sim.

- Jacob. – a voz dela veio fraca, mas alta o suficiente.

Eu me virei, tentando manter a minha expressão composta.

- O que você quer? – eu fui seco.

- Me desculpar? – ela tentou um sorrisinho amarelo. Estava com um moletom todo largo e os cabelos parecendo a encarnação da medusa, os pés descalços na neve, mesmo assim não parecia feia. E ela não parecia arrogante também, então eu parei de fazer o tipo “indiferente” e fitei os olhos dela.

- Você foi legal comigo naquela hora, na varanda, lá na ceia de natal. – ela olhou em volta como se quisesse se certificar de que estávamos a sos. – mas, não espere nada de mim, eu vou embora disso aqui o mais rápido que eu puder e... Nunca daria certo. – e esse final ela não olhou nos meus olhos enquanto falava. Parecia que eu não tava interpretando nada errado, afinal, era obvio que alguma coisa lutava ali dentro a meu favor.

Me adiantei até ela e peguei a sua mão. Ela me olhou nos olhos automaticamente.

- Sem problemas Srtª. – mas eu não falei aquilo como deboche, eu falei com um sorriso sincero nos lábios. – Podemos ser amigos?

- Amigos? – ela relutou, não esperava aquela minha resolução.

- Amigos! – eu entoei serio.

- Sim. – ela falou com a voz mais falha ainda e as bochechas dela coraram de uma forma adorável.

Puxei ela pra mais perto e dei um beijo em sua bochecha, esbarrando no canto da boca de propósito, ela arrepiou na hora.

- Até mais tarde então, amiga, vou te mostrar um lugar legal que tem por aqui.

Amelie P.O.V.
O que aquele cara tava tentando fazer, ele queria me matar? SERIO!

Queria esmagar o pouco de paz que eu tava conseguindo juntar aqui no fim do mundo?

Não que o Black não fosse um cara legal, eu acho, pelo menos quando ele não tava dando uma de “Sei que você me quer!”, e eu queria mesmo, mas não vem ao caso. Isso não era aceitável.

Ele queria ser meu amigo, tipo, pra QUE?

Não é como se a gente pudesse conversar sobre as mesmas coisas, ou se divertir juntos em alguma balada. Por aqui nem tinha balada. E que lugar era esse em que ele queria me levar? Alguma daquelas lanchonetes caipiras que agente só vê em seriados de baixo orçamento?

Mas eu QUERIA ir, isso era o pior, eu queria ter essa desculpa patética que ele mesmo arrumou, com essa coisa de “AMIGO” pra ficar perto dele sem ter que responder por isso. E quem eu estava enganando? Não agüentava mais ficar presa em casa, com a vaca da Trace sem me dar noticias até hoje! Eu bem que podia cumprir a ameaça e colocar ela chapada e semi-nua na internet mas como EU era amiga de verdade, nem fiz isso.

Voltei pra dentro de casa e dei de cara com Marta me olhando daquele jeito de mãe decepcionada quando o filho faz alguma coisa muito má.

- Eu pedi desculpa e agora nós somos AMIGOS, feliz? – eu cuspi, sem saco pra ser educada.

- É uma ótima noticia, Srtª. – E ela voltou a fazer o tricô dela.

Fui pro meu quarto e sem querer me olhei no espelho; tive um ataque cardíaco e quase desmaiei ali mesmo. O fim de mundo tinha me deixado definitivamente louca.

Como é que eu fui aparecer daquele jeito na frente DELE?

Eu nunca estive mais feia em toda a minha vida e olha que uma vez eu peguei uma alergia das piores por causa de um visgo venenoso numa festa da piscina da Stace, prima da Trace, e fiquei duas semanas cheia de furúnculos.

EU TINHA FURUNCULOS e estava em melhor forma!

Me sentei na cama e comecei a passar a escova nos ninhos do que um dia foi o meu cabelo pra depois tentar dar um rumo na minha cara de cadela que caiu da mudança com o caminhão em MOVIMENTO.

Mesmo se ele fosse me levar pra alguma lanchonete vagabunda eu não poderia aparecer assim, não é mesmo? Ou essa coisa de AMIGO seria muito VERDADE.

Quil P.O.V.

Fui deixar Claire na casa da Emily depois de ter saído com ela pra tomar café da manha numa lanchonete em Forks, onde tinha o bolinho preferido dela. Passei na casa do Jake pra buscar ele nem que fosse a força e ter uma boa conversa com ele sobre a Srtª .

Eu vi ele agarrando ela no natal, o que ele tava esperando pra continuar com o bom trabalho? Garoto lerdo, às vezes eu pensava que se não fosse por mim, ele ainda ia ta chorando pela mais nova sanguessuga. Bella.

É claro que fui eu quem planejou o encontro dos dois naquele jantar onde ela acabou fugindo; é claro que também fui eu a furar o radiador do Sam pra que o infeliz tivesse que levantar a bunda do sofá e ir buscar ela para a ceia de natal nos Clearwater.E desde aquela ceia, onde eu conheci a tia de Sam melhor e nós conversamos um pouco quando ela me ensinou um xarope pro resfriado que a Claire tinha pego, eu pude conquistar uma aliada de peso para a minha causa: DESENCALHANDO O JAKE.

Dona Marta também queria arrumar alguma BOA COMPANHIA para a patroa e me contou que a garota tinha problemas com autoridades, bebidas e amigos desmiolados com muito dinheiro e pouco juízo. Nós iríamos mudar isso!

Jacob tava entrando na casa dele ao mesmo tempo que eu.

- O que ta fazendo aqui, cara? – Ah, Jake amigo, bom dia pra você também.

- E ai, seu lesado, já convidou ela pra sair? – eu perguntei de uma forma pratica e seria. Vamos logo ao que interessa.

- Não te interessa Quil, meta-se com sua vida! O que aconteceu com o papo de não me arrumar mais garotas pra mim? – ele levantou as sobrancelhas com uma cara de poucos amigos.

- Ah, Jake, eu vi você agarrando ela cara, sai dessa, já chamou ela pra sair ou não?

- Vou pegar ela hoje mais a tarde.

- Bom garoto! – eu soquei o ombro dele e ele continuou com a cara assassina de antes.

- Agora cai fora, já conseguiu o que queria.

- Ainda não, espere. – e peguei um cartão no meu bolso, entregando pra ele.

- O que é isso?
- Uma casa de doces. Vendem as melhores tortas de nozes e chocolate lá, só coisa fina. – ele me olhava espantado. - Também fazem bolos decorados para festa de criança. – eu acrescentei, me justificando por saber sobre o lugar.

- Cara, você ta cada dia mais GAY. – Jacob riu da minha cara. Eu virei os olhos sem me importar nem um pouco e continuei com a minha ajuda necessária. – Eu aposto que você vai levar ela no penhasco, você adora aquilo lá, então me faça o favor de não agir como um garoto idiota de 13 anos com a amiguinha e compre essa torta, alguns refrigerantes de marca boa e leve uma manta pra que a garota não seja obrigada a sentar na grama congelada.

Aí dei um tapa na cabeça dele e ele ainda me olhava esbabacado. Me virei pra ir cumprir a minha ronda e ainda completei, falando pelo ombro.

- Uma manta QUENTE. A garota não é um lobisomem e sente FRIO!

Jacob P.O.V.

As vezes eu tinha certeza que o Quil bebia, se eu não tivesse mais certeza ainda de que o álcool não tem efeito no nosso metabolismo super rápido, eu poderia até leva-lo no AA para uma ajuda.

E era fato que o pobre coitado andava muito com mulheres agora que cuidava da Clair quase em tempo integral, desde que a mãe dela deixou ela morar em La Push com a Emily. Que historia era aquela de “tortas finas”? Eu tinha que arrumar um tempinho na minha nova agenda cheia pra dar uma mão ao meu amigo antes que ele começasse a distribuir dicas de moda.

Olhei de novo pro cartãozinho que ele tinha me dado.

É, a coisa parecia bem chique, que nem a mesmo.

Talvez desse certo, só esperava que não fosse muito caro, porque afinal eu não tinha dinheiro pra jogar fora com essas frescuras. Já que não custava dar uma esticada até Port Angels pra conferir... Eu ia de moto mesmo e chegava antes do por do sol.

A hora perfeita pra levar ela no lugar mais bonito que existe em toda a península do Olympo! - E olha que, com as rondas, eu já vi de tudo por aqui e sei do que to falando.

Um doce, um por do sol incrível no único ponto onde o sol aparece por essas bandas, quem sabe sopra uma brisa... aí eu dou um abraço de “amigo” pra aquecer ela do tempo frio... ÊEEE Jacob, você vai se dar bem hoje, cara!

Coloquei a camisa que Rebeca mandou pra mim, que Billy queria que eu usasse no Natal, também não ia me custar nada ir com uma aparência menos desleixada, não que ela fosse lembrar muito das roupas quando o meu plano de conquista-la tivesse dado certo, mas já que ainda tava na fase inicial eu ia jogar o jogo dela.

Pus um jeans novo também, uma calça que eu raramente usava por achar meio engomadinha demais, sem nenhum desfiado sequer. Passei um pouco de creme no cabelo depois do banho pra tentar amansar o monstro, não surtiu muito efeito, me irritei e parei com essa coisa de “melhorar a aparência”. Peguei a jaqueta de couro surrada de sempre, subi na Harley e fui buscar a tal torta.

Era patético, mas eu tava um pouco nervoso, cara; aquela menina era um osso duro de roer. Mesmo que os meus dentes fossem afiados, não ia ser tão fácil quanto as melhores esperanças apontavam que seria. Devia me preparar pra ouvir alguns “Não, nunca e nem pensar” e pra ver aquela mascara de paty nojentinha que ela usava na maior parte do tempo.

Se pensar mesmo, analisar as coisas de um ângulo mais amplo, eu era mesmo um imbecil.

Qual era o meu problema?

Porque só as garotas IMPOSSIVEIS eram atraentes pra mim? Porque só me interessava por aquelas com problemas e complicações maiores que elas mesmas?

Era definitivamente o meu ima para as garotas ERRADAS em ação.

Porque eu simplesmente não podia arrumar uma KIM pra mim?!!!!

Imbecil, cem vezes imbecil.

P.O.V.

- Srtª . – Marta me apareceu na porta do quarto contendo sua empolgação a muito custo.

- Sim. – eu disse enquanto passava o esmalte na ultima unha da mão esquerda.

QUE MORTE! Mas eu poderia fazer o que se nesse fim de mundo nem deve ter manicura? E mesmo que tenha, até parece que vou confiar a minha mão que já foi modelo numa campanha de anéis pra Tiffany & Co, aos cuidados de uma açougueirazinha qualquer dessas bandas.

- Jacob ligou e pediu para a Srtª esperar por ele ai na porta daqui uma meia hora que ele ta passando!

- HAHAHAHAHAHAHA. – Até borrei o esmalte. Brincou né?

- Ele também pediu pra lembrar a Srtª de usar um sapato baixo porque vocês terão que andar um pedaço a pé!

- HAHAHAHAHA. Você ta tão engraçada hoje Marta, você deveria se inscrever num show de talentos. – eu falei enquanto ainda limpava a unha estragada.

Ela saiu sem me dizer mais nada e eu continuei com o que tava fazendo.

Aumentei um pouco mais o som e fiquei lá tentando imaginar que na verdade eu estava dentro do meu closet tendo um momento de reflexão pessoal, lá na minha linda mansão em Beverly Hills.

30 minutos depois...

- Srtª . – Marta veio de novo até o quarto. – Jacob acabou de chegar.

- Que bom pra ele Marta. Espero que sejam felizes! – eu continuei escovando os meus cabelos.

- Srtª , não vai dar o bolo no garoto, eu a proíbo! – Ela ameaçou toda toda.

- Proíbe, Marta? E como você pretende me proibir? – eu enfrentei.

- A srtª disse que agora eram amigos, não pode deixa-lo esperar assim! – e aí ela me olhou com decepção, com aqueles olhares de “Eu não esperava isso de você” e “Isso não é direito”.

Eu fui desarmada na hora e esqueci o insulto que eu ia dizer, talvez eu pudesse guardar ele para usar com o Black, eu não ia DESSEPCIONAR a Marta por uma coisa relativamente simples como agüentar aquela anta por alguns minutos.

- Mande ele esperar sentado!

- Mas srtª? – a cara dela de decepção aumentou.

- Ei! Mande ele esperar sentado na sala, ENQUANTO EU ME ARRUMO, TÁ BOM? – eu esclareci tentando não socar ela quando seu sorriso apareceu e ela de repente parecia orgulhosa.

Calcei uma bota Chanel branca com preto e própria para a neve, coloquei um cachecol listrado e colorido de cashmere, um suéter rosa claro com um casaco de couro caramelo PRADA e mantive o jeans blue da Calvin Klein que já estava no corpo. Passei um rímel correndo e deixei meu cabelo solto, porque apesar de todo o volume, ele estava do jeito que eu gostava. Era tudo bom demais praquele idiota, então, respirei fundo e segui até a sala pra encontra-lo e ter uma “saída de amigos”

E quem disse que aquela COISA – gostosa, perfeita e PARA DE PENSAR ISSO – estava sentada no sofá da sala, como qualquer ser humano normal?

Não, o infeliz e APARECIDO, tava lá escorado numa Harley antiga. – E que eu tinha que admitir que tinha classe. – Com os braços cruzados na frente do corpo em uma camisa cinza com as mangas puxadas até o cotovelo mostrando todas as veias saltadas e os músculos maravilhosos, COM CERTEZA DE PROPOSITO!

Uma jaqueta de couro preta pendurada na moto e tinha uma caixa de aspecto decente apoiada no banco, mas ele tava tampando e não deu pra ver o que era.

- Você deixa todos os seus amigos esperando assim ou é SÓ COMIGO? – ele levantou a sobrancelha pra mim, fazendo uma cara debochada.

- Meus amigos costumam me ligar, combinar a saída e depois entrar e esperar, se eu ainda estiver arrumando. Eles não me tratam como se eu fosse um pacote de carne que eles buscam na hora que dá pra eles buscarem. – respondi no mesmo tom.

- Então não tem nada a ver com o fato de eu não ter vindo numa LIMUSINE?! – ele deu um sorrisinho sarcástico e incrédulo.

- Claro que não! – eu disse ultrajada.

Ta certo que eu era avessa à “pobreza” e às praticas do proletariado, mas eu não tinha preconceito com as pessoas que eram “pobres”, eu não deixaria de ser amiga de alguém SÓ por isso. Por falta de classe, de estilo, de porte, sim, mas POBREZA mesmo, não, nada a ver! A pessoa mais importante da minha vida era Marta, e afinal, ela era minha empregada.

- Você ta muito bonita. – ele cedeu e o sorriso deixou de ser sarcástico pra se tornar um sorriso todo lindo. Aquele menino mudava rápido demais de tática, ele ia acabar me deixando maluca. Eu já me sentia confusa e ainda nem tínhamos ido pro tal lugar.

- Obrigada. – saiu mais sem graça do que devia.

Eu era definitivamente mais idiota na frente dele. E eu não gostava nenhum pouco disso. Era um absurdo.

Jacob P.O.V.

Subi na moto e passei a caixa de torta pra frente do corpo, vi ela se esticando e tentando ver o que era. Ainda não! - Eu pensei convencido de que, afinal, tinha sido uma boa idéia. Nem foi tão caro.

Ela tava tão gata que parecia até uma miragem vinda direto de um filme, daqueles que, bom ou ruim, sempre é salvo pela protagonista, que é BOA demais pra ser real.

- Não tem um capacete? – ela perguntou, tentando ser presunçosa, mas aí eu puxei a mão dela e enlacei na minha cintura pra ela se segurar em mim e ela ficou calada na hora, dava pra ouvir o coração dela acelerando às marteladas; eu contive a risada.

- Não vamos sofrer nenhum acidente, pode ter certeza. – eu disse, completamente à vontade e ela deve ter aceitado; ficou calada depois disso.

Acelerei por uma estrada de terra assim que sai da rua principal e quis testar até onde ia a confiança dela, pisei fundo, ela nem pareceu notar a velocidade aumentando, como se sinceramente não se importasse. MUITO DIFERENTE DA BELLA, uma parte involuntária em mim fez a comparação. Parte involuntária E estúpida, porque ainda doía.

Senti suspirando próximo a minha nuca, quase como se estivesse entediada. Meus cabelos se arrepiaram maliciosamente e Bella voou pra longe da minha cabeça como se eu tivesse tomado algum remédio instantâneo contra ela.

No bolso da jaqueta estava o saco com os refrigerantes, que ainda estariam gelados por causa da baixa temperatura e o pouco tempo que estavam fora do freezer; a manta estava amarrada atrás do banco e faltava só alguns metros pra gente chegar à pé quando eu parei a moto e ela desceu com toda aquela classe e equilíbrio que ela tinha, quase sobre-humanos.

- Vem, falta pouco. – eu falei estendo minha mão, que ela recusou de forma antipática. Abri um sorriso zombeteiro pra ela e ela fez uma careta olhando a mata pra onde eu indicava que devíamos seguir.

- Eu não vou entrar aí! – ela disse casualmente de uma forma confiante, como quem encerra o assunto. Estava sendo pirracenta como eu esperava que ela fosse. Bem previsível.

Eu sorri pra ela sem me abalar e peguei sua mão em um momento de distração, ela relaxou instintivamente, mas logo percebeu o que fazia e retirou a mão.

- Ande logo! – ela decidiu ríspida, passando pela minha frente e entrando onde eu tinha mostrado.

Peguei a manta e a caixa com a torta e a segui, ficando imediatamente a sua frente e guiando ela até o lado do penhasco onde pretendia leva-la. Ela evitou tocar em mim como se eu tivesse alguma doença horrível e super contagiosa, mas eu sabia que não era BEM POR ISSO que ela me evitava, então eu continuei caminhando feliz e relaxado.












Capítulo 7- Prazer, !



P.O.V.

Estávamos indo pro meio do mato e era só o que me faltava.

Mesmo que 50% de mim adorasse a idéia de ir parar atrás de uma moita com o IMBECIL, porem GOSTOSO do Black, a outra metade, que felizmente ainda estava no controle, achava essa uma idéia bem repulsiva, e considerava que estar em uma lanchonete vagabunda de beira de estrada seria um negocio, se não melhor, pelo menos mais SEGURO!

Quase tropecei numa pedra, eu disse QUASE; afinal quem anda em cima de um Manolo Blahnik desde os 13 anos não sai por ai se jogando no chão por causa de uma pedrinha.

Dei graças a toda a fixação da minha mãe por sapatos de salto e postura. Tudo o que eu não preciso agora é me jogar nesse chão pro infeliz achar que tem que me ajudar a levantar e acabar me tocando e fazendo a outra parte do meu EU entrar no jogo e me ARRUINAR. Essa coisa ta quase doentia. QUE MORTE! Às vezes os hormônios são quase tão poderosos quanto as drogas sintéticas.

Porque estou aqui mesmo? Ah, sim, porque Marta fez uma CARA de decepcionada.

Às vezes eu penso se não estou ficando meio manteiga derretida com toda essa situação de abandono pelas pessoas importantes da minha vida. (Vide, Trace VAGABA que não me liga nunca!) Lá em casa, eu teria com certeza atirado alguma coisa nela e escorraçado ela dos meus aposentos se fizesse uma cara dessas. Aqui, eu simplesmente fico calada, engulo duro e venho parar no meio do MATO, ACOMPANHADA.

Já dava pra ver a borda da floresta, devíamos estar chegando ao descampadozinho onde aquela COISA queria me levar. Como eu tinha uma boa media nas aulas de atletismo do meu colégio e como eu obviamente trouxe spray de pimenta, não me senti nada amedrontada. É claro, nunca ia admitir que, na verdade, não senti medo porque se ele me agarrasse mesmo eu dificilmente gritaria!

E aí, todos os pensamentos triviais deixaram a minha cabeça no momento em que passei pela ultima arvore e olhei para frente. EU ESTAVA NO TOPO DO MUNDO, e não, NÃO ERA O TITANIC.

Jacob P.O.V.

Eu vi o beiço emburrado de durante todo o caminho, mas eu não iria provoca-la, estava me segurando e tinha certeza que assim que nós chegássemos ao penhasco isso mudaria. O que eu ia mostrar a ela eu duvido que ela tivesse visto lá na Califórnia, tão amada por ela. O que eu ia mostrar à ela nenhum dos cartões sem limites de credito que ela devia ter, comprariam.

Não era só porque eu senti o clima mais quente hoje e sabia que estávamos em um dia perfeito pra apreciar o por do sol rosa e roxo que descia o penhasco agora, que eu a trouxe aqui, nesse ponto tão extremo e fascinante.

Eu a trouxe aqui pra que ela se sentisse como eu me sentia quando olhava pra esse por do sol e a vista que ele proporcionava. Pequeno diante do mundo, pequeno diante da imensidão e da perfeição da natureza, um homem comum e não um lobo, um homem tão comum como qualquer outro e que merecia felicidade como qualquer ser vivo no mundo. Ela era prepotente e mimada o suficiente pra precisar desse tipo de choque. Isso faria bem a ela. E ela faria bem a mim. E talvez duas metades pudessem não mais existir separadas e distantes, talvez a solidão acabasse.

Percebi que minha mente estava me pregando peças de novo e me deixando devanear mais do que era seguro. Olhei pra garota a minha frente que estava sofrendo o mesmo impacto que eu, naquele momento, com um pouco mais de intensidade, já que eu conhecia bem aquele lugar e o que ele fazia com a gente. Ela estava tão linda com o vento a agitar os cabelos cor de mel, eu contive a vontade de abraça-la como quem contem a vontade de matar a sede.

Estendi a manta aos meus pés sem interromper os pensamentos dela e fazendo o mínimo de barulho. Coloquei os refrigerantes e a caixa com a torta num canto em cima, de qualquer jeito. O vento soprou com um pouco mais de força e ela tremeu de frio.

P.O.V.

Serio! Aquilo era lindo de um jeito fora do comum. Eu tinha muitos diamantes DeBeers na minha caixinha de jóias, mas nem eles tinha uma beleza daquelas.

O penhasco poderoso e acinzentado, a vista do mar de um azul escuro e igualmente cinza, até mesmo as outras arvores ao longe, nem pareciam ser verdes, como se tudo estivesse em preto e branco de repente.

E aí, aquele céu, aquela imensidão cor de rosa, se arroxeando nas bordas e contornando as nuvens; lutando pra sair por elas, sem conseguir e provocando aquela aura magnífica.

Não sentia meus pés no chão, não sentia ninguém ao meu lado, eu só sentia o vazio imenso de insignificância que era EU ali, só uma humana qualquer diante daquele precipício todo, de beleza imponente.

O vento açoitou meu rosto como um tapa e uma lagrima desceu na minha bochecha sem que eu percebesse que meus olhos se enchiam de água. Era tão frio, mas era tão bom. Só não era melhor do que aconteceu em seguida.

Aqueles braços quentes e imensos me abraçaram por traz envolvendo meus ombros e fazendo o espasmo ir embora rápido demais pra trazer algumas borboletas ao meu estomago. Não tive nenhuma vontade de xinga-lo.

Eu não era mais Eu ali, eu não era mais nada, era RECONFORTANTE. Como se nenhum problema fosse grande o suficiente, importante o suficiente, como se meu mundo de antes, não fosse sequer um mundo real e de repente o real era ali, naquele momento aterrorizante e mesmo assim tão doce, naqueles braços inumanamente quentes e aquele cheiro ideal demais pra ser sano.

Eu tive muito medo.

- Dói muito ser só! – aquilo estava saindo da minha boca?

- Você não precisa ser só! – eu estava sendo respondida?
Não poderia ser assim tão incontrolável, eu fechei os olhos e tentei não aspirara o cheiro dele, aproveitando quando o vento bateu de novo, tentando me afastar e voltar à realidade que eu conhecia. Antes que eu me mexesse mais ele parecia já ter entendido bem mais que eu e me soltado. Foi como ter todo o frio de novo. Dessa vez eu pude segurar o arrepio e impedir que ele visse.

Precisava voltar a agir como uma pessoa que não estivesse em estado de choque e parar de me envergonhar MAIS.

Porque o sorriso nos lábios dele era tão carinhoso e receptivo? Tão cheio de COMPREENSÃO? Como estar sonhando... ACORDA .

- A Srtª me daria a honra de se juntar a mim nessa humilde manta. – ele acenou pra um quadrado de pano que parecia felpudo e confortável e que ele estendeu no chão sem que eu visse.

Eu não conseguia ligar o modulo Srtª ; tava tentando com muita força dar uma má resposta, até corroia a minha garganta, mas NADA, nadinha, eu estava MUDA e abobalhada.

E ele não foi petulante me chamando de Srtª, era uma gracinha sim, mais soou exatamente FOFA.

, minha filha! Se mata.

VOCÊ TÁ PERDIDA.
- Você é muito bobo, Black. – eu tentei acusar, falhando miseravelmente.

- Um bobo BOM ou um bobo RUIM. – ele deu um sorrisinho malicioso.

Eu franzi a testa, mas ainda lerda demais.

- Senta aí. Eu comprei uma torta pra gente, você gosta de chocolate com avelã? Parecia a mais gostosa quando eu fui escolher. – ele coçou a cabeça, um tanto constrangido, vulnerável, eu diria.

- Você me trouxe uma torta, Black? Eu pensei que fossemos ser “amiguinhos”. - Isso aí , você consegue voltar a si garota, eu pensei confiante.

- Amigos não podem tomar um refrigerante e comer um doce? – ele arqueou a sobrancelha decidido.

“Não em um lugar assim, a menos que você queira ser agarrado”, eu só pensei, lógico. Ai eu tive um insight, claro que era tudo de propósito!!! CAFAGESTE. E eu aqui caindo melosa e toda impressionada como se fosse uma das caipiras que ele deve trazer aos montes aqui em cima pra dar uns amassos.

- Planejou tudo isso, não foi Black?! – eu até apontei o dedo pra ele.

- Me chame de Jacob, por favor. – ele olhou nos meus olhos com sinceridade. Vulnerável de novo. E ai disse assim todo calmo.– É claro que eu planejei... Conversa, comida, lugar agradável; AMIGOS, lembra?

E ele abriu o sorriso máster, aquele sorrisão que ele tinha e que daria à ele um contrato para campanha de pasta de dente se ele não se ESCONDESSE, em vez de MORAR.


Jacob P.O.V.

Eu odiava quando ela ficava me chamando de Black, parece que isso ajudava ela a encanar o personagem de paty metida que ela insistia em vender por ai como sendo ELA. Eu sabia que não era. Eu vi naquele dia na floresta que “o buraco era mais embaixo”, eu vi naquela varanda no dia de natal e eu pude ver agora assim que ela olhou a vista a sua frente e escondeu os olhos cheios de água.

Não podia negar que gostava e muito do jeito afetado dela perto de mim. Toda se contendo pra não encostar ou olhar muito pro meu corpo, as garotas não costumavam ser assim comigo, a única que me deu muita moral foi a Bella, lá naquela época onde eu era só um pirralho, e ela nem tava interessada em mim e sim nas INFORMAÇÕES que eu tinha pra ela. Umpff. Traidora.

Desde que eu passei pela primeira transformação, no entanto, a coisa mudou de figura. Só as garotas de lobos não me olhavam com olhos reluzentes. Fui até bem assediado nessa reserva e lá na oficina, você passa por cada coisa que nem acredita, o que tem de mulher desesperada por aí é uma loucura! Elas realmente metem a mão se você der bobeira. Os meus pouco mais de dois metros de músculo, pele e osso pareciam mesmo atrativos para elas.

Eu não via nada disso e nem me importava, mas Quil e meu pai marcaram tantos jantares “em meu beneficio” que eu acabei me dando conta de que isso não se devia só ao fato deles serem insistentes com elas, elas queriam que eu as notasse.

Não que eu agora me achasse, depois de descobrir isso,não mesmo; Agora mesmo, enquanto entrego um refrigerante pra e pego a torta para dividirmos, eu olho pra ela atentamente e posso ver que uma garota assim não deveria se render a mim do jeito que, as vezes parece que ela está se rendendo.

E aí talvez eu tenha um pouco de sorte, no final das contas!

P.O.V.

Jacob me entregou um refrigerantesinho de quinta, que com certeza não era diet, mas que pelo menos não estava quente, porque fala serio que refrigerante quente é a morte mesmo nesse friozinho.

E o infeliz acertou sem nenhuma noção da real que torta de avelã com chocolate é o terror de todas as minhas tentativas de perder “aqueles três quilos assassinos de sempre”.

- Assim é que eu nunca vou conseguir perder os três quilos!


Eu bufei enquanto ele me entregava um garfinho de plástico (pobreza total) e agente comia direto da embalagem; o que pras caipiras daqui devia ser o auge do romantismo, mas que para mim não passava de uma atitude anormal e um pouco nojenta, como já dito anteriormente eu nunca tinha dividido nem uma barrinha de cereal e eu não pretendia continuar com essa coisa de divisão.

- Você é loca, não é? – ele se dobrou de rir, relinchava até, de tanto que ria. – O que você quer perder aí? – ele gesticulou pro meu corpo. – alguns MLs de silicone? – ele disse todo abusado.

Cobri meus peitos que já estavam cobertos, com os meus braços e fechei a cara pra ele.

- São naturais, ta bom! – eu fiz uma cara assassina pra ele de “Comenta mais pra ver se não morre”. O imbecil levantou as mãos se rendendo.

- É muito boa. – eu concedi, enquanto comia mais torta.

- Pois é, é de uma confeitaria de Port Angels, eu nunca tinha ido lá. Tem um nome francês esquisito. – ele tava acabando com tudo. Cavalheirismo zero. Parecia que a torta de chocolate com avelã tinha conquistado mais um fã.

- Caracas, ta frio. – eu tremi, tava mesmo, talvez agora ele me oferecesse a jaqueta dele em um rompante de civilidade.

- Vem cá que eu te esquento. – ele disse muito naturalmente.

Foi a minha vez de rir e eu assumo que tava rindo tanto que até parecia uma hiena louca.

- Fica sonhando, querido. – eu levantei uma sobrancelha.

- To falando sério! – ele colocou a mão na minha bochecha. Quente de 40 graus pra cima, aquele cara tava sempre morrendo de febre.
- É, eu tinha esquecido que você é todo ESQUENTADINHO. – eu gozei.

- Viu, foi na melhor das intenções. Você que viu maldade. – ele fez uma cara de inocência que não convenceria nem um cego.

- Porque você é tão quente? – eu atirei.

Por um momento algo perscrutou os seus olhos e aí ele deu de ombros logo depois, quase como se eu pudesse estar imaginando aquele lapso.

- É de família. – ele riu, parecendo sincero.

- E a Bella, também é da família? – eu perguntei, me lembrando de que ele tinha me chamado de Bella quando eu pensava que ele fosse um anjo, naquele insidente lamentavel da "fuga rumo a floresta".

Jacob P.O.V.

Era numa hora dessas que ter a audição ruim seria um alivio imenso, ela disse... Bella, com todas as letras e sem engano.

A próxima coisa que eu percebi foi o meu pulo pra fora da manta, me colocando bem longe dela, sem muito controle dos pensamentos que me envolviam.

Não que eu estivesse tremendo nem nada disso, essa parte de mim eu controlava muito bem, mas os meus músculos estavam rijos e os meus punhos serrados só pelo habito; como se selando a fera dentro de mim eu pudesse selar também as memórias.

“E a Bella, também é da família?” – Ela não perguntou por mal, deve ter se lembrado e despejou. Porque, é claro, eu chamei ela de Bella naquele dia na floresta. Jacob, sua anta.

E agora aquilo não saia de mim, era como um eco dos infernos: “E a Bella, também é da família?”


P.O.V.

Eu pisquei e perdi o movimento dele. Se afastou de mim, levantando da manta e se colocando de pé imediatamente. Sua expressão era uma mascara altiva e ao mesmo tempo totalmente impessoal, não dava pra subentender nada dali. Ele estava tão tenso que eu podia sentir o ar se adensando. O QUE EU FIZ?

Os olhos, as únicas coisas que ainda pareciam ser do mesmo Jacob que estava conversando e rindo há dois minutos atrás, eles eram como os olhos de um animal acuado; tão mais que medo passou por ali, que era uma dor, que eu não tinha direito de chamar de dor, porque eu não conhecia um sentimento como aquele.

Nem parei para reparar que ele estava assustador naquela posição e daquela maneira, avancei até ele e o abracei pela cintura encostando minha bochecha em seu tórax.

- Vai ficar tudo bem. – eu murmurei, contendo minha repentina e bizarra vontade de chorar o que ele estava engasgado demais pra chorar por ele mesmo.

Minha atitude pareceu despertá-lo, mas não, traze-lo de volta. Ele afagou o meu cabelo, mas não me abraçou de volta, e, MEU DEUS O QUE EU TO FAZENDO, PORQUE EU AINDA NÃO O SOLTEI?!!!

- Me desculpe. – eu parecia incapaz de parar a minha boca idiota. FICA CALADA!

Ele beijou o alto da minha cabeça ainda sem falar nada. Estava me assustando muito, mesmo. Nem tanto porque parecia um louco E desvairado, mas porque eu não queria que ele ficasse naquele estado. Aquilo de algum jeito me machucava também. Apertei o abraço e me aninhei no peito quente e largo.

- Acho que te devo uma explicação. – ele parecia melhor, e EU CONTINUEI ALI MESMO ASSIM. ME ASSASSINA!!!

- Não precisa dizer nada. - assegurei.
- Obrigado. – ele disse tão aliviado que eu até abri um sorriso pra ele, levantando minha cabeça para olha-o nos olhos. Eles estavam mais naturais agora.

- Uma mão lava a outra e duas fazem guerrinha. – eu citei o que a Trace vivia me dizendo e aí não pude evitar de me sentir mal com isso. Ele percebeu.

- O que foi? – ele disse de maneira doce e singela, tentando não invadir.

- Eu sinto falta da minha amiga, Trace... – e abaixei a cabeça com vergonha. – ela nunca mais me ligou! – admiti fazendo uma careta.

Incrivelmente um bolo saiu pela minha garganta junto com essa pequena confissão como se falar com ele tivesse me feito bem. Talvez eu pudesse exercitar isso, como numa terapia. Só que gratuita e com um terapeuta sem habilitação necessária. VIVA A POBREZA!

Jacob P.O.V.

Eu sabia que a estava assustando assim que algum raciocínio lógico chegou até o meu cérebro quebrado.

No entanto, ela não correu e nem tentou se afastar de mim, não fez nenhuma cara de “olha o que esse louco está fazendo!”, não me julgou. foi até mim e me abraçou pela cintura como se fosse uma criança tentando consolar um adulto e isso foi tão Bella, ou pelo menos, a Bella minha amiga, pré-retorno-do-sanguessuga; na época em que eu ainda era importante pra ela.

- Vai ficar tudo bem. – ela apenas murmurou. Aquilo teve um efeito imediato em mim.

Era tudo tão estranho. A forma como chegou em minha vida, o sofrimento e a solidão daquela figura encolhida na floresta, do mesmo modo como Bella um dia; como se fosse uma repetição, uma segunda chance tão obvia que eu tive medo de estar ali com ela e ser rejeitado outra vez. Afaguei seu cabelo, sentindo aquele seu cheiro sempre convidativo à mim. Desde o primeiro instante.


-Me desculpe. – ela disse com uma voz ainda menor.

Precisava voltar ao normal logo, eu a estava deixando culpada e a culpa não era dela, de forma alguma. Beijei sua cabeça, ainda sem me obrigar a prosseguir. Mas eu precisava, precisava me explicar.

Acho que te devo uma explicação. - Bom Jacob, muito bom, agora só precisa dizer isso parecendo homem.

Não precisa dizer nada. - ela foi firme. Eu quase suspirei de alivio. Eu não ia conseguir mesmo e só ia ficar me martirizando por ser um bosta.

- Obrigado. - minha voz entregava completamente minha situação lamentável.

Ela sorriu pra mim e olhou-me nos olhos toda sincera e linda, principalmente linda.

- Uma mão lava a outra e duas fazem guerrinha. - ela citou toda feliz e de repente sua expressão mudou, havia dor nela.

- O que foi? - eu não consegui deixar passar. Ela triste me deixava triste também.
Eu sinto falta da minha amiga, Trace... – ela abaixou a cabeça, pelo menos disse, era mais corajosa do que eu. Estava se expondo totalmente agora. – ela nunca mais me ligou! – admitiu.
E eu pude ver quando ela fez careta pra isso. Não me contive e a abracei forte, tirando-a do chão, fazendo ela se apoiar nos meus ombros.

- Eu vou estar aqui se você me quiser, TODOS OS DIAS. - eu disse olhando nos seus olhos, que agora estavam no mesmo nível dos meus. - Se ela é mesmo sua amiga, ela vai ligar logo. Não se deixa uma amiga como você ir embora! - eu prometi.

Ela sorriu um sorriso enorme pra mim e tão infantil que não parecia a Srtª , e nem a que eu conheci nos seus momentos de fraqueza. Era uma nova e melhorada , Pensei se seria essa a sua verdadeira face.

- Me chame de ! - ela concedeu.

- . - eu repeti experimentando o nome em minha boca. - Eu sou o Jake. - Falei, enquanto colocava ela no chão e estirava minha mão pra nos cumprimentarmos como se fosse a primeira vez que nos víamos, e de certa forma era.

- Muito prazer Jake. - ela entrou fácil na brincadeira.
Puxei sua mão e a conduzi até a manta. Ela foi sem reclamar. Aninhei ela em meu peito sentando ela de costas pra mim pra esquentar ela melhor, abraçando os ombros; ela ainda estava com frio.

Me pus a pensar sobre isso, sobre ela, EU e ELA, mas especificamente.
Eu estava tão empolgado por finalmente reparar em outra garota e notar que ela precisava de um “ombro amigo” que eu nem sequer me perguntei o que seria realmente melhor. Amelie mesmo havia dito que ficaria o minimo possível em La Push, talvez eu não devesse intervir nisso, talvez eu devesse me manter distante de maiores problemas e decepções.

“Quando você não possui nada, não pode perder nada”.

Covarde,, eu sei, muito covarde, mas eu já me sentia muito envolvido com essa garota, seu cheiro, seus modos sempre imprevisíveis, sua forma absoluta de se entregar ao momento quando finalmente decidia ceder.
Não era mais seguro.

E se acabasse? Se ela fosse embora como queria, se fosse o melhor pra ela, afinal? Como EU ficaria nessa historia. Era melhor pegar leve com isso e esquecer essa estupidez de tentar conquista-la.

Ela se ajeitou em mim, quase ronronando de satisfação. Assim seria difícil, muito difícil.


P.O.V.

Nunca antes me senti mais em casa do que naquele momento, naquele lugar irreal, aninhada no muro de músculos e calor que era o Black, OPS, Jake, devo dizer agora.

E sim, ele venceu! Me sinto feliz com isso. Era simplesmente o cara mais interessante e perfeito que eu já tive por perto e não , ele não usava pasta de executivo LV e nem sapatos de couro italiano feitos a mão, mas ele ARRASAVA.

Eu admito e desisti de lutar contra a minha parte que deseja arduamente que ele me agarre. Na verdade a luta agora tá mais pra me privar de agarra-lo agora mesmo, porque, eu acho que ainda me sobrou algum orgulho.

O céu escurecia e ficava mais roxo a cada segundo, tão profundo e tão ideal, nem o shopping tinha me feito mais bem, e olha que era o meu lugar favorito em casa, nem meu quarto eu amava mais do que amava o shopping.

E agora eu amava isso aqui.

O cheiro amadeirado de Jake entrava em mim a cada respiração, parecia até que meus sentidos tinham se aguçado, nunca reparei tanto no perfume de alguem e olha que eu convivi com pessoas que usavam de Chanel nº5 à Carolina Herrera For Man.
Que colonia será que ele usava?

Me virei pra perguntar e estávamos perto demais, choque instantâneo e eu GELEI TOTAL.

Ele tinha aqueles olhos negros tão expressivos que agora se perdiam completamente nos meus, estávamos nos aproximando sem que percebêssemos isso. Perigoso, muito perigoso, eu fechei meus olhos sem me controlar.

O nariz dele tocou o meu.

Sabia que o estava chamando pra mim, meu lábios se entreabrindo.
Jake roçou a ponta de seu nariz no meu, experimentando, circulando, e então com um suspiro estrangulado ele subiu em vez de descer e me beijou na TESTA. Fiquei ainda mais gelada, porque aquilo foi um literal e imenso balde de agua fria. Talvez ele não estivesse assim tão afim de você, , sua CONVENCIDA.

- Preciso te levar pra casa, está anoitecendo. - ele começou a nos levantar, ainda juntos. Eu me desvencilhei dele ainda magoada pela rejeição. - Marta pode estar preocupada. - ATÉ PARECE!

- Ahan. - foi tudo o que saiu da minha boca. Super xoxo, eu sei. Mas o que eu devia fazer? Pular nele? Eu ainda tinha um restinho de dignidade.

O caminho de volta pareceu infinitamente menor, talvez porque agora eu não me sentia obrigada a nada. Fiquei pensando em como encararia a cara presumida da Marta, sendo que no final, ela tinha razão, e eu gostei do encontro.

Quer dizer, foi tudo ótimo até o momento em que ele não quis me beijar. O que aconteceu, afinal? Eu tinha ficado com torta nos dentes?

- E então... - ele coçou a cabeça todo sem jeito quando tava parado na porta de casa.

- Até mais AMIGO! - eu usei um pouco de sarcasmo, admito. Ele sorriu. O sorriso me desarmou e eu o peguei de surpresa ficando na ponta dos pés e roubando um selinho.

Fiz um sorriso presunçoso e sai dando tchau pra ele, mexendo só os meus dedos e ajeitando meu cabelo. Nem jogo charme!

Quando entrei Marta estava com uma panela enorme no colo enquanto mexia uma coisa que me pareceu o inicio de um creme para bombas, um dos meus doces preferidos. Ela nem fez uma cara tão convencida quando me viu entrar de bom humor. Apenas continuou mexendo e disse:

- Tem uma caixa pra você em cima da cama. O rapaz que entregou não sabia o que era mas garantiu que tinha um cartão. Veio junto com essas flores. - ela acenou pra um ramalhete de orquídeas caríssimo e maravilhoso que , com certeza, não foi comprado no fim do mundo.

Meu sorriso cresceu e eu corri para o quarto.












Capítulo 8 - Inesperado


P.O.V. da Kim

– Jared, você vai acordar os meus... pais... AMOR... - eu tentava tirar o meu, lindo, sexy e perfeito namorado de cima de mim sem convicção suficiente para que ele realmente saísse.

É claro que não ajudava muito o jeito que ele estava, todos aqueles músculos com os quais eu já devia ter me acostumado, expostos sem pudor.

• Só mais um pouquinho... vai Kimyzinha... - ele me olhava com aqueles olhos pidões de cachorro sem dono. Mas esse tinha dona, ah se tinha!

• Não, não... - eu tentei muito não sorrir e me arrepiar quando as mãos quentes dele foram pra debaixo do meu pijama e falhei miseravelmente, claro.

• Não, Jared, é serio. - eu consegui forças pra empurra-lo falando mais seria dessa vez.

• Ah, eu não vejo a hora de me casar logo com você! - ele jogou os braços pra cima, deixando a cama e me olhando exasperado. - Aí eu não vou precisar ficar me esgueirando como um ladrão na sua janela toda noite pra ter o que é MEU. - ele disse sério, olhando nos meus olhos e me derretendo igual manteiga no sol; ele QUASE me convencia. E ele não era nenhum pouco possessivo, que isso!

• A faculdade primeiro amor, a faculdade primeiro. - eu o reprimi e ele torceu sua expressão e quase fez uma careta, mas aí ele me encarou nos olhos outra vez e a careta sumiu pra dar lugar àquele olhar que eu sabia ser só pra mim. Um olhar de um servo ao seu Deus. Avançou até mim e me deu um ultimo beijo antes de pular minha janela e cair já como lobo.

Ele nem trazia mais a bermuda e era por essa e por outras que eu tinha de controla-lo e fazer ele voltar a realidade de que eu ainda estava no colégio e ainda morava com os meus pais. Mas sabe, eu amava tanto aquele garoto-lobo que não chegava a me importar com essa vida bandida que agente levava. Era até exitante, pra falar a verdade.

Eu nunca fui a garota descolada da escola e nunca fui a que se meteu em encrencas e arranjou documentos falsos pra sair de noite; com Jared eu extravasava todas as minhas faces e isso me fazia bem. Totalmente sem repressão. Estava mais segura com ele do que estive no útero da minha mãe, com certeza, confiava minha vida à ele de olhos fechados.

O IMPRINTING é uma pista de duas mãos, com certeza. Eu sabia, Emily sabia, Rachel sabia e acho que até a pequena Claire, poderia imaginar ao seu próprio jeito.

Hoje, no entanto, eu precisava deixar a minha mente vagar pra outro ponto que não fosse o único amor da minha vida, e por mais difícil que fosse, eu deveria fazer um esforço porque eu tinha uma tarefa muito importante à cumprir; a organização da festa de despedida de solteiro da Emily, a primeira de nós a se amarrar OFICIALMENTE.

A irmã dela, Kelly, mãe da Claire, era a madrinha; mas só viria na véspera do casamento então não podia se encarregar de nada. Leah era a dama de honra mór e eu era como uma segunda dama de honra, mas como Leah não estava nem um pouco inclinada a trabalhar por isso e depois da pegação dela com o Embry, seria um grande feito se ela vestisse um vestido por algumas horas pra comparecer à cerimonia, caiu tudo em cima de mim, a Kim, “ pau pra toda obra”.

Eu não poderia deixar que Emily se reunisse com algumas seis garotas e visse um filme clichê na TV, então, eu iria à luta. Sam era o melhor amigo de Jared e Emily sempre havia me tratado muito bem e me ajudado muito com essa coisa do IMPRINTING. Eu tinha mesmo que fazer alguma coisa boa, e eu sabia que precisaria de ajuda.

Ia ligar pra Rachel e ver se ela me ajudava, com certeza por já ter ido a faculdade, ela conhecia mais sobre festas do que eu. Ela com certeza não se oporia ao programa se Paul tivesse deixado ela dormir a noite; porque esses garotos não precisam de muito descanso e aí acham que agente também não precisa, somos meras humanas, eles tem que tomar ciência disso.

Não que eu estivesse realmente fazendo uma queixa, e duvido que a Rach se queixe também, mas esse é o espirito, quando você precisa estar plenamente descansada pra organizar toda uma despedida de solteiro do nada.

Me lembrei da tal , talvez ela tivesse ainda mais idéias do que a Rach, afinal, ela veio lá da Califórnia e pelo que o Jared disse ela teve problemas por ser festeira e por isso a trouxeram pra cá, o Sam contou a ele na ronda. Ela foi simpática o suficiente na festa pra que eu cogitasse ligar pra ela e pedir umas dicas, que fosse. È, talvez eu ligasse mesmo.

E do jeito que ela estava recusando o Jacob, ELA com certeza dormiu bem a noite.


P.O.V.

Eu amo o Tio Oliver, ai, eu AMO, AMO, AMO, o Tio Oliver. Ele é minha alma gêmea nesse mundo. Ele é fantástico e perfeito e pelo que parece é a única pessoa da minha família desnaturada que lembra que eu existo.

Claro que quando eu vi aquelas orquídeas eu soube de quem era o presente, ele sempre manda orquídeas pra mim, desde quando eu era pequena demais pra apreciá-las. Na caixa o que eu encontrei? Simplesmente um casaco-sobretudo de pele de chinchila tão sem palavras de incrível que me veio lagrimas aos olhos. Aquilo devia ter custado mais que o preço de um carro popular.

Foi quando eu percebi que aquele não era bem o presente, Tio Oliver deve te-lo mandado só por saber que Washington congela literalmente, porque aninhado naquela pela maravilhosa pele, estava uma caixa de veludo preta, de uns 15 por 15 centímetros e eu tive que controlar a minha respiração ofegante enquanto abria e via a seda preta e o brasão da DeBeers antes de olhar lá dentro e dar de cara com um colar sem palavras de perfeição. Um rubi gigantesco em forma de coração era sustentado por brilhantes e fios de ouro branco em uma corrente. Era tão, tão, tão Oliver.

Acho que eu já disso que amo o meu tio, não é? TALVEZ EU DEVESSE BERRAR ISSO!!!

Peguei o cartão e lá estava aquele papel de pergaminho caro e fino e aquela caligrafia perfeita que parecia ter sido aprendida em outro século.


Para a minha garotinha, com os votos de que esteja bem e feliz, do seu eterno escravo.
Oliver


Coloquei o casaco na hora e fui correndo até a Marta para que ela pusesse o colar em mim. Eu sei que parecia ter dois anos pulando e rindo daquele jeito mas alguém ainda se lembrava de mim, alguém ainda me amava, minha família não tinha me abandonado, pelo menos não o meu DINDO. Eu precisava escrever pra ele agradecendo, não, melhor, ligar pra ele. Ah, como eu queria vê-lo. Ah, como eu sentia sua falta.


Jacob P.O.V.

tinha esquecido o cachecol comigo, não sei exatamente quando ela o enrolou no acelerador da moto, mais tudo bem. Me senti tentado em ficar com ele, tinha o cheiro dela impregnado como uma fonte permanente de alucinações pra mim. Mas ai pensei que talvez ela precisasse, ela sentia frio longe de mim, e aí eu estava voltando pra devolver.

Toquei a campainha e esperei só um pouco. Ela mesma veio abrir a porta. Tinha um brilho infantil e alucinante nos olhos e sorriu pra mim como se nada pudesse apagar seu sorriso.

E então aquele cheiro me invadiu, me curvei pra frente e varri todo o meu campo de visão atrás do sanguessuga nojento. O que parecia impossível aconteceu, ela congelou o riso em uma careta. Eu passei ela pra traz de mim, protetoramente. Ela estava lá congelada enquanto eu me dividia entre a vontade de entrar em fase e de protegê-la, esperando o melhor momento pra fazer as duas coisas juntas.

–Jake, me solta. - ela finalmente conseguiu protestar.

–Tem alguém na casa. - eu sibilei ainda em alerta.

–Claro idiota, eu e Marta estamos na casa, e agora você tam...

Eu a calei com um olhar de repreensão, ela arregalou os olhos verdadeiramente assustada agora, mais que antes.

–Ai. - ela choramingou, tentando se livrar do meu aperto em seu pulso.

Larguei ela imediatamente antes que a machucasse e aí ela passou por mim cambaleando e eu finalmente entendi quando a vi de fato. Ela estava vestindo um longo casaco de pele e o cheiro intenso de vampiro vinha diretamente dali. Não estávamos sobre ataque. Relaxei um pouco e voltei a uma posição normal. Meu cenho ainda franzido e meu punho ainda esmagava a palma da minha mão. Ela tinha umas coisas pra me explicar.

–O que é isso? - praticamente rosnei para o casaco, aquilo era muito estranho.

-É um casaco de pele, imbecil! O que achou que fosse? Um animal de verdade? - ela me olhava sentida.

–Onde conseguiu isso? - continuei sendo objetivo, aquilo era serio, não tinha tempo pra ser educado e ter frescuras.

–Eu não “consegui” nada, o que acha que EU SOU? Tá sugerindo que...

–Você entendeu! - eu cocei a nuca impaciente e tentei baixar o tom de voz a muito custo.

–Meu tio mandou pra mim de Natal. - Ela empinou o nariz toda altiva.

–Que tio é esse? - aquilo cheirava cada vez pior, e eu não tava falando do casaco que agora eu percebia que tinha um rastro não tão fresco. O vampiro que pegou nele deve ter tocado a pele a uns bons dias.

–Olha, Black, eu não te devo nenhuma satisfação, você está me irritando, saia da minha casa! - ela cuspiu furiosa. Eu me ressenti quando ela me chamou pelo sobrenome, achei que já tínhamos pulado essa pagina.

–Agora eu sou Black de novo é? - perguntei deixando a amargura vazar pela minha voz.

Ela ficou muda e parou de me olhar com raiva.

–Me diz aí, quem é esse seu tio? - eu tentei o máximo de diplomacia. Ela fez um beicinho mas parecia que ia ceder.

–Ele não me deu só o casaco. - ela cantarolou feliz, voltando a alegria de antes do meu pequeno lapso em reação ao cheiro de sanguessuga. Percebi que ela estufava os seios fartos e vi o que ela exibia. Era um rubi em forma de coração, quase do tamanho do punho da Claire.

–E... - eu incentivei.

–Ele é meu padrinho. Tio Oliver. - ela falou com uma adoração que me irritou profundamente.


P.O.V.

Desde o inicio eu achei o Jake, ESTRANHO, mas tudo bem porque nós NÃO nos conhecemos nas ocasiões mais NORMAIS e em metade delas eu não estava em meu juízo perfeito. Tudo bem né, MAS O QUE TINHA SIDO TUDO AQUILO? E que interesse doentio era esse pelo meu tio?

Ele pareceu verdadeiramente perturbado e eu tive medo dele, eu tive PAVOR da expressão que ele fez quando praticamente esmagou o meu pulso.

Eu, burra, tinha ficado toda feliz quando vi ele lá na porta, o meu mundo parecia completo com meu casaco, meu novo colar e aquele homem lindo olhando pra mim, e aí, toda aquela pasmaceira acontece.

Francamente, eu estou mesmo num fim de mundo coexistindo com SELVAGENS.

–Olha, Black, eu não te devo nenhuma satisfação, você está me irritando, saia da minha casa! - eu fui bem direta, se era pra ele começar a me ofender e ser tão estupido comigo, eu não precisava daquilo.

–Agora eu sou Black de novo é? - ele saiu daquela posição bizarra e meio curvada que ele tinha estado todo o tempo e seus olhos eram tristes e limpos. Os mesmos olhos que me olharam no penhasco. Eu não consegui destrata-lo mais.

–Me diz aí, quem é esse seu tio? - pelo menos ele tava sendo normal de novo. Não achei que tivesse problemas falar sobre o Tio Oliver, afinal, ele era meu DINDO e fazia parte da minha vida e já que Jake agora estava sendo meu “amigo” poderia saber sobre isso.

–Ele não me deu só o casaco. - me gabei sem me conter. A alegria dos meus presentes me tomando de novo, a alegria de ser amada e aceita.

–e... - ele deu de ombros. Idiota, não tinha classe o suficiente pra perceber o quanto eram preciosos.

–Ele é meu padrinho. Tio Oliver. - disse, simplesmente. Ele franziu um pouco mais a testa e eu mandei um olhar de aviso pra ele. Não era seguro falar nada de mal do meu DINDO perto de mim. Eu o defenderia com unhas e dentes.

- Quem costuma fazer esse tipo de compras pro seu tio? - ele perguntou profissional demais.

Eu sorri presunçosa. Eu sabia bem essa resposta e ela era meu orgulho pessoal.

- O dindo nunca deixa que outros comprem os meus presentes, ele os envia pela mão de alguém mas ele mesmo os escolhe pessoalmente, desde que eu nasci.

- Quantos anos seu padrinho tem? - ele se sentou no sofá e eu fui me sentar na poltrona envolvida na minha pele de chinchila mais que perfeita.

- Não sei, uns 35 anos, eu acho... - dei um sorriso me lembrando dele, tão lindo o meu Dindo, parecia um deus com seus cabelos louro-mel cortados bem curtos e seus olhos castanhos escuros e perspicazes. A pessoa que mais me entendia em todo o mundo -

- Ele nunca parece mais velho, é sempre elegante e distinto, mesmo que tivesse uns 50 anos eu duvido que ele aparentasse essa idade. - eu falei com sinceridade. Jacob parecia ter levado um tapa na cara. Esse garoto era doido de verdade, coitado. Precisava de uma ajuda.

- O seu Tio é bem pálido, as vezes ele tem olheiras arroxeadas em volta dos olhos e o aperto de mão dele é sempre frio? - ele me perguntou assim na lata.

- Como você sabe disso? - eu olhei pra ele incrédula. Eu hein!

- FUCK*** GOD, que PO**** ...

- Ei, não fale palavrões, é vulgar!- ele me desconcentrou totalmente quando levantou de um salto do sofá e começou a xingar todos os nomes feios que conhecia.

O telefone tocou e eu não dei atenção porque ele tinha que me responder como é que ele conhecia o meu tio, de onde e de que jeito, mas aí a Marta, inútil, gritou que era pra mim atender e eu fui batendo o pé enquanto o infeliz do Jacob ficava me olhando com uma expressão mais estranha do que todo esse episodio estranho.


Jacob P.O.V.

Eu ainda tava lá parado igual a um poste sem que o neurônio Tico conseguisse assimilar o que o Teco tinha descoberto. PUTA QUE PARIU! O padrinho dela era uma sanguessuga?

Eu sabia que isso era serio, que tinha que sair dali e ir até o Sam contar tudo e tal, porque vai saber se ele aparece por aqui? Não podemos deixar vampiros entrarem em La Push. Mas minha mente não estava trabalhando por esse lado. Não mesmo.

Qual é o problema do meu coração? Porque ele tem uma agulha de bussola apontada pra toda garota “propriedade” de vampiros? Agora eu vou ter que lutar contra o amor de um “dindo”, é isso? Um idiota que ela parece idolatrar a vida inteira! Um PARASIRA idiota, uma COISA que nem é humana e que fez os olhos dela brilharem daquele jeito enquanto ela falava dele. Tão especial pra ela, era palpável.

Se mata Jacob Black. Os deuses não gostam de você, cara.

O cachecol dela ainda tava dentro do meu bolso da jaqueta, tão inútil ali, me senti muito retardado vindo trazer isso pra ela agora. O parasita dela já tinha providenciado um quilometro de pele cara e de marca pra cobrir ela do frio. Ela tava exultante e nem lembrava dessa merrequinha de cachecol.

E aquele colar então, aquela pedra daquele tamanho deve custar mais do que todas as casas dessa reserva juntas; em forma de coração e ela nem devia achar aquilo anormal, um coração de rubi, uma jóia que só se dá a mulher que se ama, até eu que não entendo dessas coisas posso compreender isso!

Não é nada que se dê a uma SOBRINHA, claro que não é.

Como ela estava feliz; inocente das intenções dele ou não, ela estava radiante.

Acorda seu idiota, você nunca teria nada pra dar a ela, você não tem nem onde cair morto e ela não é a Bella, que vai achar um pingente de madeira bonitinho. Amelie ia rir da sua cara. E, por DEUS, eu não queria aquela garota rindo na minha cara. Eu me sentia um lixo agora.

Nem fiquei pra ouvir a conversa que ela tava tendo no telefone, tirei o cachecol e pus encima do braço do sofá, girei nos calcanhares e fui embora. Subi na moto, fiz isso lento demais, como se tivesse congelado ainda. Todo câmera lenta com mais essa pra digerir, a essa altura minha cabeça já tava pedindo pra ser batida numa arvore com muita força por ter me metido em mais uma encrenca com uma GAROTA.

Elas são uma praga, isso sim, alerta geral de perigo. Pior do que enfrentar um exercito de sanguessugas recém-criadas, e olha que eu já fiz isso.

–Jake. - ouvi o grito dela vindo da porta. Não queria me virar, mas ia dar muito na cara, então me virei.

–Não sabe se despedir não, Jacob? Eu devia te dar um míni curso de etiqueta. - ela vinha rindo pro meu lado. Com os olhos brilhando pra mim, tudo por causa do sanguessuga, nenhum pouco dessa alegria era por mim. Perigosa, isso que ela era.

–Tanto faz. - respondi sem humor e vi que ela segurava o cachecol. Então meu pequeno rompante de cavalheirismo foi notado mesmo no meio de seus presentes tão brilhantes. Ela apertou os olhos me repreendendo por ter sido tão seco.

–Como é mal humorado. - ela levantou as mãos pra cima exasperada, exalando bom-humor. Ah, Minha ! Epa, sua nada cara, se controla!

–Er... tchau. - Não era isso que ela queria? Uma droga de despedida formal?

–Sai dessa moto e vem aqui pra perto de mim, que eu não vou te abraçar aí. - ela exigiu.

Eu realmente não devia, mas fui, porque? Talvez eu seja masoquista.

Ela me abraçou e sussurrou um “obrigada” no meu ouvido que me fez arrepiar igual a uma donzela. Patético. Eu ainda tava com muita raiva. Ai ela segurou as mãos em minhas bochechas e fez eu olhar pra ela, aquilo me desarmou, porque ela olhava pra mim com o mesmo brilho nos olhos que ela tinha destinado ao sanguessuga, nem uma grama a menos de gratidão. e eu só tinha trago a droga do cachecol, nem dei nenhum diamante pra ela. Porque me olhava daquele jeito? Claro, que, não tô reclamando.

fechou os olhos e me deu um selinho, depois me empurrou pra moto me dando uma tentativa de soco no ombro, no maior estilo”e aí, mano”.

–Me liga amanha. - ela ainda gritou. Nem precisava, eu escutaria se ela sussurrasse.

Dei partida e acelerei. Ela faria de mim o que quisesse. Tive a leve impressão de que ela sabia disso.




P.O.V.

-Alô. - falei seca e com raiva da Marta, por estar fazendo o trabalho dela.

? - uma voz fininha e muito tímida, engasgou do outro lado. Parecia que a grosseria do Black tava me atingindo, tentei manter um tom de pessoa educada, que sou.

–É ela. Com quem eu falo? - ouvi um suspiro do outro lado, devo ter intimidado pra valer a pobre alma.

–Aqui é a ... a Kim, não sei se você lembra de mim, nos conhecemos na casa dos Clearwater. - a garota falou ainda temerosa, decerto esperando que eu gritasse que nunca a tinha visto mais gorda na vida. Mas eu lembrava dela, era ela quem tinha sido amável comigo na festinha dos proletários. Eu não esqueço das pessoas que me são gentis, como já mencionado, eu tenho educação.

–Claro que eu me lembro, como vai você, Kim? - eu perguntei sincera.

–Ah, eu vou bem, obrigada por perguntar. - Isso , a garota já está melhor, você não estragou tudo definitivamente.

–No que eu posso lhe ser útil, querida? - eu perguntei muito polidamente, olhando disfarçada para o lado pra ver o que o energúmeno estava fazendo.

Nem ouvi o que a kim disse depois disso, porque vi Jacob tirar o meu cachecol da jaqueta e colocar encima do braço do sofá todo amuado. Ele só veio aqui pra me trazer meu cachecol? Quanta GENTILEZA! Que bonitinho!!!!

ÔHHHHH! Eu até esqueci porque estava irada com ele e nem me lembro mais porque ele me deve explicações!

Mas ai ele começou a sair com a cabeça baixa e de fininho sem se despedir, parecia totalmente abatido. Claro, né, , sua nojenta. Você só gritou com o garoto e ficou brigando com ele enquanto ele tentava lhe fazer um favor e ainda mais... ficou se exibindo com os presentes na frente dele como se tivesse dois anos de idade. Eu era uma IDIOTA!

Ele deve ter achado que eu tava esfregando na cara dele que ele era POBRE!!! Ah, meu Deus, DEUSINHO DO CÉU, que ele não tenha achado nada disso!!! POR FAVOR, POR FAVOR...

–Kim, posso ligar pra você em cinco minutos, preciso correr... ?

–Claro. - ela parecia entender.

Coloquei o telefone no gancho e passei a mão no cachecol, fui saindo a tempo de pegar ele ainda ligando a moto. Estupida, estupida, mil vezes estupida.

–Jake! - fui gritando sem nem olhar se tinha alguém por ali, pra ver eu pagando uma de barraqueira que se esgoela na rua. Isso estava temporariamente fora de questão.

Quando ele virou tinha aquela mascara de impessoalidade nele, mas eu já sabia onde olhar, e eu fiz. Seus olhos estavam magoados, BURRA, BURRA! Vô tentar descontrair né:

–Não sabe se despedir não, Jacob? Eu devia te dar um míni curso de etiqueta. - falei rindo pra ele e me aproximando.

–Tanto faz. - epa, não tá funcionando. Fiz uma careta com aquilo sem nem me controlar.

–Como é mal humorado. - coloquei os braços pra cima e bufei pra ele ainda na politica de deixar as coisas leves. Não tava funcionando de novo. Caramba, que eu não conheço mais nada pra fazer numa situação assim.

–Er... tchau. - ele falou, agora a magoa era mais presente. Não, não vai não, ohhhh Jesuis, eu devo dançar agora? Dançar eu sei, será que adianta?

–Sai dessa moto e vem aqui pra perto de mim, que eu não vou te abraçar aí. - tentei sorrir e jogar algum charme, quem sabe né, eu não sou feia, sei disso. E ele me beijou daquela vez né, ele evitou me beijar hoje mas talvez eu ainda tenha esse efeito pra ele.

Fiz minha melhor cara de conquista. Ele tava vindo até mim. Eba, tava funcionando.
Mas ele ainda tava chateado, eu sentia no ar. Fiquei chateada também e minhas armas de paquera ruíram. Jake me abraçava de má vontade enquanto eu me joguei nele com tudo, os pés na pontinha, saiu um “obrigada” da minha boca sem que eu pudesse editar. Ele arrepiou? Serio? Ah, , talvez você não tenha sido tão idiota, talvez ainda haja chances.


Não resisti e peguei o rosto dele com as minhas mãos. Fechei meus olhos tendo que controlar cada milimetro de mim pra não agarra-lo, dei um selinho. Tá, isso já é demais.

Desci os pés e me afastei, ele ainda tava lá me olhando com uma expressão curiosa mas sem magoas. Dei um soquinho nele, do tipo que os garotos dão nos amigos. Ele me olhou ainda mais curioso. Mas como não tava mais magoado eu achei que tinha feito bem em beija-lo.

–Me liga amanha. - também saiu sem edição nenhuma, enquanto ele dava partida. Nossa ele naquela moto era tão sexy! UIA! Fica quieta . Você não pode pensar isso garota.

Fiquei lá olhando ele virar a esquina lá longe, ai ai ai, eu não podia ta tão interessada nesse garoto, não podia mesmo. Eu nem lembrava de nada quando tava com ele, eu era quase uma ameba com ele, acho que meu Q.I. devia descer uns 100 pontos. Era como entrar em um modulo: sim, Jake, tudo o que você quiser. Eu tenho medo de mim. Desse novo eu, pelo menos, sabe, o fim do mundo meche com agente! AHHHHH, A Kim, coitada, que grosseria, ainda bem que eu tenho bina né, porque nem anotei o telefone dela.

Corri e peguei o telefone na base, sentei no sofá com força me afundando e redisquei. Tocou umas duas vezes.

–Alô. - a voz dela era toda meiga, uma graça!

–Kim, desculpa menina, eu precisei mesmo desligar. - eu me apressei em explicar, tentando me retratar.

–Que isso, sem problemas, fui eu que te liguei pra te incomodar...

–Incomodo nenhum. - eu afirmei. Ouvi ela sorrir mais relaxada do outro lado.

–Então, como eu tava dizendo... - Ai que bom que ela ia recapitular, porque afinal, eu perdi a metade. - Você vai estar muito ocupada amanha? - O que eu ia dizer: “olha Kim, eu espero que o Jake me ligue porque quero grudar nele o máximo de tempo possível!” É , definitivamente não.

–Não tenho nada pra fazer não, pode falar que eu topo. - e me empolguei, de certa forma, afinal eu não tinha uma saída de garotas a algum tempo, e com a Trace totalmente fora do ar por todo aquele tempo, eu tava mesmo carente de uma amiga.

Outra, se eu já tinha me apegado até ao JACOB, não faria mal nenhum eu ter uma amizadezinha com a Kim!

Ela me explicou que precisava de ajuda pra uma festa de despedida de solteiro pra noiva do Sam, o sobrinho da Marta.

Eu falei pra ela da minha tia Katie, meio irmã da minha mãe, que se casou 9 vezes e por isso eu era um tipo de autoridade no assunto “festas de casamento” ou “preparativos” porque passei minha infância e metade da adolescência vendo as mulheres da minha casa sapearem atrás dessas coisas e poderia sim ajuda-la com o maior prazer.

Ia ser engraçado e talvez eu pudesse até chamar o Jacob pra ir junto, só pra ver a cara dele escolhendo enfeites e lingeries de presente para noiva! HA! Ele queria ser amigo, pois bem, ele seria tratado como um amiguinho de verdade!

Combinei com a Kim de ela vir até a minha casa amanha, porque eu não conhecia a região e não sabia onde ela morava e disse pra ela não se preocupar com a locomoção até Port Angels, que isso eu arrumava.

A minha vingança por ele não ter me beijado naquele penhasco será doce. Espere e Verá, BLACK! Espere e você verá.












Capítulo 9 - Black vai as compras.



Jacob P.O.V.

Ainda tava ferrado no sono quando começou aquela barulheira na minha porta. Com os ouvidos de lobo eu era bem mais sensível às tentativas de Billy pra me acordar. Sentia uma certa falta da minha pré-adolescência e o meu sono 100% - naquela época nem com uma escavadora pra me derrubar da cama – me virei com as mãos no ouvido, mas ainda sim ouvi ele gritando:

- Jake, telefone! – e o seu punho caiu com mais força na porta.

- Ainda não acordei, pai. – eu consegui rosnar pra ele e me virar pro outro lado tentando abafar o barulho. – diga que eu sai! – Não tava nem um pouco interessado em saber da ultima coisa fofinha que a Claire conseguiu fazer!

Quem mais me ligaria, afinal?

- Então eu acho que devo despachar a Srtª , que pena. – Billy começou a rolar a cadeira de volta á sala.

Ele não teve nem tempo de chegar ao fim do corredor; eu saltei por cima dele com a cadeira e tudo, afinal, minhas pernas tinham mais de um metro e não era um salto difícil. Peguei a extensão já todo ligado, minha voz nem denunciava que eu acabara de acordar.

- ? – acho que disse empolgado demais, já que ela deu uma risadinha prepotente antes de responder.

- Jake! Bom dia. – a voz dela era tão doce e melodiosa e ela dizia bom dia de um jeito todo refinado, eu pude imaginar a expressão dela e ri com isso. Pela visão periférica, Billy estava fingindo não prestar atenção em mim enquanto eu notava uma ponta de alivio em seu rosto. Deixei-o de lado.

- Bom dia. – achei melhor responder, ou ela me ameaçaria com aulas de etiqueta outra vez.

Tive vontade de completar “a que se deve essa honra?”, mas achei melhor ficar na minha. Eu não estava reclamando que ela ligou, pelo contrario, era até bom demais pra ser verdade. Sai da casa dela ontem com um: “Me liga amanhã” que era só uma hipótese e acordo, ainda cedo hoje, com ELA me ligando? Sorte, finalmente.

- Eu imaginei se você ainda... Estava de férias? Você sabe... Férias de natal! – ela disse casualmente, mas era obvio pelo tom que ela estava tentando me induzir, me ganhar. Garota, você é um perigo!

- Claro! O que quer fazer? – Eu fui direto ao ponto.

Não ia fugir se ela me quisesse, sonhei com ela a noite inteira. Aquilo estava a cada segundo mais fora de controle e eu já tava a fim de deixar rolar, de qualquer jeito. Eu não seria covarde, nunca fui e não começaria agora.

- Estava pensando em ir a uma cidadezinha aqui perto, Port Angels; eu acho que esse é o nome... Dar umas voltas, fazer... qualquer coisa. – a voz dela continuava casual e levemente adocicada, mas então ela aumentou o nível e quase ronronou um: - Você me levaria Jake?

Até parece que eu ia dizer não, fala serio, ela tava quase implorando de um jeito totalmente meigo, que devia ser super de propósito, porque não combinava nada com a “fera” que eu sabia que ela era e que mesmo assim queria me convencer a passar o dia com ela.

- Claro, chego aí em meia hora. – eu disse e ela sorriu de novo, audivelmente.

- Obrigada, Jake... EU ESTAREI TE ESPERANDO!!! – Valeu, cara ai de cima, valeu mesmo, você finalmente ta mostrando serviço. Era hoje, ah se era!


P.O.V.

Acho que peguei meio pesado com a sedução no telefone. Jake pareceu animadinho demais.

Até pensei em ter dó dele quando descobrisse que iríamos eu, ele e Kim para um dia de meninas que estavam planejando uma festa de meninas onde ele era oficialmente o carregador de compras e chofer... Mas... Não, não tenho dó dele, quem manda me negar um beijo de frente pra aquele lugar magnífico?

Eu fiquei sonhando com aquele bocó a noite toda. Ele perdeu uma oportunidade única na vida e atualmente eu achava que ele não merecia mais que eu estivesse tão disposta a agarrá-lo. Teria que conquistar de novo.

Kim chegou pontualmente as oito horas da manha, alguns minutos depois que liguei pra Jake. Apreciei muito a pontualidade e achei a blusa dela uma gracinha, obvio, perguntei imediatamente onde ela tinha comprado.

- Foi minha mãe quem fez. – ela respondeu corando um pouco na pele moreno-clara. Aquelas pestanas gigantes e invejáveis, mesmo sem um rimel; batendo de um jeito todo tímido.

- Fala serio! – eu estava mesmo incrédula. – Minha mãe não sabe fazer nem um macarrão instantâneo no microondas. É um tricô muito rico!

E eu entendia um pouco de tricô já que eu adorava uma grife em Nova York que vendia uns sobretudos e pulôveres de cashmere feitos em pontos de tricô super elaborados. Comprava sempre um estoque deles quando ia pra lá no Natal.

- Obrigada. Sua roupa também é muito bonita, claro que é mil vezes mais bonita que a minha! – ela acenou pro meu vestidinho Dior e minhas botas Louboutin e uma jaquetinha de couro branca PRADA.

- Ah, não diga isso! Você está mesmo ótima. – e eu não estava sendo gentil embora a calça dela tenha sido comprada com certeza em um supermercado ou algo pavoroso do tipo. Kim tinha uma certa classe instintiva pra combinar o que usava e estava tão decente quanto eu por mais que suas roupas não fossem tão valiosas ou impressionantes.

- Tem certeza que não estou incomodando você? Poderia querer fazer outra coisa hoje. – ela disse ainda sem graça.

Eu passei minha mão pelo braço dela e a conduzi pra cozinha pra comermos algumas madeleines antes do nosso motorista chegar. Gostava dela, na verdade, desde a ceia de natal eu fui com a cara dela e definitivamente ela precisava de mim pra fazer aquela festa ser alguma coisa.

- Não seja boba. Vou me divertir muito hoje, você também, vamos fazer a melhor festa de despedidas de solteira de todos os tempos. – Kim sorriu pra mim um pouco mais confiante.

- Você disse que a gente não ia de ônibus... – ela especulou. Eu sorri brilhantemente, porque eu era um gênio.

- Ah, não, acho que ainda não estou pronta para a experiência de “andar num ônibus” – Eu contive minha verdadeira expressão de pânico. Ela riu. – Vamos de motorista! – eu avisei. Ela fez uma carinha surpresa e meio encabulada Foi minha vez de rir.

NÃO era só ELA que ficaria surpresa com a nossa forma de transporte de hoje.

Jacob P.O.V.

Estacionei o Rabitt na porta da casa de com uns cinco minutos de vantagem do tempo que disse que levaria pra chegar. Não demorou nada e ela já foi passando pela varanda e chegando até onde eu esperava escorado no meu carro. Ela tinha um sorrisinho todo malicioso nos lábios bem feitos e estava radiante.

–Muito bom Jake, chegou na hora. – me congratulava como se eu fosse algum aluno do pré- escolar e sorria demais. Aquilo não me pareceu um bom agouro, mas ela estava tão bonita e animada que não pude deixar de sorrir de volta.

–Vamos? – eu desencostei do carro.

–Ainda não. – ela falou mandona. – Preciso apanhar algo primeiro. – e então veio na minha direção, ficou na ponta dos pés e me deu um outro selinho, mais estalado. Antes que eu agarrasse sua cintura pra aprofundar o beijo, ela já tinha saído toda saltitante pra dentro da casa de novo.

Esperei por ela poucos segundos até sentir seu cheiro se aproximando misturado a um outro cheiro ligeiramente conhecido, antes de vê-la transpor a porta e...

O QUE A KIM ESTAVA FAZENDO AQUI?

Porque não trouxe apenas sua bolsa quando voltou. Ela veio de braços dados com Kim e esta parecia bem a vontade com o contato intimo e o fato de que estava sendo rebocada para o MEU ENCONTRO.

Bastou apenas uma olhada na expressão vitoriosa daquela peste pra ver que planejara tudo isso. Eu não iria me “dar bem” hoje, eu ia era servir de motorista pra aquelas duas! E sabe-se lá o que mais. Ah, ela me paga, que garota mais abusada e prepotente.

–Não vai abrir a porta pra entrarmos, Jake? - ela perguntava toda cheia de si. - Tenha alguma educação. - ela reclamou com uma careta e então piscou pra mim.

Tentei disfarçar o máximo o meu estado petrificado e, é claro, fiquei revisando na minha mente que se eu as deixasse ali e fosse embora eu teria um dia inteiro com Paul no sofá e Quill me enchendo o saco por não ter “aproveitado a chance” e saído com ela mesmo assim.

E apesar de toda essa tentativa de soar casual eu ainda nem sei como eu não dei uma tirada nela e fui pra casa porque eu simplesmente abri a porta para ela, o mais naturalmente que pude, e Kim entrou no banco de traz.

Então já estávamos no caminho até Port Angels antes que eu me recuperasse o suficiente pra protestar. E não era hoje que eu me daria bem com ela, não mesmo. O que eu ainda fazia ali era a grande questão.

- Muito obrigado por nos dar carona, Jacob. - Kim disse assim que estávamos na estadual.

Dei um sorriso amarelo pra ela e um “não por isso”. Ela, obviamente não tinha nenhuma ciência de que eu estava sendo usado e enganado pela sua nova amiguinha, ela era a Kim, afinal.

P.O.V. da Kim

Minha intenção era, apenas, conseguir alguma ajuda para realizar a despedida de solteiro de Emily, da melhor maneira possível. E você pode imaginar como fiquei animada e esperançosa quando se afirmou uma especialista no assunto e pareceu feliz em ajudar.

Mas, ao que parecia, sem me dar conta, acabei parando bem no meio de um fogo cruzado.
Eu com certeza não esperava estar agora, sentada no banco traseiro do carro de Jacob Black, que – pelo jeito que me olhou assim que me viu saindo da casa de Amelie – não tinha a menor idéia de que estaria nesse momento, servindo de motorista pra mim e pra ela em uma viagem de compras em Port Angels.

E sabe, eu preciso admitir uma coisa para , ela realmente tem a situação sobre controle. O clima tenso e negro que paira sobre as nossas cabeças nesse carro não parece nem um pouco incomodo pra ela; esta na verdade muito animada e até ligou o som sem pedir permissão em uma estação de musica pop que eu duvido que Black teria escolhido e esse é o carro dele!

–Muito obrigado por nos dar carona, Jacob. - Tentei inutilmente iniciar uma conversa e diluir a nevoa de constrangimento que afetava todas as pessoas do carro com alguma vergonha na cara, e que obviamente se tratava de nos dois.

–Não por isso! - Ele tentou sorrir pra mim.


E sabe, acho que tenho mais algo a admitir para , já que Jacob não é bem o tipo de cara que se deixa manipular assim e ele pode não estar sendo exatamente um docinho, já que age como se nem estivesse aqui, mas, bem, ele ainda está aqui não é mesmo? Não estamos em um ônibus, então suponho que o plano maligno dela pra arranjar um motorista funcionou.

–Essa sua coisa não vai mais rápido, não? - perguntou impertinente e eu pude jurar que vi os olhos de Jacob se estreitando em fendas pelo retrovisor.

–Se você pagar as multas eu acelero, querida! - ele devolveu e ela ficou na dela. Ia ser um dia muito, muito longo, esse.

Depois de instaurar-se o silencio absoluto pelo resto da viagem, nós chegamos ao centro da cidade, Jacob estacionou e nós saímos todos do carro para uma garoa fininha que caia do céu cinza chumbo, assustador.

–Então, onde você sugere que comecemos? - perguntou para mim enquanto fingia que estávamos sozinhas. - Quer dizer, você conhece a cidade, não eu! - ela sorria cada vez mais. Definitivamente confortável com tudo.

–Podemos ir até a loja de decoração que tem a uns dois quarteirões daqui, lá deve ter algo que possamos usar, você está no comando, eu não tenho experiencia nisso. - disse.

–Ah sim, mas, o que acha de deixarmos a decoração por ultimo? Podemos nos divertir um pouco antes... - ela apoiou um dedo no queixo como garotas fazem em seriados de TV. Eu quase não pude conter o riso e parece que Jacob também. Pro nosso bem, ela não notou, ainda estava concentrada.

–O que acha da loja de lingeries? - ela falou com um entusiasmo indisfarçado me lançando um olhar astuto. Poderia jurar que Jacob, atrás da gente, deu uma engolida forte.

–Tudo bem. - eu praticamente gaguejei, dando de ombros.

As vezes eu concordava com Jared quando ele dizia que a coragem não era uma das minhas virtudes. Eu não era muito chegada em situações de risco ou possibilidade de haver briga, gostava de pensar que meu forte era a descrição e aquela situação ali estava ameaçando se virar contra as pessoas mais próximas do conflito, ou seja, eu; e eu não gostaria de estar ali pra ver.


P.O.V.

–O que acha desse aqui Kim? - eu disse, desfilando na minha melhor imitação de Marilyn Monroe, balançando o cinto do robe que eu vestia por cima de um conjunto de lingerie de renda preta.

–Ééee tão... bonito. - os olhos de Kim brilhavam e sua voz transitava entre a admiração e o desconforto de me ver semi nua na salinha do provador enquanto Jake ficava na porta segurando as sacolas de compras com uma cara de bem poucos amigos, tentando ao máximo não ser pego olhando os meus peitos e fracassando terrivelmente. Dei uma gargalhada.

–Eu também acho! Devíamos nos decidir logo sobre as atrações, você sabe, essa coisa de homens invadindo a festa e fazendo strip-tease é tão OVER. - eu revirei meus olhos para a expressão dela de total panico ao constatar que eu NÃO estava voltando para o provador e colocando uma roupa imediatamente.

–Ah, não, não... Emily não ia querer nenhum homem tirando as roupas na sala dela. - Kim era tão adorável, ficou vermelhinha, eu gargalhei de novo. Estávamos em um dia hiper divertido, era quase como ter de volta o circuito de compras em Beverly Hills, eu disse, QUASE.

–Ainda vamos demorar muito aqui? Essas sacolas não estão muito leves e acho que vou começar a cobrar os serviços de carregador! - Jake grunhiu todo mal-humoradozinho e eu me virei totalmente de frente pra ele, encarando e deixando o robe se abrir mais do que deveria.

-Só mais uns dois conjuntos e nós vamos querido! - falei na minha voz mais doce, completando com um sorriso largo; ele desviou o olhar. - Porque não prova alguma coisa, Kim?

–A-a-a-a-ahhh, não, obrigada, mas não acho uma boa idéia. - eu que pensei que ela não conseguiria corar mais do que já estava, quase tropeçou nos próprios pés, e olha que a pobre estava ali parada.

-Claro que é uma boa idéia! Jacob, poderia nos dar licença, nos espere do lado de fora da loja... - eu falei automaticamente e ele me olhou com uma expressão realmente severa, então eu amaciei. - Por favor?!!! - bati um pouco dos meus cílios bem maquiados pra ele.

–Tudo bem. - resmungou taciturno e se virou enquanto eu empurrava um conjuntinho de seda rosa para Kim, porque ela merecia algo melhor do que as calcinhas de algodão antiquadas e horrorosas que ela com certeza usava.

–Eu não sei se isso vai servir ... Não é meio pequeno? - ela reclamava e eu podia ouvir a roupa caindo no chão do provador.

–Não seja boba, garota, afinal, como é que você ganhou aquele gostosão que estava grudado em você no natal. Aposto que não foi usando uma BURCA!

–Quem? Jared? - ela perguntou com uma risadinha encabulada.

–Não sei o nome dele, só sei que é um pedaço de mal caminho, amiga. Que braços, hein!

–Jacob também é grande, não acha? - ela disse tímida mas resoluta.

Desconversei total.

Jacob P.O.V.

Eu sinceramente não sabia o que estava querendo provar. Que ela era a garota mais sexy de toda a Olimpyc? Essa eu já sabia! Que ela poderia ser também a mais arrogante, mimada e manipuladora? Parece que ela se esqueceu que eu sabia muito bem que aquilo era só uma mascara idiota. Ou talvez, quem sabe, ela estivesse tentando demonstrar o quanto eu a desejava? Porque, pra mim, ela poderia parar com os joguinhos de poder se fosse por isso. Ela devia saber que eu queria ela, era bem obvio.

Tudo muito claro, eu começava a me cansar dessa infantilidade. O que eu tinha feito, afinal? Pensei que agente estava bem!

E, pelo menos alguem estava se divertindo. Ela e Kim pareciam estar se dando realmente bem, super amiguinhas embora a Kim ainda parecesse muito envergonhada em metade do tempo.

Sabe, eu aprovava 100% essa amizade.

Talvez Kim fosse a influencia certa pra por algum juízo na cabecinha da ; bem diferente daqueles amigos dela lá da Califórnia. Um bando de adolescentes estúpidos, riquinhos, e bêbados. Delinqüentes juvenis com cartões de credito sem limite. Realmente não era a melhor forma de se encarar a vida!

Mas o que eu tava falando afinal? Parecia um velho, e, hipócrita também! Eu era um lobisomem, pelo amor de Deus, o que eu sabia sobre as melhores formas de se encarar a vida ou sobre delinqüência?

Essa garota ainda vai fritar os meus últimos miolos. Certeza.

Tava sentado na calçada esperando elas virem daqui a algumas horas, no minimo. Porque, afinal, elas eram garotas fazendo compras e não era de se esperar que andassem logo com aquilo.

Mas, enquanto eu me distraia com as pessoas andando na rua e pensava nela, de repente, veio como um raio, passou por mim e nem me viu. Estava arrastando, numa mão uma sacola grande e na outra, uma Kim toda abobalhada; Ela olhava de um lado para o outro, frenética. Aquilo me assustou, estava me procurando.

–Estou aqui. - eu disse soando incrivelmente idiota ao me levantar da calçada apanhando as outras sacolas que estavam comigo.

–Ah, ainda bem... Temos que ir, anda, pra casa, agora! - ela parecia que tinha sido ligada na tomada. Verifiquei, e ela não estava aterrorizada, nem aflita e nem parecia triste. Era mais como uma empolgação diferente e um brilho meio fanático nos olhos.

Olhei pra Kim em busca de algumas respostas, mas ela apenas deu de ombros e entrou no banco de traz, enquanto tamborilava os dedos na porta do carro fazendo um som bem irritante.

–Dá pra parar com isso? - eu pedi meio que realmente de saco cheio dessa saída frustrante.

–Ah! OK. - disse, e parecia aérea demais.

Parou imediatamente com os dedos, pôs o cinto e olhou pra frente. Totalmente desconectada. O que teria acontecido? Como eu ia dizendo... Ela ainda iria me enlouquecer. Pode apostar.













Capítulo 10 - Trace Wolch



P.O.V.

Enquanto esperava Kim sair do provador – o que pelo tamanho da vergonha dela, poderia levar todo o resto desse seculo – meu celular começou a vibrar e quando tirei ele da bolsa, ele estava acendendo as suas luzinhas de neon rosa que só acendiam quando alguem em especial estava entrando em contato comigo. Alguem que finalmente dizia “OI”, depois de tanto me fazer esperar.

Entre quase morrer de emoção e alivio e agarrar o celular para deslizar o visor sobre as teclas, percebi que era só uma mensagem. CRETINA!!!

Dizia:

E aí bitch, afim de fugir da roça pra passar o reveilon com estilo? Te espero no aeroporto de Seatle as 10 da noite do dia 31. ESTEJA LÀ.

TracyCAT*

A vagabunda - anteriormente conhecida como melhor amiga - nem sequer se deu ao trabalho de pedir mil e uma desculpas, ajoelhada em pedras pontiagudas, por ter me deixado sozinha e sem noticias e só sumir sem nem se preocupar em como eu passaria pela terrível experiencia de ter sido exilada no interior de Washington, na península do INFERNO; e agora, não mais que de repente, ela esperava que eu fosse como uma cadelinha atrás dela, só por que ela me mandou essa mensagem de texto idiota que curtia com a minha cara na metade do seu conteúdo? É claro que...

Mas quem eu estou enganado? É claro que ela tava perdoada e é obvio que eu agarraria qualquer chance que fosse pra não passar o fim do ano aqui no fim do mundo!

Sai batida da loja arrastando a Kim, enquanto ela ainda ajeitava a blusa, balançando as sacolas e procurando o Black, inútil, que parecia ter sumido das minhas vistas.

Tudo depois disso era um borrão. Eu estava em transe, eu tinha uma chance de ser eu novamente com gente como eu e fazendo coisas da minha antiga, amada e muito gloriosa vida. Eu precisava chegar em casa depressa pra arrumar uma das minhas roupas de emergência nunca usadas e que eu pensei que teria que vender na internet a essa altura, do tanto que eu já estava acostumada com essa nova vida de pobreza e tragedia.

Acho que ainda tenho aquele vestido Dior platinado!!! Ele seria perfeito com os meus Manolos de couro de cobra. Mas espera, eu tenho aqueles perfeitos Jimy Choo dourados com contas... Tanto a se fazer!

Desenterrar meu dinheiro de emergências para a corrida de taxi até Port Angels e depois as passagens de avião eu posso colocar no cartão. Com certeza vão estourar o limite ridículo que tenho agora, mas quem se importa? Não é como se esse dinheiro servisse pra comprar nada de útil, afinal.

É tão pouco. Não dá nem uma prestação de uma bolsa Prada. Não que eu algum dia compraria alguma coisa na prestação, pra começo de conversa.

Vou precisar de Kim também, acho que ela é confiável. Se provou uma boa amiga apesar de, bem, habitante do fim do mundo. Ela vai ser minha cobertura pra que Marta não empate a minha vida.

–Você está passando bem ? - a voz preocupada de Jacob me tirou do mundo dos planos fabulosos por um momento. Estávamos na entrada de La Push. Nem tinha me dado conta do tempo passando e a viagem que já acabava.

–Claro Jake! - acho que não podia conter minha empolgação agora que tinha um plano de ação e minha felicidade era tão mais real de ser conseguida. Ele sorriu pra mim como se meu sorriso o tivesse ganhado.

Ele era tão bonito! De um jeito tão DELE.

Por um momento eu quis poder leva-lo comigo... Comprar um terno Armani pra ele e carrega-lo junto como um acessório ideal para uma noite ideal. Exibindo ele pra minhas amigas e pra babaca da Tracy que eu duvidava que tivesse conseguido um cara mais gato que ele nesse tempo em que ficamos separadas.

E então, olhei de novo pra Jake, como que para confirmar esse insight maluco, e então bati meu olhar no interior do carro, antigo e popular e fui jogada na realidade de que aquele não era o mundo dele. Não era nada parecido com ele! E por um átimo de segundo que eu deixei passar e se afogar em minhas expectativa positivas, eu quis não ir. Quis passar a virada do ano com ele, ali , no fim do mundo.

O que só prova que morar no interior meche com sua cabeça mesmo que seja por pouco tempo. Ele ficaria bem aqui e eu voltaria, não é? Não que eu estivesse muito feliz em saber disso, que eu voltaria mesmo no final, mas não era tão terrível também, não mais... Ele... estaria aqui.

–Chegamos! - eu exultei enquanto pulava pra fora do carro. Jake estava ao meu lado com as compras em um segundo. Ele era sempre tão rápido e gracioso.

Eu ia sentir falta disso... “Ei , sua idiota, você só vai ficar uma noite, talvez duas, fora. Não é como se fosse a vida toda, e você não quer voltar, lembra? Se você pudesse escolher você não voltaria!”

–Jake, você pode levar as coisas pra dentro e por no meu quarto, por favor? - eu falei com meu melhor tom para que ele não se sentisse coagido, ele não era meu empregado.

–Tudo bem. - ele disse, sem se importar e foi pegando as sacolas que estavam no banco de traz, todas em uma braçada só.

–Acho que já vou então, ... - Kim ia dizendo. Segurei em seu braço.

–Preciso de um favor. - eu sussurrei, e não sabia exatamente porque estava sussurrando mas fiz mesmo assim.

–Diz. - ela conspirou com um sorriso. Boa garota. Com certeza eu poderia confiar nela.

–Preciso que diga a qualquer um que vamos passar o fim do ano juntas, na sua casa, qualquer coisa assim. Apenas diga e suma da vista deles. Você pode fazer isso?

–Acho que sim, vou passar sozinha com o Jared, posso dizer que estava comigo, mas porque?

–Sabe a Tracy, minha melhor amiga que eu te falei sobre ela?

-Sim...

–Então.. ela me chamou pra ir passar com ela em Seatle o Reveilon e eu vou mas quero manter segredo da Marta porque meus pais querem me castigar em tudo, entende?

–Ah, , nun sei.... Você pode se meter em problemas!

–Sim, Kim, EU posso me meter em problemas e isso é COMIGO, né? - eu dei uma olhada dura pra ela mas que ainda foi suplicante demais.

–Ah, tudo bem, mas se cuide tá?

–Pode deixar garota, eu estarei em boas mãos.

–Então tá, mas... só uma noite né?

–Claro, claro. - eu abanei minha mão e fiz minha melhor cara de boa moça pra ela.


Ela sorriu e se foi. Jacob voltou um tempo depois dizendo que Marta tinha detido ele em casa e empurrado um monte de bolo de frutas nele. Não parecia muito irritado com isso, então o bolo estava bom. Não que eu fosse comer já que tinha que ficar maravilhosa em um Dior para o meu reveilon perfeito.


Seatle, Tryc Club – 30 minutos para a meia noite de 1º de Janeiro e um novo ano!

Trace Wolch estava tomando sua quinta tequila envenenada da noite, sentindo todo o calor do ambiente em sua micro saia e top de lantejoulas prateadas, invejando a garota mais descolada e bem vestida da festa, que, por mais um ano, NÃO ERA ELA.

Seu olhar se detinha em , impecável em um Dior platinado, os cabelos presos em um elaborado penteado que deixava alguns cachos rebeldes soltos, caramelados e muito atraentes. Em cima de um salto quinze D&G, rebolando na pista de dança com o cara mais cobiçado da noite, já a uma hora, sem demostrar nenhum cansaço.

Neste momento em particular, repassava em sua mente algumas maldições a si mesma, pela estupida idéia de tê-la convidado, em primeiro lugar. Se tivesse ao menos uma dica de que o retorno de sua “melhor amiga” seria aquele sucesso, não teria sido a responsável por trazê-la até aquele lugar, que era SEU mundo e não mais o dela.

Antes, assim que mandou a mensagem de texto com o convite, acreditou realmente que seria muito fácil e divertido ver AQUELA LÁ, sempre tão arrogante e cheia de si, caída de seu salto e sem nenhuma mordomia. Vestindo-se como uma caipira e com as pontas do cabelo duplas, quebradiças e vergonhosas, porque afinal, não havia glamour que pudesse ter sobrevivido ao interior do estado de Washington.

Ou, pelo menos, era assim que tinha de ser.

Ela, Trace, viveu tempo demais na sombra da “princesinha” , a sempre toda perfeita, mais esperta, melhor dançarina, mais bonita, melhor cantora, mais rica, melhor atriz, e MAIS... .

Era o suficiente para acabar com a vida de qualquer garota, e , era justo, que essa noite fosse sua revanche, e não, aquele porre homérico enquanto via sua rival dar show e encantar a todos, pra se ver ali, mais uma vez, totalmente ofuscada.


Enquanto isso... em La Push

Marta corria desesperada pelas ruas geladas e vazias da reserva até a casa de Kim, pra dar uma noticia horrível à sua patroa e protegida, , que estava supostamente passando o reveilon na companhia da amiga e seu namorado Jared e que não atendiam o telefone no momento, porque a ultima tempestade havia bagunçado as linhas telefônicas, o que parecia acontecer com freqüência naquele lugar, pelo que soube.

Jacob P.O.V.

Dava pra acreditar na minha maldita sorte? Aqui estava eu, sozinho, faltando quase nada para o ano novo, pelo que poderia apenas supor, já que estava no meio de uma RONDA.

Liguei para antes de sair de casa, as linhas estavam uma bagunça depois do ultimo aguaceiro que caiu; então fui até a casa dela, e afim de surpreender, pulei discretamente a janela de seu quarto. Bati com a cara na porta, figurativamente. E literalmente, batia minha cabeça na trave da janelinha infernal. Nada dela em lugar algum.

Ainda assim, a besta aqui não desistiu. Fui até a casa da Kim, que seria a única com alguma informação útil do paradeiro dela, pelo que eu imaginava.

Ganhei um: - Ela saiu Jacob. E ela pediu pra que eu dissesse que estava comigo, por favor não a dedure!

O que Kim quis dizer com “Não dedure” é o que eu não entendi exatamente. Eu tinha cara de dedo duro por acaso? É claro que isso não era da minha conta. Eu não ia dedurar ninguém. Até parece. Mas, Kim ficou bem assustada com eu ter descoberto tão facilmente que não estava com ela, então convenceu Jared a sumir por ai e me olhou com suplica em seus olhos.

A essa altura, não fazia diferença perguntar a Dona Marta sobre sua patroa fujona e mesmo que toda essa situação me cheirasse mal, fiquei na minha, aqui na minha agradável e muito proveitosa RONDA de fim de ano.

É claro, o ano não começaria assim tão pacato e rotineiro, não no meu mundo.

A mente de Jared entrou em contato com a minha enquanto eu marchava pela segunda vez o perímetro interno.

Cara, você precisa ir atrás da tal Srtª. . Os pais da Kim biparam ela e disseram que a Marta tá la esperando agente. A Kim tá pra ficar louca aqui. Nós temos que enrolar e você tem que achar a garota.

Ele parecia realmente em apuros e eu tipo: O que EU tenho a ver com isso Jared? Feliz ano novo pra você também!

E ele: Isso é serio Jacob, parece que aconteceu alguma coisa com os pais da garota. A Kim tem o celular da melhor amiga dela, uma tal de Trace. Ajuda agente, cara!

Ai a coisa muda de figura.

Onde eu encontro você, Jared?

Perguntei já pronto pra missão de resgate. Um frio percorreu minha espinha quando as palavras de Jared bateram em minha memoria outra vez “ ... parece que aconteceu alguma coisa com os pais da garota.” Isso cheirava ainda pior do que não te-la encontrado em casa e em segurança quando a procurei.

Vou te esperar na paria e vejo se encontro alguem no caminho pra ir com você.

Ele disse e então pude sentir a mente dele se desligando da minha quando voltou a sua forma humana.

Que não fosse tarde demais pra encontra-la e que ela não viesse pra descobrir nenhuma tragedia, era o que eu sinceramente esperava.


P.O.V.

Eu estava tão animada quando peguei o vôo para Seatle. Gastando toda a minha caixinha de emergência pra ir de primeira classe. Com meu cabelo hiper arrumado, uma cortesia da Kim, que acabou passando lá em casa pra me ajudar não só com o álibi para sair mas também com a produção e digo que , o que aquela garota diz não saber sobre maquiagem, ela com certeza compensa em sua habilidade em construir um penteado magnifico.

Devia a ela muito por essa noite. Ela estava sendo a melhor amiga de todas.

Mas isso, obviamente não diminuía a minha vontade de encontrar minha BEST na balada mais cobiçada do ano e finalmente ter um pouco da vida emocionante que eu sempre levei antes de ser jogada ás traças no meio do mato.

Quando o avião desceu, tentava por tudo não parecer extremamente exitada, como eu realmente estava. Essa atitude seria motivo de muita piada e ficaria obvio que aquilo era um verdadeiro resgate e não é bom parecer que se está tão por baixo que precisa ser salva de passar um fim de ano em companhia de lençóis ruins, romances teens e traças.

Um cara de terno preto - quase tão grande quanto Jake e seus amigos - estava parado no desembarque segurando um cartaz onde se lia .

Era a minha carona e quando eu vi a limousine preta e clássica pra onde fui conduzida, estranhamente eu me senti desapontada por Trace não ter vindo me buscar e apenas mandar seu motorista para faze-lo. Claro, ignorei esse novo sentimento idiota e me regozijei com a incrível possibilidade de ter minha vida social de volta.

As ruas de Seatle não eram tão fantásticas como as de NY ou mesmo minha amada Beverly Hills, mas certamente davam para o gasto. Ainda mais quando eu pude divisar o grande clube com seus seguranças, fila de espera quilométrica e gente tirando fotos de pessoas descendo de suas limousines para um clichê, porem sempre ideal, tapete vermelho.

Eu estava de volta ao lugar de onde jamais deveriam ter me tirado, de volta ao centro do mundo e aos olhos do mundo, também.


Jacob P.O.V.

Minhas patas mal roçavam o chão a essa velocidade, a mente de Seth estava dispersa e envolta na emoção da velocidade. Estávamos quebrando recordes hoje, com certeza. Mas dos dois, eu era com certeza o mais interessado em superar todos os meus limites.

Com apenas o básico amarrado a nossas pernas, teríamos que “pegar emprestado” algumas coisas de civis e eu realmente odiava usar minhas vantagens genéticas contra rélis humanos. Mas, ao que parecia teria que ser assim mesmo.

Chegaríamos a área habitada de Seatle, acharíamos um telefone publico, ligaríamos para a tal Trace ou tentaríamos o endereço de um clube chamado Tric, caso não conseguíssemos a primeira ligação. Então entraríamos no clube e pegaríamos Amelie.

Com sorte Jared já teria chegado aos limites da cidade com o carro que ele “pegou emprestado” de um cara que estava festejando em um luau; o carro era um TURBO, seria muito útil. Teríamos pouquíssimo tempo e precisaríamos de precisão, mas se funcionasse, se seguíssemos bem o plano de ataque, voltaríamos pra casa e estaria tudo bem outra vez.

Kim estaria livre de uma bronca imensa, estaria fora do grande castigo e poderíamos saber o que de fato aconteceu para que Marta fosse até a casa de Kim no meio da quase contagem de fim de ano para dar um recado ou noticia ou o que fosse que ela realmente precisasse dizer de tão importante; porque nós não sabíamos de muita coisa, a não ser que era sério e envolvia o Sr. E Srª. .

Minha preocupação com isso ainda me açoitava. Será que a noticia para a qual eu estava buscando , era uma coisa que eu realmente queria presenciar ela recebendo? Não seria melhor deixa-la ficar onde estava e quando voltasse pra casa feliz de sua escapada imprudente e despreocupada, ela pudesse ai sim ser jogada à realidade.

–Acho que só pioraria as coisa, cara.

É, pelo visto Seth não estava tão desconectado do meu caos interno quanto eu pensei que estava.



P.O.V.


–Uma soda, por favor. - pedi ao bartender que não devia ter servido um refrigerante que seja em toda a sua carreira. Nunca era cedo pra começar.

Eu não estava afim de encher a cara. Eu estava feliz demais pra isso. Em muito breve eu iria rever meus amigos, minha melhor amiga, dançar até me acabar com as musicas mais descoladas e conhecer gente nova e interessante. Alem disso, eu sei que estava aqui totalmente escondido da Marta, então, não beber era algo que eu podia fazer por ela e ao mesmo tempo pelo sentimento de culpa completamente inaceitável que estava se abatendo sobre mim por ter mentido.

! - Bianca, em seu tubinho Armani vermelho de corte perfeito, gritou eufórica. Correndo imediatamente até onde eu estava e me olhando com empolgação. Ela era a irmã mais nova de Trace e eu não sabia que ela agora fazia parte da mesma turma que a irmã. Fala serio! Quanta coisa pode mudar em um mês? Mas eu gostava de Bianca e era bom vê-la.

–Bi! - cumprimentei com os dois beijinhos de sempre.

–Você tá incrível , quem diria! - tudo bem que esse “quem diria?” era um pouco demais. Ela realmente esperava que eu fosse chegar aqui numa carroça com tranças no cabelo? Eu fui para o interior de Washington, não Texas.

–Você também está ótima querida. Andando com a irmã mais velha agora, é? - provoquei.

–Que nada, é só coincidência. Na verdade, parece que toda a L.A. veio parar aqui. Essa é A FESTA do fim do ano. O clube é novo também, estão inaugurando hoje. - ela dizia enquanto balançava seus cabelos lisos e louros no mesmo ritmo da batida da musica.

–Ow, quem diria, . - Lucas apareceu por traz de Bianca com aquele sorriso ensaiado, o smoking D&G um tanto afeminado e os músculos de academia dos quais ele tanto se orgulhava.

Era impressão minha, ou, depois de conhecer o Jake, Lucas não era assim tão impressionante?

–Hei LuKe. - cumprimentei da mesma forma que cumprimentei Bianca.

–Você não estava morando na fazenda, ou alguma coisa assim? - ele perguntou bebericando seu drink muito colorido e exagerado.

–N-Ã-O. - eu estava incrédula de como a noticia de minha mudança tinha sido distorcida.

–Então... decidiu voltar para nós, foi? - ele colocou a mão na minha cintura, chegando mais perto e excluindo Bianca da conversa. Não que ela estivesse se importando muito, já que pediu um drinque quase tão colorido quanto o dele e deu o fora.

Eu devia ter me afastado porque aquela mão na minha cintura definitivamente estava me incomodando, mas ai eu lembrei que ele sempre fazia isso e eu sempre achei normal antes e então eu pensei duas vezes para começar a agir totalmente diferente e dar margem pra maiores comentários. Pelo visto alguém andou espalhando muita coisa sobre eu ir morar em Washington e agora eu estaria correndo atrás do prejuízo para concertar isso.

Meus olhos percorriam todo o clube em busca de Trace, que com certeza não deve ter chegado ou já teríamos nos encontrado, afinal, eu veria ela, ou ela me veria. Porque é obvio que as duas estavam loucas pra se encontrar e eu estava fazendo a minha parte e contando que ela faria a dela.

–Vamos dançar um pouco Miss Washington. - Lucas provocou com o que ele deve ter achado que era sua expressão mais sexy. Eu quase rolei os olhos e quase dei risada dele, mas achei que esse seria um comportamento extremamente reprovável já que ele era supostamente o cara mais quente de Beverly Hills, pelo menos a um mês atrás, e isso devia significar algo.

Fui com ele. Dançar era fácil, era minha praia e com boa musica e bons dançarinos na pista, tudo só melhorava. Me deixei levar e me foquei em aproveitar a noite. As vezes Luke fazia uns movimentos realmente ridículos e eu podia gargalhar enquanto fingia me divertir com ELE e não as custas DELE. Nem sei por quanto tempo nós dançamos e então ele voltou ao bar pra abastecer sua cota de álcool que já devia estar ficando perigosamente baixa e eu pedi que ele me trouxesse uma agua com gaz.

Me sentei em uma mesinha e esperei.

–O que você acha que está fazendo, sua fracassada?

A voz veio de traz de mim, irreconhecível pelo tom de raiva regado a muita bebida. Me virei para encarar minha interlocutora e foi como se umas mil facas concorressem para perfurar meu coração. Trace estava parada às costas da minha cadeira, uma roupa vulgar demais até mesmo para os padrões liberais que adotávamos, brincos Chanel tão grandes que poderiam ter sido vendidos como um outdoor da marca, e, me encarando como se eu fosse a coisa mais suja e repugnante que ela tivesse visto na vida. O que aquilo significava?

–Não me ouviu, queridinha? O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?

Eu simplesmente não tinha nenhuma resposta para ela. Quem era ELA? Onde estava a minha melhor amiga Trace que eu conhecia desde a maternidade, literalmente? O que aquela MEGERA completamente chapada fez com ela?

E tudo de repente tudo começou a fazer sentido. Ela nunca me ligou, ela me chamou pra vir a essa festa por uma mensagem de celular, ela não foi me pegar no aeroporto... Todas aquelas pessoas surpresas em me ver, toda aquela coisa de eu estar morando na “roça”.

Aquele não era um convite da minha melhor amiga pra que eu passasse o reveilon com ela por que ela sentia a minha falta como eu sentia a dela. Aquela era uma armadilha pra que eu passasse vergonha em frente aquelas pessoas, pra que eu aparecesse mal arrumada ou não aparecesse de jeito nenhum, ou sabe-se lá o que ela pensou que iria acontecer.

Eu tinha sido cortada da lista dos VIPs. E foi pela pessoa que eu achava ser a minha melhor amiga. Senti uma pontada no meu peito e então esse grande bolo se formou na minha garganta e de repente era tão, tão difícil conter as minhas lagrimas, que eu estava a um passo de desabar.

–O Luke é meu, você me entendeu, sua caipirinha ridícula? Eu fui clara? ELE É MEU!

Ela estava ensandecida, eu nunca tinha passado por nada assim. Tinha muito ódio e ressentimento ali e eu nem mesmo dancei as musicas lentas com Lucas para merecer suas acusações, eu não queria nada com ele.

–Esse MUNDO é MEU! - ela fazia um gesto exagerado e abrangente com os braços finos.

E eu ali, em pé, ainda completamente imóvel, tentando muito não cair no choro como um bebê.

Será que eu não tinha nada afinal? Meus pais nunca se importaram, mas Trace sempre esteve comigo. Ela era minha amiga, porque ela estava falando aquelas coisas pra mim e porque ela queria me humilhar? E porque agora, quando não conseguiu, aparentemente, o que queria, ela veio esfregar na minha cara que aquela amizade era uma mentira?

, aqui. Não tinha água com gás mas eu trouxe... - Luke percebeu finalmente a figura que se colocava à minha frente, apontando o dedo pra mim e esbravejando xingamentos. Tenho que admitir que ele ganhou alguns créditos comigo quando se colocou a minha frente.

–Não seja ridícula Trace, vá curar essa ressaca, está bem? Você não quer realmente dar esse vexame , quer? - e então ele chamou por Bianca que passava por ali.

Eu vi Bianca rebocar a irmã quase que a força para algum lugar longe do salão, enquanto me sentava novamente na cadeira, desabando e ainda em estado de choque e na verdade, não fazia idéia de quando é que o estado de choque iria me deixar.

–Qualquer coisa que ela tenha dito, , esqueça está bem? Ela só estava bêbada. Vocês vão ficar bem - Luke sentou-se ao meu lado e tentava fazer um papel de pessoa centrada que consola, o que sinceramente, não combinava com ele.

E então, algo dentro de mim se acendeu, uma raiva e um desejo de revanche que apagavam por completo aquela dor de rejeição. Ela queria ser uma cretina comigo, não queria? Eu seria uma cretina com ela. Voltei a mim e a festa ao meu redor.

–Eu preciso de um drink, grande e com muita vodka. - disse com minha melhor voz de garota fácil e olhei pra Lucas com um sorriso 100% falso, que deve ter soado como a resposta aos seus bons conselhos, já que o idiota foi ainda mais rápido em me trazer a bebida.

Trace iria descobrir algo muito importante sobre mim essa noite. Uma coisa que como minha amiga ela foi poupada de saber. Eu era muito boa em ser a garota de classe, mas eu era ainda melhor sendo uma “bitch”, porque eu sabia jogar sujo e eu sabia descer ao mesmo nível; EU não me considerava melhor do que ninguém, não mesmo, e, eu não me achava superior e não iria me abster de machucá-la assim como ela me machucou.

Talvez eu começasse com uma chance ao meu caro amigo Lucas que estava sinceramente interessado em me amassar naquela pista de dança. E ela veria, ah se veria! Eu conhecia aquela víbora o suficiente pra saber que ela não iria embora assim, mesmo que eu não a tenha conhecido o suficiente pra evitar de faze-la minha melhor amiga.












Capítulo 11 - Ano novo, Velhos hábitos



Seth P.O.V.


Nada daquilo parecia certo pra mim.

Ir atrás da garota do Jake - que ele já disse umas dez vezes que não era a garota dele, mas tudo bem porque nem ele sabe o que está falando – Roubar carros, roubar roupas, roubar convites de festa, quebrar câmeras de vigilância, bater um pouco e roubar mais alguma coisa.

Se não fosse o risco de ter acontecido algo realmente serio com os pais da Srtª eu não estaria me metendo nessa. Minha mãe com certeza me esfolaria vivo se descobrisse onde estou agora e Leah iria ajudar ela nesse serviço.

Que bela forma de passar o fim de ano.

Já tava era passando da hora de eu arrumar um imprinting pra mim. Gostaria que tivesse um botão que agente aperta em algum lugar para ligar e desligar essa coisa de lobos. A maioria do bando se arrumou e eu ficava aqui jogado as traças, ou era arrastado para rondas com Colin e Brad, as crianças. Sentia saudades dos Cullen também, mas isso eu devia realmente guardar à sete chaves dentro da minha mente se não quisesse levar uma surra, liderada certamente por Jacob.

O humano que Jake nocauteou do lado de fora da boate para pegar os passes livres e o terno era um desses seguranças grandalhões que metiam medo na molecada. Claro, pra um lobo ele não era pário e nós sabíamos que aquilo não era muito justo e nem muito direito, alem do que já era pra ele ter voltado à consciência e Jake ter voltado com a garota. O que ele estava fazendo lá que não voltava? Será que viemos ao clube errado? E o humano, será que tinha morrido ou entrado em coma e coisa do tipo?

Conferi os sinais vitais. O coitado tava só dormindo mesmo. Menos mal.

E foi então que eu ouvi a voz do Jake mesmo com os ruídos da musica muito alta. Parecia chegar cada vez mais perto de onde eu e o segurança desacordado estávamos esperando, logo atrás do clube noturno em uma viela que dava pra um beco desses sujos com caçambas amarelas de lixo.

Ele estava aos berros com a Srtª e não é como se eu quisesse ouvir nada, mas eu tenho ouvido de cachorro sabe, literalmente. Fiquei na minha e tentei bloquear a conversa deles pra dar privacidade. Não que tenha funcionado!




Jacob P.O.V.


Aquela droga de boate tinha gente demais, nenhum ar circulando, nenhuma saída discreta e um DJ idiota que parecia decidido a tocar só musicas estranhas feitas com gente bêbada grunhindo.

Pra não falar que aquele cara de quem eu peguei o paletó emprestado não era tão largo nos ombros mesmo que as mangas estivessem perfeitamente ajustadas em mim e eu parecesse bem patético com o meu jeans e os sapatos dele, no minimo um tamanho menor que meus pés.

Mesmo quando se é um lobo, acredite, a dor ainda significa alguma coisa. Meus pés estavam com certeza me provando isso, nesse exato momento.

Era impossível de identificar naquele bolo de gente, todos vestidos com cores claras em panos muito brilhantes, parecendo tão iguais em tudo, como um rebanho. Pelo seu cheiro não era possível, já que era tudo tão abafado que meu olfato foi para o espaço. Mesmo com minha visão privilegiada eu estava sendo cegado pelo conjunto de luzes muito coloridas e irritantes. Minha audição aguçada escutava cada nota da musica, muito ruim, mas não conseguia distinguir a voz dela no meio de tudo.

Aquilo era, oficialmente, minha nova definição de pesadelo e eu me perguntava a cada segundo o que eu ainda estava fazendo ali, o que Seth ainda estava fazendo lá fora, ao lado de um humano desacordado e o que EU ganhava com toda essa situação, exatamente.

E nem uma resposta vinha a minha cabeça.

Mas ai eu me obrigava a pensar em Marta toda desesperada com alguma noticia bombástica pra dar à e a Kim mais desesperada ainda por ter sido convencida – enquanto tentava ser uma boa pessoa com – à mentir por ela e com o perigo de se desmascarar bem no meio de uma provável tragedia familiar e eu continuava ali parado como o pateta que eu era, olhando pra todo lado com os sentidos prejudicados e quase humanos, até que um brilho vermelho me chamou a atenção e eu vi aquele maldito rubi em forma de coração que o padrinho sanguessuga tinha dado pra ela de presente.

O colar estava no pescoço de uma garota completamente bêbada, vestida de um jeito muito sensual, com um vestido colado e decotado nas costas e na frente.

Ela dançava amparada por um cara que claramente estava se aproveitando para passar a mão nela onde podia e não podia e que parecia tão bêbado quanto ela, com um corte de cabelo cheio de gel ou sei lá o que esses playboys usam por ai pra fazer o seu cabelinho estúpido ficar assentado em suas cabeças de ovo.

Nas mãos ela tinha um drinque grande com uma sombrinha colorida na borda e ela parecia totalmente alucinada, enquanto arruinava seu penteado dançando com tanta fúria que teria acertado alguém de forma fatal se dançassem muito perto deles, e, apesar de tudo, estava fantástica.

Ainda era a mulher mais bonita da festa, e foi isso, e não finalmente a reconhecer, que me fazia acreditar que eu tinha encontrado a nossa fugitiva adolescente. Com certeza, portando uma documentação falsa só pra melhorar um pouco a minha situação se algum policial estúpido fosse nos parar.

Bater em mais humanos parecia ser minha sina da noite. Certamente o segundo cara a apanhar seria aquela coisinha com quem ela dançava. O moleque ia aprender a passar a mão na vovozinha dele. Rumei para o meio da pista principal afim de pega-la e acabar logo com esse fim de ano desastroso, mas alguma coisa me impediu.

A contagem para o dia 1º de janeiro tinha começado.




P.O.V.


Não há nada como a inconsciência parcial de quase um litro de Vodka no seu sistema. Era como se eu flutuasse na pista de dança e ao mesmo tempo arrastasse os meus saltos D&G como se fossem bigornas. E nada disso realmente importava, porque o meu estado completamente embriagado me impedia de ser consumida por todos os sentimentos que me assolavam, desde que eu pus na boca a primeira gota de álcool dessa noite maldita.

Minha melhor amiga era uma vadia falsa, meus pais não estavam nenhum pouco preocupados se eu vivia ou morria e nem um cartão de Boas Festas me mandaram, e, eu fugi, voluntariamente, das únicas pessoas no mundo que me trataram bem. Só para estar aqui, no meio de toda essa multidão e na companhia de ninguém;

Esperar o fim desse ano e o começo do próximo na completa solidão interior, de porre e sem nenhuma disposição para acordar desse torpor induzido tão cedo. O que deveria ser uma passagem importante era para mim, assim como boa parte da minha vidinha insignificante, um grande acontecimento em branco, literalmente de Branco.

A musica parou e os telões começaram a exibir uma seleção de fogos ao redor do globo como estava previsto. Luke deu um passo a frente com a clara intenção de me abraçar mas não era ele quem eu queria ali, então eu dei meu próprio passo, pra mais distante dele e cruzei meus braços junto ao peito desejando que os malditos 10 segundos pudessem durar apenas um piscar de olhos e que a musica voltasse, que o bar reabrisse e que eu pudesse me esquecer da minha miséria com mais um pouco de bebida gratuita.

10

9

8...

De repente era como mergulhar em uma poça de gelo. Porque eu estava sentindo tanto frio se aquela pista estava tão cheia...?

7

6

5...

Uma lagrima caiu do meu olho que felizmente estava maquilado com produtos a prova d'água. Eu era tão patética!

4

3...

- Feliz ano novo! - Uma voz rouca e grave sussurrou no meu ouvido, me aquecendo e me fazendo acreditar que tinha endoidado de vez, porque agora eu tava alucinando também.

2...

Minha alucinação me virou de frente para ELE, segurou as minhas bochechas em suas mãos sempre tão quentes e grandes e me beijou sem hesitar.

1...

ZERO!!!

A nossa volta explodia o ano novo e os gritos de vivas de todas as pessoas do clube, enquanto eu nem sequer me importava de estar realmente louca e beijava de volta fingindo com toda a vontade que aquele beijo era REAL, que Jake estava mesmo ali e que eu estava caminhando nas nuvens sem nenhum efeito da Vodka; apenas dos lábios macios e fartos grudados aos meus em um roçar suave e profundo que me fez surda, muda e sem sentidos por todos aqueles instantes.


Jacob P.O.V.


”Pronto , agora ferrou de vez!”– Eu pensei assim que a musica parou e as pessoas começaram a se abraçar e se preparar para a passagem do ano. Era, de repente insuportável, imaginar Amelie beijando aquela coisinha engomadinha com quem ela dançava.

Mas era isso que ia acontecer, não era? Ele se esfregou nela durante toda a musica, estava claro que escolhera ela para o “beijo da virada” e todas as outras tradições. Queria pular em cima dele e deixa-lo desacordado, em um pior estado do que o segurança la fora, e ao mesmo tempo, eu sabia que não faria isso, assim como não fui capaz de ir atrás daquela sanguessuga nojenta que matou a minha melhor amiga, a mulher que eu amava; transformando-a num monstro igual a ele. Covarde era o que eu era.

A minha frente uma garota também parecia passar pela mesma situação que eu. Ela era incrivelmente loura e parecia uma stripper pela roupa que vestia, que era bem mais curta do que a maioria. Em uma fração de segundo enquanto eu desejava fechar os olhos para não ver e o playboy aos beijos, ela tinha em sua face a mesma expressão e olhava para a mesma direção.

Ia me virar e esperar que eles acabassem...

Mas antes de qualquer atitude minha, eu vi dar um grande passo para traz, ficando bem mais próxima à mim do que à ele, e a vi cruzar seus braços em torno do decote de uma maneira angustiada e desprotegida.

Um jeito que me lembrou, pela segunda vez, uma certa garota humana que eu conheci a muito tempo e que sempre agia assim quando estava sofrendo. Depois disso foi automático. Era a minha deixa. Ela tinha esclarecido bem as coisas com seu acompanhante.

Cheguei nela de fininho, de perto eu podia sentir claramente o aroma de sua pele. Foi como se eu me embebedasse. Não prestava mais atenção a nada.

- Feliz ano novo! - minha voz saiu sozinha. Ela tremeu e eu percebi feliz que tinha soltado os braços da prisão que fazia em torno do peito. Me reconheceu imediatamente. Talvez até esperasse por mim. “Não seja presunçoso, Jacob” - pensei enquanto a virava, tomando-a nos braços claramente intencionado.

Seu rosto exibia uma gama de expressões que iam do pânico à alegria. Seus lábios se entreabriam em sintonia com os meus. Ela não refugou meu beijo nem por um instante sequer, como se estivesse se entregando em minhas mãos de uma forma completa.

Não sei quanto tempo a gente se beijou, sentindo o gosto um do outro sem pressa. A boca dela ainda tinha um traço marcante de álcool mas não era desagradável. Talvez eu devesse falar serio com ela. Acho que o que nós dois precisávamos naquele momento era um ultimato. Essa coisa de amizade colorida já tinha dado o que tinha que dar.

Eu imaginava se ela recusaria um relacionamento de verdade e mesmo que boa parte de mim ainda tivesse calafrios só de pensar em compromisso com qualquer mulher que fosse, estava claro demais pra quem quisesse ver que nós estávamos destinados a nos encontrar; combinar e descombinar na medida certa.

- Hei você! - o humano imbecil, praticamente gritou no meu ouvido. Ele tinha me cutucado também, mas é claro que eu nem me dei conta disso já que a força dele era como uma pena para mim.

Nos separamos, ainda estava ofegante e virada de frente para mim. Apoiei ela pela cintura e a coloquei a meu lado pronto para a interferência.

- O que quer? - ladrei para o humano que pareceu vacilar um passo para traz quando olhou bem para mim. Reconheci na hora, era o mesmo playboy que dançava com ela antes.

- Quem é ele ? - perguntou pra ela dando mais um passo a distancia. Covarde!

fez sua expressão mais autoritária e ergueu aquela sobrancelha perfeitamente arqueada dela. Eu conhecia aquela expressão e aquele cara estava prestes a levar um toco daqueles. Um sorriso se formou nos meus lábios. Mas então, algo na expressão dela mudou quando olhou na direção contraria a nós e deu de cara com a garota loira que eu vira antes.

- Jake, pode pegar uma água pra mim? - ela me olhou com um sorriso fácil que não era nem um pouco sincero. Eu desconfiei na hora. - Por favor? - ela acrescentou com mais vontade. Lhe dei as costas, mesmo sabendo que devia era ter pego ela de qualquer forma e levado embora já que tínhamos coisas mais importantes a tratar, mas mesmo assim, a anta aqui seguiu direto para o bar.



P.O.V.


Sim, eu iria embora com Jacob, na verdade, eu quase deixei que ele me arrastasse pra um canto qualquer com aquele beijo perfeito. Só que, bem... Eu ainda tinha contas a acertar, que mesmo cheia de vodka eu era capaz de me lembrar.

Como eu não precisava que Jake visse o que eu faria, o mandei até o bar por um momento. Dois minutos apenas. Não seria uma tarefa difícil e eu teria terminado o que precisava fazer em menos que isso.

A uns quatro metros de mim, encarando sem disfarçar e com a cara de quem não comeu e ainda por cima vomitou, a minha ex-melhor-amiga tentava garantir que ninguém chegasse perto do alvo dela nessa festinha horrível. Alvo esse, que era o mesmo cara que tentou e tentou a noite inteira e mesmo bêbada, eu não fiquei com ele.

- Trace. - eu chamei assim que a batida da musica diminuía para ser substituída, um "time" perfeito.

Ela subiu aquele nariz fino a custa de plástica até quase o nível de sua testa e sustentou meu olhar, arrogante.

Luke tinha voltado a dançar quando viu que eu não dera atenção à ele. Se esfregava com uma garota qualquer a uma distancia ridícula de mim.

Sem desviar meu olhar e sem nem piscar pra não perder a cara de fracassada dela eu o puxei pela gola da camisa social, a essa altura, toda aberta. Apenas olhei pra ele a fração de segundo necessária para chamar a atenção para a minha mordidinha estratégica no lábio inferior.

Ela atira e ela acerta!

Lucas me puxou para si e me grudou em sua boca, que já era uma velha conhecida minha, desde a nossa puberdade. Não foi o melhor dos beijos. Eu poderia ter suspirado de tédio. Mas beijei ele com os olhos bem abertos e encarei ela durante cada segundo do beijo.

Quando eu me soltei do garoto pronta para ir até o Jake e sair daquela noite podre, Luke foi arremessado à uns dois metros do lugar onde estava, abrindo espaço na multidão da pista.

Virei-me assustada procurando a razão daquilo. Jacob ainda estava com seu punho erguido e agora ele me olhava com muita fúria, uma cara de dar medo, mesmo!


Jacob P.O.V.


- Ficou louco!? - ela esbravejava tentando ser ouvida através da musica muito alta. Eu ouvia, se ouvia!

O que ela queria que eu fizesse?Eu vi quando o panaca se virou pra ela e a agarrou. Ela não necessariamente lutou contra ele mas eu vi quando ELE agarrou ela. Estava no meu direito socar ele, tanto que o franguinho ainda estava no chão. Com ela eu conversaria mais tarde.

Os seguranças começaram a convergir para a confusão no centro da pista, era hora de dar o fora.

- Vem. - dei uma olhada seria pra , aquilo não era discutível.

- Não mesmo! - ela empinou o nariz e tava tentando dar uma de bêbada pirracenta pra cima de mim. Como se fosse adiantar alguma coisa.

Pequei ela e joguei no ombro com a maior facilidade, saindo dali antes de ter que botar mais alguns humanos a baixo. Estava mesmo irritado com essa droga de lugar e tínhamos coisas realmente importantes a tratar. Ainda nem tinha avisado sobre os pais dela. Quer dizer, avisado que acontecera algo, porque saber mesmo eu não sabia de nada. Precisávamos já estar em La Push uma hora dessas. Realmente não dava pra perder tempo.

Ela gritou e gritou, lutou em vão me xingando e me chamando de homem das cavernas, de louco, de desequilibrado. Queria que eu a colocasse no chão.

- Quando você se comportar como uma pessoa adulta eu deixo você transitar como uma, por enquanto você vai aqui mesmo. - respondi controlando meu gênio, pois por mais controle que tivesse, ainda sim meu sangue não poderia esquentar ali no meio daquele tanto de gente, literalmente. Ela continuou gritando. Desci um pouco mais sua cabeça para que ficasse mais distante do meu ouvido. Os protestos aumentaram.

Lembrei da ultima vez que fiz a mesma coisa, no Natal; A gente acabou se beijando pela primeira vez.

Dei uma gargalhada quando ela me chamou de animal, tinha feito a mesma coisa da outra vez. “Eu sou mesmo, meu bem!” - quis muito gritar de volta, mas deixei pra la. Enfezar ela não seria de grande ajuda agora que eu precisava de certa colaboração para encontrarmos o Jared e cairmos na estrada.

Cheguei no beco onde tinha deixado Seth e o segurança desacordado e a coloquei no chão procurando o moleque com os olhos. Ela estava enlouquecida. Nunca vi nem o Paul naquele estado. Apontou um dedo pra mim e avançou aos poucos como uma cobra pronta para o bote.












Capítulo 12 - Bad News



P.O.V.


- Troglodita, como você ousa? - eu me segurava para não voar no pescoço dele, tanta era a minha raiva. - Não viu que eu estava ocupada?

- Cale a boca e deixe de ser mimada e inútil, Srtª . Eu não vim até aqui pra vigiar suas ficadas! - Ele olhou nos meus olhos e gritou de volta parecendo tão furioso quanto eu.

Agora eu vi merda! Não foi ele que saiu arrastado de uma maneira ridícula na frente de todos os seus conhecidos. Não foi ele que acabou de ter a reputação arruinada.

- Imbecil, quem é você pra me mandar calar a boca, seu ... seu... seu... - e eu não terminei de dizer nada, porque antes que eu dissesse qualquer coisa mais, ele me pegou de jeito e me imprensou na parede de tijolinhos vermelhos, fazendo minhas costas protestarem e a minha pouca consciência sumir de vez com o beijo furioso que ele me deu.

Estava perdida no beijo dele, como sempre fiquei, alias. Isso era vergonhoso. Jake descolou os lábios dos meus quando eu já ia abrindo minha boca pra ele.

- Você queria beijar não é? Então beija! - ele disse sibilante e cretino, seu halito pregado em mim. Eu devia juntar todas as minhas forças pra bater nele com tudo, mas só consegui agarrar sua nuca e beija-lo de volta.

Que se dane a Trace Vadia , que se dane minha reputação e o maldito lugar onde eu me exilava agora. Se fosse com Jacob Black eu iria até o inferno! E claro, o melhor de tudo, eu estava tecnicamente bêbada e poderia alegar um litro de vodka no sistema para ter agido dessa forma.

Meu salto não dava conta de nossas alturas , como sempre; ele era alto demais. Jake me imprensava e minhas costas protestavam enquanto minha língua enlouquecia na dele, eu ia sentindo aquele corpo quente demais, perto demais do meu. O vento gelado no meu micro vestido não era nada.

Ele passou as mãos embaixo da minha coxa me erguendo com facilidade, eu ajudei, engatando minhas pernas em seu quadril pra facilitar nossa proximidade, ficando praticamente semi nua naquele beco. Minhas mãos foram pra camisa dele e entraram por baixo arranhando com minhas unhas poderosas, modéstia a parte, todo aquele tanquinho definido que eu já tivera o prazer de ver à luz do dia.

Senti aquelas mãos enormes na minha cintura e nas minhas coxas, me sustentando sem problemas e deslizando em mim, fazendo com que eu gemesse por entre seus lábios grudados aos meus com fúria. Seu dedão roçou a seda da minha tanga La Perla e eu estremeci abrindo mais ainda as minhas pernas, perdendo qualquer noção, descendo minhas mãos pra me vingar da provocação. E foi ai que tudo parou.

- Agora que você ganhou o que queria nós já podemos ir. - ele disse todo arrogante. Enquanto eu estava excitada, ofegante e descabelada, ele parecia não ter feito absolutamente nada. Quase como se saísse de uma igreja.

- Seu filho de uma...

- Olha o que vai dizer, mocinha! - ele tapou minha boca e meus olhos se ejetaram.

- Seth. - ele chamou e um garoto índio apareceu logo depois ao nosso lado. Jacob ainda mantinha uma mão nas minhas costas me apoiando. Eu o olhava com muita raiva e sentia uma vontade inexplicável de chorar, que eu controlava com força.

- Meu nome é Seth. - O garoto se apresentou tentando ser educado. Não via razão para descontar minhas frustrações nele.

- . - estendi a minha mão.

- Vamos logo, Jared já deve ter chegado ao ponto de encontro. - Jacob disse muito serio, dessa vez.

Alguma coisa nos olhos dele quando voltou-se para me olhar me impediu de continuar gritando. Me resignei a ir com eles. Aquele desgraçado, esfarrapado e prepotente iria pagar muito caro pela gracinha. Como se eu fosse mesmo deixar ELE fazer alguma coisa comigo ali naquele lugar horroroso, ou numa suíte do Plaza que fosse. Canalha!



Jacob P.O.V.

Quase perdi a cabeça naquele beco.

Aquela garota me deixava louco, de insanidade mesmo, não era só um modo de se dizer. Ela estava bêbada e poderia jogar isso na minha cara como desculpa, mesmo assim eu não resisti. Eu não facilitava nada pra mim mesmo. Parecia que a cada dia eu dava um jeito de piorar as coisas. O que aconteceu com aquela rotina amena em que eu tinha me enfiado? O que aconteceu com meu estado de zumbi e toda a minha raiva contida por conta da Bella? Eu nem sabia mais porque tinha tanta raiva da Bella, desde que a herdeira desequilibrada entrou na minha vida, eu simplesmente não era mais como o mesmo.

Como se aos poucos eu retomasse minha vida, uma coisa que eu não tinha antes; que me foi tomado. Olhei para pelo retrovisor, só para me deparar com aquela cara de cu que ela fazia sempre que estava fula comigo. Parece que realmente a irritei a pegando daquele jeito, ou teria sido por que eu a larguei? Seth tentava manter uma conversa amigável com ela, que por sua vez não cooperava. Pobre garoto.

Meu vidro estava aberto, Jared afundava o pé no acelerador do carro roubado correndo como um desesperado e inconseqüente. Alguém precisava lembrá-lo de que havia uma humana presente e se ele capotasse o carro, ela poderia não se dar muito bem.

E novamente eu me perguntei o que estava acontecendo comigo. Logo eu que era chegado numa velocidade, quase brigando com Jared por passar dos 140 por hora. Louco. Muito louco.

Faltava pouco agora, logo estaríamos na porta da casa da Kim.



Kim P.O.V.

Eu nem tinha mais o que pedir aos deuses de tanta oração que já tinha feito. Estava ali, sentada no sofá de frente pra minha mãe, meu pai e a Tia do Sam, Marta.

Estava morrendo de vergonha como nunca na vida por ter ajudado a mentir para seu responsável e sair por ai no mundo, sabe-se lá Deus pra onde. Quer dizer, ela me deu o numero do celular dela e me deu o nome do lugar em Seatle onde supostamente estaria. Eu só esperava que o nome do lugar fosse valido já que o celular dela não atendeu nenhuma das cinqüenta chamadas que eu fiz antes de confessar minha participação na fuga dela e implorar ao Jared que a achasse.

Por falar em Jared, ele estava demorando tanto. Ai como eu esperava de todo o coração que aquilo não se estendesse por muito mais tempo. O clima estava tão pesado. Minha mãe me lançou olhares terríveis e eu poderia esperar por uma bronca daquelas assim que Marta fosse embora.

Marta, no entanto, nem prestou atenção na minha participação como cúmplice. Ela parecia em parte acostumada com a conduta da patroa e em parte desgostosa por ela ainda continuar agindo dessa maneira. Sua expressão era severa e angustiada e eu mal podia olha-la, tanto era meu remorso de ter sido cúmplice daquela louca da .

Claro, eu ouvi tudo quando ela contou a minha mãe o porque de aparecer no meio da noite na minha casa, procurando pela patroa dela, que supostamente estava lá, quando esta não atendeu seu celular.

- Foi o avião do Sr. , parece que não respondeu aos contatos de radio e saiu do radar a mais de oito horas. As autoridades precisam esperar 24 horas para oficializar o desaparecimento e começar as buscas, mas o advogado da família já contratou um pessoal particular pra procurá-los. Eu nem sei como vou dizer isso a Srtª e aquela garota irresponsável ainda me faz uma dessas...

Dava pra ver na voz dela, que mesmo demonstrando irritação com a garota, na verdade, ela estava era muito preocupada. Era uma raiva movida apenas pelo medo de que algo realmente serio pudesse acontecer com enquanto a família viva aquela situação alarmante, que nem ao menos era de seu conhecimento.

Tive pena de Marta, porque cabia a ela contar a , e tive pena de porque, afinal, eram os pais dela e isso, de acidente aéreo, não era nenhuma simplicidade. Sempre acabava em grande tragédia.

Foi com alivio que ouvi um carro virar a minha rua ruidosamente e todos se levantarem para esperá-los na varanda.


P.O.V.

Eu comecei a entender tudo muito bem, quando a gente chegou na frente da casa da Kim, que eu só reconheci como tal por ver ela na varanda, junto com outras duas pessoas de meia idade que se pareciam com ela.

O carro parou totalmente e eu vi mais alguém saindo da varanda, e esse alguém era nada mais nada menos que Marta.

Eu ia matar Jacob Black e ia fazer isso umas três vezes, no mínimo. Aquele imbecil iria virar bife na minha mão. Depois eu dava um trato na Kim incompetente.

A essa altura, depois da gracinha dele lá no beco, eu já tinha suado quase todo o álcool do meu sistema e me sentia exausta mais muito consciente pra saber que estava as portas da maior bronca da minha existência. E se da ultima vez que eu aprontei fui mandada pra esse buraco eu só imaginava pra onde é que meus pais me mandariam dessa vez. Algum lugar na áfrica, com guerra civil e fome era meu maior palpite.

Não tinha mesmo amigos nesse mundo. A santinha da Kim me entregou na maior e ainda mandou toda essa patota junto do namorado dela só pra que minha humilhação tivesse publico. Eu odiava todos eles e quando encarei ela e seus olhos estavam úmidos de lagrimas que ela continha tive mais raiva ainda. Aquela idiota que eu quase considerei como amiga, tinha me traído igualzinha a vadia da Trace.

- . - ela falou antes que Marta pudesse começar o sermão. Eu virei a cara.

- , me perdoa por dizer onde você estava ... você precisava saber, era importante... - ela tentava falar com a voz tropega enquanto eu a ignorava o melhor que podia.

Mas espera aí, Marta ainda não tinha dito nada, na verdade, ela encarava os pés e quando me fitou eu vi apenas carinho em seu olhar. Quase como se ela estivesse sentindo... PENA. Fiquei estática e me esqueci de odiar Kim, me esqueci até de onde estava.

- O que aconteceu? - Exigi dela na minha voz mais autoritária. Comecei a ser tomada por pânico de verdade.

- Vamos pra casa, querida, eu preciso conversar com você sobre um assunto serio... - ela estava tentando ser civilizada e pouco me fitava nos olhos enquanto dizia aquilo. Esperto da parte dela porque eu conhecia Marta bem o suficiente pra ler a gravidade daquilo em seu olhar. Mesmo assim, não me importei e interrompi.

- Sem mais delongas Marta, desembucha. - Mandei de novo, controlando minha voz que tremia agora. - Desembucha! - disse com mais força. Senti a mão quente de Jacob em meu braço. Me esquivei imediatamente, indo até Marta e balançando ela pelos ombros. Então ela me olhou, seus olhos estavam baixos e desolados.

- São os seus... pais! - E eu não ouvi mais nada.




Jacob P.O.V.


Ela desabou na hora, assim que Marta citou os pais dela eu vi suas pernas dobrarem e corri pra não deixá-la ir ao chão.

Foi tão difícil ver ela daquele jeito, parece que me doía fisicamente. Eu disse que tinha ficado louco!

Enquanto Marta continha as lagrimas e tentava ser ainda mais forte na presença das outras pessoas, agradecendo a Kim e aos pais dela, ao Jared, Seth e à mim, por tê-la encontrado e trazido a salvo, eu me sentia ainda pior.

Ela ali inerte nos meus braços. Eu podia ouvir seu coração martelando; sentia sua respiração fraca, mas constante, porem duvidava que ela fosse acordar tão cedo.

Marta me disse que era melhor que ela descansasse e obviamente me ofereci pra levá-la até em casa. Jared dirigiu até a casa delas no carro roubado pra só depois devolve-lo.

Os outros seguiram seu caminho e eu, não sabia, sinceramente se conseguiria deixa-la. Esperava ansiosamente que Marta se esquecesse de mim em meio aos problemas para que eu pudesse ficar com ela, da mesma forma como fiquei quando a achei na floresta, mas isso não durou muito.

- Pode ir descansar agora, meu filho. Ela vai acordar confusa e vai precisar de espaço pra receber a noticia. Alem do mais, os advogados do pai dela estarão aqui pela manhã e eu vou precisar atende-los. - ela falava enquanto ajeitava na cama.

- Claro, Claro. - eu meneei minha cabeça, concordando com ela apenas superficialmente. - Se precisar de qualquer coisa... - ainda tinha esperanças de que ela me pedisse pra ficar. Já estava até me envergonhando disso.

- Claro, querido! Você é um ótimo amigo para a minha e ela vai precisar muito de seus amigos. Amanhã, quem sabe! Depois que o choque passar. - ela me conduziu até a porta.

Enquanto ficava lá fora, olhando para onde ela agora descansava por intermédio de um desmaio, me lembrei de que nem ao menos sabia o que tinha acontecido de fato. Liguei para o Jared, ele saberia e poderia me por a par de tudo.

Eu estaria mesmo aqui para ela, para ajudar no que fosse possível. Ela era mimadinha, irresponsável e inconseqüente mas tinha um grande coração, isso eu pude ver desde cedo nela. E claro, tinha mais uma coisa com a qual eu ainda lutava, mesmo sabendo ser agora uma batalha perdida: Eu a amava!












Capítulo 13 - Um lugar chamado La Push.




Residencia dos Clearwater – La Push, 3 de Janeiro

- Você sabe que não precisava realmente fazer isso não é? - A garota índia de feições bondosas franzia a testa para sua acompanhante. Queria poder consolá-la de alguma forma, mas simplesmente não sabia como, já que a outra se fazia de forte com muita convicção, quase como se não se importasse mesmo com a tragédia que se abateu sobre sua família. Pai e mãe, desaparecidos, Deus sabe se para sempre, em um acidente de avião a menos de dois dias.

- Não pense que iria deixar você com todo o credito. Nós planejamos essa festa juntas e vamos executá-la juntas. Tudo pela Noiva! - disse com total segurança, fazendo Kimberly ter ainda mais medo do que realmente se passava na mente da garota que era com certeza, uma ótima atriz.

- Onde coloco essas caixas? - A voz firme e masculina soou pela pequena sala. Kimberly olhou para a grande figura de Jacob Black e uma montanha de papelão envolvendo os mais variados brindes e aparatos para brincadeiras. Ele vinha seguindo de perto enquanto ela se mantinha alheia a isso e quase o ignorava, mas não era por mal.

ficava aérea sem sequer perceber.

Kimberly sorriu para ele e indicou a cozinha da casa, que estava vazia a não ser por eles. Esperava que aceitasse a ajuda que Jacob estava pronto para lhe dar.

A festa seria uma surpresa, por isso a montavam ali na casa da “ dama de honra” e não na casa da noiva, como a principio imaginaram. Emily e Sam se casariam no por do sol do dia seguinte e todos na reserva estavam em polvorosa com os preparativos, cada um a sua maneira. Leah, a “dama de honra” e filha da dona da casa estava desaparecida, juntamente com Embry Call desde que saíram para fazer a ronda, no dia anterior. Esperava-se que ela fosse pelo menos à igreja
.
E talvez fosse exatamente disso que precisava agora para se impedir de lançar-se em uma turba inútil de pensamentos pessimistas; sumir para algum lugar distante de si mesma ou apenas encher-se com tantos afazeres a ponto de amortecer suas angustias.

Saiu de sua casa tão logo quanto pode. O cerco de advogados que se formou na pequena sala a deixava ainda mais desesperada e ansiosa.

Buscou a companhia de Kim, a quem já tinha perdoado por lhe entregar naquela noite desastrosa de ano novo. Não houve um castigo para sua traquinagem de sair escondida e se embebedar sendo menor, afinal, ninguém duvidava que a vida já não lhe tivesse dado uma lição pior.

Claro, por mais concentrada que parecesse em desempenhar bem seu papel de decoradora e organizadora, mal conseguia sustentar-se de pé e manter suas lagrimas longe, sentia-se miserável e sozinha e nem ao menos acreditava que toda essa miséria vinha do desaparecimento de seus pais, que pensando bem, nem sequer falavam com ela a semanas.

Queria entender o turbilhão de pensamentos confusos de raiva, desgosto e fraqueza que lhe abatiam. Queria entender o porquê de em um minuto seu coração se apertar em desespero pela vida deles e em outro se apertar em desespero por não temer tanto assim.

Tudo o que ela conhecia estava mudando de centro, de repente demais, fora da sua capacidade em acompanhar. Não havia mais “velhos amigos” para ela, nem havia seu “velho bairro”, como se ela tivesse acordado na pele de uma outra pessoa. Sem historia, era principalmente, como se sentia. E sem chão por isso.

Jacob Black estava por ali e isso era estranhamente reconfortante, tanto que ela nem mesmo se impediu de achar isso enquanto olhava de soslaio, sempre que ele estava concentrado em alguma coisa e não poderia perceber seu olhar. Lembrava-se de como ele era daquele jeito dele, sempre tão quente.

Se tivesse consciência de si mesma agora, desejaria estar sendo abraçada e protegida pelos longos e torneados braços do rapaz, mas não poderia se dar ao luxo de fantasiar nada, nem sequer se impedir de olha-lo, mesmo assim. Estava fora de suas mãos ser qualquer coisa hoje que não uma embalagem vazia.



P.O.V.

Nem dava pra acreditar em tudo o que tinha me acontecido nesse maldito fim de ano, aqui no maldito fim de mundo. E se não bastasse tudo com que tinha de lidar, cá estava eu com uma importante produção para fazer, ou melhor, impedir aqueles índios caipiras de montarem um bolo de aniversario e não uma noiva!

Alem de, claro, trocar as pressas o lugar da cerimônia. O casamento seria na pequena igrejinha de Forks mas deu pra fazer tudo na First Beach, como era o maior desejo da noiva, de inicio, já que fez um sol incomum e os meteorologistas prometeram que ele continuaria, e era impossível desperdiçá-lo.

A minha parte racional sabia muito bem qual a razão por traz de todo o meu interesse nisso, minha mais nova psicose de controlar tudo para que Emily tivesse um casamento maravilhoso, quando eu mal a conhecia.

Estava usando um cartão platina corporativo (meu castigo fora totalmente suspenso com o advento dos novos acontecimentos), e, mesmo que eu só tenha conversado com a noiva na festa de despedida de solteira que eu e Kim organizamos para ela no dia anterior, e que, nada disso fosse nem remotamente uma obrigação minha; eu me doei por inteiro ao projeto.

Eu estava fugindo da piedade das pessoas, da minha própria piedade, de uma terapeuta agendada em Seatle, de um rolo com um cara gostoso que mexia com minha cabeça e meus sentimentos, de melhores amigos de araque que agora eram passado e, por fim, não menos importante, dos meus pais, desaparecidos depois da queda do jatinho deles a três dias sem nenhum sinal de vida ou morte.

Como eu lidava com isso? Bem, eu estava gastando muito dinheiro com estranhos que estavam relutantes em aceita-lo, só para esquecer os meus problemas, então: ME PRENDAM!

- , você tem certeza que é esse par? - Uma Kim esbaforida me perguntava, segurando lindos stilettos Manolo Blahnik, em cetim perolado com cristais.

- Quantas vezes tenho de dizer que sim, kim, são esses?! - perguntei já sem muita vontade de ser educada com ela.

Afinal, Kim podia ser uma péssima ajudante quando queria, sempre insistindo em coisas sem importâncias como, por exemplo:

- Não sei se Emily vai aprova-los . É o casamento dela e ela deveria escolher os sapatos... - ela já ia defendendo esse mesmo argumento pela qüinquagésima vez.

Primeiro foram as flores, depois a tiara, depois o beque que eu mandei montar na praia para impedir os convidados de atolarem seus pés na areia no meio do “Sim, eu aceito”, e agora... agora eram os malditos sapatos!

- Sua amiguinha se casaria descalça se eu permitisse e então arruinaria todo o álbum de fotos que providenciei quando fretei um voou só para trazer o melhor fotografo de eventos de L.A. para esse brejo afim de dar aos filhos melequentos que ela terá, alguma lembrança decente do casamento dos pais, e, tudo o que ela poderia ser é totalmente agradecida, por calçar os lindos sapatos que custam mais do que todo aquele vestidinho caseiro dela e ser a noiva deslumbrante que ela nunca seria se eles não existissem. - Disse com meu melhor sorriso de 1.000.000 de dólares.

Acho que já tinha repetido essa mesma explicação, também por cinqüenta vezes, já que Kim me olhou com uma expressão cansada e emburrada enquanto levava os sapatos para o cômodo onde estavam arrumando a noiva, que se mostrou uma pessoa muito cooperativa com o meu bom gosto e que não tinha vindo reclamar de nada, nenhuma vez, deixando isso a cargo da chata da Kim e suas opiniões, no momento, inúteis.

Pressionei meus dedos em minhas têmporas. Eu iria explodir a qualquer momento.

- Srtª , a carruagem chegou. Onde devemos estaciona-la? - um homem baixinho e de bigodes veio até mim.

Varias dessas pessoinhas que prestavam os milhares de serviços que contratei vinham direto até mim nas ultimas horas como se ninguém mais estivesse fazendo nada.

- Eu não tenho idéia de onde vai enfiá-la senhor, só espero que não seja aqui, pois veja o senhor mesmo, não temos espaço. - Fiz um grande gesto abrangendo o que era um hall minúsculo de uma loja de beira de praia, onde montamos a sede da organização e também um míni salão para os cuidados com a noiva, madrinhas e afins.

- É claro que não vai deixá-la ai fora também, porque nunca se sabe quando irá chover nesse maldito estado encharcado... - Continuei. E eu já ia mandar ele merecer os dólares que eu estava lhe pagando quando Jacob entrou pela porta da lojinha e foi falando todo prestativo com o homem e tirando ele de minhas vistas.

Não podia deixar o Black perceber aquilo mas eu estava totalmente agradecida à ele. Mal pude conter o suspiro de alivio.

Na verdade, eu meio que me irritava com ele sempre pronto a me salvar, porque ele estava definitivamente me seguindo desde o acidente dos meus pais, e ficava cuidando de mim, sem que fosse diretamente, mas, sei lá, ele estava sempre ali quando eu realmente precisava.

Tinha que admitir, ele era bem esperto de ficar meio afastado, também. Eu não tive nenhuma oportunidade de destratá-lo e deixá-lo com raiva, de modo que ainda nem tínhamos discutido, o que era definitivamente um recorde pra nós.

Outra coisa que ele nunca saberia, obviamente, era que eu estava louca por ele.

Mesmo que tudo estivesse uma bagunça, e por mais estranho que parecesse ter as respostas logo para esse problema, eu finalmente as tinha: Eu estava louca e completamente apaixonada por aquele índio gigante, caipira, pobre, ignorante, metido, quente, gostoso e tão fofo que até doía.

Ainda podia sentir as mãos pesadas dele correndo minhas coxas e apalpando tudo o que eu nunca deixei nenhum carinha apalpar. Aquele cheiro dele que me lembrava de coisas que eu nem conhecia: Segurança e afeto, unidos, como se eu encontrasse um lar naqueles braços torneados.

“Você tem o seu orgulho ... você AINDA tem o seu orgulho!” - Era o que eu vivia repetindo pra mim mesma a cada segundo toda vez que Jacob Black me aparecia no seu cavalo branco pronto para me salvar, ou mesmo quando eu lembrava das vezes que nos estranhamos ou até mesmo das vezes em que ele me agarrou, que eram de longe as minhas favoritas.


Jacob POV

Eu sinceramente, nunca imaginei que aquela praia pudesse ficar tão linda.

Tudo era tão branco e então tinha aquelas pequenas margaridas pra todos os lados e também alguns arranjos de flores roxas igualmente pequenas, sem mencionar a quantidade inacreditável de rosas brancas, tão grandes quanto os meus punhos cerrados, que certamente foram uma idéia à parte da .

E aquele por-do-sol, Haaaah, o por-do-sol! Acho que não via um daqueles desde moleque. Tão alaranjado, tão completo. Nem parecia o mesmo céu cinzento e eventualmente rosado pelo frio das montanhas de Olympic.

Os votos de Sam e Emily foram simples, afinal não tentou escrevê-los. A coisa toda deve ter durado uns dez minutos.

Agora, todos estavam tendo uma ótima festa de recepção. Bem mais cheia de frescuras do que o pessoal daqui estava acostumado, mas não ouvi reclamações de ninguém, muito menos os noivos, que estavam naquela de imprinting, totalmente apaixonado e pareciam tão felizes que mesmo se um maremoto decidisse nos atingir eu duvido que eles fossem perceber a tempo de correr.

Eu fiquei ali, encostado na pilastra de madeira do pequeno beque, onde realizaram a cerimônia, olhando distraído para o pessoal da pista de dança, localizada no tablado vizinho.

estava sentada numa cadeira, toda reta e empertigada com aquela classe que só ela tem, bebendo um refrigerante em uma taça alta; seu olhar vagava através de tudo aquilo, como se nem estivesse aqui. Me assustava o fato de ser refrigerante no copo dela, pois não a vi sequer tentar descolar algo mais forte que aquilo, o que eu sabia que ela certamente conseguiria se ao menos se propusesse a tentar.

Aquele nível de maturidade não era coisa dela e ela não estar se importando em ser o centro das atenções, dando shows na pista de dança, completamente embriagada, dizia muito mais a respeito do seu estado do que o silencio dela falou nesses três dias.

- Não vai chamar ela pra dançar? - Quil quase me pegou de surpresa, se plantando ao meu lado e me encarando com um sorrisinho idiota bem tipico dele.

- Não sei de quem está falando. - retruquei sem dar maior importância.

- Ah, Jacob, o que é isso? Sabe que não sou burro, você está olhando pra ela a uma hora, no mínimo. - ele repreendeu como se tivesse toda a razão. Ele meio que tinha, mas eu não ia admitir.

- Isso quer dizer que você esta me encarando a uma hora pra saber disso.... - acusei olhando-o de frente. - Vou começar a achar que está realmente a fim de mim, cara! - provoquei, cruzando os braços.

- Muito engraçado! - ele disse sem humor. Quil sem humor, essa era nova.

- Estou falando sério Jake, ela precisa se animar e você sabe que quer.

- Cuide da sua vida. - falei sem querer estender a conversa inútil e continuei com minha observação.

- Se você não chamar eu chamo! - ele falou serio. Aquilo fez com que me virasse pra ele com uma sobrancelha erguida em protesto e incredulidade ao mesmo tempo.

- Qilllllll – Claire veio correndo até nós dois com seu vestido rodado e cor-de-rosa, cheio de flores e babados. Ela parou próximo a perna dele e começou a puxa-lo pela calça sem parar. - Caaaaireee que dança Qillll, dança com Caire!

Sorri para a criança que estava me salvando do amigo inconveniente e a peguei no colo.

- A gente pode trocar!- eu propus fazendo um meio passo de dança com Claire, o que fez ela gargalhar e soltar a cabecinha para traz, emborcando-se pra longe de mim, adorando a brincadeira.

- Nada feito. - ele pegou-a de mim com rapidez sem interromper a brincadeira. - Vá ficar com a sua garota Jacob. - Ainda disse enquanto rumava para a pista de dança atrás de fazer as vontades da criança.

Minha garota! É, eu gostava de como isso soava para mim, eu gostava até demais para o meu gosto.


POV

Aqui estava eu, exuberante, vestida em um Armani longo, cor de pêssego e feito de gaze de seda, mais apropriada ao tapete vermelho do Oscar e no entanto, sentada em uma cadeira branca de plástico barato coberta com tecido para disfarçar sua pobreza.

Kim e o namorado tinham se sentado comigo durante um bom tempo e mesmo que eu odiasse admitir, pelo tempo que eles estiveram na mesa, as piadinhas dele e o rubor exagerado e batido dela me divertiram um tanto.

Quando eles se levantaram para dançar apaixonadamente uma balada, entretanto, eu me vi aqui, mais sozinha e deslocada impossível.

Completamente inapropriada para estar em publico, sem forças pra nem ao menos me retirar elegantemente da recepção. Uma recepção que eu preparei de maneira obsessiva e que estava até charmosa se não considerarmos os altos níveis a que estou acostumada.

O dia também estava lindo e isso era inegável. Um dia perfeito e digno de L.A. Brisa morna e salgada, atipicamente seca e reconfortante.

Suspiro.

“Aquele índio idiota também estava lindo!” - Me pego pensando. Não que eu tenha visto muito ele, que, não mais que de repente, sumiu do meu radar pra não mais voltar.

E eu ficava ali, imaginando, fazendo imagens mentais claras... Jacob e uma das primas da noiva, aquelas garotinhas caipiras de quatorze à vinte anos, todas vestidas com seus vestidinhos do Wall Mart, seção festas.

Deviam estar se atracando em algum matinho pela orla da praia, qualquer uma delas deveria lhe servir.

Pensar nisso era como mastigar escargô estragado. Quase podia sentir o bolo no fundo da garganta, o fel que descia em minha boca como veneno, amargo, muito amargo. Eu era tão melhor que elas ou talvez eu não fosse não.

A musica mudou outra vez, ficando agitada e fazendo mais gente convergir para a pista de dança.

Todos estavam tão felizes. Em sua casa, com pessoas que os conheciam desde sempre; E era mais que isso: Essa gente se gostava e confiava umas nas outras, em qualquer situação. Eles não estavam sozinhos.

EU estava sozinha, muito mais do que apenas sozinha em uma mesa, ou agora, com o acidente de meus pais, sozinha no mundo. Eu estava com uma solidão crônica, como um câncer ou algo do tipo; tendo que perceber que nunca conheci ISSO, essa alegria e essa cumplicidade a longo prazo, no “custe o que custar” ou “até que a morte nos separe”, nem mesmo com minha família.

Não estava vendo nenhuma das minhas tias aqui, nenhum dos meus primos de NY. E então eu apenas me dava conta de que, de fato, nem ao menos os conhecia.

Quase não pude barrar as lagrimas nos olhos e mesmo que meu rímel fosse a prova d'água, eu não poderia deixar nada transparecer. O que minha mente louca estava achando que poderia fazer ao meu corpo? Eu nunca me exporia dessa forma.

E eu sentia tanta inveja deles e mesmo que vários pensamentos meus gritassem ser um absurdo eu estar invejando aquele proletariado, eu nem me preocupava mais em esconder de mim mesma que tudo o que eu queria era achar o meu lugar nesse mundo, era ter uma fatia do que eles tinham ali... “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza...”

Mesmo se fosse ali, mesmo se um pedaço daquele mundo pudesse me abraçar, eu estaria aceitando. Afinal, quais esperanças ainda me restavam? Quem eu era, se não podia nem mais me reconhecer frente a um espelho ? - e, eu não estava falando apenas do aspecto de palha que meu cabelo ganhou com a umidade pavorosa desse lugar.

- Dança comigo? - A voz grave , e já infinitamente conhecida, soprou em meu ouvido.

Dei um pulo na cadeira. Estava concentrada, afinal de contas.

Abusado! Eu nem tinha percebido que uma nova balada estava tocando.

Virei meu rosto, ainda com o torso ereto na cadeira, apenas para dar-lhe uma resposta mal criada e automática.

Meu olhar bateu no seu, sempre um perigo. Ele não estava com aquela cara de convencido que ele sempre fazia pra cima de mim, não; dessa vez parecia que tinha um certo tom de embaraço em sua proposta, quase como se ele tivesse medo de fazê-la sabendo que eu recusaria. Também não parecia amassado, cheio de mato ou fedendo a vagabunda, naquele terno branco sem gravata e com sua postura seria, já estendendo a mão grande até mim.

Como sempre aconteceria, uma parte de mim queria recusá-lo, dizendo sem parar que era assim deveria ser e era assim que seria. O mundo manteria sua ordem natural... Mas havia então essa uma outra parte, que já existia a algum tempo agora; na presença dele, em especial.

E foi essa ultima parte de mim, essa nova parte, mais impulsiva e honesta consigo mesma que me comandou sem que eu evitasse, até seus braços, até a pista de dança, de mãos dadas com o idiota, cretino e perfeito do Black. Sentindo-me verdadeiramente bem em dias, em meses, talvez sentindo-me verdadeiramente bem pela primeira vez na vida.

Jacob POV

Assim que percebi um tremor que fosse na estrutura impecável de , me aproximei de sua guarda baixa, reconhecendo minha chance.

Nesses momentos, ela era capaz de ser tão dócil quanto sua delicada compleição sugeria.

Não que eu gostasse de tê-la pra mim apenas quando ela estava machucada demais para reagir, mas eu estava devidamente agradecido por seu orgulho desaparecer por qualquer período de tempo que fosse, porque só assim eu poderia conhecê-la.

A musica lenta nos possibilitava um contato além do imaginado e para meus sentidos esse contato era aumentado por dez vezes. Seu cheiro, quase palpável como um sabor em minha língua.

A vontade de beija-la subindo como uma compulsão por meu corpo e mente. Um calor bom mas perigoso demais. Eu deveria me impedir de deseja-la assim, cada vez mais como vinha acontecendo.

- O que está achando de sua obra? - decidi conversar, embora essa tenha sido uma decisão de metade do meu cérebro enquanto a outra metade ainda tinha medo de desperta-la de seu estado pseudo-inanimado para um outro onde ela começaria a me estapear.

- Poderia ter ficado melhor! - ela disse baixinho com sinceridade. Vibrei em silencio por estarmos conversando como duas pessoas civilizadas e poderia até arriscar dizer, amigáveis.

- Não cobre tanto de si! Os perfeccionistas não são criadores. - falei aquilo sem me lembrar ao certo onde escutara. Ela sorriu parcamente e deu de ombros.

- Me diga você o que achou de minha obra, então? - ela devolveu, afastando-se o suficiente do meu peito para me olhar.

- Eu acho que você fez um ótimo trabalho por aqui... - concedi. - Não que eu entenda muito do assunto. Mas ... - hesitei, nervoso com cada palavra, com medo de dizer a coisa errada que recomeçaria nossas desavenças.- Acho que suas intenções não foram tão altruístas quanto pareceram no resultado final.

Inacreditavelmente ela riu com um pouco mais de força, fazendo seu peito tremular no vestido leve e me deixando encabulado e em apuros por ter olhado seu decote naquela hora

- Você não é nem um pouco lento garoto. Talvez sobrevivesse em uma selva de pedra! - ela disse escorando-se novamente no meu peito, parecendo a vontade ali.

Decidi não provocá-la por ter quase insultado a minha inteligência. Pela primeira vez eu não vi nada maldoso em sua fala. Tomei a liberdade de afagar seus cabelos soltos e incrivelmente lisos para a ocasião. Ela mesmo de saltos altos, era bem menor que eu. não se afastou de mim e suspirou pesado de encontro a minha camisa enquanto eu fazia minhas mãos desajeitadas acompanharem a volta de sua cabeça.

- Eu nunca vi a sua mãe... Quero dizer, o seu pai é o homem na cadeira de rodas não é? - ela parecia embaraçada e interessada ao mesmo tempo. Fiquei feliz que ela estivesse querendo saber algo a meu respeito.

- Sim, você conheceu Billy no Natal. - respondi ainda sem conseguir manter minhas mãos longe dela. - Minha mãe morreu a muitos anos, eu ainda era pequeno. - disse, por fim.

Ela desencostou-se para me olhar, dessa vez mais abrupta. Os olhos grandes e temerosos.

- Eu sinto muito. - olhou para mim como se passasse realmente o sentimento naquelas palavras sempre tão vazias que ouvi de todos com quem tive de tratar sobre o assunto.

- Tudo bem. - assegurei. Ela sorriu pra mim, um sorriso pequeno mas muito gracioso. Um sorriso que ainda não havia visto em seu rosto.

A musica de repente parou para dar seqüência a outra, um pouco mais agitada. Não nos movemos. Ela ainda me olhava fixamente como se eu a prendesse de alguma forma, o que era absurdo e uma ilusão de minha parte em acreditar, mas tão pouco me desviei.

- Vem comigo. - ela disse de repente, parecendo estranhamente segura do que fazia, me deixando um pouco alarmado.

Me rebocou por toda a pista de dança se desvencilhando dos casais enquanto ganhávamos as areias da First Beach. Ela de saltos altos enterrados na areia molhada e pegajosa e eu de sapatos sociais, como nunca antes caminhei por aquele solo. Paramos numa pequena tenda improvisada que eu mesmo, com a ajuda de Embry tinha montado para abrigar a carruagem. O cocheiro ainda estava ali, encostado em um de seus cavalos comendo o bolo do casamento.

- Senhor. - ela chamou, enquanto o homenzinho olhava para os lados procurando quem o incomodava. - Senhor, por favor. - ela parou um pouco ofegante perto dele.

- Sim Srtª. - ele quase fez uma reverencia à ela e eu tive de rir daquilo. A garota impunha um respeito e um altividade dignas de um alfa.

- Poderia nos levar em um passeio pela praia? - ela deu aquele sorriso doce e irrecusável para o pobre homem que quase babou em sua beleza e aparente candura. - Aproveitar o resto de sol. - ela sugeriu com animação.

- Claro Srtª, agora mesmo. - o homem se empertigou.

- Ajude-me a subir Jake. - ela virou-se para mim, sua expressão me lembrou uma criança fazendo uma traquinagem. Eu definitivamente gostava mais dessa do que da patricinha mimada e arrogante que ela era quando chegou aqui.

Embora, não pudesse ser muito otimista sobre como seria o amanha já que a garota era naturalmente temperamental e eu tinha certeza, bipolar.


POV

O vento assoitava meus cabelos na perfeita escova. Sem me importar com a brisa molhada do mar, eu os deixei ganhar os ares enquanto aproveitava o galopar dos cavalos. Jacob me olhava deliciado com o que via, quase babando, coitado.

- Fecha a boca, Black! - eu provoquei. Me sentia bem melhor. Acho que eu precisava, literalmente de ar e precisava dele também, só pra mim, longe do grande publico.

- Até parece! - ele desmereceu arqueando uma sobrancelha grossa em minha direção. Os lábios fartos se destendendo em um sorriso fácil.

Não sei o que me moveu e tão pouco me importei naquele momento, porque em um segundo eu estava rindo de sua careta, e, em outro, enlacei minha mão direita na nuca de Jake, puxando-o para mim, colando minha boca na dele.

De repente pensar não me fazia tão bem quanto estar beijando aquele cara muito gostoso pra ser verdade em pleno por-do-sol, aqui em La Push, no fim do mundo. Diferente de todas as vezes em que nos beijamos, talvez por ser eu quem atacava dessa vez, o beijo foi apreciativo, quase com calma, doçura. Como se ele quisesse me provar que poderia se portar como um cavalheiro finalmente, não só um selvagem.

Como em toda vez que estávamos perto, no entanto, as coisas começaram a ficar descontroladas. Eu ofegava por ar enquanto Jacob me virava no banco, de repente grande demais para nós dois. Suas mãos grandes guiando minha nuca para um beijo de tirar o fôlego. Uma mão espertinha passeando acima do meu joelho pela fenda do vestido. Eu queria que aquela mão subisse, como eu queria. E foi ai que eu percebi que estávamos em uma carruagem guiada por um cocheiro que estava ouvindo cada um dos gemidos que escapava de minha boca e me afastei imediatamente de Jake.

Pensei ter ouvido uma espécie de rugir de protesto vindo de sua garganta mas logo ele me permitiu ganhar distancia.

- Você vai fingir que não nos beijamos? - ele perguntou depois de um tempo. Sua voz carregava certa prepotência e com certeza muito mal humor.

- Não sei do que está falando. - disse e me virei para olhar o céu escurecendo rápido.

- Ah, claro! - ele resmungou se virando para o outro lado.

Me dei conta de que parecíamos duas crianças emburradas.

- Eu gosto de você Jacob Black! - falei em alto e bom som, me rendendo àquela verdade e me entregando a ela.

Não era como um “Eu te amo” nem nada assim. Eu estava apenas apaixonada por aquele... Aquele... ELE LÁ. Já havia lido artigos da Cosmos o suficiente para acreditar que era fogo de palha e não custava nada deixa-lo um pouco ciente disso e aproveitar para dar ums pegas de vez enquanto.

Jacob POV

- Eu gosto de você Jacob Black! - ela disse de repente. Se minha percepção fosse apenas humana aquelas palavras não surtiriam tanto efeito, mas o que ela não deixou transparecer na voz ela entregou nas batidas de seu coração que voou assim que ela proferiu tais palavras.

- Acho que sabe como me sinto. - Falei querendo ser justo. - Eu não saio por ai resgatando todas as garotas loucas e mimadas que eu conheço, das furadas em que elas se metem. - Não resisti.

- Ah seu... - ela já ia me xingando, o dedo em riste.

Segurei sua mão e olhei fundo em seus olhos, me lamentando por ela usar aquela lente que escondia a verdadeira natureza de suas íris. Aquilo fez com que ela não completasse o pensamento e olhasse pra mim de volta, com a mesma intensidade.

- Posso? - eu acariciei seu rosto e me aproximei, pedindo pela primeira vez.

- Ahan. - ela afirmou meio boba.

E então eu a beijei, não da maneira como sempre a beijava tentando provar a ela que ela também me queria, ou mesmo com a calma de nosso ultimo beijo. Ela havia dito que gostava de mim. Ela admitira isso para si mesma com segurança suficiente para me contar.

Eu a beijava agora, não só de uma maneira terna e completamente nova entre nos, porque aquele beijo não tinha calma como não tinha agonia, nele havia o desejo queimando na superfície, um desejo claro, instigante e promissor que parecia unir seu coração ao meu enquanto os dois voavam ao som abafado das galopadas.












Capítulo 14 - Tio Oliver!!!!!!!!!!!!!!





Oliver POV

Por quatrocentos anos eu esperei que minha amada retornasse à esse mundo, que minha Eleanor pudesse reunir-se a mim outra vez e que dessa vez pudéssemos gozar de nossa felicidade juntos sem que nos fosse tirado o direito de amar.

Quatrocentos anos e nem um dia a mais, quando em vinte de três de fevereiro ela nasceu. O chamado de meu coração foi quase tão claro quanto a marca de nascença em forma de estrela em sua omoplata esquerda.

Sobre o nome de Violet Gerard Befart , ELA retornava a mim dando fim a toda uma existência de solidão.

Dezesseis anos depois desse dia aqui estava eu, nervoso como se ainda fosse um humano adolescente e tivesse algo a temer frente a uma garota que me idolatrou desde sua mais remota infância e que eu facilmente poderia conquistar, convencendo-a a realizar os rituais de que precisaríamos para acordar a alma de Eleanor que morava dentro dela.

Claro, o destino fora precipitado deixando-a assim órfã de repente, mas ela não era uma criancinha e eu não precisava agir com tanta cautela agora. As mulheres eram mães de filhos crescidos na idade dela, quando eu fui um mortal, nos idos de 1.600.

Seria muito fácil arrumar-lhe documentação para transitar como maior de idade, pois seu corpo formou-se cedo, nas mesmas curvas sinuosas e instigantes das quais eu sempre me lembraria. Doce Eleanor, doce e impetuosa. Perfeita para mim. Nenhuma outra me interessava e nenhuma outra me despertava como homem mesmo depois de minha vida imortal.

Afundei meus mocassins italianos nos pedais macios como areia do meu Jaguar C-xf. Ainda podia sentir entre os dedos a caixinha com o seu mais novo presente, pois minha princesa gostava de mimos, dos mais caros e mais impressionantes e não seria eu a nega-la luxo e regalia quando tinha em meu nome metade de um continente.

Diverti-me imaginando sua carinha surpresa e sapeca ao constatar habilmente quantos quilates tinha o diamante da vez, me refastelando na idéia de que fora bem mais exagerado que o usual ao comprar esse presente.


POV


Jake me conduzia, uma mão permanentemente em minha cintura enquanto voltávamos à recepção que tomou ares de balada quando as crianças, os mais velhos e os noivos se retiraram.

Puxei ele para pista de dança e aproveitei a batida frenética para provocá-lo um pouco, como uma vingança justa pelo tanto que ele me provocara naquele passeio de carruagem.

Sentia-me muito disposta e completamente entregue a essa nova loucura.

Segurei suas mãos e as coloquei no meu quadril, jogando os braços pra cima e rebolando de encontro as pernas dele, subindo e descendo e por fim me virando para encará-lo.

Jacob tinha uma expressão concentrada e eu podia apostar toda a minha coleção de casacos vintage como ele estava tentando imaginar uma senhora bem velha sem as roupas para conseguir manter-se livre do constrangimento de uma ereção publica.

Me esfreguei mais ainda nele completando o movimento com um beijo rápido e provocante, onde minha língua passeou por seu lábio inferior fazendo-o grunhir e me segurar à certa distancia.

- Você é louca! - sua voz estava mais grossa e o castanho de seus olhos estava mais profundo.

- Você me quer. - assinalei arqueando a sobrancelha e ressaltando o obvio, virando-me e continuando a dança.

- Tem certeza que só tinha refrigerante naquele copo? - ele perguntou perto demais do meu ouvido, fazendo um gemido me escapar quando mordeu o lóbulo da minha orelha inesperadamente.

Me virei para beijá-lo outra vez, mas algo acontecera.

Suas mãos estavam em minha cintura, mas agora eram restritivas e protetoras. Ele assoviou alto o suficiente para machucar meus tímpanos e em um átimo de segundo o namorado de Kim estava a seu lado junto de outro rapaz que eles chamavam de Quill.



- Fique aqui, com os outros. Não saia da pista! - ele alertou com olhos ensandecidos e me beijou na testa de forma possessiva pra logo depois virar-se em velocidade para me deixar ali sozinha.

Nem pude perguntar por nada; Kim me puxou pelo braço dizendo algo como: “Vamos fazer o que eles mandaram!”

Que fosse ela fazer o que lhe mandavam. Homem nenhum mandava em mim.

Desvencilhei-me dela com facilidade e me pus a seguir a figura enorme e dificilmente camuflada de Jacob, passando pelas pessoas atulhadas até o estacionamento da praia.




Jacob POV


Em um instante eu tinha problemas de coordenação por causa da dancinha assassina da pra cima de mim e no outro, aquele cheiro, uma corrente de ar doce e pesado vindo direto ao encontro do meu nariz super sensível. Tinha um vampiro a menos de trezentos metros de onde eu estava.

Assoviei com urgência porque eu sabia que os garotos reconheceriam o sinal. Pelo canto do olho vi Jared sussurrar instruções à Kim enquanto arrastava o Quil com ele. Temi deixar ali, sozinha, mas logo Kim a pegou pelo braço e eu pude me virar para ir com eles.

Parecia que teríamos caça para celebrar o casamento de Sam.

Sentia meus músculos prontos para explodir ao menor sinal de problemas e era uma maravilha estarmos tão próximos da orla da floresta, onde estaríamos encobertos de testemunhas.

O rastro fresco e imediato me tomou os sentidos e em minha direita Jared já desabotoava a camisa social.

Um homem estava escorado displicentemente em seu carro brilhante e caro. Claro, não era bem um homem já que a pele pálida e mal cheirosa indicava sua verdadeira natureza, bem como sua beleza estranha e ameaçadora. Também não era nenhum dos Cullen, o que era uma garantia de diversão. Parecia não saber o que o esperava.

Reconheci o veiculo como um jaguar esportivo. A sanguessuga tinha bom gosto, era uma pena que fossemos desmontar a belezura depois de nos livrarmos dele. Ocultar as pistas.

- Tio Oliverrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr! - o grito afiado e estridente de cortou o silencio de guerra em que nos encontrávamos e ela chegou à sanguessuga antes que eu pudesse detê-la pelo braço, já que passara pelo lado de Quil e não o meu.

Mais que porra era essa?

Os caras olhavam pra mim e depois para a cena a nossa frente, que consistia em uma super excitada quicando como uma bolinha de borracha em volta do vampiro, abraçando-o e beijando-o como se ele fosse uma pessoa.

Então era esse o tal padrinho...

Deixei a contra gosto o calor se esvair de mim e pus minha mão direita a frente de Jared indicando que deveríamos aguardar ordens de Sam para agir. Pelo visto a caça havia sido adiada, eu só esperava que não fosse por muito tempo.


Sam Uley P.O.V.

Emily passou por mim segurando seus sapatos de salto em uma das mãos, enquanto balançava uma taça de champagne quase vazia na outra. Ela estava alegre com a bebida que quase nunca consumia e mantinha um sorriso fácil nos lábios, um cambalear dominava seu corpo e o conjunto de ações seria quase ridículo se ela não fosse tão infinitamente linda.

A puxei pela cintura para os meus braços fazendo-a gargalhar e virar a cabeça a fim de me olhar diretamente.

- Está afim de um pouco de diversão hoje, Senhor meu Marido? – sua voz sedutora continha um traço visível de alteração.

- Você acha que dá conta do recado, Em? – provoquei de encontro a sua orelha fazendo as risadinhas aumentarem.

- Eu sempre irei dar conta de você, Sam! – ficou na ponta dos pés para me beijar.

Então se afastou e foi rebolando na direção de nosso quarto, deixando o vestido cair pelo corpo enquanto andava, só para me torturar mais um pouquinho.

Já ia atrás quando meu bolso vibrou. Ia deixar o pager maldito em cima da mesinha da sala e ignorar totalmente o infeliz que ousava me atrapalhar em plena lua de mel, mas a porcaria do aparelho eletrônico continuou apitando até que vencesse e eu olhasse o que era.


De: [JaredS2Kim] para [Alfa]
Alerta vermelho. Sanguessuga na área. Estacionamento First Beach


“Inferno!” – pensei enquanto corria até o quarto para dizer a minha mulher que ela teria que me esperar para começar a nossa LUA DE MEL. Eu pensava cada vez mais na possibilidade de me afastar e passar o comando á Jacob, de uma vez por todas.

O direito de nascença era dele, de qualquer modo e, além do mais, nesse ritmo, eu não me surpreenderia se Emily acabasse me pedindo o divorcio.



P.O.V.


Eu mal podia acreditar na minha sorte. Era como se ela estivesse se levantando dos mortos. Meu Dindo estava ali na minha frente em toda a sua gloria. Seus trajes caros e bem combinados, sua elegância descomunal e sua figura de beleza indiscutível.

Claro que eu não vi nem ouvi mais nada enquanto pulava nele. Que saudades...

E, opa, sensação errada: Frio demais.

Não me lembrava de que Tio Oliver fosse assim tão gelado. Será que aquela droga de estado tinha mexido tanto assim comigo a ponto de eu estranhar meu próprio Dindo?

- Minha Princesa! - ele disse em sua voz maravilhosa de tenor, enquanto me recebia de braços abertos.

Ignorei essa nova sensação estranha quanto ao frio e o beijei, mas foi definitivamente a ultima coisa que fiz, já que um braço muito quente e que já se tronara completamente normal para mim me arrancou na maior cara dura de cima de meu visitante ilustre, e, eu tive que me virar em um momento: “O que você acha que está fazendo seu idiota?”

Embora não tenha sequer sido ouvida, já que uma Marta arfante pela corrida tinha aparecido do meu lado, me arrastando e o noivo que já fora embora a muito tempo estava de volta apenas com as calças e a frente de um grupo de índios grandalhões, onde também divisei Jacob.

Eles encaravam meu tio com hostilidade declarada e aquela maldita mulher não parava de me arrastar.

O que estava acontecendo com aquele povo mal educado?

É claro que eu já sabia que eles não tinham modos mas isso já era demais e enquanto eu lutava para me desvencilhar de Marta, Kim se juntou a ela e eu só pude ouvir a voz de Jacob chamando meu tio de SANGUESSUGA e mandando-o embora.

A raiva me subiu e eu despistei as duas mulheres enquanto corria a toda pelo estacionamento da praia de volta ao meu tio, a única pessoa sã naquele meio de loucos e que claramente estava sendo ameaçado.



Jacob P.O.V.


estava agarrada ao parasita como se ele alem de ser uma pessoa, fosse alguém muito especial. O ciúmes e a preocupação tinham lugar em minha mente já muito cheia, procurando todos os motivos para calma e sobriedade afim de evitar uma transformação antes que Sam chegasse.

Quando o vi trazendo Marta e Kim, não esperei por nada. Tirei minha das garras daquela coisa e a passei para Marta que já devia ter sido avisada de que ninguém deveria ouvir aquela conversa e a levaria dali em segurança.

- Quem são vocês? - o idiota perguntou sem esboçar nenhuma reação ao fato de eu ter lhe tirado a garota.

- Nós somos o seu pesadelo, Vampiro! - Jared respondeu trincando os dentes.

- Ora, ora... - ele meneou a cabeça em um risinho superior. - Então o cheiro de cachorro molhado era realmente o que pensei ser de inicio! - ele continuou como se estivéssemos em uma conversa amigável. - Acreditei que estavam extintos na Olympic. Não tenho noticias de nenhum de vocês a mais de duas gerações. Parece que esse foi o lugar de menos segurança possível para mandar minha amada.

Eu rosnei pra aquele desgraçado e ele só me olhou de cima a baixo, me avaliando. Era mais de uma cabeça mais baixo que eu. Estremeci com os punhos serrados, querendo mais que qualquer coisa me lançar em cima dele e acabar logo com isso, enquanto Sam assumiu o controle.

- Meu nome é Samuel Uley e nós não o queremos em nossas terras. Você pode ir agora ou nós iremos lhe tirar daqui.

Eu estava perplexo: Como assim ele ia em paz? Qual era o problema do Sam afinal?

Mas então eu vi meu alfa me lançar um olhar de aviso e entendi tudo: Era bom que o sanguessuga saísse do alcanço do grande publico para outro lugar onde pudéssemos caçá-lo.

- Você ouviu o Sam, SANGUESSUGA, Vá embora, suma! - disse satisfeito.



P.O.V.


Corri até o aglomerado de homens, ou eu deveria dizer, o aglomerado de selvagens e meu tio querido? Enfim, Marta e Kim tentaram me puxar de volta porque elas são obviamente perturbadas.

- O que está acontecendo aqui? - falei com autoridade querendo acabar logo com aquela palhaçada.

Olhei diretamente para Jacob como se implorasse para que ele fosse equilibrado pelo menos na frente do Dindo.

- Nós precisamos conversar com o seu padrinho, Srtª . - O noivo foi quem me respondeu enquanto Jake apenas me lançava um olhar desapontado que eu ignorei por não ter nenhum sentido racional.

- Está tudo bem querida! - meu tio olhou nos meus olhos e era como se ele fosse capaz de me obrigar a comer o meu pé. Como pode ser tão lindo? E seu cheio era tão agradável.

Senti-me boba como se estivesse levemente entorpecida, quase bêbada. Sem poder me conter sorri tolamente para ele.

- Tem certeza que quer falar com eles, Dindo? - perguntei com minha nova voz, mansa demais. - Isso é tudo tão desnecessário... venha comigo! - peguei sua mão.

- Está tudo bem, minha bela. - ele se desvencilhou de minha mão acariciando ela. - Nós estamos apenas desfazendo um mal entendido. - e foi aí que ele olhou fixamente para mim por alguns segundos, como me prendendo irrevogavelmente em seus olhos verde-caramelados. - Por favor vá até sua casa com Marta, está bem? Eu passarei lá assim que possível para falar com você. Eu lhe trouxe um presente... - ele tirou uma caixinha do bolso do terno de veludo preto. A caixinha também era de veludo preto. - Pegue. Espero que esteja do seu gosto. - ele finalizou, beijando minha testa e sorrindo tranqüilizador para mim.

Ouvi algo parecido com um grunhido mas não identifiquei o que fosse.

De repente me sentia cansada e não me parecia mais o fim do mundo ir com Marta e Kim de volta para casa, nem me pareceu estranho que meu tio estivesse tendo mal entendidos com pessoas desconhecidas apenas por existir.


Ainda pude divisar os olhos raivosos de Jacob Black, suas mãos em punho e aquela sua expressão desapontada olhando para mim. Aquilo pareceu me incomodar e me ferir também, mas eu estava realmente cansada.

Era como se não tivesse apenas corrido alguns metros por aquele estacionamento, e sim, vários quilômetros em um deserto ao meio dia.

Minha mente estava condicionada a ir com Marta e descansar. Eu não estava em mim. Nem sequer abri o presente.




Jacob POV


Eu vi virar de costas para nosso “grupinho” e ir na direção de Marta obediente. Eu sabia o bastante sobre ela para esperar qualquer coisa da garota, ela era uma imensa contradição e até agora tinha se mostrado bem instável, mas até pra mim que me preparei para que ela fizesse tudo, não entendi como ela desistiu assim.

Porque com certeza aquela sanguessuga tinha lhe feito alguma coisa

- O que você fez pra ela? - a voz me saiu rasgada e minhas mãos se apertaram mais.

- Eu a Glamorizei. - ele se desencostou do carro, e encarou o bando de frente, face erguida.

- E que porra é essa? - Jared rosnou, também se segurando.

- Eu tenho a habilidade de “convencer” as pessoas sobre o que é melhor para elas, sem muita conversa. - disse o sanguessuga com um sorrisinho sínico e então se virou para Sam, serio.

- Você não vai me atacar, porque eu simplesmente não mato para sobreviver e você é um protetor. Sem mortes, sem problema! - ele acenou displicentemente.

- Você usa lentes de contato, porque seus olhos estão vermelhos de sangue. Como espera que acreditemos em sua inocência? - Sam estava se contendo mais facilmente do que nós por ter maior controle, mas até pra ele eu via a dificuldade.

- Não disse que não bebia sangue humano, de fato eu bebo! - um rosnado mais imediato saiu de meu peito fazendo Sam me lançar olhares repreendedores. - O que estou dizendo é que o vampiro que me formou era um cientista e ele tomou a imortalidade para si da mesma forma, me ensinou a colher sangue, não matar para recebê-lo. - o idiota parecia super convencido e confiante. - Levanta menos suspeitas e a sede é fácil de controlar quando você bebe sempre quantidades abundantes de sangue colhido. Sou tão inofensivo quanto um coelhinho! - ele gargalhou.

- Podemos matá-lo por ser um risco mesmo assim. Está tirando sangue dessas pessoas e sabe-se lá em que estado as deixa. - minha voz foi certa e tão petulante quanto a dele. O vampiro pareceu descer de seu pedestal por um instante e então olhou para mim com olhos de raiva.

- Eu já tinha quatro séculos de vida quando você não passava de um espermatozoário, lobo. - ele me fuzilou. - Nunca recolhi mais de um litro por humano e além do mais, sou uma figura publica de renome. Se me matarem vão ter legiões de humanos e suas leis atrás do seu segredinho e eu acho que vocês não gostariam de toda essa exposição, não é?

- Saia de nossas terras. Você não tem mais permissão para passar por aqui ou ficar qualquer tempo que seja entre as pessoas de nossa tribo ou não nos importaremos em matá-lo. - Sam falou solene, mas eu esperava ataca-lo e de repente pareceu que não aconteceria.

- Sam, cara... - eu comecei mas ele me interrompeu, pondo a mão na direção de meu peito, uma injunção. Bufei frustrado.

- Você foi avisado e agora lhe darei o beneficio da duvida, mas não vou impedir nenhum dos meus de matá-lo assim que o vir, então cuide de sua retaguarda. - Sam alertou e eu gostei de aquelas palavras soarem tão ambíguas.

- Aviso aceito. - o infeliz sorriu gozador. - Irei respeitar as fronteiras e não mais invadirei seu território. - disse mais serio. - Mantenha esse seu cachorrinho longe de minha ou verá ele perder suas patas. - avisou abrindo a porta do carro.

- Como seu eu tivesse medo de você, velhinho! - lancei um sorriso à ele.

- Estamos avisados criança. Você pode machucá-la de formas muito mais cruéis que eu! - e então entrou no Jaguar dando partida.

E eu já ia correndo pra me transformar e estraçalhá-lo por sequer cogitar que eu a machucaria quando Sam me segurou pelo braço e me fez virar.



Oliver POV


Por essa eu não esperava. Raios.

Quando me encontrei com esses transmorfos pela primeira vez eu era um vampiro já experiente, enfrentei dois deles até ficarem machucados o suficiente para que me deixassem em paz e fui pra casa pesquisar sobre o que tinha acontecido, porque eu sabia que não tinha como lobos comuns se comportarem daquela maneira nem federem tanto.

Claro, isso fora a mais de duzentos anos e eu com certeza não tinha encontrado vestígios de que aquele padrão continuava atingindo os nativos, ou tão pouco tinha conhecimento desse clã de Washington, já que os últimos que enfrentei eram Sioux e viviam na Dakota do Norte.

Puxei o porta luvas e retirei a garrafa térmica de metal, abrindo a tampa com uma das mãos e bebendo um grande gole do sangue mais fresco a que tinha acesso. Malditos cachorros!

Se bem que eu não estava preocupado diretamente com eles. Os protetores não seriam assim um problema para mim. O que me incomodava eram os olhares entre o mais alto deles e minha princesa.

Ela com certeza o conquistara, como conquistara muitos garotos antes, mas eu temia que ele tivesse conseguido um feito parecido com ela, e era, inaceitável me imaginar competindo com aquela criança pelo amor da minha vida, que já me pertencia.

Além do que, para não causar aborrecimentos desnecessários para ela, eu teria que encontrá-la em Seatle no hotel em que me hospedei ao invés de ir até sua casa como prometi, e o inferno sabe, o quanto eu odeio quebrar minhas promessas. Quase nunca faço isso, nunca para ELA.

Em uma hora, com o meu pé bem fundo junto ao pedal de acelerador, eu cheguei na cobertura que tinha reservado no melhor hotel da cidade e mandei meu motorista buscá-la, porque embora eu corresse o risco da senhora que cuidava dela ter algum conhecimento a respeito de minha real natureza, eu tinha certeza que viria.









Capítulo 15 - Desentendimento


POV



Quando enfim cheguei em casa, não me pareceu muito certo ter partido e ter deixado meu Dindo para traz. Tudo aquilo era muito estranho e nem sequer parecia que há uma meia hora eu estava desfrutando de uma festa relativamente boa na companhia de Jacob, a quem eu tinha decidido dar uma chance.

Como se recobrasse a consciência com clareza eu esperei ter tido mais força de espirito para permanecer ao lado de Tio Oliver, enquanto agora só me restava esperar.

Lembrei-me do brilho esverdeado nos olhos de meu tio, que realmente tinha a mania de usar lentes de contato sempre para esconder a verdadeira natureza de suas iris. Ele nunca havia usado o verde antes, por isso me lembrei. Antes me lembrava dele de olhos sempre castanhos.

Não importava muito a cor dos olhos. Dindo estava lindo como sempre e jovem demais para ser verdade. Será que ele havia feito algum tratamento de rejuvenescimento? Não tinha como aquele Deus grego ter mais de trinta anos e nós sabíamos que ele tinha.

Enfim, mesmo com toda a confusão, não conseguia mais tirar Jake de mim. Como se nossas horas juntos tivessem imortalizado seu cheiro em meu nariz, seu gosto em minha boca... Nem sequer parecia que a uma meia hora eu o beijava avidamente, tão rápido foi a nossa separação e tão rápido parecíamos novamente, dois estranhos.

Não quis pensar assim, mas pensei lembrando-me de sua expressão raivosa.

O que tinha aquele garoto contra meu padrinho? Lembro-me dele ter dado um chilique quando recebi meus presentes e então aquela palavra: Sanguessuga. Ele tinha dito a mesma coisa que eu lembro. Deve ser alguma gíria daqui de La Push, no fim das contas.

Atirei o salto alto no canto do sofá e me encolhi me cobrindo com uma manta que Marta deixara por ali. Já havia esfriado o suficiente e mesmo assim me recusei a ir até meu quarto e me trocar, afinal, meu tio prometera vir o mais rápido possível e Tio Oliver sempre cumpria o que me prometia.

- Vá se arrumar para dormir Srtª. Seus olhos estão baixos de sono! - Marta apareceu na porta da cozinha quando eu estava quase as portas de um cochilo.

- Vou esperar o Dindo! - retruquei e resolvi que poderia muito bem cochilar um pouco enquanto isso. O dia havia sido longo e realmente havia muita exaustão emocional a se contabilizar.

Apaguei.




Jacob POV


- Mas que porra Sam!!! - eu me virei furioso para ele, tirando meus braço de seu cerco.

- Calma Jacob! - ele me ordenou. - Ainda tem gente olhando. Censurou quando viu meus dedos se apertarem na minha palma e minha mão tremer.

- Eu pensei que iríamos atrás do sanguessuga. - enfrentei-o de frente.

- É claro que vamos, mas não agora Jacob. Você perdeu o juízo? - ele continuou no tom de ordem para que eu não pudesse desobedecer. - Acha que o parasita disse alguma besteira quando nos lembrou tão sutilmente que teríamos problemas se ele sumisse de repente?

- Você caiu nessa... francamente. - ri sem nenhum humor.

- Você não caiu? - ele olhou pra mim, perdendo sua paciência. - Vamos intensificar as rondas e ele já foi avisado, de modo que se voltar a cruzar nosso caminho será eliminado. - e falou para o grupo. - Por hora eu espero poder finalmente começar a minha lua-de-mel. - e olhou especificamente para Quil e Jared, a quem tinham se juntado Embry e Leah.

- Você Quil e você Leah. - apontou. - Podem ir fazer o primeiro turno... Você Jacob... - voltou para mim e me apontou o dedo como se eu fosse seu empregado, coisa que ele nunca havia feito e que denotava o tamanho de sua irritação em ser chamado para resolver aquele problema. - Não vai atrás do vampiro sem os seus irmãos e isso não vai acontecer agora...

- Eu vou no lugar do Quil... - Embry já ia interrompendo.

- Não senhor, a coisa é séria. Quando digo RONDA, não quero dizer “desculpa para dar uns AMASSOS!” - Sam ordenou seco e então deu-nos as costas.

- Está assim amargo porque não teve tempo de co... - Embry já ia falando quando Leah pisou em seu pé com força.

- Ai, isso dói Leah, você também é loba, esqueceu? - ele choramingou pulando em um pé só de maneira ridícula.

Jared saiu rindo da cara dele, assim como Quil que deve ter ido cumprir suas ordens. Embry ainda tentava beijar Leah e ela o empurrava dizendo não ser a hora para fazer isso.

Eu bufava de ódio e frustração.

Sam estava certo, eu sabia que ele estava certo. Sabia que agora mesmo estava em sua casa esperando pelo “Dindo” sanguessuga e que se ele não aparecesse nunca mais, ela iria colocar toda a policia do universo atrás do bando.

E mesmo assim, com toda essa razão, ainda era impossível não pensar que tudo estava se repetindo.

Eu estava batalhando por uma garota contra um vampiro cretino que já a tinha há mais tempo que eu; Não me era permitido segui-lo até o inferno e matá-lo imediatamente e o pior, o mais irremediável e assustador em tudo isso: Eu a amava.

Exatamente como da ultima vez!




POV



- Srtª , vá dormir na sua cama. Estais tremendo! - Marta veio me balançar me acordando de outro sonho confuso e sem nexo.

Já devia ser a quarta vez que ela fazia isso e com certeza era alta madrugada. Pareceu-me que afinal, essa batalha estava perdida e eu a obedeci indo para meu quarto.

Ele não viera como prometido e essa era a primeira vez, como se algo se quebrasse.

Eu não estava sonolenta demais para me importar com isso. Arrastei-me até o quarto.



Quase tive um enfarte, no entanto quando me joguei na cama e não aterrisei nela, mas em uma massa rígida, de pele castanho avermelhada.

Por sorte, meu rosto foi de encontro ao travesseiro assim que gritei, então Marta não ouvira nada que a alertasse de que havia um homem no meu quarto. Não era a primeira vez e o meu impulso inicial foi gritar para ser ouvida e tira-lo de lá no mesmo momento em que o percebi.

Mas não pude fazer isso quando olhei ele dormindo como um bebê de colo, tanta calma exalava daquela figura tão desajeitada em seu grande tamanho.

Jacob se moveu despertando aos poucos e me lembrei do fato obvio de que estava em cima dele. Rolei para o lado me sentindo estúpida por não ter as caras de xingá-lo. Eu estava enferrujando definitivamente.

- ... - ele agora esfregava os olhos.

- O que você tá fazendo aqui? - eu cochichei urgentemente tentando dar um tom de seriedade a minha voz.

- Eu... - ele se levantou e se sentou à beira da cama coçando a nuca e parecendo se perguntar a mesma coisa.

- Você... - incentivei, conseguindo melhorar meu tom de ultraje.

- Vim falar com você e você não estava então acabei dormindo... me desculpe... - ele começou a se levantar, de certo se dando conta de que aquilo soava muito mais comprometedor a cada vez que ele abria sua boca.

- Já que está aqui... Diga o que veio dizer! - eu pedi mais doce do que gostaria já que estava tentando ter pulso firme ali com aquele índiozinho abusado.

- Não sei... - ele foi chegando perto como se identificasse na hora a minha fraqueza momentânea, provando a mim mais uma vez que não valia nada. - Acho que não me lembro, sabe... - uma mão assanhada já estava na minha cintura e minha expressão traidora já se torcia em um risinho nervoso e faminto. – Acho que preciso refrescar a minha memória, do que eu queria vindo aqui... - as duas mãos agora, e eu podia sentir seu hálito quente. - O que será?


E ele me beijou possessivamente enquanto eu o beijava possessivamente de volta. Que foi? Eu sei que disse que nunca em toda a vida iria me render a essa vergonha mas ninguém me culpa por confraternizar um pouco com a criadagem. Isso até que é bem visto às vezes... Quase uma filantropia.

Jacob POV


Eu já ia me esquecendo do que me levou até aquele quarto, a principio.

Porque beijar a estava se tornando um vicio irrefreável. Seus lábios macios, aquele cheiro tentador demais. Nossas línguas se mexendo juntas, sincronizadas. Sua carne quente com a proximidade, se esquentando mais ainda junto de mim.

Tão macia, parecia que eu a podia quebrar com as mãos. E mesmo que eu a apertasse, nunca fazia de maneira rude o suficiente para machucá-la e eu tinha certeza que todo o meu subconsciente estava nessa tarefa, porque eu, sozinho, não tinha tanto controle.

Parei o beijo quando a mão dela subia por meu cabelo e a minha mão subia seu vestido, louca para tira-lo dali. Foco Jacob, Foco! Você tinha vindo por algo importante então lembre-se do que era.

- Diz... - ela sorria ofegante.

- Você é linda. - escapou sem edição. Ela sorriu brilhantemente ficando mais bonita ainda.

- Não isso, a outra coisa... o que tinha pra me falar? - perguntou por fim, me encarando.

Ela não mais se esquivava. Percebi feliz que finalmente começávamos uma relação verdadeira. E me lembrei assim que meus olhos foram de encontro as iria verdes de plástico, quase o mesmo tom dos olhos falsos do vampiro.

- Quero que me prometa ma coisa. - tentei preparar terreno antes, mas ela não caiu.

- Diga primeiro. - exigiu.

- Vou te pedir isso para o bem da sua segurança e você vai precisar confiar em mim, pois não posso de dar muitas explicações e vários “porque” ficarão sem resposta. - alertei.

Ela já botara as mãos na cintura e me olhava desconfiada. Isso não ia ser fácil, então faria de uma vez, sem mais delongas.

- Quero que se afaste do seu Tio, não volte a vê-lo ao menos que eu esteja presente, ou algum dos garotos... - então me lembrei de que ela poderia contar Kim nessa equação. - A Kim não vale mas se quiser levar a Leah pode! - esclareci e esperei pelo pior.


- Só isso? - ela falou numa voz branda que me assustou mais do que se tivesse gritado.

- Sim. - tentei sondar sua verdadeira reação.

- Tem certeza? - ela ainda parecia doce.

- Você não tem perguntas? - disse me sentindo terrivelmente idiota e temendo o que aquela cabeça de vento faria.

- Apenas uma! - ela apontou. - Foram vocês que impediram meu Tio de vir aqui se encontrar comigo? Eu reparei que ele não veio! - uma ruguinha completamente insignificante preencheu sua testa e então ela voltou a relaxar. Falei a verdade, porque essa era uma pergunta da qual eu não precisava fugir, realmente.

-Sim, assim foi melhor! - disse, minha voz séria tentando passar toda a explicação possível apenas no meu timbre. Ela sorriu para mim um sorriso estranho e amarelo, quase uma careta.

- Suma da minha frente e nem sequer olhe mais em minha direção! - ela disse e sua expressão se transfigurou totalmente, suas mãos foram aos lábios violentamente limpando meu beijo e ela apontou a saída pela janela entreaberta.

Havia dor ali. Muita dor contida e também um tanto de raiva e duvida que me atingiu e me deixou sem palavras. Como um grande branco em minha mente.

- Agora! - a voz dela subiu, destilando veneno e eu não me impedi de olhá-la com decepção enquanto cumpria suas ordens por puro desgosto em desobedecê-las.




POV


Meus pais desapareceram e podem estar mortos, Não ganhei nem sequer uma balinha de Natal, Minha melhor amiga me traiu e tentou me humilhar em publico quase conseguindo, Meus cartões tem limite, Eu me mudei para Washington com a minha babá mesmo tendo quase 17 anos e agora eu estava me apaixonando por um morador local que ainda por cima era um doido varrido e escorraçou daqui o meu Dindo, a única pessoa que nunca me traiu e nunca me enganou.

E fez isso porque, e apenas porque ele e os amigos pobretões acham-se donos do pedaço e ele está com algum ciúme idiota e infundado, sem mencionar que de repente me considera uma propriedade para mandar e desmandar em mim.

O que aquele imbecil achou que eu senti quando me arrastei daquele sofá imundo da Marta às 4:00 da manhã para meu quarto com a esperança alquebrada e a dor no peito de saber que a única pessoa em que eu confiava totalmente, desde que nasci, havia me dado o bolo sem se importar com mais nada?

Ele esperava que eu continuasse a beijá-lo?


Ele esperava que eu me lembrasse das palavras que ele disse antes de confessar que havia impedido meu Tio de vir me ver? Ele esperava algo diferente do que ele teve?

Agora eu tinha apenas ódio demais dentro de mim e revolta demais para continuar no mesmo planeta que ele, sequer. Mas pela cara que o infeliz fez ao sair pela janela onde impertinentemente entraste foi uma cara de quem era ofendido e não de quem ofendia e aquilo teve um certo abalo em mim, fazendo-me odiá-lo um tanto mais por ainda haver resquícios em mim que queriam correr até ele e me... DESCULPAR?


Peguei meu celular e disquei o numero confiável e infinitamente conhecido.

- Minha Princesa! - a voz doce era como balsamo em minhas feridas, todas elas.

- Tio, eu peço desculpas por qualquer coisa que esses selvagens tenham feito e quero ir ao seu encontro. - despejei antes que minha coragem se fosse e eu deixasse as lagrimas estúpidas caírem.

- Minha querida, não se preocupe com isso. Só não te liguei antes porque achei que já estava descansando. Tenho um motorista programado para trazê-la amanhã logo que acorde! - ele era tão cavalheiro, tão maravilhoso, tão diferente daquele idiota de quem eu não livrava meu pensamento.

- Eu quero ir hoje mesmo, Tio. - choraminguei sem nenhuma intenção, percebendo que estava sendo infantil mas cansada demais para parar com o drama.


- Em meia hora estarão em sua porta, Princesa. - eu podia imaginar o sorriso com o qual ele disse isso.

- Eu amo você! - falei de subto, tomada por novas ondas de pensamentos indesejados com aquele de quem ainda sentia o cheiro. Percebi que falava para ELE e não para meu Tio. Tremi de raiva.
- Também amo você Princesa, PARA TODA A ETERNIDADE! - ele disse.

Meu tio Oliver sempre dizia isso “ Te amo para toda a eternidade”. Houve um tempo em que eu achava meio brega mas até que foi reconfortante ouvir isso hoje.


Um uivo de animal que mais pareceu um lamento soou nos meus ouvidos e eu desliguei o telefone me encolhendo na cama. Eu finalmente iria embora desse inferno.




Jacob POV



Meu coração ainda estava se recuperando de “ - Eu quero ir hoje mesmo, Tio. “ quando aquela maldita garota diz “Eu amo você”. E se eu pudesse seguir aquele velho ditado de merda que diz que quem “Ouve o que não deve, escuta o que não quer”, com certeza eu não estaria sentindo essa angustia tão grande.

Essa porcaria de dor de cotovelo que jurei nunca mais sentir, a quem jurei ser imune e da qual eu agora padecia, deixando um uivo escapar por mim, assim que explodi minhas roupas, já na orla da floresta.

Tarde demais para me dar conta de que Quil e Leah corriam também, mas não tarde o suficiente para me destransformar, nu e ainda tremendo e seguir para a maior distancia que eu pudesse cobrir com pés humanos.

E isso durou um tempo que não contei até que eu me resignasse a ir para casa e me desprezar um pouco mais por não ter ganho a garota, outra vez.

Parte de mim com esperanças pifeis e impróprias de que ela estava agindo assim porque ele era a única família que ela tinha agora, pelo que ELA sabia; enquanto a outra parte de mim escarnecia da esperança e da vontade que eu tinha em acreditar nisso.

Ou talvez ela me mandasse uma carta também, quando se decidisse por viver longe daqui na companhia do sanguessuga; quando ele a tomasse para ele, fazendo-lhe um monstrinho como o outro vampiro fez em Bella. Transformando-a. A dor antiga, antes substituída pelos momentos de alegria ao lado de , agora parecia engrandecer ainda mais essa nova decepção.

Nem preciso contar que pesadelos me tomaram pela seguinte e outra vez recusei-me a fazer a ronda já que Sam e Emily tinham viajado por um tempo e como eu era o segundo no comando ninguém conseguiria me sujeitar a isso usando a injunção.

Claro que negligenciar minhas obrigações de protetor não fazia eu me sentir menos miserável e não consegui esconder de ninguém, como sempre, essa miséria onde me afundava.

E de todos os pensamentos, de toda a loucura que se passava em minha mente, o pior ainda parecia a questão mais lógica a se fazer, sabendo o pouco que eu sabia.

Ela voltaria?





















Capítulo 16 - She's the one



9 de Jan. - Fairmont Olympic Hotel Seattle, 2:00hs. da manhã.






estava encolhida no elegante sofá da suíte que lhe pertencia, abraçada à mesma manta que tanto desmerecera quando estava na casa de Marta em La Push.

Havia mais de quatro casacos de pele ao seu dispor, sem contar o numero de edredons macios e caros, mas nada parecia aquecê-la como aquela manta, então se encolhia cada vez mais e rezava para não suspirar enquanto chorava ou a sempre boa audição de seu Tio captaria tudo, do quarto consignado onde ele já deveria estar dormindo.

Sentia-se tão confusa e tão imprópria, como se tivesse desaprendido a ser ela mesma, como se estivesse vagando em terra de ninguém. Sua mente e seu corpo gritavam pelo garoto índio que escorraçara acreditando fazer o certo e ela não sabia de mais nada. Algo secara dentro dela e tudo ia muito alem de qualquer entendimento e razão. Não era pra ser assim. Ela fugira do exílio, ela devia se alegrar, estar exultante, mas ela simplesmente não estava.

No quarto consignado, Oliver andava de um lado para o outro, cabeça baixa e expressão fatigada. Sua condição de imortal fora o maior dos tormentos nesses últimos dias, pois com ela os sorrisos vazios e as tentativas de encenação de eram inúteis quando todos os sons de seu corpo indicavam que ela estava miserável, como que arrancada de toda e qualquer alegria e não era assim, absolutamente, que ele desejava começar sua vida com ela.

A garota parecia tão frágil que ele nem sequer contara a ela o que deveria ter contado. A historia sobre sua real natureza e toda a sua espera por ela através dos séculos. Sua Eleanor, sua amada pela eternidade; parecia escorrer-lhe pelos dedos e tudo, tinha certeza, estava ligado àqueles malditos cachorros, ou mais especificamente àquele maldito cachorro que mais o enfrentou durante seu embate com eles. O garoto mais alto, aparentemente insignificante e que possuía um poder maior do que ele jamais imaginara sobre sua amada que nem sequer tocou todos os presentes preciosos que Oliver providenciara para ela e comia tão pouco que em quatro dias parecia ter perdido quatro quilos fazendo-se mais franzina do que o aceitável.

Só havia uma coisa a se fazer pelo bem de um futuro que agora lhe parecia verdadeiramente ameaçado. Ele iria levá-la de volta para que o tempo se encarregasse do romance adolescente e quanto tudo tivesse um fim ele poderia juntar os cacos e recomeçar, transformando-a e livrando-a das más lembranças humanas. Ele tinha tempo e ela ainda era de fato muito jovem para que ele precisasse correr.

limpou o rosto na manta, tentando fazer isso de forma discreta quando percebeu o Tio passar pela porta que separava os quartos de ambos.

- Minha Princesa, acho melhor que você volte para a casa de Marta. As aulas vão começar dentro de dois dias e você já está matriculada na escola de Hoquiam. Eles te aguardam! - o vampiro foi doce, mas não persuasivo. Ela decidiria.

- Claro Tio. Podem me levar agora? - disse imediatamente com um alivio que tentou não identificar mas que era claro como água.

Sabia que seu Tio nunca se importaria em mandá-la de volta se ela não estivesse fracassando tão visivelmente em ficar longe do “fim do mundo”, que se tronara sem que ela deixasse, o seu próprio mundo.

Sabia que só ela poderia fazê-lo recuar de tomar sua custodia agora, com seus pais desaparecidos, mas algo já mudara na relação dela com seu Tio.

Era estranho como ela não o via mais como seu único herói, era estranho como ele parecia incoerente as vezes. Movimentos etéreos demais, a pele mais branca do que ela jamais lembrara e o fato irritante de que nunca eles comiam juntos mesmo que ela estivesse recusando bastante comida em meio a depressão.

Se não estivesse tão concentrada em não sucumbir a dor e ao arrependimento de ter tirado Jacob Black de sua vida, talvez ela percebesse sozinha que seu Tio fora aquele que lhe contara a maior das mentiras, sem sombra de duvida.

Jacob POV

Eu via nos rostos de todos que eu voltara a estaca zero, ao mesmo patamar de sofrimento de quando Bella foi embora. Mas os rostos de Quil e meu pai ainda eram os mais decepcionados, pois eles acreditaram verdadeiramente que dessa vez daria certo.

Queria dizer que eles eram idiotas e que eu previra tudo, mas eu acreditei demais para acusá-los disso sem me acusar também.

Um semana sem noticias dela. Nem Marta tinha noticias dela porque certamente teria dito a Sam que diria a outro e então a fofoca se espalharia como sempre se espalha por aqui, bem depressa.

Não costumava pensar muito em se ela voltaria. Achava melhor fingir que ela nunca aconteceu em minha vida por mais que dessa vez fosse bem diferente de perder a Bella. Fosse uma dor completa. Uma perda emocional e física, afinal, a garota se tronara um vicio para mim e todos aqueles beijos ainda me assombravam em sonhos de esperança que eram verdadeiros pesadelos.

Uma sensação era, a mais desconhecida para mim, como se eu estivesse no lugar errado, como se não estivesse mais em casa. Isso eu com certeza não senti com a Bella. Quer dizer, pelo menos minha noção de lar e família ela não tinha abalado.

O que me parece que conseguiu. Ela atingira sua própria cota de abalos em mim e afinal, quem eu estava enganando se eu não pensava mais em Bella, quase nunca e com quase nenhum sentimento desde que tomou tudo para si de assalto.

Não abandonei o bando, no fim das contas, e não abandonaria. Esse era um erro que eu iria concertar. Estava agora mesmo a caminho de uma reunião com Sam para rearranjar os horários de rondas para todos, agora que as férias de Natal acabavam.

No fim de quase uma hora de discussão sobre que aulas o Seth estava disposto a perder na escola e o que a patroa do Jared estava disposta a fazer por ele, ou mesmo qual eram os horários de babá do Quil, Sam e eu chegamos em um consenso que explorou um pouco Leah e os mais novos mas eles não tinham contas a pagar e isso contou um pouco nos horários da semana embora nós iríamos perder muitos sábados e domingos para recompensá-los.

- Jake, você trabalha em Hoquiam não é? - Sam me perguntou enquanto eu juntava uns mapas de cima da mesa e já ia me preparando pra ir embora.

- Sim. - respondi ainda concentrado nos mapas.

- Tia Marta precisa de uma carona amanha cedo, você poderia levá-la? - ele perguntou enquanto livrava a mesa das anotações dele.

- Sem problemas. - respondi no automático.

- Obrigado, vou avisar a ela. Que horas você vai mesmo? - ele perguntou quando eu já passava pela porta.

- Fala pra ela estar pronta as sete que eu passo lá.

- Tudo bem! - ele deu um aceno de tchau e eu fui pra minha casa curtir meu ultimo dia de fossa antes que a vida real me atingisse.

POV

Eram seis da manha quando Marta me acordou. SEIS HORAS DA MANHÃ!

- Por que está fazendo isso? - eu choramingava enquanto ela praticamente me carregava para o banheiro e começava a tirar a minha roupa do mesmo modo que ela fazia quando eu era pequena.

Estava tão débil que nem me importei. Marta parecia ter o dom de abusar de mim na exata hora em que não estava pronta para me defender.

- Sua carona vai passar as Sete e você precisa estar pronta. Eu sei como demora a se arrumar e não vai perder o primeiro dia de aula, mocinha... - e daí seguiu um sermão de meia hora enquanto ela me banhava ainda semi-acordada.

Assim que cheguei em La Push um dia antes, parte da minha inércia e depressão foram magicamente substituídas por uma esperança estranha e uma sensação de lar que jamais sentira com tal força a não ser nos braços “daquele lá”.

Tão logo pensei nele, no entanto, fui jogada novamente no arrependimento e no desgosto de ter expulsado ele de meu quarto. Não estava totalmente certa de que iria procurá-lo e certamente não pediria desculpas, mas eu me arrependia mortalmente e o rosto magoado de Jacob resvalava em minha consciência como se estivesse gravado pra sempre ali.

Ele sofria e eu sofria por faze-lo sofrer como se estivéssemos de algum modo unidos. Eu acho que fiz mais do que me apaixonar por ele e eu tinha muito medo de sequer cogitar isso.

Pelo menos não teria de vê-lo, ainda. Não estava preparada para isso, nem estaria tão cedo. Havia em mim uma falta de noção completa do que faria nessa ocasião, o que mostrava um risco de alto nível com alta propensão à cometer as maiores loucuras.

Senti a pequena caixinha de lentes escorregar por entre minha mão até o ralo da pia. Em meio ao sono ainda presente a resgatei, constatando que estava vazia e, como eu tinha certeza de que não encomendei lentes novas desde que vim morar no fim do mundo, isso significava que seriam meus olhos cinzentos e insossos que me acompanhariam no meu primeiro ia de aula, querendo eu ou não.

Gritei de ódio, me despertando finalmente e indo atrás de Marta pra ter alguém em quem descontar.


Jacob POV


Billy fez o meu café como de costume e eu peguei as chaves do Rabitt me preparando para ir até a casa que por todo aquele tempo eu considerei como sendo a casa dela e que agora eu tinha de lidar com a verdade de ser apenas a casa da Tia de Sam.

Não fazia frio pra mim então estava vestido com uma camiseta preta, minha jaqueta de couro e minhas jeans favoritas para ir trabalhar, cheias de buracos e bastante confortáveis.

Trabalhar em uma oficina não te obriga a desfilar moda, uma das coisas que muito me agradava em meu emprego e que me poupava muito dinheiro e tempo.

Parei no acostamento, em frente à casa e buzinei duas vezes para alardear minha presença. Apoiei minha cabeça em meus braços, debruçando-me sobre o volante e demonstrando a fraqueza que eu não devia demonstrar assim que as lembranças dela correndo pela porta e vindo ao meu encontro me tomaram.

- Só um instante querido! - Marta apareceu na janela da sala me fazendo um sinal de espera com as mãos e depois as enxugando em um avental. Franzi a testa pois ela não parecia pronta para ir. Nem perto disso.

Então minha respiração parou, vergonhosamente, assim que Marta veio empurrando uma garota pela porta enquanto a mesma lhe tentava esbofetear e segurava uma escova de cabelos.

- Já disse que não terminei de pentear... me devolve isso Marta! - ela lutava com a senhora que estava ganhando visivelmente e a empurrava cada vez mais de encontro ao carro.

- A senhorita vai atrasar, Jacob, Srtª ! - Marta disse séria e a garota estacou como se tivesse sido presa por estacas de ferro.

Como uma palavra mágica meu nome pareceu fazer com que ela virasse uma massa inerte e Marta abriu a porta do meu carro conseguindo empurrá-la ao banco de passageiro com facilidade impressionante.

sabia tanto quanto eu que iria de carona comigo. Ela estava branca como cera e não esboçava reação alguma. Antes que eu a olhasse de frente alguma coisa a moveu e grandes óculos escuros cobriram seus olhos. Eu não os vi. Marta acenou um adeus e disse obrigada por sua patroa que ainda estava muda, enquanto uma parte de mim que ainda se mantinha capaz acelerou o carro e nos pôs a caminho de Hoquiam em um turbilhão de emoções e um monte de perguntas que nenhum de nós ousou responder.

O silencio era mortal e palpável.


POV


Essa maldita viagem parecia que nunca iria acabar. Eu sentia ele presente naquele carro como se em vez de a um metro de mim, ele estivesse a um centímetro. E era a distancia emocional a maior de todas, como se ele de repente se mudasse para a China enquanto eu tentava gritar o seu nome daqui de Washington.

Suava frio e engolia em seco enquanto tentava muito não olhá-lo e mesmo assim falhava miseravelmente, agradecendo a Deus por meus óculos completamente negros que impediam-no de me ver o secando pela visão lateral a cada segundo.

Como podia estar ainda mais bonito. Desleixado, claro. Uma aparência pobretona e totalmente indecente mas, era inegável; tão lindo, tão gostoso, com seus músculos grandes e bem colocados e aquela pele macia e aquele cheiro de chocolate, pinheiro e manhãs de Natal por todo o carro que era dele e por isso parecia mais um criadouro daquela essência.

Minha mente ia até todas às vezes em que ele me tocou, meu coração acelerava e meu baixo ventre se exitava com cada uma das lembranças quentes daquelas mãos mais quentes ainda pelo meu corpo. Achei que meu coração pararia e eu certamente estaria ofegante se não estivesse tão resoluta a resistir.

Eu queria ele em mim, em cada pedaço do meu corpo e eu não estava nem ligando se tivesse que pedir desculpas. Acho que estava bem perto disso, quando:

- Chegamos, fique com esse cartão da oficina. Você sai mais cedo! - sua voz séria e gelada me acordou de toda aquela fome inexplicável me deixando com raiva por não estar afetando ele assim como ele me afetava.

- Eu posso ir embora de ônibus. Marta disse que eu teria que aprender. - refutei descendo do carro com a pouca dignidade que me restava.

- Fique com ele mesmo assim. Tanto faz pra mim te dar carona de volta ou não, faça como quiser. - ele disse e antes que eu pudesse me virar e xingá-lo, tirando meus óculos e olhando-o nos olhos com toda minha raiva, ele se foi arrancando aquele carrinho ridículo dele.

Eu estava de frente a um prédio de aparência desgastada e caipira. Minha nova escola.


Jacob POV


Eu me sentia um panaca completo. O cheiro daquela garota entranhado em mim até a minha ultima célula, as batidas rápidas e certamente assustadas do coração dela me seguindo como a melodia de uma musica ruim.

Mas parecia que eu estava em casa outra vez, que as cores tinham sentido e isso era tão desesperador. Eu a amava e quis abraçá-la no momento em que Marta a empurrou para o carro.

O que eu faria com ela de volta? Não parecia muito melhor para mim do que quando ela se foi. A tensão entre nós dois era enorme e eu tentei tudo o que podia para não demonstrar o quando ela mexia comigo. Eu fui um grosso mas pelo menos ela pegou o cartão. Se precisar de mim tem ele e eu odiaria que qualquer coisa acontecesse com ela.

Por mais raiva que eu tivesse dessa situação eu tinha mais alivio; por ela ter voltado inteira e humana da maldita excursão ao covil do Tio sanguessuga. Pelo choque que ela pareceu levar enquanto me via em sua frente. Pelo suor que exalava dela indicando seu nervosismo e pela sua voz engasgada e branda, quase como se importasse tanto quanto eu de estar ali, na frente dela depois daquela semana de incerteza, sofrimento e pesadelos.

Cheguei na oficina alheio a tudo. Peguei o primeiro serviço mais complicado que encontrei e me enfiei debaixo de um carro para expurgar de mim, como se isso fosse ao menos possível.

Na minha mente, a lembrança constante do seu sorriso que eu adoraria ver outra vez e a constante penitencia por ainda pensar dessa forma.

POV

- Pode se sentar naquela carteira ali no canto, por favor! - um professor baixinho e barrigudo indicou uma peça de plástico vagabundo com uma mesa de fórmica pintada de branco e cheia de rabiscos.

Quase tive um treco com aquela visão bestial e foi impossível não me recordar das belas e modernas cadeiras de aço inoxidável da minha antiga escola.

- Claro! - tentei não passar muito do meu nojo naquela misera palavra.

Mas acho que ele entendeu bem o que eu achei, já que fez uma cara ofendida e foi para sua mesa de professor, não muito melhor que a minha.

Uma garota ruiva com muitas sardas e olhos grandes e verde-aguados tentou me chamar a atenção cutucando o meu braço. Com grande pavor eu a atendi antes que ela me perfurasse com seus cutucões.

- Você é a novata que veio de uma escola particular na Califórnia? - ela perguntou com o que devia achar que era cortesia.

- Não, eu sempre estive bem aqui! - disse com meu grande sorriso falso e ela fez uma cara confusa.

Coitada, eu não a culpava pela chuva ter afogado seus neurônios e nem tão pouco estava me importando já que tudo o que não pretendia era fazer amigos naquela coisa que chamavam de instituição de ensino.

Sem mencionar que aquela aula pareceu uma reprise de meu ano de caloura. Que gente atrasada!

No intervalo, quando eu pensei que não poderia piorar, me deram uma bandeja cinzenta que se parecia exatamente com aquela em que prisioneiros comem nos seriados de TV que falam sobre gente na cadeia. Eu refutei e disse um: “Não, obrigada!” para a moça que me servia e ela falou com uma cara de bunda:

- Se não quiser comer na bandeja não vai comer de jeito nenhum!

E eu sai sem me dignar a olhá-la uma vez mais. Mal educada e mal comida, isso sim era o que ela era.

Fui até a mesa mais distante e reservada daquele refeitoriozinho pífio, me lembrando de trazer o meu almoço de agora pra frente e quando eu já estava quase lá um braço me puxa e me faz virar de frente para uma garota loira de farmácia e com olhos castanhos muito comuns.

- Por que está com esses óculos aqui dentro, não tem noção do ridículo, novata? - ela disse em meio a risadinhas nasaladas enquanto mais três garotas fechavam o cerco.

Olhei para as roupas delas e dei um suspiro na tentativa de adiar a gargalhada. Lideres de Torcida do interior. Eu colei chiclete na cruz de Cristo.

- Querida, não precisa se sentir ameaçada por mim! - falei soltando meu braço com agilidade e sendo discreta ao mesmo tempo.

Olhei-a de frente, queixo erguido e tirei meus óculos Dior apoiando-os na cabeça, afim de fita-la melhor.

- Eu sei que eu sou possivelmente a garota mais bem vestida que você já viu em toda sua curta vidinha caipira e tenho certeza que você está achando que eu cheguei aqui para tira-la do seu grande posto de soberania aqui nesse lugarzinho medíocre mas faça um esforço para entender... - e cheguei bem próxima à ela, deixando o bico do meu scarpan esmagar o dedinho mindinho que saia pela sandália vagabunda que ela usava. Vi seus olhos se apertarem em dor e dei um sorrisinho. Continuei. - Eu não estou interessada em nenhum par de calças que possa estudar aqui nessa escola ou que more aqui nessa cidade ou que sequer já tenha lhe encostado o dedo. Também não me interesso por esportes de equipe e como nesse buraco não deve ter esgrima você vai ver que eu passarei como um fantasma por essa escola e estarei logo, logo, bem longe daqui.

A garota fez menção de falar algo e eu levantei minha mão a impedindo. Baixei ainda mais meu tom de voz para que só ela ouvisse e aliviei a pressão de meu sapato em seu pé.

- Agora você vai ser uma boa menina e mesmo que não tenha entendido tudo que eu disse vai dar meia volta e vai sumir da minha frente ou eu terei mais advogados atrás de você por danos morais do que um dia os seus pais sequer pensaram em combater. - E dito isso baixei meus óculos e me virei sem ser abordada para ir enfim, até a mesinha.

Teria que comprar novas lentes depressa. Não me agradava muito ficar de óculos escuros o tempo todo embora não fosse como a idiota tenha dito, ridículo. Era assim que as pessoas sem senso de moda pensavam enquanto aquelas que entendiam do riscado sabiam que o óculos escuro nada mais era que um acessório como outro qualquer e não necessariamente deveria servir para barrar o sol.

No mais o dia foi bastante comum e entediante, como esperado e quando fui me informar na secretaria sobre o horário do – suspiro – ônibus, descobri que o único ônibus escolar que fazia o trajeto até Forks estava estragado e eles ainda não haviam substituído, o que me deixava com uma mão na frente e outra atrás, completamente presa nessa cidadezinha.

O cartão de Jake queimou no bolso da minha calça Gucci e mesmo odiando admitir, eu me sentia grata por ele ter tido a bondade de me dar aquilo. Pus-me a caminho da tal oficina.

Jacob POV

- Está muito distraído hoje, Jacob. - O sr. Doock, meu patrão, ia falando enquanto me via sair debaixo do veiculo que concertava com a camisa toda manchada do óleo que o carro refugou.

Tirei a camisa e enfiei no bolso detrás do jeans limpando minhas mãos em um pano já muito sujo que estava em cima do capô. Teria que me virar com uma regata que tinha sempre de reserva no porta malas do Rabitt.

Não era de me sujar muito mas hoje era um dia em que estava de fato, muito distraído, como bem reparou o homem.

Quem sabe se eu pensasse menos em uma certa garota e mais no carro acima de mim, eu teria me mantido limpo?

Como que por um arremedo do destino ouvi sua voz insegura e até mesmo tímida soando pelo grande galpão da oficina.

- Jacob. - ela chamava.

Parece que engoliu a arrogância e iria aceitar a carona. “Bom pra ela!” - uma parte amarga soou em mim, ainda mais arrogante do que eu a acusava de ser.

- Jacob! - chamou de novo, parecendo cada vez mais incerta. Achei melhor responder.

- Aqui no fundo, no carro verde. - gritei para que ela ouvisse, afinal não era ela quem tinha um ouvido de cachorro, por assim dizer.

- No fundo? - ela perguntou ainda vacilante.

- Siga reto , sem mais complicações. - disse impaciente, mas não grosso.

Ouvia o tiquetaquear dos saltos dela de encontro ao concreto. Eles se aproximavam cada vez mais.

- Achei você... - ela ia dizendo com bom humor, então parou. - Ou os seus pés! - completou. Não pude deixar de rir.

Deslizei o carrinho e me levantei. Ela estava de costas para o lugar em que surgi.

Pude distinguir claramente o movimento que ela fez enquanto tirava os óculos escuros e virava o corpo de frente para mim. Os cabelos soltos e revoltos fazendo um grande arco com a brisa que os pegou no giro, a outra mão arredando fios que caíram sobre os olhos agora desprotegidos e então EU A VI. Eu a vi de verdade pela primeira vez. Sem aquelas lentes difusas e restritivas. Eu a olhei nos olhos e era ELA.

ELA estava bem diante de mim. Aquela que foi feita para mim.

Os orbes cinzentos como o céu de Washington ou como o mar de La Push nos dias de inverno, os olhos mais doces e ao mesmo tempo mais fortes que eu já vira em toda a minha vida. Quase impossíveis demais. Quase impossível demais que fosse ela a me cegar ali, como se o sol estivesse nascendo na meia noite, como se nada fizesse absoluto sentido.

Como um homem cego que enxergava depois de uma vida na escuridão ou como um servo fiel que da a sua vida por sua rainha. Era isso que ELA era. A rainha da minha vida. A única até a minha ultima respiração.

Eu não conseguia acreditar.

Não fazia sentido e fazia todo o sentido.








Capítulo 17 - Não te dei intimidades!




POV


Eu perdi alguma coisa?

Porque Jacob estava me olhando como se eu fosse a ultima bolacha do pacote em uma viagem à Etiópia? Ou a ultima gota de água no deserto?... Me olhando daquele mesmo jeito estranho que o namorado da Kim olha pra ela e que o sobrinho da Marta olha pra mulher dele?

Ele estava sorrindo resplandecentemente, um sorriso de menino, totalmente bobo e encantador, me encarando nos olhos com tanta adoração, fazendo com que eu sorrisse de volta sem conseguir me refrear.

- Você! - ele estava ofegante e eu me preocupei que ele tenha perdido o juízo de vez, já que nunca achei que ele estivesse muito longe disso mesmo.

- Era você o tempo todo! - ele exultou e então avançou até mim me pegando de surpresa e me girando, tirando-me do chão com facilidade e me dando pequenos beijos que me faziam cócegas enquanto ainda me girava.

Eu gargalhava sem conseguir me livrar dele. Nem ao menos conseguia fôlego para exigir uma explicação.

O calor do corpo dele estava me ascendendo de formas totalmente erradas e eu percebi tarde demais que ele estava com seu torço completamente nu. Quase gemi com a visão dos músculos perfeitos embaixo daquele sorriso que chegava a ser cruel de tão lindo.

- , minha !!! - ele me pôs no chão e eu cambaleei um pouco enquanto ele me mantinha no lugar. Ele agora beijava meu cabelo e segurava as minhas bochechas, uma em cada mão.

Senti cheiro de graxa mas ainda parecia entorpecida demais para me importar.

Colou sua testa na minha, fechando os olhos em jubilo. Não agüentei e assaltei aqueles lábios grossos como pude, aproveitando que ele se mantinha abaixado o suficiente pra eu alcançá-lo.

Ele me beijou como nenhum homem nunca beijaria. Ele me beijou como nem ele mesmo beijara das outras vezes. Foi perfeito e foi completamente diferente de qualquer experiência real e de repente eu tive muita certeza de que estava sonhando ou que tinha morrido, talvez eu estivesse sobre efeito de drogas alucinógenas. Estava enlouquecendo ali.

- Não é real! - eu ofeguei sentindo meus pulmões protestarem por ar assim que ele me soltou.

- É real! - ele afastou nossos rostos apenas para me olhar nos olhos enquanto me dizia: - Eu amo você, e eu vou amá-la para sempre. Nunca mais você será sozinha.

E o peso daquelas palavras foi tanto que meu medo me despertou para a loucura que eu parecia partilhar.

- O que disse? - arregalei meus olhos.

- Eu te amo! - ele dessa vez me encarou serio, um brilho maluco nos olhos castanhos escuros e bonitos. Será que tinha alguma parte daquele homem que fosse feia? - Pra sempre. - ele afirmou como em uma jura.

- Você bebeu, Black? - tentei rir, me soltando dele mas estava magoada. Queria que aquilo fosse verdade, queria muito que tudo o que ele disse fosse verdade mas não podia, simplesmente não podia. Porque agora? Nós tínhamos brigado e além disso nenhum de nós nunca tinha admitido nada realmente.

- Eu nunca estive mais sóbrio e mais certo em toda a minha vida. - ele continuou me olhando nos olhos, me desarmando, com calma.

Eu tentei sorrir amarelo e desmerecer, fazer alguma piada para tentar descontrair aquele clima de repente serio demais. Nada saia da minha boca.

- Você vai entender tudo quando souber O Segredo. Vem! - e puxou minha mão que eu não recusei mesmo sabendo ser o melhor a se fazer.

- Vem comigo que eu acho que já podemos ir embora. - ele me puxava pela mão através do galpão. - Se tivermos sorte podemos marcar uma reunião do conselho pra hoje a noite mesmo... - ele ia falando todo empolgado enquanto eu me desligava completamente daquela situação, tentando me focar no que tinha acontecido, de fato.

- Sr. Dook? - ele chamava enquanto abria a porta do Rabitt pra mim.

Um cara alto, não tanto quanto o Jake, que aparentava uns quarenta anos saiu de dentro de uma salinha encardida e Jacob combinou com ele de ir embora imediatamente em troca de mais horas de serviço.

Não demorou muito mais e nós fomos para casa. Ele dirigia com uma das mãos e a outra estava sempre na minha, só soltava para mudar a marcha e quando soltava parecia deixar seu rastro quente preso ali.

Eu estava profundamente dividida com tantas vontades dentro de mim, com a minha grande alegria por tudo de insano que ele havia dito e por meu grande medo de que fosse uma brincadeira ou um acesso de loucura , que era o que mais cogitava.

Estava assustada também, porque em nenhum momento eu consegui resistir à ele e aos seus rompantes.

Jacob POV

Deixei minha em casa, ainda zonzo com a súbita constatação de que ela era a mulher da minha vida.

Eu tinha agora, uma opinião completamente diferente do imprinting, de quem eu era pouco fã desde o inicio. Era inevitável sentir aquela pequena graça de estar sendo feito de bobo, de estar pagando a maior língua, mas eu estava super confortável em fazer parte daquilo, pra dizer o mínimo.

E alem do mais, eu tivera a sorte de conhecê-la e de me apaixonar por ela antes mesmo de saber que era ELA. Uma sorte que nenhum dos caras tivera antes de mim, a não ser que contássemos o Quil que ainda tinha um longo caminho a trilhar antes que a Claire tivesse idade para saber o que era o amor entre um homem e uma mulher.

Aquele sentimento de quietude e bem estar tomava conta de mim e não tinha nenhuma duvida de que corresponderia aos meus sentimentos. Talvez eu precisasse sim ser paciente, ter muito tato ao contar toda a historia à ela, mas se eu fosse dedicado, ela se entregaria.

O beijo de hoje me provava isso, assim como muitas outras atitudes dela com relação a nós dois. A forma como o coraçãozinho dela batia desesperado e como ela ficou mais branca do que cera quando eu disse que a amaria pra sempre, o que eu não pude me segurar e disse na primeira oportunidade que tive, assustando-a um pouco.

Mas, com certeza, o melhor foi o brilho em seus olhos cinzentos; um brilho que eu não vira em nenhuma outra ocasião. Uma alegria que irradiava dela para mim e me dava a certeza de que ela estava a bordo dessa loucura. Não tão definitivamente e não tão loucamente quanto eu, mas o suficiente para que tivéssemos uma grande chance, juntos.

Ela era minha. Só minha. E ela havia voltado a La Push, afinal. Não imaginava ninguém a obrigando a isso ou o sanguessuga desgraçado abrindo mão dela se ela não quisesse de fato vir, e então, quanto mais eu examinava tudo o que havíamos passado mais me parecia certo que fosse ela, mesmo sendo uma ex-patricinha mimada, arrogante e orgulhosa, destemida e frágil; que fosse a Srtª , o meu imprinting.

Com o que eu sabia ser o sorriso mais idiota e apaixonado de todos na minha cara, eu desci do Rabitt e fui caminhando sem pressa até meu pai, que estava esculpindo alguma peça em madeira na varanda de casa e ergueu os olhos para mim assim que subi pela escada.

Com um longo olhar para o velho, pude sentir seu coração acelerar e seus olhos arregalarem.

- Ah, meu filho! - ele parecia quase tão feliz quanto eu. - Com quem foi?

- Com quem mais seria, velho? - eu me ajoelhei em frente a cadeira dele o abraçando enquanto ele gargalhava pela minha atitude.

- Não sou adivinho garoto, fala logo, Jake. - ele me fitava curioso.

- ! - e eu já esperava pela cara de confusão que ele fez em seguida e antes que ele dissesse algo, eu disse: - Eu sei, eu sei... Eu já tinha visto ela e não senti nada.

Ele continuava encarando, ainda confuso. Compartilhei minha teoria, um tanto obvia.

- Ela sempre usou umas lentes de contato estúpidas e eu acho que isso barrou um pouco... você sabe, o momento em que eu saberia. Mas, mesmo assim, desde o primeiro momento, pai, eu acho que já sabia. Quer dizer, com ela sempre foi diferente. Eu sempre quis estar perto dela. Um força sempre me puxou pra ela.

- Jacob, eu estou feliz por você, sabe que estou, mas essa garota... Ela não conhece nossas tradições, ela não tem nada haver conosco! O imprinting nunca falha e ele é sempre para o melhor, mas isso não quer dizer que será fácil. Você precisa estar preparado se ela decidir resistir. - ele parecia realmente preocupado agora.

- Fica frio velho, eu sei ser insistente. - eu segurei no ombro dele, sorrindo mais ainda, sem poder me impedir. - Ela gosta de mim, eu sinto isso. Mesmo antes eu sentia. Eu vou conseguir dobrá-la, você vai ver!

- Eu vou torcer filho, você sabe que vou. - ele pareceu voltar a se alegrar. - E quando pretende contar pra ela? - perguntou.

- Era sobre isso que precisava de ajuda. Queria ver em quanto tempo podemos fazer uma fogueira pra ela ouvir as historias. Acho que vou conversar com ela antes também, só pra garantir mas não quero perder tempo!

- Vou fazer minhas ligações, Jake. Acho que conseguimos marcar pra hoje mesmo e é bom que não esteja chovendo também... - Billy disse, já fazendo listas do que iríamos preparar.

- Obrigado, pai! - eu o abracei de novo e então entrei para tomar um banho e voltar a casa dela.

POV

Assim que Jake me deixou em casa com um beijo doce de despedida, eu desci atordoada e então pareci clarear minha mente no instante em que seu carro virou a esquina, como se só pudesse pensar com clareza longe da influencia de sua presença quente e aterradora.

Conhecia a pessoa certa para me explicar o que estava acontecendo com aquele garoto, afinal.

- Kim? - perguntei um tanto alarmada quando atenderam ao quarto toque do telefone.

- É o Jared. - a voz de tenor do namorado dela atendeu, parecia que ele estivera rindo a pouco e ainda falava de maneira vacilante. - Vou passar pra ela, . - completou.

- Obrigada! - eu estava trêmula.

- ? - a voz de Kim, também risonha finalmente atendeu o telefone.

- Eu preciso de ajuda e você vai me contar toda a verdade! - eu fui despejando, percebendo que muito mais do que Jacob Black e seu súbito amor por mim estava incomodando parte da minha mente.

A voz dele ainda ecoava em mim: “ - Você vai entender tudo quando souber O Segredo. “

Todos eles escondiam algo. Seus olhares cúmplices e suas maneiras fluidas demais e majestosas demais para simples proletários. E a adoração com que olhavam as mulheres, a adoração que eu vira em Jake essa tarde e que ainda me deixava entregue aos calafrios.

Estava farta daquilo e tudo parecia incrivelmente ligado, algo me dizia que isso tinha haver até mesmo com o meu Tio.

Porque eu me sentia tão ligada ao Jacob, mais do que antes... definitivamente mais do que estar apaixonada por um garoto.

- O que aconteceu, ? - Kim parecia vacilante e de repente, diplomática demais.

- Jacob Black acaba de me dizer que irá me AMAR para SEMPRE e não pareceu que ele fazia uma piada! - eu praticamente gritei.

- Ouch!!! - ouvi ela ofegar e então pareceu perguntar alguma coisa ao namorado, mas eu estava interessada em mais do que a sua reação surpresa.

- Eu quero que alguém me explique o que está acontecendo aqui e quero que você me diga o porque de Jacob estar me tratando exatamente como o seu namorado te trata e o sobrinho da Marta trata a Emily. EU NÃO SOU IDIOTA. ALGUMA COISA ESTA ACONTECENDO...

- Eu chego aí em quinze minutos OK? Só preciso confirmar uma coisa! - ela parecia sincera então eu me acalmei.

- Venha logo! - eu praticamente gaguejei, implorativa.

Nem estava ligando por estar implorando à Kim que viesse me ver. Ela era a minha única amiga agora já que eu ainda não estava desesperada o suficiente para falar de garotos com a Marta.

- Fica calma ... - sua voz incrivelmente doce pareceu verdadeiramente me acalmar. - Se for o que eu estou pensando que é... não é uma coisa ruim, é uma grande honra e logo você saberá de tudo! - e então ela desligou e eu me enrosquei nas minhas próprias pernas.

Ali, deitada na minha cama e abraçando o Sr. Feddols, o meu ursinho azul que eu tinha desde que me conhecia por gente e que quase pensei ter perdido na mudança até encontrá-lo junto com uns sobretudos Burberry na minha sétima mala.

Kim POV

Jared me deixou em frente a casa de Dona Marta, onde me esperava, e foi ajudar os rapazes a organizar a reunião do conselho que ocorreria de ultima hora.

Eu nem podia acreditar naquilo tudo. Assim que desligou o telefone, Sam ligou avisando: Jacob tivera realmente um imprinting com ela e agora o conselho estaria se reunindo as pressas para que ela ouvisse nossas lendas e fosse “iniciada”. Jake não queria esperar.

Achava meio precipitado ir dizendo na cara da garota que o rapaz com o qual ela tinha um relacionamento ainda muito indefinido era um lobisomem que estava ligado à ela para a vida toda irrevogavelmente.

Mas pensando bem, Jared não esperou muito pra me levar ao conselho e eu não achei nada ruim quando ele se declarou. nunca ouvira falar sobre as lendas e isso me preocupava um pouco. Sam me permitira prepará-la. Não sair contando tudo antes de ela ter a oportunidade de ouvir de forma mais explicada, mas sabe, preparar o terreno. Fazê-la ir até a fogueira naquele esquema de: Não te fará mal algum... Eu vou, é sempre tão legal...

Esperava ser convincente.

- Oi Dona Marta. - cumprimentei passando pela porta.

- A Srtª está te esperando no quarto Kimberly. - ela disse com um sorriso cúmplice e então voltou para a cozinha. Eu bati na porta de leve.

- Kim, se for você, pode entrar! - choramingou de lá de dentro e eu entrei me preparando para ter paciência e não entregar todo o segredo de bandeja assim que ela me pressionasse a primeira vez. É que eu não agia muito bem sobre pressão.

-Oi! - sentei-me a beira de sua cama enquanto ela se ajeitava em grandes travesseiros.

- Desembucha! - ela mandou. Sempre tão doce.

- , não exagera. - eu tentei. Ela levantou a perfeita sobrancelha em arco para mim.

- Kim, você sabe tudo o que está acontecendo com essa gente doida e se você é minha amiga tem obrigação de me contar! - ela disse, bem seria dessa vez e eu notei que abraçava um bichinho de pelúcia.

- Eu sou sua amiga sim e eu te diria qualquer coisa mais não sou eu quem deve te contar... - ela ia me interromper mas eu a impedi. - Não, me ouve, por favor! - ela assentiu e eu continuei. - Hoje nós teremos uma festa na fogueira. Só nós daqui da reserva. O mesmo pessoal de sempre, do Natal, do Casamento do Sam. Você conhece todos. Você iria comigo, se eu te pedisse por favor?

- Quem sabe se você começasse a abrir sua boca! - ela censurou.

- Você vai ouvir nossa historia, na festa, quero dizer. - tentei ponderar. - A historia do nosso povo e das nossas tradições. - Ela bufou.

_ Kim... - começou com ares de quem ia me repreender de novo. Até podia ouvi-la dizer “Não me enrola” antes mesmo que ela falasse.

- , é serio. Você vai saber de tudo na fogueira. Tem tudo a ver com nossa tradição o que aconteceu com você e o Jacob. E você está certa, aconteceu sim alguma coisa e é a mesma coisa que me une ao Jared. - Dessa vez ela parou a cara de superioridade e estava atenta. - Mas eu realmente não posso te falar nada, porque é direito do Jacob. Ele deve te confiar o segredo e ele tá fazendo do jeito certo, está te levando a frente do conselho como deve ser. Só me promete por favor que vai manter sua cabeça aberta e não vai fingir que não gosta dele...

- Até parece... - ela estava indignada de novo. Senti uma nova coragem me tomar e a calei pela terceira vez.

- Você sabe que gosta dele e isso é serio porque ele está muito ligado em você, principalmente agora. Por favor, me promete que não vai envergonhar ele na frente de todo mundo que ele conhece desde que nasceu. Por favor? - eu pedi com o coração, rezando pra ela ver o quanto aquilo era sério.

- Não sei não, você não me explicou coisa nenhuma. Foi tão inútil quanto a alegria do Black e seu papinho de “Eu te amo pra sempre” - ela tagarelou mas eu percebi que estava apenas sendo irritante, como de costume.

- . - eu chamei mesmo assim, olhando-a nos olhos e percebendo pela primeira vez que ela estava de fato sem as iris verde-mel antes tão características de sua pessoa. - Por favor!

- Tá bem, eu vou ouvir tudo o que vocês tem pra me dizer mas já vou logo avisando que eu não sei não viu, o Jake tava muito estranho e muito alegrinho pra que isso seja uma boa coisa. - e então ela fez um bico quase infantil, mas seus olhos cinza, muito mais bonitos do que o verde artificial, se iluminaram assim que ela falou o nome dele e eu percebi que o imprinting estava em ação ali e Jacob não teria assim tantos problemas em conquistá-la.

Jacob POV

É claro que eu estava nervoso. Eu era uma pilha de nervos, ali parado em pé na sala de Dona Marta, esperando terminar de se arrumar.

- Podemos ir. - Ela apareceu deslumbrante como sempre, calçava botas de neve mesmo que não nevasse mais.

- Tão linda! - eu ofeguei a puxando para mim. Ela não refutou mas não se moveu, tão pouco. Eu a beijei de leve nos lábios. Ela me olhava especulativa.

- Vai me contar logo o que estão todos me escondendo? - perguntou colocando as mãos na cintura e fazendo uma ruguinha adorável aparecer em sua testa. Eu não pude me conter e a puxei pra mim, abraçando ela apertado.

- Você-esta-me-esmagando!!!!!! - ela falou em protesto e eu desfiz um pouco o aperto.

- Eu amo muito você! - beijei sua testa enquanto ela me olhava com aqueles lindos olhos cinzentos e assustados.

- Acho que você ficou realmente doido, sabe, mas também acho que devemos ir já que eu prometi para a Kim que iria ai nessa festinha de vocês. - ela se separou de mim e me deu as costas, ou tentou.

Enlacei ela pela cintura.

- Ei, quem disse que te dei essa intimidade? - ela bateu na minha mão, de pirraça. Eu ri e a peguei no colo como se fosse criança.

- Me solta!!! - ela esperneou um pouco.

- Prefere andar? - perguntei para ela, falando a serio.

- Não, pode me levar assim! - concedeu como se falasse com seu escravo pessoal, o que eu admitia, para minha própria alegria, que eu era.

Afinal, à coisa melhor no mundo do que servir à mulher amada, como a rainha que ela é? Parecia muito justo pra mim trazer comigo aquele cheiro magnífico que emanava de seus cabelos presos em um rabo alto enquanto tinha suas mãos apoiadas em minha nuca.

- Será que eu finalmente vou receber uma desculpa decente para o fato de você ser sempre assim... febril? - ela perguntou em uma voz bem pequena. Pequena demais para a petulância usual dela. Eu afastei minha cabeça e gargalhei.

- Sim, você vai descobrir porque nós somos quentes. - eu afirmei e então tive uma outra idéia e comecei a botar em pratica.

Corri com ela nos braços como se participasse de uma competição de velocidade e não estivesse carregando ninguém comigo e vi ela me lançar um olhar indagativo e super arregalado que logo se desfez em uma careta.

- Meu cabelo vai parecer um espanador. Diminua! - ela ordenou. Eu continuei correndo e saltei uma pedra particularmente difícil.

- UAL!!! - ela não conseguiu se impedir de dizer.

Já podia sentir o cheiro das salsichas assadas e meu estomago roncou. Coloquei ela no chão e enlacei sua cintura outra vez, recebendo outro tapa.

- Porque não posso te segurar? - perguntei olhando diretamente em seus olhos. Ela ficou muda por um segundo e eu a vi se aproximar um mínimo de mim, sem que ela mesma percebesse o que fazia. Peguei aquela deixa no ar, não desperdiçando oportunidade alguma.

A tomei nos braços e a beijei abrindo meus lábios de encontro aos dela, pressionando uma resposta que veio rápida e ofegante.

Beijei aqueles lábios macios e avermelhados com aquele hálito perfeito que por alguma razão que eu ainda desconhecia, tinha gosto de cereja. Minha língua se enrolava na dela e eu sentia meu corpo acordado e tenso, minhas mãos perdendo o foco e suspendendo-a pela cintura.

Como se o controle não abandonasse só o meu cérebro, ela enroscou as mãos em meus cabelos, na minha nuca, e suas pernas se partiram me envolvendo pela cintura enquanto eu a levava de encontro ao tronco de uma arvore sustentando ela pelo bum-bum redondo e delicioso.

- Hrun-rhun! - O maldito pigarro fez descer correndo do meu colo e se endireitar na sua pose mais digna.

Era o Embry, imbecil, e eu quase parti pra cima dele, não fosse o Quil aparecer logo em seguida com a Claire e a pequena correr na minha direção e na direção da , gritando:

- Tio Jayyy, quem é, quem é... BONITA?

POV

Eu não era mais eu mesma quando estava na companhia daquele maldito – perfeito, gostoso e louco... - índio.

Tá, eu fui não é.

Eu fiz o que a Kim queria que eu fizesse e vim com Jacob até a festinha na fogueira. Agora era hora de eles dizerem logo o que estava acontecendo e o porque aquilo me envolvia.

Me sentei em um tronco qualquer e olhei o belo fogo azulado que nunca tinha visto antes. Era como participar de um filme de magia, com aquele fogo crepitando naquelas cores impensadas, e olha que eu era a pessoa mais cética da face da terra. Contos de fadas nunca me impressionaram, assim como lendas e mitos nunca colaram muito para mim.

Jake, que desde que se declarou estava todo saidinho, veio sentar do meu lado e se eu deixasse teria me colocado no colo como estavam Kim e Jared, Emily e Sam e, de uma forma diferente mas igualmente amorosa, o tal de Quil e sua pequena Claire.

Só uma palavra para o relacionamento desse garoto com essa menininha que eu soube que não era nem mesmo irmã dele: Estranho!

Um homem muito velho, com cabelos brancos e longos começou a falar e sua voz profunda e arrastada parecia uma canção antiga. Seus traços índios engolidos pelas rugas da idade quase não se moviam mas sua dicção ainda era perfeita e tudo o que ele dizia parecia penetrar nos ouvidos de quem ali estava.

Eu não estava imune ao seu encanto e mesmo considerando toda aquela coisa de “lendas” um papo-furado, mantive minha promessa à Kim e abri a minha mente.

Primeiro foi a historia dos tais “espíritos guerreiros”. Tudo bem que projeção astral não é bem uma lenda, alguns gurus faziam isso em Los Angeles e ganhavam um bom dinheiro.

Daí passaram para a lenda do “homem lobo” e isso sinceramente era mentira e por mais que minha mente estivesse aberta, tive que manter minha risada incrédula para mim já que todos pareciam muito confiantes de que contavam grandes verdades.

Ainda resvalava em minha mente o que tudo isso teria haver com o que me interessava saber, mas a todo momento que eu olhava para Kim com olhos de reprovação, ela sustentava meu olhar com promessas, como que pudesse garantir que tudo se explicaria. Afastei um bocejo, pois já estava começando a ter sono, quando a historia da “Terceira Esposa” começou.

E então não era mais o senhor velhinho do cabelo branco que contava, mas sim, Billy Black, pai de Jacob; que olhava para mim como que preocupado que eu estivesse entendendo tudo.

Aquela historia foi mais cheia de detalhes e me incomodava o mesmo padrão de descrições aparecendo o tempo todo: A pele fria, a beleza sobrenatural e a dureza da pele dos vampiros. Seu cheiro adocicado e seus olhos vermelhos e sinistros. A graça de movimentos e a evasão.

Aquilo tudo lembrava demais meu Tio Oliver para que me fizesse bem ouvir. Era simplesmente uma lenda idiota daquela gente de mente pequena, só isso. Ou pelo menos era no que eu precisava acreditar.

- Quando o Grande Lobo viu seu imprinting morto, a dor foi tamanha que ele não conseguiu voltar a sua forma humana, correu para a floresta para viver como animal até o ultimo de seus dias e não mais foi visto. - o pai de Jacob disse com profunda reverência à historia fantasiosa.

E então ele virou-se para mim, isso mesmo, virou-se para MIM e perguntou:

- Tem alguma duvida, querida? - disse, com sua voz de barítono e eu olhei para Kim desesperada porque seria muito estranho rir ou desmerecer aquilo que parecia um grande acontecimento para eles.

- Acho que não. - disse meio vacilante.

Billy sorriu pra mim e as pessoas se dispersaram, comendo o resto da comida e saindo aos pares. Jake se virou para mim e ele parecia realmente apreensivo.

- Então... o que você achou? - ele questionou.

- Er, legal... - continuava procurando a traidora da Kim com o olhar, mas agora ela beijava Jared, apaixonadamente.

- , você ouviu realmente tudo que os anciões disseram? - ele me olhou nos olhos daquele jeito meio maluco que não me deixou mentir.

- Jake, isso é muito estranho... todas essas historias de vocês são bem interessantes e tudo mais, mas é claro que não passam de historias! - eu disse, sincera.

Jake começou a rir, ria sem parar, se dobrando no meio.

- Você acha que são só historias?

- São só historias! - eu quase desafiei, pois muito me irritou ele rir daquele jeito.

- Porque acha que nos reuniríamos todos aqui hoje pra lhe contar umas historinhas de terror ? - ele agora parecia um tanto amargo e me olhava com um olhar cansado.

- Eu é que vou saber? - quase gritei com ele, me levantando e saindo enfurecida do tronco onde me sentava. Afinal, ninguém tinha me respondido nada e se eles achavam que eu ia acreditar naquilo de lobisomens e imprinting, amor a primeira vista, imortais e chupadores de sangue... Todos eles, até mesmo aqueles que eram mais velhos e deviam estar melhor do juízo, todos eles estavam realmente loucos.

- Vem comigo, Deus sabe que não queria fazer assim! - Jacob quase gemeu e me puxou pela mão, até um canto extremo da roda.

Jacob POV

era a razão da minha vida, era agora tudo de bom que poderia me acontecer reunido em uma só pessoa, mas convenhamos que ela era uma tremenda de uma cabeça dura, também.

Pra crer em alguma coisa, a garota precisava ver, tocar, analisar em microscópio, catalogar e debater a respeito. Talvez eu estivesse cometendo um erro ao arrastá-la comigo no calor do momento mas uma parte de mim parecia certa de que isso era o melhor, de que ela era uma daquelas pessoas irredutíveis que precisavam levar certos sustos para que pudessem crescer com a experiência. Esperava realmente não traumatizá-la.

- Fica aqui quietinha. Eu vou até ali, atrás daquela arvore e depois vou voltar e me mostrar a você para que veja com os próprios olhos que EU posso me transformar em um LOBO. - disse como quem explica alguma coisa à gente muito burra.

Ela me fuzilou com os olhos e elevou seu queixo, as mãos na cintura.

- Não tenha medo, serei só eu e não irei machucá-la! - olhei dentro de seus olhos tentando ganhar sua confiança.

- Você está delirante, Jacob... delirante! - ela provocou.

Eu apenas fui até a arvore, como mencionei, e comecei a tirar minha roupa. Deixei ali pelo chão mesmo, onde poderia apanhar tudo e me trocar assim que tivesse provado o meu ponto nessa discussão ridícula.

Ouvi Kim se aproximar dela:

- , não tenha medo, está bem? Eu estou aqui com você. - Kim disse tentando ser gentil.

- Ah! Kim, você também? - desmereceu, visivelmente irritada.

Me transformei em segundos, com facilidade. Fui saindo de dentro da floresta e o barulho de minhas grandes patas pareceu fazê-la se virar, em silêncio.

Não durou muito, no entanto; o silêncio.

- Hahahahahaha! - ela gargalhava olhando diretamente para mim, em minha forma de lobo. - Até parece que vou cair nessa, hahahahahahaha. - Temi pela saúde mental do meu imprinting e então cheguei mais perto. Seus olhos focalizaram melhor, direcionados de encontro aos meus por um breve momento.

- Eu acho que você se esqueceu que eu cresci em Beverly Hills... - ela começou a gritar para alguém imaginário, atrás de mim, na floresta e seus olhos eram altivos para a imensidão escura da mata. - Efeitos especiais não me impressionam, Black! Não vai passar essa historinha como verdade só porque montou um teatrinho.

Não me contive e uivei indignado. Jared, que tinha se juntado à Kim para presenciar minha revelação, quase uivava junto, mas em sua forma humana e de tanto rir.

Bufei frustrado e o som pareceu fazê-la olhar novamente para o animal, ou seja, EU.

- Podem sair, vamos... Podem sair daí, amigos do Jake. O cara das luzes, o cara que está por traz do boneco... tem alguém nos efeitos sonoros também... Esse uivo foi bem realista garotos, vocês tem futuro...

E então, cansado de ouvir aquela ladainha dela e realmente sem mais idéias, eu voltei para detrás da arvore e coloquei minha bermuda, minha camiseta e todo o resto do aparato humano.

- Problemas com gente cética, Jacob? - Leah veio se juntar a pequena rodinha que se formou. Tentei ignorá-la o melhor possível.

- Eu vou ajudar... - ela disse de repente. - Kim, feche os olhos do seu namorado e você Jacob fique com os seus longe de mim ou eu saberei que você olhou. - E pela movimentação eu pude sentir, mas não ver, que ela se despia em frente à .

- Agora, Srtª , você terá a honra de ver a transformação da única fêmea na historia dos “Homens Lobo” - Leah disse em tom gozador enquanto ainda olhava fixamente para o lugar onde ela estava.

Foi rápido. O ar se agitou e nós sentimos a transformação de Leah, como um chamado para nos transformarmos também, como sempre. congelou no lugar, os olhos saltados, nenhum traço da arrogância de antes. Ela desfaleceu e eu a aparei.

- Muito obrigado Leah! Ela desmaiou. - eu a peguei no colo enquanto Leah voltava a forma humana gargalhando e se vestia rápida.

- Te fiz um favor garoto! - ela ladrou e saiu na direção em que todos tomavam para irem embora.

- Vou levar ela para casa. - disse, a contra gosto. As coisas tinham sido bem mais difíceis do que seriam se fosse uma pessoa mais maleável.

- Fique tranqüilo, Jake. Eu vou com você e converso com ela. Irá me ouvir agora! - Kim veio até nós, gentil como sempre. O Jared teve muita sorte com essa coisa de gênio feminino.



Capítulo 18 - Amo você, idiota!


POV




Jake era um lobo, um lobo gigante com uma boca enorme cheia de dentes afiados... ou ESSA era a garota lobo? Definitivamente se ela tinha aqueles dentes, os de Jacob deveriam ser ainda maiores. O cara por quem eu estava apaixonada não era só um índio pobretão habitante do fim do mundo. Pra completar a equação surreal, ele ocasionalmente tinha uma cauda.

Acordei em lençóis macios tentando me convencer de que tudo era apenas um pesadelo. Kim, ao meu lado na cama, sentada e babando em minha cabeceira era uma prova de que eu não sonhara.

E então, mais claro impossível, todas as historias vieram à minha mente e não era Jake quem me assustava, ao final de minhas avaliações.

A historia sobre os frios ficava enchendo minha cabeça com imagens de minha própria vida, meu Tio Oliver que nunca envelhecera uma ruguinha sequer em mais de dez anos.

Acreditar que tudo aquilo era real - e eu acreditava na parte dos lobos agora, já que eu vi com esses olhos e eu não estava louca - era acreditar que meu Dindo, a pessoa em quem depositei maior confiança do que depositava em meus próprios pais, a pessoa que mais significava para mim, apenas me enganou, sempre, como se eu não merecesse a verdade.

- Kim, Kim – sacudi minha doce amiga, que ficara ao meu lado mesmo enquanto eu a humilhava, por vezes. Ela me olhou meio assustada.

- Você está bem? - ela me perguntou, saindo de seu estado sonolento e demonstrando verdadeira preocupação comigo.

Sorri para ela, embora fosse um pequeno e incerto sorriso, quis tranqüilizá-la.

- Onde está o Jake? - perguntei, vendo que a luz que passava pelas cortinas ainda parecia difusa e indicava que estávamos apenas no início da manhã.

- Ele deve estar dormindo no seu sofá! - Ela passou as costas das mãos nos olhos afastando definitivamente o sono. - Convencemos Marta de que você tinha bebido um pouco demais ontem. - ela parecia muito envergonhada. - Desculpe por isso, estávamos preocupados e era o único jeito de ficarmos por aqui sem levantar suspeitas.

Por um momento tive raiva. Tudo era segredo, tudo era mentira. Então me lembrei que ELES confiaram esse segredo à mim, logo aqueles a quem desprezei desde minha chegada ao que considerei um exílio e sabia agora ser meu verdadeiro lar. Uma estranha, mesmo com a historia do imprinting enfiada em minha mente, como todo o resto, eu ainda era uma estranha para todos aqui.

Meu Tio, minha família, jamais teve comigo essa mesma consideração.

- Chama ele pra mim, Kim – pedi, creio que da primeira vez tratando-a com o respeito e deferência que ela merecia. - Eu preciso conversar com ele.

- Não o menospreze , o imprinting é uma coisa seria e ele te ama muito. - ela pedia com os olhos, a expressão e a voz, conjunto completo.

- Fica fria – disse firme. Ela sorriu pra mim e se foi.


Ajeitei meu cabelo e refiz o rabo de cavalo arruinado. Jake não precisava me ver feia e descabelada mesmo que estivesse condenado a me amar pra sempre. O que agora me parecia imensamente lisonjeiro e aproveitável. Sorri sem me conter. Ele não me deixou mais tempo para arrumações, passou pela porta em instantes.

- Kim disse que queria me ver, você está bem? - ele atropelava as palavras adoravelmente. - Não achei que iria querer me ver por um bom tempo, achei que teria medo de mim, desculpe pela forma como a Leah explodiu na sua frente, não era assim...


Eu o calei, findando a distancia entre nós e o abraçando apertado, pela cintura mesmo, colando minha cabeça em seu largo e quente peitoral.

- Fica quietinho, tá bem? - Sussurrei, aspirando seu cheiro. - Nós estamos bem, OK? - perguntei olhando para cima e encontrando seus olhos castanhos profundos, mais brilhantes do que nunca.

- OK! - ele imitou meu tom e afagou meu cabelo. Voltei a me apoiar em seu peito.

- Realmente achei que você fosse sair gritando! - ele disse, casual.

- Eu desmaiei, não desmaiei? - disse confiante. - Acho que é chilique o bastante!

Senti sua risada baixa contra minha cabeça e continuei ali, escorada no meu... acho que AMOR era a melhor palavra.



Jacob POV


- Temos que nos arrumar, . - eu disse, mesmo que a contragosto, perto de seu ouvido.

Ela separou-se de mim e me encarou.

- Vai me dar carona hoje, Black? - perguntou com uma sobrancelha elevada e uma cara de moleca.

- Sempre, Srtª ! - respondi puxando-a pela cintura de forma brusca enquanto ela se deixava levar na ponta dos pés e sorria.

Me deu um selinho e então sua expressão se fechou, se retesou um tanto.

- O que aflige a minha garota? - perguntei segurando seu maxilar e olhando em seus lindos olhos.

- SUA garota? - ela desmereceu.

- Só minha! - eu disse à sério. Isso a fez voltar o sorriso nos lábios.

- Vai pra sua casa Jake, logo eu fico pronta e no caminho da escola a gente conversa. - ela disse, saindo da prisão dos meus braços e desatando os cabelos, começando a se arrumar. - Será que a Kim já foi? - perguntou, enquanto se sentava de frente a uma cômoda com um grande espelho e penteava os longos fios caramelo.

- Acho que sim, ela também tem aula cedo.

- Eu bem podia transferir minha matricula para a escola daqui, não é como se fosse muito pior do que Hoquiam. - ela disse de súbito e então se virou. - Não estou dizendo que aqui seja ruim...

- Esquece isso, eu entendi. - Disse, porque era obvio que ela estava se sentindo totalmente atrasada na escola de Hoquiam e se sentiria ainda mais aqui na reserva.

Por um momento pesou-me na consciência condená-la a uma vida simples quando ela estava tão habituada a tudo o que era caro.

- É serio Jake! - ela se levantou e tomou meu rosto nas mãos, me obrigando a olhá-la. - Eu estou melhor com você do que estaria com um príncipe da Inglaterra e acredite, eu conheci o jovem Harry quando fui a Londres e ele não chega aos seus pés.

- Tá bom , eu acredito! - disse amargamente, me punindo por ter transmitido meu desagrado de uma forma tão obvia.

- Todas as escolas são perda de tempo, no final. Eu nunca fui CDF, mesmo. - ela disse séria.

- Quer dizer que La Push agora é o bastante para você? - eu me mantinha cético e percebi que realmente me machucava pensar sobre isso.

- VOCÊ é o bastante pra mim. - ela falou e sua voz tremeu. - Jake, eu fugi de você e eu tenho ignorado o que sinto desde que cheguei aqui. Admito que não era o sonho da minha vida acabar em uma cidadezinha de interior e viver em uma casa que só tem um banheiro mas eu nunca, nem em meus maiores sonhos, esperava encontrar amor, porque eu não conhecia amor. Meus amigos não eram amigos de verdade, minha família não era uma família de verdade. Eu só tinha Marta, e bem, eu ainda a tenho e ela é como minha mãe. Agora, você disse que vai me amar pra sempre e eu não vou deixar meu orgulho no meio disso. Com o tempo eu coloco alguma classe nesse lugar. - ela disse com um sorriso largo e eu não podia acreditar no que ela dizia, ainda dividido entre a alegria e a incredulidade. Ela pareceu perceber minha indecisão porque continuou. - Eu amo você, seu idiota, eu amo você de volta, nós podemos viver com isso... Eu, vivi com tão menos. O dinheiro não é tão importante ass...

Mas não deixei ela dizer mais nada e a tomei pra mim num beijo sôfrego, possessivo e alucinado. Ela me amava, ela não se importava com o fato de que um futuro ao meu lado era um futuro sem todas aquelas marcas caras e baladas da moda. Ela me amava, me amava e era o que mais importava.

Nem podia acreditar que era a mesma garota que chegou aqui a pouco mais de um mês com tristeza em seus olhos falsos e cheia de ataques. Ela parecia tão valente e tão doce ao dizer tudo o que disse. Minha guerreira, minha. A garota que eu sempre acreditei que ela poderia ser.


POV


Nunca pensei que eu seria daquelas pessoas, felizes em ser o grande peixe na pequena lagoa, mas eu estava tão bem, apesar de ainda confusa em relação ao Dindo e temerosa de que minha situação de órfã me atrapalhasse a viver o meu AMOR...

Mas era isso, eu amava e eu era correspondida. Acho que nem mesmo uma bolsa Gucci edição limitada fez tanto por mim quanto os beijos de Jacob faziam. Estava bem com isso: Eu namorava um membro do proletariado!

Porque obviamente ele só saiu de minha casa quando eu aceitei ser sua namorada, de forma oficial.

Também agradeci a Kim por ter ficado comigo o tempo todo e quase morri de rir da cara dela ao perceber que eu estava realmente agradecendo por algo, sem ser obrigada a isso ou sem a ajuda de substancias ilegais.

Pisquei pra ela quando ela saiu pela varanda e juro que ela quase engoliu a língua.

No meu Ipod eu coloquei uma seleção de musicas que eu mantinha quase que a sete chaves escondida - porque não fazia muito o estilo da minha antiga turminha PODRE de ex-amigos - e logo que a voz agradável da Taylor Swift chegou aos meus tímpanos, foi como se eu pudesse flutuar.

Sabia que a conversa que eu teria com Jacob a caminho da escola não seria das mais amigáveis porque se tratava, em grande parte, do meu Tio Oliver. Jake, no entanto, tinha bastante paciência comigo e isso era algo que eu tinha de admitir para ele.

A buzina do Rabitt me tirou de casa imediatamente, a mochila de couro YSL presa em um ombro só. Meu lindo namorado sorria pra mim como se presenciasse a própria Afrodite, vinda do paraíso. Eu definitivamente gostava dessa historia de impressão.

- Então, sou todo ouvidos. - ele disse depois de me sufocar um pouco em seu peito largo e me beijar daquele jeito sempre desesperado dele que me fazia suar, independente de sua temperatura elevada.

- Eu preciso saber mais sobre os Frios. - disse na lata mesmo, não era muito fã de enrolação.

Jacob franziu o cenho e fez uma careta horrorosa. Dei um tempo pra ele.

- O que quer saber, exatamente? - ele perguntou ainda de muito mal-humor, olhando para frente e evitando o meu olhar. Se ele ia agir como um idiota o problema era dele. Eu teria essa conversa.




Jacob POV



Não gostava nada de estar dando todos os dados sobre vampiros que eu conhecia à uma que ouvia interessantíssima. Mas fazer o que se ela QUERIA saber, e achava que tinha DIREITO de saber.

Acho que no fundo, até que eu admitia que estava certo ela querer esclarecer tudo. Foi então que minha parte racional, preocupada em contemporizar com ela sofreu um golpe tão repentino quanto todo o resto de mim que já odiava estar sequer falando sobre aquilo.

- Eu quero visitá-lo! - ela disse assim, fácil, como se não tivesse pedindo para que eu deixasse meu imprinting ir até outra cidade, quilômetros de distancia e ficar com um vampiro por horas, quem sabe dias, a sós.

O freio do carro protestou e cantou os pneus enquanto eu nos jogava no acostamento. Sai disparado do meu banco pra fora, emborcado e tentando conter o fluxo da tremedeira que se apossou de mim. Medo, ódio, pânico completo.

- Jake! - ela gritava, parecia preocupada.

Levei uma mão a frente, me recusando a olhá-la. Pareceu me entender já que não se aproximou. Fui me acalmando e pude fitar seus olhos. Ela estava corada e esbaforida, mas não parecia ter medo de mim ou guardar ressentimento.

- Eu preciso ir Jacob, ele mentiu pra mim, mas ainda é da minha família. Preciso resolver as coisas com ele nem que seja para cortar relações. - ela estava muito séria, mas também foi bastante doce para seu normal.

- Não. - eu disse baixo e vi minha voz sair humilhada, implorativa. Não era nem de longe uma ordem. Quem mandava ali era ela.

- Jake, entenda.... você pode vir comigo se te deixa mais seguro! - ela tentou, dessa vez se aproximando devagar de mim. Já estava controlado o suficiente para permitir que ela me tocasse. Ela traçou a linha do meu maxilar.

- Ele não vai me fazer nada, ele nunca me fez nada a não ser... mentir. - e ela abaixou os olhos e tomou um longo fôlego.

Percebi que ela estava sofrendo com isso. Ela amava o sanguessuga, ela o considerava membro de sua família e ele havia lhe feito muito mal quando mentiu para ela sobre sua condição durante todos esses anos. Até me perguntei se ela realmente não sabia das segundas intenções que eu vi nos olhos do maldito. Me pareceu obvio que ela não sabia disso também.

Por mais que tudo aquilo me enchesse de ressentimentos e aflição eu não poderia vê-la sofrer.

- Nós vamos, então. - eu consegui dizer e não se parecia muito com minha própria voz ainda, estava ofegante.

- Obrigada, obrigada, você é o melhor! - ela pulou em mim, me distraindo e sorrindo, me beijando no rosto, no pescoço, na boca, em toda parte.

- Mas não vamos ficar muito. - eu disse, já completamente recuperado do grande susto, tentando não pensar muito no que estava fazendo ao concordar com aquela loucura.

- Eu só quero esclarecer tudo. Preciso ouvir da boca dele. Você pode grudar em mim como chiclete no asfalto! - prometeu com olhos brilhantes.

Eu a segurei pela cintura e a beijei demoradamente, carinhosamente. Tentando eternizar os segundos em que ela estava ali comigo, segura.

Pouco tempo depois nós voltamos para o carro. Já estávamos bastante atrasados.



POV


Jake tinha fugido dessa visita por quase duas semanas, mas aqui estávamos nós, parados em frente ao loft que meu Tio adquirira em Seatle esperando que o porteiro confirmasse nossas identidades.

Podia senti-lo tenso de encontro aos meus braços, perpassados em seu quadril, tentando manter-se relaxado com os braços em torno de meus ombros, como um namorado comum. Nem cogitaria pedir para que ele esperasse aqui em baixo pois não estava disposta a faze-lo tremer como vara verde de raiva.

Segundo Kim e suas dicas de como namorar um lobisomem com sucesso, irritá-lo não era nunca o melhor caminho e eu entendia cada vez melhor sobre as historias e o segredo para saber que era realmente penoso para ele me ver, supostamente, “desprotegida. Tão próxima a seu inimigo de nascença.

- Jake, não vai fazer um cena, me prometa. - olhei duro para ele e recebi um olhar tenso.

- Não chega muito perto dele, por favor! - ele pediu entre dentes de forma implorativa. Eu quase sorri para a cara torturada que ele fazia. Peguei a mão que estava sobre meu ombro e a beijei. Ele pareceu relaxar, visivelmente.

Nossa entrada foi permitida e entramos no espaçoso elevador privativo.

Jacob me lançou um sorriso predador quando a porta se fechou e avançou até mim, parecendo muito cheio de idéias.

Me segurou pela cintura, me erguendo o suficiente para que eu o abraçasse pela cintura, minhas pernas rodeando seu quadril. Inclinou-se para mim e me beijou na boca com fome e se pôs a distribuir chupões por todo o meu colo.

Pega de surpresa e definitivamente excitada eu não pude fazer muito mais que evitar gemer enquanto ele trabalhava em mim.

- O que foi tudo isso? - eu consegui dizer ofegante quando ele me largou e a porta finalmente se abriu.

- Demarcando o território. - ele disse sacana e eu apertei meus olhos em raiva.

- Idiota! - eu tentei acertá-lo, mas ele apenas riu e se desviou. - Você me paga Jacob, pode apostar que me paga.

Ele veio até mim e me pegou pela mão, sério de novo. Estava na hora. A grande porta de mogno entalhado da cobertura assomava agourenta até nós dois. Não precisei apertar a campainha para que ela se abrisse.





Oliver POV


Alguma coisa estava errada. Malditamente errada.

Era só o que eu podia pensar quando desliguei o telefone naquela tarde de sexta. Pela primeira vez em muitos séculos senti uma espécie de medo se infiltrar em meu sistema morto. havia me ligado e fora, pra dizer o mínimo, fria comigo.

Queria marcar um hora para me ver e recusou meu motorista categoricamente dizendo que um “amigo” a traria. Que amigo? - eu desejara como o inferno perguntar-lhe, mas me mantive distante de um confronto por telefone.

Nada me tirava da idéia que aqueles cachorros estavam envolvidos, mas não imaginei realmente que ela tivesse descoberto nada demais, afinal, para isso eles teriam de contar sua parte da historia e não me parecia que eles queriam muita audiência para seus próprios segredos.

Deixei-me cair no sofá como se precisasse daquilo para relaxar, como o humano que eu já não era há tanto tempo. Agora faltava pouco, ela estava a caminho e logo chegaria até mim. Talvez eu devesse contar-lhe de uma vez sobre Eleanor e sobre estarmos prometidos e ligados pela eternidade. Talvez eu realmente o fizesse.

O porteiro interfonou e pediu autorização para deixar entrar uma garota que dera o nome de . Autorizei de pronto enrolando uma mão na outra, em outro gesto humano inútil de impaciência.

Observei o monitor que mostrava imagens do elevador privativo, em ótima resolução. entrou, linda, serena.

Mas então outra pessoa tomou minha visão. Um grande borrão em minha vista de minha amada, devo dizer. Prontamente reconheci o rapaz como um dos cachorros que me interpelaram no dia em que a visitei. Aquele que eu suspeitei que lhe enviava olhares quando ela se retirou com a babá.

Meus punhos se fecharam em ódio em vê-lo ali, junto dela, minhas piores suspeitas concretizadas. E nada, absolutamente nada, em mais de quatrocentos anos me preparou para a cena seguinte.

Aquele sórdido, sujo e imoral; aquele animal inferior colocou suas mãos possessivamente sobre ela, apalpando-a de forma indecente, esfregando-se nela enquanto ela permitia que ele a tomasse, suas pernas firmes ao redor dele, a cabeça levemente jogada para traz enquanto ele a possuía, parecendo desejosa do que ele fazia.

Minha vista se tingiu de vermelho e eu arremessei o copo de cristal, ainda pela metade de sangue, que estivera em minha mão. O cristal foi de encontro ao maldito monitor, destruindo os dois na dura pancada.

Meu coração morto parecia se esfacelar em minhas mãos impotentes e pela primeira vez eu as vi como duas pessoas diferentes. Minha Eleanor jamais me trairia de forma tão atroz.

No que pareceram segundos o elevador chegou ao meu andar e eu os ouvi saindo. Ela ria e o provocava, no que parecia a resposta a qualquer piada que o estúpido garoto tivesse feito.

Não delongaria mais meu próprio sofrimento. Abri a porta.



POV


O belo rosto de meu Tio estava contorcido numa expressão de cólera que me fez tropeçar de encontro aos braços seguros de Jacob, que me amparou.

Eu certamente não esperava por uma recepção daquelas.

- O que quer? - ele perguntou em um silvo e eu senti Jake praticamente rosnar em minha defesa.

Controlei uma lagrima que já se formava em meu olho. Porque ele havia me recebido assim?

- Nós precisamos conversar, seria bom se eu pudesse entrar... - tentei me manter firme, lembrando-me que era EU quem tinha direito de estar magoada ali e era EU quem merecia explicações.

Ele afastou-se da porta rudemente e aquilo pareceu uma deixa para que o seguíssemos.

-Parasita fedorento! - ouvi Jake murmurar em desaprovação.

- Shii! - pus meus dedos nos lábios trancados e fiz uma careta para ele, igual quando repreendemos uma criança sem boas maneiras. Ele rolou os olhos.

Meu Tio parou de encontro ao grande sofá preto com almofadas de veludo vermelho, manteve-se de costas, recusando-se a me encarar.

- Porque mentiu pra mim Dindo? - eu deixei sair assim, sem mais edições. Ser sincera em momentos de crise era uma coisa que eu nunca pude evitar.

Ele me fitou pela primeira vez, por de traz de sua mascara de raiva, parecia sentir dor.

- Porque me interpela dessa maneira? - ele disse encarando-me de forma ainda muito dura.

- Eu sei o que você é... - entendimento luziu nos olhos dele e sua mascara de raiva voltou a toda. Respirei com dificuldade para continuar. - Eu não posso entender... não posso aceitar você ter mentido para mim por tantos anos, você sequer é meu tio de verdade... - abaixei minha cabeça, de repente cansada demais para continuar. Senti Jake me afagando e me rendi a seu consolo quente e saudável.

- Me acusa de te enganar, deve estar pensando a respeito da espécie de monstro eu sou... Eu me pergunto se você sabe que espécie de monstro é este aí, em quem você se apóia, com quem se agarra como uma prostituta num local publico, sujeito a vigilância...

Jake se levantou e me deixou cair no sofá.

- Retire o que disse, sanguessuga, retire agora mesmo o que disse dela. - ele tremia e se convulsionava e eu só pude ouvir uma gargalhada amarga e assombrosa sair de dentro do ser que um dia considerei como uma parte importante de mim.

- Acha que tenho medo de um cachorrinho? Viva alguns anos mais antes de me dirigir a palavra, criança! - Aquela certamente não era a voz que me acalmou e confortou por anos, me fazendo segura, era realmente a voz de um monstro, um monstro frio.

Estava assustada, mas sabia que não poderia deixar que Jake me defendesse. Pulei precariamente entre os dois, minhas mãos no peito de Jacob. Meus olhos implorando para que ele se acalmasse. Ele parecia tenso demais e ainda assim minha aproximação fez ele se retrair, o medo de me machucar colocando-o sano pelo menos por enquanto.

- Eu sei exatamente o que Jake é, porque ele não mentiu para mim como você fez, como você ainda tentaria fazer, creio eu, se eu não estivesse tão segura de quem você é... - e então uma grande raiva nasceu dentro de mim, como se não pertencesse a mim, somente. - Assassino! - eu cuspi.

Pareceu que meu Tio ficou ainda mais branco do que sua natureza impunha.

- Você não sabe o que diz... - ele desviou os olhos. - Eu não mato para me alimentar, nunca matei.

- Mentiroso, Cretino! - eu acusei com as lagrimas tomando conta. - Você matou o que eu um dia senti por você então você é sim um assassino. - respirei, doía, doía tanto e eu só queria sair dali, ir para La Push, me atirar entre minhas cobertas e me acolher nos braços quentes do Jake.

- Você não é mais meu Tio, você não é mais nada meu e se voltar a cruzar meu caminho eu não irei pedir pela sua vida quando as “crianças” quiserem eliminá-lo. - eu jurei, olhando-o nos olhos e então juntei minhas ultimas forças para sair dali.

- Estou orgulhoso de você! - Jacob falou com sua voz mais doce, de encontro a meus cabelos, quando finalmente caminhávamos para o carro dele, para ir embora.

- Eu não sei se posso dizer o mesmo... - suspirei, ainda sentindo meus olhos molhados e transbordantes.

Minha voz era fraca e eu nunca teria permitido que ninguém me visse daquela forma. Mas uma prova de que eu mudara muito.

- Não sei exatamente se fiz certo... ele sempre foi bom pra mim, mesmo que fosse uma mentira... - minha raiva pelo Tio Oliver parecia menor agora que eu descarreguei tudo em cima dele.

- Acho melhor assim, você não pode se por em risco o tempo todo pra ter ele na sua vida. - Jake argumentou, sempre sério demais quando falava sobre esse assunto.

Me agarrei mais forte a ele querendo dar razão a cada uma de suas palavras e apenas esquecer. Quem sabe um dia eu estivesse pronta para perdoar e ser perdoada, por enquanto eu me sentia ainda muito órfã.

Definitivamente sem laços e sem nada que me prendesse ao mundo a não ser o gentil e tempestuoso homem que me mantinha inteira e me levava agora, de volta para um lugar que eu chamei de casa e que agora me pertencia. Talvez Marta tivesse uma caneca de chocolate quente com canela pra me fazer um agrado quando chegássemos.








Capítulo 19 - Eu amo você de volta


Jacob POV



Era o meio de Março, o sol já aparecia de vez enquanto, como hoje por exemplo.

Estava encostado na minha moto, que não mais me trazia recordações de Bella, enquanto esperava minha patricinha sair da aula porque estávamos em uma terça feira e ela sempre saia tarde nas terças fazendo com que eu esperasse por ela e não o contrario, como nos outros dias da semana.

Tinha acertado minha vida numa rotina agradável ao lado do meu amor.

Pensar nela como patricinha era, agora, só uma brincadeira, porque a garota forte e maravilhosa que se revelou ser nunca mais tinha deixado seus modos.

Ela às vezes era mais madura que eu e olha que sou um cara até bastante sério se formos considerar os babacas do meu bando, por exemplo.

Por falar em MEU bando, bem, agora seria mais MEU do que nunca.

As coisas começaram a se complicar quando Sam me chamou, no fim de semana passado, para uma conversa a sós: Ele queria me entregar a liderança da matilha oficialmente, em breve, e então se afastar para garantir que suas preocupações estivessem 100% em cima de sua família.

Emily estava grávida, tinham acabado de confirmar; e era agora que ia sobrar pra mim de verdade.

Uma responsabilidade que nunca quis, jogada assim em meus ombros já que o bonzão estava decidido a ser o pai do ano. Sam até tinha arrumado um emprego melhor em Port Angels e me enchia o saco constantemente dando suas ultimas “patacas” na direção daqueles fedelhos irritantes que eu agora tinha de liderar.

Quem ficou feliz foi a Leah, porque mesmo a contragosto tive de promove-la à segunda no comando, prezando pela minha saúde mental, entendendo que era melhor ela, com sua autoridade nata e certa responsabilidade do que qualquer dos outros que ainda eram imaturos demais para o posto.

Quem não gostou muito foi o Quil e ele ainda me olhava com aquela cara de melhor amigo traído sempre que tínhamos reunião.

Jared e Paul não foram problema já que se desligariam mais cedo ou mais tarde para ficarem com seus imprintings e se dedicariam apenas a família como Sam mesmo estava fazendo.

Eu sabia que Quil não teria achado aquilo tão ruim se Leah não estivesse tão empolgada com o poder. Às vezes ela ficava mandando nos garotos com vigor demais e eles estavam cada vez mais fulos da vida em receber ordena de uma mulher, aquele bando de machistas.

A minha patricinha podia mandar em mim o quanto quiser que eu ficaria feliz em obedecer, mas pensando bem, não posso culpar os garotos já que isso era só com ELA.

No mesmo instante o vento soprou e o cheiro dela, tão melhor que qualquer outro, soprou de encontro ao meu faro. Ela estava lá, olhando para os lados de frente a velha fachada do colégio, me procurando, ainda sem me encontrar.

Então a vi lançar um olhar assassino para uma outra garota, com um uniforme de Torcida e logo após, sorrir brilhantemente para mim, vindo em minha direção e apressando o passo.

- Oi meu Lobo! - ela disse com um sorriso perigoso que ela usava, tenho certeza, só pra me enlouquecer.

Traçou uma linha pelos meus ombros, com a delicadeza de um roçar de pena.

- Quem deixou você sair com essa camiseta regata? - acusou, fingindo me repreender. - As idiotas dessa escola não merecem essa visão. - ela completou chegando mais perto.

Eu me controlava para não puxá-la pra mim, deixando que ela fizesse seus joguinhos.

Ficar imóvel era uma grande luta, enquanto ficou na ponta dos pés mesmo com seus saltos altos e a ponta de sua língua traçou meu lábio inferior. A puxei pra mim, sem mais qualquer intenção de esperar por ela.



POV


Mais uma terça feira comum, indo de volta para casa. Essa era uma boa vida.

Ainda parecia um pouco com “As férias malucas que você nunca vai esquecer” mas mesmo assim, eu acreditava que isso era só uma fase e eu me via cada dia mais pronta para aceitar as coisas como elas eram agora .

Eu era uma Befart , mesmo que isso não me significasse tanto quanto antes. Eu morava numa pequena reserva indígena, na costa de Washington e me sentia muito bem com isso - até o meu cabelo não caia mais. Eu tinha bons amigos aqui, pessoas que fariam tudo para me deixar mais feliz, ou me confortar se eu precisasse de um colo, mesmo que ainda não me sentisse muito a vontade em falar sobre meus sentimentos. Mas principalmente, eu tinha o melhor, o mais atencioso, carinhoso, esperto e engraçado, além de GOSTOSO namorado do mundo.

A garota que foi a solteira mais convicta de toda a L.A., aquela que começou a ter encontros aos doze anos e que mesmo assim nunca passou mais de duas semanas com um cara só; estava agora completamente apaixonada por um incrível espécime local e ainda por cima envolvida em uma trama de mitos que eram extremamente reais para o pânico de sua mente cética.

Era de se imaginar que eu realmente consegui tudo o que eu queria, mesmo que não tivesse vindo até aqui a procura de nada, primeiramente.

Jake estacionou em frente a minha casa, desligou o carro e deu seu melhor sorriso.

- A barra tá limpa, nenhum som em mais de um quilometro! - avisou meu namorado de ouvidos supersensíveis.

Já foi tratando de saltar de seu carro e me pegar como o louco que ele é na maioria das vezes, para não perdermos nem um minuto da nossa seção de amassos diários no sofá até a hora em que Marta chegaria do lugar ao qual ela sempre ia.

É que, bem... A gente começou a ir rápido demais logo na primeira semana de namoro, quando ele pegou pela primeira vez em uma área proibida, além da minha cintura, por cima do meu sweater.

Foi aí que eu comecei a estabelecer alguns limites que nunca conseguia manter até o final mas que nos impediram, com sucesso, de transar no sofá da sala enquanto Marta passava pela porta no fim de tarde, até agora.

Claro, meus limites estavam começando a fazer aquela coisa de “O feitiço vira contra o feiticeiro” e eu sabia que teria que tomar alguma providencia para descarregar a quantidade de energia sexual que eu tinha acumulado em tantas “horas do sofá”. Nunca fui puritana e nasci em Beverly Hills, tinha quase 17 anos e não pretendia ficar guardando o ouro pra sempre não, mas tinha aquele medinho na espinha que qualquer garota tem quando sabe que vai ser a primeira vez.

Não tinha lá muita vergonha de ficar nua na frente dele não, eu tinha mesmo era pânico de que desse tudo errado e eu fosse me descobrir como uma frigida de carteirinha. Mesmo com todos os artigos da Cosmo's que eu li, ainda era irritantemente inexperiente. Não sabia se preferia que ele fosse inexperiente também, pra dar vexame junto comigo, ou se gostaria que o cara fosse o Az do sexo.

Eu estava bem dividida.

O importante mesmo era que Jake não pressionava. Ele ficava com uma carinha de cachorro pidão por uns dois minutos mais logo dava um jeito de mudar de assunto, nos momentos em que eu era obrigada a parar tudo, porque ele mesmo nunca parava.



Jacob POV


Já fui passando a mão na lateral do corpo de , suspendendo a blusa que ela usava. Ela fez uma carinha de safada e tirou a blusa sem nenhuma cerimônia me deixando a visão da sua lingerie pink. Eu ia enlouquecer qualquer dia desses, e ia sair correndo feito um lobo louco só pra não rasgar as roupas daquela garota e possuir ela em cima daquele sofá mesmo. O meu corpo inteiro era sensível a ela como se eu estivesse sobre efeito de algum estimulante químico poderoso.

Deitou de costas, virada pra mim; o sorriso sacana se estendendo pelo rosto antes angelical, colocou uma das pernas sobre o encosto e me deu uma visão clara do play ground proibido. O dedo indicador me chamando enquanto ela abria o botão do jeans e descia um pouco o ziper e eu já sabia exatamente onde ela queria chegar.

Ataquei primeiro seu pescoço só pra ver ela se arrepiar e gemer como uma gatinha. Dei um chupão com um pouco mais de vontade e ela colocou as mãos por baixo da minha camiseta pra se vingar. Tirei a camiseta e ela me unhou com vontade deixando rastros de vergões em minha pele. Ardia como o desejo dentro de mim e eu já tava todo duro.

Não tinha nenhuma experiência afora as vezes que estive com ela mas por incrível que pareça isso nunca me impediu de explorá-la e de me fartar dentro dos limites que ela impunha. Com um mês de “hora do sofá” eu já havia aprendido a esquentá-la rapidinho e com eficiência. Conhecia muitos pontos fracos e quanto mais eu esquentava ela mais eu era recompensado: uma nova peça de roupa que caia ou ela tomava iguais liberdades comigo. Um dia esse sofá ainda pegava fogo de vez.

Mas o que realmente importava era ver a minha garota feliz e já era um grande privilegio ter o que ela se dispunha a me dar. Eu nunca iria pressioná-la por mais. Ela saberia a hora certa e então seria certo pra mim também. Mas convenhamos que a minha compreensão não era sem esforço e a minha sabia ser bem malvada.

Abriu o zíper da minha calça enquanto eu ainda distribuía chupões pela pele clara deixando umas marcas inevitáveis e fazendo ela dançar em baixo de mim. Senti a mão dela em cima do meu sexo e gemi perdendo o rumo, ela só roçava e às vezes me apertava, sempre brincando com meu controle. Uma das minhas mãos foi pra baixo do sutiã sem tira-lo e eu belisquei seu mamilo enquanto ela puxava meu cabelo com outra mão pra me colar em sua boca. O beijo era furioso e cheio de língua, ela me conduzia me inflamando e me satisfazendo no beijo, mas claro, eu ainda queria bem mais.

- Jake – ela suspirou quando me desviei do beijo para torturá-la com mais atenção. - Faz! - implorou com os olhinhos apertados.

- Faz o que? - perguntei mordendo seu lábio inferior e deslizando as minhas mãos nas laterais de sua cintura, só pra vê-la pedindo mais. Ela olhou pra mim com uma carinha submissa que foi uma loucura. - Faz o que você faz de melhor. - mandou com mais vontade.

Eu gargalhei, apertando o seu seio que ainda estava completamente no soutien, por cima da roupa mesmo. Levei minha mão até sua calcinha e corri um dedo em cima do tecido fino e cintilante.

- Você quer isso? - apertei eu sexo enquanto perguntava. Ela gemeu mais alto e o quadril se ofereceu para minha mão. - Não é o meu melhor!- cochichei em sua orelha, mordi o lóbulo e acabei com o sofrimento dela colocando minha mão por dentro da peça intima. - Mas você pediu com carinho... Eu faço.

Podia sentir sua excitação enchendo o ar como uma neblina sexy.

Posicionei meus dedos nela, sua carne sensível e macia era um chamado natural, movi dois de cada vez, fazendo um circulo sincronizado e constante.

suava e gemia completamente fora de si, completamente desfrutável. Tentava me beijar e eu permitia por vezes enquanto minha mão dançava em seu sexo, minha língua dançava em sua boca.

A confiança que tinha em mim era quase tão poderosa quanto a energia que eu podia sentir percorrendo nossos corpos, a atração, o amor, era insano. Um insano muito bom.


POV


Sabe quem diz que chocolate é melhor que sexo? Então, essa pessoa com certeza não namora Jacob Black!

Seu corpo quente, os músculos rígidos, sem falar na habilidade manual e no tamanho daquele homem. Tava decidido, essa semana mesmo eu daria um jeito de termos mais tempo pra nós dois e eu finalmente me veria livre da minha virgindade que só servia para restringir o nosso prazer.

- Caramba! - Jake xingou, saindo de cima de mim com pressa e subindo as calças.

- O Que? que ?- eu perguntei abobada fechando a minha braguilha e procurando minha blusa no chão.

- Marta... bem perto! - ele ofegou enquanto me ajudava a me vestir, já de camiseta.

Jake me puxou para sentar comportadamente ao seu lado no exato momento em que Marta passou alegre e cantarolando pela porta.

- Boa tarde, jovens! - ela estava um pouco alegre demais. Fiz uma anotação mental para descobrir porque.

E definitivamente eu ia arrumar um jeito de tirar o atraso porque essa tinha sido por pouco. Olhei para Jake que sustentava o sorriso mais amarelo de todos e reparei que o susto parecia ter dado conta de sua excitação, já que dessa vez ele não estava com uma almofada no colo.

- Eu tenho que ir... - ele se virou pra mim. - Banho, Jantar...

- Vai lá, minha coisa gostosa! - eu respondi puxando sua bochecha enquanto ele balançava a cabeça descrente. Eu ri.

- Te amo! - me deu um selinho, parecendo chateado como sempre com a partida. Também não estava muito contente mas gostava de um tempo só pra mim e também precisava de comida e banho, um banho bem quente e relaxante de preferência pra tentar resolver tudo o que ele começou e não pode acabar.

- Amo você também! - fiz uma voz de falso descaso e ele riu, passando enfim, pela porta.

Já na banheira, peguei o telefone sem fio e liguei para a Kim. Ela demorou um tempo pra atender e acabou dando um bocejo daqueles quando disse “Oi”.

- Não me diga que você estava tirando uma sonequinha? - provoquei.

- Bem mais decente que a Srtª, que com certeza estava de safadeza com o Jacob. Vocês ainda vão ser pegos! - ela disse a ultima frase séria.

Kim era diversão garantida sempre. Depois de gargalhar por alguns segundos fui direto ao assunto.

- Eu decidi liberar pro Jake de uma vez e VOCÊ vai me acobertar! - intimei.

- Não tenho nada a ver com isso, me deixe fora das a suas armações. - ela se acovardou. Kim sempre precisava de um incentivo.

- Você teve sua vez com o seu lobo, agora é minha, por favor Kim, honey, PLEASEEEEEEEEEE! - choraminguei na maior cara de pau. - Dê uma ajudinha ao amor verdadeiro.

- Aiiiii, tudo bem né , como se eu fosse mesmo aprender com a vida a te dizer não. O que você quer que eu faça? - falou a contra gosto, mas eu percebi a boa vontade de sempre.

- Eu amo você Kim, agora pegue papel e caneta! - ordenei.

- Você não quer realmente planejar a sua primeira vez como se planejasse um evento, não é? - Kim parecia tomada por pânico.

Gargalhei outra vez.

- Claro bobinha, ou você acha que eu vou sair rolando no mato com ele?



Jacob POV


A casa estava cheia, Emily havia começado a cozinhar no começo da tarde e o cheiro era delicioso. Apertei ainda mais contra meus braços. Ela se aconchegava a mim toda manhosa e raramente usava casaco desde que começamos a namorar.

- Como vai a gravidez, Emily? Tem enjoado muito? - Kim perguntou.

- Toda manhã Kim, parece até que tenho hora marcada. - Emily respondeu parecendo extremamente orgulhosa por vomitar todo dia. Mulheres grávidas, sempre estranhas.

- Você pensa em ter filhos Kim? - perguntou, com uma voz pequena, pouco comum a ela.

- Não sei, talvez dois ou três. Preciso ir para a faculdade primeiro. - respondeu.

- Dois ou três é muito pouco, vamos fazer logo um time de beisebol! - Jared retrucou empolgado.

- Claro, porque não é você que vai pari-los. - Kim bateu nele.

Até Quil começou a rir com a cena inédita da Kim tomando dores o suficiente para bater em alguém, mas ficou muito quieta, quieta demais. Já ia perguntar o que estava acontecendo com ela quando Kim falou:

- E você, , quantos filhos você quer ter?

- Eu não posso ter filhos. - disse simplesmente, como se sua cabeça estivesse em outro lugar.

Vi os caras me olharem com pena e Kim segurou a mão de .

- Está tudo bem. - ela sorriu, ainda amarelo. - Eu sempre soube disso, tenho uma daquelas síndromes malucas, os médicos disseram pra minha mãe que futuramente eu poderia procurar uma barriga de aluguel e ela deu graças a Deus por nunca se preocupar com uma possível gravidez adolescente. - dessa vez ela sorriu de verdade.

Eu ainda estava tentando processar essa informação. É claro que nós dois não estávamos fugindo pra casar nem nada assim, mas saber que não poderia me dar filhos foi estranho. Talvez o ambiente estivesse agravando a situação, com toda aquela coisa do Sam e a Emily esperando alegremente um bebê e todos os outros caras sabendo que poderiam providenciar seus próprios bebês também.

Vi minha linda ficar meio envergonhada e a chamei para um passeio enquanto a comida não saia.

- Desculpe por isso. - ela disse de repente.

- Não é sua culpa. - eu a abracei.

- Eu não devia ter dito nada. Agora eles vão achar que não sou boa o bastante pra você. - ela abaixou a cabeça. - Isso nunca tinha me importado antes. - admitiu.

- Não seja boba, você é a pessoa certa pra mim sim senhorita. Nós temos o imprinting como prova. - eu a peguei pela cintura, tentando animá-la com um selinho. Ela sorriu.

- Você se importa muito? - ela olhou nos meus olhos. Eu não podia mentir então optei por uma verdade absoluta:

- Eu me importo muito com VOCÊ!



POV


- Me refresca a memória do porque eu te deixei me arrastar pra isso, mesmo? - encarei a Kim enquanto ela arrumava um circulo de pedras na areia e os garotos iam pegar alguns galhos para fazer uma fogueira no “acampamento”.

- Um tempo sozinha com Jacob... Lugar acessível... 100% permitido por pais e guardiões legais! - ela sussurrou enumerando e fazendo uma espécie de dancinha ridícula.

- Se você acha que eu vou me resignar a ter uma das maiores experiências da minha vida nessa droga de praia dentro de uma porcaria de uma barraca, você tem menos miolos do que eu sempre achei que tinha! - também sussurrei. Mas eu bem poderia ter gritado. Kim sorriu ainda mais.

E aqui estava eu, acampando. Não, não era uma pegadinha!

Segundo o plano da idiota da Kim, que eu realmente acredito que ela tenha achado que funcionaria, TODOS nós sairíamos em um grande grupo para um inocente passeio de fim de semana. Os lobos, as garotas dos lobos, alguns amigos da escola da reserva... Enfim, a fubazada inteira.

Muito romântico Kim, muito romântico! Quem precisa de uma suíte no Four Seasons?

Sam e Emily, que eram casados e supostamente responsáveis vieram para controlar a “garotada” e a cabeça de meleca parecia muito convicta de que no cair da noite, ela simplesmente se mandaria da nossa barraca e iria expulsar Jacob da barraca que ele dividiria com o Jared, deixando o caminho livre para nós, nas próprias palavras dela.

Minha disposição para essa palhaçada era nenhuma, mas eu dormiria sem problemas com o meu Jake, abraçadinha, mesmo de baixo de uma ponte e isso me reconfortava por não estar perdendo tanto assim o meu tempo.

Quando acenderam a fogueira um pessoal começou a tocar uns violões que trouxeram. Sam sabia tocar gaita muito bem e o som estava realmente me fazendo repensar as qualidades de um acampamento.

Kim ficou me provocando pra que eu cantasse alguma musica e eu fiquei lançando olhares mortais pra ela e dizendo que não conhecia nada do que eles sabiam tocar. Ela tava assim tão chata porque me ouviu ensaiar pra um musical da escola em que eu fiquei ligeiramente interessada - sabe como é, pra passar o tempo.

Segundo ela eu tinha a voz mais bonita que ela já ouvira. Mandei ela comprar uns bons Cds e parar de me encher o saco.

- Essa aqui você conhece, não é possível! - Ela disse quando começaram a tocar “Hotel Califórnia”.

- Não é só porque tem Califórnia no nome que eu tenho que conhecer, tosca! - retruquei.

- Canta logo ! - ela pediu, juntando as mãos como se implorasse.

Eu gargalhei e já que todo mundo conhece a porcaria dessa musica, porque nunca dá pra sair de uma roda de violão sem ouvir ela, acabei cantando. Mas continuei sentada mesmo, sem muito alarde.

O pessoal se animou e umas meninas fizeram o coro pra mim no refrão.

- Não sabia que além de parecer uma sereia você cantava como uma. - Jake sussurrou no meu ouvido me fazendo rir, mas ficar inegavelmente arrepiada.

- Sem cantadas baratas, amor. - avisei.

Ele me pegou pela nuca e me beijou, deixando o pessoal acabar a musica sozinho.

O beijo era quente, cheio de promessas, e de repente não pareceu nada absurdo ser dele no meio daquela praia mesmo que não tivéssemos nem uma barraca.


Jacob POV


Todo mundo já tinha ido caçar seu rumo pra passar a noite e aqui estava eu, encalhado com o imbecil do Jared. Condenado a dormir com um macho perto demais de mim já que uma barraca comum de dois lugares, cabe, na pratica, meio lobisomem.

Fechei os olhos. Maldita hora em que concordei em vir nesse acampamento de bosta. Era impossível não pensar em dormir agarrado com a minha linda a noite inteira sem mencionar os outros extras desse contato.

Ouvi passos lentos na areia e depois a voz da Kim cochichando:

- Jacob, será que você podia trocar comigo e dormir na minha barraca? - ela pediu muito timidamente.

Não esperei mais nada. Sai dali e nem olhei pra traz. O vento frio não fazia diferença contra minha temperatura naturalmente alta. Era impossível não querer estar com ela a cada segundo, sentir a pele macia e cheirosa. Deixar que ela me enlouquecesse pra sonhar com ela depois...

- ? - perguntei ainda do lado de fora pra dar a ela a chance de me recusar mesmo que isso me doesse.

- Entra! - ela chamou com uma voz de expectativa.

Assim que comecei a abrir o zíper da barraca, o cheiro de alfazema, rosas e me atingiu com tudo. Olhei todo o ambiente antes de me virar para ela, justamente por saber que não veria nada depois que nossos olhos se encontrassem.

Havia duas grandes almofadas de veludo vermelho. Lençóis muito brancos e bem estirados cobriam o colchão de ar e por toda a barraca, encontravam-se pétalas vermelhas salpicadas.

No teto ela conseguiu pendurar uma pequena lamparina que deixava a luz tênue e amarelada ainda mais convidativa. Eu nem ao menos poderia dizer como estava me sentindo, tal sentimento de alegria me dominava. O conforto de amar alguém que te ama de volta, a satisfação de desejar alguém que também te quer. Eu já era o cara mais feliz do mundo só por ela existir...

Os olhos cinza profundos e expressivos da minha linda me fitaram com um misto de orgulho de si mesma e apreensão. Um sorriso de moleca brincava em seus lábios carnudos, doces e convidativos como todo seu belo corpo semi exposto em uma fina camisola vermelha como as pétalas de rosa.

Se encostou ainda mais na grande almofada, se refestelando como um felino, fazendo as pernas languidas me convidarem para um jogo sensual. Os cabelos soltos e revoltos pediam para ser agarrados e suas delicadas mãos subiam sutilmente a barra da camisola para revelar as coxas bem torneadas e claras, implorando para serem apertadas.

Eu gostava de viver. A vida definitivamente não era uma droga, e definitivamente, eu não queria morrer nunca se fosse pra passar meus dias com aquela deusa.

POV


Estava nervosa. Claro que eu estava muito, muito nervosa.

Quando Kim terminou de me ajudar com a”arrumação” da nossa barraca e saiu dizendo que iria garantir que Jacob viesse até mim, eu realmente pensei em dar para traz na minha idéia de dormir com ele.

Respirei fundo, impedi minhas pernas de saírem correndo de medo por uma coisa que eu queria e muito e controlei as ofegadas da minha respiração.

Não precisei de mais nada assim que ele passou pela portinha de lona, vestindo só uma bermudinha insignificante. Deus seja louvado por mais que eu nunca tenha sido crente. Meu namorado era gostoso demais pra eu lembrar que a palavra MEDO existia.

Eu tinha tanta sorte. Eu deveria ser a garota de maior sorte em todo o mundo e isso nada tinha haver com a fortuna que eu herdaria um dia.

Só tinha haver com ele, aquele índio enorme e super sexy, ali parado me encarando como se eu fosse a maior maravilha do mundo e ele estivesse rolando em ouro e seda na suíte real do Plaza. Como se a minha simples e até modesta surpresa fosse o melhor presente que alguém podia ganhar.

Olhar pra ele me despertava um fogo, uma sede, coisas que eu nunca tinha sentido antes. Borboletas davam rasantes em meu estomago e eu queria ele ali, me tocando, me tomando cada parte do corpo, como ele bem entendesse.

Sem poder dizer nada; a boca seca com a falta dos seus beijos, deslizei minha camisola pelas pernas, partindo-as um tanto, olhando naqueles olhos negros e intensos. Implorando, tremendo de vontade.

Ele veio até mim com mais delicadeza do que eu esperei, olhando nos meus olhos sem se desviar, me passando o resto da confiança que o desejo não cobria. Sua mão quente espalmou meu ombro, correndo por ele e despindo a camisola com sutileza e facilidade. A outra mão cobriu minha face, sorrindo pra mim com seu sorriso mais bonito, um sorriso de menino.

Ergui meus braços e ele me ajudou com a camisola pra acabar de despi-la. Um arrepio se fixou permanente em minha espinha quando suas mãos desceram por minha lateral nua e sua boca beijou meu pescoço com carinho.

Minhas mãos alcançaram a nuca dele e eu enrolei meus dedos em seus cabelos crescidos, puxando ele pra mais perto, selando um beijo de lábios apenas. Sentindo seu cheiro peculiar e tremendamente masculino me enlouquecer e me excitar um pouco mais.

Jake abriu meu soutien enquanto me beijava, era tomara que caia e eu nem senti quando finalmente caiu. Mas eu senti sua mão em meu seio direito, embalando e sustentando, apertando com propriedade, mas muita delicadeza. Os dedos roçando no mamilo tenso, a boca deixando a minha para beijar meus ombros.

Me puxou pra seu colo, de frente pra ele pra que eu sentisse sua excitação me pressionar. Me mexi de encontro a ele, deixando-o também inebriado de prazer, fazendo-o gemer junto comigo. Sua língua rodeou meu mamilo direito e eu arfava, rebolando em seu colo, completamente necessitada. Prendeu seus lábios ali e sugou.

- Ahh... Jake! - eu ouvi meu lamento, como uma voz que não conhecia.

Uma mão me mantinha cativa pela nuca enquanto a outra brincava no meu seio esquerdo até que ele decidiu levá-la mais abaixo, entrando na minha calcinha úmida. Um espasmo de prazer me fez contorcer só de ele encostar seus dedo em mim. Nesse passo eu ia acabar enfartando antes mesmo de conseguir consumar nosso ato.



Jacob POV


“Vai devagar”, “Se segura”, “Ela é tão delicada” - era a torrente constante de pensamentos que enchiam minha cabeça. Era difícil de se concentrar quando tudo parecia gritar dentro de você. Eu tava tão duro que chega a doer e quando se contorcia em cima de mim eu ficava um tanto mais insano. Meus gemidos já se misturavam com os dela e eu queria que ela me tocasse também, mas eu tinha medo de não durar nada se ela fizesse isso.

Mordisquei o mamilo dela e ela deu um gritinho enquanto eu sentia seu sexo se alagar para os meus dedos.

A estimulei como já sabia bem fazer. Vi quando sua cabeça pendeu pra traz e ela se entregou as ondas de prazer que eu lhe provocava. Fiz devagar pra que ela pudesse estar totalmente pronta pra mim quando eu entrasse nela e só o pensamento do meu sexo no dela, sendo comprimido dentro dela, sentindo cada partezinha da minha linda, me deixava perto demais de me satisfazer.

Eu não poderia estar satisfeito enquanto ela não estivesse. Eu teria que me concentrar com toda a minha força.

- Jake, ahh Jake... - ela gemia. - você é tão bom nisso! - ela sorria boba enquanto espasmos atingiam seu ponto mais sensível.

- Você não viu nada, linda... - eu arfei junto com ela, tomando seus lábios nos meus sem deixar a estimulação de lado. - Nós vamos por fogo nessa barraca hoje!

Ela sorriu em meio aos gemidos e suas mãos que traçavam meus braços e seguravam meus cabelos de repente tiveram a mesma idéia que a pouco me ocorrera. Senti quando os dedos finos entraram na minha bermuda, tirando-a desajeitadamente. Eu só usava aquela peça de roupa e ajudei ela de bom grado a se livrar daquilo.

levou as mãos nas laterais da calcinha e a tirou também, quando meus dedos a deixaram para me despir. Aquela visão de ela tirando a própria calcinha ficou reverberando na minha mente como veneno. Ela tocou meu sexo inchado e eu cai por cima dela, fazendo de tudo pra me manter longe de esmagá-la.

- Linda... - avisei enquanto ela me estimulava também. - ... não faz isso!!! - suspirei sem vontade.

- Você tem certeza que não quer Jake? - ela perguntou safada, trançando as pernas nas minhas e fazendo nossas intimidades se encontrarem.

- Você acaba comigo... - eu ainda gemia quando ela não parou de me tocar.

- Vem Jake! - ela pediu de olhos fechados. - Faz!

- Abre os olhos pra mim! - eu consegui dizer quando senti sua entrada, quase tão quente quanto minha pele. Suas pernas abertas e acomodadas.

Olhei bem para as orbes cinzentas mais magníficas que jamais sonhei conhecer.

- Eu sempre vou amar você! - eu jurei sentindo a força daquela promessa com a mesma força com que sentia meu desejo.



POV

- Eu sempre vou amar você! - eu ouvi a sinceridade em sua voz, a mesma sinceridade que havia em meu coração, em meus sentimentos por ele.

E então o senti empurrar devagar, sempre mantendo sua posição. Fiquei imóvel com medo da dor e ela veio. Ardia enquanto ele tentava ganhar mais algum espaço em mim. Suei frio e minhas arfadas já eram em parte, desconforto.

Jake deve ter percebido porque parou, ficando tão imóvel quanto uma estatua e de repente senti seus dedos alisando a minha carne fraca, apertando minha coxa e em menos tempo do que achei possível, meu corpo já era fogo outra vez e eu o queria empurrando mais, eu o queria completamente em mim.

A dor não passou, ela estava latejando junto com outra sensação antes desconhecida, com os gemidos de Jake quando pareceu encontrar um ponto final dentro de mim, se acomodando completamente colado. Nós éramos literalmente um só.

- Você está bem? - perguntou como se estivesse a lutar uma dura batalha.

- Ahan. - eu consegui dizer, ainda incerta enquanto a dor não sedia.

Ele me beijou, um beijo completo, quente e sensual. O beijo que me fez esquecer de qualquer coisa que não fosse ele. Então investiu contra mim, saindo e entrando firme. Arqueei minhas costas e gemi porque a sensação estranha era um prazer estranho agora. Ele voltou, se apoiando nos cotovelos, fazendo minha perna esquerda abraçar seu quadril. Quase não doía mais.

Desci minhas mãos para seu bum-bum e dei uma boa apertada. Ele riu e parecia bem mais relaxado agora. Voltou a me preencher, estabelecendo um ritmo e estocando. Foi ficando cada vez melhor e eu já gemia de novo, envolvida pela loucura do prazer .

Minhas duas pernas agora estavam em sua cintura, minhas mãos arranhavam suas costas e eu queria que ele fosse mais rápido e mais duro e enquanto eu rebolava de encontro a ele, de meus lábios saiam murmúrios desconexos e pedidos de mais.



Jacob POV


Perdi completamente o controle dos meus atos, meu corpo se encaixando no dela como se fossem realmente feitos na mesma forma. Nossos quadris colidindo vigorosamente. Seus gemidos de satisfação me guiando em uma sensação indescritível.

Tão apertada de encontro a mim, tão quente. Suas mãos sabiam exatamente onde ir, seus lábios sabiam exatamente como me beijar. Sua língua doce na minha, tremendo quando o prazer era insuportável demais, louco demais.

Eu sabia que a apertava com força e que não tinha controle enquanto ela me pedia mais, seu coração perdendo alguns compassos na batida frenética de encontro ao meu.

começou a relaxar, uma lagrima descendo por seus olhos apertados e seu sorriso frouxo e satisfeito e eu sabia que era hora de me satisfazer também. Me entregar nas mãos dela, completamente submisso àquela mulher que eu nunca fiz tanto para merecer.

Eu não estava cansado, mas estava incrivelmente mole quando nos rolei no colchão para que ela ficasse por cima de mim, saindo dela com cuidado.

Se amarrou a mim como um bicho preguiça, toda grudada com um sorriso largo e os olhos brilhantes. Tão linda. Tão minha. A conexão do imprinting parecia criar uma aura entorno dela enquanto eu a olhava ali, deitada de encontro ao meu peito suspirando e retomando o fôlego. Eu sentiria muito mais do que dor se ela fosse arrancada de mim naquele momento. Dependia completamente dela.

- Isso foi incrível! - ela disse, virando seu rosto sorridente para mim e me beijando nos lábios devagar.

- Eu te machuquei? - perguntei, de repente preocupado e me lembrando bem do desconforto que ela a principio sentiu.

- Nada que uns beijinhos não resolvam. - ela disse convicta.

Eu a puxei pra mim em um beijo calmo e afaguei seus cabelos.

- Vamos dormir a-go-rahhhh. - ela bocejou no meio da frase me fazendo rir ainda mais, como um idiota muito feliz pra ser verdade.

- Cansada? - provoquei.

- Você realmente não tinha mostrado seu melhor ainda. - falou derrotada. - Acho que estou como se tivesse corrido uma maratona! - falou dando outro bocejo no final e dormindo sem mais delongas.



POV


Acordei toda suada, sentindo um calor enorme. Me virei e imediatamente lembranças da minha primeira noite com o Jake me tomaram. Parecia que tinha dado tudo certo, eu ao menos gostei bastante.

Assim que prestei atenção a alguma coisa ao meu redor, o calor que eu sentia começou a se justificar.

Ter um Lobo com mais de quarenta graus de temperatura corpórea agarrado a você enquanto ambos não vestiam absolutamente nada pode resultar em muito, muito aquecimento, do tipo dia de verão na Califórnia, no mínimo.

Sorri sozinha ao ver ele roncar, as vezes de forma sonora, as vezes de forma tranqüila. Tudo nele me fazia sorrir e me deixava totalmente fascinada. Tentei me movimentar de minha posição e minhas pernas protestaram. Estavam duras como se eu tivesse malhado um dia inteiro.

Meu sexo também parecia um pouco maltratado, o que era bem previsível se fosse considerar o tamanho da invasão que ele sofreu ontem. Não era tão ruim assim. Eu sabia que eu queria mais, muito mais.

- ! - a voz da Kim me fez insistir com o corpo dolorido e me enrolar no lençol pra atender ao seu chamado.

Engatinhei pra fora da barraca vestindo minha camisola que achei caída por ali; eu vestira minha calcinha antes, assim que ela chamou.

- Oi! - ela sorriu pra mim, cúmplice e cheia de curiosidade.

- Bom dia, flor do dia! - eu exclamei e a abracei. Ela deu uma risadinha atrás da outra em uma gargalhada nervosa.

- Nem preciso perguntar se deu tudo certo pelo visto. - disse enquanto eu largava dela. Eu sorri mais ainda para demonstrar meu nível de contentamento.

- Ainda tá escurinho. - disse, passando as mãos nos braços que de repente me faziam tremer de frio dentro da camisola de seda, agora que estava sem meu casaco particular. - O que você quer?

- Precisa acordar ele. Você sabe, não custa fingir que ninguém sabe que trocamos de barraca. - ela ficou vermelha.

Eu entrei pra acordá-lo e ele saiu da barraca quase como um sonâmbulo. Acho que ainda ia dormir bastante.

Depois de arrumarmos tudo já estávamos prontos ao meio dia. Iríamos almoçar em casa, cada um na sua. Claro, Jake estava convidado para o maravilhoso assado da Marta, assim como estava convidado para qualquer coisa que eu pudesse fazer acompanhada na vida.

Entramos no Rabitt e ele dirigiu de pressa enquanto eu colocava musicas de garota no som e ele nem reclamou, segurando minha mão e me lançando olhares apaixonados a cada dez minutos. Eu estava no céu, com o meu anjo e ele não era mais o anjo da morte que eu pensei encontrar naquele dia, agora tão remoto, quando me perdi na floresta, fugindo. Jake era meu anjo porque ele era o meu protetor, a minha metade da laranja.

- Estranho... - ele rompeu o clima aconchegante, franzindo o cenho e farejando assim que entramos na minha rua. - Você conhece aquele carro, ? - perguntou casualmente, mas eu não prestava mais atenção a nada.

A Mercedes que meus pais usavam estava estacionada de frente a porta de madeira simples da casa que eu dividia com Marta. Jake não precisou ir muito alem antes de parar, logo atrás do carro elegante demais para La Push. Eu já podia vê-la ali, na sacada, detrás de seu óculos Chanel, sua bolsa Kelly e seu lenço.

A minha MÃE, totalmente VIVA.









Capítulo 20 - Epidemia


Jacob POV



Minha linda estava branca como papel. Seus olhos pareciam permanentemente arregalados. Mal eu estacionei ela pulou do carro, como se seu corpo estivesse sendo controlado por outra pessoa.

Saltei em seguida.

Havia uma mulher na varanda de Marta Uley. Uma mulher que tinha o mesmo tom de cabelo que minha , embora os seus estivessem mais desbotados. Estava vestida de maneira muito elegante. Mais elegante do que a própria tinha se vestido no inicio de sua estadia aqui em La Push.


- Violet. - a mulher falou com uma voz severa, abaixando o grande óculos escuro que fazia ela parecer uma mariposa. Sua voz tinha um pouco de sotaque e eu me perguntei se ela era americana.

- Mãe! - quase engasgou e eu senti meus próprios olhos arregalados. A mãe dela não tinha morrido, ou pelo menos, os pais não tinham caído com um avião?

- Vamos entrar. Eu já esperei de mais aqui fora e não é apropriado que conversemos em companhia de estranhos. - e falando isso foi a primeira vez que ela sequer olhou pro meu lado. Seus olhos não se demoraram em mim e ela não exibiu nenhuma emoção como se eu apenas não existisse.

- Jacob vem comigo! - a voz de era forte e ela parecia bem mais recuperada do susto de ver a mãe supostamente morta, ali na sua frente.

Eu não esperava que minha linda fosse se lembrar de mim numa hora dessas mas ela apertou a minha mão e deu um passo para traz que a colocava mais perto de mim. Isso fez a mulher olhar para traz e dessa vez eu pude distinguir claramente seu desprezo.

- Eu já disse que quero falar com você a sós Violet, não me canse com sua falta de modos e deixe que esse rapaz siga o caminho dele. - disse ainda mais arrogante, como se eu fosse uma coisa muito miserável que ela não agüentasse olhar nem mesmo enquanto destratava.

- O meu caminho é com ela. - falei em alto e bom som, passando a mão pela cintura fina da minha e trazendo ela junto de mim.

- Violet! - a mulher olhou diretamente para , seus olhos pálidos e apáticos pareciam adquirir um tom fervente por um momento.

se manteve firme e encarou de volta.

- Mãe, esse aqui é Jacob Black, meu namorado. - falou com um orgulho que me fez sorrir pra ela como se a mãe dela nem estivesse ali.

- Não estou interessada em seus casinhos... Tenho assuntos sérios a tratar com você. O seu pai está em coma se isso te ajuda a deixar esse índio aí e entrar na casa. - falou sem um mínimo de sentimento.

Essa mulher era mais fria que um sanguessuga, isso sim. Como podia anunciar que o marido estava em coma com aquela cara? Pelo visto eu teria uma cobra como sogra, literalmente. Só me importava que ela não levasse embora, porque eu tinha de me lembrar que ela não tinha 18 anos ainda. Eu mesmo acabara de fazer 18 anos. A confusão e o medo me fizeram recuar. Não que eu não fosse ouvir tudo que elas falassem de qualquer jeito. Só achei melhor evitar um confronto de início.

Peguei pelo queixo, olhei no fundo de seus olhos.

- Vá com sua mãe, amor. Nos vemos depois! - e a beijei.

Um selinho e um abraço apertado. Ela pareceu me apertar ainda mais. Meu coração doeu por deixá-la, mais dessa vez do que das outras. Sorriu pra mim como se quisesse me tranqüilizar.

- Deixe a janela aberta! - eu sussurrei em seu ouvido. Ela pareceu relaxar e então se foi enquanto eu dava a volta e entrava no Rabitt.



POV


Mais do que qualquer coisa, ter minha mãe ali era estranho.

Sei que devia estar pulando de felicidades por ela não ter morrido, porque realmente me importei quando pensei que ela estivesse morta. Eu não entendo como isso pode ter acontecido, mas simplesmente ela não era tão importante assim e como eu disse, descobrir isso foi muito estranho.

Jacob por outro lado, deixou o mesmo vazio de sempre no meu peito quando virou-se para ir embora e eu temi de verdade que a volta da minha mãe pudesse significar uma separação pra nós dois. E isso era uma coisa que eu não queria nem cogitar.

Entramos na casa e Marta parecia desconcertada em receber Clarisse Befart- em sua casinha minúscula e nada confortável para os padrões da grande socialite.

Eu vi a coitada tentando ajeitar nossos pratos simples, servir a cada segundo uma outra opção de aperitivos e maquiar toda a simplicidade em que vivíamos muito bem, atualmente. Mas ela foi, em grande parte ignorada por minha mãe.

E claro, só pra não esquecer de mencionar, eu odiava quando me chamavam de Violet e só ELA me chamava assim.

- Seu pai está em coma. - disse apaticamente enquanto se sentava numa ínfima beirada do sofá como se o tecido ruim fosse capaz de corroer sua saia Chanel.

É, minha mãe nunca foi famosa pelo tato, não com as pessoas da família pelo menos.

- O avião caiu em algum lugar da Europa Central e nós fomos encontrados algumas semanas depois. Eu tive um probleminha de perda de memória recente e fiquei inútil durante minha convalescença, por semanas enquanto seu pai ainda está em um estado mais grave. - ela ia dizendo e mais parecia alguém que conta um relato super entediante de como foi sua consulta ao dentista nessa tarde.

- Vocês voltaram pra L.A.? - perguntei sem ter coragem pra perguntar o que realmente queria saber, que era: “Eu vou voltar? “

- Sim, assim que me recuperei consegui fazer uma serie de telefonemas e nos tirar daquele lugarzinho caótico onde tinham nos internado. Estávamos num hospital publico ridículo! - disse, horrorizada, porque isso parecia te-la afetado mais do que o fato de ter caído com um avião. Essa era minha mãe! Ela prosseguiu.

- O que vim dizer, além do obvio que você pode ver, é que seu castigo está revogado e você pode voltar comigo pra casa assim que colocar suas coisas numa mala! - disse. - Também abrimos uma conta pra você com a herança da sua avó e decidimos que agora você poderá gastar o seu próprio dinheiro e nós pouco temos haver com o que fará com ele. - E aí ela se levantou.

Eu congelei na parte de “Voltar comigo pra casa assim que colocar suas coisas numa mala”, e fiquei com minha cara pregada no chão, suando frio.

Eu não queria ir embora!

Eu não poderia ir. Não tinha mais nada para mim em L.A.

E agora eu podia ver que, de fato, eu nunca tive nada importante ali. Nada que realmente fosse me fazer falta.

Não poderia deixar Jacob e minha amizade por Kim e tudo que conquistei por mim mesma.

Minha mãe percebeu que eu não disse nada e virou-se para mim com uma expressão desdenhosa.

- Vejo que está disposta a ficar enterrada aqui e continuar brincando de casinha com aquele índio! - e então fez um gesto de impaciência e rolou os olhos. - Faça como quiser. Não vou te obrigar a ir embora, afinal, o que pior poderia acontecer na sua idade não é mesmo possível já que você é estéril. Fique o quanto quiser... - e lançando um ultimo olhar para mim disse: - Vou mandar lembranças a seu pai quando ele tiver acordado, vejo você depois.

E saiu do mesmo jeito que chegou, me fazendo muito indignada por pensar que eu nunca havia enxergado realmente o quanto aquela mulher era vazia e horrenda, enquanto minha culpa por não amá-la diminuía visivelmente e eu me sentia aliviada por ela ter me deixado ali, em paz, no lugar onde eu sabia que pertencia desde que as vendas em meus olhos caíram e eu conheci a verdade.




Jacob POV


Definitivamente ouvir aquela conversa não foi fácil. Não teve um minuto sequer que eu não desejasse entrar por aquela porta e colocar aquela “fria” pra fora, porque aquela mulher era muito pior que um sanguessuga. Não duvidava que ela fosse capaz de se alimentar de humanos mesmo não sendo vampira. Como uma mãe conseguia tratar uma filha daquele jeito? Me lembro o suficiente da minha pra saber a resposta: Não conseguia!

Vi o carro sair pomposo de La Push e pelo menos uma coisa boa saiu de toda aquela conversa: A mulher não ia tirar minha de mim, ou devo dizer que ela não TENTARIA tirar a minha , porque conseguir ela não ia mesmo, sem chance.

Pelos barulhos que eu ainda podia ouvir de dentro da casa, minha linda estava em seu quarto muito calada mexendo os pés no assoalho. Parecia ansiosa. Resolvi passar por lá antes mesmo de voltar pra casa porque achei que talvez ela precisasse ser lembrada de que tem alguém que a ama e se importa com ela o suficiente para pular na frente de um trem para salva-la.

Pulei a janela que ela tinha deixado aberta, não deixando de sorrir por ela ter realmente feito isso.

- Jake! - se jogou nos meus braços assim que me viu por os pés no quarto, com uma carinha desanimada.

Eu a apertei em mim sentindo seu cheiro e me concentrando em não esmagá-la como gostaria para que ela ficasse ainda mais próxima de mim.

- Você ouviu tudo não foi? - ela perguntou com o rostinho colado no meu peito.

- Ela é louca, ignore! - eu tentei brincar. Ela sorriu um pouco, então funcionou.

- Eu queria tanto ter tido uma família sabe, acho que a minha nunca fez isso direito, essa coisa de família de verdade! - ela disse aérea como se pensasse alto.

- Eu sou sua família agora, minha linda e eu prometo que vou fazer direito! - falei imediatamente e sabia que aquela era uma promessa que eu poderia cumprir da melhor forma, de todo o coração.

- Você é o melhor, Namorado. - ela sorriu verdadeiramente e então me beijou.




POV


BAM-BAM!!!

Soou a buzina estridente do Rabitt.

Se pensar que a uns três meses atrás essas duas buzinadas eram como as trombetas do inferno... “É , você perdeu o jeito, garota!” - pensei comigo mesma, sorrindo boba e apaixonada e me apressando até a porta.

Ajeitei meu cachecol. Não que eu fosse precisar dele no carro com meu namorado lobo super quente pra me esquentar, mas a escola não era assim tão aconchegante então era melhor eu levar.

Assim que cheguei ao carro, a porta do carona se abriu do lado de dentro e ele nem tinha que se esticar para abri-la, tão grande que era.

Um monte de pensamentos pecaminosos passaram por minha mente, como sempre, enquanto eu via o sorriso matinal super brilhante do meu Jake. Sorri de volta, e eu, precisava me esticar para beijá-lo. Ele afagou minha nuca e me arrepiou no beijo leve.

- Tá linda! - me elogiou como sempre, me comendo com os olhos e me fazendo corar como só ele podia, já que eu não era de sentir vergonha de nada.

- Merci! - disse fazendo um biquinho que ele dizia que me deixava toda metida.

Jacob aumentou seu sorriso e deu partida no carro, nos colocando a caminho da minha escola e de seu trabalho.

- A Kim pediu ao Jared que pediu a mim que te passasse um recado. - disse.

Eu gargalhei e mandei ele repetir aquela bagunça toda, no que ele fez uma careta e repetiu. Jake prestava pouca atenção à estrada, olhando-me mais que o necessário.

- A louca da Kim esqueceu que já existe algo como... telefone? - perguntei e percebi que meu tom não era de deboche para com a atitude mais do que idiota de minha nova melhor amiga.

- Parece que ela está de castigo SEM o telefone! - Jacob esclareceu.

Eu exclamei e então disse: - Fala logo!

Ele me olhou com uma carinha repreensiva pelo meu tom autoritário e eu rolei os olhos, mas acabei por me corrigir com um polido: “Por favor”.

- Ela quer que você a encontre na porta da casa dela exatamente às duas da manhã e que você espere ela abrir a porta e não bata até que ela abra! Parece urgente e o Jared estava bastante preocupado, mas ele não arrancou nada dela então eu não sei o que ela quer. - Jake foi objetivo.

- Uhulll! - gargalhei. - Isso tá tão James Bond, o que será que aquela garota aprontou? - pensei alto.

Jake pareceu empolgado por um momento.

- Nós vamos descobrir amanha, depois das duas. - disse com a perspectiva de ver sua curiosidade saciada.

- NÓS é vovozinha Jake! - encarei ele dura. - Minha amiga quer falar COMIGO e não pense você que eu vou sair fofocando, sua velha mexeriqueira!

Ele murchou e ficou se fazendo de emburrado.

- Não seja criança, Jake! - eu desmereci quando ele ainda continuava bicudo depois de uns cinco minutos.

- Quero um beijo por você ter sido má comigo! - ele sorriu safado enquanto uma mão ia até minha coxa e apertava.

- Você não presta. - eu sorri pra ele e o beijei na bochecha.

E então eu senti um calafrio estranho percorrer minha espinha, o mesmo tipo de coisa que sentimos quando estamos doentes. Comecei a suar também e minha boca ficou amarga de repente.

O ultimo sinal de alarme veio do meu estomago que se revirou totalmente, então eu me ouvi guinchar um “PARE” que doeu até nos meus próprios tímpanos.

O carro cantou pneus no acostamento da estrada e eu nem pude revidar o olhar assustado que meu namorado me deu quando eu voei do banco em uma velocidade incrível pra colocar todo o meu café da manha pra fora, da forma mais violenta possível ainda sentindo as contrações do meu estomago tentando expulsar mais e mais coisas de dentro de si, até atingir o completo vazio.

Quando percebi Jacob já estava lá segurando meu cabelo e me fazendo gemer em protesto.

- Calma ! - ele dizia enquanto eu travava meu maxilar e tentava afastá-lo, porque eu odiava estar em situações tão vulneráveis.

- Não quero que você... veja isso! - consegui grunhir entre uma golfada e outra.

- Larga de ser boba! - Jake repreendeu sério e muito preocupado até que eu me senti melhor e fui pra me endireitar, mas ele já tinha me pego no colo com aquela facilidade assombrosa como se eu pesasse o mesmo que uma pena.

- Tem água na minha bolsa. - eu sinalizei, de repente cansada demais para lutar contra os cuidados dele.

Assim que alcançou minha maxi bolsa Chanel e conseguiu achar minha garrafinha de água mineral, Jake me passou a embalagem e agachou entre minhas pernas me olhando carinhosamente.

- O que foi isso? - sua testa se franziu enquanto sua voz saia encabulada de mais.

- Mal-estar Jacob, mal-estar. - disse mal humorada. - Eu sou só uma garota humana, está lembrado? Nós mortais temos estômagos frágeis! - me defendi imediatamente, mas eu sabia que a incerteza na voz dele também estava presente em cada fibra minha. Eu sabia que não era comum pra mim ter esse tipo de problema. Podia se chamar meu estomago de muitas coisas, menos de “sensível”.

Jake ainda me olhava com aquele olhar que sondava até minha alma e eu tentei um sorriso amarelo para dissuadi-lo a voltarmos para estrada. Com o tempo, viu que eu não voltaria a passar mal e então continuou o caminho até Hoquiam. Nós dois já estávamos bastante atrasados.



Jacob POV


A pensa que me dobrou com aquela historia dela de estomago “sensível”, pois ela está é muito enganada. Se ela não contar tudinho pra Marta eu é que vou me encarregar de levá-la ao primeiro hospital para fazer logo um Check-up, já que eu me lembro sim do quanto ela é humana e bem sei que todo cuidado é pouco com essas coisas de saúde.

Claro, sem que eu percebesse uma parte de mim se lembrou de Emily e seus enjôos matinais e logo a outra parte do meu cérebro, aquela que guardava a inteligência, me puniu por pensar nisso e eu me lembrei das duras palavras da mãe de sobre o assunto: “ O que pior poderia acontecer na sua idade não é mesmo possível já que você é estéril.” E a voz cruel da mulher ainda estava muito bem gravada na minha memória e também a expressão de tristeza da minha linda quando contou a todos sobre sua condição. Não podia negar o quanto me machucava pensar que de fato, certas coisas nunca aconteceriam pra nós dois e que nossa família seria um tanto quanto pequena demais.

Depois disso, só tentei ocupar meu dia com a pilha de serviço que quase literalmente se formou na oficina, até a hora de sair.

Era umas cinco da tarde e o meu chefe tinha saído pra comprar umas peças quando minha apontou no fim do corredor, toda alegre e sem nenhum resquício de indisposição, batendo o salto de suas sandálias altas de encontro ao concreto da oficina e me lançando sorrisos indecentes enquanto se sentava de pernas cruzadas e saia curta em cima de um banquinho no canto próximo onde eu estava.

Realmente, ela estava em sua melhor forma e não parecia nem sequer se lembrar de nada que nos acometeu na estrada, de manhã.

- Sabe que eu devia te comprar um daqueles macacões de mecânico bem tampados com mangas compridas? - disse, enquanto me analisava e colocava os dedos pretensiosamente em seu queixo delicado. - Você fica aí trabalhando só de jeans e todas essas mulheres que vem pegar seus carros ficam de olho gordo... - se levantou e veio até mim, andando calmamente e de forma bem sensual. - Não gosto nada disso!

- Não vejo nenhuma mulher aqui, amor! - falei tentando não prestar atenção a sedução barata que ela jogava pra cima de mim.

- Não vê? - ela perguntou como quem dizia: E EU?

Continuei fingindo que não prestava a mínima atenção só para ver ela jogar ainda mais baixo, porque eu sabia que aquele sorrisinho dela estava bastante mal intencionado.



POV


Assim que aquele maldito sinal tocou eu corri pra oficina. Tava louca pra ver o Jake graças a um maldito/bendito sonho que eu tive enquanto tirava um cochilo durante a aula de espanhol.

No sonho o meu Lobo tava me cobrindo de beijos enquanto alisava cada centímetro do meu corpo, vestido só com aquela calça jeans justa de sempre e sem a camisa, como ele gostava de trabalhar, para o meu desespero.

Não passei mal nenhuma outra vez e me sentia melhor impossível a não ser, claro, pelo fogo que se alastrara em mim desde o sonho impuro. Um fogo que ele bem que podia apagar.

Quando cheguei na oficina olhei no pseudo-escritório do chefe dele e constatei que estávamos mesmo sozinhos. Jake tava trabalhando lá nos fundos num canto bem afastado dentre o labirinto de carros e eu me aproximei fazendo de tudo para que ele me notasse e me agarrasse logo. De alguma forma irritante, ao perceber o que eu queria, ele começou a resistir.

“Quer saber?” - eu pensei - “Eu vou é apelar!” e então ajustei minha blusa, abrindo três botões e me encostei no tal carro, de frente pra ele, colocando meus peitos praticamente grudados ao seu rosto. Ele continuou debruçado sobre o motor, mas seus olhos escureceram na hora. Eu já ia comemorando quando ele simplesmente se afastou e só limpou as mãos em um pano, me dando as costas.

Bufei contrariada, quase o puxando pelos cabelos, mas então tive uma idéia melhor.

- Tá um dia quente, não acha amor? - perguntei bem desinteressada na maior cara de pau possível.

Ele virou-se para mim, que era exatamente o que eu queria. Não esperei ele responder.

Parei de me apoiar no carro onde ele antes trabalhava e levei minhas duas mãos para baixo da minha saia com precisão. Jake estancou e olhou bem para as minhas coxas, por onde eu deslizei a minha calcinha de renda preta sem pudor, fazendo ela passar pelos meus dois pés e depois a segurei com um dedo só enquanto o fitava com uma mascara entediada.

- Definitivamente quente! - exclamei, me abanando com a outra mão enquanto jogava a calcinha dentro da bolsa.

Jacob venceu nossa distancia em uma passada só e me ergueu pela cintura, me sentando em cima de uma pick-up sem pneus. A vitoria tinha um gosto doce. As mãos ferventes escorreram pelas laterais do meu corpo e apertaram as minhas coxas , separando minhas pernas com certa violência.

Eu tinha provocado ele bem serio dessa vez, já que nem se deteve e rasgou minha blusa, arrebentando os botões que ainda estavam fechados, enquanto tomava meus seios por baixo do soutien sem nem se dar ao trabalho de tira-lo.

Minha excitação já clara, me deixava ofegante e pronta pra ele sem que precisasse brincar muito comigo. Jake, claro, continuou a me provocar, guiando minha nuca e enredando uma mão firme em meus cabelos enquanto me beijava esfomeado. Dava chupões fortes em meu colo e imprensava seu membro duro coberto pela calça no meu sexo nu, me arrancando gemidos e pedidos de clemência.

Apoiei minhas mãos na lataria do carro e cravei meus saltos no para choque enquanto sentia ele tirar um dos meus seios fora do soutien e sugar o mamilo apertando vez ou outra entre seus dentes. E eu o arranhei, sem dó nem piedade, por toda a extensão dos braços grossos e longos. Ouvi o barulho do zíper quando ele abaixou o jeans e uma mão me segurou pela cintura como suporte.

Jake se enterrou fundo dentro de mim com um movimento só. Eu gritei em luxuria e senti espasmos pelo corpo todo. Sua outra mão foi pra lateral da pick-up onde ele apoiou todo o peso e descontou a força das estocadas curtas e ritmadas, enquanto minhas pernas bambas rodeavam seu quadril, minha panturrilha roçava na calça que ele só abaixou.

Eu mais que gemia e arfava, me contorcendo em um primeiro orgasmo prematuro enquanto ele ainda me empurrava vigorosamente contra aquele capô, não me dando espaço de tempo pra respirar ou para que meu corpo se acalmasse. Tomando meus lábios entorpecidos nos seus lábios carnudos e exigentes. Brincando com minha língua e fazendo com que meu corpo se reavivasse em frenesi novamente. Quando ele por fim me apertou ainda mais de encontro a si e eu arranhei suas costas e mordi meu próprio lábio em loucura, foi que o senti se derramar e me satisfiz junto com ele, outra vez, caindo realmente bamba em suas mãos.

- Você ainda... me... MATA! - minha voz quase não saiu com a força que eu fazia para retomar o folego.

Ele sorriu satisfeito e rouco.



Seth POV


Essa semana estava estranha, mas que o normal de estranheza para La Push.

Era como se alguma coisa estivesse atacando os imprintings dos caras. Eles estavam todos loucos de preocupação, sendo que só o Sam sabia o real motivo para a garota dele estar vomitando as tripas e comendo banana com catchup como se fosse a sétima maravilha do mundo.

Como eu fiz a ronda com Paul, Jared e Jake , também; eu tinha pego pensamentos demais da cabeça deles para que conseguisse ficar indiferente. E tinha que admitir que era realmente muito estranho que todos eles estivessem enfrentando problemas dos mais variados com as namoradas. Parecia mais uma epidemia, se eu bem me lembro o significado disso, da aula de biologia.

É pensando bem, um vírus maluco explicaria tudo.

O primeiro foi o Jared. O problema dele se iniciou quando a mãe da Kim pegou eles de safadeza no quarto dela e então colocou ela de castigo e separou os dois por um tempo. Até aí nada demais e nada de doença. Mas logo a garota começou a faltar a escola e a mãe dela não dizia nada. Parecia que Kim estava se sentindo muito cansada, e por dois dias não conseguiu acordar a tempo de ir à aula. O cara pirou, lógico. O imprinting dele estava doente e ele não podia vê-la. Foi lá na casa dela e quase que entra em fase no meio da sala da Senhora Fays, mãe da Kim.

Bem, ver a namorada não ajudou tanto assim já que ele só constatou que ela estava realmente adoentada, um pouco abatida e um tanto mais magra. Kim jurou que já tinha ido ao medico e era só uma alergia de alguma coisa sem importância e que ela logo estaria bem. Jared não engoliu aquilo, mas não podia fazer mais nada então só encheu minha cabeça na ronda.

Na quarta feira foi o Paul. Estava bufando de raiva porque tinha marcado com a Rachel de ir visita-la em Seatle no fim de semana e ela ligou dizendo que não se sentia muito disposta e que não era pra ele ir, mas que ele jurava que ouviu na mente da Leah uma conversa bem diferente. Que era mais ou menos assim:

- Rachel diz: Leah amiga, eu não paro de comer. Acho que é o estresse das provas finais, porque eu te juro que meu manequim está uns dois números maior e nem morta eu vou deixar o Paul me ver assim. Fala serio, eu já sou mais velha que ele. Não posso deixar ele vir no fim de semana. Eu tô a maior baleia. Preciso de pelo menos uma semana pra perder esse peso!

Mas quando ele ligou pra ela de novo pra tirar isso a limpo e dizer pela milésima vez que ele amaria ela do jeitinho que ela estivesse e que ele estava com muita saudade, a colega de quarto dela atendeu e disse que ela tinha pego alguma virose gástrica e que era verdade, porque viu ela vomitando de manha no lixo do quarto.

Paul também não caiu nessa e acha agora que a garota dele desenvolveu aquela doença da TV que as gordinhas tem e ficam vomitando até alcançar o peso que consideram ideal e como a Rachel foi bem firme com ele, ele também não pode fazer nada além de deixar as preocupações dele virarem preocupações minhas, no meio da ronda.

E então, quando eu penso que seriam só Paul e Jared, me aparece Jacob com um pensamento bem focado na Srtª botando as tripas pra fora no meio da estrada quando eles tentavam chegar à Hoquiam e alegando um “mal-estar”, e depois, ela aparecendo toda saudável na oficina, mais tarde no mesmo dia, lançando olhares cobiçosos pra ele. Foi quando Jake percebeu que estava distraído demais da ronda e que eu também estava ali e então rugiu um “Pare de ler minha mente, pirralho!” muito mal humorado como se eu tivesse escolha e então começou a se focar em qualquer outra coisa por que o resto daquela lembrança devia ser totalmente censurável.

E eu me perguntavas, sinceramente, o que essas garotas tinham? E era realmente bizarro que estivessem todas doentes, na mesma época. Quer dizer, não a Emily claro, já que a Emily estava... AI MEU DEUS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




POV


Ainda bem que a casa da Kim era perto da minha e que eu tinha o meu maravilhoso casaco de pele de chinchila pra me esquentar porque essa noite tava bem friozinho e o Jake tava de ronda, então não pode me trazer e me esquentar, de quebra. Olhei o meu Cartier de ouro branco e já eram duas e dez da manha e nada daquela tratante vir abrir essa porta. Ainda bem que La Push não era violenta e que meu namorado era um ser mitológico poderoso que com certeza deveria estar dando um jeito de curiar essa conversa, nesse mesmo momento, ou eu ia começar a sentir medo de ficar parada aqui nessa varanda deserta esperando a Kim abrir a porta.

- ?! - uma voz que era pouco mais que um sussurro chamou de uma pequena fresta na porta da frente. Pulei na sua frente assim que vi a cabeça de Kim apontando na porta.

- Até que enfim! - falei exasperada e ela me olhou com pânico indicando os lábios fechados para que eu fizesse silencio.

Entrei atrás dela e fomos passando pelo corredor da casa muito semelhante a que eu dividia com Marta e na maioria das noites, com Jake também.

- Pronto! - ela falou quando fechou a porta de seu quarto e me puxou para outro canto, mais afastado, próximo a janela.

- Pra que tudo isso? - eu respeitei a regra de silencio e apenas cochichei.


Kim me olhou com dor nos olhos pequenos e cansados e uma lagrima caiu por sua bochecha grande. Eu a abracei sem dizer nada enquanto ela chorava baixinho no meu ombro e eu afagava seus cabelos que estavam um tanto quebradiços e horrorosos.

- , me ajuda, eu não sei o que fazer... - ela engasgou tentando manter a voz ainda baixa.

- Me conte tudo. Eu estou aqui e é claro que eu vou ajudar! - eu disse com certeza. Ela esteve ali para mim sempre que precisei e agora eu retribuiria.

- Eu não sei como dizer... Eu acho que não consigo... Eu ainda não acredito! - ela falou mais calma com uma expressão meio maníaca nos olhos.

Nos sentamos em sua cama.

- Tudo bem. - eu falei tomando a dianteira. - Comece pelo começo! - instrui.

Ela respirou fundo e limpou uma ultima lagrima de seu rosto. Então ela começou a falar mais calma:

- No começo eu pensei que eu tava doente sabe. Eu senti o cheiro do meu próprio shampoo e acabei vomitando todo o almoço...

- Comigo foi o café da manha! - pensei alto e ela me olhou com os olhos arregalados mas fiz sinal pra ela continuar.

- Mas depois eu fiquei tonta e eu sentia muito sono e aí me deu uma vontade louca de comer panquecas com mel e maionese... - e ela já estava chorando de novo.

Afaguei seus cabelos e ela parou a narrativa e se afastou abrindo uma gaveta da cômoda que estava fechada com uma chave. Voltou trazendo o que me pareceu um monte de palitos de plástico, mas não eram bem palitos, porque eram...

- Eu acho que eu tô grávida! - ela falou e me entregou uns cinco testes diferentes, daqueles de farmácia.

E eu fiquei pregada no chão, não só porque pelos testes ela estava mesmo grávida, mas porque quando eu tentei levantar da cama uma tontura super forte me abateu e eu ia cair quando Kim me acudiu.



Kim POV


- , tá tudo bem? - eu perguntei quando ela quase caiu em cima de mim depois de eu contar as minhas terríveis suspeitas.

- Eu... Sim. - respondeu. Notei que ela tinha os olhos arregalados e estava com uma expressão estranha como se contivesse uma gargalhada histérica.

- Você não tá bem não. – eu acusei.

Ela voltou-se pra mim e então apenas sorriu e me olhou com genuína curiosidade.

- Sobrou algum teste desses? - ela perguntou apontando um dos muitos testes de gravidez que eu fiz e que agora estavam no chão. Gastei quase a mesada do mês inteiro naquelas coisas.

- Sobrou sim. - eu disse pegando uma caixinha fechada na mesma gaveta onde guardava os outros. - Eu faço um todo dia, a uma semana, pra ter certeza. - confessei e parecia que eu já tinha chorado o suficiente de desespero já que pela primeira vez eu parecia encarar aquilo de olhos secos.

- Você me dá? - ela ainda tinha aquela mesma cara esquisita e parecia cada vez mais aérea.

- Tá, sem problema, pode ficar. - disse.

- Obrigada, Kim... - e então ela voltou ao normal me olhando nos olhos e falou. - Vai ficar tudo bem, amiga! Não conta pra ninguém e agüenta firme que eu preciso conferir uma coisa e amanha eu dou um jeito de te encontrar, tá bom? - e me deu um abraço corrido, pegou o teste e enfiou na bolsa, saindo da minha casa com pressa suficiente para tirar o pai da forca.

Eu ia falar alguma coisa. Acho que ia perguntar o que deu nela, mas ela já tinha desaparecido e eu só deitei na minha cama com a mão na minha barriga lisa e pensei: “É bebê, sua madrinha é doida!” e então realizei que eu estava falando pela primeira vez com o meu possível filho e entrei em pânico outra vez.







Capítulo 21 - Não é muita coincidência?



POV



Andei até em casa no menor espaço de tempo em que um ser humano seria capaz de fazer aquele percurso, com certeza.

Ansiosa era pouco pra mim. Eu estava pirando TOTAL.

Eu era estéril! Quer dizer, eu sempre fui estéril desde que comecei a ir em ginecologistas e sim, havia uma minúscula chance de eu engravidar no futuro caso eu fizesse um tratamento intensivo em uma boa clinica de reprodução in vitro, mas grávida? Assim, ao natural?

Eu precisava chegar logo até aquele maldito banheiro e tirar a prova. Depois eu me juntaria ao desespero/emoção, junto com a Kim.

Outra coisa estranha. Porque eu estava engravidando justamente na mesma época que minha melhor amiga? Não que não fosse ser legal, caso realmente estivesse acontecendo e depois de a gente ter aceitado essa situação impossível, mas fala sério.

A Kim é outra que nem deveria estar grávida já que pelo que eu sei ela toma remédio pra impedir e na maioria das vezes obriga o Jared a usar qualquer outra forma contraceptiva. E quando me lembro de Emily que está mesmo grávida e já está indo para o quarto mês, penso em quantas grávidas seremos afinal? Isso é mesmo super estranho. Bem no nível de estranheza do meu namorado ser um Lobo enorme e assustador na metade do tempo.

Graças aos meus passos de bailarina, nem passei perto de acordar a Marta então não precisava me preocupar com essa parte, por enquanto. Afinal, eu até começava a imaginar a cara da Marta quando eu chegasse pra ela assim, como quem não quer nada e dissesse:

- Oi Marta querida, sabe o Jake, meu namorado que você adora e ficou tentando juntar a gente desde o inicio que eu sei... então, ele me ENGRAVIDOU, legal né?

Tá certo que engraçado seria, com certeza. Mas afinal de contas, o que na minha trágica vida não tem sido cômico se olharmos por todos os lados?

Tudo bem, essa coisa de teste caseiro era bem simples. Desembrulha, molha o pedacinho com a fitinha azul e sacode. Nada anormal.

Tranquei a porta do banheiro só pra ter certeza que ninguém viria conferir o que eu fazia depois das duas da manha, na surdina. E então esperei.

Esperei o primeiro minuto que pareceu um século, depois o segundo e terceiro e já tava começando a suar frio quando olhei o quadrinho que indicaria um risco para negativo e dois riscos para positivo e parecia que tava tudo bem já que apareceu um risco bem forte, que é negativo. Mas aí foi surgindo um pouco do outro risco e ele foi ficando tão forte quanto o primeiro e agora eu acho que ia desmaiar naquele banheiro porque eu definitivamente estava grávida!



Kim POV


Eu estava tentando dormir porque já devia estar quase amanhecendo e essa coisa de gravidez estava me deixando muito preguiçosa, mas um barulho na minha janela estava ficando mais e mais insistente.

Espantei o sono e sai pelo quarto enrolada no edredom até que vi enrolada naquele casaco de pele enorme dela, que deve ter matado uns mil bichinhos pra ser feito. Ela estava tacando pedras na minha janela e me olhava irritada por ainda estar de fora.

Fiz um sinal pra ela dar a volta e abri a porta pra ela em silêncio até entrarmos no meu quarto.

Ela estava com uma cara engraçada. Uma espécie de sorriso nervoso tatuado pra sempre em sua expressão e seus olhos brilhavam ao mesmo tempo que as mãos tremiam.

- Eu também! - ela falou com o que pareceu empolgação e pânico.

Eu boiei, claro.

- Eu também, Kim! - ela repetiu como se eu fosse entender melhor dessa vez.

- Você o que? - eu tentei.

- Ou sua lerda, eu também... - ela respirou com dificuldade e então cuspiu. - Eu tô grávida, também. - e me estendeu um teste igual aos milhões que eu fiz. Eu reconheci como o teste que dei pra ela ainda na caixa.

- Ai meu Deus! - eu pus as mãos na cabeça. - Eu tô delirando? Essa é a sua nova idéia de piadinha? - eu perguntei séria.

- Claro que não, idiota. - ela retrucou ofendida.

- Tá falando sério, não é? - tive até medo de dizer.

- O pior é que tô mesmo! – ela admitiu.

- Parabéns! - eu falei sem pensar, num ímpeto de alegria ao lembrar que ela sempre pensou que era estéril.

- Pimenta nos olhos dos outros é refresco, né Kim? - ela brigou. - Parabéns também! - disse, não conseguindo ficar seria por muito tempo.

- Nossos filhos vão ter a mesma idade. - eu realizei esse fato enquanto nós duas ficávamos ali esbabacadas no meio do meu quarto.

- Éhh... - ela disse aérea e sorridente. Tinha uma carinha de boba que deixou ela adorável e nada parecida com a patricinha que eu enfrentei todos esses meses pra conseguir minha melhor amiga.

- Ai meu Deus, a gente vai ter que contar pros meninos... - eu disse e já me sentei na cama com um principio de ataque cardíaco.

Ela sentou do meu lado e passou os braços pelos meus ombros.

- Acho que não vai ser tão ruim quanto contar aos nossos pais... - ela lamentou. - Minha mãe vai pirar e eu nem quero saber o que ela pode tentar fazer comigo e... - ela engasgou um pouco e tocou a própria barriga. - Com ELE!

Eu coloquei minha mão sobre a dela e a olhei com uma confiança que eu não havia sentido até aquele momento.

- Você não precisa falar nada pra ela. Pensa apenas no melhor pro seu bebê e esquece qualquer outra coisa. Nós estamos juntas nessa! - afirmei.

- Fechado! - ela apertou a minha mão, com sua mão que estava livre.

Então eu imaginei a cara de alegria do Jared quando eu finalmente aceitasse me casar com ele já que não tinha muito mais a ser feito e eu quis realmente bater nele por mais que eu o amasse.



Jacob POV

Buzinei duas, três, quatro vezes diante da casa da e nada.

Levantei bufando porque ela devia estar colocando quilos de maquiagem na cara. O que além de nos atrasar, só servia pra chamar ainda mais a atenção dos caras da escola dela. Como se eu não tivesse que agüentar o olho gordo daqueles moleques pra cima do que era meu todo santo dia em que ia buscá-la.

A porta como sempre estava destrancada e eu entrei. Marta não parecia estar em casa. Caminhei até o quarto da minha linda e também não bati na porta, como de costume.

Já estava pronto pra bancar o responsável quando a surpreendo no quinto sono, abraçada ao cobertor e ressonando como um bebê. Ela ficava tão linda dormindo que me esqueci completamente de que era sexta-feira, mas ainda não era sábado e eu tinha trabalho, ela tinha escola e nós iríamos nos atrasar feio.

Sentei na beirada da cama dela e toquei seu rosto tirando uma longa mecha de cabelo dourado de cima de seus olhos fechados. Como era linda e como eu tive sorte. Nem conseguia acreditar que há alguns meses eu andava por aí como um cachorro miserável me lamentando por uma garota que nunca me amou de verdade e que além de não me querer, trocou sua própria vida por uma semi-vida monstruosa ao lado de um sanguessuga. Não que eu me importasse mais com isso, realmente. Bella era bem grandinha e sabia bem o que fazia. Teve muitas escolhas.

Já ia me levantando pra deixar dormindo enquanto ia sozinho para o trabalho quando percebo que ela tem sua mão direita fechada com segurança entorno de um pequeno objeto. Quase instantaneamente ela se move e sua mão desfaz o aperto, deixando o objeto cair no chão e quicar fazendo aquele barulho surdo de plástico em madeira.

Sem nem me dar conta do porque, eu me estico voltando a me sentar na cama e pego o pequeno objeto que se assemelha muito a um palito de picolé que sofreu uma engorda.

Tem uma sigla que não reconheço pintada com letras cor-de-rosa no alto e então eu vejo duas linhas em uma pequena bola transparente no meio do palito, mas nada daquilo faz sentido até que eu vire o objeto em minhas mãos e leia a palavra GRAVIDEZ em letras garrafais.



POV


- ! ! - escuto bem de longe enquanto durmo confortavelmente. Mas o barulho aumenta e alguma coisa começa a me sacudir. - Acorda !

Reconheço aquela voz linda e rouca com um sorriso bobo e apaixonado na cara e vou abrindo os olhos devagar.

- O que é isso, ? - Jacob me pergunta com os olhos arregalados sacudindo alguma coisa branca, pequena e cumprida em suas mãos.

- O que é O QUÊ, amor? - pergunto ainda sonolenta tentando abraçá-lo mesmo deitada.

Ele continua com um olhar frenético, balançando a coisinha branca em meus olhos até que...

Acordo de verdade, salto da cama ficando muito tonta no processo, cambaleio, sou amparada e me sento outra vez olhando Jake com muito medo e ansiedade porque percebo que peguei no sono segurando o meu teste de gravidez e meu namorado acaba de encontrá-lo.

- Ai! - gemi sem fazer nenhuma idéia de como confirmar o que ele já esta imaginando.

- O que significa isso, ? - ele me olhou serio dessa vez.

- A Kim também tá grávida. - eu soltei com uma voz super esganiçada como uma criança que se justifica pelos erros dos amiguinhos.

Vi Jake abrir a boca e me encarar com uma expressão quase catatônica e quando eu já ia na cozinha buscar uma água fria pra jogar nele e desperta-lo daquele transe, ele me agarrou e me abraçou tão forte que eu gemi de novo, dessa vez em protesto.

Ele me largou na mesma hora e levou uma mão pra minha barriga que graças a Deus ainda parecia o resultado de anos de academia. Os olhos negros e brilhantes estavam cheios de água quando ele me olhou, me prendendo naquele mar de contemplação.

- Isso é sério, não é? - ele perguntou com a voz rouca demais e um sorriso largo e sincero nascia em seus lábios.

- Sim. - eu disse num tom bobo, o mesmo de sempre quando estava com ele.

- Ual... - Jake olhou pra cima e me pôs sentada em seu colo em um movimento só.

- É, quem diria! Eu, gravidez na adolescência, morando em Washington... - Virei-me para olhar Jacob que esperava eu terminar de falar com as sobrancelhas juntas. Eu sorri do medo dele de que eu desse mais um piti e resolvi acabar logo com a lenga-lenga. - Amando muito tudo isso! - completei sincera.

Ele me abraçou de novo, dessa vez com bastante cuidado. Cuidado até demais para seu nível costumeiro de precaução.

- Você é perfeita, sabia? - ele me disse como se estivesse constatando uma grande verdade. Rolei os olhos.

- Deu pra beber agora Jake? - perguntei. - Não era você mesmo que me achava encrenqueira, mimada e arrogante? - perguntei me lembrando de todos os nossos momentos de cão e gato.

- É, tudo isso e mais um pouco. - ele afirmou e foi minha vez de estreitar os olhos. - Só que é a minha encrenqueira, a minha paty mimada e a minha mulher pra sempre ... - e então ele pareceu engolir com um pouco de dificuldade. - A mãe do meu filho!

Foi estranho, assustador e maravilhoso o ouvir dizendo aquilo e então eu virei pra ele segurando firme os meus braços em seu pescoço.

- E então... pronto pra ser pai? - disse.

E Jake me abriu seu sorriso de orelha a orelha, no melhor estilo comercial de pasta de dentes.



Jacob POV


- E então... pronto pra ser pai? - ela disse, ainda incerta.

E aquilo foi a coisa mais estranha, assustadora e maravilhosa que ela poderia ter dito. Assim, sem mais delongas.

Enterrei meu rosto em seu cabelo aspirando seu cheiro que estava um tanto mais acentuado e então apenas fiquei ali com ela, por um longo tempo, me esquecendo das responsabilidades enquanto ainda podíamos e organizando aquela verdade surpreendente em minha cabeça.

É claro que eu estava pirando completamente com aquilo. Nós éramos muito novos e inexperientes nessa coisa de criar uma criança. A mãe dela me odiava. Eu era um lobo pé rapado e ela era uma herdeira milionária. Eu tinha feito dezoito anos a muito pouco tempo enquanto ela ainda teria de esperar para ser considerada adulta. Nós poderíamos ter tantos problemas que não caberiam em uma lista só. Eu sabia de tudo isso e em parte minha mente me alertava para cada uma dessas novas complicações.

Mas era impossível não agarrá-la com toda a minha alegria e não imaginar o meu filho ali, crescendo em sua barriga. Crescendo dentro da mulher que eu amava mais que a mim mesmo, da forma mais natural possível. Metade eu e metade ela, juntos de um jeito que não dava mais pra separar.

- Nós temos que contar, você sabe. - alertei a ela que suspirou e rolou os olhos.

- Não tenho nem idéia de como chegar em Marta, porque ela é a única que vai saber da minha parte já que eu prefiro entrar pra dentro da terra antes de contar pra minha mãe que eu estou grávida... - ela disse num fôlego só, parecendo assustada.

- Calma amor! Duvido que a Marta vá ser um problema e meu pai vai ficar todo bobo com o primeiro neto. - garanti a ela – Na sua mãe nós pensamos depois. - despistei.

Ela também não fez questão de discutir isso.

- Mas perai... Você disse que a Kim também estava grávida? - eu me lembrei do começo de nossa conversa.

me olhou e então gargalhou e assim que conseguiu parar de rir, balançou a cabeça afirmativamente. Essa era uma coincidência interessante. Minha garota estéril estava grávida, a garota super precavida do Jared estava grávida também.

Aí tinha coisa.



POV


Jake e eu nos sentamos no sofá da casa de Emily enquanto ela e Kim preparavam algo para comermos no jantar. Eu estava me sentindo particularmente enjoada por todo o dia e Jake estava particularmente me irritando.

Ele vinha tentando colocar alguma coisa saudável e comestível em minha boca de minuto em minuto, o dia inteiro, e ele sempre vinha com a mesma lenga lenga de: “Não comer fará mal para o bebê”

Sim, aparentemente eu era só uma incubadora para ele agora.

E sim, estou exagerando!

Eu sei que faz mal para o bebê ficar com pouca coisa no estomago, mas eu não conseguia me empolgar com nada que fosse remotamente saudável e Jake não estava muito inclinado a me dar seus salgadinhos de queijo porque Sam veio com uma historia ridícula de que Emily não comia mais essas porcarias que eram cheias de química e faziam mal para o bebê.

Eu não sou louca por salgadinhos nem nada. Na verdade sempre achei essas coisinhas a maior pobreza, mas eu não podia me controlar se minha vontade deles era maior do que minha vontade por qualquer outra coisa.

Já estava pronta a ameaçá-lo de que se não me desse o salgadinho a criança nasceria igualzinha ao bicho feio da embalagem embora acreditasse menos ainda nessas superstições idiotas, quando Jared passou pelo sofá e roubou o pacote de Jake.

Meu amor o fuzilou com os olhos. Então Jared atirou alguns salgadinhos para mim que peguei o mais rápido que pude, colocando tudo na boca antes de ser impedida.

Definitivamente conviver com os lobos tinha levado minha classe para o espaço e largado ela por lá.

- Ei cara, sua garota não tá comendo isso! - Jake brigou. Jared sorriu.

De fato, Kim estava tão preocupada quanto Emily com a coisa da comida saudável, mas Jared estava tão feliz desde que ela concordou em se casar que estava fazendo as vontades de todo mundo por quem passava e eu era agradecida a isso no momento.

Kim não contou nada aos pais dela, nem eu tive coragem de dizer nada a Marta e já fazia umas duas semanas que eu descobrira a gravidez.

Estávamos conversando mais cedo sobre onde faríamos o pré -natal e Emily recomendou sua medica, no hospital de Forks mesmo. Acho que eu não iria muito mais longe, não precisava.

De repente a porta da sala se escancarou e uma Rachel desvairada passou por ela arrastando uma mala de rodinhas. Quase não reconheci a minha cunhada pela expressão em seu rosto.

Ela parecia perigosa com o tanto de raiva que carregava.

- Eu sei que aquele desgraçado do Paul está aqui então não adianta ninguém tentar esconder ele. - ela gritou com as mãos na cintura que já não era mais tão magra quanto eu me lembrava.

Paul, inocentemente veio da cozinha com um sorriso bobo na cara e já ia abraçar a namorada que chegara de surpresa quando ela começou a esbofeteá-lo e mesmo que não machucasse ele continuou apanhando e se encolhendo até ela cansar e se escorar nos próprios joelhos.

- Como você fez isso Paul? Como? - ela esbravejava mesmo sem fôlego e sem se importar com toda a audiência que ela tinha ali, já que todo mundo estava na casa da Emily para o jantar. - Como... como pode? Como conseguiu? - então ela desabou chorando.

Ninguém entendeu nada e eu fiquei com dó do Paul que tinha a cara mais desentendida de todos nós. Ele tentava abraçá-la e ela ainda lutava com ele, mesmo aos soluços. Ela voltou a falar:

- Eu estava lá no meio de um seminário e de repente me vem essa vontade maluca de comer um brounie. Aí eu vou e corro na cantina e como logo uns cinco brounies e depois quase morro de vomitar pra acabar na enfermaria com um diagnostico de... de... - ela não parecia capaz de dizer então eu facilitei pra ela.

- Gravidez? - falei e juro que tentei mostrar solidariedade, mas minha voz parecia animada demais porque ela arregalou os olhos e depois os estreitou mais ainda batendo em Paul de novo. - Entra na fila! - eu falei pra ela com um sorriso ainda maior no rosto, achando que essa era mais uma bruta coincidência que não tinha cara de coincidência nem se agente maquiasse muito.

- O que? - Rachel parou de espancar o namorado e me olhou seria.

- Eu tô grávida, a Kim tá grávida... Acho que da Emily você já sabia né? - contei nos dedos e ela continuava me olhando pasma.

Dei um tapinha no ombro dela enquanto todo mundo assistia apreensivo a cena se desenrolar.

Ela respirou fundo e engoliu seco. Então Jacob pareceu acordar para a realidade.

- Você engravidou minha irmã, idiota? - ele partiu pra cima de Paul segurando-o pela blusa.

Jared pulou entre os dois separando eles com violência e Sam pareceu acordar também.

- Chega de briga, vão lá pra fora... - rosnou. - Não quero confusão com as garotas aqui, pensem nos seus filhos!

Os ânimos pareceram se aclamar, mas Jacob ainda rosnava para Paul que parecia ter sido eletrocutado.

- Sua namorada também está grávida! - Paul se defendeu idiotamente, uma voz débil. Acho que ele ainda não tinha realizado o que Rachel gritou para ele.

E aí ficou um clima estranho, mas não tenso e enquanto todos ainda estavam ali parados esperando sabe-se lá o que e Emily saiu da cozinha dizendo que a comida estava pronta, eu puxei disfarçadamente o saco de salgadinhos da mão de Jared.

Já ia levando um até a boca toda feliz com minha façanha quando Jake tirou de mim com uma velocidade incrível.

- Nem pensar, você vai comer direito agora! - disse me lançando um sorriso matreiro.

Eu o encarei com ferocidade e juro que queria pular em seu pescoço, mas ele me ignorou o suficiente para me abraçar pelos ombros protetoramente e beijar minha cabeça, me conduzindo até a cozinha.

Emily teria que por mais um prato à mesa. Mais uma grávida jantaria ali hoje.


Jacob POV


Estava em casa, tomando um banho e depois iria até a casa de onde finalmente contaríamos à Marta e ao meu pai sobre o bebê, durante o almoço no meio de um domingo relativamente comum em La Push.

É claro que o velho achava que estava apenas descolando um rango na vizinhança e a pobre Marta acreditava estar apenas recebendo o namorado da patroa e o pai dele no final de semana, mas nós conseguiríamos nos sair bem dessa.

Se as coisas ficassem tensas pra valer eu já tinha me precavido, passado em Port Angels e comprado um anel de noivado que eu não hesitaria em usar.

Era simples, com uma pedra verde e pequena e a aureola fina, afinal eu não sou nenhum endinheirado e tenho certeza que tinha jóias muito melhores em suas coisas. Mas ainda assim minha esperança de que ela gostasse dele era imensa e eu estava ainda mais ansioso por causa disso.

Passei a toalha pelo quadril e caminhei para o meu quarto quando o telefone começou a berrar estridente.

Billy devia estar lá fora já que não atendeu e eu tive que correr para ver quem era.

- Alô – eu disse com um pouco de pressa, indiferentemente.

- Jacob? - uma voz de sinos soou em meu ouvido. Parecia conhecida e ao mesmo eu poderia jurar que nunca a ouvi.

- Sim? - reconheço que pareci bem idiota.

- Jake, aqui é a Bella!





Capítulo 22 - Fogo Cruzado





POV



Estava cada vez mais difícil dissuadir Marta de que não havia nada de diferente comigo, porque é claro que havia. Eu estava grávida.

E alem de grávida eu acreditava estar ficando maluca também, porque todos os meus gostos mais básicos estavam se modificando.

Fiz minhas contas por cima e eu devia estar de dois meses, então eu ficava me perguntando sem parar como é que dois meses de gravidez poderiam me transformar em uma nova, e mais desclassificada .

Desenvolvi um desprezo pela maioria das coisas que me agradava. Empacotei todos os meus perfumes franceses e não conseguia usar nada mais do que o sabonete que a própria Marta usava, porque qualquer cheiro que não fosse aquele simples aroma de alfazema me fazia vomitar até o que eu não tinha comido.

Era, definitivamente o meu fim.

Estava me sentindo uma bagunça e uma baranga ainda maior à medida que eu via minhas roupas se apertando e minhas camisolas de seda que marcavam a cintura entrando com tanta dificuldade no corpo que era mais fácil começar a dormir com a camisa do Jake de vez.

Adeus sensualidade e adeus qualquer resquício de beleza enquanto eu só queria mais e mais comida e mais e mais carne vermelha, que eu sinceramente não comia desde os treze anos e que agora voltei a comer como uma loba faminta e desesperada. Claro, eu culpava meu namorado Lobo gostoso e seus genes caninos por essa parte.

Jake ria de mim quando eu reclamava e dizia com seus olhos brilhantes que eu estava a cada dia mais linda, mas isso não me sensibilizava, já que ele, eu sempre soube que era louco.

Hoje era o dia da verdade para nós. Marta e Billy estariam presentes no almoço e eles receberiam a bomba, ou devo dizer, novidade sobre a minha gravidez adolescente.

Marta estava cozinhando desde cedo e parecia pressentir que as coisas lhe seriam finalmente explicadas já que vez ou outra ela passava pela sala onde eu estava enrolada em cobertas, com meu lap-top no colo passando o tempo e me lançava seus olhares reprovativos.

Juro que quase dei com a língua para ela, mas eu pensei melhor quando percebi que essa não era uma atitude muito madura para uma mãe e eu seria uma mãe em alguns meses.

OMG! OMG! Eu estou mesmo grávida. Eu vou ser mesmo mãe. Eu estou tendo uma parada cardíaca. Acho que tenho reação retardada às coisas.

Peguei o telefone para ligar para o Jacob e dizer que era melhor a gente dar pra traz com essa coisa do almoço. Não me pareceu a melhor hora para falar com o meu adulto responsável sobre a minha condição e eu nem imaginava o que Billy pensaria de mim, comprometendo o filho dele desse jeito, tão cedo.

Disquei o numero toda tremula para em seguida bufar de ódio, porque o telefone estava ocupado. Tentei de novo, claro.

Ocupado de novo.

E ocupado pelas próximas cinco tentativas, também.




Jacob POV


Eu fiquei pregado no chão, sem saber o que pensar. Minha voz saiu meio arrastada, totalmente surpresa e muito idiota.

- Bella? - perguntei inutilmente, pois agora eu era capaz de reconhecer a voz dela mesmo por traz da nova afinação.

- Jacob, me desculpe estar ligando. Me desculpe mesmo. Ninguém aqui sabe que estou fazendo isso. Eu dei uma fugida e estou te telefonando do centro da cidade. Eu preciso ser rápida... - ela estava bastante apreensiva e eu entendi que qualquer que fosse a razão pela qual ela estava entrando em contato comigo depois de tanto tempo, ela tinha os seus motivos para fazê-lo. Motivos sérios o suficiente.

- Pode falar Bella. - eu disse de maneira bem mais calma, pensando racionalmente.

- Nós estamos perdidos Jake, perdidos. - ela disse e então pareceu perder o fôlego por mais que os sanguessugas não perdessem o fôlego. Ela soluçou e continuou. - Aconteceu algo que pode ter condenado a minha família inteira a morte e eu estou desesperada. Eu não tinha mais para quem ligar, eu juro que não queria...

- Fala logo Bells! - De repente pareceu tão natural ajudá-la.

Não havia a magoa de antes por ela ter acabado com meu coração e com a própria vida. Não havia a Bella sanguessuga e não havia a mulher que me trocou por um monstro depois de tudo o que passamos. Ali era só a Bells, minha amiga, desesperada como uma humana frágil me pedindo ajuda aos soluços. Afinal, Amelie mudara totalmente a minha perspectiva.

Nem uma parte de mim era capaz de sofrer por Isabella Swan, não havia mais todo aquele rancor que eu tive dela pela escolha que fez para a própria vida.

- Ah Jake... - ela disse emocionada. - Nós estamos em Denali, você recebeu minha carta, não recebeu?

- Recebi sim, Bells. - e dizer isso não doeu nada. Lembrar da carta não fez diferença.

- Nós estamos aqui pela região dos Denali desde que eu e Edward voltamos da América do Sul, mas Irina Denali não está em casa desde que Carlisle recusou a ajuda em vingar Laurent, aquele que você e os outros lobos mataram para me proteger. Irina gostava muito dele e ela acabou saindo de casa quando as irmãs ficaram contra ela e do lado de Carlisle. - Bella então abaixou ainda mais a sua voz e eu percebi seu tom arrasado. - O meu filho não é uma criança comum, ele cresce rápido e ele tem agilidade e força, mas ele ainda é uma criança. Uma criança inofensiva que prefere muitas vezes comer as frutas que Esme lhe compra do que beber de animais como nós fazemos. Ele é em parte tão humano, mas quando Irina viu que estávamos aqui, quando ela nos encontrou caçando na floresta e ela viu E.J. abater um cervo ela não me esperou explicar. Ela achou que nós tínhamos infringido a lei e transformado uma criança em vampiro. Criar uma criança imortal é um erro muito grave, é o mais importante dos tabus. A Mãe das irmãs Denali foi destruída pelos Volturi por fazer uma coisa dessas a seculos atrás e Irina fugiu de mim na floresta assim que viu meu filho. Ela foi até os Volturi para nos delatar, Jake. Eles vão caçar o meu filho. Alice já teve a visão deles decretando que o E.J. deveria ser... - ela soluçou mais alto e não conseguiu dizer. - Nós estamos condenados Jake. Nós seremos executados... - e então ela parou de emendar uma informação na outra e se pôs a chorar compulsivamente.

Era certo que eu entendi só a metade daquele monte de coisas que ela tentou dizer. Ficou bem claro que a criança corria perigo e que ela não era completamente vampira e estava certo que eles se sentiam encurralados e sem esperança e foi inevitável não pensar em , grávida de um filho meu. Um filho que eu já amava mais que minha própria vida. Um presente pelo qual eu lutaria até a morte.

Mas eu tinha a impressão de que Bella não dissera tudo. Ela continuava a chorar baixo, descontrolada e humana demais naquele telefonema.

- Bella, me conte isso direito. Vocês certamente tem um plano!

POV


Eu estava a ponto de ir atrás daquele Lobo cretino que eu amo tanto, já que o telefone ele não atendia mesmo, quando bateram na porta e eu quase tropecei na mesinha de centro na tentativa de atender mais rápido. Eu devia me lembrar de ter mais cuidado agora que eu não era responsável só por mim.

Quando abri a porta, no entanto, desejei não ter corrido, desejei nem sequer estar em casa porque me deparei com ninguém menos, ninguém mais que minha mãe. E como se o circo já não estivesse completo o meu Ex-Dindo, vampirão mentiroso de marca maior estava ao lado dela. Ofeguei e quase fui tomada pelo pânico.

Onde estava meu namorado, pelo amor de Deus!

- Vai nos deixar mofar nessa soleira, Violet... - minha mãe me lançou um olhar ferino. - Essa convivência com empregados parece ter tirado de você toda a educação que eu perdi meu tempo ensinando! - empinou seu nariz fino em cima de mim e eu sai de sua frente ainda em choque, morrendo de medo e tentando ficar o mais longe possível de Oliver que não tirava os olhos de mim.

Eu ia matar o Jake por me deixar sozinha, ainda mais agora. Ele já deveria ter chegado a mais de meia hora e ele não se atrasa. Comecei a me preocupar com mais isso como se já não tivesse motivos suficientes para pirar.

Dois motivos para ser mais exata. E eles estavam entrando na salinha de Marta nesse momento e minha mãe evitava tocar em qualquer coisa, como de praxe.

- Sra. ! - Marta veio da cozinha, limpando as mãos em seu avental e minha mãe a ignorou completamente.

- Vá pegar suas malas, Violet. - ela disse enquanto mal fitava meu rosto. - Eu já deixei você brincar de casinha por tempo o suficiente. Oliver me trouxe a razão! Não podemos deixar que sua educação se comprometa enquanto você termina o colegial nessa escolinha medíocre. Já teve seu castigo, agora podemos voltar à vida real.


Eu totalmente parei de prestar atenção assim que a palavra “malas” foi mencionada e quando minha mãe estalou seus dedos em frente aos meus olhos tentando me chamar atenção por que eu ainda não falara nada, eu só pude fitar ela e ter a reação mais bizarra de todas. Porque eu cai na gargalhada, literalmente.

Me dobrei de rir e fiquei tonta, o que fez com que eu caísse sentada no sofá. Minha mãe mantinha os olhos estreitos perigosamente e sua boca estava fina em um sinal de profunda irritação, mas isso só me deixava com mais e mais vontade de rir.

- Você é louca. - eu disse em meio a um suspiro quando já me controlava. - Não pode me tirar daqui assim...

- Eu sou sua mãe, você é menor e eu banco todas as suas despesas. Eu posso fazer o que quiser com você, Violet. - ela deu um sorrisinho sarcástico e arqueou uma das suas perfeitas sobrancelhas.

Um frio desceu por minha espinha e eu sabia que ela estava certa. Malditamente certa. Mas era estranho, porque pela primeira vez em minha vida eu não tive medo dela e não levei tanta fé nas coisas que ela dizia cheia de segurança.

Eu tinha uma vida crescendo dentro de mim agora. Eu seria uma mãe também e eu seria o tipo de mãe que ela nunca conseguiu ser, eu tinha certeza.

Por isso, continuei desejando que pudesse ter Jake ao meu lado enquanto dizia em alto e bom som o que eu precisava dizer, mas mesmo sem ele ali, eu faria.

- Não vou a lugar nenhum, mamãe. - a encarei seria não esmoreci em nenhum momento. - Aqui é o meu lugar, onde eu sou feliz como nunca pensei que seria.

Então a porta se abriu de repente e eu vi Jacob me olhar preocupado e entrar a passos largos na sala para ficar a minha frente. Mas antes que ele tomasse seu lugar eu a encarei pela ultima vez.

Eu fitei minha mãe nos olhos e eu sorri vitoriosa quando disse:

- Eu estou GRAVIDA, mamãe!




Jacob POV


Bella realmente não dissera tudo o que precisava dizer e eu descobri com um arremedo de desgosto que ela nem de longe tocara nos assuntos mais importantes.

A vidente dos Cullen, pôde ver com clareza o dia em que os sanguessugas italianos chegariam para cobrar sua justiça e eles chegariam em nossas terras, não nas terras dos tais Denali, no Alasca.

Eles viriam não só pelo filho de Bella. Estavam de repente muito “curiosos” sobre o grande bando de Lobisomens que residia em Olympic, já que a mesma vampira que traíra os Cullen, revelou também nossa existência.

Segundo o que ela conseguiu me dizer, os problemas nem de longe se limitavam a essas duas ocorrências, já que os tais Volturi sempre cobiçaram alguns Cullen por seus talentos extras e o verdadeiro motivo dessa “visita” era recruta-los.

Estavam usando a criança como um pretexto mediócre, um estopim. Mas nada disso se comparava a verdade em suas palavras tremulas.

Nós teríamos uma guerra.

Nosso inimigo era, teoricamente imbatível e estávamos todos condenados. Mesmo se o bando não desejasse interferir, poderíamos acabar subjugados como eles certamente acabariam. Seriamos apenas, destruídos separadamente.

Sem considerarmos quantas vidas humanas se perderiam para alimentar o exercito Volturi, nossas perdas já pareciam graves o suficiente para que eu caísse sentado, no braço do sofá como a criança assustada que eu era naquele momento.

Tentando muito recobrar minha consciência e me lembrar de que eu teria um filho e eu tinha uma mulher frágil e humana para proteger com minha vida.

Porque eu era um Lobo e eu estava na primeira linha de tiro junto aos meus irmãos e aos outros sanguessugas aliados, mas minha Amelie não precisava correr nenhum risco e eu faria qualquer coisa para que ela estivesse muito longe daqui quando a neve voltasse a atingir o solo e o dia do nosso fim se aproximasse.

Lembro-me vagamente de Bella dizer algo sobre as medidas que Carlisle julgava necessárias nesse momento de pouca esperança. Os Cullen estavam atrás do maior numero de vampiros amigos, vegetarianos ou não, que pudessem testemunhar que o filho dela não era nenhum monstro e todas as esperanças de minha amiga estavam em uma solução diplomática sem confronto. Quando a verdade sobre a criança fosse provada e os Italianos não pudessem alegar nenhum outro crime.

Mas eu soube, assim que ela me contou que os Cullen estavam todos voltando para Forks para organizar aqui a sua resistência, que eu devia alertar todos os Lobos e nós deveríamos estar prontos porque a vidente, que era nossa maior arma, foi a primeira a abandonar o barco.

- Alice, ela foi embora... Acredito que tenha tido uma visão onde ela precisasse partir para nos ajudar, mas todos estamos com medo Jake, porque ela se foi... Não disse nada, apenas se foi! E ela nunca nos deixaria se houvesse esperança - Bella suspirara pouco antes de desligar o telefone.

Cego por todas aquelas verdades eu voei em direção a porta e meu pai se assustou assim que bateu os olhos em mim. Eu deveria estar transparecendo toda a apatia e o desespero que me tomavam.

- Jacob... - ele já ia dizendo, mas eu não esperei que terminasse.

Deixei o velho lá na área mesmo e corri para a casa da minha . Eu precisava garantir que ela estivesse em segurança. Eu precisava abraçar ela e sentir seu cheiro, sua pele macia em contato com a minha. Precisava olhar dentro dos seus olhos cinzentos e profundos como o mar da First Beach.

E mais do que qualquer outra coisa, antes de convocar uma reunião com o Bando e organizar táticas militares para lutar por uma sobrevivência desacreditada. Eu precisava escutar o pequeno coração do meu filho bater de encontro a minha audição aguçada, para me lembrar pelo que eu lutava.

O grande motivo que eu tinha para não me deixar abater.



POV


- Hahahahahahaha... - minha mãe gargalhou histericamente assim que ouviu o que eu dizia. Nunca a vi tão descontrolada e certamente aquilo me assustou. - Você ficou louca, garota? - seus olhos de repente eram mais maldosos e ferinos. - Você é ESTÉRIL Violet, ESTÉRIL. Sabe o que isso significa?

Eu fechei bem os meus olhos e contei até cinco. Quando cheguei ao cinco, Jake já estava ao meu lado, abraçando-me de encontro a ele protetoramente.

Mas tinha alguma coisa errada com o meu amor, porque ele não estava tão quente como sempre e sua expressão era muito estranha, um tanto aérea e torturada. E algo me dizia que não era a minha mãe quem havia posto aquela expressão em seu rosto.

Ele me olhou e não me passava confiança e Deus sabe que Jake é uma das únicas pessoas no mundo capazes de passar confiança o bastante para deixar qualquer um seguro e feliz apenas com um sorriso.

- O que foi? - eu murmurei para ele enquanto minha mãe ainda me fitava incrédula.

Ele negou com a cabeça e então pareceu despertar um pouco mais para nossa situação de crise, ali no meio da sala.

- Você foi avisado sanguessuga. Não é bem vindo em nossas terras! - ele se dirigiu ao meu Tio Oliver, recobrando certo tom ameaçador em sua fala.

Meu Tio apenas sorriu sarcasticamente e colocou as mãos nos ombros de minha mãe dirigindo-se a ela.

- diz a verdade, querida. Está mesmo grávida. - ele falou paulatinamente, perto de seu ouvido.

Pela cara que ela fez, eu jurei que minha mãe desmaiaria e em resposta àquilo, só pude olhar para o lado onde Marta me encarava com tantas perguntas em sua mente que pareciam estar cutucando minha própria cabeça para serem respondidas.

Como eu devia muito mais explicações à Marta do que àquele projeto de monstro que um dia eu chamei de mãe, eu fui até minha babá, que estava de pé na porta que nos levava a cozinha.

Eu a abracei. Ela me recebeu, como sempre, de forma carinhosa.

- Me desculpe se não contei antes. O almoço de hoje era para isso! - expliquei.

Marta então deixou um sorriso singelo passar por seus lábios que estavam apertados em uma repressão natural.

- Você está certa disso? - me perguntou e nos estávamos ignorando minha mãe juntas, agora.

- Sim. - eu sorri para ela, brilhantemente. Sem nem me incomodar com o campo minado onde nos encontrávamos. Com toda a alegria que eu sentia por ter aquela pequena vida dentro de mim.

- Agora eu penso que entendo o porquê de tantos enjôos e a mudança na alimentação. - ela pousou sua mão em minha barriga que ainda não parecia. - Eu nem suspeitei... Talvez por que nunca tive meus próprios filhos!

Eu a abracei mais forte e ela sussurrou no meu ouvido: “Eu estou com você!”

E depois de ouvir aquilo eu sinceramente esperava que minha mãe e meu Tio se explodissem em um milhão de pedacinhos naquela sala porque nada que eles falassem ou impusessem ia me tirar de La Push.

- Você vai se livrar desse problema Violet! - minha mãe veio até mim e agarrou meu braço enquanto Jake não a impediu pois estava travando uma batalha de olhares furiosos com meu Tio e certificando-se de que ele não se aproximaria nem um milímetro de mim. - Vamos ligar para o Dr. Kent assim que chegarmos à Los Angeles.

- Sem chance! - eu puxei meu braço e ela me soltou a contra gosto porque eu era mais forte que ela, já que comia um pouco mais do que duas folhas de coisa verde, desde que engravidara.

Mas eu certamente não esperava pelo que aconteceu em seguida.

- Vá com ela, ! - Jake me olhou nos olhos e ele tinha plena certeza do que dizia.

Eu acho que abri minha boca com tanta força que poderia ter deslocado meu maxilar.

- Você ouviu o que ela disse? Você tá louco? Ela quer que eu mate o nosso bebê! - eu gritei com ele sem paciência para entender o porquê de ele estar agindo daquele jeito tão ridículo.

- Ela não vai fazer nada disso. Você não vai deixar amor, mas precisa ir com ela! - ele se aproximou deixando o confronto com Tio Oliver, de lado.

- Eu não vou coisa nenhuma Jake! Qual é o seu problema? - eu gritei mais ainda e já podia sentir o gosto das minhas lagrimas salgadas e amargas. O que ele achava que estava fazendo? Ele queria que eu fosse embora? Ele estava me descartando? E a historia do imprinting, de que ele não poderia sobreviver sem mim... Era mentira?

Ele me abraçou forte, fazendo os meus pés subirem em uma ponta de bailarina.

- Eu amo você, mais do que a minha própria vida. - ele falou com paixão como se lesse meus pensamentos atormentados. - E eu amo o nosso filho do mesmo jeito. - e então ele segurou meu rosto, uma mão em cada bochecha e olhou meus olhos com muita dor em suas íris intimidantes, feito dois lagos negros. - É por isso que você precisa ir!

- Não... - eu tentei dizer e ele selou meus lábios com os seus sem aprofundar o beijo.

- Vá , por mim. Vá com sua mãe. - disse por fim.

E então eu vi meu mundo desabar em cima da minha cabeça e comecei a me sentir fraca demais para continuar lutando com aquela situação.

Porque ir contra a minha mãe já não era grande coisa para mim, mas ouvir da boca de Jacob que ele me queria longe, não foi assim tão fácil de superar.



Jacob POV


Foi como um milhão de facas me perfurando, o olhar ressentido e quebrado que me jogou antes que eu lhe desse um ultimo beijo e corresse, tentando ignorar o meu instinto de permanecer junto dela que agora era mais forte do que qualquer coisa.

Claro, não a deixei lá com aquele sanguessuga. Antes de bipar Sam e os outros caras e marcar a reunião que era crucial para todos nós nesse momento, eu pude me certificar que o tal Tio dela estivesse saindo dos limites da reserva e com ele, levando a mãe dela que deixara bem claro que:

“- Volto amanha, sem falta para buscá-la. Esteja você pronta ou não!”

No que apenas a ignorou apática, olhando para mim sem desviar aqueles imensos orbes cinzentos, cheios de acusações.

Ela deveria estar me odiando pelo que eu implorei a ela que fizesse. Deveria estar me achando o maior dos traidores. Quem sabe até coisa pior.

Mas eu poderia viver com sua magoa se ela estivesse segura e longe daqui quando tudo explodisse e foi por isso que eu me mantive forte quando julguei não ter mais força alguma e me afastei dela de uma forma fria que me partiu em dois.

Por bem ou por mal ela precisava ir embora. Não concebia a possibilidade de te-la tão perto da morte. Não podia sequer imaginar perde-la ou comprometer sua segurança só porque eu cai em combate e não pude protegê-la. E tinha o bebê. O meu pequeno filho que de nada sabia ainda, mais indefeso até do que sua frágil mãe.

Que escolha eu tinha? Contar para ela, com certeza não era uma opção. Eu sei que ela me desobedeceria e permaneceria comigo até o fim. Ela não pensaria primeiro nela, ou no bebê. Ela pensaria em nossa pequena família. Que nós deveríamos ficar unidos, enfrentar tudo juntos.

Eu sabia que não era assim que funcionava se eu quisesse garantir sua segurança.

Pensei em minha irmã, que também estava grávida. E havia ainda Emily e Kim. Com certeza os caras as mandariam para algum lugar seguro.

Para minha amada esse lugar seguro bem poderia ser sua, antes adorada, Beverly Hills.

Eu sabia, e isso me doía admitir, que aquele Tio sanguessuga dela não deixaria que nada lhe acontecesse quando eu não pudesse mais protegê-la e com essa esperança, que não tinha nada haver com confiar naquele monstro, eu poderia viver ou morrer em paz. Por qualquer que fosse o meu destino.

Voltei a forma humana e coloquei minha bermuda porque eu preferia esperar meus irmãos sem compartilhar minha dor com eles.

Estava em uma pequena clareira perto de um riacho e sabia que de nada adiantava adiar o momento inevitável das vozes confusas, assustadas e raivosas em minha mente, pois que, isso aconteceria no momento em que eles soubessem de tudo.

Mesmo assim, algum instinto egoísta e profundamente humano, me fez desfrutar dos últimos cinco minutos de silencio mental antes do caus.




Capítulo 23 - Ajuda Inesperada



POV


Eu estava completamente fora do ar. Sem entender mais nada e cogitando loucura atrás de loucura.

Primeiro porque eu não conseguia imaginar um motivo grande o suficiente para que Jacob me quisesse longe e segundo porque a Kim também não sabia de nada e essa era a minha esperança quando eu liguei para ela atrás de respostas assim que minha mente voltou a funcionar normalmente.

- Jared também saiu correndo lá de casa quando recebeu uma mensagem de Jacob. Era um chamando para todos! – ela foi dizendo assim que passou pela porta.

Engoli o choro e me sentei no sofá da sala enquanto ela sentava-se ao meu lado.

Não valia a pena desperdiçar minhas lagrimas para o que obviamente não tinha nada haver comigo. Algo sério estava acontecendo. Sério o suficiente para ele cogitar a minha volta para L.A. sem fazer uma cena sequer.

Eu não era ingênua e não era insegura o bastante para acreditar que toda essa confusão fosse apenas um problema em nosso relacionamento.

Acorda! Nós não tínhamos problema algum entre nós. Eu estava milagrosamente grávida e estávamos felizes como uma viciada em compras no meio de uma liquidação Prada. Não tinha como ele simplesmente me querer longe e eu lembro bem o exagero que foi quando eu sequer visitei meu Tio em Seatle.

Isso estava cheirando a encrenca grande e assim que Kim me contou sobre uma época em que os lobos lutaram uma espécie de guerra contra um exercito de vampiros recém-criados, eu soube pelo frio que tomou minha espinha que os problemas tinham finalmente nos achado e eles não eram, nem de longe fáceis de se resolver quanto na época em que dizer adeus à minha mãe era o maior dos desafios.

Pois bem. Eu estava nessa para a vida toda. La Push agora era minha casa e Jake era o homem da minha vida.

Ele poderia argumentar. Ele poderia implorar. Eu fecharia meus olhos e taparia os ouvidos porque eu e o nosso bebê não iríamos a lugar algum.


Jacob POV


Eu podia sentir o medo, a dor e a desesperança que percorria a roda mesmo que nenhum de nós tenha se transformado. Quando eu contei a todos os garotos, e à Leah o que eu havia conversado com Bella no telefone, foi como ver a minha expressão de choque e horror ganhar raízes nos rostos deles. Como faces gêmeas de uma mesma angustia.

Leah tremia um pouco as mãos e lançava olhares fulminantes para mim como se eu pudesse ouvi-la culpar Bella por tudo. Como se eu pudesse ignorar qualquer razão e fazer o mesmo que ela. Minha família estava em risco. Minha casa, as pessoas importantes para mim. Tudo o que eu um dia conheci ou valorizei.

Sam parecia um homem morto quando me olhava com um semblante cansado demais e Paul também começou a tremer quando finalmente entendeu a gravidade do assunto.

- Precisamos tirar as garotas daqui! - Foi Jared quem disse, pela primeira vez o que todos nós pensamos primeiro.

Um murmurar de entendimento percorreu a todos, até mesmo Leah.

- Nós temos uma chance, certo? - Foi Quil quem se pronunciou, fazendo a pergunta que nenhum de nós queria considerar. - Os Cullen trarão aliados e nós também seremos muitos! - ele tentava convencer a si mesmo.

Ninguém o ajudou a se iludir.

- Eu acredito que tudo ficará bem, cavalheiros... senhorita! - uma voz pausada e persuasiva soou no mesmo momento em que o cheiro doce abalou nossas narinas nervosas.

Eu não podia acreditar nos meus olhos e na petulância daquele sanguessuga. O tal Tio Oliver estava ali, sozinho, encarando um bando inteiro de Lobos como se não lhe pudéssemos fazer mal e não contente com esse feito apenas, nos olhava com uma expressão confiante, cheio de petulância, como se soubesse realmente o que dizia.

Paul explodiu e rosnou para ele que se manteve firme e me fitou sério esquecendo um pouco sua expressão de superioridade.

- Eu tenho muita influencia, garoto. - ele falava comigo ignorando Paul que rosnava. - Meu clã não é grande, mas temos aliados importantes e eu conheço os Volturi, ou melhor dizendo, ELES me conhecem.

Então Paul atacou. Mas o vampiro apenas o fitou nos olhos e ele rapidamente se dobrou sobre as patas dianteiras como se recebesse um comando direto do alfa. Leah explodiu com a cena e Sam olhava para mim assombrado enquanto Oliver apenas voltou a me fitar, como se não tivesse feito nada.

- O que quero dizer é que não precisam tratar essa disputa como um massacre. Caius Volturi tem contas a acertar comigo e, claro, eu não deixarei minha murchar sobre seu cadáver. - E então deu um sorrisinho divertido ao se perguntar: - Que tipo de monstro eu seria?

Eu deveria estar de boca aberta feito um idiota porque eu certamente não esperaria por aquilo nem em um milhão de anos.

- Teremos uma guerra... Há sim! A coisa vai ser feia – Ele fez uma careta e então encarou o bando todo, até mesmo Leah e Paul em sua forma animal. - Mas comigo aqui, há muitas chances! - e seus olhos brilharam perigosamente vivos quando ele disse aquilo.

Bem, eu queria poder falar que fui orgulhoso em dizer que não precisávamos da ajuda de nenhum sanguessuga e que tínhamos a nossa honra e tudo, mas não posso dizer que aquilo soou pior do que realmente soou porque pela primeira vez em todo o dia maluco eu pude acreditar em alguma coisa diferente da sina que eu pintei para mim onde eu estava perpetuamente separado de para sempre. Onde eu não via nosso filho nascer e onde eu morria naquela empreitada suicida.

Os ânimos se acalmaram tanto quanto possível e Sam começou a fazer perguntas úteis ao vampiro, que de repente se mostrava como a ajuda que ninguém esperou e na qual todos acabaram depositando suas fichas, exclusivamente por falta de opções.

A vida da voltas inimagináveis e mesmo que não estivéssemos no melhor dos arranjos ali, eu acreditava que poderíamos cooperar. Oliver me pareceu verdadeiramente preocupado com quando disse que não a deixaria chorar minha morte e embora eu soubesse que sua compaixão era apenas para com ela, já estava de bom tamanho, desde que nós dois e agora nós três, éramos como a mesma coisa.



POV


Assim que Kim voltou para casa eu comecei a ficar inquieta naquele sofá e esperar por noticias estava me matando.

Não parava de pensar nas palavras finais de minha mãe: “- Volto amanha, sem falta para buscá-la. Esteja você pronta ou não!”. E minha mãe podia ser chamada de um monte de coisas, mas mentirosa não era uma delas. Clarissa não precisava falar duas vezes. Ela estaria realmente na minha porta assim que o dia nascesse e eu ainda teria de pensar no que fazer para evitar que ela me levasse.

Claro, talvez eu não contasse nem mesmo com o inútil do Jacob, já que ele pareceu bem serio ao dizer que eu deveria voltar para Beverly Hills. Eu não sei o que faz aquele estrupício, irritante e pulguento que eu tanto amo, pensar que pode mandar e desmandar em mim tão facilmente.

Eu devo ter dado uma impressão bem errada de submissão quando finalmente me entreguei a ele.

Uma idéia me passou repentinamente pela cabeça.

- Marta!!! - chamei me esgoelando cheia de esperanças.

- O que foi, tá tudo bem com o bebê? - Marta apareceu assustada na porta da cozinha. Eu bufei indicando minha falta de paciência para a preocupação exagerada dela.

- Marta querida do meu coração. - falei de um jeito manso demais que fez ela me olhar desconfiada. - Você ainda tem aqueles papeis de tutoria que meus pais assinaram quando nos mudamos? - e então frisei. - Aqueles papeis que te dão todos os direitos dobre mim!

Ela me olhou em duvida por um momento e então sorriu.

- Sim, sim! Estão numa pasta, na segunda gaveta da cômoda, no meu quarto... - e então seu olhar se fez mais severo sobre mim. - Porque pergunta Srtª?

- Bem Marta. Talvez precisemos deles amanha. Você sabe que não tem jeito de eu ir embora com a minha mãe. Olhe bem pra mim e veja se tenho cara de mãe solteira! - Marta deu uma risadinha. Eu também me animei um pouco ao saber que os papeis ainda existiam.

Essa boa coisa no meio de todo aquele caos não fez com que eu me acalmasse, tão pouco. Decidi por fim que esperaria por Jacob em sua casa, já que era possível ele continuar com a palhaçada de “Você deve ir embora com sua mãe”, o que talvez fizesse com que ele nem sequer viesse me ver outra vez, ainda hoje.

Me pus a caminho depois de avisar à Marta onde estava indo. Não era uma caminhada longa e eu talvez me distraísse pelo caminho. Não me importava de estar testando a competência do solado de minhas galochas Chanel. Eu aprendera que há coisas mais importantes na vida do que se estragar um par de calçados de trezentos dólares.

Billy não estava em nenhum lugar à vista e a casa como sempre, permanecia aberta, com a porta apenas fechada e sem tranca. Agradeci pelo calor revigorante assim que passei pela pequena sala e fui logo me encaminhando para o quarto do Jake. O pensamento de me jogar nos lençóis baratos e impregnados com seu delicioso cheiro me fez sorrir ao invés de refugar como era de se esperar pela parte do “lençóis baratos”.

Abri a porta com um meio sorriso idiota no rosto que eu podia reconhecer que tinha mesmo que não estivesse olhando para um espelho. Mas não foi só o quarto semi-bagunçado do meu Lobo que eu achei ao abrir aquela porta.

Havia uma mulher de pé, gloriosa como uma estatua grega, logo junto à janela. Ela se virou para mim no exato instante em que pus os pés naquele quarto e eu soube, também naquele mesmo instante, que a beleza dela estava longe de ser humana.



Bella Cullen POV


Eu precisava vê-lo. Precisava pedir desculpas ao meu melhor amigo por ter envolvido ele e sua família, mesmo que indiretamente, nos meus problemas. Sabia que era proibido cruzar a fronteira agora que eu me tornara vampira e sabia que era muito provável que Jake nem sequer me reconhecesse mas eu precisava tentar.

Edward não sabia que eu estava aqui. Ele teria descordado totalmente.

Sai de casa com o propósito de visitar Charlie e de fato visitei, mas eu sabia que não faria só isso. E cá estava eu, no quarto de Jacob, esperando que ele retornasse, envolta em completo silencio para não ser descoberta.

O cheiro de seu quarto era desagradável, como ferrugem e cachorro molhado. E mesmo enquanto corria pela mata pude sentir os outros Lobos, igualmente desagradáveis ao meu olfato. Finalmente entendera todo o antagonismo de minha nova família quanto a isso.

Comecei a imaginar quanto tempo ele demoraria para voltar e se era realmente a coisa certa a se fazer, esse encontro com ele, por baixo dos panos. Pensei também em meu pequeno E.J. me esperando em casa e em toda a Guerra que nos atingiria dali a um mês. A incerteza de poder vê-lo crescer em paz, seguro e normal como qualquer outra criança. Me ferindo como uma chaga aberta. Porque meu filho era tão amável e inofensivo quanto uma criança mortal e ele não merecia estar no meio de toda essa luta irracional por poder.

De repente um cheiro doce e muito humano me atingiu. Eu era controlada, senti a garganta queimar e o veneno se acumular em minha boca mas eu nunca machucaria um ser humano.

Fui percebendo aos poucos que o cheiro era misto e não parecia tão apetitoso quando vinha misturado com o cheiro dos Lobo. Agradeci por isso.

Me perguntei durante os passos lentos demais do humano, quem ele seria. Então ouvi mais um coração bater e fiquei assustada por não ouvir outro par de pés se movendo. O “quem seria?” cresceu ainda mais e eu me preparei para sumir de vista quando fui pega desprevenida pela porta que se abriu inteira revelando, finalmente, de quem se tratava.

A primeira vista, tudo foi explicado, ao mesmo tempo em que outras questões foram se formando com urgência em meu cérebro super rápido de recém-criada.

Uma garota pouco mais alta que eu, de cabelos castanho-claros e ondulados com grandes olhos cinzentos e uma barriguinha de inicio de gravidez me fitava com o que poderia ser descrito claramente como medo e admiração. Quem era ela e o que estaria fazendo no quarto de Jake, eram as primeiras perguntas que eu faria. No entanto, mesmo humana, a garota foi mais rápida.

- Quem é você? O que quer aqui? - sua voz soou tremula, mas seu nariz estava em pé e ela tinha muito porte.

Algo no jeito como protegeu a barriga e me encarou firme, dizia que ela sabia exatamente o que eu era mesmo que a ruga interrogativa em sua tez revelasse que não me conhecia, assim como eu não a conhecia.

Eu já ia devolvendo a mesma pergunta a ela quando mais uma brisa nos atingiu e eu pude sentir mais de seu cheiro. O cheiro humano estava quase todo sobrepujado pelo cheiro daquele quarto. E então eu percebi que não era apenas o cheiro dos Lobos nela. Ela tinha o cheiro de Jacob, como se ele estivesse em toda parte, como se fizesse parte dela.


POV


A vampira não me respondeu quando perguntei quem ela era. Comecei a sentir ainda mais medo. Na verdade, nem ao menos sei onde arranjei coragem para perguntar mas achei que era uma boa maneira de iniciar o filme de terror já que sair correndo era meio clichê demais.

- Você tem o cheiro de Jacob em você! - ela falou depois de um tempo, me observando como se seu olhar pudesse me dissecar.

A forma como ela falou, quase me desafiando a descordar dela, fez com que eu perdesse qualquer receio e me enchesse de uma certa ira por aquela vampira estranha que estava no quarto do meu namorado especulando sobre como eu cheirava ou não, então eu nem vi quando retruquei:

- Eu tenho muito mais que o cheiro dele em mim. Eu tenho um filho dele na barriga e acho que você não vai querer esperar até que ele chegue e te veja aqui porque ele pode ser bastante super-protetor e não é muito fã da sua espécie...

Eu tagarelei nervosa demais para prestar atenção a tudo o que dizia. Depressa demais para realizar que ela realmente citara o nome de Jacob e que fizera isso de uma forma onde ficava claro que ela o conhecia.

- Quem é você? - perguntei com menos medo e mais expectativa do que nunca.

Porque eu temia que ela fosse repetir um nome que eu já ouvira Jacob chamar. Um nome do qual não falávamos e do qual ninguém nunca dizia nada. O nome da mulher que deve ter atormentado realmente o meu lobo para ter marcado ele de forma tão profunda.

Então a vampira tentou parecer simpática quando falou, exatamente o que eu não precisava ouvir.

- Desculpe se te assustei. Eu sou Isabella Cullen, mas pode me chamar de Bella!

E de repente tudo em que eu podia pensar era: “Como esses sanguessugas são bonitos” e “Como ela é magra” e em como eu estava cada dia mais horrorosa com a gravidez e que Jake iria realmente querer que eu sumisse agora que a tal Bella voltara para sua vida e que mesmo com a tal da impressão eu duvidava muito que fosse convencê-lo a ficar comigo quando ele poderia ter aquela estatua grega anti rugas e com uma cintura fina em sua frente.

Claro, ela era uma vampira e ele era um lobisomem e eu já tinha entendido que eles eram espécies inimigas, mas quem liga? Eu tinha visto um monte de filmes onde a caçadora acaba se apaixonando pela caça e esse tipo de coisa. Quer dizer, parecia bastante possível acontecer ali já que tudo era quase tão irreal e irracional quanto o cinema.

Me sentei na cama de Jake e toquei minha barriga como se quisesse assegurar o meu filho de que tudo daria certo quando eu só conseguia me sentir insegura e cheia de vontade de chorar até que minhas lagrimas acabassem. Porque Jake tinha que ter me entregado a minha mãe mais cedo. Ele me deixou toda vulnerável aos hormônios de gravidez e agora eu estava enlouquecendo.

A vampira continuava lá. Eu achei que aquela era uma espécie um pouco mais inteligente. Será que ela não podia ao menos esperar que Jake se livrasse de mim antes de começar com seu plano para roubar meu namorado.

Será que não ouviu eu dizer que estava grávida?

Que vadia.



Jacob POV


Logo depois que Sam deu a reunião do bando por encerrada, eu só pensava em . Vê-la era minha primeira preocupação. Me assegurar de que ela não estaria magoada entendendo tudo errado como ela certamente estava.

Os caras do bando pensavam em um lugar para onde mandar todas as garotas e Makah era a melhor solução por enquanto. Quando Paul sugeriu que Rach fosse para o Hawaii com Rebeca todos fiaram encantados com a possibilidade de mandá-las para o mais longe possível, mas Sam colocou todos nós com os pés no chão ao dizer que deveríamos fazer algumas contas antes de considerarmos uma viagem dessa. Não sairia barato, nada barato.

O sanguessuga firmou conosco um pacto de proteção mutua e correu em seguida para o seu calabouço ou seja lá o que ele chamava de casa para avisar seu clã de que teríamos uma luta. Ninguém estava feliz em recorrer a essa ajuda e mesmo assim ninguém teve coragem de protestar. Não com todas as garotas grávidas e todo o nosso medo de não conhecermos nossos filhos. O orgulho não tem vez quando tudo o que você quer é poder ver o seu imprinting de novo.

Todos queriam muito sobreviver e Bella me dera um panorama desanimador demais para que estivéssemos confiantes. Teríamos de encontrar um meio de cooperar com os Cullens, com Oliver e com qualquer vampiro que se privasse de sangue humano e quisesse nos ajudar.

Passei pelo quarto de e entrei pela janela como sempre fazia mas ela não estava lá. Marta me disse minutos depois que eu a encontraria em minha casa. Ela devia estar realmente aflita. Eu não poderia assustá-la contando-lhe a verdade. Ela certamente se recusaria a ir embora com as outras mulheres ou com sua mãe ela precisava ir. Tinha de estar segura.

Quando circundei minha casa meu coração acelerou-se ainda mais no medo. Captei um cheiro indiscutível. Havia um vampiro por ali. Eu tremi e precisei me concentrar com todas as minhas forças para não me transformar antes de saber o que estava acontecendo.

Ouvi a voz de quando ela perguntou ao visitante quem ele era e tive orgulho de como segura ela pareceu por mais que sua voz tenha tremido ligeiramente. Minha garota era corajosa.

Corri para meu quarto ainda tremendo como uma vara de bambu e completamente agradecido por ter chegado a tempo de salva-la de quem fosse que a estava ameaçando, mas sofri um bom choque quando ouvi a voz de sinos dizer:
“ -Desculpe se te assustei. Eu sou Isabella Cullen, mas pode me chamar de Bella!”

O que ela estava fazendo ali, afinal? Ela não sabia que era proibida de ultrapassar a fronteira depois que fosse um deles? O que Bella ainda queria comigo para estar em meu quarto intimidando minha mulher?

Pulei a janela a tempo de encontrar os olhos tristes de minha , sentada displicentemente em minha cama e pude fitar a vampira em desagrado.

Bella me olhou com olhos humanos demais quando eu fui até a minha mulher e a puxei para um abraço sussurrando em seu ouvido que tudo ficaria bem.

POV

Assim que Jake apareceu e me abraçou, todas as minhas duvidas e ânsias foram embora como um mal estar matinal. Toda aquela baboseira de que eu teria de ir com minha mãe e todo o drama de estar finalmente conhecendo a tal Bella, que para meu azar era bastante bonita, deram lugar a uma calma e uma paz conhecidas de quando eu estava perto o suficiente do meu amor para sentir como se nada fosse nos separar de fato, nunca.

- O que faz aqui? Sabe que não é permitido aos Cullen atravessar nossa fronteira. É o tratado e ele ainda está de pé! - Jake falou de forma áspera à mulher e certamente não parecia muito inclinado a voltar correndo para ela e me largar grávida. Relaxei ainda mais em seu abraço.

- Desculpe Jake, mas eu precisava vir. Precisava me desculpar por tudo e lhe dizer que eu... - e então ela balançou sua cabeça de um jeito bobo e apenas sorriu amarelo. - Quer saber, esquece... Eu devo aproveitar que estou aqui para dizer que nós estamos nos instalando na cidade e Carlisle entrará em contacto com Sam assim que possível. Eu desejo que você seja feliz Jake, apesar de tudo nós precisamos ter esperança. Eu não voltarei aqui, eu prometo e... - ela olhou para mim quando disse isso. - Parabéns pelo bebê!

Depois a vampira se virou e eu não entendi como simplesmente desapareceu já que ela se foi antes que eu piscasse os olhos. Seres estranhos...

Me separei de Jacob me recompondo. Ele teria de ouvir uma hora ou outra, então achei melhor o enfrentar o quanto antes. Eu me cansara de estar no limbo, cheia de incertezas por tudo o que deveria ser certo. O fitei de queixo erguido e me controlei para não por as mãos na cintura em um velho e horroroso gesto quando disse:

- Minha mãe acha que vou com ela amanha e você não é nem idiota de achar que eu vou! Então Jacob Black, faça o favor de ir abrindo essa sua boca grande porque eu quero uma explicação detalhada de como e porque você está agindo como um idiota desde o começo desse maldito dia. - e retomei meu fôlego ao perceber que o perdera na pressa e na raiva.

Jake me olhou um tanto assustado, o tom de comando em minha voz deve tê-lo alarmado já que ele claramente esperava por uma mulher às lagrimas. Ele devia me conhecer melhor para saber que não era tão fácil me enganar ou fazer-me de boba.

- Vamos, diga o que tem que dizer. - eu voltei a pressionar quando ele, lerdo, nada disse. - Eu estou ganhando rugas aqui!

Capítulo 24 - A Profecia

Billy Black POV




Jacob achava realmente que podia me enganar com aquela historia de: “ Vamos apenas filar um rango na casa da ”, mas eu via como ele estava nervoso e a muito tempo já observava os dois confabularem como se escondessem algo. Eu sabia que eles estavam planejando pegar Marta e eu desprevenidos nesse almoço e nos contar finalmente o que estava acontecendo.

Mas eu não estava realmente preocupado com isso, em si. Eu estava preocupado com uma outra coisa muito maior, uma profecia que eu ignorara para o que eu achei ser o bem de todos.

Uma profecia que agora se cumpria e que eu desconfiava estar mais próxima de seu grande desfecho a cada segundo em que via os acontecimentos se desenrolarem ao meu redor. Com o coração na mão eu vi meu filho passar por mim transtornado logo após receber um telefonema que eu não poderia saber de quem veio.

Eu temia que já não importasse revelar a todos o que Dilia Ateara me dissera durante seu transe, naquela quarta feira aparentemente comum, há cinco meses atrás.

A filha mais velha de Quil Ateara morava em Makah com o marido e veio visitar o pai por alguns dias. Lembro-me que Jake me levara até a casa deles e depois saíra com o jovem Quil. Naquela época meu filho ainda não tivera sua impressão, mas as coisas estavam se aquietando com os Cullen fora de Olympic. Todos estávamos mais descansados a respeito do segredo que guardávamos.

Dilia Ateara sempre foi muito sensível a influencia espiritual e por mais de uma vez no passado eu a vira entrar em transe, falando por aqueles que não tinham uma boca para transmitir suas mensagens. Lembro-me que foi ela quem nos avisou do retorno dos Cullen quando Carlisle Cullen decidiu voltar à sua antiga casa.

Estávamos na sala e ela nos trouxe um café que acabara de passar. Sua irmã mais nova, mãe do jovem Quil, estava fora trabalhando e estávamos apenas eu, ela e seu pai naquela casa.

Assim que a bandeja caiu no chão, seus olhos perderam o foco e sua voz mudou de timbre. Aquelas palavras ficaram marcadas em minha memória embora tenha demorado tanto tempo para entende-las:

“ Quando o verdadeiro alfa assumir, ele terá a maior das provações a sua frente. Uma guerra sem esperança e sem razão abaterá nosso povo na aurora do inverno mais rigoroso. Os sinais serão claros e absolutos: Todas aquelas, parceiras em idade fértil irão carregar os filhos do amanha porque a linhagem precisa sobreviver a qualquer custo. Enquanto seus ventres estiverem cheios com a semente da esperança, nada estará completamente perdido. Mas a guerra por si, só será vencida se o orgulho vier ao chão e a ajuda impura for aceita, sem hesitação. “

Nenhum de nós entendeu de fato o que aquela visão queria dizer e nenhum de nós deu o credito merecido àquela profecia que não tinha nenhuma razão de ser. Mas então as garotas começaram a engravidar.

Primeiro Emily, que não nos alarmou por estar seguindo exatamente o curso que esperava de sua vida, mas depois veio Rachel, amedrontada pela possibilidade de conceber um filho quando tanto o preveniu e depois Kimberly, ainda mais jovem, ainda mais amedrontada. Não fazia sentido para nenhuma delas e agora eu tinha absoluta certeza sobre o que Jacob tentava me esconder mas quisera eu não ter essa certeza, pois, se também estivesse grávida, então a profecia era verdadeira e precisávamos saber até que ponto.

Guiei minha cadeira de volta ao interior de minha casa e peguei o telefone. Eu precisava reunir o conselho o mais rápido possível. Pressentia que Jacob fosse precisar de todos nós juntos, ainda hoje.


Jacob POV


Ali estava a minha , me encarando de frente. Seu cenho franzido e seus olhos luzindo indignação. E vê-la assim, forte o bastante para me colocar contra a parede, me trazia uma esperança doentia e quase infantil de que nós poderíamos enfrentar qualquer coisa juntos. Como se todo o medo e o stresse gerados por esse dia infernal e interminável, pudessem se extinguir diante da bravura incansável daquela garota. A frágil e 100% humana, a mulher que carregava meu filho e todo o meu apresso.

Avancei até ela deixando qualquer distancia para traz e me permiti apertá-la de encontro a mim e beijá-la com todo o meu amor e meu sofrimento, sentindo-a desfalecer contra mim e retribuir toda a minha paixão.

Me pareceu de repente muito egoísta mante-la no escuro, sem escolhas e sem direitos quanto ao que estava para acontecer, mesmo que fosse bem mais fácil protegê-la, enganando-a se considerarmos seu gênio.

Nos separamos e ela continuou a me encarar, firme mesmo que um tanto ofegante agora. Ela ainda esperava a verdade.

Sua atitude forte com certeza me quebrou, pois a garota que deixei naquela sala, esta manhã, estava cercada por incerteza e parecia bastante abalada com meu único e ridículo plano de afastá-la a qualquer custo desse lugar, agora maldito.

- Desculpe, eu vou lhe contar tudo! - admiti mais para mim mesmo que para ela.

Sua expressão relaxou um tanto e ela me pegou pela mão como uma mãe guiando seu pequeno garotinho. sentou-se em minha cama e eu fui com ela, deixando que o cansaço físico e psicológico se alastrasse e se mostrasse em mim como eu vinha evitando.

E ela me ouviu pacientemente, sem interrupções, enquanto deixava suas mãos vagarem pelas minhas em conforto e eu cheguei a me perguntar onde foi que ela arrumara tanta candura e de onde vinha toda aquela maturidade. Antes de perceber que um coração bom como o dela certamente guardava ainda mais virtude e eu era tolo em questionar seu bom senso baseado em todos aqueles preconceitos que eu já tive para com ela.

Sei que vi o medo tomar seus olhos quando, mesmo fazendo tudo para não assustá-la, eu contei sobre nossas poucas chances naquela guerra e vi igualmente seus olhos brilharem, desta vez com certo orgulho, quando contei sobre seu Tio, oferecendo-nos ajuda.

De repente ela voltou-se para mim e sorriu como se dissesse que eu deveria realmente alimentar a esperança. Como se entendesse a verdade por traz de toda a minha preocupação e mesmo assim estivesse apostando em nosso sucesso com muita certeza.

Uma de suas mãos tomou minha nuca e embrenhou-se em meus cabelos, puxando meu rosto de encontro ao seu. Eu fui, sem nenhum motivo para resistir e ela me presenteou com um beijo doce e logo depois, vários outros beijos por meu pescoço. Seu nariz um tanto gelado roçou minha orelha e aquilo acordou a fera em mim. Porque mesmo com todos aqueles problemas eu nunca estaria imune à ela e ao que podia fazer com minha sanidade.

- O que está fazendo? - eu perguntei sentindo minha garganta se fechar e meu desejo queimar obvio sob minhas veias.

- Eu não quero perder nenhum segundo... - ela ronronou guiando sua boca até a minha, outra vez. - Não temos mais o luxo do tempo e eu preciso de você. Eu preciso sentir o quanto é real!


POV


Acho que fez muito sentido quando ele me contou sobre os tais vampiros italianos e o que aconteceria a todos nós, em breve. Eu estava assustada e eu com certeza não poderia lidar com aquilo, mas por alguma razão suprema, eu só conseguia pensar que eu o tinha ali, em meus braços e talvez não houvessem mais chances como essas.

Eu subjuguei a minha parte histérica, que queria chorar e gritar e comandar ordens ao destino para evitar qualquer perigo. Porque eu sabia que nada adiantaria se eu parecesse mais uma criança mimada e eu não ajudaria Jacob a carregar aquele fardo se ele precisasse controlar-me também.

Era minha chance de me mostrar apta, adulta e merecedora dele. Era minha hora de enfrentar o meu medo e a minha desesperança e lutar como eu podia para garantir a vida da minha família. E o que eu podia fazer se limitava, infelizmente, à deixar que meu amor acreditasse que estava tudo bem e que ele não precisava temer por mim que eu manteria nosso filho seguro e eu o esperaria, fazendo o que ele me ordenasse mesmo que meu orgulho idiota fosse ter varias idéias anarquistas no processo.

E a grande verdade continuava nublando qualquer outro sentimento. Aquela verdade imediata de que essa poderia ser a ultima vez para beijar seus lábios voluptuosos e alisar sua face rija, sentindo sua pele desfalecer na minha. A ultima vez para estar em paz!

De repente era urgente minha vontade de tê-lo pra mim, como se nossa união física fosse afugentar os fantasmas de nossa separação. Gravar cada segundo em minha memória para me manter viva quando ele precisasse ir. Porque ele precisaria, em breve.

- O que está fazendo? - ele ainda perguntou, quando minhas mãos traçaram caminhos certeiros por seu abdômen e minha boca chamou a sua.

- Eu não quero perder nenhum segundo... Não temos mais o luxo do tempo e eu preciso de você. Eu preciso sentir o quanto é real!

E eu creio que ele entendeu muito bem o meu ponto, já que logo estava tomando as rédeas da situação para si, guiando um novo beijo quente e encontrando os caminhos para as minhas maiores fraquezas, das quais só ele tinha conhecimento.

Seu cheiro tão conhecido, seu toque exigente e os sons baixos e satisfatórios que lhe saiam pela boca quando eu revidava uma ou outra investida. Eu já estava com uma saudade enorme de estar com ele, pude perceber assim que minha blusa foi embora e não demorou para que a calça seguisse o mesmo caminho.

Com as mãos em minhas coxas, Jake pareceu despertar de nosso transe coletivo.

- E o bebê? - perguntou um tanto hesitante. Eu consegui rir com sua expressão.

- Não seja bobo, ele foi feito assim, que mal pode haver?! - assegurei impaciente.

Ele riu do meu desespero enquanto eu o ajudava a se livrar da bermuda e então esqueceu-se completamente das razões para qualquer hesitação.

Acho que éramos dois ali, temerosos de que essa fosse nossa ultima chance para se entregar sem reservas ao desejo, ao carinho e à louca ligação que parecia nos unir cada vez mais.

Uma guerra certamente é capaz de nos por em perspectiva.

Sempre fora delicioso estar com Jacob, mas seus toques carregavam muito mais que nossa química usual, era como se eu pudesse sentir a mágica na ponta de seus dedos. O destino que nos unia e nos acorrentava um ao outro.

A ponta de sua língua traçou um arco em meu mamilo direito enquanto sua mão tomava meu sexo com experiência. Eu podia senti-lo em toda parte, seus músculos sobre mim, cobrindo cada partícula de pele.

Seu beijo era lento e eu me sentia flutuar, subjugada pelo momento. Desfrutando tudo que ele podia me oferecer.

- Eu amo você. - sussurrei de encontro ao seu ouvido.

Jacob acomodou-se entre minhas pernas, enquanto empurrava com facilidade. Uma sensação conhecida de prazer e cumplicidade me tomou enquanto eu o sentia mover-se de forma certeira e cadenciada, apagando qualquer razão ou pensamento lógico.

Em pouco tempo éramos apenas gemidos e sussurros, perdidos naquela tarde antes maldita, seguros em nossa própria bolha de alegria.


Jacob POV


Acordei com o barulho insistente do telefone. dormia um sono tranqüilo enroscada em mim. Me peguei pensando que poderia permanecer ali para o resto de minha vida, pois nada mais me faltava.

A vida real, no entanto, cobrava a minha presença e me levantei devagar para não acordar minha linda. Puxei o aparelho barulhento do gancho e atendi sonolento, pedindo aos deuses para que não fosse mais um problema à se acumular na montanha que já pesava em meus ombros.

- Jacob, até que enfim, já estava ficando preocupado. Ninguém te achava em lugar nenhum! - era só a voz de meu pai, então pude relaxar.

- Fica frio velho, já tem um tempo que estou em casa... - então me lembrei que era ELE que eu não via desde cedo. - Onde o senhor está, pai?! - perguntei em seguida.

- Na casa de Quil Ateara, com todos os garotos do seu bando, esperando apenas você para começar a reunião do conselho. - ele disse como quem repreende.

Respirei fundo e disse um: - Estarei aí em dez minutos!

Voltei para o quarto a fim de deixar um bilhete para caso ela acordasse e se visse sozinha, mas me deparei com ela sentada na cama, os olhos um tanto assustados, procurando ao redor e se perguntando onde eu fora, com certeza.

- Amor. - chamei e ela se virou para mim com uma expressão ainda abobada de quem acordou à pouco. Não que eu estivesse melhor. - Preciso encontrar o bando e o meu pai, na cada do velho Quil. Você quer que eu te deixe em casa?

- Não, você pode me deixar na Emily. Eu aposto que as garotas estão todas lá e eu quero falar com a Kim. - ela começou a se arrumar, catando suas roupas pelo chão.

Eu a abracei pelas costas quando ela terminou de colocar a blusa.

- Eu já falei obrigado por como você me escutou e me entendeu? Já pedi desculpas por ter tentado te afastar hoje de manha? - perguntei soando adequadamente culpado.

Ela balançou a cabeça em um gesto descrente e então virou-se para me beijar na bochecha e sorriu.

- Você pode ser muito idiota Black, mas eu já aprendi como devo lidar com você. Está tudo bem agora! - e me olhou com os olhos estreitos por um momento. - Mas, é bom você saber: Não se atreva a esconder mais nada de mim! Você entendeu? Eu fui clara?

E eu apenas me encolhi e lancei à ela meu melhor olhar de submissão, entrando na dúbia brincadeira.

- Como você quiser, minha senhora!




POV


- Como você quiser, minha senhora! - Jake soou adoravelmente resignado.

- Acho bom mesmo! - Revidei prolongando o joguinho e me sentindo toda poderosa.

E então uma idéia veio até mim do que só pode ser descrito como “As profundezas da minha inconsciência” e eu me lembrei dos papeis de tutoria que davam à Marta minha guarda, eu me lembrei da necessidade dos garotos de tirar-nos dessa zona de guerra que em breve seria La Push e mais do que tudo eu entendi que tinha menos de doze horas antes de minha mãe aparecer para invalidar qualquer livre arbítrio meu.

E acho que foi isso, em resumo, que me fez virar para o meu, agora desconfiado namorado e dizer com uma voz de incrível obviedade:

- Você vai se casar comigo, Jacob Black! - e você pode notar que eu não cheguei a pedir, exatamente.

Jake arregalou seus olhos e ele pareceu até momentaneamente assustado, mas não demorou para que lançasse sua cabeça para traz em uma sonora e libertadora gargalhada. Como se estivesse ainda brincando, coisa que ele não estava, virou-se para mim e perguntou cheio de impertinência:

- A senhorita tem ao menos um anel para me dar, ou acha que vou me dar assim, sem receber nada?

E agora quem tinha uma cara de idiota era eu, já que nem ao menos pensei em nenhuma dessas ramificações do noivado ou do casamento quando o propus e me dei conta de que realmente não me importava se assinaríamos apenas em um papel ou receberíamos algumas bençãos em uma capela vinte e quatro horas, porque eu estava fazendo a coisa certa.

- Eu realmente não tenho um anel... - eu concedi quando ele parou de rir e me pegou pela cintura, me fazendo chocar contra seu peito maciço.

- Acho que você deve agradecer ao seu noivo por ser um cara tão preparado... - ele disse cheio de si e eu reparei na palavra noivo enquanto ele começou a mexer em uma gaveta ao lado da cama, ainda me segurando firme pela cintura. - Porque diferente de você... - ele hesitou pegando algo la dentro - Eu tenho um anel para te dar e tenho um pedido oficial para fazer, já que o homem dessa relação ainda sou EU.


E virou-se para mim com seu maior sorriso de garoto. Aquele mesmo sorriso que me desarmou e me venceu desde o primeiro dia. Jacob deslizou em meu dedo uma coisinha linda e delicada feita em ouro branco com uma pedra verde, aninhada em uma caminha de arabescos muito bem trabalhada. Foi então, a primeira vez em que eu vi a única jóia que eu usaria por todos os dias de minha vida sem nunca pensar em tira-la; a única que carregava um valor realmente inestimável e a única da qual eu não sabia nem remotamente a procedência, e sinceramente, nem me importava.



Jacob POV


Nunca realmente pensei que estaria me amarrando antes dos 20, mas lá estava eu tão feliz quanto todos os outros caras do bando, lê-se, Sam, Paul e Jared que já haviam se comprometido com um noivado ou no caso de Sam, casamento propriamente dito. Eu só esperava que uma alegria assim pudesse vir em tempos melhores, mas acabei percebendo que para eu e , pelo menos, as coisas pareciam estar acontecendo exatamente como deveriam ser.

Era uma sensação estranha, abrasadora... De alguma forma para nós dois, tudo era maior que o imprinting em si; nós tivemos tempo para amar um ao outro antes que o destino nos escolhesse. Parecia que eu tive tudo o que poderia pedir e mais do que um dia ousaria almejar.

Ter esperança de novo era com certeza uma grande coisa, por mais que não me permitisse senti-la a cada segundo como que me penitenciando por estar tão feliz quando corríamos, ainda, tanto perigo.

Estacionei em frente à casa de Emily, beijei minha mulher e meu filho, ainda em sua barriga e deixei-a antes que não pudesse solta-la mais. Afinal, o conselho me esperava.

- Até que enfim, cara. - Quil parecia um tanto atordoado enquanto me esperava na varanda de sua casa.

- Foi mal, eu peguei no sono. - disse a guisa de desculpa.

Quando passei pela soleira da porta respirei fundo. Estavam todos lá.

Billy parecia compenetrado enquanto falava ao telefone. Pude ouvir quando ele disse: “- Está certo, nós telefonaremos depois Sr. Cullen!”. Soube instantaneamente que ele falava com o Dr. Caninos, em quem confiava bastante desde meu acidente com o exercito de recém-criados. Parece que o pessoal já foi adiantando o assunto.
Era melhor assim.

Enquanto Billy contava sobre uma tal profecia que ele antes ignorou, eu me distanciava da felicidade pura e infantil que senti quando estava com minha nos braços e depois quando ela me pediu em casamento daquela forma abrupta e incomum com só ela poderia.

Lembro-me de estar ali totalmente aterrorizado por me encontrar no comando de tantas vidas enquanto Sam estava voltando temporariamente ao bando mas se recusou a liderar. Eu era o herdeiro de Hephraim Black, ele dizia. Eu devia assumir o meu destino!

Todos ficaram boquiabertos quando Billy repetiu as palavras da profecia e o velho Quil reforçou-as em juramento.

“ Quando o verdadeiro alfa assumir... Uma guerra sem esperança e sem razão... Os sinais: Todas aquelas, parceiras em idade fértil irão carregar os filhos do amanha.”

E então a promessa na qual todos nós estávamos colocando nossas melhores intenções. “Enquanto seus ventres estiverem cheios com a semente da esperança, nada estará completamente perdido. “

Assim devia ser, eu podia ver no rosto de cada um de meus irmãos de bando. Nossos filhos deveriam sobreviver. Proteger as garotas era nossa grande prioridade, mesmo que tecnicamente as vidas humanas como um todo viessem em primeiro lugar.

“A guerra por si, só será vencida se o orgulho vier ao chão e a ajuda impura for aceita, sem hesitação. “ - entoou Billy, por fim. E foi com grande alivio que eu recebi essas palavras enquanto me convencia de que realmente fizera bem em aceitar a ajuda de todos aqueles sanguessugas.



POV


Não pude me conter. Mesmo com toda aquela confusão de guerra, incertezas e minha mãe pairando ameaçadora sobre nossas cabeças; tudo o que eu conseguia pensar enquanto entrava pela porta da casa de Emily, era: “Eu vou me casar com Jake” e “Eu nunca pensei que pudesse amar tanto assim!”. E claro, “Eu tenho um lindo anel para exibir”.

Devo admitir que não me sentia nenhum pouco fútil.

Kim e Rachel estavam sentadas no sofá e faziam algo que depois de um tempo eu reconheci como tricô. Embora eu quisesse rir da cara delas e provavelmente ainda o faria, não pude deixar passar um pequeno sapatinho azul de bebê que já estava pronto, largado sobre o colo de Rachel.

A visão daquele pequeno e adorável objeto me fez pensar imediatamente em meu filho. Seria um menino? Moreno, encrenqueiro e completamente dócil como o pai? Ou herdaria os meus olhos sem graça que Jake insistia que eram os mais lindos olhos que ele vira em toda a vida?

Não importa o que Jacob me dissesse, eu esperava que menino ou menina, ele pudesse realmente herdar os olhos do pai. Eu ainda sentia falta de minhas lentes de contato a tanto perdidas.

- , pensei que não te veria aqui hoje! - Emily veio da cozinha, limpando suas mãos em um avental florido.

- ? - Kim finalmente me viu e veio para meu lado. - Você está melhor? Você encontrou com Jacob?

Depois de eu contar tudo o que acontecera, enquanto elas também me contavam o que sabiam a respeito do mais novo problema do bando, percebi que os outros garotos não contaram muita coisa à elas, e que no fim, eu acabei com os maiores detalhes.

Não fiz alarde quanto às coisas que Jake me contara e em certa altura comentei sobre o casamento com Kim e Rachel que começaram a comemorar como se elas mesmas não estivessem prestes a se casar.

Kim pelo menos estava, já que Rachel fez um grande caso quando Paul a pediu e ele achou melhor deixar a raiva dela esfriar para pedir de novo em uma ocasião melhor. Acho que minha cunhada ainda guardava certa magoa de ter engravidado por mais que se mostrasse tão apaixonada por seu bebê quanto nós estávamos pelos nossos.

A imagem de Jake me implorando para deixar La Push, no entanto, passou a povoar meus pensamentos depois de um tempo e não queria sumir de jeito nenhum. Eu tive a impressão de que os outros garotos queriam a mesma coisa pelo pouco que Emily me disse sobre a possibilidade de se mudar de volta para Makah, para a casa de sua irmã, temporariamente.

Nenhuma de nós queria ir embora, muito menos abandonar nossos homens nessa hora tão sombria. Mas cada uma tinha a plena consciência de que não poderia decidir apenas por si e se as coisas ficassem realmente perigosas – e que os deuses nos livrassem disso – nós precisávamos pensar primeiro em nosso bebês.

Éramos fracas e inúteis em uma guerra como essa. Não passávamos de distração para os rapazes quando eles precisavam, de fato, estar focados em algo maior. Não adiantava gritar e chutar. Não mudaríamos o fato de que não tínhamos nada a oferecer além de nosso amor, que na pratica, não parava exércitos.

Considerei que seria muito fácil para cada uma das mulheres ali, seguir o exemplo da pequena Claire, que com certeza iria ao chão em birra quando Quil a levasse de volta para os pais, mas nenhuma de nós poderia se dar ao luxo de ser assim tão imatura e impulsiva. Não mais.

Acho que poderia dizer que pela primeira vez na minha vida, a palavra “responsabilidade” soou pra mim como algo mais que muita chatice. Era tempo de por a cabeça no lugar e manter o coração fiel para suportar aquilo que não se pode controlar.

Como se para nos lembrar o porque nossas bocas estavam tão caladas e nossas mentes tão cheias, os garotos irromperam na sala de Emily algum tempo depois do anoitecer parecendo tão abatidos e assustados como nunca os vimos.

Eu caminhei até Jake e o abracei pela cintura colocando minha cabeça junto ao seu coração assim como Rachel fez seu caminho até Paul, Emily até Sam e Kim alcançou Jared.

Parecia que aquelas 24 horas tinham durado 24 dias quando eles se puseram a contar sobre a reunião do conselho e a estranha profecia que envolvia todas nós.

Ninguém parecia querer voltar para suas casas e dormir, como se mesmo todo o esgotamento não fosse capaz de derrubar os muros de medo que foram construídos ao redor de cada um de nós.

Resolvi assumir então a liderança de todas aquelas caras desgastadas e trazer um pouco de diversão, falando sobre um assunto também importante, mas completamente agradável.
- Acho que você esqueceu Jacob, que minha mãe estará na porta da minha casa assim que amanhecer. - eu falei alto e os outros garotos começaram a rir do meu tom quando cobrei. - Você vai se casar comigo ou não vai? Nós temos só essa noite!


Capítulo 25 - SIM!!!

Kim POV


Quando colocou Jacob contra a parede pressionando-o para casar-se com ela antes que o dia nascesse todo mundo apenas riu, mas com o tempo, não muito, nós fomos percebendo o quanto ela falava serio. E então começou o frenesi, a grande correria para encontrar uma daquelas capelinhas 24 horas que casam qualquer um que tiver 18 anos ou permissão de um responsável e todos de repente estavam ajudando nos preparativos.

Se fosse só a questão da igreja ou de vestir a noiva e conseguir uma ceia para os poucos convidados, que se resumiam ao bando e o conselho, no entanto, não estariam todos malucos.

Mas é obvio que um casamento para , era um casamento a ser celebrado com tudo o que houvesse de exagerado e pomposo mesmo que tivéssemos o incrível prazo de duas horas e tudo precisasse ser feito no interior de Washington onde as únicas coisas abertas após as 22:00hs fossem lojas de conveniência de beira de estrada no caminho entre as varias cidadezinhas inúteis.

O que facilitou tudo, embora tenha criado certo atrito com os garotos foi que Seth estava na ronda, que agora parecia passar mais perto da casa dos Cullen do que de costume e enquanto ele pensava sobre nossa missão impossível, o vampiro leitor de mentes acabou captando parte de seus pensamentos e decidiu que os Cullen ajudariam Jacob em tudo o que fosse possível e logo havia uma mulher chamada Esme ligando para a casa dos Black e combinando um monte de coisas com Rachel e Emily.

Claro que o Jake rateou e recusou qualquer ajuda mas conversou com a tal Esme apenas uma vez para se convencer de que ela era a pessoa de melhor gosto em todo o estado e certamente aceitaria qualquer ajuda sim, muito obrigado.
Acho que ninguém entendeu muito bem o porque dos Cullen procurarem se meter em algo tão pessoal mas eu ouvi Billy comentar com o velho Quil que era bom para fortalecer a aliança e que não haveria nenhum problema enquanto eles permanecessem do lado deles da fronteira.

- Acho que vou convidar Esme e a família dela. Jacob explicou que eles são vampiros bonzinhos. - divagava enquanto eu prendia seu cabelo com vários grampos em um penteado elaborado. Eu duvidava muito que Jacob tivesse dito a ela que os Cullen eram “bonzinhos” mas não refutei. Era bem impossível ela conseguir permissão para tal coisa.

Olhei para minha amiga enquanto ela se levantava e eu a ajudava a fechar o vestido branco de algodão e renda que já tinha e que Emily arrumou de ultima hora, soltando as costuras da cintura.

- Talvez eu não use sapato... - ela disse um tanto sonhadora, enquanto eu procurava a valise de maquiagem. - A noite está seca e quente e parece que vai continuar assim. Sam disse que poderia arrumar a praia para um luau se não fosse chover.

“Bom”, pensei. Muito bom mesmo. A praia devia estar bem bonita, já que tínhamos uma grande lua cheia no céu, desde que o sol se foi.



POV


Sim, eu estava nervosa. E sim, era o maior clichê. Mas quem liga?

Tudo estava uma zona e eu só conseguia pensar que não daria certo.

Então, como eu reagia: Eu gritava e comandava as coisas eu mesma para que tudo acontecesse? Eu fazia tudo eu mesma para que fosse mesmo acontecer? Eu me enchia de confiança e me lembrava de todos os artigos da Cosmo que eu li sobre controle do estresse?

Não.

Por alguma razão, meu nervosismo e meu pânico me transformaram em uma grande ameba, completamente inútil que não conseguia fazer mais nada a não ser sentar-se em uma cadeira deixando que Kim me arrumasse. Sim, a Kim! A mesma pessoa a quem EU ensinara como usar um rímel.

Se eu fosse um computador eu estaria travada em uma pasta de arquivos que minha dona nunca realmente quis acessar, mas como eu era uma noiva adolescente e grávida cujo casamento aconteceria algumas horas depois do pedido formal e a festa após a cerimônia dependia unicamente da boa vontade do céu de Washington em não chover como de fato ele chovia praticamente todo dia, acredito que eu estava em estado equivalente. Digo, travada era uma boa palavra para mim agora.

Eu me sentia com metade da minha capacidade e as vezes eu tinha algum pico de adrenalina onde eu conseguia gritar com alguém por infames cinco segundos para depois cair em completa catatonia.

Você pode pensar que era muito estranho para alguém tão confiante como eu, estar assim com tanto medo por coisas básicas como: “Meu noivo vai aparecer? Nós teremos comida para os convidados? Nós teremos convidados?

Mas eu desafio você a se casar antes de me julgar por qualquer uma dessas psicoses, porque afinal, tudo estava muito divertido quando eu pedi Jake em casamento e ele aceitou e me deu um lindo anel e todos os nossos amigos se divertiram com o desafio de preparar tudo em uma noite antes que minha mãe retomasse minha guarda e invalidasse o casamento...

Não é divertido tentar achar decoração as 23:00hs no interior de Washington. Não é divertido resumir sua lista de convidados às vinte pessoas mais animadas que concordaram em aparecer às 4:30 da manhã. Não é divertido que seu namorado seja um ser sobrenatural super gostoso que teve um caso com uma outra mulher antes de te conhecer e ficou morrendo de dor de cotovelo e essa mulher agora retornou, fatal e super poderosa. E é menos divertido ainda que a maldita vampira esteja completamente magra quando você não pode mais esconder sua barriga de quase cinco meses e se sente o mais completo lixo.

Nunca antes na vida eu passei pelo pânico de ver uma roupa minha ser “alargada” para que ela entrasse em mim.

E é claro que meu vestido de noiva não foi um modelo especialmente desenhado para mim com trocentos meses de antecedência. Ele não passava na verdade, de um modelo Chanel de duas coleções atrás ao qual Emily precisou fazer ajustes na cintura.

- Você está tão linda, filha! - Marta falou com a voz embragada quando Kim terminou a maquiagem.

Ela estava sendo sincera e eu não consegui não sorrir para ela mas minha vergonha permaneceu e meu medo ainda ficaria alojado ali no meu estomago até eu ter certeza de que Jacob não fugira do altar, me abandonando por eu não ser mais a garota cheia de classe e distinção que ele conheceu.

Sera que ele ainda conseguia me achar, pelo menos bonitinha? Pouco provável.


Jacob POV


As coisas estavam acontecendo. Parecia que não daria certo no inicio mas eu precisava reconhecer que aceitar a ajuda da mulher do Dr. Presa fez uma grande diferença e eu com certeza bateria menos no Seth por ter exposto os MEUS problemas pessoais para toda a família “Vampiros prontos à ajudar”.

Não me deixavam ver e isso me irritava mas eu era capaz de entender a superstição besta de que o noivo só poderia ver a noiva quando já estivesse no altar.

É claro que ela estaria ainda mais linda. E é claro que doía muito pensar que esse pudesse ser nosso ultimo momento juntos já que ela agora não se opunha em ir com sua mãe para Los Angeles, enquanto as coisas não se resolviam por aqui.

- Jacob, cara, que olho de peixe morto é esse? - Quil me deu um tapão nas costas como se eu tivesse me engasgado com alguma coisa. - Você vai se casar com a mulher da sua vida. Cadê o meu sorriso? - ele era mesmo um idiota.

Virei meus olhos sem poder me impedir e Jared entrou no quarto onde eu acabava de vestir o paletó Branco que Rachel me arrumou sabe-se onde.

- Sam já foi buscar o tal pastor. - ele falou, tomando o lugar de Quil ao meu lado no espelho e arrumando o próprio cabelo. - Dá pra acreditar que essas capelinhas ficam realmente 24hs abertas? Sempre achei isso tão inútil e veja que nos salvou a pele, não é mesmo?

Mantive meus olhos abaixados e minha consciência estava mesmo pesando. Por mais que o otimismo me dissesse que seria um grande momento mesmo que estivéssemos sozinhos no meio de um deserto eu sabia ao que estava acostumada e me penitenciei realmente por fazê-la perder todo e qualquer sonho que ela pudesse ter tido com essa data.

Era inevitável não pensar se ela estaria mesmo satisfeita ou se ela iria, por fim, perceber que eu não tinha quase nada a oferecer em vista do que ele sempre teve.

Parecia que a qualquer momento, minha poderia seguir o pensamento obvio de que estava perdendo muita coisa em se enterrar aqui no “fim do mundo” como ela chamava La Push e então ela correria para os braços do Tio Oliver ou para qualquer outra direção contraria à mim e eu não estaria apenas destroçado pela falta da mulher que amo mas ela levaria consigo nosso filho, a quem eu não acreditava merecer, tão pouco.

Nós deixamos que o nosso desesperado amor nos consumisse e não pensamos em mais nada. Será que esse amor era bastante para ela?
Será que ela continuaria achando justo renegar todo aquele luxo por mim, por nós?

Acho que os noivos também ficam nervosos, no final.


Alice Cullen POV

As imagens passavam por minha mente em um turbilhão descontrolado. Apoiei-me em Jasper e paramos de correr por um instante para que eu tentasse mais uma vez focalizar o futuro que tanto buscava sem sucesso.

Nossa família devia estar verdadeiramente confusa com minha aparente deserção embora eu tenha certeza de que Bella acharia o bilhete que deixei para ela avisando que deveria chamar os lobos como aliados e também as coordenadas do advogado que cuidava de todos os papeis da família para que ela livrasse a criança na ultima hora se realmente nada fosse nos salvar da guerra que eu previ contra os Volturi.

- Alice, talvez seja melhor você me esperar por aqui enquanto eu confiro o ultimo endereço de Peter! - Jasper dizia serio, percebendo o quanto eu estava abalada.

Nós estávamos arrecadando aliados enquanto buscávamos por minha mais estranha visão dos últimos dias. A visão de um rapaz em uma floresta tropical que tinha as mesmas características que meu querido sobrinho E.J. e que parecia-me nossa maior esperança.

Eu não tentei dissuadi-lo e fiquei realmente esperando, a beira de uma clareira encostada a uma grande e frondosa arvore.

Em todos os meus anos como imortal, os únicos de que lembrava em minha existência, nunca me sentira realmente cansada como me sentia agora. Acho que a falta de esperança faz isso a você. Deixa-o miserável e anula suas forças, mas foi nesse momento que algo mudou.

Apareceu diante de mim, no que claramente identifiquei como mais uma visão, uma garota loira que nunca tinha visto, ela estava aninhando sua grande barriga de grávida e um homem, um vampiro, a olhava com muito carinho e um traço imediato de dor. Ele jurava a ela que protegeria a todos que ela amava e enquanto ele fazia seu juramento sincero um relance nublou essa visão. Eram os Volturi, dando as costas a uma grande e irregular formação de aliados onde eu via Carlisle e meus irmãos e também alguns lobos agrupados. Eles estavam desistindo.

Em algum lugar dentro de mim, reuni forças e fiz o que poderia ser chamado de prece enquanto torcia para que esse vampiro mantivesse sua palavra com aquela humana desconhecida para mim.

E então me pareceu que depois de todo esse tempo eu finalmente tinha no que acreditar.



POV


Tudo bem , você pode fazer isso! Ele estará lá, ele te ama e você ainda não está tão gorda assim, foram só quatro centímetros de cintura, nada demais...

Nada DEMAIS? NADA demais?

Tudo demais!!!

- “Eu nunca em toda minha vida ganhei esse peso todo”!

- Você está grávida, pelo amor de Deus! - Disse Kim enquanto me ajudava a sair do carro, que pelo menos era uma Mercedes e que a doce vampira Esme fez o favor de nos emprestar em cima da hora.

Eu não havia me dado conta de que falara a ultima parte de meu pensamento em voz alta. Estava realmente mais desequilibrada do que jamais me lembrava de ter estado.

Sabe quando as pessoas dizem que sua vida passa como um flash diante de você quando está em perigo e pensa estar prestes a morrer? Pois então, eu acho que isso também vale para o instante em que você está prestes a se casar.

Pelo menos eu sei que eu passei por isso já que tudo que eu pensava antes sobre ser abandonada no altar foi totalmente agravado pelos meus outros muitos medos que me jogavam de cara na realidade a cada segundo:

Eu tinha 17 anos e estava grávida e iria me casar. Eu não tinha terminado nem ao menos o Ensino Médio, talvez minha mãe me deserdasse no momento em que descobrisse do casamento, o que seria muito em breve, do tipo, em menos de quatro horas; meu pai ainda estava aparentemente em coma, não que ele fosse me ser de muita ajuda. O meu amor, o meu Jake, estaria correndo risco de vida em uma batalha com um bando de vampiros malvados em aparente vantagem e eu nada poderia fazer sobre isso quando já tinha concordado em ir com minha mãe pela manha de volta a L.A., não que se eu ficasse, minha patética condição de adolescente grávida fosse útil para qualquer coisa.

Como minha cabeça não tinha explodido ainda? Como eu não cai dura?

Eu tinha quase certeza de ter esquecido a resposta quando percebi que Kim e Marta realmente me arrastaram até uma esteira trançada que cobria o chão e era cercada por adoráveis tochas ornamentadas no meio da First Beach enquanto o primeiro sol da manhã, muito tímido, ganhava o céu.

Eu quase esqueci dos meus maiores motivos para continuar, mas eu disse QUASE, porque quando eu olhei para frente e meus olhos bateram de encontro com os olhos negros e profundos, cheios de amor, do meu Jacob, eu não senti mais medo. Eu não conseguia me lembrar de qualquer um dos meus problemas e eu tive de forçar ar nos meus pulmões para caminhar até ele no pequeno altar cheio de flores brancas que iam se azulando na luz das chamas e os poucos raios de sol.




Jacob POV


- Cara, você vai abrir um buraco no chão! - Embry me encheu o saco por estar andando de um lado à outro do altar enquanto as ultimas coisas da decoração eram postas em seus devidos lugares.

Eu tentei ajudar, mas Rachel gritou comigo que eu era o noivo e não poderia estar todo suado e cheio de folhas verdes quando minha noiva chegasse.

A minha noiva!

Eu não parava de pensar nisso. Eu estava mesmo prestes a me casar com . Não era uma coisa muito fácil de se acreditar, quer dizer, quem imaginaria que uma garota como ela fosse querer um cara pé-rapado como eu? De alguma forma e de todas as formas, eu estava grato que as coisas pudessem ser malucas assim, o suficiente para ela me amar.

E eu só tinha ela na cabeça como se fosse mesmo possível esquecer uma guerra e mais um batalhão de problemas.

Tremia de expectativa e até parecia que EU era a noiva. Não tinha como estar mais pilhado do que eu estava. Os caras do bando passavam por mim tirando sarro vez ou outra e apenas Quil não dizia nada sobre como meu olhar bobo vagava pela entrada do estacionamento de cinco em cinco segundos esperando o carro dela chegar.

Tudo bem que ela adorou que os Cullen fossem emprestar o carro da noiva e eu não achei nada bom, mas não me opus tão pouco, na esperança de dar a ela realmente tudo a que ela pudesse ter acesso.

Essa garota me tinha na coleira, feliz por estar aprisionado. Não via a hora de dizer um SIM alto o suficiente para ser ouvido do outro lado da costa.

Acompanhei cada um de seus passos assim que Marta e Kim a ajudaram a sair do carro. Como ela conseguia estar ainda mais linda?

O vestido se ajustava nos seios que tinham aumentado consideravelmente depois da gravidez e seu decote me fazia querer tapá-la imediatamente para impedir os membros mais novos do bando de babarem o tanto que eu via eles babarem em cima da minha mulher.

Seus cabelos estavam presos em uma trança frouxa cheia de florzinhas brancas minúsculas e seus grandes olhos cinza se fixaram em mim assim que ela cruzou o tapete que cobria a areia e a guiava ao altar.

Eu nem preciso dizer que não vi mais nada então, preciso?

Só existia eu e ela por mais que todas as outras pessoas continuassem ali. Minha super audição sumiu totalmente, ou devo dizer que se concentrou, em um único ponto. Ela.

Vi quando respirou com dificuldade e quando sorriu pra mim como se nunca tivesse sido mais feliz fazendo com que eu segurasse uma lagrima de alegria com todas as minhas forças para não ser ainda mais zuado quando Embry me deu um soco no ombro e disse: - Vai lá cara!

E eu a encontrei no meio do caminho, lhe oferecendo o meu braço e percebendo seus pés descalços que a deixavam adoravelmente baixinha perto de mim.

Ela tremia e mais de uma lagrima já tinha escorrido por suas bochechas quando chegamos à frente do pastor que Sam trouxera minutos antes de ela chegar.

Tudo pareceu ficar suspenso e nós dois não demos nenhuma atenção ao pobre homem enquanto ele proclamava o que devia ser dito para nos casar.

Lembro-me no entanto, claramente, quando ela disse sim e sua voz estava rouca de chorar, como eu nunca realmente pensei que ela fosse demonstrar seus sentimentos assim, na frente de outras pessoas.

E então a pequena Claire entrou morta de sono e cambaleando, fazendo com que Quill a apanhasse na metade do caminho e terminasse a distancia entre nós com as alianças nas mãos. Alianças que foram de meu pai e minha mãe e ele as deu para mim de ultima hora mas de coração.

Meu sim soou mais seguro do que qualquer coisa que já tenha dito e eu agradeci o dia em que a sorte me trouxe . Aquela patricinha mimada e prepotente que não conseguia nem assim esconder seu grande coração. Os sentimentos mais nobres e meigos que eu já conhecera em uma pessoa mesmo que soterrados, por vezes, em sua teimosia troiana.

O homem nos declarou casados e Marta assinou a permissão depois de mostrar os papeis que a tornavam legalmente tutora de Violet Gerard Beafarth , que agora, a pedido dela mesma seria chamada apenas de Black.




POV


- Jacob vá logo pegar essa água! - eu empurrei seu ombro e ele continuou lá sentado na cadeirinha de pobre da nossa recepção, sem fazer nada. Que marido mais inútil eu fui arrumar. - Jaaaaa-ke, por favor... - eu apelei para um bico infantil. - Por favorzinho!!!

- , eu te trouxe uma bebida a uns cinco segundos atrás, qual é o seu problema amor?! - ele virou-se para mim interrompendo sua animada conversa com Embry e um outro rapaz que eu nunca vira na vida, que estava ali por La Push e foi arrebanhado para a festa de casamento junto com mais um monte de gente que eu desconhecia.

- Jacob Black, eu estou grávida do seu filho e nós acabamos de nos casar, dá pra pegar a porcaria da água! - eu quase gritei. Só não gritei porque ainda tinha classe. No momento ela era bem pouca, mas ainda existia.

- Falou a patroa! - Embry caçoou e eu lancei pra ele o meu melhor olhar de “tira o olho desse ultimo par de sapato”. Vi o imbecil murchar rapidinho.

- Amor, eu não me importo de pegar a sua água. - Jake virou-se para mim de forma carinhosa desfazendo o meu bico e toda a minha manha irritante.

Então ele se levantou e foi atrás da maldita água.

Sim, eu estava tentando chamar a atenção dele e sim, ele de fato vinha fazendo tudo o que eu queria desde antes mesmo da cerimônia. Eu estava sendo uma chata nojenta e estava amuada com uma cara de poucos amigos e mal cumprimentei qualquer dos meus convidados.
Eu posso culpar meus hormônios no momento, embora eu saiba que a verdadeira razão estava justamente na perspectiva de deixar meu lindo marido para traz e voltar para uma realidade que não era mais a minha, acompanhada de minha mãe, que por si só já é um bom motivo para pânico, sempre.

Vi Kim interromper sua dança lenta e ela estava caminhando até mim. Jared passava agora pela mesa de frios que ficava do outro lado da pista, outra vez em menos de vinte minutos. Esses meninos realmente se alimentam como monstros.

- Você está com essa carinha abatida desde o fim da cerimônia! - ela me censurou.

Dei língua para ela.

- Pra onde você vai? Quando os garotos forem... você sabe! - perguntei depois de um tempo, quando Jake já havia voltado com a água e ela continuava ali, sentada, me fitando vez ou outra interrogativamente.

- Talvez eu vá para Makah com Emily, mas eu ainda não sei realmente. - agora ela estava tão desanimada quanto eu.

Rachel passou por nossa mesa pegando a conversa pela metade.

- Também não quero voltar para Seattle! – ela exclamou enquanto prendia os cabelos em um nó. Parecia cansada de correr de um lado para o outro providenciando tudo. E eu devia estar agradecendo a ela em vez de fazer minha cara de ingratidão e fossa.

- Se pelo menos agente fosse para o mesmo lugar... - Kim suspirou.

E então a luz se acendeu na minha cabeça. É claro que poderíamos ir todas para o mesmo lugar, afinal, minha casa em Beverly Hills tinha, sei lá, uns cem quartos e eu com certeza precisaria de todo o apoio de minhas novas amigas quando voltasse para minha antiga escola, mesmo que por algumas semanas. Respirei fundo e uma certa euforia me atingiu. Me virei para elas com novo animo.

- Então meninas, vocês já foram pra Califórnia?




Oliver POV


Cheguei à Seattle no começo da noite. Meus sentimentos se digladiavam, fazendo de mim um homem de duas faces, mas principalmente, tornando-me alguém com dois corações; ambos partidos.
era Eleanor, e ao mesmo tempo, minha fé se esvaia ao vê-la apaixonada por aquele maldito Lobo. A angustia floresceu em meu peito morto, em descobri-la agora, grávida dele.

Pensava sobre as possibilidades de que ela jamais concordasse em dar voz ao meu amor, e se ela não concordasse, o ritual jamais poderia se realizar e eu nunca mais a teria para mim. Por outro lado, eu aprendera a amar aquela pequena garotinha de madeixas loiras que antes mesmo de aprender a andar já tentava dizer meu nome, enrolado em sua vozinha de criança: Dindo Oiver!

Eu nunca me apegara a nenhum humano até que ela nasceu, mas quando a vi e quando soube quem ela de fato era, foi impossível não me apaixonar, também, por , a garota por traz de meu grande amor. A doce e impetuosa, quase tão corajosa e vital quanto minha Eleanor.

Minha Eleanor, que foi tirada de mim, na mesma noite em que me tornei um imortal. Ela foi levada pelos mesmos homens que me perseguiram, os quais entendi pouco tempo depois, não eram como homens comuns.

Jurei nunca esquecer o nome ao qual atribuíram essa ordem, a ordem de tirá-la de mim, mesmo que ela levasse minha criança em seu ventre. Os soldados conversavam sobre Caius Volturi quando a fútil vampira Liana roubou-me do cativeiro para morder-me e dar-me essa vida, acreditando que eu poderia amá-la ou pelo menos servi-la adequadamente.

É claro que me informei a seu respeito. Caius... Caius Volturi. Um poderoso guardado por poderosos e um tirano. O mesmo monstro que seqüestrou minha mulher grávida apenas para que ela fosse fruto de uma de suas hediondas experiências com humanos. E mesmo depois de me informar a respeito, depois de descobrir coisas impossíveis através de fontes ainda mais improváveis, aqui estava eu, atado até o ultimo fio de cabelo.

A vingança parecia um prato que eu nunca seria capaz de degustar.

Até aquele momento na floresta onde pude ouvir os garotos-lobo e aquele nome foi outra vez mencionado. Dessa vez, talvez, como uma única oportunidade, eu estivesse próximo o suficiente de meu inimigo.

Mandei reunir meu pequeno clã. Apenas os poucos vampiros que se juntaram a mim ao longo desses séculos, ou aqueles filhos que eu mesmo transformei por fraqueza e solidão.

- Senhor, todos lhe esperam na sala. - meu mordomo avisou-me assim que cheguei à mansão, um lugar que eu mantinha como a um covil apenas para reunir-me à eles ocasionalmente e controlar os negócios na região. Eu fazia as leis por aqui.


De um lado minha indiferença pela causa daqueles cachorros imundos e de outro meu amor por e minha chance de vingar Eleanor.

Seria uma noite longa, muito longa.



Capítulo 26 - Mais que amigas!

Jacob POV


Rachel me chamou no canto quando já estava na hora de eu levar para casa de Marta e fazê-la descansar um pouco antes que sua mãe chegasse.

- Maninho, eu tenho uma surpresa para você! - minha irmã sorriu toda alegre, como ela estava desde que minha mulher – era ótimo chamá-la assim - decidiu que estava levando todas as garotas para a Califórnia junto com ela.

Eu e os caras não sabíamos se estávamos agradecidos pela enorme distancia que as manteria seguras, se estávamos ainda mais deprimidos pela certeza de que todas elas estavam indo embora em algumas horas ou se estávamos totalmente putos com a grande quantidade de confusão que isso poderia gerar, enquanto estaríamos aqui, do outro lado do país lidando com alguns malditos sanguessugas que não tinham nada melhor para fazer do que acabar com nossa paz.

- Diga Rachel! - eu tentei alguma animação mas ela fez uma careta para a minha pouca vontade.

- Eu vou fazer sua alegria, tome! - e ela me estendeu a chave da nossa casa, o que fez com que eu cogitasse chamar o Paul e delatar minha irmã por beber durante a gravidez porque, de outra forma, o que ela achava que estava fazendo em meu favor, dando-me a copia dela da chave lá de casa?

Quando eu não estendi a mão para apanhar a tal chave, ela pegou minha mão e fez isso ela mesma.

- Eu já tenho uma copia da chave de casa, Rachel! - eu insisti procurando Mily com os olhos e começando a perder a pouca paciência. - De qualquer forma eu vou levar antes...
- Como você é burro garoto! Eu sabia que mamãe tinha te derrubado de cabeça quando era bebê. - Era Rachel quem me olhava irritada agora. - Agora escuta aqui e vê se faz o que eu mando... - ela franziu o cenho e então uma expressão cansada e resignada se formou antes que ela maneirasse sua voz e falasse gentilmente:

- Eu não vou te contar nada porque é surpresa, mas eu devo te adiantar que você não levará para a casa de Marta, você levará ela lá pra casa e vocês tem dois dias antes que eu e Marta entreguemos a localização de vocês para a mãe dela. Não se preocupe que eu cuidei de tudo e não me agradece agora. Pega a sua patricinha e some daqui, certo Jake?

Mais dois dias com a minha ? E eu que pensei que ia ser só um beijo na testa e um depressivo “até logo” sem muita certeza do “logo”.

É claro que não fiquei mais nenhum segundo lá tentando entender o que era a tal “surpresa” da Rachel. Fui atrás da Sra. Black e não esperei que minha irmã colocasse minha capacidade mental em duvida ou tentasse me dar outro sermão.



POV


- Jake, dá pra me contar porque exatamente nós não estamos a caminho da minha... OMG!!!

É claro que eu estava apenas tentando arrancar uma desculpa convincente do meu marido – era ótimo chamá-lo assim – enquanto ele me erguia no colo, mesmo após todo o meu ganho instantâneo de peso e me conduzia da forma mais tradicional e brega possível, porém ainda fofa, para dentro da casa dele e não para meu quarto na casa que eu dividia com Marta, onde eu deveria estar agora esperando por minha mãe e me resignando a dizer adeus a tudo que me fez feliz até hoje em minha vida.

Mas então ele abriu a porta. Jake me apoiou sem esforços com um de seus braços enquanto o outro girava a chavezinha na porta e assim que eu vi o interior da casa eu não pude evitar:

Meus olhos saltaram realmente das orbitas, não de um jeito figurativo; e eu dei um gritinho totalmente vergonhoso saltando do colo do Jake e correndo pela sala.

Haviam tantas pétalas de rosa vermelhas e brancas espalhadas pelo caminho e a maioria dos moveis fora retirada, enquanto uma grande cama havia sido montada na sala, que era o maior cômodo da casa, de modo que a residência dos Black estava agora, igualzinha a uma suíte de hotel. Nada tão cinco estrelas mas tão charmoso quanto, talvez até mais.

- Caramba! - exclamou Jake que parecia não ter mais noção do que acabávamos de encontrar do que eu tinha. Ouvi ele balbuciar um: - “Então era disso que ela estava falando!” mas nem dei atenção. Apenas pulei na cama como se tivesse três anos oura vez e tudo pareceu tão certo que eu até me esqueci de meu recente mau humor e meus muitos problemas.

Nunca subestime o poder dos lençóis de linho egípcio que Marta com certeza tratou de desempacotar de algumas malas que nunca abrimos.

- Eu não acredito que as garotas fizeram tudo isso e ainda assim arrumaram nosso casamento. Elas são mais que amigas!!! - eu consegui dizer quando Jake arrancou seus sapatos e sua camisa e veio se juntar a mim. Me aninhei de encontro ao seu calor e beijei seu tórax exposto enquanto brincava distraída com meus dedos em seu abdômen.

- Rachel me disse que nós temos dois dias! - ele quase ronronou de encontro ao meu ouvido.

- Isso é sério? - eu parti minhas pernas e subi em cima dele, uma coxa de cada lado de seu quadril.

- Muito sério! - ele deu seu grande sorriso matador pra mim e eu me senti totalmente acordada como se não estivesse morta de cansaço e cheia de sono.

- Isso aqui tá mesmo lindo! - eu dei mais uma olhada ao redor notando agora algumas velas e alguns ramalhetes de rosas em jarros de cerâmica branca espalhados pelo aposento. E então me perguntei onde estariam todas as outras coisas que compunham a casa.

- O que será que tem na cozinha? - Jake parecia levar seus pensamentos para os mesmos padrões.

Saltei da cama e tratei de soltar a frente de meu vestido.

- Abre o zíper pra mim, amor. - eu pedi enquanto me livrava também dos enfeites de cabelo e jóias, deixando-os em uma cômoda clara logo a frente da cama.

- É sempre um prazer! - Jake me atendeu prontamente e plantou um beijo no meu ombro me fazendo arrepiar.

- Calma garotão, eu preciso de um banho! - sorri pra ele sem muita convicção enquanto era mais uma vez colocada no colo, como uma boneca de pano, e levada até o fim do corredor, para o banheiro que eu já conhecia, mas que agora estava quase tão arrumado quanto todo o resto.

- O que é isso aqui? - Jake balançava um pequeno frasco com o que devia lhe parecer areia e sua expressão confusa quando se virou, me fez rir ainda mais com aquela grande onda de contentamento que me tomava. Eu estivera me perdendo em suas formas musculosas e suas costas perfeitamente delineadas em V, agora que ele vestia apenas uma boxer branca.

- São sais de banho meu amor! Aposto que Rachel andou pesquisando bastante em meu quarto e agradeço por isso.

Ele deixou o frasquinho onde o tinha achado.

- Traz pra mim! - eu disse enquanto fechava a torneira, vendo que a banheira já estava quase totalmente coberta com água.

Tirei o roupão que achei em nossa “suíte”, logo quando me livrei do vestido, me impressionando ainda mais com a riqueza dos detalhes aos quais Rachel se dedicara e confesso que me senti um pouco esquisita só com meu conjunto de renda La perla, agora que eu não tinha um abdômen tão reto quanto antes.

Não pude disfarçar meu constrangimento e abracei minha barriguinha de grávida já muito saliente como se assim pudesse fazê-la sumir e então continuar atraente como eu julgava ter sido. Jake obviamente percebeu e ele não é muito famoso por sua delicadeza.

- O que está escondendo aí? - perguntou com uma pontada de divertimento que me irritou um pouco.

- Nada... - eu desconversei.

- Não tá com vergonha de mim está? - ele sorriu ainda mais e eu comecei a ficar realmente irritada quando pude ver através de seus divertidos olhos negros todo o discurso do “não tem nada aí que eu já não tenha visto”.

- Pode se virar, por favor!? - eu confesso que exigi, na minha voz de poucos amigos.

- Não! - ele disse cortando um pouco seu divertimento e me avaliando mais seriamente. - Você é minha mulher e eu já te vi nua! - disse então justamente o que minha mente psicótica estava esperando para pirar completamente.

- Sai! - eu exigi mas não pude controlar o tom choroso que me dominou. De repente nada mais parecia perfeito. Eu estava com medo e muitas coisas confusas passeavam por minha mente, sendo que a maioria carregava o mesmo slogan de: Você está realmente gorda e ele vai te odiar!

Nunca pensei que eu me sentiria tão pequena e tão pronta a abrir vergonhosamente o berreiro. Mas para minha total surpresa, Jake apenas olhou-me carinhosamente e ignorando minha birra veio até mim, sem sorrisinhos matreiros e sem qualquer olhar de desprezo que eu pudesse temer.

Ele veio até mim e me abraçou na borda da banheira onde eu estava estática.

- Você é linda, sua boba! Você é a garota mais linda, sexy, cheirosa... - ele aspirou meus cabelos – E a garota mais perfeita que qualquer cara poderia desejar. - e então ele desatou habilmente o meu soutien enquanto dava novos beijos em meu ombro e apertava levemente os meus seios, me distraindo, me subjugando e me fazendo tão segura pelo simples fato de que ele me entendia, talvez melhor que eu mesma e ele parecia me aceitar de qualquer forma.

- Você é minha! - ele me olhou sério demais por um momento. Seu desejo e seu amor queimando em seus olhos escuros. - Não há nada que eu não faria por você e por nosso filho. - e ele tocou minha barriga com carinho tirando-a do esconderijo de minhas próprias mãos. - E eu pretendo ter você por quanto tempo você me quiser, mesmo que você esteja com cinco, sete ou nove meses de gravidez, porque Sra. Balck, você não tem ideia do quanto é GOSTOSA.

E eu tive que rir com essa. Fazendo minhas lagrimas caírem de alegria e não mais por confusão. Até que meu marido, a quem eu poderia devolver o mesmo elogio, me despiu por completo e me deu o melhor banho de banheira que eu jamais sonhei tomar.




Jacob POV



dormia completamente relaxada em cima do meu peito enquanto eu via sua face de anjo distender-se em pequenos sorrisos, durante o que me parecia ser um sonho bom.

Dentro de um sonho era como eu me sentia, protegido por uma redoma onde nada poderia nos atingir e nossa inevitável separação não parecia assim tão inevitável.

Minha casa estava irreconhecível e eu deveria agradecer eternamente à Rachel pelo cuidado e dedicação com o qual arranjara, sabe-se Deus como, todo aquele lugar e toda aquela situação para que nossa “lua-de-mel” não passasse em branco.

O telefone que estava ao lado da cama de casal e era a única coisa que nos ligava ao mundo lá de fora, soou apenas uma vez antes que eu o atendesse, preocupando-me em não acordar minha linda mulher adormecida.

- Jacob? - era a voz quase pesarosa de minha irmã.

- Oi Rachel, muito obrigada! - eu praticamente cochichei de encontro ao aparelho.

- Ah, eu só queria que vocês tivessem o seu tempo. Ela está dormindo? - perguntou, percebendo que eu me esforçava para que minha voz não soasse completa.

- Sim, não quero acordá-la! Muito obrigada mesmo maninha, você é a melhor! - eu insisti e pude ouvir uma risadinha do outro lado da linha que me garantia que Rachel estava bastante feliz consigo mesma.

- Jake, eu odeio interromper mas vocês precisam se arrumar. A mãe dela estará aqui em umas duas horas pelo que Marta me disse e nós já estamos todas prontas para... - e ela não conseguiu terminar a frase, parecendo subitamente deprimida. - É isso aí Jake, te esperamos aqui! - disse por fim e depois de mandar um beijo à ela desligou, me tirando de dentro da minha redoma e me lembrando que a vida real seguia seu curso e nada mudara lá fora embora tudo tenha se intensificado ainda mais dentro dessas paredes.

Precisava acordá-la então comecei a beijar-lhe os cabelos, agora bem mais escuros do que na época em que nos conhecemos, embora igualmente cheirosos e macios.

Quando meus beijos seguiram até o lóbulo de sua orelha ela resmungou e sorrindo, ainda de olhos fechados, me puxou pela nuca, escorregando de cima de meu peito e fazendo com que eu ficasse totalmente por cima de seu corpo.

Eu a beijei na boca, deixando minha língua brincar com a sua e ela ronronou antes de sua voz rouca dizer:

- Bom dia marido gostoso!

Não contive o riso e me soltei um tanto dela para em seguida ser novamente condicionado à me voltar sobre seus lábios quando ela continuou a agarrar os cabelos de minha nuca. O beijo ficou mais forte e sua língua travava uma batalha contra a minha.

partiu suas pernas e afastou o fino lençol que a cobria, encostando todo o seu corpo em mim. Ela ainda estava completamente nua da ultima vez que fizemos amor e seu sexo roçou o meu, já cheio de umidade, deixando-me completamente exitado.

- Você é uma garota má, Sra. Black! - eu falei de encontro a seu ouvido enquanto ela bufava algo incompreensível e levava às mãos ao meu membro rijo e completamente sensível entre suas pernas.

- Fala menos e faz mais Jacob! - disse com falsa impaciência enquanto me guiava ela mesma pra dentro de si.

Gemi descontrolado sentindo seu sexo quente me apertar e me engolir inteiro e ela arranhou meus braços quando eu teimei em estocá-la gentilmente.

- Vem Jake, você faz melhor que isso! - ela provocou enquanto eu tentava manter a linha ali. Não podia mais me dar ao direito de libertar o animal em mim enquanto ela estava carregando meu filho, mas a maluca não parecia se lembrar disso.

Levei uma das minhas mãos até seu sexo, bem próximo de onde nos uníamos e comecei a estimulá-la enquanto aumentava minimamente a pressão sobre ela. parou qualquer provocação, seus olhos se espremeram e sua boca abria e fechava formando adoráveis caretas de prazer. Começou a se remexer e gemia completamente entregue provando-me que aquela foi, de fato, uma boa ideia.

Tive de acelerar mais, me revezando entre estocadas longas e profundas, apertando-lhe a carne alva dos quadris e beijando-lhe sofregamente até que ela explodiu e eu fui logo em seguida.

- Precisamos nos arrumar, meu amor. - eu falei quando sai dela e a puxei para meu lado. - Já é hora de irmos!




POV


E lá estava eu, sentada numa das poltronas do Jatinho da minha família do lado de uma Kim completamente apavorada por estar andando de avião pela primeira vez na vida. Se não estivéssemos todas muito mal-humoradas por termos nos despedido de nossos Lobos a poucas horas atrás, eu talvez encontraria forças para rir dela.

Entramos em uma área de leve turbulência e pude sentir a pressão em meus ouvidos e uma pequena sacudida na aeronave.

- Ai meu deus do céu! - Kim espremeu os olhos e juntou as mãos em seguida como se rezasse.

- Ei, nós não vamos cair nem nada assim, relaxa! - falei sem paciência, embora uma parte de mim se condoesse com sua situação.

Recostei-me em minha própria poltrona e pus a mão meio que inconscientemente em cima de minha barriga. Quase pude sentir os lábios de Jake me beijando ali quando se despediu de mim. Ele fez questão de levantar minha blusa e fazer toda uma cena que eu acreditei que fosse levar minha mãe à uma combustão instantânea além de já deixá-la completamente roxa de indignação.

- Eu vou te ligar todo dia minha linda! – ele prometeu com os olhos molhados me fazendo segurar o choro de forma ferrenha para não derramá-lo perto de minha mãe.
- E você fica bem filhão! - ele falou com minha barriga ainda modesta se comparada à de Emily que estava se despedindo de Sam à poucos passos de mim. - Fica saudável aí dentro e não dá muito trabalho pra sua mamãe certo? - continuou como se a criança já pudesse obedecê-lo.

Eu sorri para ele mas não consegui dizer nada alem do abraço apertado que trocamos e um ultimo beijo desesperado.

É claro que a Sr. Clarissa Weelow, infelizmente conhecida como minha progenitora, quase gritou comigo se esquecendo de toda sua pose e circunstancia, além de me ameaçar varias vezes com o terrível: “Vou deserdá-la, mocinha”, assim que fixou seus olhos em minha aliança e teve a confirmação de que eu realmente me casara, de forma legal.

Mas nem mesmo a minha mãe foi capaz de continuar me atazanando quando deixei meus olhos caírem e assumi minha nova voz, completamente sem vida lhe dizendo um: “Faça o que você quiser” e lhe informando que todas as garotas estavam indo conosco para Beverly Hills.

Depois disso entrei em um dos carros que meu Tio Oliver providenciou quando ligou para Marta e foi informado do meu plano de levar todas as minhas novas amigas comigo e segui direto para um aeroclube particular em Seatle de onde partimos em um voou sem escalas com destino à quente, porem emocionalmente gélida, L.A.

Minha mãe acabou tendo de morder a própria língua de cobra e vir junto sem dizer mais nada, já que pareceu bem obvio que eu a jogaria pela janelinha do avião a qualquer momento se ela se manifestasse outra vez sobre qualquer coisa relativa à meu casamento, meu marido ou meu filho, quem dirá sobre as garotas que viriam comigo e ficariam de hospedes em uma casa que também era minha e seria mesmo se ela me deserdasse já que pertencera primeiramente à minha avó, já falecida e que não teve tempo de me deserdar antes de morrer, conferindo-me tanto direito à mansão quanto tinha minha mãe. Talvez até mais.




Jacob POV


Amarrei a bermuda na minha perna e me estiquei todo antes de me curvar para a transformação. Podia sentir Quil e Embry fazerem o mesmo movimento a poucos passos de mim, Leah um tanto mais afastada, enquanto Sam, Jared, Paul e os outros garotos já estavam transformados, suas mentes conectando-se as nossas assim que tomamos nossa forma animal.

Dentro de cada um de nós o medo e a saudade se fez presente mesmo que os instintos mais primitivos gritassem pelo sangue do inimigo e nos deixassem totalmente alerta quanto à iminente batalha.

Não estávamos caminhando para o confronto ainda, no entanto. Estávamos a caminho de uma clareira na mata, exatamente situada entre as terras dos Cullens e as nossas terras e lá teríamos nossa primeira “reunião” sobre o que viríamos a enfrentar em algumas semanas, novamente juntos, como aliados.

Depois de um tempo relativamente curto de corrida, o mal cheiro nos mostrou que estávamos perto o suficiente do ponto de encontro.

- Sejam bem vindos! - Carlisle Cullen falou amigavelmente enquanto um a um, eu e meus irmãos saiamos da sombra das arvores e nos mostrávamos.

Junto ao clã de vampiros já conhecido estavam também outros vampiros, que eu supus serem as tais “testemunhas” de que Bella falara, aliados para o tal momento de diplomacia que precederia o provável massacre.

Nunca antes havíamos sequer os farejado e eles conseguiam ser ainda mais fedidos que os Cullen, o que me fez perceber seus olhos vermelhos logo em seguida, levando meus irmãos as mesmas conclusões e assim causando uma comoção dentre o bando e muitos rugidos zangados até que Edward tomou a frente do pai e tentou se explicar:

- Eles não estão caçando em Olympic! Nós estamos comprando sangue e estocando, mas não é justo pedir a eles que adotem nossa dieta. Eles estão aqui para NOS ajudar e somos agradecidos por isso. Não estamos em posição de recusar ajuda e julgar nossos amigos!

Isso não ajudou muita coisa e os rugidos dos mais novos eram ainda mais intensos. No entanto, Sam mandou que se calassem e eu não pude evitar de pensar que não tínhamos realmente muita alternativa.

Quando esse pensamento se firmou a tristeza entre o bando era palpável mas nenhum outro rugido de cólera se ouviu e a tal “reunião” estava novamente segura.

- Não podemos brigar entre aliados se quisermos uma chance! - o Dr. Preza voltou a dizer e em seus olhos havia uma tristeza similar aquela que eu sentia em meus irmãos.

Por respeito a ele, me sentei sobre minhas patas traseiras e me deixei cair naquele solo para ouvir tudo oque eles tinham a nos dizer. Afinal, eu fora uma das pessoas de quem ele cuidou quando precisei de seus serviços médicos e não estava em discussão o apreço que aquele ser tinha pela vida humana.

Depois de nos informar com riqueza de detalhes sobre todas as visões de Alice e nos apresentar aos “amigos” que compareceram dispostos à testemunhar a favor do filho de Bella, eu me concentrei em Edward e pedi a palavra.

O vampiro me encarou acenando positivamente e comunicou a todos que eu iria falar. Sam não se importou e eu, incomodado com o fato de aquele lá ficar traduzindo o que eu dizia e editando ao seu bel prazer, avisei à Sam apenas em cima da hora, que esteva mudando de forma e falaria eu mesmo, com minha boca e minhas palavras.

Em alguns segundos eu já estava de volta, com minha bermuda e um olhar mortal do lobo negro sobre mim por não ter esperado seu consentimento quanto a essa possível imprudência de minha parte.

- E aí sanguessuga! - cumprimentei sem poupar o sarcasmo e deixando claro a todos que não precisaríamos de um interprete.

Evitei olhar para Bella que estava ao lado de seu marido e não tirava seus olhos de mim, em uma vã esperança de estabelecer qualquer contato. Ela era uma maldita egoísta que ainda por cima tinha se transformado em monstro por vontade própria. O que ela esperava que eu fizesse: Corresse atrás dela emocionado para ter sua amizade de volta? Ela me ferira o bastante e mesmo que tenha tirado qualquer vestígio de Bella que pudesse estar ainda dentro de mim eu não queria me reaproximar dela. Eu queria que ela fosse cuidar de sua vida bem longe de mim e me deixasse finalmente em paz.

Pela expressão carrancuda do sanguessuga com meus pensamentos não parecia concordar com a minha opinião sobre sua mulher. Rolei os olhos em impaciência e me dirigi apenas ao Dr. Preza.

- Sr. Cullen, eu preciso avisar sobre um outro aliado que teremos em comum. - falei me sentindo meio sem jeito ao encarar o vampiro que me olhava cheio de respeito e que logo disse algo como “Por favor me chame de Carlisle, filho!”

Continuei com o que ia dizendo.

- Através de minha mulher, conhecemos um vampiro de nome Oliver e ele se manifestou ao nosso favor. Ele e o seu clã se comprometeram com a luta. Achei justo avisá-los antes que ele batesse a sua porta. - terminei por fim, ainda um tanto constrangido em ter assumido minha aliança com o mais novo sanguessuga que tentara me tomar a garota.

Foi inevitável pensar em e em seu sorriso molhado quando disse SIM naquele altar improvisado e se tornou ainda mais a “minha mulher”. Com essa imagem em minha mente engoli um pouco mais do meu orgulho e me dirigi à vampira ao lado de Carlisle.

- Sra. Cullen, eu tenho certeza de que minha esposa agradeceria muito por sua ajuda em nosso casamento se estivesse aqui. Eu agradeço também! - disse ainda mais sem jeito.

- Oh querido, foi de coração. Tudo o que precisar, estaremos aqui. Sei que não é agradável para vocês estar em contato conosco mas nós é que agradecemos por aceitarem essa aliança, pela segunda vez! - a mulher dizia com sinceridade nos olhos enquanto me fazia realmente pensar em como uma fria conseguia ser tão terna e maternal enquanto a mesquinhez e maldade de minha sogra me saltavam ao pensamento.

- Jacob... - Bella tentou falar mas eu praticamente agradeci ao Cullen quando a refreou com o olhar. Eu não desejava nenhum dialogo com ela.
Dando por encerrada qualquer comunicação com o nosso novo grupo favorito de “amiguinhos”, me pus a mudar outra vez de forma e pude ir embora com meus irmãos escutando os resmungos de Sam sobre minha neglicencia e impulsividade, e claro, não deixando de pensar nem por um segundo em minha linda e geniosa patricinha e no que ela estaria fazendo, junto a todas as outras garotas, agora que certamente já teriam chegado à ensolarada Califórnia.











POV


Olhei pro meu quarto, lindo, intacto e completamente compatível com o que eu mereço e senti falta de tudo, como se toda a seda, o linho egípcio e o requinte não me fizessem nem remotamente feliz, como um certo índio em uma barraca de lona fez um dia.

Respirei fundo e reorganizei as ideias, pois se eu ia para a escola no dia seguinte, gravida de quase quatro meses com uma barriguinha bem saliente e uma grande aliança no dedo eu teria de endurecer um pouco o que andei amolecendo em La Push e teria que deixar a Srª Weelow tomar conta de mim mas uma vez, se eu quisesse sobreviver àqueles corredores.

Conhecendo pela primeira vez na vida a fraqueza, fiz aquilo que todo fraco faz primeiro:

- Kim!!! - gritei minha melhor amiga, que dessa vez não era só uma vadia interesseira e sim uma pessoa que me aturava e gostava de mim por tudo o que eu era. Logo ela estava ali, com sua carinha de assustada e pronta à me ajudar.

Abracei Kim bem forte e ela me correspondeu e então eu me ouvi dizer uma coisa que se parecia muito pouco comigo ou com o “eu” que eu sempre conheci:

- Dorme comigo aqui? Essa cama é grande demais!

E ela sorriu pra mim como quem pensa o mesmo e nem precisou dizer nada pra que eu percebesse que ela estaria ali pra mim em qualquer momento.

No dia seguinte, tudo foi muito corrido já que Rachel e Emily decidiram que todas nós iriamos ao médico o mais rápido possível, pois só Emily fazia pré-natal e já estava mais que na hora de todas nós seguirmos essa mesma direção.

Claro, eu e Kim íamos à escola também, e pela cara de Marta, isso era bem inegociável. Uma boa coisa pelo menos foi notar ou melhor, não notar, minha mãe, mais conhecida como a grande serpente, em nenhum lugar da casa.

Eu sabia que ela estava tramando alguma coisa porque não seria Clarissa Befart-Weelow se não estivesse e eu admito que aqui, longe de Jake, onde me sentia totalmente insegura, eu temia o que ela pudesse fazer a mim e a meu bebê.

Vesti meu uniforme com aquele brasão, antes tão conhecido e ouvi um engraçado suspiro de Kim enquanto ela se olhava no espelho do closet logo atrás de mim.

- Você poderia imaginar que eu estaria vestindo uma dessas coisas algum dia! - ela sorriu sem graça e eu notei todo seu embaraço, me identificando mais com ela do que devia. - Isso aqui diz “Escola Particular” tão alto! - ela disse e eu percebi com um sorriso que eu também a influenciara um pouco no fim das contas, já que esse tipo de comentário não costumava vir da Kim mega tímida que eu de incio conheci.

- Coloca esses sapatos aqui. - estendi pra ela um par Manolo Blahnik que eu comprara antes de ser exilada em Washington e nunca tivera a oportunidade de usar.
Não estavam passados já que eram de uma coleção vintage super cobiçada e com certeza fariam todos abrir caminho pra ela, mesmo na Abermonth Academy.

- Ah , não sei se posso... - ela começou a recusar daquele jeito vergonhoso dela e eu a olhei com meu melhor olhar de “Isso é uma ordem” calçando meus sapatos Prada exclusivamente encomendados para mim.

Estávamos prontas antes do tempo e nos olhávamos com uma compreensão mutua de que aquilo ali não seria fácil ou agradável.

Na mesa do café encontramos Emily com a pequena Claire no colo e Rachel conversando com Marta enquanto essa se mostrava muito incomodada em se sentar à mesa dos “patrões” como eu dissera que ela se sentaria de agora em diante, logo quando chegamos.

- , nós conseguimos marcar as consultas e vamos buscar vocês assim que terminarem as aulas. - Rachel falou quando apontamos na sala de refeições.

Eu assenti, sempre impressionada com a competência da minha querida cunhada e quando disse isso em voz alta eu pude ter certeza que as bochechas naturalmente avermelhadas de Rachel se destacaram ainda mais tingidas, deixando-a ainda mais bonita.

Entramos no Mercedes que John, o motorista, sempre conduziu para levar-me a escola e não pude deixar de sentir um comichão a respeito de estar voltando para “casa” depois de ter minha vida completamente virada de cabeça para baixo e em minha opinião mais justa, totalmente mudada para melhor por mais que o meu amado marido estivesse a alguns estados de distancia prestes a lutar com algumas criaturas míticas terríveis que nunca poderiam voltar a ser um mito para mim.



Kim POV


Aquilo era tão estranho. Quer dizer, eu estava em um carro super chique sentada no banco de traz com enquanto um homem que eu não conhecia nos levava ao colégio e nos tratava, nas raras vezes em que se dirigia a nós duas, por Srtª acrescido de nosso ultimo nome. Completamente surreal para a minha realidade.

No dia anterior quando chegamos à mansão onde morava, porque qualquer coisa menos que “mansão” era insultar aquele lugar; ela me surpreendeu completamente pedindo para que eu dormisse com ela. Eu fiquei tão feliz, porque eu estava tão sozinha e eu sentia tanta falta de Jared e de minha casa, mesmo que meus pais estivessem meio brigados comigo por conta da gravidez.

O carro parou em frente a um muro alto de pedra e eu vi um portão de ferro se abrir para que entrássemos. Foi quando o estacionamento surgiu, apinhado por um monte de carros brilhantes que eu só vira na televisão.

Me sentia completamente impropria naquele uniforme e usando aqueles sapatos caros demais. Aquilo ali não era pra mim e eu não pude me impedir de abaixar a cabeça quando o motorista veio abrir nossa porta.

- Olhe pra cima Kim, eles são só um bando de garotos infelizes. - me cutucou, reconhecendo meu medo e me repreendendo instantaneamente.

Concentrei toda a minha coragem no simples gesto de olhar para frente e pegou o meu braço enroscando no dela e fazendo com que andássemos juntas pela escadaria que se estendia diante de nós.

Íamos subindo, ou ia enquanto eu me firmava em sua confiança, quando uma garota barrou nossa passagem. Ela era alta, muito magra e loira e sua expressão era tudo menos amigável.

- Hora, Hora... E a boa filha a casa torna! - disse a garota enquanto a encarava com um olhar que eu não quereria ter sobre mim se fosse ela.

- Vejo que a sua má educação não foi concertada, querida! Pode nos dar licença, por favor!? Estamos passando se não percebeu. - tinha uma voz tão doce e calma que contrastava completamente com o aperto de ferro que ela agora exercia em meu braço. Aguentei calada e tentei por tudo não abaixar minha cabeça para as outras três garotas que estavam paradas próximas à loira.

- , amiga, você precisa se livrar desse mal humor matinal, os rapazes odeiam esse tipo de gênio assim logo de manhã! - a garota continuava a barrar nossa passagem e eu senti respirar fundo e mudar o peso de uma perna para a outra em uma tentativa clara de se controlar enquanto todo o seu corpo parecia querer cair em cima da outra garota.

Isso não ia dar certo.

POV



Assim que chegamos na Abermonth Academy me preparei para o pior embora estivesse admitindo pra mim mesma que adoraria que nada acontecesse.

Eu e Kim saímos do carro e eu garanti que ela não iria se portar como coitadinha já que a primeira coisa que você pode fazer para fracassar na escola é se portar como coitadinha. Você será realmente uma coitada tão rápido quanto aprenda a dizer “Por favor, não!”

Para minha completa falta de sorte, no entanto, Trace já estava ali logo na escadaria e ela obviamente começou uma conversa pretensiosa e imbeciloide tentando mostrar quem era o grande chefão quando eu obviamente não voltei das férias de Natal para reclamar meu posto.

- Hora, Hora... E a boa filha a casa torna! - dizia ela se achando inteligente enquanto eu rolava meus olhos e sentia raiva por ter de olhar na cara dela.

O que era aquilo afinal? A vadia já começou apelando para citações bíblicas? “As coisas realmente decaíram por aqui” - não pude me impedir de pensar.

- Vejo que a sua má educação não foi concertada, querida! Pode nos dar licença, por favor!? Estamos passando se não percebeu. - optei por ser rápida e demonstrar meu desprezo em continuar em sua companhia por mais tempo que o estritamente necessário.

- , amiga, você precisa se livrar desse mal humor matinal, os rapazes odeiam esse tipo de gênio assim logo de manhã! - ela disse e eu vi tudo vermelho quando percebi que ela não ia sair dali quanto tudo o que eu verdadeiramente queria era ser deixada em paz.


“- Quem você esta chamando de amiga, sua vagabunda?” - foi o que eu quase gritei pra ela, mas eu sabia que nunca você vence um embate com uma biscate como a Trace, descendo ao mesmo nível que ela, afinal, gente assim pode sempre ir mais e mais baixo e tudo o que eu e meu bebê não precisávamos agora era de uma louca como ela fazendo nosso sangue ferver e nossa boca se sujar com alguma ofensa barata. Então o que eu obviamente disse foi:

- Concordo completamente com você “AMIGA”, lembro-me muito bem do Luke reclamar que acordar ao seu lado era como acordar ao lado de um dragão com TPM. - e então permiti que um sorriso maligno passasse por meus lábios deixando-a ainda mais encanada. - E só para que você saiba, antes que precise fofocar o suficiente para descobrir, agora é Srª e não Srtª porque pra você já não era mais , há muito tempo, “QUERIDA”!

E imediatamente comecei a procurar uma brecha em seu ridículo cerco a Kim e eu para que minhas palavras a deixassem no chão tempo o suficiente para que eu escapasse dali, já que esse tipo de embate nunca foi vencido de fato pelo maior numero de respostas mas sim pela pessoa que conseguiu ter a ultima palavra e a minha já estava dada.



Kim POV


Eu estava afoita e meu coração estava disparado. A é doida isso sim! Não que eu já não soubesse disso mas o que sinceramente ela acha que seria da gente agora depois de declarar toda essa guerra contra a menina loira? E eu percebi que ela não estava apenas ganhando como de costume. Algo parecia se partir nela quando falava com a tal de Trace. Me lembrei que esse era o nome da garota que ela costumava chamar de “melhor amiga” e tive ainda mais medo da situação.

- Você não quer uma água? - perguntei quando nós duas já estávamos distantes e ela estava levemente ofegante com um olhar baixo e resignado que me alarmou.

- Não exagera Kim! - ela se recompôs. - Aquela vadia não significa mais nada pra mim. - disse muito decidida, embora a ponta de ressentimento fosse clara.

Não me importei com o que ela faria comigo ou se me afastaria e mesmo assim avancei até ela e a abracei. pareceu mais surpresa impossível mas isso não fez ela me afastar como eu esperava e sim, colocou sua cabeça no meu ombro deixando um longo suspiro sair, rindo levemente depois, um riso nervoso.

Antes que eu pudesse falar em voz alta o que esperava que ela estivesse sentindo naquela momento:“Eu estarei aqui para você, sempre” alguma coisa tremeu entre nós duas e começou a tocar uma musiquinha animada que soava como OhOhOohh.

- É o Jake! - ela gritou como se tivesse a mesma idade da Claire e eu não poderia julgá-la por isso quando uma saudade ainda mais palpável do meu Jared me invadiu.

- Ah, é só uma mensagem! - ela parecia um pouco menos animada mas eu aprovei totalmente o sorriso que nasceu em sua face e as rugas de preocupação que se foram como se não tivéssemos passado por nada estressante.

Ela virou o visor pra mim e eu pude ler a mensagem, aproveitando eu mesma a minha parte de alegria.

(De: Jake --- Para:

Tô morrendo de saudades da minha patricinha!!! Tá tudo bem por aqui. Não se preocupem, nenhuma de vocês! Cuida bem do meu coração, Srª. Black!!!
Jared manda dizer à Kim que ela não vai mais escapar, ele vai fazer dela uma mulher honesta em muito breve.)

Eu tinha lagrimas nos olhos de saudade e de contentamento pelo que acabava de ler. Eu não estava mais tranquila quanto ao perigo que eles enfrentariam mas pude perceber que, assim como , eu estava muito feliz por terem se lembrado de nós assim no meio do dia, sem um proposito aparente. Com toda essa distancia significava ainda mais.

- ? - uma voz masculina perguntou com o que parecia real surpresa e eu me virei para ver cumprimentar um garoto loiro que parecia um daqueles modelos de marcas famosas. Ele olhava pra ela com olhos arregalados intercalados entre seu rosto e seu ventre levemente saltado na camisa de uniforme. Esperei sinceramente que ele não fosse mais um “amigo da onça”.




POV


- ? - A voz de Luke me abordou enquanto eu ainda tentava engasgar o choro pela mensagem do Jake. A saudade corroendo e por um instante eu pude jurar que meu bebê mexera mas foi tão suave que poderia muito bem ser fruto da minha imaginação.

Tratei de me recompor e erguer a cabeça a tempo de vê-lo intercalar olhares confusos do meu rosto à minha barriga levemente saltada e novamente ao meu rosto.

- Luke! É sempre bom vê-lo, espero que esteja tudo bem! - falei apertando sua mão e lhe concedendo os dois beijinhos na bochecha que a educação pede quando estamos em frente a uma pessoa que conhecemos por quase toda a vida.

E me lembrei imediatamente da ultima vez que vi Luke e mesmo que a saudade me apertasse tive de conter minha risadinha quanto à facilidade com que Jacob livrara-se dele. Percebi que o garoto agora mirava minha aliança e a ruga em sua testa aumentou enquanto seus olhos arregalaram.

-Então Trace estava dizendo a verdade! - ele exclamou esquecendo-se dos bons modos com a mesma rapidez que sua pretendente vagabunda, minha ex-amiga.

- Se você se refere à minha aliança... Os rumores que certamente ouviu são verdadeiros, não que seja do interesse de qualquer pessoa aqui presente. - disse com meu melhor sorriso amarelo enquanto Kim arregalava os olhos pra mim no que percebi claramente como uma repreensão muda por minha audácia em alfinetá-lo já de cara.

- Eu não posso... - ele já ia falando qualquer outra coisa que eu não tinha nenhuma necessidade de ouvir e não estava interessada tão pouco quando o grande sino do colégio badalou providencialmente tirando-me qualquer obrigação de continuar a aturá-lo.

- Desculpe querido, precisamos ir não é Kim?! - virei-me para ela que felizmente balançou a cabeça em afirmativa rápido o suficiente. - Nos vemos por aí! - acenei enquanto já me punha a caminho da primeira aula.

É claro que Marta ligara na escola e pegara os nossos horários, impedindo assim que nos detivéssemos na salinha da secretaria por tempo indeterminado dependentes da boa vontade de um funcionário enquanto aturávamos todos os olhares sobre nós. Eu conhecia bem a sala para a qual Kim e eu íamos agora, já que nossos horários eram completamente idênticos como uma exigência minha a diretoria que logo foi acatada.

Passei pela porta e percebi que o professor já se encontrava em sua mesa. Olhei para Kim por um momento. Ela estava branca e suava um pouco nas têmporas. Segurei em sua mão como se ainda fossemos crianças e a apertei com confiança sorrindo para ela com sinceridade e cheia de esperanças. Tudo que eu pensava é que deveria protegê-la dessas pessoas.

E então eu percebi que nós ficaríamos ambas bem justamente porque passaríamos por tudo isso juntas. Kim já me era muito mais que uma amiga, e, no momento em que eu finalmente reconheci aquela sensação antes impossível, fui capaz de nominar seu significado em minha vida.

Aquela garota de La Push, meiga e extremamente simples, ao mesmo tempo que podia ser leal e até destemida, era pra mim, uma irmã. A irmã que eu nunca tive.

Uma irmã que sempre me faltou!


Capitulo 27 - Arma Secreta


Jacob POV

O treinamento se intensificava a cada dia. Sam e eu estávamos levando os garotos e a nós mesmos para outro nível. Experimentávamos nossas habilidades até o máximo da exaustão e não poupamos nem mesmo os mais novos ou Leah - não que Leah fosse aceitar algum cavalheirismo de nossa parte – Foi uma decisão difícil, mas acatada pela maioria, de que se essa luta era a nossa única chance de sobreviver e proteger aqueles por quem lutaríamos até o ultimo suspiro, todos que pudessem combater estariam combatendo e teriam assim sua chance de revidar.

Estávamos aceitando alianças com vampiros, afinal de contas. Alguns deles totalmente desconhecidos. Não é como se pudéssemos dizer aos mais jovens que eles deveriam ficar em casa com suas mães.

Os Cullen e seus aliados também se mantinham ocupados. Ainda mais ocupados que o bando, pelo que pude perceber nas informações que chegavam para mim através de Seth, que se oferecera para ser uma ligação entre nossa matilha e o clã deles. Oliver foi outro que apareceu com meia dúzia de sanguessugas estranhos e se alojou permanentemente na mansão dos Cullen como um convidado especial. Eu não queria admitir, mas ele estava trabalhando duro também, tentando por tudo reverter o desastre Volturi que estava prestes a cair sobre todos nós.

Levantei minha cabeça do grande emaranhado de mapas postos sobre a mesa da cozinha de Sam, onde tentava planejar rotas de fuga para uma possível emboscada caso chegássemos à um confronto direto – a vidente dos Cullen, antes de abandonar o barco tinha deixado o aviso de onde as sanguessugas italianas chegariam para nos pegar e muita estratégia estava sendo montada com base nisso, por todos, cada um fazendo sua parte no lado do território que mais conhecia.

- Ei Jake, você precisa dormir! - Jared encostou-se à divisão entre a cozinha e a sala e deu um grande bocejo. Ele era outro que deveria estar seguindo esse conselho.

- Você já trocou de turno com o Paul, vá você dormir! - encontrei minha voz para responder, desconhecendo cada vez mais esse meu novo tom sem esperança, sem vida e sem motivação. Tudo que eu era desde que minha fora embora levando meu filho e meu coração com ela.

- Cara, eu também tô morto de saudades! - Jared me olhou sério e pareceu ler cada um de meus pensamentos mesmo que ele não pudesse estar fazendo isso, de fato, já que não estávamos transformados.

- Vocês nem vão acreditar no que tenho pra dizer! - Seth entrou pela porta dos fundos como se fosse natal outra vez e parecendo plenamente acordado mesmo que fosse o meio da noite.

Eu e Jared o encaramos.

- Oliver vai emprestar o jatinho dele. Vocês vão encontrar as garotas na Califórnia para o fim de semana. Foi tudo ideia da Bella. - o garoto despejou como se estivesse dando a notícia que terminaria com a guerra.

E por mais que ele não estivesse, tenho de admitir que pra mim foi mais ou menos como isso. Já que tudo o que eu pude realmente ouvir foi que pelo visto eu veria a minha outra vez, antes do fim. E mesmo que eu fosse dever mais alguns favores para alguns inimigos mortais eu poderia até abraçar aquele garoto por ter me dado aquela notícia e eu faria mesmo isso se Jared não tivesse surpreendentemente pulado na minha frente antes para fazer o mesmo.




POV


A primeira semana no colégio não foi nada fácil, mas eu podia dizer que me orgulhava de como Kim estava enfrentando tudo. Depois de um começo meio desastroso cheio de cabeças baixas e suspiros vergonhosos ela pareceu bem mais confortável em dividir comigo o martírio de todas as manhãs e, infelizmente, metade das tardes.

Tracy e sua turma não deram descanso e em mais de uma ocasião eu vi a própria Kim desarmá-las com sua fala justa e humilde, mas ainda era estranho ver o quão pouco elas nos afetavam.

Quando diziam coisas como: “Você nos surpreendeu , ninguém pensava realmente que fosse acabar grávida de um índio pobretão antes de terminar o secundário” ou “Eu posso vender um dos meus Pradas para ajudar à criar sua pequena família miserável, porque eu sempre fui caridosa com os necessitados” eu não me importava realmente, e era algo incrível me virar para Kim e ver que pra ela também não fazia a mínima diferença quando ela sorria para mim de volta e eu podia ler no seu sorriso que ela estava pensando no quão vazias e dignas de pena aquelas garotas eram.

Eu estava agora sentada na minha cama olhando a foto da minha primeira ultrassonografia e não pude me impedir de sorrir muito boba como se estivesse prestes a ir as lágrimas outra vez, como no dia em que fiz o exame.

Era tão fácil me lembrar.

Rachel e Emily nos esperavam junto ao carro do motorista na saída da escola já naquele primeiro dia e então, depois de uma breve passada em casa, todas nós fomos à consulta juntas.

Era uma clínica particular que atendia membros da minha família à gerações e por isso fomos permitidas à assistir o exame uma das outras. É claro que eu via no rosto delas o mesmo que eu sentia em meu coração. A falta absurda dos nossos lobos e o pensamento de que não teria ninguém no mundo com quem gostaríamos de dividir aquele momento mais do que gostaríamos de dividir com eles. Mas nós nos viramos muito bem, afinal.

Pegamos minha câmera de vídeo semi-profissional, que estivera esquecida no fundo do meu closet e era usada para filmar bebedeiras e baladas do meu passado não tão distante e fizemos um verdadeiro documentário de nossas consultas para mostrar a eles quando voltássemos para casa. Afinal, aquela era a primeira vez que eles veriam seus filhos também.

Ao fim da tarde cada uma pegou a foto de seu bebê e ficamos babando no bebê da Emily que era o mais grandinho e o único que já parecia realmente com um bebê e não com um grande borrão de tinta. Mas um adorável borrão de tinta, é lógico.

Depois eu dei a grande ideia para o fim daquele dia que havia saído, muito melhor que o planejado e fizemos as nossas primeiras compras para os bebês. Menos a Emily que já tinha começado a comprar algumas coisas, mas ela entrou na festa e comprou sapatinhos que era, segundo ela, uma coisa que definitivamente não tinha.

Passamos pelo mesmo momento de sempre onde meu cartão de credito platina pagou tudo enquanto elas resmungavam e não aceitavam nada até que eu insistisse quase às lagrimas que elas ficassem com os presentes assumindo pública e vergonhosamente que se não fosse por elas ali comigo eu não saberia nem como levantar de manhã e então elas deveriam deixar que eu agradecesse do jeito que eu sabia agradecer.

Coloquei a foto do bebê bem segura dentro do álbum de fotos do meu casamento que Rachel me dera ainda no avião, na vinda para cá, enquanto eu arregalava meus olhos por ela ter conseguido mais essa façanha e foi o tempo certo para que minha querida cunhada abrisse a porta e colocasse apenas seu rosto para dentro do quarto enquanto me procurava com os olhos.

- Ei Rach! - falei para que olhasse logo pra mim.

Ela sorriu e entrou, sentando-se ao meu lado e parecendo um tanto inquieta.

- Você tem visita. Marta pediu pra que eu te chamasse. - ela disse com um sorriso meio amarelo e eu me perguntei quem seria minha visita para causar em Rachel essa reação.

Resolvi acabar logo com o mistério e sai do quarto, descendo as escadas para encontrar quem é que fosse.

Não posso dizer que esperava por aquela visita.




Bella Cullen POV


- Mais uma vez, vamos Bella, você consegue! - Kate gritava comigo na tentativa de me motivar.

Perdi mais uma vez o controle de meu corpo imortal até então muito imbatível e vi Edward rugindo para ela. Quase fui aos meus joelhos e meu escudo mental evaporou no ar como uma cortina de fumaça.

- Você não vê que a está forçando de mais? Ela está sentindo dores físicas. - ele rugia como o monstro perigoso que supostamente era e eu podia ouvir Kate Denali se defender sem muito medo dizendo apenas que se eu quisesse estar pronta para a batalha deveria treinar com mais afinco ou o meu dom mental, descoberto assim que me transformei, não seria de grande ajuda para nossa causa se não estivesse totalmente desenvolvido.

Eu concordava com ela, é claro, mas para impedir que Edward arrancasse a cabeça de um de nossos mais valorosos aliados quando tínhamos tão poucos em frente ao grande número dos Volturi, eu fiz um sinal para Kate de que já chegava por aquele dia e ela pareceu suprimir um muxoxo indignado quando eu fui delicadamente conduzida até a sala da mansão e colocada no sofá como se eu realmente precisasse descansar.

Meu marido parecia apegado demais à ideia de que eu era frágil mesmo agora que eu era até menos frágil que ele por ser uma recém-nascida e ter mais força que meu cunhado Emmett que era sabidamente o vampiro mais forte da casa.

Meu pequeno E.J. pulou em meu colo segurando seu grande copo de sangue humano e minha garganta ardeu, mas eu segurei firme a vontade de avançar em sua comida. Ele era a criança ali e eu caçaria mais tarde com os demais e me alimentaria dos não-tão-apetitosos animais como a adulta que eu supostamente era.

- Já disse que não deve treinar tão forte, pode até fazer mal aos seus progressos, sabe... - Edward já ia passando seu velho sermão quando uma súbita vontade de sair dali me abateu. Lembrei que havia prometido à Charlie uma visita e seria reconfortante poder vê-lo uma última vez antes do conflito.

Me arrumei, Edward entendeu e E.J. ficou com Rosalie para que eu fosse ver meu pai, e então, quando eu estava virando a rua de minha antiga casa, meu celular tocou e era ninguém menos do que Alice.

- Bella, escute com atenção, nós não temos muito tempo. Eu não abandonei vocês, é claro, mas ninguém pode saber, ou Aro saberá... - e eu entendi na hora o porquê de ela estar ligando para a única pessoa da família de quem ninguém poderia ler nada, afinal minha mente era trancada desde que eu era uma simples humana. Eu poderia manter esse segredo. Ela continuou: - Consegui uma testemunha infalível para nós. Ele é um garoto meio-vampiro como E.J., mas ele já tem 150 anos e é a prova de que sua raça é ainda mais rara que a nossa, mas não constitui nenhuma ameaça. Com ele os Volturi não terão argumentos pra nos atacar, mas eu tenho tido visões muito estranhas que me dizem que nem assim estamos a salvo. Nessas visões há uma garota humana, um vampiro e uma outra moça que me parece ser uma vampira também, embora eu quase não consiga vê-la. Algo está acontecendo e eu não posso ver um jeito de interferirmos à nosso favor mas eu quero que você faça algo por mim. Vá caçar perto da fronteira Quileute com Edward hoje. Quando eu vejo vocês se aproximando desse lugar, as coisas começam a fazer sentido.

E então ela desligou, me deixando mais desnorteada do que eu estava antes e fazendo com que eu adiasse a visita à Charlei e voltasse para casa.





Edward POV


Bella parecia tremendamente abalada desde a visita à Charlie e eu estava agoniado em vê-la daquele jeito por mais que ela tenha recusado conversar comigo sobre o assunto. Era definitivamente irritante não poder ler sua mente como todas as outras.

Ouvi um padrão de pensamentos agora bem conhecidos alcançarem a mansão e percebi que Oliver trouxera mais um amigo. Levantei-me do piano onde estava sentado, me distraindo com uma melodia e observando Bella brincar com E.J. logo à minha frente e decidi dar as boas vindas ao visitante já que Carlisle estava no hospital e não poderia fazê-lo.

- Oi Edward! - Oliver cumprimentou amigavelmente e em seus pensamentos eu vi que considerava sua amiga a nossa maior aquisição. - Está é Nímade. - ele apresentou em seguida a alta, esguia e bela moça de cabelos cor de mogno muito curtos, praticamente masculinos.

- Por favor me chame de Nina, minha mãe tinha um senso de humor muito tóxico. - ela deu um sorriso brilhante e eu lhe estendi a mão em educação.

Bella já estava à meu lado quando os convidei para entrar e disse à Oliver para se sentir em casa.

- Nina concordou em nos ajudar contra os Volturi. - Oliver expôs.

- Eu tenho problemas com aqueles crápulas italianos há anos e adoraria uma chance de derrotá-los e Oliver sabe que eu não fujo de uma boa briga então... - a moça sorriu e tirou um pequeno cantil de metal de dentro do bolso interno de seu sobretudo dando uma grande golada. Eu podia sentir o cheiro de sangue fresco e me controlei ao máximo para não demonstrar nenhum desagrado.

Os pensamentos dela eram diferentes de qualquer coisa que eu havia lido. Eu estava escutando algo de sua mente com certeza, mas eu não poderia dizer nada além de algumas palavras como se alguém houvesse ligado o rádio em uma estação errada e uma espécie de chiado estivesse interferindo com tudo.

- Você está dando dor de cabeça à Edward, Nina. - Oliver que também era telepata embora segundo ele, não tão competente quanto eu, olhou para a moça com o que pareceu uma repreensão quase divertida.

A tal Nina jogou a cabeça para traz e gargalhou gostosamente.

- Me desculpe por isso. - disse com sinceridade e então agora eu não podia ouvir nada, nem mesmo o chiado e as poucas palavras esparsas.

- Como fez isso? - Não consegui me impedir de perguntar.

- Lancei um feitiço em mim mesma que impede que qualquer paranormal penetre em minha mente. Você estava sendo confundido por esse feitiço e eu precisei apenas me concertar para que ele te bloqueasse totalmente. - ela explicou como se falasse sobre o clima.

- Feitiço? - dessa vez foi minha Bella que perguntou tão boquiaberta quanto eu.


- Nina é uma das ultimas bruxas de uma linhagem antiga e poderosa que sobreviveu a grande caça em Salem... - Oliver ia dizendo.

- E também sou uma boa ovelha negra que não satisfeita com minha condição ainda encontrei um vampiro disposto à me transformar. - ela rebateu fazendo com que ele fizesse uma careta.

E então eu ouvi na mente de Oliver o que de fato parecia dizer a ele que aquela garota era nossa mais forte aliada. Ela era capaz de conjurar os mais poderosos feitiços, feitiços esses que afetavam tanto vampiros quanto humanos e ela tinha muitos truques na manga e um grande ressentimento por Caius Volturi que viria a calhar milagrosamente.

Quando já havíamos apresentado à nossa nova convidada aos meus irmãos e os outros vampiros presentes, Bella manifestou a vontade de caçar e Nina ficou encantada com a ideia de experimentar sangue animal como se tudo fosse engraçado demais. Oliver acabou nos acompanhando e por alguma razão totalmente desconhecida, Bella acabou nos levando para os limites da fronteira com os lobos.




Seth POV


Estava substituindo Brad e Collin na ronda, passando mais uma vez pela nossa fronteira com os Cullen quando captei um cheiro desconhecido. O bando fora forçado a reconhecer o cheiro de cada um dos novos vampiros aliados e por mais que eles tenham se comprometido à não ultrapassar a fronteira esse era o nosso jeito de garantir que nenhum mal entendido acontecesse.

Esse cheiro eu tinha certeza que não farejara antes então ignorei os cheiros conhecidos de Edward, Bella e Oliver que deviam ter passado por ali mais cedo e me pus em perseguição. Minha mente não estava muito focada, admito, já havia um tempo eu ficava me lembrando da tristeza nos olhos e pensamentos dos garotos que estavam longe de seus imprintings, sentindo minhas mãos atadas e sofrendo junto com eles.

Assim que cheguei no alto de um rochedo e avistei o riacho que fazia a divisa de nossas terras com as deles, avistei um grupo inusitado e o cheiro se mostrou ser o cheiro de um de seus integrantes. Sabendo que estava entre aliados, e entre amigos quando identifiquei Edward e Bella, mudei minha forma e pus minha bermuda.

- Espero não ter invadido o território, Seth! - Bella foi a primeira a dizer com uma voz baixa e parecendo realmente preocupada.

Dei de ombros e expliquei que ainda estavam na fronteira, nem lá, nem cá.

- Isso é incrível! - a garota desconhecida que eu tinha farejado estava me secando. - Então eles ainda existem, eu jurava que tinham virado lenda! - ela virou-se para Oliver e ele assentiu com a cabeça enquanto ela voltava a me olhar com admiração.

- Nós vamos nos afastar Seth, pode deixar! - Edward garantiu quando viu em meus pensamentos que para mim aquela aproximação não era problema, mas que se fosse qualquer outro dos garotos do bando eles poderiam ter se desentendido.

- Como ele está Seth? - Bella perguntou de repente e eu sabia que ela estava falando de Jake, e como ele sempre evitava conversar com ela, a mais nova Cullen costumava pedir notícias a mim.

- Você sabe, daquele jeito...- deixei escapar enquanto Edward me lançava um olhar condescendente. - Todos sentem muita falta das garotas! - disse querendo sair dali logo, pois aquela conversa me soava um tanto estranha.

- Se tivesse algo que pudéssemos fazer... - Bella franziu o senho e pareceu muito humana com essa expressão.

- Do que eles estão falando? - a garota estranha perguntou baixinho para Oliver, como se algum de nós ali não fosse capaz de ouvir até mesmo o seu menor sussurro.

- As companheiras estão todas longe, em segurança. O bando sente a falta delas e isso o preocupa. - ele respondeu e manteve sua expressão impenetrável.

- Talvez pudessem visitá-las! Ainda temos algum tempo... Nós pagaríamos as passagens com prazer, não é mesmo Edward? - Bella parecia bem desesperada para fazer algo.

Eu também estava desesperado por ajudar, mas duvidava muito que os caras aceitariam dinheiro dos Culen nem mesmo para ver seus imprintings.

- Ninguém precisa pagar nada. Eu disponibilizo meu jato e eles podem ir nesse final de semana mesmo. - Oliver completou assim que a garota estranha olhou para ele com uma expressão de curiosidade e abriu um grande sorriso de vitória ao qual Edward fez coro.

Como Bella e eu não eramos capazes de ler pensamentos e não sabíamos dizer o que estava acontecendo ali, simplesmente me incumbiram de passar o recado para os caras e dar a boa notícia enquanto eu torcia para que a saudade deles fosse grande o suficiente para que eu não apanhasse por ter exposto aquelas minhas preocupações acerca disso e ficasse tudo esquecido quando eles estivessem finalmente a caminho para vê-las de novo.




POV



- Sente-se, por favor. Precisamos conversar algo muito sério. - Tio Oliver estava bem em minha frente, assustadoramente imóvel e acompanhado de uma garota que com certeza era uma vampira e tinha o corte de cabelo mais curto que eu já vira uma mulher usar.

Algo me dizia que ele não me faria mal e então eu apenas me sentei. Claro que minha curiosidade também ajudou nessa hora. E ali todo o nervosismo da pobre Rachel fora explicado já que ela sabia muito bem o que meu tio era e sua convidada não deve ter passado desapercebida tão pouco.

- Está é Nina. - ele apresentou a moça e ela apenas sorriu para mim enquanto eu a encarava meio atordoada.

- Bem, você pode dizer a que veio! - tirei coragem sabe-se lá de onde para encará-lo com o que me parecia uma postura objetiva.

E então quando eu achei que todas as bizarrices já tinham me acontecido por essa e outras vidas, ele começou a contar coisas que faziam menos e menos sentido e eu continuei ali e apenas forcei minha mente a prestar a devida atenção. Porque aquilo ali era loucura, com certeza, mas parecia ser bem serio também.






Kim POV


parecia presa em seus pensamentos de uma maneira quieta demais até mesmo se fossemos considerar que nenhuma de nós estava muito feliz ou realmente concentrada na vida real desde que deixamos La Push. Reparei que ela ficara desse jeito devido à visita inesperada de seu padrinho vampiro, mas não parecia que ela iria me dizer o porquê tão cedo.
Larguei meu bordado, que já estava pela metade graças a ajuda de Marta em me ensinar novos pontos mais rápidos quando um grito cortou o ar e mesmo que a mansão fosse enorme nós pudemos ouvir com clareza de detalhes a voz da Rachel encher todos os cômodos.

quando pulou em Jake, que apenas veio provar essa ideia.





Jacob POV


Não dava nem pra acreditar que eu estava esparramado naquele sofá macio e gigante com a minha entre os braços olhando metade do meu bando sorrir como se fossem garotos ganhando presentes na manhã de Natal enquanto abraçavam suas garotas quase tão apertado quanto eu abraçava a minha, assistindo juntos à um engraçado vídeo que elas fizeram sobre a consulta no médico e as ultrassons. Claro que nem dava pra lembrar que dali a um dia e meio estaríamos de volta à La Push, de volta a guerra e devendo um favor daqueles à um sanguessuga. Não dava pra lembrar nem o nome direito. Era como uma overdose de alegria.

Quando você ama o seu orgulho realmente cai por terra e como se eu já não tivesse certeza disso a vida parecia me lembrar a cada segundo desse novo ensinamento.

- Jake, meu Jake! - se aconchegou mais em meus braços quase que ronronando.

Eu sinceramente não entendia como eu conseguia sorrir ainda mais, quando virei sua cabeça na minha direção e a beijei longamente como se estivéssemos sozinhos e aquele fosse o momento de nossas vidas. Era assim que eu estaria vivendo aquele tempo e eu tenho certeza que os outros caras pensavam o mesmo.

Não poderia brigar com Seth por nenhum motivo depois do bem que ele fez nos conseguindo mais essas horas e eu com certeza devia um obrigada à Bella, já que ela estava realmente se esforçando para conseguir o meu perdão e quando eu estava ali, com e meu filho, não havia espaço pra nenhum rancor em mim, nem mesmo àquele velho ressentimento que eu guardava de Bella por toda a nossa história que agora, eu podia perceber cada vez mais, que ficara no passado, sem maiores danos, afinal.

Eu sei, nem eu estava me reconhecendo com todos esses pensamentos amigáveis para com sanguessugas e toda essa filosofia rosa mas em minha defesa, é simplesmente impossível julgar, negar e odiar qualquer um ou qualquer coisa quando você simplesmente tem tudo o que você poderia desejar na vida e está vivendo esse momento com toda a sua energia.

- Vamos pro meu quarto. - sussurrou no meu ouvido e sorriu de lado.

Pulei com ela do sofá e a carreguei em meus braços no caminho para subir as escadas, sentindo como se voasse mesmo sem azas.

E então como numa piada do destino, a mãe dela chegou.




POV


As coisas que Oliver me dissera ainda remexiam em minha cabeça e mesmo que eu tenha dado a ele a minha palavra e estivesse satisfeita em ajudar a acabar com aquela maldita guerra de uma forma que eu jamais pensei que poderia, eu estava também, inegavelmente temerosa pelo meu bebê e pela possibilidade de Jake me impedir, descobrindo de alguma forma as pretensões de Nina e de meu padrinho para o dia do confronto tão esperado com os tais vampiros italianos.

“Não seja idiota, como Jake descobriria?” - uma parte de mim alegava enquanto a outra lutava com a possibilidade ainda que remota de ele saber à que eu estaria me expondo e expondo o nosso filho, mentindo para ele, de certa forma, quando optei por não lhe contar nada.

E então Rach gritou, Kim e eu saltamos pelas escadas para entender o que acontecia e de repente ele estava ali como se fosse uma ferroada na minha consciência nada limpa e ao mesmo tempo um balsamo ao meu coração tão torturado. O meu bebê mexeu pela primeira vez de forma forte o suficiente para que eu tivesse certeza que era mesmo isso que acontecia em meu abdômen e então tudo estava bem.

Porque ali estava o meu Jake, ainda mais magnífico ao vivo do que era em minha reles lembrança, rodeado por Paul, Sam, Quil e Jared que agora abraçavam minhas amigas, tão descaradamente felizes quanto eu estava.

Como se fossemos sugados para um mundo ideal, fomos informados de que o lanche que Marta sempre nos preparava já estava servido e quando Emily sugeriu assistirmos ao vídeo das consultas e entregar a eles as fotos dos bebês todas nós corremos aos nossos quartos para acatar tão obvia e brilhante ideia e tudo parecia ter sido esquecido, inclusive meu novo e assustador papel naquela guerra que ainda permanecia um segredo a todos. Porque você simplesmente não consegue se impedir de ser tão feliz.


- Vamos pro meu quarto. - sussurrei para o meu amor depois de termos visto o suficiente do vídeo, tendo muitas ideias para que aquela visita fosse ainda mais memorável, e como eu já esperava não precisei falar outra vez quando ele me ergueu nos braços e começou a caminhar em direção à escada.

Eu estava incrivelmente leve e totalmente empolgada com a possibilidade de trancá-lo naquele quarto e esquecer ainda mais das coisas até chegar a duvidar do meu nome, mas a sorte nunca é tanta porque de repente não só não estávamos sozinhos como estávamos na presença da pior pessoa que poderia nos aparecer naquela hora.

- Ponha minha filha no chão, agora! - a voz sempre educada de Clarissa Weelow, um dia conhecida como minha mãe, soou agourenta e mais prepotente do que nunca.

Jake a encarou com firmeza, mas não me soltou. Eu me assustei com sua aproximação, mas logo percebi que não poderia perder o controle.

- Saia da nossa frente! - pedi no mesmo tom que ela, desafiando-a a me contradizer.

- Esta casa é minha mocinha, eu posso chamar a polícia e colocar esses arruaceiros para fora agora mesmo então se você não quer visitar esse seu namoradinho sujo na cadeia é melhor fazer com que ele e toda a sua tropa de infelizes saiam daqui agora! - ela gritou perdendo a linha e me assustando de verdade nessa hora, já que minha mãe era uma cobra com certeza, mas nunca perdia a calma e a dissimulação. Me perguntei o que de fato acontecera.

Desci do colo do Jake e me mantive inexpressiva.

- Vai encontrar meus papeis de emancipação na escrivaninha do escritório do papai. Não que eu precise realmente, pois sou uma mulher legalmente casada a algumas semanas. E eu acho que não é necessário te lembrar a quem essa casa de fato pertence, “mamãe”, já que você conhece muito melhor que eu os termos do testamento da vovó Weelow. - dei minha cartada mais cruel e ao mesmo tempo, a mais certa.

Clarissa murchou na hora, de certo se perguntando quando foi, entre uma balada e outra, que eu arranjei tempo para saber dos meus direitos e ela devia realmente estar considerando que eu tive muito tempo sozinha e desiludida nos meus primeiros dias em La Push quando minha família me ignorou no NATAL, para pesquisar qualquer coisa que me livrasse dela.

Me deu as costas como se eu fosse indigna de qualquer outra de suas palavras e desapareceu pelo fim do corredor que levava a garagem.

Jake me abraçou como quem pergunta: “Você está bem?”

Mas eu logo voltei a sorrir para ele. Não é que eu gostasse dessa situação, não é que eu teria escolhido desprezar a minha mãe se eu tivesse tido essa escolha antes. Mas eu não podia obrigá-la a me amar, não poderia a essa altura ensiná-la a ser uma mãe e sinceramente tinha afeto o suficiente das pessoas à minha volta para não precisar mais do dela. Como se dentre tudo o que poderia me afetar ela fosse reduzida à um nível tão baixo, que não desse mais pra sentir os seus espinhos.

- Eu estou bem, meu amor, você está aqui! - eu disse em voz alta e eu sabia que Jacob entenderia à que eu estava me referindo porque mesmo que eu não dissesse tudo que estava em minha cabeça no momento, é isso o que acontece quando você ama alguém que ama você de volta.


Oliver POV

- Aquela moça não é Eleanor, Oliver, espero que você saiba disso! - Nina disse assim que entramos no jato da minha corporação já que o meu jato pessoal eu emprestei para o bando de cachorros em um rompante de diplomacia.

- Você não sabe o que diz, ela tem a marca Nina, e foi você mesma quem disse que eu poderia esperar pelo retorno dela e a marca seria um sinal. - retruquei não entendendo onde ela queria chegar com aquela conversa.

- Não seja ingênuo e ignorante Oliver. - ela parou seu caminhar falsamente humano e me olhou com o que me pareceu pena.

- O que... - eu ia contradizê-la outra vez e alertá-la para controlar sua língua quando ela me impediu, sentando-se numa poltrona dupla e fazendo com que eu sentasse na outra. Ela segurou minha mão.
- Veja Oliver. Ela tem a marca e esse é um sinal. Não estou contradizendo a minha própria profecia, mas eu me pergunto se você realmente entende o que aquela marca significa. Quando eu disse a você que da humana com a marca renasceria Eleanor eu não estava dizendo que ela seria Eleanor, mas que a partir dela a sua amada renasceria, como “nascer outra vez”. Sempre soubemos que a linhagem estava certa. Eu não sei se você percebeu, mas aquela moça está grávida Oliver, isso não lhe diz nada? - falou segura de forma amigável.

- Mas e o ritual de revelação. Eu fiz minha pesquisa...

- Homem tolo! - ela repreendeu ficando impaciente. - A jovem é sua chave. Apenas isso. Ela dará a luz a uma criança e esta criança será Eleanor, renascida. E com o tempo as memórias da vida passada poderão ser despertadas nela sem que você precise fazer ritual algum. Conviver com você bastará. Você sabe que vocês dois tem a ligação. Uma das mais fortes que já vi em tantos séculos.

- Eu não entendo como você possa ter essa certeza sobre esse bebê que nem veio ao mundo ainda. Foi você mesma que disse para que eu procurasse pela marca. É , Nina, tem que ser...

- Você está sendo teimoso, Oliver. O encantamento que estou prestes a fazer com a garota é um encantamento antigo que só funciona com a ligação de almas gêmeas, conectadas desde o início de suas formações e não é só você quem eu usarei para selar o feitiço. Eu vou usar também o jovem alfa porque eu pude sentir a ligação entre ele e a sua protegida mesmo que eles estivessem distantes. Quando falamos com eu tive ainda mais certeza de que funcionaria, eu pude sentir o bebê e aquele bebê se liga a você inegavelmente. Sei que você está pouco familiarizado com o que os lobos chamam imprinting, mas sabe que eu conheço esses transmutadores e a magia deles sempre me interessou. Eu os estudei o bastante para saber que e o garoto foram criados juntos e vem retornando vida após vida para se encontrarem. É bem simples na verdade: não é sua Eleanor porque a alma dela não pertence a você e sim ao lobo. Se ela fosse Eleanor, o garoto nunca teria sofrido o imprinting com ela. Você está sendo orgulhoso demais para admitir que tem perseguido a garota errada. Seja paciente e irá reencontrar sua Eleanor. Além do mais, eu sei que você não está ajudando a esses pobres coitados porque você é assim tão bom de coração. Você e eu desejamos pegar Caius Volturi há muito tempo e sabe que uma oportunidade dessas só vem uma vez.

E então se virou, encostando-se na poltrona como se fosse só uma humana preparando-se para um longo voo e nada mais disse.

Minha mente estava incrédula, mas eu percebia a verdade em cada mísera palavra de Nina. Era difícil, no entanto, abrir mão da certeza agradável de que eu finalmente achara minha amada para o incerto pressentimento da bruxa ao meu lado, mesmo que ela fosse com certeza a mais poderosa de sua espécie.

Pensei em Caius Volturi, no entanto, e a raiva cega me fez forte.

Aquela guerra estava definitivamente vencida com o que Nina prepararia usando a mim, Amelie, e pelo que parecia também o seu bebê e o seu cachorro de estimação.

Aquele feitiço não só deixaria todo o bando de lobos inatingível, literalmente, como protegeria todas as almas irmãs em um raio de quilômetros e os Cullen e seus aliados eram praticamente todos casados, enquanto os Volturi tinham uma política que desencorajava uniões entre os membros da guarda. Não seria preciso nada mais assim que Aro tocasse Nina para que eles recuassem como os ratos covardes que sempre foram e quando eles recuassem, ela e eu estaríamos esperando para pegar Caius fora de sua toca como ele nunca esteve em muitos e muitos séculos.

Quem iria dizer que seria o amor a vencer o exército de poderosos que Aro Volturi vinha colecionando por mais de um milênio.

Nina tinha razão em outra coisa. Eu não estava nessa pelo meu bom coração ou para proteger embora olhar para ela me lembrasse do que eu realmente vingava. Aquele maldito italiano levara meu amor de mim uma vez, pois eu levaria o que ele mais prezava. Sua maldita existência.

Batalha final
Jacob POV

O fim de semana passou como um flash e não mais que de repente estávamos subindo a bordo daquele jato para voltar à amarga realidade. Não tivemos coragem para nos despedirmos das garotas e apenas deixamos que dormissem. Não estávamos nos sentindo nada heróicos, mas ninguém ali aguentaria outra despedida, então fomos apenas, terrivelmente práticos.

- Temos duas semanas até o conflito. - Sam disse assim que o avião ganhou o ar. - Precisamos intensificar os treinamentos e selar as fronteiras, mas também precisamos encontrar uma forma de deixar todos inteiros para o dia do confronto. Eu estou tão acabado quanto vocês, mas não quero mais saber de perda de sono, má alimentação ou exaustão física. Vocês já conhecem seus limites. Respeitem-nos e trabalhem com eles.

Eu concordei enquanto via um após outro fazer o mesmo. Daquele instante em diante tínhamos de trancar nossos corações. Os nossos sentimentos nos faziam mais fortes porque nos lembravam o porquê de lutarmos sem desistir, mas também conseguiam nos deixar fracos por nos dizerem a todo o momento o que estávamos perdendo.

Devíamos sentir agora apenas a raiva que nos moveria pra cima daquele bando de sanguessugas italianas enquanto mostrávamos para eles que aquela guerra seria seu pesadelo tanto quanto era o nosso.



POV


Despistei Kim para que dormisse com Emily e não comigo, arrumei uma pequena valise com tudo o que a tal vampira Nina havia me alertado para levar, peguei minhas vitaminas de grávida e o lanchinho que Marta arrumara pra mim pensando que eu levaria para a escola de manhã e segui meu coração mesmo sabendo que teria grandes problemas com Jake por estar fazendo tudo isso pelas costas dele.

- Oi , ainda não foi para a cama? - Rachel me surpreendeu no corredor e eu mal consegui esconder a valise que eu levava comigo.

Já fazia duas semanas que os garotos tinham voltado para La Push e embora as garotas não soubessem que estávamos à 24 horas do confronto que decidiria nossas vidas, eu sabia, porque eu estava agora mesmo fugindo exatamente para o olho do furacão.

- Eu só pensei em descer e fazer um pouco de sauna para relaxar. - menti com minha melhor cara de inocência.

- Ah, boa sauna então! - ela disse toda aérea sem questionar o porquê de eu estar levando uma grande parca em meus braços enquanto calçava botas de couro confortáveis e sem salto, mas que ainda gritavam “FUGITIVA” bem alto.

Creio que não poderia culpar a Rachel e as garotas por estarem no mundo da lua. Por mais que elas não soubessem ao certo o que estava acontecendo acho que todas nós sentíamos que chegara a hora.

Já fora dos portões da mansão, não olhei para traz enquanto erguia meu queixo e firmava minha escolha. Andei um quarteirão e esperei. Não que eu tenha esperado muito.

- Tem tudo o que precisa? - Nina apareceu me assustando embora tivesse um sorriso ameno na face e transmitisse confiança.

- Sim. - eu respondi. - Estou pronta!

Jacob POV

- Chegou a nossa hora. – Seth passou pela porta da casa de Emily e Sam e sua expressão era séria como nunca antes fora. Eu mal reconhecia o garoto animado que vivia me pentelhando naquele novo cara compenetrado e de ações mecânicas como o resto de nós.

Tirei minha camiseta e meus tênis, saindo da casa e vendo todos os outros garotos do bando fazerem a mesma coisa.

Nós já sabíamos onde deveríamos nos encontrar com os Cullen e esse era o sinal. Agora nos restava esperar e ter fé de que tudo seria resolvido para o melhor. E mesmo assim, se não tivéssemos tal sorte, precisaríamos confiar que estávamos preparados para proteger todos os indefesos que de nós dependiam.

POV

- Você é muito corajosa garota, eu preciso dizer! - a vampira olhou pra mim com seu sorriso aberto e gozador. - Vejamos bem, aqui está a mexa de cabelo do seu lobo, uma mexa do seu próprio cabelo, algo que ele deu a você, algo que você deu à ele... - ela entoava enquanto juntava todas as coisas que me pediu pra levar dentro de um paninho velho e encardido.

É claro que eu estava com medo, estava confusa e estava pirando total enquanto o jato do meu tio me levava de volta à La Push.

- Bem, espero que você não tenha medo de agulhas porque preciso de um pouco do seu sangue para juntar com esse aqui. - ela chacoalhou um vidrinho com um liquido vermelho escuro e eu me perguntei se aquele sangue era do Jake e como ela teria conseguido aquilo.

Meio que fazendo tudo no piloto automático eu estendi meu braço para ela e apertei o lábio inferior com os dentes enquanto ela procurava uma agulha dentro da própria bolsa.

- É descartável, fique tranquila! - ela abriu a embalagem na minha frente como se achasse esse tipo de preocupação um tanto engraçada.

A picada doeu, mas não foi nada que eu já não tivesse sentido em exames médicos. Não estava disposta a choramingar.

- Bem, estaremos chegando ao meu hotel dentro de alguns minutos e vamos ficar lá enquanto eu preparo você para o ritual. Preciso lembrá-la outra vez de que enquanto sua ligação com seu bebê e o seu lobo estiver fortalecendo o bando dele, você estará totalmente vulnerável porque qualquer feitiço que eu viesse a lançar sobre você para evitar isso anularia toda a coisa, certo? Tem certeza que quer fazer isso? - ela perguntou depois de tagarelar.

Apenas acenei com minha cabeça positivamente e ela continuou seu monólogo.

- Você será protegida por Michael e John todo o tempo, são dois amigos meus e de Oliver que já lutaram mais batalhas do que podem contar, mas ainda assim, se os Volturi tiverem sua própria bruxa, o que eu acho tremendamente difícil - mas nada é impossível - você não estará em segurança. Não teremos tempo de olhar por uma humana enquanto tentamos defender nossa própria vida. - ela parecia mais seria agora.

- Eu entendi e eu quero ajudar! É o único jeito, não é?! - disse quando percebi que ela continuaria tentando me dissuadir se eu não parecesse totalmente certa daquilo.

- Sim criança, esse é o melhor jeito! Acho que é o único também.

Quando eu menos esperei o avião pousou, Nina pediu minha permissão para me carregar em suas costas e enquanto me instruía à fechar os olhos, me levou até um quarto alugado de uma pousada um tanto chinfrim que eu particularmente não chamaria de hotel.

Era totalmente alucinante ser carregada por um vampiro no entanto, como estar em uma grande montanha russa só que mais rápido e mais suave.

- Tire a roupa. - ela disse na maior, como se eu fosse mesmo fazer aquilo. - O que foi não me ouviu? - questionou quando eu continuei ali parada e obviamente vestida. - Hei se não fosse totalmente necessário eu não teria pedido, OK? - ela foi paciente. - Eu posso me virar se você quiser!

Comecei a obedecer sem tempo para ser pirracenta e amedrontada demais com o tom de repente sério de suas palavras. Ainda de costas ela continuava suas instruções.

- Eu preciso que você tire brincos, anéis, prendedor de cabelo, calcinha, soutien, qualquer coisa, certo?

Eu obedeci em silêncio, sentindo o frio tomar conta de mim.

- Agora vá até o banheiro e mergulhe naquela banheira que está cheia e não se importe com as folhas. Não estão sujas nem nada assim. - ordenou ainda sem me olhar. - Fique aí até que eu te chame e, por favor, de agora em diante concentre-se no seu lobo, nos seus momentos com ele. Tente não pensar em mais nada a não ser ele. - ela ainda dizia enquanto eu pensava que isso sim seria fácil. Jake já ocupava 90% do meu pensamento de qualquer forma. - Não se enxugue quando eu mandar você sair e não interrompa seus pensamentos.

E então eu contrariei todas as minhas impressões sobre onde e como eu devia me banhar e entrei na tal banheira que tinha de flores até folhas de todo o tipo, algumas tão pequenas que pareciam até aquela coisinha que colocam em cima da pizza.

- Venha até mim. - Nina disse depois do que me pareceu um longo tempo. Pelo menos o banho não fora gelado. - Vista isso! - me atirou um pedaço de pano muito velho e miserável que fez com que eu desse dois passos para traz.

- Ah, vamos, sem frescuras! - me repreendeu com severidade ainda sem me encarar, respeitando meu espaço como podia. - Isso é uma túnica de algodão egípcio, colhido, fiado e tecido a mão por virgens do templo de Isis a mais de um milênio. É a única coisa que você pode vestir sem comprometer o ritual e pode agradecer à minha obsessão por peças raras e antigas porque se não fosse por essa túnica aí você teria de ir nua mesmo e eu garanto que nenhum dos Volturi te daria às costas em consideração.

- Eu morrerei de frio! - defendi o único argumento que talvez fosse me salvar de vestir apenas aquele trapinho mofado.

- O encantamento te manterá aquecida assim que eu conjurá-lo. - garantiu.

E então eu percebi que ela falava sério quando depois de engolir uma poção extremamente doce que eu não gostaria de pensar que envolvia meu sangue e os fios de cabelo que ela pegara comigo, e ficar andando em minha volta, pronunciando uma cantilena no que parecia latim, Nina finalmente me declarou pronta, me entregando um colar que parecia uma pequena trouxinha com cordas e me colocando nas costas outra vez para me levar até o campo de batalha.

Jacob POV

A clareira era a mesma onde encontramos o exército de recém-criados, não muito tempo atrás. A relva estava voltando a esverdear-se depois do inverno rigoroso que tivemos no Natal. Sam nos colocou em formação, uma espécie de V que protegeria os mais novos e colocava os mais habilidosos na linha direta do ataque. Ficamos dispostos logo atrás da formação dos Cullen, que já estava pronta quando chegamos e fazia uma distinção clara de quem estava ali para lutar e aqueles que vieram como Carlisle dissera, apenas para testemunhar o crescimento do garoto meio-vampiro.

Havia um bom número de aliados que estavam dispostos à lutar. Eu conseguia contar mais ou menos vinte e cinco vampiros entre Cullens, os Denali e aliados trazidos por Oliver. A matilha estava maior também e como prometemos que deixaríamos todos lutarem por mais novos que estes fossem, contávamos com Seth, Collin, Brad, Neil, Daniel e Nick, além de Sam, Paul, Jared, Embry, Quil, Leah e eu.

Todos estavam tensos à espera de algo, um sinal que fosse da grande chegada. Mas até agora nada dos sanguessugas italianos. Só a expectativa e as infrutíferas tentativas de concentração. Porque não tem como você não pensar nas pessoas mais importantes da sua vida quando está prestes a arriscar sua vida e eu sei que como todos os outros caras eu fiz um juramento de que nesse campo eu seria só um soldado, mas não dava simplesmente para arrancar o marido e pai de dentro de mim. Sam rugiu ao meu lado tomando minhas palavras como dele e pude ver nas mentes de Paul e Jared o mesmo medo que me rondava.

Mas então algo se mexeu do outro lado da clareira, na mata escura a nossa frente onde nem os nossos poderosos olhos definiram ao certo o que estava vindo por ali. O cheiro de vampiro dominou nossos sentidos mesmo quando já estávamos cercados pelo fedor dos aliados.

Não eram os Volturi afinal. O último pensamento que captei da matilha antes de mudar de forma imediatamente foi o de Seth, já que ele reconhecera o visitante antes de qualquer um de nós. A vampira que chegou até a formação dos Cullen, sem causar comoção, deveria estar do nosso lado, mas certamente não foi ela que me fez abandonar qualquer protocolo.

A fria trazia consigo uma garota humana. Garota essa de quem eu reconheceria o perfume à quilômetros de distancia.

POV

Nina me pôs no chão gelado e eu notei que embora o seu feitiço tenha me mantido aquecida, eu ainda podia sentir o friozinho incomodo nas solas de meus pés.
No entanto, não tive nem um segundo sequer para observar em nossa volta ou me indignar por estar descalça quando meu Jake irrompeu da formação de vampiros desconhecidos em sua forma humana, vestindo apenas a sua bermuda e com uma carranca que me deixou realmente amedrontada como nem os sanguessugas deixaram.

- O que está acontecendo aqui? O que ela faz aqui? Quem é você sanguessuga? Saia de perto dela, eu só vou avisar uma vez! - ele falava tão irritado que eu podia ver suas mãos tremerem enquanto ele as apertava em punho.

Em menos de outro segundo, Sam e Embry já estavam ao lado dele, também em suas formas humanas.

Não sei como, mas aquela situação toda me deixou um pouco idiota e como eu sabia da minha culpa de não ter preparado ele pra nada daquilo mesmo que fosse inevitável ele me ver e fazer todo esse escândalo, eu só fiz uma careta e disse:

- Oi amor. Fico feliz que você está bem!

E então a atenção dele voou de Nina para mim como que na velocidade da luz e agora eu estava mesmo ferrada.

- O que significa isso, ? - ele perguntou diretamente pra mim quando Nina foi se juntar à Oliver ignorando-o completamente.

- É... bem... é meio complicado amor, eu explico depois certo? Agora vamos ficar ali quietinhos e esperar com os outros, certo? Deveria se trans...

Mas eu nunca acabei de dizer aquilo.

- Violet Black, eu te fiz uma pergunta e eu mereço uma resposta direita. O que você pensa que está fazendo aqui? - e como ele tinha acabado de falar meu nome inteiro, meu novo nome, diga-se de passagem, eu me senti intimidada o suficiente para contar a ele o que era tudo aquilo ali.

Depois de mais alguns gritos, risadas disfarçadas de um vampiro grandalhão, que nos olhava como quem assiste uma novela mexicana, e tentativas de Carlisle em acalmar Jake e meu tio Oliver e Nina explicando direito como toda aquela coisa de feitiço funcionava, eu ainda acho que Jacob não estava disposto à cooperar com a ideia, já que ele disse que um lobo mais jovem me escoltaria até La Push não importa o que eu tenha pensado que faria.

E foi naquela hora que ele provocou a garota errada porque eu estava sendo muito boazinha até aquele momento e ele bem sabe como eu o amo, mas ele tinha que entender que não mandava em mim e que naquela altura do campeonato eu não sairia dali de jeito nenhum.

- Jacob Black, seu grande troglodita, eu fiz uma escolha e ninguém me obrigou à isso. Foi errado não te contar? Foi! Você teria me deixado vir se eu tivesse contado? - e então ele mesmo respondeu um NÃO bem alto, mas antes que ele continuasse e ganhasse força novamente, eu prossegui. - Você acha que eu vou embora por que você mandou?! Por que sua ignorância não deixou você prestar atenção quando todos explicaram que eu posso ser a única chance de todo mundo aqui?! Eu sei o que eu estou fazendo, seu idiota! Essa é a chance que eu tenho de garantir ao meu filho que ele não vai crescer sem pai e eu acredito que possa funcionar ou eu nunca o colocaria em risco. Não questione o meu direito de estar aqui e proteger a quem eu amo de um jeito que só eu posso fazer quando você está aqui fazendo a mesma coisa. Eu te entendi desde o começo. Eu apoiei você... Faça o mesmo!

E então, ele foi e me deixou ficar, pedindo desculpas pelo barraco público?

É claro que não! Ou ele não seria o teimoso, impulsivo e grosso do meu marido, muito amado.

Jacob apenas me calou com um beijo que mais parecia uma agressão e então me jogou em cima de seu ombro e começou a caminhar em direção à floresta, decerto, pronto pra me levar até La Push ele mesmo.

E aí tudo parou, como se o tempo tivesse mesmo congelado a todos e algo o impediu. A mesma coisa que fez as expressões de cada ser ali naquela clareira fecharem-se e convergirem para uma máscara de poder, enquanto Sam e Jared voltavam imediatamente à suas formas de lobo e todos mantinham suas posições que exalavam defesa.

Fui tirada do seu ombro, mas mantida em seu colo. Dois vampiros que estiveram ao lado de Nina vieram para mais perto de mim e Jake e pude reconhecê-los como meus prometidos seguranças.

Porque do lado exatamente oposto ao que nos encontrávamos, logo à nossa frente, uma longa formação horizontal de gente encapuzada se colocava, rígida e sem falhas. Eles se moveram juntos antes de finalmente pararem à vários metros deixando um miolo entre os dois grupos, como se fizessem uma terra de ninguém.

E ali eu percebi que nunca realmente tinha entendido o significado do medo antes, nunca antes percebi minha respiração faltar e nunca antes conheci pavor grande o bastante para fazer com que meu estomago embrulhasse todo quando eu sabia que dessa vez, a gravidez nada tinha a ver com meu mal estar.

Os tais Volturi haviam chegado. A nossa hora havia chegado.

Eu estava às portas de minha morte ou de um triunfo do qual jamais poderia imaginar.

Jacob POV

A era maluca, mas aquilo ali era mais sério. Como ela esperava que eu fosse conseguir lutar enquanto ela estava ali no meio de tudo, e sinceramente, quem pôs aquela roupa nela? Se aquilo podia ser chamado de roupa, afinal. Ela devia estar congelando. Só me faltava pegar uma pneumonia. Eu sei que devia ter me separado dela e me transformado. Metade da minha mente e meu corpo gritavam por essa resolução, mas a outra metade que parecia ganhar a disputa manteve-me ali, colado à ela, esquentando-a com meu corpo e decido a protegê-la acima de qualquer juramento ou comportamento sensato.

- Tão teimosa! - sussurrei para ela sem conseguir manter o tom de raiva de antes quando olhava seus grandes olhos cinzentos completamente apavorados com a chegada dos Volturi que me pareciam tantos que seriam capazes de nos engolir em menos de uma tentativa.

- Vai dar tudo certo Jake, apenas fique comigo. Nós precisamos nos lembrar de tudo que passamos. Precisamos nos tornar um só em pensamento e nossa ligação vai ser forte o bastante! - ela falou com a voz falhada, mas dava pra ver que ela acreditava no que dizia.

A apertei um pouco mais e já que não havia nenhuma outra atitude à tomar, acreditei também.

TRECHOS do cap 36 de “Amanhecer”, Livro 3, Bella.
“Carlisle enquadrou seus ombros e andou vários passos à frente da nossa linha defensiva. Odiei vê-lo sozinho, desprotegido. Ele estendeu os seus braços, apoiando as suas palmas como em uma saudação.

-Aro, meu velho amigo. Já se passaram séculos.
Pela primeira vez, a fileira dos Volturi reagiu. Uma rosnadura murmurada rolou pela linha, um olhar feroz sob as sobrancelhas, lábios enrolados atrás de dentes. Alguns dos guardas inclinaram-se para frente agachados.
Aro apoiou uma mão em direção a eles. - Paz.

- Palavras justas, Carlisle - ele falou em sua voz fina. - Elas parecem fora do lugar, considerando o exército que você reuniu para me matar, e matar os meus queridos.

Carlisle sacudiu a sua cabeça e esticou a sua mão direita para frente como se não houvesse ainda quase cem metros entre eles.

- Você tem apenas que tocar a minha mão para saber que essa não nunca foi a minha intenção.

Os olhos perspicazes de Aro se estreitaram.

-Mas como a sua intenção pode importar, querido Carlisle, em vista ao que você fez? - Ele franzir as sobrancelhas, e uma sombra de tristeza cruzou seu rosto — se era verdadeira ou não, não posso saber.

-Não cometi o crime para o que você deve me punir aqui.

-Então dê passagem para punir os responsáveis. Realmente, Carlisle, nada me agradaria mais do que conservar a sua vida hoje.

-Ninguém violou a lei, Aro. Deixe-me explicar. - Novamente, Carlisle ofereceu a sua mão.

Antes que Aro pudesse responder, Caius veio rapidamente para a frente ao lado de Aro.

-Tantas regras inúteis, tantas leis desnecessárias que você cria para você, Carlisle - o antigo cabelo branco assobiou. - Como é possível que você defenda a quebra daquela que realmente importa?

-A lei não foi quebrada. Se você escutar...

-Vimos a criança, Carlisle - Caius rosnou. - Não nos trate como tolos.

-ELE não é imortal. ELE não é vampiro. Posso comprovar facilmente isto em somente alguns momentos...

Caius o corta.

-Se ele não é um dos proibidos, então por que você reuniu um batalhão para protegê-lo?

-Testemunhas, Caius, assim como você trouxe. - Carlisle gesticulou irritado com a horda na borda da floresta; alguns deles rosnaram em resposta. - Alguém desses amigos pode lhe dizer a verdade da criança. Ou você pode apenas ver ele, Caius. Ver o rubor do sangue humano nas suas faces.

-Artifícios! - Caius repreendeu. - Onde está o informante? Deixe-a vir aqui na frente!

Ele olhou por cima de seu pescoço para ver Irina que se encontrava atrás das esposas.

-Você! Venha!

Tanya e Kate assobiaram sincronizadamente. O corpo de Irina estava rígido e os seus olhos finalmente concentraram-se em Caius. Ele apontou seu dedo para E.J, que estava às minhas costas.

-Esta é a criança que você viu? - Caius exigiu. - Aquela que era obviamente mais do que um ser humano?

Irina olhou para nós, examinando E.J. pela primeira vez desde sua entrada na clareira. Sua cabeça inclinou-se ao lado, a confusão cruzou seu rosto.

-Então? - Caius rosnou.

-Eu… não estou certa - ela disse, seu tom era desconcertado.

A mão de Caius se contraiu como se ele quisesse lhe esbofetear.

-O que você acha? - ele disse em um sussurro de aço.

-ELE não é o mesmo, mas acho que é a mesma criança. Acho que é ELE modificado. Esta criança é maior do que aquela que vi, mas...

A respiração furiosa de Caius crepitou repentinamente e ele mostrou os dentes. Irina parou de falar. Aro foi para o lado de Caius e pôs uma mão em seu ombro.

-Se recomponha, irmão. Temos todo tempo para classificar isto. Nenhuma necessidade de ser rápido.”
Nina POV


Sentia-me como uma adolescente outra vez, e pior que isso, sentia-me tremendamente humana enquanto repetia em minha mente milhões de vezes: Tomara que eles não tenham uma bruxa, tomara que eles não tenham uma bruxa!

Eu sabia que nenhuma de minhas irmãs trabalharia para um vampiro mesmo que disso dependesse sua própria vida e até onde eu sabia só eu tinha sido arrogante, mesquinha e teimosa o bastante para me transformar em uma vampira, explicando o porquê de eu estar ao lado de vampiros no momento, mas mesmo assim um monte de imagens passavam por minha cabeça alimentadas por minha ansiedade. E se eles estivessem mantendo uma bruxa presa, ameaçando sua família ou até mesmo tivessem encontrado uma bruxa ainda bebê e a criado para sua guarda? Pelo que eu conhecia dos Volturi, eles eram capazes de tudo.

A única coisa que realmente me confortava era o pensamento claro de que Aro Volturi nunca acreditou muito no poder das bruxas e por isso nunca pareceu disposto à mantê-las contra sua vontade ao seu lado.

Olhar para e seu lobo, no entanto me fazia bem. Aquele feitiço estava amarrado com cordas inquebráveis, mais seguro que se protegido com aço. Nunca antes eu tive a oportunidade de controlar uma ligação daquelas e eu podia sentir o poder se esvaindo do meu corpo e se juntando ao deles para completar o ritual de uma forma que me tranquilizava, me fazendo mais crente do que eu gostaria na possibilidade que nem se os Volturi tivessem uma bruxa, ela teria força suficiente para quebrar tal elo.

Subestimar o inimigo não era algo que eu fazia com frequência então me forcei a me manter humilde.

E quando a formação de encapuzados saiu das arvores e todos ficaram em seu segundo particular de medo eu só conseguia sorrir como se eu fosse uma garota de sete anos novamente e estivesse no quintal de minha casa em um dia de verão enquanto minha mãe descascava pêssegos para fazer grandes quantidades de doce, porque eu sentiria uma bruxa se ela estivesse ali, assim que eles chegaram, mas não havia qualquer outra bruxa em toda aquela clareira que não fosse eu mesma. Nós estávamos definitivamente salvos e o plano estava de pé.

Haveria vitória hoje e ela não seria Volturi.





Oliver POV

Assim que Nina olhou para mim eu entendi apenas pelo arco agradável de seu sorriso e seus olhos brilhantes que estávamos cobertos. Os números estavam totalmente aceitáveis. Havia trinta e dois Volturi e fazíamos um grupo um pouco maior embora nem todos fossem lutar em caso de conflito.

Ouvi quando Edward disse que os vampiros que vieram junto com os Volturi e eram sim, muito numerosos, nunca se envolveriam em um confronto e isso também me confortava.

Foi com grande decepção, no entanto, que eu pude ver Alice Cullen entrando na clareira assim que Aro Volturi declarou que E.J. poderia ser perigoso, quando nem mesmo os Cullen sabiam ao certo como ele cresceria.

Porque a pequena vidente não havia abandonado sua família como todos pensamos. Ela trazia um garoto, o qual apresentou a Aro junto à mais uma testemunha que provava que para os meio-vampiros era até mais fácil passar desapercebido no mundo dos humanos. Eles se alimentavam também de comida e atingiam a maturidade e então permaneciam vivendo naquela forma por muito tempo. O garoto que ela trouxera, por exemplo, parecia ter uns 16 anos, mas já tinha por volta de 150.

Duvidei de que houvesse conflito depois de toda aquela diplomacia bem sucedida.

Até que Caius Volturi assinou sua sentença de morte, chamando Irina Denali outra vez. Dessa vez, no entanto, não era para que ela testemunhasse sobre a criança, refazendo suas acusações, que nos levaram ali, em primeiro lugar. O porco estava apenas interessado em assassiná-la por ela tê-lo exposto a tal vergonha, de estar completamente errado perante suas testemunhas e todos aqueles a quem ele julgava-se superior.

Eu vi a fúria bulir nos olhos de todos entre nossos aliados e se alojar permanentemente em Tânia e Kate Denali, um segundo antes de apreciar a realização dos meus planos.



POV


Tudo estava muito tenso, conversas que eu não conseguia ouvir pela distancia em que eram travadas e coisas das quais não entendia muito. No fim, parecia que eles estavam se resolvendo muito bem já que ninguém tinha começado a morder ninguém ainda e em algum lugar da minha mente ainda mais perturbada que o normal, eu imaginava que eles brigariam assim: às mordidas.

- Por que nada está acontecendo? - perguntei à Jacob que recusara-se a se transformar e ainda me mantinha em seu colo.

- Pelo que eu posso ouvir, Alice, a sanguessuga baixinha que acabou de chegar, conseguiu provar que o garotinho não é uma ameaça – ele disse tentando se concentrar no que acontecia.

É claro que o menino não era uma ameaça. Ele estava no colo da tal Bella, mas era uma gracinha. Olhava para mim cheio de vergonha e eu sorria para ele deixando-o ainda mais vermelho. Acho que ele ficava imaginando o porque de eu estar no colo de alguém, como só ele estava, se eu não era mais criança.

De repente a conversa acabou e todos ficaram mais tensos.

E então eu não conseguiria dizer o que aconteceu ao certo, mas só o que eu sei é que tudo se transformou de repente, quando a nossa frente uma pequena pira se acendeu e algo começou a queimar nela por mais que eu não pudesse ver o que era.

Duas mulheres vampiras do nosso lado rugiram como animais selvagens e raivosos. Meus seguranças fecharam o cerco sobre mim e Jake, e eu sabia que havia chegado a hora onde tudo acontece quando vi meu tio Oliver avançar na terra de ninguém e arrancar a cabeça do primeiro vampiro que apareceu na frente dele, como se aquela criatura não fosse nada mais que um boneco.

Fui parar no chão e Jake explodiu no grande lobo castanho avermelhado que eu já vira antes. Ele rugiu para a linha inimiga enquanto vários vampiros de ambos os lados avançavam uns sobre os outros e eu via os primeiros lobos irem de encontro aos seus alvos.

Com um alívio prematuro, meio impossível de se conter, eu notei que mesmo que a maioria dos adversários fossem apenas borrões para mim, nenhum dos lobos parecia ter sido atingido e uma coisa engraçada – por falta de expressão melhor – acontecia logo mais adiante com uma vampira de manto preto, que mais parecia uma menininha. Ela estava cercada por dois vampiros que lutavam por ela enquanto se concentrava claramente na tal Bella, a ex do Jake que dava uma gargalhada insana enquanto mantinha o filho seguro em suas costas e parecia tão confiante quanto eu como se ela também estivesse decidindo o futuro desse confronto.

- Parem, Parem... recuem todos! - uma voz torturada ecoou pela campina e todos os vampiros italianos começaram a correr.

Há essa altura percebi que não sobravam muitos vampiros de capuz.

Meu tio Oliver e mais alguns vampiros do nosso lado foram ao encalço dos fugitivos com certeza para retalhar mais alguns enquanto o resto comemorava aos vivas na maior algazarra que eu já vira. Afoita, me perguntei se aquele era o fim.

À minha esquerda o vampiro grandalhão que rira da minha briga com Jacob mais cedo, tentava se soltar dos braços de uma loira estonteante que berrava coisas como: “Não seja estupido, acabou, nós ganhamos, não vai perseguir ninguém!” e logo mais adiante eu podia ver a macabra cabeça da garotinha vampira ser atirada em uma das três grandes fogueiras que agora jaziam na clareira enquanto alguns dos lobos se revezavam dançando em torno delas, no que eu logo percebi não ser uma dança e sim, uma coleta de varias partes de corpo que eles estavam queimando ali.

Era tudo tão irreal, mas o que não era irreal naquela minha nova vida louca que eu abraçara totalmente ao receber Jacob nela?

E como se a menção mental de seu nome fosse capaz de trazê-lo para mim instantaneamente, eu vi o lobo que eu amava voltar a ser o homem da minha vida, pôr sua bermuda rápido o suficiente e vir ao meu encontro com a mais agoniada das expressões que eu tinha certeza ser apenas o seu medo de que eu não estivesse bem, como ele logo poderia ver que eu estava, embora o feitiço de Nina estivesse se esvaindo pelo que eu podia imaginar, já que eu começava a sentir frio.

Sorri para ele e estiquei meus braços de um jeito bobo e totalmente ideal e quando seu calor bateu de encontro a mim, senti seu cheiro e pude sufocar em seu abraço firme e apertado. Porque eu soube, como eu sempre sabia quando ele me abraçava, que tudo estaria muito bem!



Epílogo


LA PUSH, Casa dos Black – 19 anos e 364 dias depois da vitoria sobre os Volturi.

Balck se apoiava na bancada de granito de sua cozinha cortando suculentas maçãs verdes, que em breve iriam se tornar parte essencial de uma gigantesca torta que ela estava fazendo com uma velha receita de Marta para levar até a reunião do conselho de anciões Quileute, na fogueira daquela noite.

Não seria, no entanto, uma noite comum de fogueira e lendas. Havia um propósito especial na noite de hoje e um motivo a mais para celebrarem a tradição Quileute e tudo o que ela significava. Estariam comemorando 20 anos da derrota dos Volturi. Ainda era estranho a ela imaginar o quão rápido o tempo passou, pois ele certamente corre quando você está sendo feliz e vivendo seu propósito a cada dia.

A vinte anos a garota que atendia por e não por Black como agora, nunca poderia imaginar que estaria casada à essa altura, nunca imaginaria que viria a ter um filho sequer, quando ela, de fato, já tinha três.

Sua primogênita fora Sarah, que ganhou esse nome em homenagem a mãe de seu marido, que morrera quando ele ainda era criança. Sarah já tinha 20 anos agora, com os cabelos negros de Jake e os olhos cinzentos de , ela já era uma mulher feita, mais alta que a mãe, não que isso fosse muito difícil.

Ela foi sua primeira menininha e a mimou e protegeu até ser obrigada a soltá-la para o mundo. No momento a garota estava em Seatle cursando a faculdade de Psicologia e deveria estar chegando de viagem a tempo para a fogueira desta noite. Permitiu-se recordar a confusão que fora o nascimento de sua primeira filha já que na mesma ocasião, sua melhor amiga e sua cunhada também estavam dando à luz e aquilo quase levou todo um bando de lobos à loucura.

Lembrou-se e sorriu sozinha em sua cozinha, totalmente reformada, assim como foi o resto da modesta casa, quando ela descobrira a gravidez de seu segundo filho e perceberam que precisariam de mais espaço já que não estavam nenhum pouco interessados em começar a fazer planejamento familiar.

Assim que o rosto de seu filho passou por sua cabeça, seu peito se encheu de orgulho. Ele era uma copia fiel do pai, nem mesmo parecia que tivera uma mãe já que de ele herdara apenas o que Jake chamava de: “teimosia obstinada”, no que sempre rolava os olhos e dizia que então, nem isso fora dela, pois era o marido, a pessoa mais teimosa que ela conhecera na vida.

Essa noite também seria especial para o seu garotinho, que também já não era mais um garotinho. Com seus dezoito anos, Victor estaria assumindo o bando de seu pai para que Jake pudesse finalmente parar de correr e começar a envelhecer como um homem comum. Tudo seria oficialmente anunciado hoje.

O telefone tocou e esticou-se para apertar o botão do viva voz e voltar ao trabalho.

• Como vai a torta, cunhadinha? - a voz de Rach soou animada por detrás do aparelho pregado na parede.

• Tudo sob controle, acho que não vou queimar nada dessa vez! - assegurou.

Rachel gargalhou do outro lado da linha.

• A garota da Califórnia fazendo tortas de maçã, quão provinciano. - provocou com intimidade.

• Falou a PHD, gravida pela quarta vez e responsável pela torta de carne. - devolveu e Rach gargalhou outra vez, gostosamente.

• Eu liguei pra avisar que a Kim está tendo alguns problemas em casa e talvez nós tenhamos que fazer a parte dela...

• O que foi? - perguntou preocupada com a melhor amiga e cortando Rachel.
• [
• Não é tão sério e eu só sei porque sou vizinha dela. Acabou de acontecer, na verdade. Parece que Matt se envolveu numa briga. - Rachel fez pouco caso.

O filho de Kim era um bom garoto mas era totalmente o oposto da mãe e seu temperamento era até mais parecido com o de Paul, marido de Rachel, do qual o garoto nem era realmente parente. Apostavam nele para o próximo membro na segunda geração do bando.

• Não é nenhuma bomba atômica! - concordou .

E então Rachel disse algo como: “Eu disse que não era!” e logo desligou para cuidar de seu forno. A primogenita de Rachel, Ana, era namorada de Matt desde que os dois descobriram que não parecia mais nojento beijar o coleguinha e imaginou que principalmente por isso e não por serem vizinhas de porta, foi que Rach soube da tal crise antes dela que era sempre a primeira pessoa para quem Kim ligava quando precisava de ajuda com qualquer coisa. “Não deve ter sido nada serio mesmo!” pensou outra vez e voltou para suas maçãs.

(…)

O relógio cuco que tinha na parede às suas costas apitou e percebeu que Jacob logo chegaria em casa. Seu marido era realmente um pedaço de mal caminho! Sua memória à levou até sua ultima viagem para a Califórnia.

A Abermonth Academy, escola onde estudara por quase toda a vida iria oferecer um jantar de ex-alunos em ocasião de seu bicentenário. Recebera o convite ainda em La Push e apenas rira com a possibilidade de comparecer mas aconteceu de a data do evento coincidir exatamente com a visita que fazia ao pai.

Seu pai, ao contrario de sua mãe, pareceu muito a favor de seu relacionamento com Jake assim que acordou de um coma de quatro meses completamente recuperado e com toda uma outra visão da vida, depois de passar por uma emocionante experiencia de quase morte que já virara anedota familiar pela quantidade de vezes que fora contada. Essa atitude positiva de seu pai frente às escolhas que fizera, acabou reconstruindo um laço que ela pensava ter perdido para sempre com sua família.

Na verdade, os dois construíram a partir dali algo muito mais importante do que todos os anos que passaram apenas ocupando obrigatoriamente os cargos de pai e filha. Claro, Clarissa não fez parte de nada disso e após conseguir um acordo milionário pelo divorcio, mudou-se para França, onde fora criada e felizmente ninguém a viu outra vez.

Vencida então, pelo desejo um tanto mórbido de contar as rugas de Trace e ter certeza que as suas não eram mais numerosas, ela obrigou um Jake um tanto relutante à entrar em um smoking, subiu em cima de seus La Boutins mais glamourosos e foi até o melhor salão de beleza de Beverly Hills para garantir que estaria totalmente à altura daquele tipo de evento.

Às oito em ponto, uma hora cuidadosamente atrasada, lá estava ela e seu marido troféu ainda preso em um corpo de 25 anos mesmo que já tivesse quase 38.

Jake odiou tudo, é claro. Não parava de se irritar pela quantidade de homens que cercavam impressionados com o fato de ela parecer exatamente a mesma garota que conheciam, como se os anos não tivessem afetado ela também. Ele não percebeu que toda e qualquer mulher do salão olhava para ele e encarava sua esposa com ares de inveja, enquanto as más línguas começavam a circular sobre quem era o garotão que decidira sustentar.

Já no meio da festa, onde os aperitivos davam lugar ao jantar, fora abordada, não muito gentilmente por alguém que demorou reconhecer. Luke não tinha mais o corpo firme e bronzeado e os cabelos dourados que faziam dele o rei da escola à vinte anos atrás. Ela podia apostar que até mesmo os olhos dele haviam perdido o brilho da confiança, alem de ganharem algumas bolsas frouxas, ganharam também uma característica submissa e meio idiota que ele nunca demonstrara antes.

, você não mudou nada! Como pode estar ainda mais gostosa que na época do colégio! Você não ia ter um filho? - disse tropego, claramente alterado pelo Wisky do qual vinha se abastecendo no bar desde que chegara ali.

Antes que Jake fizesse algo mais do que encará-lo com muita raiva, Luke virou-se subitamente, dando à uma visão completa de sua calvície já bem avançada.

• Venha Trace, veja quem eu achei! - chamou um tanto alto demais, alardeando sua patética condição.

E então o queixo de caiu um pouco mais quando viu andar até ela uma mulher extremamente magra, tão magra que sua pele macilenta parecia completamente frágil ao mais simples toque. Trace era uma coleção de cirurgias plasticas que deram errado. Desde os olhos que pareciam esbugalhados demais, à sua sobrancelha tatuada permanentemente e seus lábios de silicone, carnudos em excesso. A sua total e completa falta de rugas devido à uma obvia aplicação cavalar de Botox, conferiu a ela uma qualidade ofidídea e imaginou que pela primeira vez a ex-amiga parecia por fora, a cobra que ela era por dentro.

Não ficou muito tempo mais naquele lugar. Sua curiosidade mórbida não era suficientemente grande para diverti-la depois de tudo o que viu ali. Deu à Jacob seu tão esperado passe livre daquele terno engomadinho, como ele mesmo o chamava. Mesmo morando no fim do mundo e fazendo tortas de maça ela ainda era uma dama, não chutaria cachorro morto.

(...)

Voltando ao presente, ouve a porta bater e pelo descaso com que fora batida só poderia ser uma pessoa. A sua caçula, com 16 anos recém completados e a dor de cabeça da casa, totalmente rebelde e metida a sabe tudo, que a fazia lembrar de mais de si mesma nessa idade. Para complicar um pouco a situação, ela também era o imprinting de um dos lobos da nova geração do bando. O filho mais velho de Sam, a quem todos chamavam Samuel.

• Mellanie, onde você estava? - alterou sua voz quando percebeu que a garota passara direto pelo corredor que levava aos quartos e não se dera ao trabalho de entrar na cozinha.

Não obteve resposta enquanto respirou fundo e lembrou a si mesma para ter paciência. Jake mimara demais sua garotinha e como ela era realmente a caçula, já que decidiu fechar a fabrica depois do terceiro filho, acabou sendo estragada pela família inteira também.

Menos de cinco minutos depois a porta bate outra vez, fazendo o mesmo som irritante. pondera se deve ou não ir atrás da garota e exigir explicações de seu paradeiro mas parar e pensar faz com que já seja tarde demais, pois se bem conhece a filha, em seu passo ligeiro de fugitiva já deve ter virado a rua.

Bufa indignada por não ter pulso firme quando se trata de Mel e admite que assim como acusa todos os outros de tê-lo feito, ela também a mimou demais.

• Porque a cara de brava, minha patricinha linda? - Jake sussurra em seu ouvido chegando de mansinho sem que ela o percebesse.

• A sua filha me ignorou outra vez e saiu de casa sem dizer onde ia! - responde mal humorada embora sem a convicção necessária já que o marido agora desce a mão até seu bumbum o apertando e começa a distribuir beijos em seu pescoço.

• Agora ela é só MINHA filha, não é? - ele ri matreiro enfiando a outra mão por baixo do avental e atravessando a fina regata que ela usava até encontrar um de seus seios.

desiste de suas maçãs e se deixa levar completamente quando Jake a vira de frente e a imprensa contra a pia. Trocam um beijo faminto e cheio de língua e ele aperta sua cintura sem delicadeza enquanto a coloca em cima da bancada. Ela abre suas pernas e o enlaça instintivamente. Joga a cabeça para traz em um gemido alto enquanto ele chupa com gula um dos mamilos que acabou de descobrir. A regata que usava, totalmente relaxada e inútil pela violência com que fora afastada. Sente a ereção dele sob o jeans e descontrolada como sempre quando ele a pega desse jeito, desce suas mãos afim de abaixar ela mesma as calças dele e acabar logo com a tortura. Seu sexo pulsando com força. Apenas afasta a calcinha como já fizera tantas vezes, na pressa de ser consumida por aquele êxtase tão conhecido.

• ECO! - o grito tira os dois de orbita e Jake sobe suas calças em uma velocidade impressionante.

Mellanie está parada na porta da cozinha com uma mão no peito enquanto a outra mão aperta dramaticamente os olhos em um sinal de recusa veemente.

• Por favor diz pra mim que eu não acabei de ver o “remake” da minha concepção! Meus olhos foram cegados para sempre! – ela choraminga enquanto continua dizendo “ECO” “ECO” sem parar.

• O que você faz aqui? - pergunta nervosa ignorando a tentativa de drama da filha caçula. Os seios ainda desnudos protegidos pelo peito largo de Jake.

• Ah, agora é assim não é?! Quando eu não estou em casa é “O que você tanto faz na rua, porque não fica mais em casa?” Decide logo o que você quer mamãe! - diz atrevida enquanto solta uma risadinha sarcástica.

• Ai, eu vou matar ela! - a mãe esquece completamente que deve parecer um adulto responsável e pula da bancada, esquecendo-se também de sua situação.

A garota grita outro “ECO” e tampa novamente os olhos e antes que avance enfurecida em sua doce filha adolescente Jake para sua mão e diz sério.

• Vá pro seu quarto Mell, falo com você depois e não ache que eu não estou sabendo do que você e aquele filho irresponsável do Sam aprontaram na praia porque eu fico sabendo de TUDO, mocinha!

E como ao pai ela nunca ousa desobedecer, talvez por sua voz trovejar acima de qualquer outra da casa, impondo aquele tom alfa, Mellanie apenas dá língua para a mãe despreocupadamente e sai da cozinha.

• Essa menina está impossível! Nem eu fui tão terrível, tenho certeza! - desabafa arrumando sua blusa arruinada e parecendo mais cansada do que estaria normalmente após um dia comum de sua rotina.

Jake levanta a sobrancelha e está pronto à lembrar sua esposa do quando ela fora até mais impossível que sua filha quando considera que não deve dizer nada ou acabará dormindo no sofá.


(...)

No inicio da noite Jacob e deixam a casa e caminham de mãos dadas como o apaixonado casal de namorados que eles são já a vinte anos. já ajudara na organização das mesas de comida e voltara para casa afim de se arrumar e ir até a fogueira com o marido, aproveitando a caminhada.
• Você acha que Victor está mesmo pronto? - pergunta à ele sobre o filho que está prestes a receber grande responsabilidade.
• Ele aceitou tudo isso muito melhor que eu e é um bom garoto, pode lidar com tudo sem maiores problemas. Ainda estarei aqui para ele nos próximos anos e meu pai diz que tudo está calmo agora. Não parece que ele vá passar por um terço do que nós enfrentamos! - tranquiliza a esposa.
• Ele ainda é meu bebê, sabe! - se defende com um sorriso fraco, ainda preocupada como uma boa mãe.
• Ele é o meu bebê também. Vai dar tudo certo! - Jake a abraça um pouco mais forte fazendo-a suspirar e concordar com a cabeça.

Depois de comerem e ouvirem as lendas, Jake anuncia o filho como próximo líder da matilha e Victor recebe os cumprimentos da comunidade ali reunida. De repente um carro estaciona ali por perto e dele sai Sarah, que agita seus braços, chamando o pai e a mãe.

• Desculpem por não chegar a tempo, mas é que eu tenho uma surpresa! - a garota anuncia transbordando de felicidade. A outra porta do carro se abre e percebe quando Jake enruga o nariz e olha em volta assumindo uma posição protetora em volta da filha e da mulher.
• Mãe, pai, eu vou me casar! - a garota anuncia exibindo um grande anel de diamantes ainda sem deixar que eles falem qualquer coisa. - Conheçam o meu noivo, Oliver. - indica o homem que acaba de contornar o carro postando-se à seu lado.


(...)


Quando toda a confusão foi resolvida e as cabeças foram mantidas, com um grande esforço por parte das mulheres, principalmente, Jake ainda muito carrancudo e completamente fechado à uma conversa franca e que se mantinha embasbacada com tudo o que ouvira sobre sua filha que estava de casamento marcado com o vampiro que ela mesma conheceu como padrinho por quase toda a vida, chegaram em casa prontos para dormirem primeiro e pensarem depois quando suas cabeças estivessem um pouco aliviadas.

E eis que no sofá da sala, na primeira luz que acendem, eles finalmente descobrem onde Mellanie se metera a noite toda, que não pode aparecer nem um segundo sequer na fogueira.

Só de calcinha ela se enroscava sem pudor algum no filho primogênito de Sam Uley, que era cinco anos mais velho que ela e nem assim mais responsável, vestido apenas com uma bermuda surrada de quem acabara de voltar da ronda e com o zíper totalmente aberto.

• Eu vou matar essa menina! - foi a vez de Jake trovejar.

A filha deu um alto pulo do sofá puxando uma manta que estava caída no chão e tapando a nudez enquanto seu acompanhante tentava fechar com alguma dignidade a braguilha sobre sua grande ereção aparente.

Por alguma razão que ela desconhecia, talvez o nervosismo já acumulado através daquela noite atribulada, ou quem sabe as lembranças dos amassos indecentes que ela mesma dera naquele sofá aos 16 anos, Black não conseguiu fazer nada além de se dobrar de tanto rir.

Chacoalhando o corpo em soluços histéricos, ela gargalhava tanto com tal força que fez com que Jake esquecesse até mesmo o que tinham presenciado para encarar a mulher, preocupado com sua sanidade.

• Samuel. - ela chamou o garoto ainda rindo, agora um pouco mais controlada. - Você precisa se concentrar mais, garoto. A Marta nunca pegava o Jake em flagrante!

E então como se já tivesse dito tudo, caminhou até seu quarto tropega pelo ataque de riso arrastando um Jacob muito assustado com o que ela acabara de dizer e começando a se recuperar do susto o suficiente para considerar ir até a sala e arrancar uma das patas daquele filho abusado do Sam.

• Vou casar aqueles dois e aí ela vai ser problema dele! - Jake sentou-se na cama e sua carranca aumentou. No momento ele parecia uma velha puritana.
• Há por favor! Qual é a nossa moral pra dizer alguma coisa? Ela nos pegou na mesma situação mais cedo e nós nem temos a desculpa de que nossos hormônios nos enlouquecem! - rebateu.
• Realmente, não são os meus hormônios que me enlouquecem... - Jake sorriu para a mulher esquecendo-se temporariamente de qualquer preocupação com os filhos enquanto assistia ela se despir despreocupadamente para vestir o pijama. - Quem me enlouquece, e sempre me enlouqueceu, é você Sra. Black! - gracejou agarrando-a antes que colocasse os shorts.
• Pois eu posso dizer o mesmo Sr. Black! - ela levou às mãos aos braços fortes do marido ainda sem se virar.

Aqueles braços já eram seu lar tempo suficiente para que ela soubesse que, por mais que sua humanidade impedisse um “para sempre”, ela duvidava que mesmo a morte fosse capaz de separá-los.

• O que você acha de terminarmos o que começamos mais cedo, hein? - ele mordiscou seu pescoço apertando mais possessivamente sua cintura.
• Eu acho que você tem as melhores ideias, meu amor!

103 comentários:

  1. Mew,isso só almenta minha raiva pela songa monga,destruidora de corações,vaca,e muitas outras coisas(julgo Bella).
    Tipo odeio ela mais que nunca.
    E ah amei a Fic flor
    Posta mais tá.
    Kisses&Peace

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  2. Cara, essa fic parece ser ótima...Jake e uma patricinha?? essa promete ;))

    E o que fez a Bella achar que o Jake iria entender TUDO oq ela tinha pra dizer por meio de uma simples e estúpida carta??O cara da magoado sua pastel!!(mto ódio da Bella)

    *Posta logo*
    Bjao 8*

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  3. Ameeeiii! Mais uma maravilhosa fic da Elizabeth Beans! Perfeeitooo!
    A Patricinha e o Lobisomem promete mta risada e mtos tapas! aushauhsuahs
    BlacKisses

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  4. Amei, amei, amei...Flor a fic ta so no comecinho e ja achei perfeita. Adorei a forma como vc escreveu tudo e bom essa carta de Bella affffffffffffffffffff seri ela ja ta la no Alasca feliz com o Chuchu Picolé Cullen e o bb mostro, pq perturbar Jake lindo. Sabe que ele podis responder " VE se me esquece" * pronto falei mesmo* Bjus e continua logo!

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  5. Nusssssssssssssss como sou fresca hein uahuahuahauhau quero mesmo ver, quando conhecer Jake todo la Brutus, no que isso vai dar.Adorando. Bjus!

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  6. Ri muito de mim nesse capitulo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Nunca pensei em ser uma pat! Bjs flor amando a fic.

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  7. ~HAHAHAHA! Sério! Mto mto mto hilário! Ser patricinha de BH é caô! Amooo!
    Mas eu desesperei legal aqui!
    E agora? Me perdi no meio da mata! Será que vem vampiro atrás de mim? Ou vou ser resgatada por lobos gostosos?
    quero MAIIIS!!!
    Amando!!!

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  8. Ahg mei pai vai me dizer que eu vir4ei uma loba
    Jezus só pode ser néah
    Flor do eu s2
    Amo a fic de mais
    Posta masi tá
    Kisses

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  9. mas é claro que se eu colocasse as mãos no jake não largava mais. rsrsrs
    Não sou besta! ^^


    Bjs flor, tá fantastica!

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  10. HAHAHAHA AMEIII!!!

    ''Ninguém veio me avisar para ir embora'' Foi MARA!!!

    Gente eu sou muito Patty msm pq nem na hora da morte eu perco esse jeitinho ^^

    ADOREII

    Kisses

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  11. OMG!!! Eu surtei geral!!!! PAreço uma criança pequena lutando par não largar seu brinquedo preferido! aushaushuahs
    Se bem que Jacob Black seria um BELO brinquedo!
    OK, parey!

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  12. Putz,surtei geral aki.
    Tipo,claro se eu soubesse que quem estaria me segurando seria Jacob Black eu daria esse ataque mesmo o se daria.Não largaria ele por nada no mundo.E ain ele acho que eu era a porra sa Bella que isso mew,mas mesmo assim foi tão bom
    Lokinha pra ler o que vai acontecer
    Kisses

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  13. Uhauhauahuahuhuahua agora me diz se não sou uma garota esperta? agarro o lobão e ainda por cima ( literalemnte) ganho ele de brinde para dormir. Adoreiiiiiiiiiiiii com certeza essa Bella ja perdeu.
    P.s- esse lance de anjo é muito Patch e eu amo!

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  14. Tenho que falar: SOU A MAIOR FRESCA DO PEDAÇO. Como tenho todo aquele pity só porque durmi agarradinha com meu lobão lindo e maravilhoso? Uhauhauahuah Muito engraçada me ver como patricinha. Bjus!

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  15. kkkkk! Adoro os meus pitis! São tão legais! Sou mesmo uma patricinha mimada! Adooorooo!
    E adoro tb as discussões da Leah e do Jake!

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  16. Nossa,sou bem patricinha mesmo hein.
    Em uma noite,tava agarrada no Jake,pra ele não sair de perto de mim,e agora quero mata ele.Que isso.
    Nunca iria querer matar o Jake gostoso affe.
    Lokinha pra ler mais diva
    Posta mais tá
    Kisses

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  17. OMG!!!! Foi tão liiindo!! E hiláriooo!!!
    Amei demais esse capítulo!
    Estou começando a ceder a esse índio reles!
    Adooorooo ser patricinha!

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  18. WOOOW.
    Eu tenho dono agora é?
    Num sabia disso não.Mais o dono sendo Jacob Black eu nem teclamo saba.Tipo é o delicioso do Jake.Ele pode hehe.
    Então diva posta mais tá
    Kisses

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  19. NOOOOOOOOOOSSA *-*
    Sabe, eu já li essa historia, então eu sei o final . HOHOHO '
    Maaaaaaaas, eu nunca tinha lido Interativa, e é MUITO melhor *-* POKADPOKSAPODKSPO .
    POSTA MAAAAAAIS :}
    Beijo beijo ;*

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  20. Ok,a parte de SÓ amigos foi meio broxante devo dizer.
    Mais ameii esse cap,tem que rolar um clima e mais um beijo no penhasco néah tem sim pleace.
    AMEII
    Posta mais tá diva
    Kisses.

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  21. Ok,a parte de SÓ amigos foi meio broxante devo dizer. +1
    KPOASKDOASKDPOASDPO . tá muito boa a historia amor *-*
    posta mais amor :*

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  22. Eu sou danadinha, hein! Sou pior freira em T.P.M (hein? De onde saiu essa? Never mind)
    Mas th a certeza q o lobinho vai conseguir me dobrar nesse "pic nic"
    Louca pelo próximo cap!
    Kisses

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  23. A patricinha tá cedendo! Ups, EU tô cedendo! Yuupiii! Agora as coisas estão tomando o seu rumo! Aaiiaiaia q sooonhooo!!

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  24. AHHHH.
    Quem será que mandou.
    Nada pode interferir agora que eu e o jake estamos sabe.Nos entregando pelo amor de deus diva.
    Posta mais logo tá.
    Kisses

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  25. Ai flor vc está de parabéns, a fic é muito engraçada, me divirto com roupas e sapatos de marca, sem falar nas bolsas, mas nem tudo isso me impedem de achar o jake o maior gato. uhauhauahuahuahuah. bjus!

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  26. Ameiii o cap diva.
    E ain que bom que eu vou ter uma amizade com a Kim néah hehe.
    E nussa,to lokinha pra saber como vai ser essa vingança.
    Ameii
    Posta mais tá
    Kisses

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  27. nossa amei o cap bjs:Gabhy

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  28. Oh GOD! Jake tem sorte nenhuma mesmo, hein! Agora me vem esse tio sanguessuga! ksksksks
    Mas tá, eu tô toda derretidinha por ele, hein! Só não sei se eu, PATTY MOR, vou trocar todo o meu luxo pelo Jake! Será q ele vale tanto assim?
    kkkk
    Kisses

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  29. Eu não estou acreditando que fiz Jake de carregador de sacolas e de motorista particular O.O uhauahuahauhau serio isso ainda vai me custar um grande arrependimente, com certeza ele não vai deixar isso barato. Mas o que foi que aconteceu para eu sair da lonja assim? Super curiosa. Bjus! Adorei.

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  30. Só completando o coment anterior: lendo essa fic eu lembro daquela musica " Me diz Deus o que eu faço agora se me olhando desse jeito ela me tenha na mão. meu filho aguenta quem mandou você gostar dessa mulher de fases...Complicada e perfeitnha você me apareceu era tudo que eu queria estrela da sorte..." e assim vai uahauhauhuahauh

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  31. O que será que aconteceu hein?
    Ain eu quero saberrr mtoooooooo o que aconteceu.
    Não me deixa curiosa não tá.Posta mais
    Kisses.

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  32. Foi totalmente hilário ver Jake sendo carregador e chofer!kkkkkkkAmei.
    Agora fiquei super curiosa com esse final. suspeito q th sido o meu tal tio ligando e avisando q vem m ver....
    kkk

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  33. Por que será que eu acho que o Jake vai me ver dando uns amassos nesse tal de Lucas, o que só vai piorar ainda mais a situação?!!

    Trace vadia!!Nunca me enganou ò.ó

    Tah muito legal...posta mais logo!!

    BjaO

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  34. Pq eu tenho certeza que o Jake vai me ver dando uns amasso com esse Lucas?
    MAIS ISSO Ñ PODE ACONTECER POR FAVORR.
    E Tracy vaca,ta morta.
    Amei o cap
    Kisses

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  35. AEEEE.QUE BEIJO FOI AKELE GEUS ETERNOOOO.UII PEGUEI FOGO AKI.
    E ain,o tal Lucas mereceu akele soco Rum.
    E ain ain,o que vai acontecer hein?
    To lokinha pra saber
    Ameii o cap
    Kisses

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  36. O.O Nossa o que foi tudo isso? To aqui passada a vapor.Uhauhauhauhauhauha Menina do céu que tanta confusão até o probre do jake se meteu nessa só para me encontrar, roubou, bateu e o melhor beijouuuuuuuuuuu.. adorei o capitulo foi fantástico.
    Ahh o luke sendo arremessado tb! uhauahuahuahau

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  37. mTAA loucura esse capítulo hein?!!

    Eu até fiquei meio confusa...afinal eu beijei o lucas na contagem regressiva e achei que foi o Jake ou foi o Jake msm??


    Posta logo que eu tÔ branca da raíz até a ponta...

    BjaO

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  38. Gente, eu sou muito estúpida msm...
    Todo mundo preocupado e eu pensando em reputação, achando a Kim super traídora...

    Será que meu dinho tem algo a ver com o sumiço dos meus pais?? Espero que não!


    Tah mto mara esse capítulo!!!

    E quando é que eu vou saber que o Jake é um lobo?? Tô ansiosa!!

    BjaO

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  39. Eu sabia, eu sabia que o negocio iria ficar complicado, quando Jakle me desse um trato * dancinha da vitória8 e que trato, hien? To até agora sem ar com essa pegação todo no beco * abana que ta calor*
    Mas agora o que aconteceu com os meus pais? O.O * assustada* Capitulo perfeito. bjuus!

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  40. Por que diabos o Jake parou hein.Nem me impotaria se fosse em um beco,eu queria.Ahh raiva de vc Black.
    E nussa o negocio fico complicado hein.
    Lokinha pra ler mais.
    Kisses

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  41. Aiii esse capítulo foi o mais lindo...
    Mto romântico o beijo na carruagem igualzinho nos contos de fadas ><
    Mto lindoo!!!


    To adorando, posta mais!!

    BjaO ;))

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  42. Ain,Ain,Ain.
    Esse foi o melhor cap diva.De verdade,eu falei que gosto dele,teve beijo romântico e quente.E em uma carruagem,estilo contos de Fadas.
    Aemii de mais
    Posta mais tá
    Kisses

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  43. cap mt bom um dos melhores demais
    amei o cap post mais
    bjs ñ demora

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  44. Ohh que raiva viu.Meu tio tinha que aparecer logo agora?
    E sério,me tirar do Jake.Vai ser a morte.
    Ameii o cap diva.
    Posta mais tá
    Kisses

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  45. Ai...eu sabia que esse "DINDO" iria acabar atrapalhando a minha vida ò.ó
    E que história é essa de eu ser a reencarnação da Eleanor dele?!! E agora?! E ele ainda tem aquele poder sinistro de "convencer" as pessoas
    *--*

    Eu tava tão bem dançando com o Jake...Oh vida tirana D:

    Eu tenho que acordar p/ vida e ver que o tio Oliver não gosta de mim de verdade ele só quer a Eleanor dele de volta u_u

    BjaO

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  46. Putz! Será que dá p/ ficar pior? Depois de expulsar o Jake da minha vida ele ainda me escuta dizendo p/ Tio Oliver "eu te amo" quando na verdade era p/ ser pro Jacob!!
    E ainda vou embora com o dindo?!! Isso vai dar merda!

    ARGHHHH QUE ÓDIO ò.ó

    Bom...posta logo e por favor faz o Jake parar de sofrer logo coitado...já basta o que ele passou com a Bella e agora COMIGO?!!!

    BjaO

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  47. Me mata,me estrangula.
    Como EU fui capaz de fazer o Jake voltar a sofrer?COMO?
    Gente o EU TE AMO foi pro Jake,e não pro sanguessuga idiota do meu dindo.
    Isso tem que ser concertado.
    Tenho que volta pro Jake,e fazer ele parar de sofrer sim sim.
    Posta logo tá diva
    Kisses

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  48. Oh, menina cabeça dura... Será que ela não percebe o quanto o Jake a ama ? O meu lobo favorito não merece sofrer tanto. Ninguém em santa consciencia desprezaria o Jake assim a menina deve ser louca coitada!!!!

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  49. ESTOU TÃO FELIZ QUE AS COISAS VÃO SE AJEITAR E O JAKE TEVE SEU IMPRINTING ... MALDITA LENTES DE CONTATO QUE RETARDARAM TUDO.

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  50. ATÉ QUE ENFIM SENHOR \o/

    Aconteceu!!! Ele finalmente viu os meus olhos verdadeiros!!!!!!!!
    Eu já tava começando a ficar verdadeiramente irritada com esse chove não molha todo!!!

    E caramba hein?!! Coloquei aquela suburbanazinha no chinelo ou melhor na sola do meu scarpin!! HAUHAUHAUAHUA

    Tomara que agora as coisas se acertem meu Deus *ajoelhada em prece*

    BjaO

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  51. To ouvindo até fogos de artífico aki em ksa gente,hsuahsuasa.
    Ele viu finalmente meus olhos verdadeiro.
    *suspiro aliviada*
    E há,akela suburbanazinha,se fu cmg,colokei ela na sola do meu scarpin hsuahsuas.
    Ok,que a coisa continua boa,e tenha vários e vários beijos pelo amor de deus hauahsuas.
    Amei o cap
    Posta mais tá
    Kisses

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  52. HAUHAUHAHAUAH Nossa como eu sou mala!!

    Esse povo rico de cidade grande acha que conhece tudo e sabe de tudo da vida...logo eu na história sou a que menos sabe das coisas...
    Nossa mais eu fingindo que o lobo não era o Jacob foi ridículo, até mais ridículo do que de acordo com a superioridade dela(eu) seria admitir que ele era lobo HUAHUAHUAUHA ainda por cima desmaiou cara eu tenho que dar os parabéns a Leah agora, só um susto msm p/ colocar algo na cabeça oca dela(eu)


    BjaO

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  53. Bom, deixa eu tentar comentar TODOS os acontecimentos que eu perdi desde que fiquei sem note (o que é praticamente a fic toda porque eu fiquei off mais de um/dois meses!)
    Eu sou totalmente bandida! Como assim eu fujo de LaPush para ir em uma festa brega/chique!
    E que raiva da Trace. Aquela putiranha (minha criatividade para insultos é phoda!), vagalinha quem nem consegue chegar aos meus pés por mais que tente!
    E esse abusado do Lucas! Posso dar um soco nele? Ah, o Jake deu por mim! hihihihi! Mas esse Black é pólvora...melhor, lava de vulcão. Como assim ele me agarra e me atraca contra uma parede, me faz de lagartixa e me deixa na mão depois?
    E depois faz cara de idiota porque não entende pq eu discuto sempre com ele! AfFeee!
    Esse foi o melhor Reveillon de sempre! Aiaiaia! Entrei no ano com 2 pés direitos! aushauhsuahsuha
    ~Pena que logo minha alegria acabe pq vou receber uma bomba nuclear em meu colo. CADÊ MEUS PAAAPIIIIISSS!! BUUUUUÁAAAAAAAAAAAAA

    Coitada da Kim, quase que ficou sem olhos nem cabelos por me ter dedurado!
    Mas apesar de ter ficado super mal, consegui organizar com pomposidade o casamento do Sam e da Emily! Alguma coisa que me distraia.

    E aquele passeio na charrete! OINT que liiindoooo! Quer coisa mais romântica?? E olhe que foi atitude minha! Devia ter sido o Jake pegando em mim no colo e me levando até um cavalo branco, como um perfeito príncipe encantado do interior, mas gostoso pra cacete! aushauhsuhaushauhs

    OMG! E o que aquele chupador de sangue vestido em um armani veio fazer a La Push? Veio tirar o resto da minha sanidade e da minha segurança dos braços de Jake??
    Tem vezes que eu sou mesmo idiota!
    Como pude, depois de tudo, trocar o Jake pelo Oliver!!! Ao menos eu me apercebi que o Oliver era estranho e que o Jake era tudo!
    O Jake é TUDO MEESMOOO!

    Aaaiii, doeu! Magoei! Como o Jake consegue me tratar desse jeito??
    Cheguei naquela bosta de escola com classe! E consegue botar nos canfudés aquelas caipiras horriveis! Eu sou um máximo, não sou! aushauhsuhasuhauhsauhs
    (OK, menos Sophia. Isso é apenas uma fic!)

    OMG! OMG! OMG! OMG! OMG! OMG! OMG! OMG! OMG! OMG! OMG! OMG! OMG! OMG!
    COMO ASSIM EU SOU O IMPRINTING DO JAKE E SÓ POR CAUSA DAS MALDITAS LENTES VERDES ELE NÃO TEVE O IMPRINTING!!!!
    Me diz! Eu vou surtaaarrr
    Aaaaaaaaaaaaaahhhhh!

    QUERO MAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIISSSS!

    Kisses da Baby Suh

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  54. " Porque Jacob estava me olhando como se eu fosse a ultima bolacha do pacote em uma viagem à Etiópia? "

    Moooriii!!! Tô rindo tanto que já me falta o ar, cara! kkkk
    Comecei muito bem o capítulo!
    Eu juro que se eu realmente estivesse na situação da personagem, eu chamava de imediato uma ambulância e internava Jake em um manicômio! kkkk
    Ele reagiu totalmente alokado! Sem nexo! Eu mesma fiquei boba que até me esqueci que ele tinha um imprinting comigo no final do cap anterior!
    auishauhsuahsuhauhsauhs
    Foi super louco!

    Adoooroo fazer doce! Kim foi um amor! Só faltou me colocar no colo e me dar umas palmadas no rabo para eu deixar de ser mimada! adoooreeeii!
    kkkkkkkkkkk
    Kim é a melhor BEST de todo o universo! kkkkk
    E ainda tem muita paciência pra me aturar! kkkk

    Fiz doce de novo! Adooorooo! Jake me carregando no colo e eu fazendo pirraça! kkkkk. PERFEITO DEMAIS!! aiaiaiaiai


    Leah foi demais!!!! ameiii!
    como eu posso ser TÃO cética, hein! Leah foi obra!
    E eu sou mesmo fresca! Desmaiei e tudo! aushauhsauhsuahsuhauhs

    Quero mais!
    Kisses da Baby

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  55. Até que enfim eu tomo uma decisão madura e não-egoísta a respeito de alguma coisa!!

    Até que enfim eu deixei meu orgulho de lado e finalmente aceitei o Jake na minha vida *coros de aleluia* \O/
    Tirando o desmaio até que eu encarei bem as coisas...principalmente com o dindo...e por falar em dindo...AHHHHHHHHH se ferrou bonitão levou um fora bonito de mim e ainda presenciou o meu amasso com o Jake no elevador *--*
    O ego dele deve ter virado poeira ao ver que eu estava me agarrando a "criança" que ele tanto desmereceu HAHAHAH!!!

    Adorei o cap!!!

    BjaO

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  56. Meu pai eterno.
    Que foi isso.
    Meu Dindo bem que mereceu isso gente.De verdade
    E ain,to orgulhosa de mim na real hehe
    Tipo assim diva posta mais tá
    Kisses

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  57. "Te amo, seu idiota!"
    aushauhsuahs
    Amo demais mesmo!
    Finalmente estamos oficialmente oficializados como namorados oficiais! - Já disse oficial? uashauhsuhaushauhs
    Ainda bem que eu consegui recobrar o juízo depois do piti! asuhauhs. Pensei que ia surtar mais um pouco, como o Jake falou, mas ainda bem que não. Já fugi tempo demais daquele índio gostoso do proletariado!
    aushauhshaus
    E ainda bem que o vamp Oliver desencanou de mim e percebeu que eu não era a sua Eleonor. Mas será que ele vai querer se vingar?
    Amei o capítulo!
    Poste mais!
    Kisses da Baby

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  58. Menina eu adoro essa fic sou tão complicada e perfeitinha...E além do mais com Jake me protegendo aaiaiiaai *suspirando muito* Bjus!

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  59. ui que tudo
    foi tão lindo
    perfeito
    maravilhoso
    romantico




    PS: será que a minha mãe vai atrapalhar alguma coisa e querer me levar
    embora??

    *medo*

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  60. AHHH
    Minha primeira vez foi perfeita
    linda
    calorosa
    maravilhosa
    divastica
    Agora vem aki,minha mãe não vai me tirar de La Push não né,por que se for eu fujo com o Jake Rum
    *medo*
    Kisses

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  61. É por uma noite assim, numa barraca, numa praia em La Push com esse clima de romance que eu sou totalmente Team Jacob!!!!
    OMG que capítulo foi esse, quente demais, tenho até que tomar uma ducha fria urgente!!!!
    Realmente o capítulo foi bem escrito com detalhes riquíssimos e altamente envolvente.
    Só espero que minha mãe não tente me separar de Jake, pois isso seria um verdadeiro desastre.

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  62. Aaaaaaaaaaaaaaaahhhhh!!!
    LINDO! liiindooooo!! Maravilhos, perfeito, explêndido!
    EU TIVE MINHA PRIMEIRA VEZ COM O JAKE!!
    surtaaandoooo!!!
    Foi tão perfeito e lindo *estou me tornando repetitiva*
    Estou completamente boba! Acho que vou sonhar com essa primeira vez essa noite! aushuahsuhauhuhas

    OMG! minha mums voltou!!!!
    Ela tá VIVA!!
    Será que isso é bom???
    Kisses da Baby

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  63. EU QUERO UM JACOB PARA MIM!!!! D:

    gente a "hora do sofá" foi muito boa ;)) Só nós dois msm para ficar se pegando dessa forma num sofá HUAUAHA

    e ainda bem que eu parei de ser besta u_u

    Eu adoro o jeito como eu e a Kim somos amigas ^^ me faz lembra como eu e minhas amigas nos tratamos HAHAHA...é uma xingando a outra mais no fundo a gente se ama!!!

    A NOSSA NOITE FOI DIVINA *.*

    E eu duvidando da Kim e achando que ia ser a pior noite hein?!!!Paguei a minha língua!!

    "Você não viu nada linda...nós vamos por fogo nessa barraca hoje!" *O* *Surtando em 3...2...1* AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!
    DESFALECI!!

    a minha mÃE TAH VIVA?!!!!!!!
    DESFALECI...de novo!
    É muita coisa p/ um coração(msm jovem) aguentar!!!

    Tô adorando (8)

    Bjus Bjus!!

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  64. NOSSA AQUELE ACAMPAMENTO NA PRAIA FOI MESMO PROVEITOSO... A CEGONHA VAI CHEGAR EM DOSE QUÁDRUPLA EM LA PUSH E OS LOBINHOS CRESCERÃO JUNTOS...QUE LINDO!!!!!!!!

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  65. Que mãe mais...mais...mais...SANGUESSUGA!!!! Não achei palavra melhor, então utilizei a teoria do Jake!

    Nossa, que mal estar foi aquele, hein?
    HAHAHAHAHAHAH! Eu sou uma danadinha. Fiquei seduzindo meu lobinho, consegui o que queria. E que caloorrr menina! Abafou aqui de repente, hein!
    aushauhsuhaush

    Nossa, epedemia??? Os lobos embucharam todas as garotas? kkkkkkk
    Muito massa!

    Aqui vai minha teoria em relação à minha suposta esterilidade.
    Talvez eu não seja 100% estéril e que seja só um defeito genético em que um espermatozóide de um humano normal não aguente a "viagem" até o óvulo e acabe por não fecundar...
    Mas como os espermatozóides de Jake não são de um humano normal, ou seja, são 100% MAIS FORTES, eles conseguiram fazer a "viagem" e fecundar o meu óvulo supostamente estéril!!!
    Fim de teorias!!!

    Agora, o mais hilário é ter tudo embuchado ao mesmo tempo!
    Esses machos tavam com um fogo só, hein!! Foi o acampamento!!!!
    aushauhsuahs

    Kisses da Baby

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  66. PQP.
    Eu to gravida?
    Mais pai eu não era sabe estéril.
    Vai ver todo imprint tem que dar um filho pro seu lobo.Bom deve ser isso
    Tipo vc tem que postar correndo de mais tá
    To mega louca pra saber o resultado
    Amo a fic
    Kisses

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  67. Cara eu não mereço ter uma mãe dessa!!!
    Me deu asco só de ler como ela se comportava u_u

    Gente que mal estar foi aquele?!(uhum sei, mal estar u.u)

    Só um sonho picante já me deixou assim subindo pelas paredes pelo Jake...E eu apelei COMPLETAMENTE!!

    Gente só o Jake p/ ser tão DEUS GREGO em tudo!! Acho que nem um deus grego bate com ele ^^

    Cara, só homem msm p/ ser TÃO lento!! Doença? Epidemia? Mal-estar? '_'

    Parece até que eu ouvi a engrenagem na cabeça do Seth e a luzinha acendendo quando a ficha caiu!!

    A Kim surtou um pouco demais não?!! Pelo menos o choro...tipo ela deve ter chorado por todo o tempo em que ela ficou entocada em casa '-'

    Ai eu tenho certeza de que eu estou grávida...e vai ser tão tudo, já que eu pensava ser estéril!!!

    A Marta vai surtar!!!HAUHAUAUHAUHAU

    TODAS FICARAM GRÁVIDAS NA MESMA ÉPOCA!!!!

    É...esses lobos não brincam em serviço não hein?!!HAUHAUHAUAHUAHU

    BjaO ;))

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  68. Essa empata foda da sonsa monga da Bella não perde a mania de ser inoportuna na vida do Jake, ele nem pode curtir um draminha com a namorada que esse Urubu já aparece. Mas, apaesar de tudo tô muito feliz do Jake ser papai. Aliás, não quero beber a água de La Push, pois tá todo mundo engravidando.!

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  69. Que dramão!!!

    Todas grávidas, a Rachel louca e desesperada...o que será que fez todas ficarem grávidas de uma vez??
    Para aquela urubu ter ligado - o que obviamente significa que os Cullen estão com problemas, já que ela nunca liga por outro motivo - só pode ser que vai aparecer coisa ruim por aí...e por falar em coisa ruim, e o Tio Oliver?? Ele desistiu assim de mim? Acho que não hein??
    Ai meu Senhor tantas coisas em que pensar!!!

    Ansiosa aki!!

    BjaO

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  70. Aaaaaaaaaaaaahhhhh
    Isso é tudo tão liiiiindOOOOOOOOOOOO!
    Todo mundo vai ser mamãe e papai! aaaaaaaaaaaaahhhh!
    Só a Claire se safou pq ainda é menininha e pq ela mesma já é uma neném!! Ahahahahah.
    Agora quero é saber a explicação para todas essas gravidezes!!!!
    Eu nem quero ver a reação da Marta e da minha mãe! Acho que a Marta vai cair para o lado e minha mãe vai me deserdar! kkkkkk
    O Billy é que vai ficar todo bobo. Vai ter 2 netinhos de uma vez! OMG! Q foooofoooo!

    Amando a fic. Já th saudades dela!
    Kisses da Baby

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  71. COMO É QUE É?
    ELA É LOKA DE LIGA BEEM NESSAS HORAS?
    Hello ele esqueceu ela,ta feliz vai ser papai.(sorriso bomo on)
    E ela vem e liga.Isso não vai presta em nadaa.
    E boom,to boba aqui.Billy vai ficar mega bobo.
    E a Marta bom não sei hihi
    Amo a fic,e não demora pra posta táa
    Kisses

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  72. Leitora nova O/ to amando a fic flor muito boa mesmo *-*
    Cara que mancada agora que ele tava la bem felizao ela liga morre diabo -AAHUSHUAHUA desculpa nao resisti :D
    Posta logo mega ansiosa
    Beijos

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  73. Mew,morre Sua sem sal,sabguessuga fdp.
    Sabia que ela só liga quando as coisas apertam.Mano que raiva vlh.Affe
    E que isso.EU IR EMBORA?COMO ASSIM.
    É melhor pra mim e pro bebê.Mas e o Jake?
    Como vai ficar.
    Alguma coisa tem que acontecer e logoooooo.Deus to morrendo de ódio dessa Bisca[desculpa a linguagem]
    Amo a fic
    Posta logo tá
    Kisses

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  74. Ok, eu vou ali me enforcar e já volto!
    Genteee! Eu tô chorando baba ranho e oceanos de lágrimas! Sério. Essa PUTA da Bella tinha mesmo que estragar minha vida com essa aberração júnior do seu filho (que ela teve a distinta lata de dar o nome do meu JAKE)!
    E agora por causa da perda da songassuga da Bella, Jacob está me mandando embora com a MULHER que quer matar nosso filho! Ah, céus! Assim não dá! MIMIMIMIMI!

    Posta mais!
    Kisses da Baby

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  75. Amei, amei, amei...
    só naum gostei de ser mandada para longe!!! Eu tinha ficado meio triste quando soube que era estéril, mas pelo visto, meu médico se equivocou... CHUPA ESSA MANGA MAE!!!
    Adoro ♥

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